Luquinhas e os Livros Mágicos


E se magicamente fosse possível ler histórias pelo lado de dentro? Essa foi uma fantástica possibilidade descoberta por Luquinhas – um típico garoto moderno, que curte tudo relacionado a tecnologia. Porém um dia, quando um imprevisto tirou dele o acesso à internet e aos aparelhos eletrônicos, sem ter com o que passar o tempo, Luquinhas teve que encarar uma das atividades que ele considerava mais chatas e sem graça: ler um livro. Assim, o livro digital interativo Luquinhas e os Livros Mágicos conta a história desse carismático garoto, que descobre um mundo de possibilidades ao reler as histórias clássicas do universo infantil.

Bibliotecas digitais e impressas vão coexistir por muito tempo, diz especialista


As bibliotecas impressas e digitais vão coexistir, “pelo menos”, durante os próximos 20 anos, disse nesta quinta-feira [20] à Agência Brasil a diretora do Sistema de Bibliotecas da Fundação Getulio Vargas [FGV], Marieta de Moraes Ferreira. Ela participou do primeiro dia de debates da conferência internacional Os Desafios das Bibliotecas Digitais: Conhecimento, Tecnologia e o Crescimento da Informação Virtual nas Universidades, promovido pela instituição, em sua sede em Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro. O evento reúne profissionais brasileiros e de instituições internacionais de ensino.

“O mundo dos livros está mudando muito e sempre surge aquela ideia de se criar uma biblioteca digital e diminuir o número de livros físicos”, comentou Marieta. Essa proposição, entretanto, cria uma série de debates, incertezas e desafios para o futuro. Segundo ela, isso ocorre porque uma coisa são os periódicos digitais, que são bem aceitos de modo geral e para os quais que se verifica um aumento cada vez maior de consultas por parte de pesquisadores, professores e alunos. A questão muda, entretanto, quando se trata dos livros impressos.

Brasília – Estudo divulgado pelo Ministério da Cultura mostra que 79% dos municípios brasileiros têm bibliotecas

Participantes de encontro internacional discutem a convivência dos livros impressos com os chamados e-booksRenato Araújo/Agência Brasil

Alguns palestrantes indagaram se é possível haver uma biblioteca só digital ou essencialmente digital. “A conclusão final é a inviabilidade disso neste momento, porque os leitores ainda não estão sintonizados com isso, mesmo os jovens. A preferência pelo livro físico ainda é dominante”, explicou.

A diretora da FGV disse, ainda, que é preciso distinguir entre livros de ficção, como um romance, por exemplo, e um livro acadêmico, que é um livro de estudo que demanda mais concentração da parte do leitor. “Acho que os livros de ficção, que levam para uma atividade mais de lazer, têm mais facilidade de serem incorporados aos hábitos das pessoas na forma de livros digitais, os chamados e-books, do que os livros acadêmicos”.

Outro problema se refere à compra de livros digitais, especialmente para as bibliotecas universitárias, indicou Marieta Ferreira, porque o modelo de negócio é diferente do adotado tradicionalmente. “Quando você compra livros digitais para as bibliotecas, não compra das editoras. Compra das agregadoras, que são como distribuidoras de livros digitais”. O que ocorre, mencionou, é que essas empresas vendem pacotes fechados de livros ou de base de dados. “Às vezes, você compra 100 títulos e lhe interessam 20. Muitas vezes, não há opção de escolha”.

Além disso, a disponibilidade de grande parte dos livros vendidos pelas agregadoras não é perpétua, ou seja, a compra é feita por um prazo determinado, ao fim do qual os livros digitais deixam de ser acessáveis. “Se, no ano que vem, a biblioteca não tiver dinheiro, acabou o livro”. Devido a essas questões, a tendência, sinalizada pelos especialistas de vários países presentes à conferência, é que as bibliotecas digitais e impressas ainda coexistirão durante bastante tempo.

O Sistema de Bibliotecas da FGV reúne as bibliotecas da instituição no Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília. Em todo o Brasil, a FGV tem mais de 140 mil alunos. O sistema inclui 10.733 e-books comprados ou adquiridos por assinatura; 3.756 livros impressos que estão em domínio público e podem ser digitalizados; 280 mil e-books disponibilizados a partir do Portal Capes; e 149.471 livros impressos, dos quais 85.121 pertencem ao acervo da FGV Rio.

CBN Foz | 22/08/2014

A Saraiva evolui sob a liderança de um novo CEO focado em tecnologia


A Saraiva trouxe um novo CEO com conhecimentos tecnológicos que está integrando as operações de varejo e edição enquanto explora opções em educação e tecnologia.

Fotógrafo | Sérgio Zacchi

Fotógrafo | Sérgio Zacchi

A Saraiva é editora e a principal rede de livrarias no Brasil. Se fosse nos EUA, seria uma Barnes & Noble; se fosse no Reino Unido, uma Waterstones. A empresa opera 114 lojas, possui 60 milhões de clientes visitando suas livrarias anualmente [9 milhões dos quais são membros do Cartão Preferencial da Saraiva]. Em 2013, as vendas totais alcançaram os 2,1 bilhões de dóalres e agora eles empregam 3,5 mil pessoas. Entre as mais recentes contratações está Michel Levy, o novo CEO da empresa.

