Webnário sobre autopublicação


O Guia da Autopublicação promove hoje [30] o primeiro webinário sobre autopublicação. A partir das 19h30 serão abordados no encontro como publicar um livro de graça; como funcionam as principais plataformas de autopublicação de livros e ebooks no Brasil e qual é o tipo de publicação mais indicado para cada escritor; além de dicas de marketing. A condução será de Claudio Soares, e-publisher da Obliq Press, startup carioca especializada em tecnologia editorial e e-publisher do Guia da Autopublicação e Pablo Massolar, consultor de marketing. A inscrição é gratuita e pode ser feita clicando aqui

PublishNews | 30/09/2014

Anúncios

Livraria Saraiva lança nova plataforma de e-commerce


Novo site é mais interativo e dinâmico e oferecerá navegação mais rápida e fácil

Livraria SaraivaO Grupo Saraiva apresenta hoje [30] ao mercado seu novo e-commerce e m-commerce. O novo site oferece ao consumidor uma experiência com acesso a uma gama de conteúdos relacionados ao mix de produtos disponíveis, como vídeos, resenhas, curiosidades, biografias, áudios, entre outros. O e-commerce da Saraiva possui mais de dois milhões de itens. Com a nova plataforma, a Saraiva customizou os ambientes do site com ênfase aos conteúdos gerando uma maior interação com o consumidor, já que é possível ler um trecho de um livro, ver o trailer de um filme, ouvir um trecho de música e descobrir informações de um item sob a forma de degustação, sem nem precisar sair da página inicial. O novo site de comércio eletrônico estará disponível também para usuários de dispositivos móveis, por meio do m-commerce.

PublishNews | 30/09/2014

A Revolução dos eBooks # 2


Por Ednei Procópio | Este texto foi originalmente publicado em “A Revolução dos eBooks” | Páginas 66 a 69 | SENAI-SP Editora/2013 | Indicado ao Prêmio Jabuti 2014

"A Revolução dos eBooks", por Ednei Procópio

“A Revolução dos eBooks”, por Ednei Procópio

O LIVRO COMO NEGÓCIO DIGITAL

Para que os novos negócios de dezenas de casas editoriais startups se amplifiquem e se consolidem no mercado de livros digitais é preciso que os seus empreendedores conheçam muito bem, e compreendam, o modo como as informações, os dados e o conteúdo dos livros são hoje registrados, armazenados e transmitidos. Com o advento da internet, o modo como registramos, armazenamos e compartilhamos conteúdo se alterou profundamente. E esse novo cenário é bem diferente daquele antigo modo de publicar e vender livros.

O registro

Há algum tempo, as informações, os dados, o conteúdo dos livros eram gravados e armazenados em disquetes, hard disks, CD’s, DVD’s e pendrives. Em qualquer um dos casos havia necessidade de um hardware local de armazenamento dos registros criados. Hoje, para o registro de dados que servirão para a produção dos livros, há aplicativos que vão desde softwares de processamento de texto até softwares de autoria e design como espaços de armazenamento sincronizados.

Softwares de processamento de texto como o Microsoft Word ou o pacote Office podem ser utilizados diretamente através da internet sem necessidade de instalação em hardwares locais. E há os processadores de textos gratuitos como o Open Office. Aplicativos de autoria e design, como o iBooks Author, da Apple, quase praticamente substituem softwares locais como o Adobe InDesign na produção de livros.

O armazenamento

Se antigamente eram utilizados HD’s em computadores locais, hoje o modo de armazenamento está se transformando: o conteúdo é armazenado no que a indústria da informação chama de “nuvem”.

Serviços como DropBox são usados no armazenamento de informações que podem se transformar em conteúdo e conhecimento.

Anteriormente, utilizávamos suportes ou hardwares menos portáteis, como o rolo, o papiro, o códex, o papel, além da tentativa de transmissão através de outros hardwares considerados mais modernos, como os anteriormente citados disquetes, hard disks, CD’s, DVD’s e pendrives. Hoje, é desnecessário o uso local desses artefatos.

Esse novo modo de armazenamento de informações, dados e conteúdo é chamado de software as a service, ou software como serviço. Antes, o hardware era local e já vinha com um software de sincronização de dados. Hoje, o software de sincronização é on-line e o armazenamento, remoto.

A transmissão As informações, os dados e o conteúdo dos livros necessitarão sempre de conexão para que possam ser transmitidos desde os seus emissores até os seus destinatários. Não importa se a conexão para a transmissão se dê através de conexão discada, banda larga, redes 3G ou 4G, algum tipo de tecnologia RFID (como NFC) ou redes wireless. Embora a criação, o registro, o armazenamento e a transmissão dos livros não precisem mais de soluções locais, o recebimento e a leitura das obras necessitam obrigatoriamente de um suporte ou de um hardware. Não importa se esse hardware de recebimento seja um smartphone, um ultrabook, um tablet ou folhas impressas de papel.

O livro além da mídia

Se pudéssemos fazer uma analogia, a escrita e o registro dos textos originais dos livros antigamente fazia uso da máquina de escrever; mais tarde, era preciso um processador de texto em um computador pessoal. Com a diferença básica de que, quando se escrevia em uma máquina datilográfica, o conteúdo ali registrado era impresso em tempo real, conforme a manufatura de livros em prensas gutenberguianas; nos computadores pessoais, havia necessidade de uma impressora acoplada. Hoje, é usado um processador de dados on-line e um software de autoria e design que colocam o livro à disposição dos leitores ao toque de um dedo.

Antes, para armazenarmos informação, dados e conteúdo, precisávamos de uma biblioteca física ou de um hard disk pesado e caro. Hoje, para podermos sincronizar e compartilhar conteúdo para livros precisamos somente de uma conta no iTunes U ou em algum outro serviço similar na chamada “nuvem”. O modo como compartilhamos informações, dados e conteúdo de livros mudou; a única realidade que não se alterou efetivamente, embora tenha se modernizado, é a recepção de informações e a leitura delas.

Ainda que todos os processos tenham se alterado significativamente, o leitor precisa de um suporte qualquer para ler um livro.

Hoje, o hardware usado para a leitura de livros é escolhido pelo consumidor moderno, conforme sua portabilidade, no caso do papel, e sua possibilidade de conexão e poder de armazenamento, no caso de um suporte eletrônico.

Enquanto avançam as possibilidades da atual tecnologia, novos negócios de dezenas de startups tendem a se amplificar e se consolidar no mercado de livros digitais, caso os empreendedores compreendam o modo como as informações, os dados e o conteúdo dos livros vêm sendo registrado, armazenado e transmitido. Sem essa compreensão, digamos técnica, produtos e serviços serão alçados ao fracasso pela velocidade com que novidades na área são apresentadas e oferecidas diariamente.

Por Ednei Procópio | Este texto foi originalmente publicado em “A Revolução dos eBooks” | Páginas 66 a 69 | SENAI-SP Editora/2013 | Indicado ao Prêmio Jabuti 2014

Escritor lança projeto interativo e colaborativo para autobiografia


A prática antiga de “storytelling” [contar histórias] ganhou uma ferramenta moderna: o ator e roteirista britânico Stephen Fry lançou um site com textos, áudios e fotografias de sua autobiografia para que pessoas elaborem projetos que contem sua história de forma interativa.

Trata-se do YourFry, uma espécie de concurso de “storytelling digital”, lançado pelo britânico em parceria com a editora Penguin Books, que acaba de publicar a autobiografia do comediante, “More Fool Me”.

Este é um projeto interativo e colaborativo para reinterpretar as palavras e a vida das memórias de Stephen, tornando sua história pessoal em uma história global“, disse Nathan Hull, produtor digital de desenvolvimento da Penguin Books, em entrevista ao jornal “The Guardian”.

“O que criar?”, diz um texto de apresentação no site. “Texto, dados visuais, formatos interativos para a web, aplicativos, filme, fotografia, animação, criações em 3D ou experimentais… a tela, como dizem, realmente é branca.

Página inicial do site YourFry, criado pelo comediante britânico Stephen Fry | Imagem/Reprodução: yourfry.com

Página inicial do site YourFry, criado pelo comediante britânico Stephen Fry | Imagem/Reprodução: yourfry.com

Para estimular a criação de projetos, serão organizados “hackatons” [maratonas de hackers] em parceria com universidades, bibliotecas e comunidades de tecnologia pelo mundo. As propostas surgidas nesses eventos serão analisadas e selecionadas por um júri, em dezembro deste ano.

