Sujeitos Leitores


Colégio paranaense promove série de entrevista com autores que estarão presentes em feira literária em novembro

O Colégio Medianeira, de Curitiba, mantém desde 2009, no YouTube, o canal Midiaeducação, que reúne quase 450 vídeos produzidos por alunos e educadores. Um dos destaques do canal é o projeto Sujeitos Leitores, uma série de entrevistas realizadas com pessoas de diferentes áreas, mas que, em comum, acreditam na importância de se ler literatura. O projeto, iniciado em 2011, já entrevistou quase 70 grandes leitores, entre eles Eliane Brum, Paulo Venturelli, Teresa Urban, Luís Henrique Pellanda, Thiago Tizzot, José Castello e o matemático Newton da Costa. Entre os dias 3 e 8 de novembro, os “sujeitos leitores” entrevistados em 2014 estarão presentes na FLIM [Festa das Linguagens Medianeira]: uma semana inteira dedicada à arte, na qual o Colégio abre suas portas para a comunidade com palestras, bate-papos, entre outras atividades. Toda a programação é gratuita e aberta ao público.

PublishNews | 31/10/2014

Rio Grande do Sul já tem 23 bibliotecas que emprestam eBooks


O estado do Rio Grande do Sul já tem pelo menos vinte e três bibliotecas de acesso público prontas para começar a emprestar eBooks virtualmente, um serviço apontado por especialistas como solução para atrair os leitores mais jovens e estancar o esvaziamento que se verifica nos últimos anos. O estado aparece entre os cinco com maior número de bibliotecas digitais instaladas.

A novidade chegou, este ano, ao Brasil e já está presente em 26 estados brasileiros. No Rio Grande do Sul existem bibliotecas digitais em 19 municípios, sendo cinco na capital Porto Alegre. [veja a lista completa de municípios abaixo]

Os usuários podem pegar emprestados os livros digitais de qualquer lugar com internet e ler no computador, tablet, e-reader e até no celular, inclusive depois de desconectar [desde que o texto seja mantido na tela]. Para se cadastrar, os interessados devem ir pessoalmente a qualquer uma dessas bibliotecas e já sai de lá apto a pegar emprestado até três eBooks simultâneos pelo prazo de 15 dias, podendo renovar uma vez.

Por enquanto, estão à disposição dos leitores 1.000 eBooks de autores nacionais e estrangeiros em domínio público, da Coleção de Clássicos da Árvore de Livros, a plataforma de empréstimo digital que está operando nessas cidades. Futuramente, as bibliotecas poderão ampliar seu catálogo e passar a oferecer outros 14 mil títulos, incluindo lançamentos atuais.

A chegada das bibliotecas digitais ao estado do Rio Grande do Sul é o resultado de uma parceria entre a Associação Brasileira de Municípios [ABM], Observatório do Livro e da Leitura, Fundação Palavra Mágica e a Árvore S/A. “Investimentos em tecnologia costumam ser altos e, mesmo assim, rapidamente ficam defasados”, afirma o diretor do Observatório do Livro e da Leitura, Galeno Amorim, ex-presidente da Fundação Biblioteca Nacional.

Segundo ele, a iniciativa deve beneficiar principalmente as pequenas e médias cidades que, em geral, costumam ter dificuldades para aderir e implementar inovações tecnológicas justamente por causa dos custos. Para o presidente da ABM, Eduardo Tadeu Pereira, garantir maior acesso das populações aos livros “é um importante caminho para proporcionar avanços na área da educação”.

O acordo prevê também a manutenção da plataforma e o treinamento virtual dos bibliotecários e técnicos das bibliotecas municipais e comunitárias. As prefeituras e bibliotecas interessadas em receber gratuitamente sua biblioteca digital podem entrar em contato pelo e-mail bibliotecas@arvoredelivros.com.br.

Relação dos 19 municípios do Estado do Rio Grande do Sul que já implantaram a biblioteca digital:

Municípios [RS]
Boa Vista do Buricá
Butiá
Cacique Doble
Canguçu
Canoas
Carlos Barbosa
Eldorado do Sul
Floriano Peixoto
Guaíba
Imbé
Lagoão
Lavras do Sul
Porto Alegre [5]
Rio Pardo
Rodeio Bonito
Rondinha
Sobradinho
Triunfo
Vale Verde

Site da Associação Brasileira de Municípios

Amazon bate na porta do escritor Fernando Morais


A gigante de Seatle procurou o escritor para tentar fazer pontes com o Planalto

Um dos motivos que levou Morais a fechar o contrato com a Novo Conceito foi o envolvimento da editora nas redes sociais. “Eu sou muito antenado nesse mundo novo que está surgindo. Há muitos exemplos em todas as áreas da revolução que o mundo digital está fazendo praticamente em todas as áreas e sobretudo na área de livros”, comenta Morais que se diz um entusiasta do livro digital. Morais contou ao PublishNews que foi procurado pela Amazon para tentar convencê-lo a ajudar na campanha para aprovação das mudanças na Lei do Livro e para a equiparação de e-readers a livros físicos. “O horizonte que eles desenhavam era muito animador. Eles me disseram que, tirando livros técnicos, didáticos, cada brasileiro lê 1,5 livro por ano. Daí ele me disse que se a gente conseguisse vender o Kindle a US$ 60 no Brasil, a gente multiplica em poucos anos por quatro o índice de leitura, passa de 1,5 para 6 livros/ano.  O que não é nada, não é nada é um bilhão e 200 milhões de livros. Mas daí, eles me disseram que para vender o Kindle a US$ 60, eles precisam do benefício do livro físico”, lembra Morais que passou a mão no telefone e começou a ligar para outras pessoas para entender melhor a história. “Daí me disseram que a Amazon estava de sacanagem porque o que eles querem o benefício fiscal, mas o aparelho deles é uma caixa preta. É como se você fabricasse televisor e oferecesse uma TV de plasma a R$ 10, com benefício fiscal, mas o sujeito que ligasse só pegaria a Globo”, ponderou o escritor.

Morais retomou o contato com a Amazon no Brasil e explicou que com o sistema fechado e proprietário deles, dificilmente passaria pelo crivo de Brasília. “Eles me disseram que esse é o modelo de negócio deles e que se abrissem mão disso aqui, no dia seguinte, teriam que abrir para todo o mundo. É mais fácil desonerar desde que não seja caixa preta. Desde que o hardware lesse qualquer livro”, comentou, abrindo a sugestão para as outras plataformas já presentes no Brasil, com tecnologia aberta – o Lev, da Saraiva e o Kobo, vendido pela Cultura. “Eu sou um entusiasta, mas as coisas têm limite. Abrir mão de imposto para uma empresa que vai vender um aparelho que só lê os livros dela. Só baixa os livros da Amazon. Tudo bem, mas não com o dinheiro público. A renúncia fiscal tem que ter como contrapartida um benefício para a sociedade. Qual o benefício? Vender o e-reader a R$ 60? Mas só posso ler seus livros? Não quero, não estou interessado”.

Morais deixou escapulir ainda que Jeff Bezos estava querendo vir ao Brasil para ter uma audiência com a presidente Dilma. “Mas daí veio a campanha eleitoral e ela não tinha mais tempo, tinha que pedir votos”, desviou Morais, afinal, Jeff Bezos não vota no Brasil.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 30/10/2014

O que a indústria de games pode ensinar aos editores


O PublishNews preara para o dia 24 de novembro o curso Cinco coisas que a indústria de games pode ensinar aos editores. A atividade, que acontece na Livraria Martins Fontes Paulista [Av. Paulista, 509, São Paulo/SP], tem o objetivo de trazer conceitos de sucesso usados pela indústria de games e que podem ser usadas no mercado editorial digital. O curso é voltado para editores envolvidos em produção digital para PNLD e mercado privado, além de profissionais em áreas correlatas. A aula, que acontece das 18h30 às 22h, será conduzida pelo sócio-fundador e diretor de negócios da Manifesto Games, Vicente Vieira. Até 10 de novembro o investimento é de R$ 149. Para mais informações e inscrições, acesse o blog do PublishNews ou escreva para curso@publishnews.com.br.

PublishNews | 29/10/2014

Mais livros na Árvore


Ibep adere à Árvore de Livros

Galeno Amorim, desde o início do ano, tem se dedicado pessoalmente na conquista de novas editoras para a sua biblioteca digital Árvore de Livros. Recentemente, a plataforma recebeu a adesão da Global e agora Galeno avisa que o Ibep também chegou à plataforma. Pelo que apurou o PublishNews, o Ibep – formado pelas editoras Ibep, Conrad, Base e pela lendária Companhia Editora Nacional, fundada por Monteiro Lobato – colocou à disposição da Árvore de Livros vinte títulos. Entre eles, It´s time, de Bruce Buffer; a trilogia Chamas na escuridão, de Sadie Matthews e o best-seller e clássico da auto-ajuda Como fazer amigos e influenciar pessoas, de Dale Carnegie. Além destes, o Ibep está selecionando alguns títulos de paradidáticos. A meta é alcançar 50 títulos na Árvore até o final desse ano.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 29/10/2014

Deputado sai em defesa dos e-readers


Em voto em separado, deputado catarinense defende a equiparação dos devices aos livros

ONOFRE SANTO AGUSTINI

ONOFRE SANTO AGUSTINI

As discussões em torno da atualização da Lei do Livro alavancadas pelo Projeto de Lei nº 4.354 ganharam reforços ontem, com o voto em separado do deputado Onofre Santo Agostini [PSD/SC] na Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados, onde o projeto está estacionado desde agosto, quando foi apresentado o relatório da deputada Fátima Bezerra (PT/RN). Em seu voto  de ontem, o deputado catarinense defende a equiparação dos e-readers – e não só dos e-books – aos livros, contrariando o relatório da deputada potiguar. “O relatório apresentado não julgou oportuna a proposta de inclusão da matéria específica do Projeto de Lei, qual seja a inclusão do parágrafo 2º, do artigo 2º onde equiparava livros físicos a equipamentos específicos cuja a função exclusiva ou primordial seja a leitura de textos em formato digital. Contudo, deve-se considerar os avanços tecnológicos existentes. A equiparação apenas dos arquivos digitais aos livros físicos não faz sentido” contra-argumentou o deputado em seu voto.

O deputado elenca ainda os benefícios dos leitores digitais. Lembrando que os e-readers têm preço menor do que tablets, celulares ou notebooks, podendo ser, portanto, um facilitador no incentivo à leitura, além da possibilidade de armazenamento em um único equipamento de grande quantidade de livros, facilitando o transporte e o acesso em qualquer lugar do mundo. “Deve-se somar e este ponto a quantidade restrita de livrarias existentes no Brasil. Dados da Associação Nacional das Livrarias apontam que há pouco mais de três mil livrarias existentes no Brasil as quais são concentradas apenas nos grandes centros urbanos, o que dificulta o acesso aos livros”, diz o voto.

O deputado refuta ainda a proposta da deputada Bezerra de incluir os e-readers na chamada Lei do Bem [Lei 11.196/05], já que, nas palavras do deputado, “esta alternativa não trará o mesmo nível de benefícios fiscais à população caso estes equipamentos sejam equiparados aos livros físicos”. Para basear os seus argumentos, o deputado retoma a pesquisa Retratos da Leitura de 2011 que apontou 68% dos brasileiros leitores estão nas classes C, D e E. “Qualquer outra sugestão de desoneração que não seja a imunidade tributária para os aparelhos de leitura digital tornaria ainda inacessível a aquisição desta nova tecnologia para a grande maioria dos leitores brasileiros”, diz o voto. “A redução do preço final do leitor digital, caso haja equiparação aos livros físicos será em torno de 40 a 50%. A imunidade pleiteada pelos leitores digitais é insignificante em face aos objetivos gerados na educação do povo brasileiro e no benefício a autores/escritores, editoras e estudantes”, conclui o deputado.

O projeto, quando aprovado na Comissão de Cultura, deve ser encaminhado à Comissão de Constituição e Justiça, onde os deputados poderão apresentar novamente emendas e o relator poderá aceitá-las ou rejeitá-las. Depois disso, o projeto volta ao Senado, que irá apreciar as emendas feitas na Câmara dos Deputados, e só depois será apresentado para a sanção presidencial.

Por Leonardo Neto | Publicado originalmente por PublishNews | 29/10/2014

Nasce o ubook, serviço de audiolivros por streaming


Os brasileiros contam com uma nova forma de consumir literatura. Em vez de ler, podem ouvir os livros. Nasceu há cerca de um mês o ubook, primeiro serviço de assinatura de audiolivros por streaming. Seu conceito é similar ao do Netflix para vídeos ou do Rdio para música: por uma mensalidade fixa, é possível ter acesso ilimitado a todo o catálogo através de um app móvel, hoje disponível para iOS e HTML5 e, em breve, para Android. Nas primeiras duas semanas, conquistou mais de 40 mil assinantes, a maioria na Claro, primeira operadora com a qual firmou acordo de carrier billing, para cobrança da assinatura na conta telefônica. A projeção é superar 1,5 milhão de assinantes dentro de um ano somente entre as teles – acordos de carrier billing com Oi e TIM entrarão no ar em breve. A mensalidade custa R$ 18,90 no cartão de crédito ou US$ 6,90, pelo iTunes billing. Com as operadoras a cobrança é semanal: R$ 4,99.

O ubook conta hoje com um catálogo entre 800 e 1 mil livros. E 25 novos títulos são acrescentados por semana. A ideia é manter um catálogo enxuto, girando entre 1,5 mil e 2 mil livros, sempre novos. “Não quero ter cauda longa. Fazemos uma curadoria rigorosa. Se um livro ficar seis meses sem nenhum acesso, é retirado de catálogo“, explica Flávio Osso, fundador e CEO do ubook.

As editoras recebem uma remuneração fixa por cada título adicionado ao catálogo e outra que varia de acordo com a audiência do livro. O ubook tem contrato assinado com a Ediouro e com a Novo Conceito, e promete fechar nas próximas semanas com outras dentre as maiores de best sellers do Brasil, diz o executivo.

As editoras reclamam que os jovens não têm hábito de leitura. Mas observamos que esse grupo está sempre com fone no ouvido e celular no bolso. Se o objetivo é fazê-lo consumir cultura, não importa se ele vai ler ou ouvir… Nosso discurso para as editoras é: se você tem dificuldade de entregar esse conteúdo no papel, por que não tentar através de um canal que está no bolso do consumidor?“, relata Osso.

