Curso aborda o livro digital


Atividade a distância acontece de 10 de setembro a 12 de novembro

A Universidade do Livro [UNIL] está com as inscrições abertas para o curso Virando a página: compreendendo o livro eletrônico e as mudanças no negócio editorial. A formação à distância inicia no dia 10 de setembro e segue até 12 de novembro, com o objetivo de permitir que os profissionais do mercado editorial aumentem seus conhecimentos sobre o negócio do livro eletrônico O curso requer uma dedicação de, ao menos, três horas semanais para o estudo dos conteúdos e a realização dos exercícios. O docente será Fernando César Quaglia, fundador e diretor da Capítulo Sete, empresa especializada na produção de livros eletrônicos. O investimento é de R$ 345. Para se inscrever, clique aqui.

PublishNews | 13/08/2014

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Novo modelo, novas formas


Por Gustavo Martins de Almeida | Publicado originalmente em Publishnews | 13/08/2014

Ao se tornar dono de um livro físico, duas circunstâncias decorrem para o leitor, no campo dos fatos, [a] ele estará sempre ao seu dispor para a leitura, e [b] você poderá ler uma página, uma linha, ou todo o livro de uma jornada só. “Irra, mas que talento!” para fazer essas observações dignas do Pacheco [personagem de Eça de Queirós, característico por suas obviedades].

Num segundo plano, o da destinação do preço pago pelo leitor, geralmente 10% vão para o autor e o restante é dividido entre a livraria, distribuidor e editora, que por sua vez paga o papel, impressão, tradutor, revisor, capista, diagramador, etc…

Mudo o canal para o livro digital, mais especificamente o lançamento do Kindle Unlimited, sistema em que o leitor paga US$ 9,99 por mês e lê tudo o que quiser no acervo, por ora disponível somente nos EUA.

Em discussão recente – parabéns ao Galeno Amorim pelo debate transmitido on line sobre livro digital; deve ser repetido com outros temas – foi abordada a remuneração do uso do livro digital, nessa modalidade de serviço que a Amazon lançou.

Surgem então dois conceitos que, no plano digital, justificarão a obviedade do primeiro parágrafo este artigo. As editoras seriam remuneradas [a] pela mera disponibilidade do livro na plataforma digital, para que os leitores possam lê-lo, se e quando quiserem, ou [b] pela efetiva leitura do livro, desde que ao menos um leitor lesse mais que 10% da obra.

A rapidez da evolução tecnológica altera os conceitos e novos critérios vão surgindo em função dos novos hábitos. Os e-readers [aparelhos de leitura] abundam e ficam cada vez mais baratos; as novas gerações leem muito mais na telinha e menos no papel; é muito prático carregar um tablet e ter milhares de livros à disposição, em qualquer lugar, a qualquer hora.

Mas se a ponta da leitura muda, o miolo do setor editorial também se transforma. Essa fase de acomodação de critérios, que se desenrola muito rapidamente, permite acompanhar em ritmo de notícia de jornal a evolução das novas peças na engrenagem do publishing. Quais seriam as mudanças, em termos de remuneração das editoras?

Se prevalecer o critério da disponibilidade, basta o provedor de leitura – no caso o Kindle, mas pode ser qualquer outro – ter um exemplar de cada livro em seu “estoque” ou “livraria”, ou “acervo”, para que seja acessado pelos leitores. Nesse caso, supõe-se, o provedor comprará um exemplar de cada título, de modo que, se disponibilizar 600 mil títulos, por certo terá adquirido 600 mil exemplares. Esse é o critério que poderíamos qualificar, também, de potencial.

O segundo critério, o da leitura efetiva, é um pouco mais complexo. Se o serviço de leitura compra apenas um exemplar de cada título, teoricamente somente um leitor pode ler o livro escolhido de cada vez. Do contrário, o Kindle compra um exemplar daquele título da editora e, eventualmente, mil leitores podem ler o mesmo livro simultaneamente.

Duas soluções intermediárias: [a] a editora estipularia um preço especial de venda – melhor dizendo, de licença de leitura – para os provedores de leitura, ou, [b] haveria uma conjugação de fatores para determinar o preço do livro, [i] o preço fixo pela disponibilidade, mais [ii] o preço variável pelo número de leituras efetivas, pago a cada leitura.