Entre os integrantes do grupo de jurados estão o criador da internet Tim Berners-Lee, o game designer do Xbox Studios Elan Lee, o diretor de filmes interativos Lance Weiler, a diretora do Silicon Valley Bank Claire Lee, além do próprio Fry.

Até agora, foram confirmadas maratonas na universidade especializada em mídia digital e design Ravensbourne [Reino Unido]; no Festival Mozilla, dedicado à internet [Reino Unido]; no Festival Sharjah Book [Emirados Árabes]; no espaço de tecnologia iHub Nairobi [Kenya] e nos Storylabs da Universidade de Columbia [EUA].

Fry se tornou um entusiasta da tecnologia, tendo investido em startups como Soundwave, HeadCast e Summly. Ele é também crítico de smartphones do jornal “The Guardian”, com resenhas feitas sobre os últimos lançamentos da Apple.

O ator e roteirista britânico Stephen Fry | Fred Prouser/Reuters

O ator e roteirista britânico Stephen Fry | Fred Prouser/Reuters

Publicado originalmente em Folha de S. Paulo | 29/09/2014, às 12h58

A escritora que criou a máquina para dar autógrafos à distância


Margaret Atwood Signs Autographs Via the Miracle of the Internets

Margaret Atwood Signs Autographs Via the Miracle of the Internets

Além de escritora premiada internacionalmente e hiperativa nas redes sociais, a canadense Margareth Atwood, 74, foi a visionária criadora de uma máquina para dar autógrafos à distância, antes mesmo de os e-books crescerem no mercado.

Em 2004, ciente da impossibilidade de atender aos anseios de fãs dos vários países onde seus livros são publicados, abriu uma empresa e patenteou o mecanismo que receberia o nome de LongPen.

Funcionava assim: ela se posicionava numa ponta da máquina, e o leitor, em outra, instalada em alguma livraria em outro canto do mundo. Após uma conversa por vídeo, o leitor colocava o livro no terminal. Atwood assinava em uma tela, e um jato com tinta imprimia o texto no terminal do leitor.

A máquina não chegou a ficar popular no meio literário, mas, em 2011, ganhou uma versão para os meios virtuais. O braço digital da empresa hoje se chama Fanado e combina a ideia de autógrafo à distância com videoconferências e mídias sociais.

Nessa nova fase, a autora atraiu a atenção de editoras como a Random House, a Harlequin e a HarperCollins. Em 2011, autores como Michael Chabon e Neil Gaiman a acompanharam numa demonstração do produto na feira BookExpo America.

A parte “analógica” da empreitada avançou com outras prioridades –hoje, a empresa Syngrafii, de propriedade de Atwood, é voltada à autenticação de papéis legais, e tem entre seus clientes bancos e governos.

Assinaturas à distância são uma ambição desde o século 19. Em 1888, o engenheiro elétrico americano Elisha Gray criou um mecanismo chamado Teleautograph, cuja meta era permitir “a alguém transmitir sua própria escrita à distância por meio de um circuito“.

Telautograph

Telautograph

A máquina hoje é considerada uma precursora do fax, que se popularizaria em meados do século 20 para logo se tornar defasado.

Por Raquel Cozer | COLUNISTA DA FOLHA | Folha de S. Paulo | 27/09/2014

Leitura pirata


No topo do ranking dos livros mais pirateados no Brasil estão O símbolo perdido, de Dan Brown [Arqueiro], Metro 2033, de Dmitry Glukhovsky [Planeta], e O Grand Gatsby, de F. Scott Fitzgerald [Cia. das Letras]. Entre as obras nacionais aparece O Guia dos Curiosos, de Marcelo Duarte [Panda Books], segundo levantamento da ABDR [Associação Brasileira de Direitos Reprográficos], indicou Mônica Bergamo. A cada mês, oito mil links usados para downloads ilegais em sites de compartilhamento são excluídos da rede. No levantamento, em agosto, figuram também obras de direito e de medicina.

Por Mônica Bergamo| Folha de S. Paulo | 27/09/2014

A Revolução dos eBooks # 1


Por Ednei Procópio | Este texto foi originalmente publicado em “A Revolução dos eBooks” | Páginas 66 a 69 | SENAI-SP Editora/2013 | Indicado ao Prêmio Jabuti 2014

PRINTING ON THE MEDIA

"A Revolução dos eBooks", por Ednei Procópio

“A Revolução dos eBooks”, por Ednei Procópio

Novos modos de comunicação tornam o consumidor um produtor de informação e apontam tendências para consumo por meio do digital. Com a democratização geral e irrestrita da tecnologia, mesmo com a não resolução efetiva das questões socioeconômicas, as barreiras à entrada de novos concorrentes na indústria gráfica, especificamente na indústria do livro impresso, se tornaram ainda mais fáceis de transpor. O mercado editorial brasileiro, mesmo o país estando cada vez mais na rota dos grandes investimentos internacionais, é considerado pequeno se compararmos e indexarmos o consumo de livros pela renda per capita e número de habitantes.

Há uma estagnação no volume único de impressão de um mesmo título, com a venda de exemplares caindo de 460 milhões para 430 milhões, embora mais títulos sejam lançados a cada dia e novas edições menores sejam impressas. É quase como se houvesse mais autores e editoras do que leitores. Todo esse cenário se solidificou há pouco mais de uma década e tem sido fortemente influenciado pelo consumo de conteúdo através de novas mídias interativas.

Novas mídias flexíveis

Essas novas mídias, essencialmente conectadas, são responsáveis pela diversificação no modo de produção e consumo de conteúdo impresso sob demanda. Elas criaram uma necessidade de personalização, quando passaram a colocar o poder da impressão de livros na mão dos próprios usuários.

A gráfica encolhe porque a tecnologia da informação permitiu a miniaturização das máquinas de impressão digital. O número de impressão de um mesmo título encolhe porque as mídias conectadas permitem maior flexibilização do acesso ao conteúdo para certos grupos, tribos ou nichos de mercado. Mas a impressão digital, porém, eleva a cada dia o número de print points, ou pontos de impressão, em que o consumidor é quem praticamente clica no ícone IMPRIMIR e decide onde e como ler o próprio conteúdo. Nem que ele seja impresso em um e-reader com tinta ou papel eletrônico.

Offsetting

A impressão digital permite maior flexibilidade de produção e acesso a conteúdos dispersos ou de consumo muito específicos, que antes eram impossíveis de ser produzidos pelas pesadas máquinas de impressão.

O conceito offset, termo que podemos traduzir para offsetting, ou configuração fechada, por causa da natureza das próprias máquinas que não permitiam impressão flexível, deu espaço ao onset, ou configuração aberta, em que o conteúdo é criado, preparado, revisado, produzido e impresso em tempo real para a maior gama de leitores diversificados.

O poder da impressão está nas mãos das novas mídias digitais porque elas estão nos bolsos das jaquetas dos leitores graças aos equipamentos portáteis. As novas mídias conectadas compõem o novo cenário e o novo modus operandi do consumo de conteúdo em papel ou meio eletrônico. Podemos chamar esse novo cenário de “imprimindo enquanto lê” ou “lendo enquanto imprime”.

Onsetting

Até meados de 2012, na indústria gráfica, infelizmente ainda não existia uma força motriz que pudesse manter a escala de produção e a economia de escala na impressão sob demanda de livros através dos novos e modernos equipamentos. Essa força motriz seria a venda de exemplares únicos através da internet.

Essa fraqueza na venda dos exemplares únicos ocorre porque países emergentes como o Brasil passaram da comunicação fonográfica (por exemplo, o rádio) praticamente para a comunicação eletrônica (tevê, cinema, internet). Parece-me que não houve um tempo de maturação de consumo dos livros, principalmente os impressos sob demanda.

Essa ausência de negócios nas vendas um a um, de certo modo, atrapalhou no entendimento sobre os negócios que envolvem os eBooks, pois estes são literalmente vendidos sob demanda, enquanto os livros impressos são produzidos sob demanda.

Imagino um futuro em que os leitores possam acessar a sua própria biblioteca digital, baseado no conceito de “nuvem” e white label, ou seja, página customizada. O sistema permitiria que os usuários imprimissem seus próprios livros em formatos convergentes como HTML, PDF, ePub ou qualquer tipo de tela em suas impressoras caseiras ou encadernadoras especializadas em impressão digital.

