Google lança ferramenta de ensino para alunos e professores


Reunindo recursos do Google Drive, Hangout e outros serviços, Google Classroom torna ferramentas online mais interessantes para quem está na escola

Google Classroom: "o professor pode fazer perguntas e receber as respostas em tempo real"

Google Classroom: “o professor pode fazer perguntas e receber as respostas em tempo real”

São Paulo | O Google lança hoje no mundo inteiro o Google Classroom, novo produto da empresa voltado para alunos e professores.

Basicamente, o que a ferramenta faz é organizar recursos do Google Drive, Hangout e outros serviços do Google de forma a torná-los mais interessantes para quem está na escola.

Assim, o professor que tiver acesso ao Classroom vai poder, por exemplo, encaminhar um exercício por meio do Google Drive a seus alunos e receber as respostas de forma organizada em seu e-mail.

No Classroom, o professor pode fazer perguntas e receber as respostas em tempo real, como num chat“, afirmou, em entrevista a EXAME.com, Milton Burgese, diretor de Educação do Google no Brasil.

O Google Classroom surge dentro da Google Apps for Education, iniciativa da empresa que reúne soluções de colaboração em nuvem desenvolvidas para uso em ambiente escolar.

Para ter acesso ao Classroom, o aluno ou professor deve estar vinculado a uma instituição de ensino com conta nesse serviço do Google.
Segundo Burgese, escolas públicas ou sem fins lucrativos precisam se inscrever, mas não pagam para usar o serviço. “No caso de escolas particulares, é cobrada uma taxa relativa ao uso por professores e funcionários“, explica ele.

Já os professores particulares interessados em usar o Classroom precisam comprovar que têm vínculo com alguma instituição de ensino para poderem usar a ferramenta.

Cartilha

Até o fim do mês, o Google deve lançar a versão em português de uma cartilha que ensina os professores a explorar o potencial do Classroom.

Mais de 100 mil educadores de 47 países já se inscreveram para usar o produto. “Em visitas a escolas, tenho ouvido muitas perguntas em relação ao Classroom. Acho que os professores estavam esperando algo assim”, afirmou Burgese.

Por Tiago Lubambo | Publicado originalmente em Exame | 12/08/2014

Amazon conclama leitores a lutarem ao lado dela, contra editoras e escritores


Por Julio Silveira | Publicado originalmente em PublishNews | 12/08/2014

Amazon conclama leitores a lutarem ao lado dela, contra editoras e escritores. 

Neste fim de semana a Amazon deixou um “pedido importante” na caixa de e-mail de cada um de seus milhões de clientes, em nome dos “Leitores unidos”. O manifesto rogava a seus usuários que escrevessem desaforos ao megagrupo editorial Hachette, a quem acusava de “formação de quadrilha” [collusion] para manter os preços de e-books em um nível desnecessariamente alto, “prejudicando” o leitor, e toda a cadeia do livro. Era ainda um contra-ataque ao bombardeio dos “Autores unidos” que a acusavam de tomar os livros como reféns na pendenga comercial e incitavam a uma blitzkrieg de e-mails para jeff@amazon.com.

Na disputa entre editoras, livrarias, escritores e leitores, a guerra é de palavras. E parece que a arma da Amazon deu chabu. Ela foi escolher logo George Orwell, o humanista radical autor de 1984 como antiporta-voz. Comentando sobre o “elitismo” das editoras e comparando a revolução dos e-books à imensa popularização dos paperbacks [livros de bolso ou brochuras], a Amazon [mal]citou Orwell: “se os editores tivessem noção, se juntariam para acabar com [os paperbacks].” Para o eventual cliente Kindle que não saiba ler, a Amazon explicitou: “isso mesmo, ele estava sugerindo o conluio”.

Vivemos em uma época de informação na ponta dos dedos, e este é justamente o negócio da Amazon. Como explicar então que ela não fez uma simples busca, ou, pior, não suspeitou que seus leitores iriam googlar a frase de Orwell. Quem o fez descobriu que o texto original é, na verdade, um elogio [ainda que cauteloso] aos paperbacks e aos livros baratos. Lá está a frase pinçada pela Amazon, um primor do understatement, querendo dizer o contrário do que está escrito. A frase inteira é “Os [paperback da] Penguin têm um valor [hoje diríamos “custo/benefício”] esplêndido, tão esplêndido que, se os outros editores tivessem noção, se juntariam para acabar com [eles]”.