Levy veio da Microsoft e, algo pouco surpreendente, diz que a “tecnologia está no centro de todo o negócio da Saraiva. Acreditamos que estamos no negócio de produzir e distribuir conteúdo, serviço e tecnologia, em qualquer formato, para qualquer plataforma, em qualquer momento e em qualquer lugar.”

No começo deste mês, Levy liderou o lançamento da LEV, plataforma de e-books proprietária da Saraiva e leitor de e-ink – um movimento ousado para prevenir a invasão da Amazon, que lançou o Kindle no Brasil no ano passado e começou nessa semana a distribuição física de livros.

Dito isto, o movimento mais significativo da administração de Levy não tem nada a ver com tecnologia, mas com pragmatismo: ele juntou o lado editora e livraria da Saraiva, depois de anos nos quais os dois setores estavam em luta interna tão grande que dizia-se que não dava nem para encontrar um livro da Saraiva em uma livraria Saraiva. “Em abril, nós integramos os depósitos que distribuem para livrarias e a editora, e hoje você até consegue encontrar alguns livros da nossa editora em livrarias Saraiva”, ele fala piscando o olho.

A Editora como um Centro Lucrativo

O braço editorial permanece o verdadeiro centro de lucro para a empresa, que produz um conjunto amplo de títulos e é líder em livros didáticos, cursos de tecnologia, educação superior, livros de Direito e preparação para exames legais e concursos – segmento no qual possuem 40% do mercado. Com os livros didáticos, o governo brasileiro continua sendo um cliente central, representando 25% das vendas de livros para a educação inicial e 50% de suas vendas para a educação superior.

Voltando ao tema da tecnologia, Levy gosta de sublinhar que quando a Saraiva está falando sobre edição, está realmente falando sobre “criação de conteúdo”.

“Ser uma editora é uma pequena parte do que somos no sentido de conteúdo. Somos agregadores.” Desta forma, a companhia está diversificando seu braço editorial e está se movendo para novas áreas, incluindo aprendizado a distância e jogos. “É a nossa chance de aumentar nosso relacionamento com o cliente e aproveitar nosso relacionamento com instituições de educação superior e melhorá-los.”

É onde a rede online e física de lojas Saraiva se torna central para o crescimento estratégico a longo prazo. As vendas comparáveis por loja cresceram a uma taxa de 10-11% por ano e a empresa agora está se expandindo para aeroportos para aproveitar o mercado criado por uma classe média que cada vez mais está viajando mais dentro do país.

Expansão do Financiamento, Expansão da Educação

Para alimentar a expansão, a empresa conseguiu um empréstimo de R$ 628 milhões do BNDES, o maior empréstimo que a empresa já pediu em toda sua história. A expectativa é que sejam criados 700 novos empregos nos próximos anos.

Inevitavelmente, boa parte do futuro da empresa parece voltar para o setor de livros didáticos, que é um negócio em crescimento, por causa do crescimento exponencial de estudantes matriculados no ensino superior profissionalizante e particular. Chegar a estes estudantes, muitos dos quais estão nos cantos mais distantes do país, é um desafio. “Distribuição é muito cara”, nota Levy, “então o que estamos fazendo agora é dedicar representantes de vendas para servir às universidades e trabalhando para que os professores venham a nossas lojas. Agora temos nove filiais onde as universidades podem usar nossas lojas como uma base de apoio.”

Claro, elas sempre têm como fazer pedidos online como uma opção também. “Mas eu não vejo o físico como sendo independente do virtual e estamos nos movendo rápido na integração”, diz Levy.

Além disso, Levy diz que a Saraiva criou um fundo financeiro para investir em startups e novas tecnologias, que puderem ser adaptadas para fornecer novas ferramentas para o mercado didático. “Queremos ser fornecedores de serviço completo e entregar soluções para as companhias que entregam educação.”

Perguntado como um consumidor brasileiro vê a Saraiva hoje, Levy responde: “Existe a percepção de que a Saraiva é apenas uma livraria, e que existe a outra empresa que publica livros. Mas somos mais do que isso. Estamos no mercado de varejo, tanto virtual quanto físico. Somos criadores de conteúdo, preparação, distribuição de livros didáticos para ensino inicial, médio, profissional e superior. Trabalhamos com tecnologia e aprendizado adaptativo. Vendemos para indivíduos e empresas. Somos tanto o fornecedor de conteúdo quanto a plataforma. Somos um shopping center. Estamos desenvolvendo um novo O que é a Saraiva Hoje.”

O CEO do Grupo Saraiva, Michel Levy, e o Diretor Gerente da Editora Saraiva, Mauricio Fanganiello, vão participar no Business Club deste ano da Feira do Livro de Frankfurt.

Edward Nawotka | PublishNews | 22/08/2014 | Este artigo foi publicado originalmente no Publishing Perspectives.