Os novos modos de comunicação, que podem tornar o consumidor um produtor da informação, apontam tendências diretas para a impressão de conteúdo digital nas telas ou ecrãs que estão nas mãos dos consumidores. E é por isso que se diz que o futuro do livro passa pela comunicação digital. Mas o futuro do livro é ser impresso. Sempre impresso. Seja numa tela de papel, seja numa tela eletrônica, seja numa tela qualquer que esteja nas mãos do leitor.

Em resumo, o futuro do livro está literalmente na palma da mão dos leitores.

Por Ednei Procópio | Este texto foi originalmente publicado em “A Revolução dos eBooks” | Páginas 66 a 69 | SENAI-SP Editora/2013 | Indicado ao Prêmio Jabuti 2014

O conteúdo exclusivo da Amazon é o próximo grande desafio para o mercado editorial?


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 26/09/2014 | Tradução Marcelo Barbão

Alguém mais inteligente [ou mais paciente para verificar todos os dados] do que eu poderia provavelmente descobrir em que ponto se encontra esta bifurcação, mas a Amazon está fazendo o máximo para construir uma quantidade importante de conteúdo que é desejável e não está disponível para mais ninguém a não ser ela mesma.

Isto é algo que você consegue fazer quando controla perto de 70% das vendas de e-books e já tem mais da metade das vendas totais de muitos trabalhos de ficção, que é onde o mundo da autopublicação é mais forte. Não é uma oportunidade que está disponível para nenhuma outra livraria. A Apple tentou explorar e-books mais complexos para os quais forneceram ferramentas de construção de e-books e, supostamente, oferecem o ambiente de distribuição mais produtivo para conteúdo complexo. Mas estão trabalhando em um solo menos fértil e não têm nada parecido a um setor importante da audiência necessário para avançar muito com esta estratégia.

É difícil, se não for impossível, imaginar que qualquer outro ecossistema de e-books poderia oferecer os benefícios que fariam com que alguém evitasse a Amazon.

Dois acontecimentos recentes chamam a atenção para isso.

David Streitfeld informa no New York Times que a Amazon tem formado um conclave privado, apenas por convite, com escritores nos últimos quatro anos. Eu sabia disso antes porque sou assinante do Publishers Lunch e eles informaram sobre isso há uns três anos. [Gosto de falar que você deve seguir meu sócio na organização de conferências, Michael Cader, proprietário do Publishers Lunch, quando quiser informações e depois pode me seguir para ver as opiniões.]

É algo inteligente e sensível que a Amazon está fazendo. A empresa tem se mostrado bastante preocupada com a capacidade dos escritores de promover seus próprios livros para suas audiências, mas também de promover o Kindle Direct Publishing entre seus pares. Trazer autores para uma conversa privada a fim de trocar ideias não é apenas adulador para os convidados [um benefício para a Amazon], quase certamente também mostra como ter maior sucesso cortejando autores no futuro. Isso não deveria ser visto pejorativamente, apesar de que a matéria de Streitfeld e um post no blog da empresa parecem posicionar a coisa desta forma.

O outro é a ruminação em público de Hugh Howey sobre se ele deveria aceitar a exclusividade com a Amazon, na qual Howey se pergunta em voz alta se deveria continuar exclusivo com a Amazon depois do período de teste de 90 dias baseando-se em seu cálculo de que sua audiência [talvez de forma contraintuitiva] vai aumentar enquanto sua renda vai sofrer um pequeno golpe. Tive uma conversa off-line com Hugh na qual ele enfatizou o que seu post afirma: ele realmente não sabe que caminho seguir.

[Vale a pena notar, como faz Hugh, que quando ele tomar estas decisões, elas são compromissos de 90 dias de cada vez. Claro, cada vez que ele muda acaba tendo trabalho, seja colocando os títulos em outras livrarias ou tendo que retirá-los. Mas ele pode receber os benefícios da exclusividade da Amazon em porções de 90 dias sem compromissos além destes dias, podendo entrar e sair quantas vezes quiser. Hugh faz o que na minha opinião é uma comparação inválida e inútil com os acordos de direitos autorais por toda a vida que as editoras pedem em troca de adiantamentos contra royalties e investimentos em inventário que a Amazon e outras livrarias não fazem com os autores autopublicados, mas ele está certo de que é muito mais fácil tomar uma decisão quando você só tem que viver com ela por três meses.]

Seu processo de pensamento aberto se tornou o assunto de um post de Chris Meadows no Teleread. Uma coisa que Hugh estava pensando era se ele precisava ajudar a manter alternativas à Amazon viáveis contribuindo com seu conteúdo. Meadows diz que “isso não é seu problema” e concordo com ele. Cada escritor deveria tomar as decisões editoriais que são melhores para sua marca pessoal e carreira. A primeira decisão – se uma editora oferecer alguma escolha – é se deve aceitar um adiantamento e um acordo ou se deveria se autopublicar. Se preferirem a autopublicação, precisam decidir se querem ser exclusivos da Amazon ou tentar uma distribuição mais ampla possível.

A escolha reflexiva e intuitiva é conseguir a maior distribuição possível. Há certos leitores que não compram nunca na Amazon, preferindo outras livrarias. O número destas pessoas poderia até crescer por causa da recente publicidade sobre a disputa com a Hachette e os ataques contra a Amazon feitos por Authors United. Certamente há algumas pessoas que acham importante não comprar na Amazon ou comprar o mínimo possível deles. [Eu até sou amigo de algumas dessas pessoas.]

Mas com a enorme fatia de mercado da Amazon, a capacidade que ela possui de promoção tanto através do comércio normal quanto da exposição especial como seu serviço de assinatura Kindle Unlimited, e sua disposição a dar uma força nas escalas financeiras [autores do KDP Select recebem royalties maiores; recebem bônus para os que mais vendem e os maiores títulos do KU], podem compensar o que poderia ser perdido ao evitar outros canais de distribuição.

A ideia de que ter conteúdo que não está disponível em outro lugar pode fortalecer uma livraria, não é algo exclusivo da Amazon. Foi um componente central da estratégia originalmente anunciada pela livraria iniciante Zola Books.

A Amazon ainda não sugeriu que “conteúdo só disponível aqui” era parte importante de sua estratégia de marketing. [Atualização: Fui corrigido aqui. Na verdade, eles promovem sim o conteúdo exclusivo, tanto em comunicados de imprensa quanto em sua promoção online Kindle Unlimited. Eles anunciam “mais de 500 mil títulos digitais que você não encontra em nenhum outro lugar”]. A conversa sobre exclusividade ou não esteve principalmente [deveria ser: amplamente] confinada ao diálogo deles com os autores. Na verdade, o resto do mundo editorial empurrou a empresa nesta direção ao resistir a estocar livros da Amazon Publishing. Se, em um primeiro momento, o recrutamento de autores pela Amazon poderia ter significado a esperança de uma distribuição ubíqua de seus livros, o caminho para as livrarias foi efetivamente bloqueado pois os concorrentes de tijolos não quiseram apoiar o programa deles.

A revolução da autopublicação, apesar do entusiasmo de seus maiores defensores [que definitivamente incluem Hugh Howey], só conseguiu fazer pequenas incursões entre autores que possuem a opção de um substancial adiantamento pelas editoras tradicionais. Por este motivo, o conjunto de autores exclusivos da Amazon conta com poucos que poderiam mudar a escolha do consumidor de livros [exceto talvez com algum livro em particular].

Mas se alguém que vende bastante como Hugh Howey acha que poderia estar melhor aceitando os termos padronizados de exclusividade da Amazon, é um sinal perigoso para todo o resto do ecossistema editorial. Uma editora tradicional ainda oferece visibilidade em livrarias de tijolos e ganhos que a Amazon e qualquer esforço de autopublicação não consegue oferecer. A transferência de parte do mercado das lojas para online e de impresso a digital não terminou. Toda porcentagem do mercado que muda fortalece a proposta da Amazon de exclusividade e aumenta a possibilidade de que um autor de alta visibilidade fará o salto para a autopublicação. A combinação dos dois – autores com muita marca pessoal e exclusividade com a Amazon – está entre as inevitabilidades menos desejadas que o resto da indústria terá que enfrentar provavelmente nos próximos anos, se não forem meses.