Ainda que Orwell celebrasse os livros baratos, seu ensaio trazia argumentos diametralmente opostos ao do manifesto da Amazon. Comparem-se:

AMAZON: “Muitos dentro da caixa do setor editorial pensam pequeno. Acham que livros só concorrem com livros. Na verdade, livros concorrem com jogos de celular, televisão, cinema, Facebook, blogs, sites gratuitos de notícias e mais. Se quisermos uma cultura literária saudável, temos que trabalhar duro para garantir que livros sejam competitivos em relação aos outros meios, e uma parte desse trabalho duro é fazer com que os livros sejam menos dispendiosos”. Em seguida, a Amazon demonstra que uma redução de 33% do preço de capa aumentaria os royalties dos autores em 16% e o público, em 74%.

ORWELL: “É, evidentemente, um grave erro imaginar que livros baratos são bons para o comércio livreiro. Ocorre justamente o contrário. Quanto mais barato os livros se tornarem, menos se gastará em livros.” Ele predisse que quem comprava dois livros caros por mês passaria a comprar dois livros baratos e usar o troco para ir ao cinema. “Esta é uma vantagem, do ponto de vista do leitor, e não prejudica muito o mercado do livro em si, mas, para o editor, o diagramador, o escritor e o livreiro é uma catástrofe”.

Discussões sobre o impacto dos preços baixos à parte, a escolha de Orwell foi espetacularmente desastrosa para a Amazon porque fez lembrar, a muita gente, o primeiro episódio de “não-é-bem-assim” em meio à euforia libertária da leitura digital. Em 2009, a Amazon deletou, no Kindle de alguns clientes, dois livros de George Orwell que teriam sido vendidos “indevidamente”,  1984 e Revolução dos bichos [Animal farm]. É difícil imaginar dois títulos mais assustadoramente adequados para tratar de controle [externo] da leitura.

Em 1984, as pessoas são subordinadas a um partido de pensamento único, que mantém um departamento para descartar os livros e histórias que não servem a seus propósitos, “exércitos de arquivistas cujo trabalho era simplesmente fazer listas de livros e periódicos a serem” jogados no incinerador conhecido como “buraco da memória”. Já Animal farm conta a história de uma experiência radical de libertação. Os animais assumem a fazenda, têm livre acesso à informação e ao bem comum, e declaram-se iguais uns aos outros. Até que uma nova elite começa a comandar e assume privilégios, porque “são mais iguais que os outros”.

Até aqui a internet e o digital nos deixaram mais próximos da utópica aldeia global de McLuhan [a democratização radical do modo de expressão] do que da distopia orwelliana de informação controlada. Porém, para que ninguém torne-se “mais igual” e que não haja sombra de “monopólio da palavra”, precisamos achar o equilíbrio entre a Amazon — que faz o papel de “caos criador”, catalizando as rupturas trazidas pelo digital e estimulando editoras, leitores e editores à inovarem e se adaptarem — e o “investimento em talento” e a liberdade de escolha proclamados pela Hachette. Um cessar-fogo na guerra das palavras, para que o tempo mostre quem [ou o que] vai prevalecer, e o que vai acontecer com o livro… se ele continuar existindo.

Afinal, nem mesmo o visionário Orwell arriscou prever as consequências do barateamento dos livros [paperbacks ou e-books]. “Na posição de leitor, eu aplaudo. […] Na condição de escritor, eu abomino […] Seria uma coisa boa para a literatura, mas seria uma coisa má para o comércio livreiro. E, quando você tem que escolher entre arte e dinheiro, bem… termine a frase você mesmo”.

Tomara que a gente possa…

Por Julio Silveira | Publicado originalmente em PublishNews | 12/08/2014

Julio Silveira é editor, formado em Administração, com extensão em Economia da Cultura. Foi cofundador da Casa da Palavra em 1996, gerente editorial da Agir/Nova Fronteira e publisher da Thomas Nelson. Desde julho de 2011, vem se dedicando à Ímã Editorial, explorando novos modelos de publicação propiciados pelo digital. Tem textos publicados em, entre outros, 10 livros que abalaram meu mundo e Paixão pelos livros[Casa da Palavra], O futuro do livro [Olhares, 2007] e LivroLivre [Ímã]. Coordena o fórum Autor 2.0, onde escritores e editores investigam as oportunidades e os riscos da publicação pós-digital.