O público-alvo não se restringe aos jovens, mas também àqueles leitores que trabalham muito e tem pouco tempo para a leitura. O executivo cita a si próprio como exemplo: ele escuta livros dentro do carro, durante o trajeto que faz até o trabalho. “Eu passo mais de duas horas no trânsito por dia, tanto para ir quanto para voltar. Cada livro tem entre oito e dez horas de duração. Consigo ler, ou ouvir, um por semana“, afirma. Ele acredita que o serviço não canibalize a venda de livros digitais ou em papel. Pelo contrário, serviria de porta de entrada, fazendo com que o consumidor acabe comprando aqueles títulos que mais gostou de escutar.

O aplicativo do ubook permite que o usuário baixe os livros para escutá-los offline, tal como oferecem alguns serviços de streaming de música. É possível marcar trechos para escutá-los de novo depois e até gravar comentários sobre eles. O app também permite o compartilhamento de trechos nas redes sociais. A empresa planeja lançar uma versão para TVs conectadas no futuro, de forma que o usuário possa continuar a audição de casa do mesmo ponto em que parou no smartphone.

Produção

A produção do áudio é feita pelo própria ubook, com dubladores contratados para a narração. Um livro de 400 páginas gera um arquivo com duração entre oito e dez horas, o que demanda entre 15 e 20 horas de produção a um custo de aproximadamente R$ 15 mil. O valor, contudo, sobe bastante quando são convidadas celebridades como narradores. O livro “1822”, por exemplo, é narrado pelo Pedro Bial. O ator Bruno Mazzeo, por sua vez, foi convidado para narrar “As mentiras que os homens contam”, de Luís Fernando Veríssimo. E Paulo Betti emprestou sua voz em “O selvagem da ópera”, de Rubem Fonseca. Em alguns casos, os próprios autores são convidados para esse trabalho, como Nelson Motta, de “Vale tudo”, biografia do Tim Maia.

História

O mercado editorial chegou a tentar vender audiolivros em CDs no passado, mas o produto não decolou por diversas razões, como, por exemplo, a briga por espaço com os próprios livros nas estantes das livrarias. A experiência do consumidor também não era das melhores: quando parava a audição, não podia retomá-la do mesmo ponto depois. “Costumo dizer que o mercado de audiolivro nem sequer começou no Brasil. Não foi lançado na mídia correta e nem no tempo certo“, avalia Osso.

O ubook se inspirou no modelo da norte-americana Audible, que também cobra uma mensalidade para acesso a audiobooks, mas com limite de um livro por mês. A Audible foi vendida alguns anos atrás para a Amazon por US$ 300 milhões. O ubook tem como investidora a Bizvox, empresa brasileira especializada em portais de voz. Para o ano que vem, a empresa planeja exportar seu serviço para outros mercados da América Latina.

Fernando Paiva | Moble Time | 29/10/14

Dicas de prepraração de eBooks para Amazon


POR Lúcia Reis | Publicado originalmente por COLOFÃO | 29 de outubro de 2014

No processo de produção de livros digitais, como já mencionado anteriormente, nem sempre a mesma linha de código terá uma mesma visualização nos diferentes aplicativos e dispositivos de leitura. No caso da Amazon, no entanto, não estamos lidando só com uma questão de renderização diferente dos códigos: se trata de outro formato de livro digital com diferentes potencialidades e limitações. Dessa forma, o processo de produção do livro digital para a Amazon acrescenta algumas etapas que não são necessárias para a venda nos demais players.

Neste post, resolvi enumerar as algumas questões que podem surgir e tentar explicar através delas o padrão utilizado pela Amazon.

1. Table of Contents [TOC]:

1.1] HTML de TOC

Nos ePubs nós temos um arquivo toc.ncx que serve como um sumário navegável que pode ser acessado através de um atalho do app de leitura ou e-reader. Como no formato da Amazon esse arquivo não consegue criar mais de 2 níveis hierárquicos [ou seja, é possível ter capítulos e subcapítulos, mas, se for aberto um subcapítulo do subcapítulo, esse link é perdido no toc.ncx da Amazon], se faz necessária a criação de um HTML de sumário, com a mesma função do toc.ncx.

1.2] Ordem de elementos no toc.ncx:

Mesmo após a criação deste HTML, o arquivo toc.ncx ainda precisa existir. No processo de conversão, se este arquivo estiver mal formatado, é possível que apareça o seguinte relatório de erro no Kindlegen:

Error(prcgen):E24011: TOC section scope is not included in the parent chapter:1: GENEALOGIA PATERNA
Error(prcgen):E24001: The table of content could not be built.
(…)
Warning(prcgen):W14001: Hyperlink not resolved: /tmp/mobi-fy53Lm/OEBPS/Text/chapter03.html#ch3
Warning(prcgen):W14002: Some hyperlinks could not be resolved.

Este relatório acontece quando a indicação dos elementos do toc.ncx não está seguindo a ordem de leitura dos HTMLs que formam o miolo.

Para explicar este caso específico, preciso antes explicar a relação entre HTMLs, ids e links dentro dos e-books. O texto do e-book está dividido em diversos arquivos HTML. Digamos que cada HTML contenha um capítulo de seu livro. No entanto, é possível que, dentro deste capítulo, existam subcapítulos, os quais são importantes de serem linkados no seu sumário. Os links de sumário geralmente apontam para um HTML. No exemplo selecionado, ele está apontando para o capítulo 3, que está no HTML chapter03.html. Para apontar para subcapítulos, é necessário criar um link, identificado pela tag <a>, que possui um identificador ou idpara que seja possível criar um link apontando para aquele exato ponto no HTML.

No exemplo, foi criado um id=”ch3? para marcar a subdivisão do chapter03.html.

Todo id está atrelado a um HTML, o que faz com que o id seja inferior hierarquicamente ao HTML. No relatório de erro do Kindlegen acima, essa hierarquia foi quebrada, tornando impossível de se criar o TOC. Para resolver este problema, basta utilizar o programa Sigil e seguir o caminho Tools > Table of Contents > Edit Table of Contents e inverter os links de ordem: primeiro o chapter03.html e depois o chapter03.html#ch03 e demais identificadores, na ordem em que aparecem no HTML, para que a hierarquia e a ordem de leitura sejam mantidas.

2. Semânticas

2.1] Capa

O formato da Amazon também não suporta a capa em formato HTML. Ele indica a capa apenas pelo arquivo de imagem. Para conseguir fazer isso corretamente, ele precisa que o arquivo .jpg de capa seja indicado com a semântica “Cover”, ou o Kindlegen dará o seguinte Warning:

Warning[prcgen]:W14016: Cover not specified

Para acrescentar semânticas pelo Sigil, basta clicar no arquivo que você deseja acrescentar a semântica, clicar com o botão direito do mouse e clicar em Add Semantics e selecionar, no caso, “Cover Image”.

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2.2] Texto

Outra semântica importante de ser acrescentada é a “Text”, que marca o início do texto. Quem usa o Kindle já percebeu que geralmente, quando se abre um livro nele, ele já inicia no primeiro capítulo. Esse recurso é possível pelo acréscimo desta instrução. O problema é que, se o editor não marcar a semântica de texto, o Kindle marca automaticamente o primeiro HTML com mais de algumas poucas linhas de texto. Ou seja, qualquer elemento pré-textual, como dedicatórias ou epígrafes, podem ser perdidas, uma vez que dificilmente o leitor vai voltar para ver se não tinha nada antes do primeiro capítulo. Portanto, é recomendado adicionar esta semântica para se certificar que informações importantes [e sim, epígrafes são importantes] não sejam perdidas.

Para adicionar semânticas nos HTMLs, basta seguir o mesmo caminho utilizado para o .jpg de capa. No caso dos HTMLs aparecerão mais opções, como é possível visualizar na imagem acima.

2.3] TOC

É necessário também adicionar a semântica de “Table of Contents” no HTML de TOC. Quando criado pelo Sigil, a semântica já é acrescentada automaticamente, mas, de todo modo, é bom checar. Senão o link de sumário que existe nos Kindles fica inativo e, surpreendentemente, o Kindlegen não mostra Warning quando a semântica de TOC não está indicada.

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3. Media Queries

A media query é um recurso de formatação direcionada. Você basicamente diz ao seu e-book: se estiver lendo numa tela de celular, mostre meu texto com a formatação x, mas se for num tablet, mostre ele com a formataçãoy. Se você tiver sorte, ele te obedece, mas nem sempre é o caso.

Antigamente eu utilizava media queries para retirar as capitulares dos e-books da Amazon, pois o recurso float: left, que deixa a capitular flutuando à esquerda, fazia a linha quebrar na primeira letra nos Kindles antigos, que não suportavam o recurso. Este problema já foi corrigido e não ocorre mais quebra de linha; no entanto, nos Kindles que suportam float, as capitulares são visualizadas de forma muito diferente do que nos demais e-readers e apps.

Pelos testes que fiz, deduzi que o problema é uma diferença no line-height, que indica o alinhamento do texto e/ou da capitular. Modificando o line-height da classe de capitular é possível fazê-la funcionar adequadamente nos diferentes dispositivos de leitura. O que é uma saída mais confíavel do que a media query.

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Apesar do Guidelines da Amazon apresentar a media query como opção, meus testes mostraram que, na prática, o que ocorre atualmente é uma mescla do que está no código principal com o indicado na media query, ao invés de utilizar somente o código direcionado especificamente para o formato da Amazon. Como é possível ver na imagem abaixo, ele manteve a formatação em float, mas acrescentou a informação de bold, contida na media query.

Conclusão

Bom, acho que a conclusão é a mesma de sempre: é muito importante testar os arquivos, por mais que pareça que não há nada que possa dar errado com aquele livro de texto simples. Nunca se sabe quando o arquivo pode apresentar problemas inesperados ou quando atualizações de firmware criaram um novo bug que você nunca viu antes. Teste sempre, é mais seguro.

POR Lúcia Reis | Publicado originalmente por COLOFÃO | 29 de outubro de 2014

Lúcia ReisLúcia Reis é formada em Letras: Português/Literaturas, pela Universidade Federal Fluminense, trabalha com livros digitais desde 2011 e hoje atua como Coordenadora de Livros Digitais na editora Rocco. Como todo bom leitor compulsivo, tem mais livros do que a prateleira comporta, e possui muitos mais em sua biblioteca virtual! Lê e-books todo dia no trajeto para casa, ao som de sua banda favorita, Thin Lizzy.

De onde vêm os gênios da tecnologia?


Reinaldo Normand

Reinaldo Normand

O brasileiro Reinaldo Normand lançou o livro Vale do Silício, no qual revela como funciona a famosa região onde estão os maiores gênios do mundo – e onde foram criadas empresas como Google, Youtube, Whatsapp e Instagram. Ele, que fundou cinco empresas no Brasil, EUA e China, dentre elas o site sobre games Outer Space, viveu um tempo no Vale, localizado no Norte da Califórnia, nos Estados Unidos.

Deparei-me com algo fascinante e inesperado. É a cultura a grande mola propulsora da inovação no Vale do Silício. Ela é a grande responsável por criar o ecossistema de inovação que gera tantas empresas e produtos que mudaram o mundo“, diz Normand na introdução do livro, dividido em duas partes.

A primeira parte, Normand fala sobre a cultura do local. “Esse é um lugar onde se respeitam empreendedores e startups mais do que outros participantes do ecossistema, como consultores, executivos, pesquisadores e grandes empresas. Há um senso de otimismo no ar, como se tudo fosse possível, e as startups simbolizam a materialização do intangível“, diz.

Na segunda parte do livro, Normand ilustra como utilizar essa cultura. “Não tenho a pretensão de oferecer soluções mágicas, mas de mostrar com exemplos reais como pensar diferente“, diz Normand.

O livro está disponível para download clicando aqui.

A Tarde | 29/10/2014

BNDES lança sua biblioteca digital


O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social [BNDES] está lançando nesta quarta-feira (29) sua biblioteca digital. Através do site, qualquer pessoa terá acesso aos livros, revistas, estudos, apresentações, teses e dissertações, relatórios, boletins e demais publicações relacionadas ao Banco e sua atuação.

Estão sendo disponibilizadas inicialmente cerca de 500 arquivos, como os documentos do BNDES Setorial, informes setoriais, revista BNDES, sinopses internacionais e o relatório anual do BNDES, publicações estas presentes no ranking de mais acessadas no site da empresa.

Os documentos terão o texto recuperável através da tecnologia de reconhecimento óptico de caracteres [OCR], ampliando assim a abrangência da pesquisa e as possibilidades de uso. O objetivo do BNDES é preservar o conhecimento do Banco, disseminando tornar mais visível a produção intelectual da instituição e construir mais um canal de relacionamento com o público externo.

Administradores.com | 29/10/2014

Esplendor e miséria do best-seller, por Paulo Rónai


RESUMO Este texto de 1948 estava em uma pasta do acervo de Paulo Rónai [1907-92], intitulada “Material para novos livros”, e jamais foi publicado. O escritor e tradutor parte de estudos em língua inglesa para questionar se há a receita perfeita para um best-seller e se os números de vendas significam algo na qualidade dos livros.

ilustração MANUELA EICHNER

O que é um best-seller? À primeira vista a resposta não parece difícil: o livro que mais se vende ou um dos livros que mais se vendem. Mas, ao examinarmos os casos em que se emprega essa palavra, tão frequente na crônica literária dos jornais, verificaremos que seu sentido se está enriquecendo de novas matizes.

Mais de uma vez poderemos achar-lhe uma nuança pejorativa, e esse uso não é exclusivo do Brasil. Numa resenha francesa da produção literária de 1947 encontro esta observação: “O termo best-seller entre nós vai designar, dentro em breve, não o livro que melhor se vende, mas um certo ‘gênero’ de romance, de leitura fácil, longo, obrigatoriamente traduzido…”. E uma estudiosa inglesa não hesita em afirmar que “best-seller é um epíteto quase totalmente depreciativo entre pessoas cultas”. Não seria difícil encontrar exemplos em que o termo, por si só, equivale a uma crítica.

A palavra, evidentemente, é de sabor norte-americano [embora não me seja possível abonar-lhe a origem]. A ambição “yankee” de atingir recordes em todos os domínios envolve contínuas comparações, e estas só parecem ter valor quando baseadas em objetos exprimíveis por algarismos. E assim se encontrou uma medida cômoda para confrontar as obras da arte, fenômenos por sua natureza singulares e incomparáveis.

Ninguém pode afirmar com segurança se Betty MacDonald, autora de “O Ovo e Eu”, é melhor escritor do que Samuel Shellabarger, autor de “Capitão de Castela”: em questões de gosto não há verdades absolutas. Mas é possível saber com exatidão qual dos dois livros se vendeu mais. Os editores, com grande sinceridade, anunciam as tiragens mês por mês; o frontispício, muitas vezes, ostenta o número de edições vendidas.