A questão é que a Amazon já está juntando um repositório de conteúdo que ninguém mais tem. Quando isso vai chegar ao ponto de começar a influenciar um grande número de consumidores é outra história.

Está programada para a Digital Book World uma apresentação de Judith Curr, muito relevante para este post, presidenta da divisão Atria da S&S, sobre a matemática da decisão que o autor deve fazer para decidir se deveria procurar uma editora ou autopublicar. A divisão de Curr trabalha muito para recrutar novos autores e, na verdade, Peter K. Borland, que dirige a Keywords Press da Atria, uma parceria com a UTA para publicar livros de “influenciadores digitais” de sucesso [pessoas com grandes audiências no YouTube], participará de um painel de “novas editoras” que estão criando suas marcas. Os outros participantes naquele painel – Entangled e Georgia McBride Media – não possuem raízes nas Cinco Grandes.

Quando estávamos prontos para subir este post, começou a correr um rumor sobre um novo programa da Amazon para recrutar mais autores autopublicados. A ideia é que as apresentações de manuscritos e capas recebam uma resenha a partir do crowd-source; então os mais votados são “considerados” para um novo tipo de contrato de publicação da Amazon. Isso não parece ter sido anunciado “oficialmente”, mas dizem que a fonte foi uma conversa com uma pessoa da Amazon e quem informou, The Digital Reader, é normalmente um lugar confiável. Esta iniciativa seria uma evidência ainda maior de que a Amazon está usando sua plataforma para controlar a distribuição do conteúdo gerado pelos autores.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 26/09/2014 | Tradução Marcelo Barbão

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

Amazon brasileira tenta popularizar loja de apps


Mais conhecida pela venda de livros, empresa faz promoção que oferece de graça títulos que normalmente são pagos

SÃO PAULO | Apesar de mais conhecida por seu negócio de venda de livros, a Amazon no Brasil vem procurando reforçar sua presença também através de sua loja de aplicativos.

Já há um bom tempo, a Amazon App Store oferece todos os dias um aplicativo pago de graça, através do programa App Grátis do Dia. Como parte desta ação, a loja disponibilizará 24 apps e jogos pagos gratuitamente. Segundo a empresa, os apps e jogos somados valem mais de R$ 330. A promoção é válida de hoje até sábado.

Considerando que os aplicativos mais populares já são gratuitos [como WhatsApp e Facebook], quais seriam os benefícios da promoção para o usuário? “Os apps que estamos oferecendo são ‘premium’”, explica Milton Neto, diretor da Amazon App Store no Brasil. Entre os títulos oferecidos na promoção estão o Genius Scan+, que custa originalmente R$ 15,49, e o dicionário de língua inglesa Merriam-Webster’s Third New International, que, de acordo com a empresa, custa R$ 131,27.

A loja da Amazon distribui apenas aplicativos compatíveis com o sistema operacional Android. De acordo com a empresa, o consumidor tem como vantagem procurar títulos em sua loja em vez de ir na Play Store, do Google, porque sua curadoria seria mais rigorosa. A empresa também procura parcerias para lançar apps em primeira mão em sua loja.

Neto afirmou também que a empresa procura apoiar desenvolvedores brasileiros de aplicativos, inclusive promovendo suas criações em filiais da loja no exterior. O executivos citou como exemplo o jogo Coelhadas da Mônica, que traz a personagem de Mauricio de Sousa e que ganhou o nome de Monica’s Bunny Bashings no exterior.

Por Camilo Rocha | Publicado originalmente em O Estado de S. Paulo | 25/09/2014

A um passo do Jabuti


Prêmio JabutiEntão é isso, amigos, aquela minha terceira obra sobre livros digitais, “A Revolução dos eBooks“, foi indicada ao Prêmio Jabuti 2014. Graças, é claro, ao pessoal da editora do SENAI-SP.

Nada mal para quem começou a filosofar sobre o assunto há mais de uma década. Minha avó sempre dizia que “o mundo dá mil voltas“. Creio que talvez agora eu comece a compreender o que ela queria me dizer. “As coisas vão acontecendo aos poucos, meu filho, bem lentamente, ao passo de um jabuti“.

Sinceramente eu não espero ganhar o prêmio porque tem muito livro melhor que o meu concorrendo na mesma categoria. Mas fico pensando na contradição que é concorrer a um Jabuti, com uma edição impressa que fala de livros eletrônicos. Seria bacana concorrer, em uma futura edição do prêmio, na categoria “eBooks”.

Enfim, depois que os eBooks ganharam a pauta do mercado, eu venho escrevendo com menor frequência sobre o assunto porque pretendo escrever apenas quando tiver realmente algo importante a se dizer. Pretendo também escrever apenas mais um livro sobre o tema, que vai se chamar “O Último Livro“. Depois disso, espero que o mercado editorial brasileiro tenha melhorado para os nossos escritores.

Enquanto isso, inicio uma séria de postagens, aqui mesmo neste espaço, com trechos que foram originalmente publicados na obra “A Revolução dos eBooks“.

EDNEI PROCÓPIO

Sistema de assinaturas da Amazon para livros chega ao Reino Unido


Depois de ter estreado este modelo nos Estados Unidos, a Amazon lança agora no Reino Unido a sua versão ilimitada, através do pagamento de uma mensalidade.

O Kindle da Amazon é um dos aparelhos mais usados para a leitura de livros electrónicos Rui Gaudêncio

O Kindle da Amazon é um dos aparelhos mais usados para a leitura de livros electrónicos Rui Gaudêncio

A partir de agora, no Reino Unido também já se pode ter acesso a todo o catálogo da Amazon através do pagamento de uma mensalidade. O sistema é semelhante ao que já acontece na música [com o Spotify, por exemplo], nos filmes e nas séries televisivas [Netflix].

Foi em Julho que ficou disponível nos Estados Unidos a subscrição do Kindle Unlimited, que permite aos assinantes o acesso aos mais de 650 mil livros electrónicos, assim como aos mais de dois mil áudio-livros. Tipicamente, a Amazon lança os produtos e serviços no mercado norte-americano antes de os levar para outros países. Agora, este modelo de assinatura, cuja mensalidade custa 7,99 libras [cerca de dez euros], está também disponível no Reino Unido, não havendo ainda indicação de quando poderá chegar a outros países.

“Os nossos clientes dos Estados Unidos mostraram-nos o quanto gostaram da oportunidade de descobrir novos autores e novos géneros, e estamos encantados por oferecer a mesma liberdade aos nossos clientes no Reino Unido”, disse ao The Guardian Jorrit Van der Meulen, vice-presidente europeu da Amazon.

Para promover este novo serviço, a Amazon tem destacado exactamente a possibilidade de, com esta subscrição, se poder ler os grandes bestsellers, como ainda descobrir novos nomes da literatura.

O anúncio deste novo serviço, surgiu pouco depois da polémica entre a Amazon e o grupo editorial Hachette, depois de uma forte disputa contratual, cujos termos não foram até hoje divulgados. Por não conseguir chegar a acordo o grupo editorial, a Amazon dificultou o acesso aos títulos da Hachette, o que irritou muitos autores, despoletando diversas acções.

Agora, a Amazon defende-se, argumentando que com o sistema de assinatura contribuirá também para os autores. Este género de sistema já é frequente noutros tipos de conteúdo. O Spotify, por exemplo, é um dos conhecidos serviços de música que funciona num modelo de assinatura mensal. A própria Amazon já tinha um serviço de assinatura de vídeos.

À semelhança do que acontece no Spotify, em que os artistas recebem uma percentagem pequena de cada vez que as suas músicas forem ouvidas, também na Amazon, os autores serão pagos de cada vez que alguém ler mais de 10% dos seus livros através deste novo serviço. A quantia que recebem depende, no entanto, dos acordos entre as editoras e a Amazon.

Público | 24/09/2014, às 14h07

EvoBooks é top de educação


Empresa foi a mais lembrada na categoria Softwares Educacionais

A EvoBooks, empresa que desenvolve novas estratégias de ensino digital, foi a empresa mais lembrada na categoria Softwares Educacionais, no Prêmio Top Educação 2014, promovido pela Revista Educação. O Top Educação é um prêmio institucional que visa divulgar as marcas mais lembradas entre empresas que prestam serviços ou vendem produtos para instituições educacionais. A eleição ocorreu entre abril e julho, pelo site www.premiotopeducacao.com.br, com votação aberta para o público em geral.

