A Revolução dos eBooks # 3


Por Ednei Procópio | Este texto foi originalmente publicado em “A Revolução dos eBooks” | Capítulo Caçando Mitos | Páginas 197 até 200 | SENAI-SP Editora/2013 | Indicado ao Prêmio Jabuti 2014

"A Revolução dos eBooks", por Ednei Procópio

“A Revolução dos eBooks”, por Ednei Procópio

O futuro do mercado editorial é o self-publishing?

Os mitos se avolumam quando um mercado antes dominado pelos barões da mídia passa, hoje, às mãos de um exército de empreendedores que assumiram o controle do futuro dos livros. Entre os novos empreendimentos estão aqueles ligados às chamadas edições de parceria, cujos custos de produção são pagos por parceiros de fora desses empreendimentos editoriais.

Um desses parceiros financeiros pode ser o próprio autor. Mas o chamado autor independente não é aquele que paga pelas publicações. Autor independente é aquele profissional da escrita que não mantém exclusividade com um único selo editorial, podendo ou não custear a publicação de seu trabalho sem estar obrigatoriamente preso a um grupo ou selo editorial.

A independência desses novos autores não se restringe às questões financeiras. Dois pontos são cruciais para serem desmistificados quando o assunto é o self-publishing. Primeiro: não importa quem custeia a publicação de um livro, se é a editora, o autor, o governo, o patrocinador externo, o mercado, um mecenas ou algum doador de um site de crowdfunding. O que importa é que o livro tenha qualidade editorial. Segundo: praticamente metade das publicações das editoras brasileiras é custeada pelo governo e nem por isso essas edições são chamadas governamentais. As vendas são governamentais, e não as edições em si.

Muitas edições são custeadas por prêmios ou incentivos culturais. E parte das edições das próprias editoras não é paga por ela, mas pelo resultado das vendas de outros títulos no catálogo. Portanto, é correto afirmar que quem paga as edições das obras nas editoras convencionais não são os editores, mas os leitores e os próprios livros — estes fornecem o lucro. Se não houvesse o lucro, não haveria o custeio das publicações por parte das próprias editoras.

Apenas uma parcela menor das edições é custeada pelos próprios autores, o que não constitui falta de qualidade do material publicado. É necessário separar o processo de seleção, avaliação de originais e de curadoria do processo financeiro, que permite o custeio da publicação das obras. Muitos livros custeados pelo próprio editor podem ser considerados ruins, assim como alguns bancados pelos autores são avaliados como bons.

A segunda questão tem a ver com a equipe editorial necessária para que uma obra tenha qualidade. Independentemente de quem custeia a publicação de determinada obra, a existência de um corpo editorial mínimo para a viabilização qualitativa da edição põe por terra a tese de que haveria uma desintermediação do editor quando o assunto é edição independente. Por mais que uma edição seja considerada independente, se o custo financeiro é levantado fora da casa editorial, conforme afirmado anteriormente, será sempre dependente de um corpo editorial que faça o trabalho de avaliação, leitura crítica, seleção, preparação de texto, revisão, formatação, paginação, diagramação. Sem isso, uma obra não terá qualidade, independentemente de quem custeie a publicação.

Edição do autor é uma coisa, edição independente, outra?

Na edição do autor, o próprio profissional cuida do livro; na edição independente o processo de produção pode ser cuidado por uma equipe. Ambas as opções sempre existiram. Aliás, até a parceria financeira entre editora e autor sempre existiu. Antes da transparência causada pelo advento da internet, o que não ocorria era o acesso à informação de que isso era mais comum do que se imaginava.

O que estamos vivenciando talvez seja a desintermediação do processo financeiro do custeio da obra, mas não dos processos de produção editorial, tão imprescindíveis para a qualidade das edições e sem os quais o próprio leitor perceberá a falta de qualidade e deixará de comprar os livros. Então, independentemente de quem paga as edições, se estas não mantiverem a qualidade editorial, o livro não venderá e a cadeia de valor do livro não fechará seu ciclo.

Portanto, insisto, autor independente não é aquele agente presente na cadeia produtiva do livro que paga pela publicação de seu próprio trabalho. Pagar pela publicação é somente uma das possibilidades econômicas de viabilizar a edição. Não é a única e não é prerrogativa para nenhum tipo de avaliação editorial. Autor independente é aquele que, antes de qualquer editor ou editora, é o real dono de sua carreira literária. E, por ser livre, pode simplesmente optar por bancar seu trabalho.

É fácil controlar uma mentira, basta mistificar um fato. Se um determinado editor discordar disso, pode ficar à vontade para bancar com recursos próprios toda e qualquer publicação que achar pertinente, já que, nesse caso, nenhum autor deva se declarar realmente independente.