Na avalanche das publicações o leitor comum é cada vez menos capaz de orientar-se. Sabendo que seu gosto se parece com o da maioria de seus contemporâneos, tende facilmente a pensar que o livro mais comprado será também o melhor. [“É impossível que 500 mil pessoas sejam idiotas”]. Assim, mais 500 mil comprarão o livro porque 500 mil já o compraram. E quem poderá duvidar do gosto de 1 milhão de cidadãos honestos, contribuintes e eleitores?

Saber o que é um best-seller é igualmente importante para o leitor, para o escritor e para o editor. Se um livro, sendo best-seller, é necessariamente bom, facilita muito ao leitor a escolha de suas leituras; e o conhecimento não lhe é menos útil se, como afirmam alguns, todo best-seller é fatalmente ruim.

O escritor pouco escrupuloso, se conhecesse a fórmula química do best-seller, observá-la-ia com o maior empenho; mas, se o escritor honesto a soubesse, talvez verificasse que pode produzir best-sellers sem descer a transigências e concessões. Quanto ao editor, se a tivesse na gravata, possuiria um método esplêndido para enriquecer e, caso possuísse altas ambições culturais, bastar-lhe-ia lançar três best-sellers, para depois publicar, a vida toda, Kant, Bergson e Einstein.

CIENTÍFICO

Foram essas considerações que levaram o sr. Frank Luther Mott, diretor da escola de jornalismo na Universidade de Missouri, a consagrar à questão um alentado estudo [“Golden Multitudes: the Story of Best Sellers in the United States”, Multitudes douradas: a história dos best-sellers nos EUA], baseado em pesquisas pacientes e difíceis.

Com excelente espírito de método, o sr. Mott começa por definir o critério para determinar se um livro é best-seller ou não. Levar em conta meramente os totais das tiragens não seria justo: um livro que em 1850 atingia 200 mil exemplares era relativamente mais lido do que um que hoje chega a 1 milhão. Assim, pois, o sr. Mott, que principia a relação dos best-sellers em 1662, nela inclui todo livro do que durante os dez anos consecutivos ao seu aparecimento se vendeu um número de exemplares igual a 1 % da população total dos Estados Unidos.

A limitação de dez anos foi imposta pela impossibilidade de calcular a tiragem total das reedições feitas às vezes durante séculos. Uma edição de Shakespeare figura na lista de best-sellers universais, cuja lista seria ainda mais curiosa, mas pressupõe a compilação de estudos iguais ao dele em todos os países. Ainda assim, não deve ter sido fácil conseguir, mesmo aproximadamente, as tiragens, sobretudo das edições antigas.

Além disso, esse estudo traz uma série de anedotas e fatos curiosos a respeito da história dos recordes de venda na história das livrarias: acasos que contribuíram para o sucesso, surpresas e decepções dos editores, consequências do êxito sobre a vida dos autores etc. E, para rematar suas pesquisas, põe no título dos dois últimos capítulos duas perguntas do maior interesse: “Existe uma fórmula de best-sellers? O que faz vender um best-seller?”.

A resposta à primeira pergunta é francamente negativa. Procurando o elemento de atração nos títulos da sua lista, o sr. Mott assinala fatores tão diferentes como: apelo ao sentimento religioso; sensacionalismo e escândalo; caráter instrutivo; possibilidades de exibição esnobe; elemento biográfico; regras de conduta; experiência pessoal; enredo; vivacidade; caráter democrático ou popular; cor local; humor; imaginação; exotismo; sexualidade -indicando de cada vez a percentagem aproximativa de obras que contém o fator examinado.

A qualidade literária não parece fator dos mais importantes: o pesquisador declara que uma terça parte de sua coleção é de qualidade inferior, havendo dentro dela uma centena de livros desprovidos de qualquer pretensão artística. Seja como for, não há receita para best-seller, vista a diversidade extraordinária dos livros que já obtiveram esse título.

A segunda resposta também consiste numa enumeração de fatores. O que contribui para fazer vender o best-seller virtual é o título bem escolhido; o desenho da capa e, em geral, a apresentação; a publicação anterior em folhetim; a distribuição prévia de exemplares a grande número de personalidades; a escolha do livro na base das provas tipográficas, por um dos clubes do livro; boas críticas; difusão de opiniões favoráveis, e anúncios na imprensa e no rádio; filmagem da história; barateamento da edição, reedições em “pocket book” ou em “soft format” [fascículo in-quarto, vendível nos balcões dos vendedores de jornais]. Nem todos esses fatores estão, porém, nas mãos do editor; e, por outro lado, mesmo que se achem todos reunidos, a previsão pode falhar e o lançamento pode acabar num fracasso.

Assim, pois, o sr. Mott não pode oferecer receitas de best-seller nem para os autores nem para os editores, o que, aliás, era de prever. Ele não se preocupa, por outro lado, com indagações de ordem geral; saber, por exemplo, se as tiragens astronômicas significam um progresso para a cultura. Poderia responder a esse reparo, e com toda a razão, que a sua parte se limitava ao estudo da história dos best-sellers: cabe ao leitor tirar as conclusões.

TIRAGENS

Essas, de início, são das mais otimistas. Na relação compilada vemos a ascensão vertiginosa das tiragens. Os livros mais vendidos há 200 anos eram os que tiravam 10 mil exemplares; e não havia mais de um por ano.

Hoje os best-sellers começam com 1.300.000 exemplares, e só a lista do ano 1944 contém títulos assim. Tiragens tão grandes ocasionam necessariamente a baixa dos preços: o leitor pode obter por um preço de 0,25 a 1 dólar obras que normalmente custariam 3 a 6 dólares. O número de leitores aumenta sempre, o que significa uma elevação do nível cultural.

Quanto aos escritores, as vantagens parecem ainda mais óbvias. Não mais haverá grandes escritores do tipo romântico, morrendo de fome ou de tuberculose, mourejando dia e noite; bastará ao romancista escrever um único best-seller e passará o resto da existência a gozar a opulência merecida.

Essa convicção está se generalizando de tal forma entre os homens de letras que um editor inglês, Stanley Unwin, achou necessário publicar um livro em que, com a colaboração do americano George Stevens, toma a defesa de sua classe contra os autores cujos livros não chegam a best-selller [“Best-sellers. Are They Born or Made?”, Best-sellers. Eles nascem prontos ou são feitos?].

Todos eles, com efeito, atribuem a responsabilidade desse fato a seus editores, os quais não lhes fizeram publicidade suficiente.

Unwin e Stevens empenham-se em mostrar que o anúncio, por si só, não basta para fazer um best-seller; ele só pode ativar a venda dos livros que já tiveram um bom “start”, isso é, que se revelaram pelo menos “well-sellers”.

Assim sendo, só a ausência de imparcialidade determinará o emprego da palavra “best-seller” em sentido pejorativo. Antes, porém, de subscrevermos essa conclusão, examinemos melhor a relação de “livros mais vendidos” dos Estados Unidos, que o sr. Mott, com extraordinário esforço, conseguiu estabelecer desde 1662.

Tomemos, ao acaso, dez títulos sucessivos na primeira parte da relação e outros tantos na parte final.

Os dez livros mais vendidos nos Estados Unidos de 1760 a 1780 foram os seguintes [em ordem cronológica]:

John Dickinson, “Letters from a Farmer in Pennsylvania” [Cartas de um fazendeiro da Pensilvânia];
Oliver Goldsmith, “O Vigário de Wakefield”;
Laurence Sterne, “A Vida e as Opiniões do Cavaleiro Tristram Shandy”;
Daniel Defoe, “Robinson Crusoé”;
John Gregory, “Father’s Legacy to his Daughters” [Legado de um pai para os suas filhas];
Philip D. Stanhope [Lord Chesterfield], “Letters to His Son” [Cartas ao filho];
Thomas Paine, “Senso Comum”
John Milton, “Paraíso Perdido”;
James Thomson, “The Seasons” [As estações];
Edward Young, “Night Thoughts” [Pensamentos noturnos];

Só dois livros dessa lista [os de Dickinson e de Paine] foram publicados pela primeira vez nos Estados Unidos: os demais vieram da Inglaterra. Ambos os livros americanos são obras de caráter político; entre os ingleses, há três romances [Goldsmith, Sterne, Defoe], três de poemas [Milton, Thomson, Young] e dois livros de orientação de conduta [“behavior books”].

Os volumes de Goldsmith, Sterne, Defoe e Milton são obras-primas de todos os tempos; os poemas de Thomson e Young, as cartas de Lord Chesterfield e o panfleto de Thomas Paine [nascido na Inglaterra] conservam, ainda hoje, lugar honroso na história da literatura inglesa. Pode-se afirmar, sem receio de erro, que pelo menos a metade desses livros são dos melhores publicados na época.

Vejamos agora os dez últimos livros da relação, publicados em 1944 e em 1945. [Os títulos vão em inglês, pois não sei se alguns já não foram traduzidos para o português e alterados.]*:

Elizabeth Goudge, “Green Dolphin Street” [A rua do delfim verde];
Gwethalyn Graham, “O Céu está Muito Alto”;
Bob Hope, “Nunca Saí de Casa”;
Somerset Maugham, “O Fio da Navalha”;
Ernie Pyle, “Brave Men”;
Margery Sharp, “Cluny Brown”;
Thomas B. Costain, “The Black Rose” [A rosa negra];
Betty MacDonald, “O Ovo e Eu”;
Samuel Shellabarger, “Capitão de Castela”;
Katheleen Winsor, “Entre o Amor e o Pecado”;

Nessa lista há dois livros de guerra: um de reportagens [“Brave Men”], o outro de humor militar [“Nunca Saí de Casa”]; os oito restantes são romances históricos da linhagem de “E o Vento Levou” [de Margaret Mitchell], e “Antônio Adverse” [de Hervey Allen].

Não é preciso ser crítico literário para perceber a enorme diferença de nível entre os dois grupos. É pouco provável que, entre os do segundo, haja livros que a posteridade qualifique de obras-primas; talvez nenhum seja lembrado ao cabo de 180 anos, período que pelo menos oito títulos do primeiro grupo aguentaram, firmes.

Observa-se, pois, que os livros mais lidos do século 18 eram de qualidade infinitamente superior aos de nossos dias. Eram também muito mais variados, pois havia entre eles, além de romances, obras pertencentes a mais três gêneros, inclusive poesia [totalmente desaparecida das listas modernas de livros procurados], ao passo que a seleção atual consiste quase só em romances, havendo apenas, ao lado deles, dois trabalhos de jornalismo.

Note-se ainda que os três grandes romances do primeiro grupo são de três tipos completamente diversos, ao passo que a maioria dos oito romances do segundo grupo pertence ao tipo estandardizado do longo romance histórico da linhagem de “E o Vento Levou” e “Antônio Adverse” [gênero típico da literatura de evasão].

Essas conclusões coincidem de maneira surpreendente com as de “Fiction and the Reading Public” [Ficção e público leitor], da sra. Q.D. Leavis, publicado em 1939. A autora fez um inquérito semelhante ao do sr. Mott para conhecer as preferências do público britânico.

LEITORES

Seus resultados levaram-na a abandonar uma superstição muito espalhada, a saber, que a elevação do nível cultural esteja proporcionada ao aumento do número de leitores.

Minucioso exame das estatísticas e dos catálogos das bibliotecas circulantes, muito numerosas na Inglaterra, revelou-lhe que a grande maioria dos leitores de hoje liam exclusivamente romances da categoria mais baixa, trocando-os com frequência; muitos chegavam a ler um livro por dia. As respostas dos leitores acerca dos motivos de sua preferência mostravam que na leitura quase todos procuravam uma fuga. [O que, seja dito de passagem, não é de admirar num tempo como o nosso, em que tão pouca gente se sente à vontade]. “O hábito de ler é agora, muitas vezes, uma forma de usar entorpecentes.”

O número de leitores atingiu, praticamente, o máximo [na Inglaterra há diariamente um exemplar de jornal para cada três pessoas]; o nível da leitura baixa progressivamente. Outrora não havia separação nítida entre os escritores da multidão e os da elite; Sterne, Goldsmith e Defoe eram lidos e admirados pelos intelectuais e pelas caixeiras; hoje se verifica uma desagregação definitiva do público em três classes, segundo seus elementos leem obras de escritores “highbrow”, “middlebrow” ou “lowbrow” [de qualidade superior, média ou inferior]. Nenhuma das três classes toma conhecimento dos escritores da outra. Os autores “highbrow” têm tiragens reduzidíssimas; para eles o best-seller começa com 15.000 exemplares; os best-sellers do “lowbrow” vão de um milhão para cima.

A sra. Leavis lembrou-se de submeter a grande número de autores populares um questionário para saber a que atribuíam o seu êxito. A maioria dos interrogados pensa ter agradado por escrever [para usarmos a definição dada por um deles] “um gênero de ficção que pode ser lido com um mínimo de esforço mental”. O que parece confirmar a desiludida tese de um estadista inglês, de que “um dos grandes males da leitura moderna consiste em desencorajar o pensamento”.

O público dos velhos tempos lia para completar a sua experiência, para enriquecer a própria vida; o de hoje lê para esquecê-la e compensar-lhe as imperfeições. Os autores de best-sellers são unânimes em afirmar que escrevem com e para o coração [e não o cérebro]; que se dirigem à sensibilidade, mais que ao juízo do leitor. “À medida que o século avança, o best-seller se torna assunto menos do crítico literário que do psicólogo”.

E, como o romance adquire hegemonia quase exclusiva, absorve todos os gêneros, inclusive os livros de ciência, e torna-se transmissor único -bem inexato, está visto- de toda espécie de conhecimentos.

Não que homens de ciência não procurem transformar seus livros em best-sellers. Mas então se expõem ao perigo de cair nos processos do romancista.

J.L. Russell, numa crítica dos populares livros de física e astronomia de sir James Jeans e sir Arthur Eddington, mostra como estes sábios são levados a atribuir maior importância à maneira de apresentação do que ao interesse intrínseco dos assuntos tratados, fazendo apelos contínuos à emotividade do leitor, usando indiscriminadamente recursos estilísticos, como metáforas e paralelos, e introduzindo teorias filosóficas surpreendentes.

Segundo o crítico, eles e a maioria de seus colegas chegam a favorecer a preguiça mental dos leitores, aos quais dão a impressão de que entendem a fundo um fenômeno ou uma teoria científica, quando apenas entenderam a comparação ou a pilhéria em que os autores os envolvem.