PublishNews | 24/09/2014

Editora lança plataforma de educação


Vivaz, a plataforma ‘gamificada’, é destinada a alunos dos primeiros anos do Ensino Fundamental

 

Em outubro do ano passado, quando Michel Levy [ex-Microsoft] assumiu o cargo de CEO da Saraiva, a gigante da Av. Henrique Schaumann sinalizava que, dali em diante, suas investidas em tecnologia seriam cada vez mais frequentes. Não demorou muito para que a Saraiva lançasse seu e-reader proprietário, o LEV. Agora, a empresa acaba de anunciar a expansão do seu portfólio de soluções de aprendizagem digital, com o lançamento da Vivaz, o game do conhecimento, plataforma digital direcionada ao Ensino Fundamental [1º ao 5º ano]. A ferramenta, desenvolvida em parceria com a startup Tamboro, permite que seus conteúdos sejam adaptados às necessidades individuais de cada estudante, direcionando sua trajetória dentro do jogo de acordo com seu desempenho. “Estamos dedicados à criação de soluções criativas e efetivas com o propósito de levar a tecnologia para dentro da sala de aula. Acreditamos que Vivaz tem o potencial de impulsionar o ensino com sua plataforma ‘gamificada’, entre outros motivos, porque promove maior engajamento dos alunos nos estudos”, afirma Maurício Fanganiello, vice-presidente de Negócios Editoriais da Saraiva. “Nosso negócio vai muito além da venda de livros. Nós criamos e distribuímos conteúdo, tecnologia e serviços, que podem estar disponíveis em qualquer dispositivo e formato, e acessíveis a qualquer hora e qualquer lugar”, completa Maurício.

Relatórios gerados em tempo real permitem aos educadores acompanharem o desempenho de cada um de seus alunos, da classe, da escola e até de uma rede de colégios. Os pais também podem acompanhar o desenvolvimento dos filhos, mas sem interferir no desenvolvimento das atividades. Essa função é exclusiva dos professores. No banco de dados da Vivaz, estão mais de 10 mil questões nas principais áreas do conhecimento: Língua Portuguesa, Matemática, Ciências, Geografia e História. Neste primeiro momento, a plataforma está disponível para usuários das coleções Prosa e Português Linguagens, 1º ao 5º ano, editadas pela Saraiva.  Em breve a oferta será ampliada ao catálogo disponível. Para apresentar a ferramenta, a Saraiva colocou em seu canal do Youtube um vídeo explicativo. Para acessá-lo, é só clicar aqui.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 22/09/2014

App reúne em mapa locais ligados à obra de Machado de Assis


Bentinho e Capitu, personagens do romance “Dom Casmurro” [1899], foram moradores da rua Riachuelo, na Lapa. Já em “Memórias Póstumas de Brás Cubas” [1881], o narrador reencontra uma antiga paixão ao caminhar pela rua do Ouvidor, no centro da cidade.

As referências à cidade que pontuam a ficção de Machado de Assis [1839-1908] motivaram o projeto “Rio de Machado”, que lista 81 endereços citados nos livros do autor, além de 20 locais associados à rotina do escritor.

Idealizadoras do projeto, a curadora Daniela Name e a consultora digital Gabriela Dias reuniram, em um aplicativo, um mapa no qual cada local aparece contextualizado em relação à vida e à obra do escritor.

Fonte: Editoria de Arte | Folhapress

Fonte: Editoria de Arte | Folhapress

Desenvolvido pela produtora 32 Bits, o programa estará disponível para download gratuito em tablets e celulares a partir de 1º de outubro.

No dia 2, terá início uma exposição nos pilotis do Museu de Arte do Rio [MAR], na praça Mauá, baseada no conteúdo do “Rio de Machado”.

É um jeito de comunicar muito contemporâneo, que pode ajudar a formar e a conquistar novos leitores. Na Inglaterra, por exemplo, fizeram um aplicativo do [Charles] Dickens com quatro percursos pela cidade de Londres vinculados a personagens do autor“, conta Dias.

Por cinco semanas, a cada sábado [a partir do dia 4 de outubro], os organizadores do projeto vão promover visitas guiadas gratuitas por mais de dez endereços associados a Machado de Assis pelo centro da cidade.

O ponto de partida do passeio será o MAR, que receberá também um seminário sobre a obra do escritor, nos dias 1º e 2 de outubro.

POR FABIO BRISOLLA | Publicado originalmente em Folha Online | 22/09/2014, às 02h29

Biblioteca Central da UFPB vai digitalizar 10 mil teses e dissertações


Previsão é a de que todo o acervo esteja disponível em 2015.Em torno de 3 mil teses e dissertações já estão digitalizadas.

Em torno de 10 mil teses e dissertações impressas produzidas na UFPB vão passar pelo processo de digitalização a partir de novembro. Material será disponibilizado na internet. [Foto: Maurício Pereira da Costa ]

Em torno de 10 mil teses e dissertações impressas produzidas na UFPB vão passar pelo processo de digitalização a partir de novembro. Material será disponibilizado na internet. [Foto: Maurício Pereira da Costa ]

Teses e dissertações produzidas em quase quatro décadas na Universidade Federal da Paraíba, que antes se restringiam à consulta presencial, vão estar disponíveis a partir de 2015 com mais de 10 mil títulos correspondentes à produção de 1970 até 2007. Outros três mil títulos já estão disponíveis na plataforma da Base Digital de Teses e Dissertações Brasileiras, vinculada ao Ministério da Educação e Cultura [Mec]. A Biblioteca Central da instituição está entrando em contato com os autores para solicitar autorização de digitalização e publicação posterior.

A intenção é tornar toda a produção acadêmica da pós-graduação da Universidade Federal da Paraíba acessível à população, que atualmente só tem a busca presencial como alternativa de pesquisa no próprio prédio da Biblioteca Central, no Campus I, em João Pessoa.

A bibliotecária e diretora da Divisão de Serviço ao Usuário, Susiquine Ricardo da Silva, explicou que a partir de novembro o trabalho de digitalização começa e todo o acervo deve estar disponível em 2015. “Esse trabalho vai tornar acessível todo esse trabalho de pesquisa realizado em âmbito nacional e internacional. Atualmente, esse acervo só está disponível na Biblioteca Central e não pode ser emprestado. Poucos alunos e professores têm acesso. Com a digitalização ampliamos a possibilidade de divulgação das pesquisas da UFPB”, frisou.

O Setor de Coleções Especiais, onde ficam armazenadas as coleções de dissertações e teses recebe a visita diária de 15 usuários, nos três turnos, para consultar os exemplares. O acervo impresso da Bibilioteca Central da UFPB é de 13 mil dissertações e teses impressas. Desse total, 3 mil já estão inseridas na Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações [BDBT].

Por Wagner Lima | Publicado originalmente em Portal G1 | 21/09/2014

Autoficção uma ova


O e-book “Delegado Tobias”, que Ricardo Lísias lançou pela e-galáxia, chegou ao topo da lista de livros digitais mais vendidos na Amazon. O livro é apenas o primeiro de cinco volumes de um folhetim virtual do autor. Fragmentada, a trama — na qual Ricardo Lísias é acusado de ter assassinado Ricardo Lísias — brinca com a ideia de autoficção e se alimenta da repercussão na internet e na imprensa [o que significa que esta nota corre o risco de sair do jornal para entrar na literatura].

No Facebook, um perfil com o nome do personagem Tobias foi criado e “ameaçou” tirar o livro das lojas, gerando reações debochadas e indignadas de leitores -devidamente incluídas no volume dois, que sai na quarta [24]. A informação é da coluna Painel das Letras.

Por Raquel Cozer | Folha de S. Paulo | 20/09/2014

Projetos de lei incentivam adoção de livros digitais


eBook. Livro eletrônico. Foto: Marcos Santos/USP Imagens

eBook. Livro eletrônico. Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Atentos aos avanços tecnológicos na educação, os senadores têm apresentado projetos que incentivam o uso de livros eletrônicos nas escolas. Além de estender ao formato os benefícios fiscais já oferecidos ao livro de papel, as propostas também visam garantir o acesso de alunos da rede pública a esse tipo de conteúdo.