São conjecturas feitas no rebuliço do lançamento do produto, que tende a alterar a equação de remuneração provedor-editoras. Daí surgirão várias indagações e comentários, inclusive a ponderação de que se o cliente nada ler aquele mês, os US$ 9,99 iriam somente para o provedor.

Por ora, a reflexão contribui para se encontrar o melhor modelo de negócio para essa inovação tecnológica, mas ainda perdura o mistério sobre o “missing link”, o contrato que ligará as editoras ao Kindle Unlimited, tudo indica baseado nas licenças. Vamos aguardar.

Só para lembrar que ainda falta lançar luz sobre outros aspectos, temos o critério de remuneração do autor, mas isso fica para outro artigo.

Por Gustavo Martins de Almeida | Publicado originalmente em Publishnews | 13/08/2014

Gustavo Martins de Almeida

Gustavo Martins de Almeida

Gustavo Martins de Almeida é carioca, advogado e professor. Tem mestrado em Direito pela UGF. Atua na área cível e de direito autoral. É também advogado do Sindicato Nacional dos Editores de Livros [SNEL] e conselheiro do MAM-RIO. Seu e-mail é gmapublish@gmail.com.

Na coluna Lente, Gustavo Martins de Almeida vai abordar os reflexos jurídicos das novas formas e hábitos de transmissão de informações e de conhecimento. De forma coloquial, pretende esclarecer o mercado editorial acerca dos direitos que o afetam e expor a repercussão decorrente das sucessivas e relevantes inovações tecnológicas e de comportamento.

Amazon lança leitor portátil para pagamentos com cartões


Serviço poderá ser usado em tablets, smartphones e Kindle

 

Briga: o Local Register vai concorrer com Square, PayPal e GoPayment | Uncredited / AP

Briga: o Local Register vai concorrer com Square, PayPal e GoPayment | Uncredited / AP

NOVA YORK | De olho no setor de dispositivos móveis de pagamento, a Amazon anunciou nesta quarta-feira o lançamento do Amazon Local Register, um processador de cartões de crédito e débito e um aplicativo móvel desenhados para ajudar pequenas empresas e profissionais de serviços diversos a aceitarem pagamento mediante smartphones e tablets. A iniciativa coloca a gigante do varejo on-line em concorrência direta com a Square e outros sistemas de processamento móvel de pagamento, como o PayPal Here e GoPayment, do Intuit.

A tecnologia da Amazon inclui um leitor de cartão que é aclopado a smartphone, Kindle ou tablet. O dispositivo processa pagamentos de cartões de crédito e débito por meio de rede segura da Amazon, a mesma que processa as compras na Amazon.com. O serviço é desenhado para servir donos de pequenos negócios ou serviços que de outra forma aceitariam receber apenas dinheiro ou cheque. São profissionais como terapeutas e massagistas, entre outros.

Para que esses pequenos negócios e serviços comecem a usar o Local Register é preciso criar uma conta no endereço do serviço. É preciso ainda adquirir o leitor de cartões da Amazon por US$ 10, e fazer o download gratuito do aplicativo diretamente da Amazon app store, da Apple app store ou do Google Play. O aplicativo funciona com a maioria dos smartphones e tablets, inclusive o Kindle Fire.

GUERRA DE PREÇOS

Para concorrer com os rivais do setor de pagamento móvel, a Amazon recorrerá à sua estratégia característica: o preço. Para clientes que se inscreverem para o receber o serviço até 31 de outubro, a Amazon vai cobrar como taxa 1,75% de cada pagamento processado, ou cada “swipe” do cartão. Trata-se de uma taxa especial que vai durar até 1º de janeiro de 2016. Para pessoas que se inscreverem após 31 de outubro, a Amazon cobrará uma taxa de 2,5% por cada pagamento processado.

Os primeiros US$ 10 em taxas cobradas serão devolvidos ao cliente, essencialmente apagando o custo do leitor de cartões.

Esses valores estão bem abaixo das taxas da concorrência. A Square cobra 2,75% por cada transação; e a PayPal Here, 2,7%. As taxas cobradas pela GoPayment começam a 1,75%, se os usuários tiverem um plano mensal de US$ 19,95; ou 2,4%, se não tiverem um plano mensal.

— Alguns empresários disseram que a única coisa que os fariam mudar de sistema seria a economia de custos — disse Matt Swann, vice-presidente de Comércio Local da Amazon.

Publicado originalmente em O Globo | 13/08/2014, às 22:39