A sra. Leavis procura demonstrar, ainda, que o barateamento do livro não é puro benefício, pois constitui um golpe sério para os autores de elite, cujas tiragens não aumentam, mas que têm de reduzir os preços de seus livros para não contrastarem demais com os do resto da produção literária. No século passado, um Meredith, um Henry James podiam viver da renda discreta de seus livros: hoje não seria possível.

Aí, ela se encontra novamente com o sr. Mott, o qual admite, embora acessoriamente, que o número total de livros publicados anualmente nos Estados Unidos está em franca diminuição: os editores, seduzidos pela miragem das impressões em massa, querem de preferência publicar best-sellers potenciais e mostram-se infensos às obras que não têm probabilidade de o ser [entre os quais se encontram, precisamente, as destinadas à elite profissional e intelectual].

A comentarista assinala também o que os clubes do livro, embora aumentando o consumo da produção literária, têm de prejudicial à cultura: fazem o leitor abdicar da sua capacidade de seleção, procuram “dar ao público o que ele deseja”, e substituem-se à crítica literária, cuja importância decresce cada vez mais.

É muito provável que a maioria dos males apontados pela sra. Leavis e implicitamente assinalados no livro do sr. Mott existam realmente, sobretudo nos países de maior mercado literário, como os Estados Unidos, a Inglaterra e a França; ao mesmo tempo, porém, eles parecem tão inevitáveis como outras consequências da industrialização excessiva, a qual, destinada a melhorar a vida do homem, a está tornando cada vez menos humana.

* Introduzimos o título em português dos livros já lançados no Brasil, mesmo os esgotados, quando o autor colocou o nome original em inglês [nota dos editores].

PAULO RÓNAI [1907-92] ensaísta, tradutor e linguista nascido na Hungria. A Edições de Janeiro relança suas coletâneas “Encontros com o Brasil”e “Como Aprendi o Português e Outras Aventuras”.

MANUELA EICHNER, 30, é artista plástica. Expõe com o arquiteto espanhol Juan Cabello Arribas em “Monstera Deliciosa”, na Prototype, em São Paulo até 1º/11.

POR PAULO RÓNAI | VERSÃO EXTRAÍDA DE FOLHA DE S. PAULO | CADERNO ILUSTRÍSSIMA | 26/10/2014, às 02h24 | ilustração MANUELA EICHNER

Era dos tablets transforma o momento da leitura para dormir


Nova York, EUA | O cachorrão da história “Clifford, o Gigante Cão Vermelho”, fica lindo no iPad. E tem um som ótimo – basta tocar na tela para que ele comece a arfar quando o caminhão azul aparece na cena. “Lá vai o caminhão!”, vibra o narrador. Mas será que isso conta como hora da história? Ou será só um momento para os pequenos brincarem com os tablets?

É uma pergunta a que os pais, pediatras e pesquisadores tentam responder agora que os livros infantis, assim como todos os outros, estão migrando para a mídia digital.

Durante anos, especialistas em desenvolvimento infantil vêm aconselhando os pais a lerem para os filhos com frequência, citando estudos que mostram os benefícios linguísticos, verbais e sociais da atividade. Em junho, a Academia Americana de Pediatria passou a orientar os médicos a indicar que os pais leiam para as crianças desde o nascimento, prescrevendo livros com o mesmo entusiasmo com que indicam vacinas e verduras.

Por outro lado, não recomenda o uso de monitores ou telas para crianças de até 2 anos, e não mais do que duas horas de tablets ou computadores por dia para as mais velhas.

Em uma época em que ler cada vez mais significa navegar por um dispositivo e lojas de aplicativos estão estourando com programas de leitura e jogos educativos destinados a bebês e crianças em idade pré-escolar, qual a orientação que os pais devem seguir? A resposta ainda não está totalmente clara.

Sabemos como as crianças aprendem a ler, mas não sabemos como esse processo será afetado pela tecnologia digital”, disse Kyle Snow, diretor de pesquisa aplicada da Associação Nacional de Educação Infantil.

Efeitos. Parte do problema é que esses dispositivos são muito recentes. Os tablets e leitores eletrônicos não são usados há tempo suficiente para que um estudo estendido possa revelar seus efeitos na aprendizagem.

Mas muitos estudos recentes sugerem que ler para uma criança utilizando um dispositivo eletrônico enfraquece a dinâmica que auxilia no desenvolvimento da linguagem. “Há um monte de interação quando você lê um livro para seu filho; você vira as páginas, aponta para fotos, comenta a história. Isso se perde um pouco quando o e-book é utilizado”, disse a pedriatra Pamela High.

Em um estudo de 2013, pesquisadores descobriram que crianças entre 3 e 5 anos cujos pais leem para eles em um livro eletrônico tinham uma compreensão menor do conteúdo da leitura do que as crianças cujos pais usam livros tradicionais. E disseram que, em parte, a razão disso é que pais e crianças usando um dispositivo eletrônico gastam mais tempo prestando atenção no objeto em si do que na história [uma conclusão compartilhada por pelo menos dois outros estudos].

Os pais literalmente seguravam as mãos das crianças e diziam: ‘Espera, não aperte o botão ainda. Vamos terminar isso aqui primeiro’”, disse Julia Parish-Morris, psicóloga do desenvolvimento do Hospital Infantil da Filadélfia e principal autora do estudo.

Os pais que usaram livros convencionais estavam mais propensos a se envolver no que pesquisadores de educação chamam de “leitura dialógica”, o tipo de conversa vaivém sobre a história e sua relação com a vida da criança, que a pesquisa mostrou ser fundamental para o desenvolvimento linguístico infantil.

Presença

Livros. Mesmo que a tecnologia se estabeleça como parte da infância, bons livros provavelmente não irão desaparecer tão cedo. Os pais percebem que há um componente emocional nos livros de histórias.

O Tempo | 28/10/2014 | The New York Times

A primeira biblioteca só digital do mundo


Você consegue imaginar uma biblioteca sem livros de papel? Dia 14 de setembro, foi inaugurada, em San Antonio, no Texas [EUA], a primeira biblioteca pública de livros digitais dos Estados Unidos. Trata-se de um novo conceito. Ela dispõe de área de lazer para criança, com contação de histórias e uma cafeteria no estilo Starbucks. Também oferece aulas de informática para as pessoas que ainda não estão familiarizadas com a tecnologia.

Com o nome de “BiblioTech”, sua estrutura envidraçada lembra mais uma loja da Apple. São 10 mil livros digitais [ebooks], de todos os gêneros, como se espera de uma biblioteca. Eles podem ser lidos em 600 e-readers [Kindle e Nook], 2oo e-readers só para material infantil, 48 computadores e 40 tablets e 10 laptops. O sistema inédito permite que cada pessoa leve para casa os livros nos dispositivos eletrônicos e-reader, e serão devolvidos dentro do prazo estipulado. Ou seja, o “empréstimo” não é da obra e sim do aparelho.

O projeto da Bibliotech custou 2 milhões e meio de dólares e seu principal alvo é a nova geração de leitores. As crianças e adolescentes da região serão beneficiadas porque a biblioteca digital fará uma parceria com as bibliotecas das escolas. San Antonio é a sétima maior cidade dos EUA.

Alguns anos atrás, surgiram em algumas universidade, pequenas bibliotecas digitais, mas o foco era em material de perfil técnico. Em 2002, a Biblioteca Pública de Tucson-Pima, no Arizona tentou um sistema 100% digital. Mas a tecnologia era diferente e o público não se acostumou. Depois de um tempo, ele voltou a oferecer livros impressos. Outros países fizeram esforços semelhantes, mas nenhum deles era tão grande e inovador quanto a BiblioTech.

Maureen Sullivan, presidente da American Library Association comemora: “Biblioteca não é mais um lugar onde você entra e a coisa que chama mais atenção é o acervo de livros. Agora é um lugar onde, quando você entra, entra imediatamente em sintonia com a variedade de maneiras como as pessoas estão usando esse espaço”.

Mas esse tipo de mudança radical não é tão fácil. Seis grandes editoras americanas ainda se negam a fornecer ebooks para bibliotecas. Elas querem preços muito elevados pois alegam que perderão nas vendas. Por outro lado, se as pessoas não encontram o livro que procuram, o mais provável é que procurarão pela versão impressa em outra biblioteca.

O prefeito de San Antonio anunciou que a Bibliotech terá um orçamento anual de 1,2 milhão de dólares para aquisição de material. Com isso será permitido comprar cerca de 10.000 ebooks. Ele explica que seu desejo é negociar com as editoras individualmente a aquisição de livros para manter o acervo sempre atualizado. Nos últimos anos os municípios têm cortado os investimentos em bibliotecas, diminuído o número de empregados. Algumas foram fechadas, num movimento que acompanhou a falência de grandes cadeias de livrarias como a Borders.

Blog do Galeno | Edição 371 | 24 a 30 de outubro de 2014 | Com informações de Nation Time | Tradução Jarbas Aragão

Além do Papel | A Dinâmica da Publicação Online


Não há dúvidas de que o livro está se adaptando aos mais diversos formatos e telas. Mas os autores e leitores já se adaptaram?

A mesa 2, com início às 11h45, vai falar sobre a presença do livro na internet. A ideia é abordar a dinâmica da autopublicação em blogs e outras tantas plataformas criadas para esse fim.

Vamos contar com a mediação de Ednei Procópio, especialista em livros digitais, publicou três livros sobre o tema desde 2010. Atualmente, está empenhado no desenvolvimento de uma empresa de livros e leitura chamada LIVRUS.

O X Forum de Editoração ocorrerá no dia 25/10/2014. A mesa também vai contar com:

André Vianco | Autor de 15 romances sombrios, vendeu mais de 900 mil livros. Publicou uma coleção infantil para a Rocco e também produz quadrinhos. É roteirista de cinema e TV.

Fred Di Giacomo | Escritor e jornalista multimídia. Autor de dois livros, trabalhou na Editora Abril por sete anos, onde foi pioneiro na criação de jogos jornalísticos, recebendo prêmios internacionais e nacionais. Em 2013 se mudou para Berlim e criou o Glück Project – uma investigação sobre a felicidade.

Antonio Hermida | Começou a trabalhar com e-books em 2009 [ed. Zahar] e, em 2011, na Simplíssimo Livros, como Gerente de Produção. Atualmente, coordena o depto. de Mídias Digitais da Cosac Naify. Escreve colunas mensais para o blog da editora e para o Colofão.

Taubaté junta games e literatura


O 5o. Festival Ligação [Literatura Infantojuvenil, Games e Artes em ação] foi realizado entre 9 e 12 de outubro no sítio do Picapau Amarelo, em Taubaté. O evento é realizado pela Universidade de Taubaté [UNITAU], Prefeitura de Taubaté, pelo Instituto do Mundo, Games for Change e pela Universidade de São Paulo [USP], e tem o patrocínio da Campo Limpo Reciclagem e Transformação.

Na tenda dos Autores, foi realizada a roda de conversa “Gestar não é parir”, com os grupos Clarear, Do ventre ao peito e Sementeira do nascer. Já na sala de Cinema, em parceria com o SESC, foi exibido o filme “IEP”, e a Tenda de Oficinas contou com a presença da Biblioteca Móvel da SETUC.

Elaine Peloggia, que visitou o evento, comentou sobre o Ligação. “A programação está fantástica, meus filhos estão amando principalmente a biblioteca.

Estamos adorando tudo, meus filhos e eu vamos ficar aqui até a tarde só para aproveitar todas as programações”, acrescentou Guilherme Tavares, que também participou do Ligação.

A coordenadora do evento e responsável pelo sistema de bibliotecas da UNITAU, Márcia Ribeiro, falou sobre a programação. “Serão mais de 50 atrações e todas as escolas municipais e privadas foram convidadas. O evento vai até domingo, e espero que a população venha comemorar com a gente o dia das crianças”, finalizou.

UNITAU | Blog do Galeno | Edição 371 | 24 a 30 de outubro de 2014

Um novo boletim Leituras


O Boletim Leituras, antigo conhecido da comunidade literária carioca, está de volta e cheio de novidades. O bL, que existia apenas no formato de boletins quinzenais, passa a ser, também, um site com atualização diária. O lançamento oficial será dia 28 de outubro, às 19h, no botequim Chico e Alaíde [Rua Dias Ferreira 679, Leblon, Rio de Janeiro].

PublishNews | 23/10/2014

Aplicativo usa câmera do celular para resolver equações matemáticas


Um aplicativo lançado nesta semana pela empresa europeia MicroBlink permite usar a câmera do celular para resolver equações matemáticas e demonstrar passo a passo como fazê-lo.

Disponível para iOS e Windows Phone, o PhotoMath é descrito como uma “câmera-calculadora inteligente”, que escaneia a foto de uma equação num livro e mostra o resultado instantaneamente.

O app também mostra as instruções de como resolvê-la, para aqueles que não querem apenas terminar a lição de casa mais rápido, mas entender a lógica por trás das operações.

Aplicativo PhotoMath escaneia fotos do livro de matemática, por exemplo, e resolve equações

Aplicativo PhotoMath escaneia fotos do livro de matemática, por exemplo, e resolve equações

O PhotoMath não entende manuscritos e só suporta um número limitado de operações por enquanto. Deve ficar mais complexo no futuro, a empresa diz no site do app.

Há dois anos, a MicroBlink desenvolve softwares de reconhecimento de texto. A start-up, que licencia esse tipo de tecnologia, tem também em seu portfólio um leitor de códigos de barra e uma solução para pagar contas pelo celular.

Publicado originalmente por Folha de S.Paulo | 22/10/2014, às 19h03

Dicas de marketing digital para tornar seu eBook visível


POR Marina Pastore | Publicado originalmente por  COLOFÃO | 22 de outubro de 2014

No maravilhoso mundo dos livros impressos, existe um conjunto de ações que já são rotina quando se trata do marketing de determinado título: noites de autógrafo, anúncios, envio de provas a jornalistas, contato com blogs, negociação de espaço em livrarias, enfim. Já no mundo dos e-books, as práticas ainda não são tão rotina assim: afinal, quando se trata de um lançamento em formato impresso e digital, presume-se que as ações planejadas para o primeiro sirvam também para divulgar o segundo; quando se trata de um título lançado exclusivamente em e-book, nosso mercado ainda pequeno torna difícil justificar um investimento razoável. No primeiro caso, é mesmo importante que as equipes de marketing e vendas do impresso e do digital trabalhem em conjunto, divulgando a obra e o autor independentemente do formato [especialmente quando o livro é lançado simultaneamente em e-book]. No segundo, temos um problema.