Pesquisas recentes reforçam as vantagens da leitura digital no aprendizado. Estudo da universidade norueguesa de Stavanger sobre o uso do livro eletrônico revelou que a compreensão do texto é praticamente a mesma de quem faz a leitura no papel. Outra pesquisa, realizada nos Estados Unidos, com estudantes disléxicos revelou uma melhora na compreensão do texto e na velocidade da leitura feita na tela. O livro eletrônico, em geral, também permite ajustar o tamanho e o tipo da letra.

A leitura digital pode ser feita em e-readers, tablets, computadores ou até smartphones, por meio de aplicativos próprios. No ano passado, os livros eletrônicos representaram em torno de 2,5% do faturamento do mercado editorial brasileiro.

Tributos

Projeto que equipara, na legislação brasileira, os livros eletrônicos aos impressos [PLS 114/2010], do senador Acir Gurgacz [PDT-RO], aprovado em caráter terminativo na Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado [CE] em 2012, aguarda votação na Câmara. O objetivo é alterar a Política Nacional do Livro [Lei 10.753/2003] para garantir aos conteúdos [e-books] e equipamentos de leitura digital [e-readers] os mesmos benefícios tributários do livro impresso. De acordo com a Constituição, os livros são livres de impostos.

A imunidade tributária para livros e leitores eletrônicos também tem sido discutida na Justiça. O assunto já chegou ao Supremo, no Recurso Extraordinário 330.817, onde é relatado pelo ministro Dias Toffoli.

Educação

No Senado tramitam dois projetos de iniciativa do senador Cícero Lucena [PSDB-PB] para estimular o desenvolvimento de aplicativos para tablets e aumentar o uso dessa tecnologia no aprendizado escolar.

O PLS 394/2012 propõe a redução a zero das alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social [Cofins]  sobre a receita da venda a varejo de softwares educacionais e livros eletrônicos para utilização em tablets. A matéria aguarda parecer do relator, senador Delcídio do Amaral [PT-MS], na Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática [CCT].

PLS 109/2013 determina o fornecimento de tablets aos estudantes das escolas públicas de educação básica até 2023. Cícero Lucena argumenta que os aparelhos têm “enorme potencial pedagógico” e devem se tornar objeto da atenção das políticas públicas de educação. Para o senador, o livro didático e o caderno continuam a ter o seu papel no processo educativo, mas as inovações nesse campo “não devem constituir privilégio de poucos”.

– A dimensão da minha proposta é a da inclusão, para que as pessoas sem acesso a esse conteúdo eletrônico possam passar a usar o tablet como ferramenta obrigatória na escola. E ainda há o ganho ecológico desse equipamento contra a produção do livro de papel e todas as suas consequências para o meio ambiente – explica o senador.

O projeto tramita na Comissão de Educação, Cultura e Esporte [CE], onde tem voto favorável do relator, senador Cristovam Buarque [PDT-DF], com duas emendas que estabelecem a capacitação dos professores e a avaliação dos alunos que usam o equipamento.

Questão de tempo

Cristovam Buarque entende que as crianças preferem os livros eletrônicos e devem ter professores preparados. Ele próprio tem mais de mil livros arquivados em seu tablet.

– Eu, pessoalmente, já começo a preferir ler no tablet. Sublinho mais fácil, jogo nota para o final, é muito mais prático. Ler no papel é a mesma coisa de voltar a usar o papiro depois de Gutenberg – compara.

Para o presidente da Comissão de Educação, senador Cyro Miranda [PSDB-GO], é apenas “uma questão de tempo” até que se vençam as últimas resistências à leitura eletrônica.

– A oferta do papel sempre vai existir, por determinado apego que a pessoa tem, mas acho que nós temos que quebrar paradigmas. Os livros já estão disponibilizados em bibliotecas eletrônicas. É uma ferramenta muito importante o tablet nas escolas para as novas gerações; isso vai tomar conta – prevê.

Agência Senado | 19/09/2014, às 14h06

Site traz coleção de capas de livros


Mesmo que você não escolha seus livros pelas capas, vale a pena passear pelos projetos gráficos de centenas de edições

Um link útil para designers e amantes de livros em geral: um site que coleciona capas de livros. Você pode simplesmente passear pelas inúmeras capas disponíveis ou pode procurar por designers, ilustradores, tipografias etc. Uma parada obrigatória para quem busca referências — ou para aqueles que escolhem o livro [também] pela capa. Salve nos favoritos.

Por Ricardo Lombardi | O Estado de S. Paulo | sexta-feira 19/09/14

Bibliotecas podem digitalizar livro sem autorização, decide corte europeia


O Tribunal de Justiça da União Europeia decidiu que o direito dos autores pode ser flexibilizado em prol do compartilhamento do conhecimento. Por isso, uma biblioteca pode digitalizar uma obra mesmo contra a vontade do detentor dos direitos autorais e disponibilizar essa obra para o público. O documento digitalizado pode até ser impresso ou salvo em cartões de memória pelos leitores, mas, nesse caso, é necessário que seja paga uma quantia ao autor, como se a obra tivesse sido comprada.

A decisão da corte, anunciada recentemente, joga luzes sobre como as bibliotecas têm de se portar frente ao aumento da procura por livros digitais, os chamados e-books. Pelo entendimento firmado, ainda que a editora ofereça à biblioteca a obra digitalizada, esta pode recusar e fazer a sua própria digitalização.

O julgamento aconteceu num pedido de esclarecimentos feito pelo Tribunal Federal de Justiça da Alemanha. Lá, uma biblioteca se negou a adquirir a versão digital de determinados livros e decidiu escanear a obra para disponibilizar para os usuários em seus terminais de leitura. A editora não gostou e reclamou à Justiça, alegando ser a detentora dos direitos autorais.

Como regra geral, cabe ao autor o direito exclusivo de autorizar ou proibir a reprodução e comunicação das suas obras. A Diretiva 2001/29/CE do Parlamento Europeu, no entanto, prevê algumas exceções. Uma dessas exceções garante que as bibliotecas disponibilizem em computadores internos a obra para os leitores acessarem.

Ao analisar o conflito, o Tribunal de Justiça da União Europeia considerou que esse direito das bibliotecas também garante a elas que digitalizem obras sem consultar seus autores. Esses livros devem ficar disponíveis gratuitamente apenas em computadores internos. O tribunal avaliou que o leitor pode imprimir ou salvar partes da obra em um cartão de memórias. Mas, nesse caso, deve ser paga uma contrapartida ao detentor do direito autoral.

Consultor Jurídico | 19/09/2014

Editores buscam escritores fora do ‘centro’


“Latitudes” é a coleção de e-books que estreou recentemente para apresentar a ficção brasileira de fora dos grandes centros. De escritores pouco conhecidos, alguns ainda inéditos, os títulos chegam aos leitores em formato digital, adquiridos via e-galáxia para todas as plataformas. O novo selo “busca superar barreiras geográficas, distâncias, complicações da logística de distribuição de livros físicos, apostando no crescimento evidente da leitura digital no Brasil e no mundo, para trazer à luz a literatura de grande qualidade produzida por todo o país, longe dos holofotes mais potentes“.

As editoras são Mirna Queiroz, à frente da Mombak, que edita a revista Pessoa, de literatura lusófona; e a escritora Maria Valéria Rezende, santista radicada em João Pessoa, do recente Quarenta dias [Objetiva], convidada para a curadoria. Os cinco primeiros escolhidos sairão em sequência: Aqui as noites são mais longas, de Geraldo Maciel, A paixão insone, de Ronaldo Monte, O beijo de Deus, de Dôra Limeira, Já não há golfinhos no Tejo, de Joana Belarmino, Palavras que devoram lágrimas, de Beto Menezes. Três são da Paraíba, um de Alagoas, outro de Pernambuco.

Por Josélia Aguiar | Valor Econômico | 19/09/2014, às 05h00

Amazon apresenta novo modelo da família de e-readers Kindle


A Amazon apresentou na quarta-feira [17] o Kindle Voyage, novo modelo do leitor de livros digitais da companhia.

O e-reader custará a partir de US$ 199 e será lançado no dia 21 de outubro nos Estados Unidos, onde já está em pré-venda. Ainda não há previsão de lançamento nem de preço para o Brasil

É o leitor eletrônico mais fino já mostrado empresa [7,6 milímetros de espessura]. “A nossa missão com o Kindle é fazer o dispositivo desaparecer para que o leitor ‘se perca’ no mundo do autor“, disse Jeff Bezos, presidente-executivo da companhia, em um comunicado. “O Voyage é o nosso próximo grande passo nesse sentido“.