É difícil desconstruir os mitos

Depois de uma década de o livro digital ter iniciado sua trajetória rumo à conquista da totalidade dos leitores, ainda hoje se vê o uso de informações redundantes, desinformações que são usadas para desacelerar o ritmo frenético imposto pela revolução dos eBooks. Informações desencontradas, sem sentido, sem nexo, são usadas por diferentes canais que tentam controlar o fluxo de negócios por meio de uma influência na comunicação com o mercado.

Aqueles que tentam inutilmente controlar o rumo do emergente mercado de eBooks usam de subterfúgios antes usados no mercado de livros impressos, mas não percebem que o mundo mudou, girou, saiu de sua antiga órbita, e que hoje existe um canal, o único de real independência chamado internet, que absorve qualquer manipulação e a torna vapor barato, quase em tempo real, tal o fluxo de conversas que trafegam pelas redes sociais. Deixando de lado a subjetividade, o que resta, na prática, é o que chamo de sincronicidade, informações reveladas sem que haja necessidade de confirmação da fonte.

Por Ednei Procópio | Este texto foi originalmente publicado em “A Revolução dos eBooks” | Capítulo Caçando Mitos | Páginas 197 até 200 | SENAI-SP Editora/2013 | Indicado ao Prêmio Jabuti 2014

Plataforma de livros, Widbook, participa da Feira do Livro de Frankfurt


Um dos fundadores do Widbook participa da Contec, conferência que antecede a abertura da Feira do Livro de Frankfurt

Joseph Bregeiro

Joseph Bregeiro

Em junho de 2012, três jovens empreendedores de Campinas, no interior de São Paulo, se juntaram para lançar a Widbook, uma plataforma social on line para pessoas lerem, escreverem e compartilharem histórias em formato de e-book. Sete meses depois do lançamento, a Widbook recebeu investimentos do W7 Brazil Capita, um fundo privado de investimentos em companhias focadas no mercado web. Hoje, a plataforma global tem 200 mil usuários em 100 países e 30 mil e-books em desenvolvimento. Joseph Bregeiro, um dos três empreendedores que gestaram o Widbook, é um dos convidados da Contec, conferência que antecede a abertura da Feira do Livro de Frankfurt, no dia 7 de outubro. Joseph participa da palestra Rebels of Publishing, marcada para começar ao meio dia e quinze, na Sala Europa (Hall 4.0). Leia abaixo entrevista que Joseph concedeu ao PublishNews:

PublishNews: O que levou você a abandonar a segurança de um emprego na Fnac para apostar todas as fichas na Widbook?
Joseph Bregeiro: A possibilidade de mudar a forma como um escritor se relaciona com o seu leitor foi o maior dos fatores de decisão. Na nossa visão, as mudanças deviam ir muito além do ato da compra que é praticado de forma eficiente mas fria pelos grandes portais de distribuição de conteúdo. Seria necessária a disposição de alguém que se colocasse como uma plataforma de escrita e que abraçasse escritores e leitores desde o início do processo de produção da obra. E disposição nós tínhamos de sobra.

PN: Entre os fundadores da Widbook, você é o único que tinha alguma experiência com o mercado de livros. Isto ajudou?
JB: Sim, me tornei especialista na venda dos livros e isso se uniu à minha paixão pela leitura. Isso ajudou sim, mas era necessário aliar este conhecimento à ciência das start-ups tecnológicas e ao complexo mundo do mercado editorial. Nós nos complementamos e procuramos um grupo de investimento e advisors que fortificassem ainda mais a nossa união.

PN: O Widbook quer criar rupturas no mercado editorial ou pretende se inserir nele?
JB: Temos muito a aprender ainda com o mercado editorial. A cadeia toda foi muito eficiente em todos estes anos de grandes escritores e obras de sucesso. O que buscamos é alcançar níveis de excelência ainda maiores e isso só se faz colaborando e conectando-se ao mercado editorial já estabelecido.

PN: Vocês se consideram editores?
JB: Não. Widbook e editoras se complementam. Somos especialistas no processo da escrita da obra e na relação que o escritor estabelece com seus leitores durante e após este processo. Nossa comunidade traz força às novas obras e isso garante o lançamento de novos autores. A prova disso é que diversas editoras já trabalham com o Widbook.