Como eu repito basicamente em todo post [desculpem!], embora seja mais fácil tornar um e-book disponível [no sentido de que a livraria não precisa decidir quantos exemplares de quais títulos ela vai ou não estocar], torná-lovisível é sempre um desafio. Numa livraria física, depois que passa o esforço de divulgação que acompanha o lançamento, um livro costuma sair das pilhas de destaque nas mesas da frente da loja e ir passando para lugares cada vez menos nobres, até chegar ao seu cantinho na prateleira – onde só sua lombada fica visível, mas ele ainda pode ser descoberto por alguém que esteja casualmente passando os olhos por lá. Já numa livraria virtual, se um livro não estiver na [concorridíssima] página inicial, com a exceção de ações pontuais [como newsletters, em geral ligadas a descontos], o leitor tem basicamente três jeitos de chegar até ele: buscar especificamente pelo autor ou título, vê-lo na seção de obras relacionadas a outro livro ou navegar em certa categoria e acabar se deparando com ele.

Vamos examinar estas possibilidades. A primeira, levar as pessoas a procurar o seu livro, é o cenário ideal. Aqui, a chance de conseguir um cliente realmente interessado – e não necessariamente motivado apenas pelo preço – é maior. Porém, o investimento necessário também é maior, já que, é claro, o leitor precisa ouvir falar do livro por outros meios antes de buscá-lo. Neste ponto, ações online [posts em redes sociais, booktrailers, resenhas em blogs] têm certa vantagem por já estarem no ambiente onde a busca será feita: abrir uma nova aba para fazer a busca é bem mais imediato do que, por exemplo, ver um anúncio numa revista impressa e pensar em procurar aquele livro mais tarde. Mas nem por isso as mídias tradicionais devem ser esquecidas: o fato de a própria Amazon ter uma seção do site [ainda que meio escondida] dedicada a livros que apareceram em jornais e revistas é um sinal de que elas têm pelo menos algum impacto sobre as vendas.

Sobre o segundo ponto, vou ter que voltar à minha obsessão e falar de metadados [desculpem! [2]]. Hoje em dia, bons algoritmos encontram obras relacionadas não apenas calculando quais itens foram mais comprados juntos, mas também avaliando quais têm temas em comum, quais estão na mesma categoria, quais são do mesmo autor, enfim. Por isso as palavras-chave [pertinentes, ok? Não adianta colocar “Cinquenta tons de cinza” nas palavras-chave de tudo só para ser popular] e as categorias são tão importantes. Na hora de defini-las, é sempre bom fazer uma busca pelos termos nas livrarias para ver o que aparece. Na dúvida entre duas palavras-chave ou categorias, a dica é ver quais livros aparecem em cada uma. Entre quais outros livros você quer que o seu livro esteja? Parece um detalhe, mas é uma ferramenta de marketing poderosa no ambiente digital.

Nem sempre funciona, mas tudo bem

Nem sempre funciona, mas tudo bem

Por fim, vamos à terceira possibilidade: a de um cliente que não saiba exatamente o que quer e por isso faz uma busca mais genérica ou vai navegar pelos livros de determinada categoria. Para que o seu livro tenha mais chances de ser escolhido nesta situação, ele precisa de: 1] um bom título, 2] uma boa capa [adaptada para o digital, se necessário/possível] e 3] de preferência, estar entre os primeiros resultados – quer dizer, a página 37 de cada categoria certamente é menos visualizada do que a 1. Aqui temos uma bela de uma questão Tostines [o livro vende mais porque está em destaque ou está em destaque porque vende mais?], mas é possível dar uma ajudinha com bons metadados [de novo. Desculpem! [3]] e ações de marketing mais pontuais. Em primeiro lugar, é claro que nem todos os livros permitem isso, mas, em geral, é bom escolher a categoria mais específica possível por causa do seguinte:

Vejam que o livro ganhou uma bela faixinha de primeiro lugar, mesmo estando nesta posição só dentro de uma categoria menor – é possível que ele nem estivesse tão bem no ranking geral de mais vendidos, mas o fato de estar no topo de uma categoria diz algo ao leitor [e ao todo-poderoso algoritmo]. Sobre ações pontuais, aqui entram os descontos, que encaro como uma ferramenta de marketing justamente por isso: mesmo que o desempenho do livro não melhore tanto assim, qualquer venda a mais gerada no período da promoção não só ajuda na divulgação do título naquele momento, mas também pode fazer com que ele se torne mais visível mesmo depois de voltar ao preço normal. Num caso mais ousado, disponibilizar um livro gratuitamente por um período curto funciona ainda melhor para isso – especialmente se ele fizer parte de uma série, incentivando o leitor a conhecê-la e depois, se gostar, comprar os próximos volumes.

Esta última estratégia serve para ilustrar um ponto importante: oferecer algum tipo de conteúdo gratuito tem se tornado especialmente relevante para a estratégia das editoras [que, afinal, precisam se diferenciar justamente pela qualidade do conteúdo que produzem]. O marketing digital vai além de fazer perfis nas redes sociais e publicar posts chamando para a compra dos seus livros o tempo todo; é por isso que é cada vez mais comum que editoras não só divulguem o conteúdo de revistas, jornais, blogs e outros sites, mas também mantenham seus próprios blogs com textos que nem sempre são diretamente relacionados aos livros que publicam. Este é um trabalho constante de construção de marca, que, se bem feito, facilita e fortalece qualquer outra ação de marketing que venha depois.

POR Marina Pastore | Publicado originalmente por COLOFÃO | 22 de outubro de 2014

Marina Pastore

Marina Pastore

Marina Pastore é jornalista formada pela Escola de Comunicações e Artes da USP. Descobriu os e-books ainda na faculdade, em 2011, e foi amor ao primeiro download. Vem trabalhando com eles desde então, integrando o departamento de livros digitais da Companhia das Letras. Seu maior orgulhinho profissional foi ver toda a obra de seu autor preferido e muso inspirador, Italo Calvino, disponível em formato digital. Sua vida é basicamente um grande episódio de Seinfeld, mas com menos sucrilhos e mais [muito mais] gifs animados.

Site ajuda pais a escolherem melhor livro para seus filhos


Hábito da leitura deve ser estimulado desde cedo | FOTO: Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens

Hábito da leitura deve ser estimulado desde cedo | FOTO: Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens

O contato com livros desde o início da vida ajuda a criar nas crianças o hábito da leitura. Os benefícios, quando elas começam a ler sozinhas, vão desde o estímulo à criatividade e à imaginação ao aumento do vocabulário e fixação da grafia correta das palavras. E foi inspirado neste mundo de possibilidades que os livros geram, que um grupo se uniu na criação de um espaço virtual voltado inteiramente aos pais dos amantes mirins desta arte.

O site A Taba reúne estudiosos de literatura infantil e juvenil, professores, pais, bibliotecários e contadores de histórias que indicam e resenham livros infantis. Além disso, há fóruns de discussão e um clube de leitores, onde todo mês livros previamente selecionados são enviados para os assinantes.

O espaço é cuidadoso em separar as indicações por tipos de leitores: iniciante, autônomo ou experiente. Os mais de 900 títulos indicados ajudam os pais e educadores a fazerem uma escolha de qualidade em meio à oferta massiva de publicações do gênero. De acordo com A Taba, por ano, no Brasil, são lançados cerca de 3.000 títulos diferentes voltados para o público infantil e juvenil. “É na infância que se dá o primeiro contato com a linguagem literária. É preciso atentar para a qualidade daquilo que oferecemos às nossas crianças nessa iniciação ao universo literário”, define o site.

Bruna Ramos | Portal EBC | 22/10/2014, às 11h41

Biblioteca de Tupã [SP] empresta eBooks para incentivar a leitura


A biblioteca pública de Tupã, no interior de São Paulo, recorre à tecnologia para incentivar a leitura entre os moradores da cidade. O leitor pode acessar a biblioteca e ler de onde estiver, no computador, tablet e até no celular. Animados com a repercussão do projeto, os responsáveis pela biblioteca já falam em ampliar oacervo e o número de leitores atendidos.

G1 | 22/10/2014

Universidade do MT testa biblioteca virtual de saúde


A Universidade do Estado de Mato Grosso [Unemat] oferece aos alunos e professores dos cursos da Faculdade de Ciências da Saúde o acesso ao E-volution desde o último dia 6 em caráter de teste, que terá duração de 45 dias.

Esta é a única biblioteca virtual com conteúdo multimídia disponível no Brasil nas áreas da saúde e inteiramente em português.

São centenas de livros disponíveis e as mais recentes edições dos livros adotados como referência no Brasil e em todo o mundo, como Guyton & Hall Tratado de Fisiologia Básica, Netter Atlas de Anatomia Humana, Rang & Dale Farmacologia, entre outros.

Com esta nova opção de acesso ao conhecimento, a Unemat permite que sua comunidade acadêmica utilize um novo recurso para o aprendizado inteiramente online e de forma moderna e interativa.

A Universidade, através do E-volution, permite que todos os estudantes acessem os livros da Editora Elsevier, ao mesmo tempo e sempre que desejarem.

Assim a Unemat disponibiliza aos acadêmicos da Faculdade de Ciências da Saúde a possibilidade de aprender, estudar e se preparar melhor para suas carreiras ao acessar centenas de e-books em qualquer lugar que tenham acesso à internet, como na sala de aula, em casa ou no transporte.

De acordo com diretora-executiva da Editora Elsevier, Lutiani Guimarães, “o usuário pode fazer suas próprias anotações nas páginas, marcar os textos com adesivos virtuais nas páginas que são mais importantes para seu estudo e consultar tudo isto rapidamente na hora em que precisar. Basta fazer a busca e localizar rapidamente”, explica a diretora.

Todas as anotações, marcadores de páginas ou de texto serão vistos apenas pelo usuário que os fizer. Vídeos, animações, bancos de imagens, testes online com perguntas e respostas e muitos outros recursos ajudam a compreender mais rápido e fixar melhor o que está estudando”, disse Lutiani.

Para acessar, basta entrar no site http://www.evolution.com.br em qualquer computador institucional da Unemat; clicar em ‘Cadastre-se’, preencher o cadastro e clicar em ‘Enviar’.

Para usar o E-volution, após o registro, basta entrar no site em qualquer computador, preencher usuário e senha cadastrados e clicar em Login.

Midia News | 21/10/2014 | DA UNEMAT

Prefeituras do Ceará aderem às bibliotecas digitais


O estado do Ceará já tem pelo menos 19 bibliotecas de acesso público prontas para começar a emprestar eBooks virtualmente, um serviço apontado por especialistas como solução para atrair os leitores mais jovens e estancar o esvaziamento que se verifica nos últimos anos. O estado aparece entre os cinco com maior número de bibliotecas digitais instaladas.

A novidade chegou, este ano, ao Brasil e já está presente em 26 estados brasileiros. No Ceará, existem bibliotecas digitais em 15 municípios, sendo três na capital Fortaleza e duas localizadas em Farias Brito e Itapipoca. Destacam-se ainda as cidades de Aruaru e Paraipaba, seguindo o exemplo do Estado, que ocupam a primeira posição, em número de leitores cadastrados, na Região Nordeste.

Os usuários podem pegar emprestados os livros digitais de qualquer lugar com internet e ler no computador, tablet, e-reader e até no celular, inclusive depois de desconectar [desde que o texto seja mantido na tela]. Para se cadastrar, os interessados devem ir pessoalmente a qualquer uma dessas bibliotecas e já pegar emprestados até três eBooks simultâneos pelo prazo de 15 dias, podendo renovar uma vez.

Por enquanto, estão à disposição dos leitores 1.000 eBooks de autores nacionais e estrangeiros em domínio público, da Coleção de Clássicos da Árvore de Livros, a plataforma de empréstimo digital que está operando nessas cidades. Futuramente, as bibliotecas poderão ampliar seu catálogo e passar a oferecer outros 14 mil títulos, incluindo lançamentos atuais.

A chegada das bibliotecas digitais ao estado do Ceará é o resultado de uma parceria entre a Associação Brasileira de Municípios [ABM], Observatório do Livro e da Leitura, Fundação Palavra Mágica e a Árvore S/A. “Investimentos em tecnologia costumam ser altos e, mesmo assim, rapidamente ficam defasados”, afirma o diretor do Observatório do Livro e da Leitura, Galeno Amorim, ex-presidente da Fundação Biblioteca Nacional.

Segundo ele, a iniciativa deve beneficiar principalmente as pequenas e médias cidades que, em geral, costumam ter dificuldades para aderir e implementar inovações tecnológicas justamente por causa dos custos. Para o presidente da ABM, Eduardo Tadeu Pereira, garantir maior acesso das populações aos livros “é um importante caminho para proporcionar avanços na área da educação e também democratizar o acesso à leitura”.

O acordo prevê também a manutenção da plataforma e o treinamento virtual dos bibliotecários e técnicos das bibliotecas municipais e comunitárias. As prefeituras e bibliotecas interessadas em receber gratuitamente sua biblioteca digital podem entrar em contato pelo e-mail bibliotecas@arvoredelivros.com.br.

Associação Brasileira de Municípios | 21/10/2014

Vaticano anuncia app para seus manuscritos


Biblioteca do Vaticano

Biblioteca do Vaticano

Mais de quatro mil manuscritos e documentos da Biblioteca Apostólica Vaticana poderão ser acessados, em alta resolução, através de um aplicativo lançado pela empresa japonesa NTT Data.

De acordo com a companhia, os documentos, disponíveis atualmente no site oficial da Biblioteca [www.vaticanlibrary.va], se ajustarão ao visor do dispositivo móvel escolhido pelo usuário.

Mas a empresa ainda trabalha no desenvolvimento de uma ferramenta que permitirá buscas eficazes pelos conteúdos. Essa função deverá ser lançada até o fim do ano. O prefeito da Biblioteca Apostólica, Cesare Pasini, disse que o app contribui “para a missão de tornar cada vez mais conhecidos os tesouros da humanidade conservados” na instituição.

Publicado originalmente pleo Jornal do Brasil | Com informações da Agência ANSA | 20/10/2014

eBooks, etc.


A 2.ª edição da Conferência Revolução e-Book, a ser realizada dia 5, será transmitida por streaming [com inscrições mais baratas]. Entre os palestrantes, Natalia Montuori [Amazon], Amanda Ramalho [Scielo], Cindy Leopoldo [Intrínseca] e Marcelo Gioia [Bookwire].

*

A Bookwire é uma distribuidora de livros digitais com operação na Alemanha, Rússia, Espanha e, mais recentemente, no Brasil.

*

E a Amazon, que acaba de lançar Eles Eram Muito Cavalos, de Luiz Ruffato, em inglês, prepara as próximas traduções: Elza, a Garota, de Sérgio Rodrigues, sai dia 21 e Uma Duas, de Eliane Brum, dia 18.