Entre as novidades, figura uma nova maneira [opcional] de se virar as páginas em que basta pressionar levemente um sensor na borda do dispositivo. O aparelho vibrará para indicar a mudança de página e evitar possíveis confusões. A maneira antiga, deslizando o dedo na tela, ainda estará disponível.

A resolução da tela do e-reader foi melhorada para 300 pixels por polegada contra os 212 do antecessor Kindle Paperwhite.

Leitor de e-books Kindle Voyage (esq.) e tablet Fire HDX 8.9, novidades anunciadas pela Amazon | Foto: Divulgação

Leitor de e-books Kindle Voyage (esq.) e tablet Fire HDX 8.9, novidades anunciadas pela Amazon | Foto: Divulgação

TABLETS

A empresa também atualizou o seu acervo de tablets Kindle Fire.

O Fire HDX, aparelho topo de linha lançado pela empresa no ano passado, ganhou uma versão mais rápida para seu modelo de 8,9 polegadas, com processador Snapdragon 805 de 2,5 GHz –0,3 GHz a mais que o de 2013.

O produto custará a partir de US$ 379 em versões de 16, 32 e 64 Gbytes.

Na linha mais econômica Fire HD, a novidade é um modelo de 6 polegadas que sairá por de US$ 99 e será duas vezes mais rápido do que as versões anteriores do dispositivo, de acordo com a Amazon.

Os novos tablets foram apresentados pela companhia no mesmo dia em que sites da imprensa especializada vazaram a possível data em que a Apple anunciará os seus próximos iPads.

PUBLICADO ORIGINALMENTE EM FOLHA DE S.PAULO | COM AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS | 18/09/2014, às 12h43

Depois de conquistar os leitores, eBooks agradam aos poetas


Editoras começam a se dedicar à formatação de poesia nos livros digitais e buscam manter “integridade física” dos textos

NOVA YORK – Quando John Ashbery, Prêmio Pulitzer de poesia, constatou que as edições digitais de seus poemas não se pareciam com a versão impressa, ficou chocado. Não havia quebra de linhas e os versos haviam sido espremidos num bloco como se se tratasse de um texto prosa. A cuidadosa arquitetura dos seus poemas desaparecera.

Queixou-se com a editora, a Ecco, e os quatro livros em formato eletrônico foram imediatamente retirados do mercado. Isto aconteceu há três anos. Desde então, a publicação digital evoluiu consideravelmente. As editoras agora criam e-books que preservam melhor a meticulosa formatação dada pelo autor. Portanto, quando a editora digital Open Road Mediaed contactou Ashbery a respeito da criação de versões eletrônicas dos seus livros, ele decidiu dar-lhe mais uma chance.

Na semana passada, a Open Road publicou 17 coleções digitais da obra de Ashbery, pela primeira vez a maior parte dos seus poemas estará disponível em formato de e-book. E ele não pediu nenhum recall.

É muito fiel à formatação original”, disse Ashbery, 87, reconhecidamente um dos maiores poetas vivos do país.

A revolução do e-book já tem mais de dez anos, mas as editoras de poesia lutam para encontrar um lugar no mercado digital. Em 2013, foram lançados 2.050 e-books deste gênero literário, em comparação a cerca de 200 em 2007, ano em que saiu o primeiro Kindle, segundo a Bowker, que acompanha os lançamentos do mercado. No ano passado, os e-books, representaram aproximadamente 20% dos quase 20 mil livros de poesia publicados, em comparação com cerca de 10% em 2012.

Poeta americano John Ashbery | Foto: Reprodução

Poeta americano John Ashbery | Foto: Reprodução

Entre todos os gêneros, a poesia revelou-se o mais resistente à tecnologia digital, não por razões culturais, mas por complexas razões mecânicas. A maioria dos e-books estraçalha as quebras de linhas e versos, tão fundamentais para a aparência e o ritmo do poema. Consequentemente, muitas editoras desistiram de digitalizar poesia, e as obras de alguns dos maiores poetas ainda não estão disponíveis em e-books, inclusive os Cantos de Ezra Pound e poemas de Jorie Graham, Tracy K. Smith, Elizabeth Bishop e Czeslaw Milosz.

O verso é a unidade na qual a poesia se expressa, mas a tecnologia da maioria dos e-books não favorece esta unidade”, disse Jeff Shotts, editor executivo da Graywolf Press.

Entretanto, à medida que a tecnologia foi evoluindo, as editoras começaram a se adaptar. Algumas contrataram programadores para codificar manualmente os livros de poesia de modo que as quebras de linha e os versos são mantidos; outras recorreram ao uso dos PDFs, ou arquivos estáticos, para reproduzir imagens digitais de poemas de formato elaborado, como os versos em forma de raios projetados para fora de Mary Szybist. Certas editoras acrescentaram avisos nos seus e-books, recomendando aos leitores que utilizem um tamanho específico de fonte para visualizar a representação mais acurada de um poema.

A editora independente New Directions, fundada em 1936, começou a publicar e-books de poesia no ano passado. Até o momento, lançou mais de 60 volumes digitais de poesia, inclusive obras de Pablo Neruda, Dylan Thomas e William Carlos Williams.

Farrar, Straus e Giroux começou uma grande arrancada para digitalizar seu catálogo de poesia em janeiro, depois de solucionar algumas espinhosas questões de design e de programação. Este ano, está lançando 111 coleções de poesia digital, em comparação com 17 no ano passado e apenas uma em 2012.

Antes de fazer esta transferência, quisemos ter a certeza de que o que os poetas faziam em termos visuais poderia ser encontrado nos e-readers”, disse Christopher Richards, editor assistente da Farrar. “O aspecto digital de um poema é realmente importante e pode comunicar um tipo de significado; se não for preservado no e-book, o leitor perderá de fato alguma coisa”. A produção de poesia digital ainda é inexpressiva diante da poesia impressa, e alguns escritores e editoras questionam se existe de fato muita demanda de e-books de poesia.

Uma grande porcentagem de leitores de poesia é fetichista: gosta de segurar o livro físico”, disse Michael Wiegers, editor executivo da Copper Canyon Press, especializada em poesia. Para as editoras, o custo é um fator importantíssimo. As vendas de poesia sempre foram muito limitadas em relação às de outros gêneros, e a criação de e-books especificamente programados é dispendiosa, principalmente considerando que o trabalho de poetas menos conhecidos talvez venda apenas poucas centenas de exemplares.

Mas as editoras de poesia dizem que não podem mais ignorar a migração para o digital que começa a dominar a indústria; algumas delas decidiram investir consideravelmente na produção de e-books. A Copper Canyon gastou cerca de US$ 150 mil no projeto de editar livros digitais, utilizando recursos da Fundação da Família Paul G. Allen e de outros doadores. Grande parte do dinheiro foi utilizada para pagar os programadores , disse Wiegers. Nos últimos anos, a Copper Canyon lançou cerca de 125 volumes de poesia digital.

Foram necessárias diversas experiências na base da tentativa e erro, e também no que se referia à programação”, explicou Wiegers.

Alguns poetas continuam inflexíveis quanto à superioridade do livro impresso. Albert Goldbarth, que escreveu mais de 30 livros de poesia, recusa-se a publicar e-books. “Me recuso a fazer isto; é uma questão de princípio”, afirmou, acrescentando que, com as edições impressas ele pode controlar os caracteres, o tamanho da fonte e o layout.

Outros poetas pediram insistentemente que as editoras incluíssem avisos em os seus e-books. O consagrado poeta americano Billy Collins fez a solicitação há alguns anos, ao constatar que a mudança do tamanho da fonte num e-reader “desequilibrou o poema”, como ele disse. Seus e-books agora trazem a advertência de que algumas funções de um e-reader podem mudar a “integridade física do poema”. “A primeira impressão que se tem de um poema é o formato da página”, disse Collins. “Um poema tem uma integridade escultural que nenhum e-reader pode registrar”. A poesia de Ashbery, que escreve frequentemente em versos longos, no estilo de Walt Whitman, e usa a complexa técnica de continuação do verso na linha seguinte alinhado à direita, foi difícil de digitalizar.

