A Saraiva evolui sob a liderança de um novo CEO focado em tecnologia


A Saraiva trouxe um novo CEO com conhecimentos tecnológicos que está integrando as operações de varejo e edição enquanto explora opções em educação e tecnologia.

Fotógrafo | Sérgio Zacchi

Fotógrafo | Sérgio Zacchi

A Saraiva é editora e a principal rede de livrarias no Brasil. Se fosse nos EUA, seria uma Barnes & Noble; se fosse no Reino Unido, uma Waterstones. A empresa opera 114 lojas, possui 60 milhões de clientes visitando suas livrarias anualmente [9 milhões dos quais são membros do Cartão Preferencial da Saraiva]. Em 2013, as vendas totais alcançaram os 2,1 bilhões de dóalres e agora eles empregam 3,5 mil pessoas. Entre as mais recentes contratações está Michel Levy, o novo CEO da empresa.

Levy veio da Microsoft e, algo pouco surpreendente, diz que a “tecnologia está no centro de todo o negócio da Saraiva. Acreditamos que estamos no negócio de produzir e distribuir conteúdo, serviço e tecnologia, em qualquer formato, para qualquer plataforma, em qualquer momento e em qualquer lugar.”

No começo deste mês, Levy liderou o lançamento da LEV, plataforma de e-books proprietária da Saraiva e leitor de e-ink – um movimento ousado para prevenir a invasão da Amazon, que lançou o Kindle no Brasil no ano passado e começou nessa semana a distribuição física de livros.

Dito isto, o movimento mais significativo da administração de Levy não tem nada a ver com tecnologia, mas com pragmatismo: ele juntou o lado editora e livraria da Saraiva, depois de anos nos quais os dois setores estavam em luta interna tão grande que dizia-se que não dava nem para encontrar um livro da Saraiva em uma livraria Saraiva. “Em abril, nós integramos os depósitos que distribuem para livrarias e a editora, e hoje você até consegue encontrar alguns livros da nossa editora em livrarias Saraiva”, ele fala piscando o olho.

A Editora como um Centro Lucrativo

O braço editorial permanece o verdadeiro centro de lucro para a empresa, que produz um conjunto amplo de títulos e é líder em livros didáticos, cursos de tecnologia, educação superior, livros de Direito e preparação para exames legais e concursos – segmento no qual possuem 40% do mercado. Com os livros didáticos, o governo brasileiro continua sendo um cliente central, representando 25% das vendas de livros para a educação inicial e 50% de suas vendas para a educação superior.

Voltando ao tema da tecnologia, Levy gosta de sublinhar que quando a Saraiva está falando sobre edição, está realmente falando sobre “criação de conteúdo”.

“Ser uma editora é uma pequena parte do que somos no sentido de conteúdo. Somos agregadores.” Desta forma, a companhia está diversificando seu braço editorial e está se movendo para novas áreas, incluindo aprendizado a distância e jogos. “É a nossa chance de aumentar nosso relacionamento com o cliente e aproveitar nosso relacionamento com instituições de educação superior e melhorá-los.”

É onde a rede online e física de lojas Saraiva se torna central para o crescimento estratégico a longo prazo. As vendas comparáveis por loja cresceram a uma taxa de 10-11% por ano e a empresa agora está se expandindo para aeroportos para aproveitar o mercado criado por uma classe média que cada vez mais está viajando mais dentro do país.

Expansão do Financiamento, Expansão da Educação

Para alimentar a expansão, a empresa conseguiu um empréstimo de R$ 628 milhões do BNDES, o maior empréstimo que a empresa já pediu em toda sua história. A expectativa é que sejam criados 700 novos empregos nos próximos anos.

Inevitavelmente, boa parte do futuro da empresa parece voltar para o setor de livros didáticos, que é um negócio em crescimento, por causa do crescimento exponencial de estudantes matriculados no ensino superior profissionalizante e particular. Chegar a estes estudantes, muitos dos quais estão nos cantos mais distantes do país, é um desafio. “Distribuição é muito cara”, nota Levy, “então o que estamos fazendo agora é dedicar representantes de vendas para servir às universidades e trabalhando para que os professores venham a nossas lojas. Agora temos nove filiais onde as universidades podem usar nossas lojas como uma base de apoio.”

Claro, elas sempre têm como fazer pedidos online como uma opção também. “Mas eu não vejo o físico como sendo independente do virtual e estamos nos movendo rápido na integração”, diz Levy.

Além disso, Levy diz que a Saraiva criou um fundo financeiro para investir em startups e novas tecnologias, que puderem ser adaptadas para fornecer novas ferramentas para o mercado didático. “Queremos ser fornecedores de serviço completo e entregar soluções para as companhias que entregam educação.”

Perguntado como um consumidor brasileiro vê a Saraiva hoje, Levy responde: “Existe a percepção de que a Saraiva é apenas uma livraria, e que existe a outra empresa que publica livros. Mas somos mais do que isso. Estamos no mercado de varejo, tanto virtual quanto físico. Somos criadores de conteúdo, preparação, distribuição de livros didáticos para ensino inicial, médio, profissional e superior. Trabalhamos com tecnologia e aprendizado adaptativo. Vendemos para indivíduos e empresas. Somos tanto o fornecedor de conteúdo quanto a plataforma. Somos um shopping center. Estamos desenvolvendo um novo O que é a Saraiva Hoje.”

O CEO do Grupo Saraiva, Michel Levy, e o Diretor Gerente da Editora Saraiva, Mauricio Fanganiello, vão participar no Business Club deste ano da Feira do Livro de Frankfurt.

Edward Nawotka | PublishNews | 22/08/2014 | Este artigo foi publicado originalmente no Publishing Perspectives.

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