Por Maria Fernanda Rodrigues | O Estado de S. Paulo | 17 Outubro 2014, às 20:30

Gamificação no ambiente editorial e educacional


Curso realizado pelo Alt+Tab vai esmiuçar por que os games se tornaram uma das maiores indústrias de conteúdo do mundo

Até a próxima segunda-feira [20], quem estiver interessado no curso Para além da gamificação, organizado pelo ALT+TAB pode se inscrever com descontos. O curso, ministrado por David O. Lemes – chefe do departamento de computação da PUC-SP -, vai mostrar por que os games se tornaram uma das maiores indústrias de conteúdo do século 21, além de provocar os participantes a se apropriarem dos conteúdos do universo dos jogos para repensar práticas no segmento editorial e educacional. O curso acontece no dia 1 de novembro, na House of Work [Rua Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, 27 – São Paulo/SP], das 9h às 18h. O investimento é de R$ 600 [inscrições feitas até dia 20, R$ 570], que pode ser parcelado em duas vezes. Associados da Abrelivro, Abeu, Abrale e Libre têm descontos especiais. Para acessar o programa completo do curso, clique aqui.

PublishNews | 16/10/2014

O livro mais marcante para os brasileiros no Facebook


Títulos da saga bateram o bestseller ‘A Culpa é das Estrelas’ e a ‘Bíblia’.Nos EUA, ‘O Alquimista’ está no top 20 dos livros mais marcantes.

Livro 'Harry Potter e o Cálice de Fogo', de J.K. Rowling

Livro ‘Harry Potter e o Cálice de Fogo’, de J.K. Rowling

Os títulos da saga “Harry Potter”, de J.K. Rowling, lideram a lista de livros que mais marcaram os usuários brasileiros do Facebook, após deixar o best-seller “A Culpa é das Estrelas”, de John Green, para trás.

A lista foi elaborada pela rede social após uma brincadeira circular no site. Um usuário desafiava um amigo a enumerar dez livros que o marcaram. Há um mês, o Facebook compilou as sugestões feitas em inglês e elaborou uma lista dominada por atualizações feitas por norte-americanos em inglês.

Os títulos da série “Harry Potter” também foram os mais citados. No top 20, o único brasileiro a aparecer é “O Alquimista”, de Paulo Coelho, que ocupa a 20ª posição.

Conforme o desafio se espalhou pela rede, o Facebook avaliou as menções feitas em outras línguas, como o português, italiano, espanhol e francês.

De acordo com a empresa, o levantamento das citações de livros foi feito por meio de uma técnica de agrupamento de dados anônimos. Essas informações foram analisadas para que trechos comuns de textos que pudessem designar livros fossem identificados.

No Brasil, a idade média dos participantes do desafio era de 28 anos e 72% dos usuários que caíram na brincadeira eram mulheres.

1 – Harry Potter – J.K. Rowling
2 – A Culpa é das Estrelas – John Green
3 – O Pequeno Príncipe – Antoine de Saint-Exupéry
4 – A menina que roubava livros – Markus Zusak
5 – A Cabana – William P. Young
6 – Caçador de Pipas – Khaled Hosseini
7 – Jogos Vorazes – Suzanne Collins
8 – A Seleção – Kiera Cass
9 – Coração de Tinta – Cornelia Funke
10 – Bíblia

Veja a versão lista dos livros que mais marcaram usuários dos EUA e Reino Unido:

1 – Série “Harry Potter” – J.K. Rowling
2 – O Sol É Para Todos – Harper Lee
3 – O Senhor dos Anéis – JRR Tolkien
4 – O Hobbit – JRR Tolkien
5 – Orgulho e Preconceito – Jane Austen
6 – Bíblia
7 – Guia do Mochileiro das Galáxias – Douglas Adams
8 – Trilogia Jogos Vorazes – Suzanne Collins
9 – O Apanhador no Campo de Centeio – J.D. Salinger
10 – As Crônicas de Nárnia – C.S. Lewis
11 – O Grande Gatsby – F. Scott Fitzgerald
12 – 1984 – George Orwell
13 – Mulherzinhas – Louisa May Alcott
14 – Jane Eyre – Charlotte Bronte
15 – A Dança da Morte – Stephen King
16 – E o Vento Levou – Margaret Mitchell
17 – Uma Dobra no Tempo – Madeleine L’Engle
18 – O Conto da Aia – Margaret Atwood
19 – O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa – C.S. Lewis
20 – O Alquimista – Paulo Coelho

Publicado originalmente em Portal G1 | 16/10/2014

O tradutor que roda direto no navegador


Foi lançado um plugin do Google Tradutor que facilita a vida de usuários que acessam sites com trechos que estão em línguas diferentes e palavras ou frases que não entendemos o significado. Com a agilidade e a comodidade de não precisar sair da página e nem traduzir toda ela – muitas vezes deteriorando a compreensão do site – agora é possível traduzir trechos ou palavras específicas.

Google lança o Google Tradutor, plugin que roda diretamente no Chrome | Foto: Divulgação/Google

Google lança o Google Tradutor, plugin que roda diretamente no Chrome | Foto: Divulgação/Google

Para isso, basta baixar o Google Tradutor Plugin, selecionar o que você deseja traduzir, clicar com o botão direito e escolher “Google Tradutor”, opção essa adicionada após instalação da extensão. Se você clicar no ícone no canto direito superior da página, toda ela será traduzida.

Ficou mais fácil traduzir trechos, palavras ou sites com a nova extensão do Tradutor | Foto:Reprodução/Google

Ficou mais fácil traduzir trechos, palavras ou sites com a nova extensão do Tradutor | Foto:Reprodução/Google

A extensão detecta automaticamente se a linguagem do site é diferente da que você escolheu como nativa do navegador, habilitando ou desabilitando a possibilidade de tradução automaticamente.

Cada dia mais as barreiras e dificuldades de comunicação virtual estão sendo quebradas com avanços na compreensão e acesso a diferentes linguagens. O plugin está disponível apenas no Google Chrome.

Por Henrique Duarte | Para o TechTudo | 16/10/2014 11h23

Ação de hackers deixa site de Graciliano Ramos fora do ar


O site oficial do escritor Graciliano Ramos está fora do ar. Segundo os administradores da página, o motivo foi uma ação de hackers, que levou toda a equipe perder um trabalho de 14 anos.

A página hospedava fotos, biografia, lista de obras, artigos e detalhes sobre seu livro mais conhecido, “Vidas Secas”, romance lançado em 1938.

Quem notou a invasão foi a pesquisadora Ieda Lebensztayn, especialista na obra do autor.

Na terça [14], ela havia acessado a página para ler uma entrevista de Graciliano [1892-1953] a Otto Maria Carpeaux, publicada recentemente no livro “Conversas | Graciliano Ramos“, para o qual ela e Thiago Mio Salla reuniram entrevistas, enquetes e depoimentos dados pelo escritor a veículos jornalísticos.

O escritor alagoano Graciliano Ramos

O escritor alagoano Graciliano Ramos

Aparecia uma página preta, com caracteres em árabe e textos em inglês. Eu me assustei“, contou Lebensztayn à Folha.

A pesquisadora disse que não tentou ler a mensagem, com medo de que sua permanência na página também pudesse causar danos a seu computador.

O administrador do site, Albano Martins Ribeiro, disse por e-mail à Folha que está “imerso na solução do problema“.

Agora, quem acessa a página, vê apenas a mensagem sobre o ataque de hackers e a imagem de uma assinatura de Graciliano.

POR GISLAINE GUTIERRE | DE SÃO PAULO | Publicado originalmente por Folha de S. Paulo | 15/10/2014, às 21h33

Biblioteca Virtual da Fapesp é exemplo de acesso aberto


A experiência da Biblioteca Virtual [BV] da FAPESP foi apresentada como modelo de disponibilização pública da informação científica na 5ª edição da Conferência Luso-Brasileira de Acesso Aberto [Confoa], realizada em Portugal, de 6 a 8 de outubro, pela Universidade de Coimbra em parceria com o Ministério da Ciência e Educação de Portugal e o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia [Ibict].

O objetivo da conferência, resultado de um memorando de entendimento assinado entre os governos de Portugal e do Brasil em 2009, é promover e discutir práticas e pesquisas sobre o acesso aberto, servindo ao desenvolvimento de políticas e investigações da área.

Representando a Biblioteca Virtual, as bibliotecárias Fabiana Andrade Pereira e Paula Hashimoto apresentaram o trabalho “BV-FAPESP: um modelo de biblioteca virtual para democratização do acesso à informação pública no Brasil”, que tratou da Lei de Acesso à Informação [LAI] e das contribuições da FAPESP ao seu cumprimento.

Em vigor desde 2011, a Lei de Acesso à Informação garante aos cidadãos brasileiros o direito de acessar informações sob a guarda das instituições públicas e determina como deve ocorrer a difusão dos dados disponíveis. De acordo com a LAI, o acesso deve ser garantido por meio de mecanismos e ferramentas de pesquisa de conteúdo, para facilitar a localização da informação de “forma objetiva, transparente, clara, atualizada e em linguagem de fácil compreensão”.

De acordo com Pereira, em razão de suas características técnicas, a BV contribui para o atendimento da LAI, tornando acessível à sociedade civil a informação referencial sobre os auxílios e bolsas apoiados pela FAPESP. “A normalização técnica, o uso de tecnologias apropriadas e as informações com valor agregado à BV-FAPESP reforçam a visibilidade dos conteúdos disponíveis em suas interfaces públicas de acesso aberto, atendendo às exigências da lei e indo além ao oferecer facilidades ao usuário. Sem a Biblioteca Virtual, toda essa informação ficaria restrita aos sistemas informacionais internos da Fundação”, disse à Agência FAPESP.

Para a bibliotecária, a BV, como fonte primária de divulgação da pesquisa científica, pode servir como modelo de gestão da informação no armazenamento, organização, tratamento, disseminação e acesso aberto à informação pública. “Isso porque a biblioteca apresenta soluções eficientes no cumprimento das determinações da LAI e não possui barreiras físicas ou geográficas”, explicou.

Hashimoto destacou que a importância da BV, como canal de divulgação da informação pública, é enfatizada pela quantidade de acessos à plataforma – mais de 4 milhões em 2013. “Esses resultados se referem a visitas diretas à BV e também por meio do portal da FAPESP e de buscadores na Web, com usuários de mais de 200 países, destacando-se Portugal, Estados Unidos e Índia.

Essa relevância também foi destacada por participantes do Confoa, contou Pereira. “A BV foi citada em outra apresentação como bom exemplo de sistematização do acesso à informação, principalmente quando comparada às outras agências de fomento federais e estaduais brasileiras, o que coloca o Brasil em uma boa posição diante da comunidade científica internacional.

A bibliotecária acredita, no entanto, que ainda é preciso valorizar mais o acesso aberto no país. “Podemos observar que, na Europa, muitos países buscam seguir os princípios do Programa Horizon 2020. Com isso, as publicações com acesso aberto são importantes inclusive para a obtenção de financiamento e há um movimento natural dos pesquisadores para publicar nesse formato”, afirmou. “No Brasil, a disponibilização de informações ainda está muito atrelada à obrigação formal, sobretudo à necessidade de publicar em determinadas revistas para se obter méritos, mas cujo conteúdo permanece fechado para assinantes. É preciso uma mudança de cultura nesse sentido.

Pereira e Hashimoto apresentaram no trabalho os demais canais de divulgação científica, como a Agência FAPESP, a revistaPesquisa FAPESP e o boletim interno FAPESP na Mídia. O desenvolvimento da apresentação também contou com a participação de Rosaly Fávero Krzyzanowski, coordenadora da BV, Thais Fernandes de Morais, supervisora do Centro de Documentação e Informação da FAPESP, e Inês Maria de Morais Imperatriz, bibliotecária.

Agência Fapesp | Rede Notícia | 15/10/2014

Google considera Amazon seu maior rival


Em sua declaração, presidente da empresa Eric Schmidt menospreza Bing e Yahoo no setor

Em foto de 9 de setembro de 2014, o presidente do Google Eric Schmidt sorri durante evento em Madri, na Espanha. Foto: Daniel Ochoa de Olza / AP

Em foto de 9 de setembro de 2014, o presidente do Google Eric Schmidt sorri durante evento em Madri, na Espanha. Foto: Daniel Ochoa de Olza / AP

RIO | O presidente do Google, Eric Schmidt, disse que o maior rival da empresa em pesquisa on-line é gigante do e-commerce Amazon.

Segundo a “BBC”, Schmidt rebateu alegações de que o Google exerceria supremacia no mercado de buscas on-line, sem rivais à altura.

Muitas pessoas pensam que o nosso principal concorrente é Bing ou Yahoo. Mas, realmente, o nosso maior concorrente de busca é a Amazon”, disse ele em um discurso em Berlim.

O Google está no meio de uma investigação União Europeia sobre seu site de busca após denúncias antitruste.

Em fevereiro, a empresa conseguiu esquivar-se do pagamento de bilhões de dólares em multas, quando concordou em dar igual legitimidade a serviços rivais, como a Microsoft, em seus resultados de busca.

Mas Schmidt ressaltou que a concorrência no mundo on-line “nem sempre é tão clara”.

As pessoas não pensam na Amazon como busca, mas se você está em busca de algo para comprar, provavelmente você vai querer procurar primeiro na Amazon pelo produto”, disse ele. “Eles são, obviamente, mais focados no lado comercial da equação, mas, em suas raízes, eles estão respondendo a perguntas e pesquisas dos usuários, assim como nós fazemos”.

A Amazon, maior varejista on-line do mundo, tem sido notícia nos últimos tempos por seus empreendimentos além do seu negócio principal, que é o e-commerce.

Em agosto, ela comprou o Twitch, rede de live-streaming de jogos interativos, por cerca de US$ 970 milhões, na que foi a maior aquisição de sua história de 20 anos. O Google anteriormente estava em conversações para comprar a rede.

No entanto, mesmo com o Google detendo posição dominante, com mais de 90% do mercado de buscas on-line, Schmidt disse que ele ainda estava receoso quanto ao que seria o “próximo Google”.

Alguém, em algum lugar em uma garagem está mirando nossa empresa. Eu sei bem disso, porque não há muito tempo nós mesmos estávamos numa garagem. A mudança vem de onde você menos espera”, acrescentou.

Publicado originalmente por O Globo | 14/10/2014 | 14/10/2014, às 10:11

Feira de livros de Frankfurt celebra o digital


Editores mudam foco de tecnologia para o enredo das histórias

FRANKFURT | O livro do futuro poderá ser financiado por crowdfunding, ser publicado pelo próprio autor ou estar vinculado a um videogame — o leitor poderá inclusive votar numa virada do enredo. Seja como for, há uma grande chance de que ele será lido em sua versão impressa.