Muitos dos meus poemas têm versos muito longos, e para mim é importante que sejam cuidadosamente reproduzidos na página”, afirmou. “O impacto de um poema muitas vezes depende da quebra de linhas, que as editoras de poesia costumam não consideram tão importante quanto o autor do poema”. Depois da primeira experiência fracassada, Ashbery relutou em vender novamente seus direitos para e-books. Mas, há dois anos, seu agente literário contatou Jane Friedman, diretora executiva da Open Road, que estava interessada em publicar versões digitais da obra de Ashbery. Ela assegurou a Ashbery e ao agente que a formatação dos e-books preservaria os seus versos.

Depois de negociações que duraram cerca de um ano, Ashbery concordou em ceder os direitos de 17 coleções.

A produção dos e-books levou vários meses. Inicialmente os livros foram escaneados, digitalizados e cuidadosamente revisados. Então a Open Road enviou os arquivos para a eBook Architects, uma empresa de desenvolvimento de e-books de Austin, Texas. Lá, o texto foi programado à mão e recebeu marcações/ instruções semânticas, para que os elementos formais fossem assinalados respectivamente como versos, estrofes ou quebras de linhas intencionais. Quando um verso não cabe na tela porque ela é pequena demais ou a fonte é grande demais, ele é quebrado na linha de baixo – convenção observada na imprensa há séculos. A tecnologia ainda está longe de ser perfeita. Os poemas de Ashbery conservam melhor sua forma nas telas maiores do iPad, e ficam espremidos, e mais versos ultrapassam a margem num Kindle ou num iPhone.

Segundo os especialistas do gênero, estas pequenas discrepâncias são um preço ínfimo a pagar para garantir o legado de Ashbery na era digital.

John Ashbery é o nosso T.S. Eliot, a nossa Getrude Stein”, observou Roberto Polito, presidente da Poetry Foundation. “É vital que sua obra seja apresentada ao público da maneira mais perfeita no maior número possível de formatos”.

Por Alexandra Alter | Publicado originalmente em The New York Times | Tradução de Anna Capovilla publicada em Estadão | 18 Setembro 2014, às 11h37

AudioAppBook para carros!


A Ford se associou à Penguin Random House para desenvolver e lançar um aplicativo ativado por voz que dará acesso a áudio livros de Roald Dahl. O aplicativo será compatível com o Syn AppLink, tecnologia embarcada em alguns carros da Ford que permite o acionamento de aplicativos a partir do comando de voz. Uma vez dentro do carro, o motorista deverá abrir o app no seu smartphone e conectá-lo ao seu veículo via USB. A partir daí, pode dará os comandos: play, pause, stop, back e forward.

O app contém 19 histórias de Roald Dahl, incluindo Charlie and the chocolate factory, Matilda e James and the giant peach, lidas por atores como David Walliams, Stephen Fry e Kate Winslet. O App é gratuito e o primeiro capítulo de cada história é gratuito. Para ter acesso à íntegra do livro, os usuários terão que desembolsar £4.99. O app será lançado entre outubro e novembro e estará disponível para download em todo o mundo – exceto América do Norte-, mas os livros estarão exclusivamente em inglês.

Por Charlotte Eyre | The Bookseller | 17/09/2014

Encontro trata da literatura digital


Nesta quinta-feira [18], às 19h, o Instituto Estadual do Livro [Rua André Puente, 318, Independência, Porto Alegre/RS] recebe a palestra Leitura digital e empréstimo de e-books: uma revolução na palma da mão. O bate-papo será conduzido por Galeno Amorim, ex-presidente da Fundação Biblioteca Nacional e um dos fundadores da biblioteca digital Árvore de Livros. O encontro vai abordar o atual cenário do mercado editorial em vista das novas tecnologias relacionadas à área da leitura e literatura. O evento é aberto ao público e com entrada franca.

PublishNews | 17/09/2014

Biblioteca digital passa a ter Cecília Meireles, Cora Coralina e Manuel Bandeira no acervo


Biblioteca digital capitaneada por Galeno Amorim passa a ter Cecília Meireles, Cora Coralina e Manuel Bandeira no seu acervo

Em junho passado, quando recebeu o PublishNews na sua casa da rua Pirapitingui, Luiz Alves Jr., proprietário da Global, falou do seu entusiasmo com a leitura digital. Ele contou na ocasião que tudo o que for publicado pela Nova Aguilar [a visita era para falar sobre a aquisição da Nova Aguilar pela Global] sairá também em digital e disse ainda que estava acompanhando o crescimento de bibliotecas digitais no Brasil. No papo disse: “A ideia de bibliotecas digitais como a Árvore de Livros, no Galeno [Amorim] é fantástica”. Agora, a Árvore de Livros anuncia que fechou com a Global e que parte do catálogo da Global passam a fazer parte do acervo da biblioteca digital. Sempre bem bom lembrar que a Global detém a obra completa de grandes figurões da literatura brasileira como Cecília Meireles, Cora Coralina, Manuel Bandeira e, mais recentemente, Bartolomeu Campos de Queirós. A seleção das obras que vão fazer parte da biblioteca ainda não está fechada.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 17/09/2014

Amazon deixa escapar Kindle Voyage, seu novo leitor de eBooks


Amazon deixa escapar Kindle Voyage, seu novo leitor de e-books

Amazon deixa escapar Kindle Voyage, seu novo leitor de e-books

Um site alemão notou que surgiram informações sobre a próxima geração do Kindle na versão alemã da Amazon. Isso foi removido, mas não antes de revelar que haverá dois novos modelos: uma versão básica atualizada, e um novo produto high-end chamado Kindle Voyage.

O Kindle básico aparentemente traz uma touchscreen como novidade principal. Ou seja, daqui em diante todos os Kindles – mesmo o mais barato – devem vir com tela sensível ao toque. Claro, sua resolução de tela ainda seria menor que em modelos mais caros, e ele não teria iluminação. Este Kindle é listado por €59 [cerca de R$ 180].

Quanto ao Kindle Voyage, uma versão em cache da Amazon Japão revela mais informações: ele terá uma tela mais nítida de 300 ppi, novos botões para virar páginas, e virá em modelos Wi-Fi e 3G. Parece que a Amazon manteve a tela de 6 polegadas. A imagem acima, do manual de instruções, mostra como ele deve ser.

Outro detalhe interessante: parece que teremos algo chamado “luz dianteira inteligente”, provavelmente um recurso para aumentar ou diminuir o brilho de forma automática.

A página japonesa também lista as dimensões do Voyage: 6,2 x 11,5 x 0,8 cm e 186 g. Ou seja, ele deve ser menor e mais leve que o Paperwhite.

Por Kate Knibbs | Publicado originalmente em GIZMODO Brasil | 17 de setembro de 2014 às 11:17

Novo Kindle?


Vazam as especificações do novo modelo do Kindle

Essa quarta-feira amanheceu com buchichos de que a Amazon estaria se preparando para lançar novo modelo do Kindle. O Kindle Voyage viria com um novo sistema de mudança de páginas, sensível ao toque. Na página japonesa da Amazon, o novo device ficou acessível por alguns instantes [o cache da página pode ser acessado aqui], tempo suficiente para saber que o possível novo modelo vem com tela de alta resolução, com 300 ppi [os modelos atuais alcançam até 212 ppi, no caso do Paperwhite e Paperwhite 3G]. O device seria ligeiramente mais fino, com 8mm de espessura [os modelos atuais têm entre 8,7 e 9,1 mm] e menores, com 16,2 x 11,5 cm [o Kindle mais básico mede 16,5 x 11,4 cm e o Paperwhite mede 16,9 x 11,7]. O preço que aparece na página japonesa é de 28.814 ienes [ou aproximadamente R$ 630] na versão com 3G.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 17/09/2014

130 mil livros online para crianças na Biblioteca Baldwin


O arquivo de livros e periódicos pode ser acessado gratuitamente; começa em meados de 1600 e vai até os dias de hoje

A Baldwin Library of Historical Children’s Literature contém mais de 130 mil livros e periódicos voltados para o público infantil publicados nos Estados Unidos e Grã-Bretanha [em inglês] — desde meados de 1600 até os dias atuais.Dá para consultar o acervo todo pelo site. Vale para quem está buscando referências ou para aqueles que gostam de “folhear” livros velhos. Acima, a capa do “Baby`s Annual” de 1890.

Por Ricardo Lombardi | O Estado de S. Paulo | quarta-feira 17/09/14