PN: Por que a plataforma foi lançada internacionalmente antes que fosse lançada no Brasil?
JB: Primeiro porque o Widbook é uma plataforma global e o inglês é o idioma que possibilita a conexão de escritores e leitores do mundo todo. Também tínhamos que testar a tração da ideia simultaneamente em diversos países e decidimos desenvolver EUA e Brasil de forma mais próxima. Depois destes dois países, aparecem Índia, Reino Unido, Filipinas e Paquistão no ranking de usuários. A falta de plataformas locais mais profissionais que aproximem o escritor de sua audiência é a maior causa do grande crescimento nestes países.

PN: Há tanto leitores como escritores entre os usuários. Fale um pouco do desafio de atingir estes dois públicos.
JB: De fato, a construção de uma plataforma eficiente para leitores envolve desafios completamente diferentes dos da de uma que seja eficiente para escritores. Optamos por aceitar o duplo desafio e trabalhamos constantemente tanto nas melhorias do editor de texto e de tudo que rodeia o universo do escritor quanto nas funcionalidades que muito claramente são destinadas aos leitores. Entendemos que a opção do escritor por uma plataforma para a escrita de um livro parte do princípio de que haja um bom ambiente para que seus leitores possam degustar sua obra.

PN: Quais foram as maiores surpresas?
JB: Talvez a maior das surpresas esteja relacionada à dúvida que tínhamos se haveria público interessado em ler livros ainda não finalizados. E há! Isso se provou ao longo do tempo na medida que observamos leitores pedindo os próximos capítulos. Estamos acostumados a consumir conteúdo de forma fracionada com novelas, séries de TV, etc. Isso vem fortalecendo muito a relação do escritor com seus leitores e talvez isso seja o que mais nos diferencia de uma plataforma self-publishing tradicional.

PN: Durante a Contec, você vai participar da sessão Rebels of Publishing. Você se considera um rebelde?
JB: Sempre que alguém sai do trilho tradicional das coisas, um certo grau de rebeldia lhe é atribuído. Entendemos isso e, neste sentido, aceitamos o título. Mas está muito claro com as nossas parcerias e nossa postura que iremos todos co-existir para alcançar um único objetivo, que é o de revelar novos autores e o de transformar a experiência da escrita e leitura de livros. Estamos dispostos a trilhar estes novos caminhos e abertos a nos conectar com todo o mercado editorial.

Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente em PublishNews | 06/10/2014

Biblioteca dos EUA recorre a robôs para dar aulas


A biblioteca de Westport Library, em Connecticut, nos Estados Unidos, adquiriu dois robôs que serão utilizados para ensinar programação e codificação aos visitantes do local. O “casal” de robôs Vincent e Nancy será apresentado oficialmente na próxima semana, no dia 11 de outubro. No futuro, serão realizados workshops com a presença deles. Eles falam 19 idiomas, podem dançar, andar e chutar pequenas bolas.

Pioneira em adoção de diversos usos de tecnologia, como o de impressão 3D, há três anos, a biblioteca agora utiliza a robótica para ficar ainda mais atrativa. A responsável pelas inovações, Maxine Bleiweis, diretora executiva do local, destaca que faz isso para aproximar as pessoas das novas tendências.

A robótica é a próxima tecnologia inovadora que entrará em nossas vidas, e sentimos que era importante fazê-la acessível para que pessoas pudessem aprender a respeito”, explicou.

Os robozinhos têm 58 centímetros de altura e são equipados com diversos recursos: duas câmeras, quatro microfones, sensores de movimento e detecção de áudio, rosto e paredes. Foram comprados por US$ 8 mil [R$ 20 mil] cada.

Eles são fabricados pela empresa francesa Aldebaran, especializada na criação de soluções de robótica e que já vendeu mais de seis mil unidades em todo o mundo. Os robôs são da série NAO Evolution, equipados ainda com um “gerenciador de quedas”, que permite que eles se levantem rapidamente caso acabem caindo.

O mais interessante é que eles ainda podem “aprender” novas habilidades, porque têm suporte a linguagens como Python e Java. Esta capacidade será um dos temas abordados nos workshops que a biblioteca planeja fazer com os robôs. A ideia é usar Vincent e Nancy para falarem justamente sobre robótica.

Mas isso é apenas o começo. A expectativa é de que robôs possam ser utilizados para diversas outras tarefas, como ajudar pessoas a encontrar livros ou recepcionar o público que chegar à biblioteca.

A Universidade de Tóquio e a Universidade King Fahd, na Arábia Saudita, são alguns exemplos de instituições que já utilizaram os simpáticos humanóides. Os robôs já foram utilizados como auxiliares na educação de crianças autistas na Inglaterra e para jogar futebol na RoboCup.

TechTudo | 06/10/2014 | Via WSJ, The Verge e LA Times