A tônica da versão deste ano da Feira de Livros de Frankfurt, a maior feira editorial do mundo, foi a busca por novos modelos de negócios para um setor que vem sendo confrontado pela digitalização de livros e pelo aumento da supremacia da Amazon.com. À proporção que os hábitos de leitura mudam e os e-books tomam o lugar central do palco, o apetite por boas narrativas ficcionais está mais forte do que nunca.

O controverso serviço de assinatura de e-books da Amazon, em que o cliente paga uma mensalidade para ter direito a acessar livros – ANDY CHEN / NYT

A Verlag Friedrich Oetinger GmbH, uma editora de livros infantis que vende a série “Hunger Games” na Alemanha, é um exemplo. Ao mesmo tempo em que investe pesadamente em produtos digitais, chegando mesmo a criar sua própria unidade de codificação, o diretor-executivo Till Weitendorf não está dando as costas ao setor impresso.

— Não importa se você tem um livro ou um iPad nas mãos — disse ele em entrevista no estande de sua editora na feira, encerrada no último domingo. — Você precisa de uma grande história. Isso não mudou; foi o mundo em volta que mudou.

À medida que a leitura das pessoas evolui, também evolui a forma como as histórias são contadas. Nos Estados Unidos e no Reino Unido, 45% dos leitores já leram pelo menos parte de um e-book em seus smartphones, segundo uma pesquisa realizada pela Publishing Technology.

PROJETOS PROMISSORES

Novas tecnologias são apenas parte do quadro geral. Kladde Buchverlag, uma startup com sede Freiburg, na Alemanha, recorre ao crowdfunding para financiar a publicação de seus livros, oferecendo designs de alta qualidade, papéis de luxo e assessoria profissional para autores que querem editar seus próprios livros.

Ela pré-seleciona projetos promissores e usuários de internet decidem quais livros serão publicados por meio de suas doações. Os doadores generosos podem até ganhar o direito de opinar na forma como a trama se desenrola ou sobre o destino de uma personagem, disse Lea Nowak, uma das fundadoras da companhia.

Britta Friedrich, diretora de eventos e programas da Feira de Frankfurt, afirmou que após anos correndo atrás da mais recente novidade tecnológica — de CDs a e-readers e tablets — o setor agora está focando em como explorar essas inovações.

— Os editores veem que não é preciso pular em cada novo vagão — disse ela. — Editores precisam pensar não apenas em novos equipamentos, mas igualmente em novas formas de contar histórias.

Pela primeira vez, disse ela, representantes de companhias de game, tais como Ubisoft Entertainment, estiveram presentes na feira em busca de parceiros. E a tendência já está decolando. “Endgame”, um livro do escritor americano James Frey, está sendo transformado em um game de realidade aumentada pelo Niantic Labs, do Google.

PLATAFORMA DE E-BOOKS

Enquanto publica a tradução alemã de “Endgame”, Oetinger está também tentando aliviar a passagem da leitura offline para on-line com o Tigercreate, uma plataforma para transformar livros ilustrados para crianças em e-books animados e interativos. O processo usado exige uma programação cara para cada novo livro e dispositivo, segundo Weitendorf. Cerca de 40 editores já se alinharam para usar a plataforma, disse ele.

O próximo passo é um serviço de assinatura mediante o qual as crianças poderão acessar os livros, disse Weitendorf, em meio à tentativa da Oetinger de criar um nicho de produto num mercado dominado pela Amazon.

A varejista on-line americana, qua ajudou a criar o mercado de e-book com o lançamento do seu leitor Kindle em 2007, lançou seu serviço de assinatura de e-book, o Kindle Unlimited, na Alemanha um dia antes da abertura da Feira de Frankfurt. Nos Estados Unidos, ela oferece acesso a mais de 700 mil títulos por US$ 9,99 por mês.

MODELOS DE ASSINATURA

A investida da Amazon no mercado de assinatura tornou-a alvo de críticas na feira deste ano, à medida que os autores questionaram o poder da companhia americana sobre lançamentos e preços, ao passo que os editores mostraram uma visão mais otimista.

Harper Collins, da News Corp., é uma das editoras que já colocou parte de seu catálogo disponível para assinatura digital.

— Cerca de 80% dos editores com quem falamos foram positivos — disse Len Vlahos, diretor-executivo do Book Industry Study Group. — Eles dizem que as assinaturas abriram novos mercados para eles, deram a eles nova alavancagem para seus conteúdos e acima de tudo, deram a eles dados muitos valiosos.

AMAZON DIVIDE SETOR

O domínio da Amazon foi demonstrado mais cedo este anos, em meio à disputa com a Hachette Book Group sobre os preços de e-book. Isso levou a Amazon a vetar livros e impedir pré-encomendas, atrasando a entrega e reduzindo descontos. Escritores nos Estados Unidos e na Alemanha fizeram cartas públicas protestando contra a companhia americana.

— A um risco nisso para a Amazon, à medida que as pessoas começaram a pensar: “qual é o meu valor como consumidor?” — disse Michael Norris, um consultor do setor. — Isto pode abrir um ângulo de oportunidade de concorrência.

Por outro lado, a tendência de oferecer acesso do tipo Nerflix a centenas de milhares de livros por um preço baixo cai muito bem com a publicação pelo próprio autor. A maioria dos títulos disponíveis do tipo Amazon Unlimited são do gênero ficção, de histórias policiais a romances de ficção científica.

E, embora analistas estejam descrentes com milhares de livros sendo lançados on-line a cada dia, os autores que estão publicando seus próprios livros discordam.

Nika Lubitsch, cujo romance policial “The 7th Day” [“O sétimo dia”] superou “Cinquenta tons de cinza” do topo da lista dos mais vendidos da Amazon alemã, afirmou que vender on-line permitiu a ela ganhar mais e se conectar melhor com seus leitores.

Ela vendou 470 mil exemplares de seu e-book desde que começou a usar a plataforma on-line da Amazon há dois anos. A companhia americana paga aos autores de 35% a 70% do preço de venda, consideravelmente mais do que os autores recebem tradicionalmente das editoras.

Por Bloomberg News | Publicado originalmente em O Globo | 13/10/2014 19:45

Autopublicação nunca foi tão fácil, mas fama e dinheiro são escassos


FRANKFURT | Para qualquer escritor frustrado por rejeições de editoras ou querendo cortar intermediários, nunca houve um momento mais fácil ou mais barato de ser um autor autopublicado.

Uma série de plataformas gratuitas de autopublicação oferecidas por Amazon, Apple e especialistas como Smashwords criaram novas oportunidades e um enorme mercado tanto para desconhecidos que galgam lugares mais altos quanto para alguns escritores estabelecidos.

Louvada por alguns pois teria democratizado o mercado, e criticada por outros pois teria banalizado a cultura literária, a autopublicação transformou o que significa ser um escritor. Simplesmente enviar um arquivo PDF e gastar um pouco com o design da capa pode transformar qualquer um em um autor publicado em uma plataforma de livros digitais como o Kindle, da Amazon, recebendo até 70 por cento do preço de capa.

O papel tradicional das editoras – fazer a seleção entre vários manuscritos, editar os selecionados e criar o pacote, fazer o marketing e distribuir o livro finalizado – foi eliminado. As editoras, no entanto, não estão muito preocupadas. A autopublicação pode funcionar a favor delas também.

A escritora E.L. James é um exemplo. Seu livro “Cinquenta Tons de Cinza” foi autopublicado. A obra foi então selecionada pela Random House e se tornou o livro de formato brochura, conhecido como “paperback” nos Estados Unidos, com vendas mais rápidas de todos os tempos, impulsionando Erika ao topo da lista da Forbes de autores mais bem pagos em 2013.

Poucos escritores autopublicados verão esse tipo de sucesso. Mas aqueles que promoverem ativamente seus próprios trabalhos e definirem preços com perspicácia – às vezes tão baixos quanto 99 centavos por cópia – podem conseguir uma audiência de massa.

Muitos livros autopublicados, embora não atendam os padrões que editoras estabelecidas podem desejar, são bons o bastante“, disse o editor-chefe da revista online Publishing Perspectives, Edward Nawotka.

Eles tem preços em um ponto que atende a demanda do leitor”, disse ele à Reuters durante a feira de livros de Frankfurt. “Acredito que isso tenha ampliado o mercado para livros.

Cerca de meio milhão de títulos foram autopublicados somente nos Estados Unidos, um aumento de 17 por cento na comparação anual e um salto de 400 por cento ante 2008, de acordo com relatório publicado na semana passada pela empresa de informações bibliográficas Bowker.

Para se conseguir viver da escrita é preciso uma sorte incrível, ou determinação e senso de negócios, afirma a escritora alemã de ficção Ina Koerner. Ele vendeu mais de 300 mil livros pela Amazon sob o nome Marah Woolf.

Você tem que entregar um livro a cada meio ano, caso contrário será esquecido”, disse a autora de 42 anos, mãe de três filhos, à Reuters durante a feira, maior do gênero no mundo. “Eu escrevo para um mercado e o livro é um produto.

Ina vende seus livros a 2,99 euros [3,79 dólares]. Ela fica com dois euros e a Amazon com o restante.

Reuters | 13/10/2014, às 13h55

Um novo modelo de mecenato para a literatura?


POR EDNEI PROCÓPIO | Editor especialista em livros eletrônicos

Como levantar grana para publicar aquele seu eBook que ainda está “na gaveta”

No século 1 antes da era cristã, Caio Cílnio Mecenas foi um influente conselheiro do imperador Augusto. Em torno de si formou um círculo de intelectuais e poetas para a sustentação de suas produções artísticas. Mecenas criou, com seu jeito inovador de influenciar pessoas, todo um modelo de incentivo e patrocínio para outros artistas e literatos. O termo ‘mecenas’ passou a indicar uma pessoa que fomenta concretamente uma produção cultural.

Recentemente, com o advento da web, o mecenato ganhou nova roupagem e força com a obtenção de capital para iniciativas de interesse coletivo, através de múltiplas fontes de financiamento. Ações são engendradas na internet com o objetivo de, por exemplo, arrecadar verba para projetos de publicação de livros. É o chamado crowdfunding, uma ação que pode ser usada por escritores para viabilizar projetos literários por intermédio das mídias sociais.

Crowdfunding vem da junção das palavras crowd [que, traduzido para o português, quer dizer multidão] e funding [financiamento]. Financiamento coletivo talvez traduza melhor o termo, embora alguns prefiram financiamento colaborativo. O crowdfunding intensificou-se a partir de 2009, juntamente com o fortalecimento da chamada social media [cujas redes sociais são sua principal ferramenta], mas ganhou realmente massa crítica por conta da cultura de colaboração natural da própria internet.

Uma plataforma online de crowdfunding funciona como uma espécie de portifólio de ideias e projetos, criados por internautas que geralmente não dispõe do capital inicial para levar adiante seus empreendimentos. No caso dos projetos literários, o escritor pode optar por apresentar seus projetos de livros em uma das plataformas online de crowdfundingdisponível [uma das principais em nosso país é a Bookstart]. Após criar o projeto do livro, o autor divulga sua ideia para amigos através das redes sociais. Os internautas que se interessam pelo projeto serão, eles mesmos, os futuros leitores da obra e farão as doações que viabilizarão financeiramente a edição.

Cada projeto proposto pensa em como recompensar quem colabora. É comum, em troca da ajuda, o internauta doador esperar por algum tipo de recompensa. O autor proponente pode, por exemplo, trocar o nome de um dos personagens da obra, no caso de ficção, pelo nome do doador. O doador pode ter o seu nome impresso nas páginas iniciais do livro, nos créditos; pode receber um autógrafo personalizado do autor; pode ter acesso a exemplares numerados, e por aí vai.

Mas tudo deve ser planejado com a máxima atenção. Principalmente a planilha financeira do projeto, que deve abarcar desde os custos de produção da obra até os “mimos” para os doadores. As plataformas online de crowdfunding geralmente retêm 5% do montante arrecadado. E se um determinado projeto não alcança o financiamento necessário, as plataformas de crowdfunding devolvem os valores aos doadores.

Para que uma ação de crowdfunding alcance o resultado esperado, é preciso muita projeção; é necessário que o proponente faça um pré-teste com os amigos, com seu networking. É preciso que o autor tenha a certeza de que a obra proposta é realmente seu melhor livro. Revisar a obra inúmeras vezes até ter a certeza de que ficou perfeita, é o mínimo que se pode fazer. É preciso também criar uma resenha matadora, pois é ela quem irá convencer o doador. Além disso, o autor proponente pode apelar para os vídeos, de preferência curtos que, na internet, são mais propícios a se tornarem virais.

È o que fez, na prática Rosseane Ribeiro, autora do livro “Tudo o que eu queria te dizer” que, segundo o site cidadeverde.com, contou com a ajuda de pessoa interessadas em ler sua obra para custear as despesas para a publicação.

Mas nem tudo são flores, durante uma convenção de quadrinhos, em setembro, o quadrinista Rafael Coutinho afirmou, segundo a Gazeta do Povo [jornal de Curitiba], que, abre aspas: “O Catarse é uma droga”. As palavras de Rafael Coutinho refletem o drama de um projeto mal elaborado: “Fiz um livro pelo Catarse e hoje tenho uma dívida moral com 600 pessoas. Este modelo, o crowdfunding, exaure, faz com que você tenha de monetizar os amigos, transformá-los em público-alvo. Fiquei bem deprimido. Foi selvagem, patético, ridículo”.

Conversando por e-mail com um amigo do mercado crowdfunding sobre o assunto, ele me disse que “se o proponente promete, tem que entregar. Esse compromisso moral é de qualquer pessoa que se comprometa com qualquer coisa. Fora subir a campanha em uma plataforma segura, o proponente precisa buscar uma editora ou prestadores de serviço que façam todo o processo de editoração do livro. Antes de subir uma campanha de qualquer tipo e em qualquer plataforma, vale a pena fechar com quem irá fazer os recursos angariados virarem o produto em questão.

O crowdfunding poderia a princípio parecer uma moda passageira, mas segue uma tendência cultural de colaboração mútua que se estabelece sobre a internet e que já demonstrou resultados em massa. Ações colaborativas como as observadas, por exemplo, nas compras coletivas, são na verdade o efeito e não a causa de uma revolução no modo de pensar e viver em sociedade. O consumo passa a ser feito de modo sustentável e em grupo.

Hoje, existem cerca de 300 sites de crowdfunding espalhados pela grande rede mundial, dos quais pelo menos umas dez sejam importantes e influentes canais da cultura web. Por conta da intermediação financeira proporcionada por estas plataformas online, em 2011 foram arrecadados 1,5 bilhão de dólares. Algumas estimativas publicadas por empresas de pesquisas afirmavam que, até o final de 2013, seriam arrecadados mais de 3 bilhões de dólares. Números ainda não confirmados. Atualmente no Brasil existem pelo menos 30 sites de crowdfunding, cujas ideias financiadas representaram cerca de 75% de projetos artísticos.

Treze séculos após Caio Cílnio Mecenas ter influenciado toda uma elite do império augustino, um novo jeito inovador de chamar a atenção das pessoas para um determinado projeto ressurgiu através da internet. Hoje em dia, uma produção artística pode sustentar seu próprio início através do incentivo e patrocínio de milhares de internautas e ao mesmo tempo leitores. Por acreditar no trabalho do escritor, o leitor compra a obra antes mesmo que ela seja publicada.

Se esta é ou não uma onda passageira, só o tempo dirá. Por enquanto, o financiamento coletivo pode ser a chance que muitos escritores tem de levantar capital para publicar aquele eBook guardado “na gaveta”. Ou, na maioria dos casos, guardado em um pendrive.

POR EDNEI PROCÓPIO | Editor especialista em livros eletrônicos

Editores falam sobre a ameaça da internet


Empresas criam artifícios para combater a pirataria

FRANKFURT – No boletim mensal que envia a seus associados, o Sindicato Nacional dos Editores de Livros lista as dez obras que foram mais pirateadas na internet no mês anterior. E, entre os títulos, há tanto de ficção como de não ficção – ironicamente, em setembro, ostentava o segundo lugar o romance A Menina que Roubava Livros [Intrínseca], do australiano Markus Zusak, que há anos faz sucesso no Brasil.

Não temos condições de dimensionar quantos downloads de cada obra são feitas por dia, apenas temos um software que vasculha a rede em busca de sites piratas, que oferecem os títulos gratuitamente de forma ilegal”, comenta Sônia Machado Jardim, presidente do Snel e executiva da editora Record. “Tão logo detectamos um site, entramos na Justiça para impedir a pirataria. Mas, é como enxugar gelo, pois para cada site fechado, outro é rapidamente aberto.

De fato, com o avanço tecnológico, um livro ocupa uma parte ínfima de um arquivo, exigindo apenas alguns segundos para a transferência completa de seu conteúdo. E, graças à tecnologia e-ink presente nos e-readers, um livro eletrônico pode acomodar milhares de textos em um único arquivo do tamanho de um vídeo. “É incrível a facilidade”, comenta Sônia.

Feira. Visão hiper-realista do pavilhão pelo alemão Von Hassel Como ainda não há uma jurisdição específica para o tema, o que implicaria, por ora, na violação dos direitos do cidadão, a solução prática é aumentar o policiamento e a filosófica é acreditar na conscientização dos usuários.

Feira. Visão hiper-realista do pavilhão pelo alemão Von Hassel
Como ainda não há uma jurisdição específica para o tema, o que implicaria, por ora, na violação dos direitos do cidadão, a solução prática é aumentar o policiamento e a filosófica é acreditar na conscientização dos usuários.

Desde que o Snel começou a apoiar a operação de busca e notificação de oferta de cópias piratas na web, percebemos que número de ofertas e de download tem se mantido alto, independentemente do crescimento da oferta de e-books, aumento no número de livrarias digitais e da distribuição de dispositivos de leitura”, comenta Roberto Feith, da Alfaguara/Objetiva. “Perdura um fenômeno de comportamento bastante curioso: pessoas que seriam absolutamente contra a ideia de alguém entrar numa livraria, escolher meia dúzia de livros e sair sem pagar, acham perfeitamente normal fazer o mesmo no formato digital. Enquanto a sociedade como um todo não compreender que a remuneração do trabalho do autor, em qualquer formato, impresso ou digital, é fundamental para preservar a produção de cultura e conhecimento, a pirataria digital continuará como um grave problema para todo o universo dos livros.

O mesmo pensamento é compartilhado por Luiz Schwarcz, da Companhia das Letras. Para ele, a disposição de reconhecer o livro como o trabalho de um conjunto de pessoas é fundamental para controlar a ilegalidade. “Ao menos não vivemos a mesma situação que a Espanha, onde a pirataria quase liquidou com o mercado digital do livro”, comenta.

Um dos mais importantes centros editoriais da Europa, a Espanha foi surpreendida quando, em 2010, os downloads ilegais de livros digitais saltaram para 35% do total do mercado, frente a 19% do ano anterior. Por conta disso, estima-se em 400 milhões de euros o total da perda só no primeiro semestre daquele ano, número superior ao correspondente de todo 2009.

O fenômeno logo se tornou assunto de Estado. Ainda em 2010, a Federação de Grêmios de Editores da Espanha revelou que, em abril, a pirataria digital havia superado todas as fotocópias ilegais de 2009, a pirataria da pré-história. O surgimento dos tablets e sua rápida difusão eram apontados como principais responsáveis.

Já na Rússia, o que os editores esperavam se transformar em uma nova fonte de receitas – conteúdos comercializados por meio de dispositivos eletrônicos – quase se converteu em um buraco negro. Lá, com o surgimento de novas ferramentas digitais, subiu para 70% a quantidade de russos que leem e-books. O problema é que 92% desse total admitiu baixar seus livros gratuitamente na internet. Para se ter uma ideia da gravidade dessa cifra, nos EUA o número não passa de 12%.

Apesar do tremendo malefício provocado na indústria, a pirataria é vista, muito particularmente, como um selo de garantia. “Com exceção dos técnicos, normalmente obrigatórios, os livros de ficção, quando copiados ilegalmente, servem para nós como sinal de aceitação”, conta um editor, que pede anonimato. “Afinal, ninguém vai perder tempo pirateando porcaria.

A prática, aliás, também não auxilia na definição do perfil do leitor que busca download gratuito proibido. “Não se pode dizer que se trata, em sua maioria de jovens, só porque eles dominam as ferramentas da internet”, acredita o escritor Eduardo Spohr, raro exemplo de sucesso que começou na web e que se transferiu para uma grande editora, a Record, na qual publica, desde 2011, a série Filhos do Éden. “Percebo nessa meninada uma adoração pelo livro como objeto de colecionador. Assim, quando eles não resistem e baixam algum arquivo ilegal, é normalmente para ter uma ideia de como é a trama – algo como, em uma livraria, ler a orelha e os primeiros capítulos do volume para ter a certeza da escolha.

Idêntica impressão tem Paulo Rocco, presidente da editora que leva seu nome. “Os fãs baixam, sim, arquivos ilegais, mas é porque querem ter o sabor de serem os primeiros a descobrir a nova edição”, acredita. “Depois, com o livro lançado, eles compram.

Rocco enfrentou um verdadeiro ataque na web quando publicava a saga do bruxinho Harry Potter, entre 1997 e 2011, dividida em sete volumes que venderam mais de 600 milhões de cópias em todo o mundo. Segundo ele, o mais comum era algum fã afoito adquirir um exemplar do original em inglês e, depois de passar madrugadas traduzindo de forma atabalhoada, colocar sua versão na internet. “Normalmente, era rejeitada porque mal escrita.

O editor, no entanto, realmente ficou surpreso com a audácia de alguns leitores que, como verdadeiros hackers, conseguiram invadir o computador da tradutora Lia Wyler em busca de seus arquivos sobre a série. “Fomos obrigados a acomodar a Lia em uma sala na editora, onde mantinha contato direto com os editores, conseguindo assim terminar sossegadamente a tradução.

O desejo de um fã, realmente, não tem limite. Sônia Jardim conta que determinada obra da americana Meg Cabot, autora da famosa série O Diário da Princesa, certa vez, já estava disponível na internet enquanto o livro ainda rodava na gráfica. “Isso revela que, a partir do momento em que o texto sai do computador e viaja para alguém na editora e daí para a gráfica, existem diversos pontos frágeis, que abrem brechas para o vazamento do conteúdo”, explica.

Para tentar ao menos detectar em qual ponto aconteceu o desvio, Rocco [assim como diversas editoras] instituiu diferentes marcas d’água que ficam nas páginas e identificam quem detinha aquele arquivo pirateado. “Assim, conseguimos ter uma ideia de quem poderia ter feito o desvio.

Medidas como essa formam conjunto de defesa arquitetada pelos editores, que contam ainda com rastreadores na internet e eficientes escritórios de advocacia, que notificam os infratores. Isso enquanto aguardam uma definição da Justiça, que poderia ter vindo com o projeto de lei 5937, apresentado no ano passado e examinado pela comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados.

O projeto pedia a “proibição de publicação de conteúdo na internet sem autorização prévia do autor”. Ainda estabelecia que o usuário ou provedor que disponibilizem conteúdo na internet sem autorização prévia autor devem ser responsabilizados por danos gerados. A deputada Iara Bernardi, relatora do processo, rejeitou-o, alegando que apenas o Poder Judiciário pode julgar se determinado conteúdo fere os direitos autorais.

Os 10 Livros Mais Pirateados em Agosto [fonte Associação Brasileira de Direitos Reprográficos]

1) Atlas de Anatomia Humana;
2) A Menina que Roubava Livros;
3) Alienação Parental;
4) As 48 Leis do Poder;
5) Álgebra Linear;
6) A Náusea;
7) A Vida Como Ela É;
8) A Torre Negra;
9) As Sete Leis Espirituais do Sucesso;
10) Anatomia Humana – Atlas Fotográfico Anatomia.

Por Ubiratan Brasil | ENVIADO ESPECIAL À FRANKFURT | Publicado originalmente em O Estado de S. Paulo | 11 Outubro 2014 | 03h 00

Os planos da Houghton Mifflin para o Brasil


Por Leonardo Neto | Publicado originalmente em PublishNews | 13/10/2014

Executivo da editora número 15 no ranking global de editoras fala dos planos para o Brasil

Tim Cannon

Tim Cannon

O PublishNews contou, em agosto, que três executivos da Houghton Mifflin Harcourt [HMH] desembarcaram no Brasil em busca de novas oportunidades no mercado brasileiro. Tim Cannon, vice-presidente executivos para alianças estratégicas globais, fazia parte da comitiva. Agora, o executivo concedeu entrevista ao PublishNews na qual contou quais os planos da editora número 15 do Ranking Global para o Brasil. Cannon detectou que o País tem um potencial nas áreas de conteúdo digital e serviços para escolas internacionais e bilíngues. E é esse mercado que a editora quer explorar. “ Estamos animados com o potencial de tecnologia para ajudar a transformação do aprendizado de forma a garantir o sucesso dos estudantes nesta era digital”, comentou. Para alcançar estes objetivos, Cannon quer contar com parceiros brasileiros com quem quer desenvolver vendas, distribuição, tradução e adaptação dos produtos já ofertados pela HMH. “Recentemente trabalhamos com uma empresa de ensino local, Planeta Educação, para criar uma versão traduzida e localizada de nosso programa líder de mercado ScienceFusion para 1ª – 5ªsérie, que será lançado em outubro de 2014”, exemplificou o executivo. Leia abaixo a íntegra da entrevista concedida por Cannon ao PublishNews.

PublishNews | Como muitas outras editoras internacionais, a Houghton Mifflin vê o Brasil como um mercado promissor. Quais são seus planos para o Brasil?

Tim Cannon | O mercado brasileiro apresenta uma enorme oportunidade para a HMH nas áreas de conteúdo digital e serviços para escolas internacionais e bilíngues, assim como em soluções digitais localizadas em parceria com fornecedores locais.  Estamos animados com o potencial de tecnologia para ajudar a transformação do aprendizado de forma a garantir o sucesso dos estudantes nesta era digital. Como uma empresa global voltada para o ensino, apresentamos um bom número de elementos ao mercado brasileiro, incluindo conteúdo educativo interessante, baseado em pesquisas nos assuntos centrais como matemática, ciência e leitura. Além disso, oferecemos soluções digitais, serviços profissionais e sistemas de gerenciamento de dados como edFusion que facilitam análises e relatórios de dados em tempo real. Também estamos trazendo parcerias estratégicas com líderes da indústria e de tecnologia incluindo Apple, Google, Intel e Microsoft, além de marcas que são ícones como Curious George e Carmen Sandiego, games que são conhecidas entre estudantes, educadores e pais, em todo o mundo. Nosso objetivo é aumentar o conhecimento da marca e as vendas, primeiro através de um modelo de parceria – identificar parceiros locais estratégicos que possam complementar nossa competência comprovada e eficiente em conteúdo educacional, além de serviços profissionais com conhecimento local e relacionamentos. Abrimos recentemente um escritório em São Paulo, e expandimos nossa equipe local para aumentar a presença no país.

PN | Que tipo de parceiras vocês procuram no mercado editorial e entre os distribuidores/livrarias brasileiras?

TC | Parceiros locais são parte integral de nossa estratégia – eles fornecem conhecimentos incomparáveis, um forte canal de vendas e a capacidade de trabalhar conosco para desenvolver estratégias de mercado apropriadas. Nosso objetivo é ter parcerias não só com empresas editoriais locais, mas também com empresas de tecnologia de educação e escolas particulares. Estamos procurando parceiros fortes para trabalhar conosco em vendas e distribuição, tradução e adaptação local, assim como desenvolvimento conjunto de produtos baseados nas peculiaridades locais. Por exemplo, recentemente trabalhamos com uma empresa de ensino local, Planeta Educação, para criar uma versão traduzida e localizada de nosso programa líder de mercado ScienceFusion para 1ª – 5ª série, que será lançado em outubro de 2014.

PN | Há planos para uma operação editorial no Brasil com as marcas da Houghton Mifflin, como joint venture ou sozinha?

TC | Neste momento estamos focados em parcerias que permitirão alavancar o conhecimento local para desenvolver produtos localizados baseados na qualidade pelo qual o conteúdo educacional da HMH é conhecido.

PN | Uma recente pesquisa realizada pela Fipe [Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas], a pedido da CBL e da SNEL, mostrou que o lucro do mercado editorial cresceu 7,52% de 2012 a 2013. O crescimento aconteceu quase exclusivamente graças às compras do governo que chegaram a R$ 1,47 bilhão em 2013. Isso representa 27,51% do lucro das editoras neste ano. A Houghton Mifflin deve conhecer estes números. Quais são os objetivos da Editora no mercado governamental e quais ações poderiam ser tomadas?

TC | A HMH contribui com conhecimento e experiência significativos em adoções pelo governo dentro e fora dos EUA. Nosso objetivo no Brasil é trabalhar com o governo e não apenas com o Ministério da Educação, também com estados e municípios.