A coluna LivroLivre aborda o impacto das novas tecnologias na indústria editorial e as novas formas de relacionamento entre seus componentes — autores, agentes, editores, livrarias e leitores. Ela é publicada quinzenalmente às quintas-feiras.

5º Congresso Internacional CBL do Livro Digital traz o tema Conteúdo em Convergência


Com o tema Conteúdo em Convergência, o 5º Congresso Internacional CBL do Livro Digital, acontece dias 21 e 22 de agosto, no Auditório Elis Regina, antecedendo a 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo [22 a 31 de agosto]. Este ano, o evento coloca em pauta a convergência dos meios de comunicação que influencia diretamente o setor literário, do livro físico ao e-book.

Entre os principais destaques do evento, estão confirmados nomes como o de Jason Merkoski, o primeiro evangelista de tecnologia da Amazon, que na palestra de abertura, falará sobre seu livro Burning the page – a revolução dos livros digitais e o conteúdo em convergência. Oren Teicher, presidente da American Booksellers Association [ABA], participará de um painel sobre modelo de negócios para livrarias independentes no universo digital, com Jean-Marie Ozanne, diretor da Livraria Folies D´Encre, França, tendo como moderador o livreiro e editor José Luiz Tahan, da Realejo Livros.

Jose Borghino, diretor de política da International Publishers Association [IPA] e Stephen King, presidente do grupo Daisy de Londres colocarão em pauta o ePUB3, a nova versão de publicações digitais que traz mais recursos para o e-book – na mesa “ePub 3 e a revolução no mercado”. Como mediador, Pedro Milliet da Fundação Dorina Nowill.

Convergência entre mídias digitais e físicas nas bibliotecas será abordado por Olaf Eigenbrodt, diretor da Biblioteca Universitária de Hamburgo, na Alemanha, Julia Bergmann, consultora e especialista em bibliotecas digitais, também da Alemanha, tendo como moderador Pedro Luis Puntoni, professor da Universidade de São Paulo e coordenador do Núcleo de Cultura Digital do Cebrap.

Para falar sobre novos modelos de negócios no universo do livro digital da Espanha, José Luiz Verdes, CEO da Manuscritics, Carme Fenoll, responsável pelo Serviço de Bibliotecas da Calaluña e Rosa Sala Rose, CEO da Digital Tangible. O moderador deste painel será Danilo Venticinque, editor de cultura da Revista Época.

Prêmios para Trabalhos Científicos

Com o objetivo de promover e premiar trabalhos conceituais, o Congresso seguiu a tradição de avaliar trabalhos científicos e acadêmicos relativos ao livro digital. Este ano, as inscrições vieram de várias cidades do país, como Belo Horizonte, Brasília, Florianópolis, São Paulo, entre outras. Foram selecionados cinco trabalhos, que serão apresentados dia 21 de agosto, na Sala Jacarandá Paulista, Hotel Holiday Inn, das 14h às 18h. Serão premiados três vencedores que, além de valor em dinheiro, poderão receber, dependendo do tema do trabalho, avaliação em fast track para publicação na REGE – Revista de Gestão da USP. O 1º colocado apresentará seu trabalho dia 22/8, às 16h30, na plenária do Congresso.

Cases de sucesso

Empresas e profissionais do mercado do livro digital apresentarão seus cases de sucesso, dentro de temas que envolvem o livro digital: bibliotecas, perfil do novo profissional, como emprestar e-books, acessibilidade da leitura, educação no mundo digital.

Conheça abaixo a programação completa do evento.

21 de agosto, 5ª feira

9h – Abertura Oficial

9h30 – Palestra: “Burning the page” A revolução dos livros digitais e o conteúdo em convergência – Jason Merkoski – autor do Livro “Burning the Page”, gerente de desenvolvimento e de produto, foi o primeiro evangelista de tecnologia da Amazon – Estados Unidos.

11h – Painel: Em busca de um modelo de negócios para as livrarias independentes no universo digital – Oren Teicher – Presidente da ABA [American Booksellers Association] – Estados Unidos e Jean Marie Ozanne, diretor da Livraria Folies D’encre – França. Moderador: José Luiz Tahan – Livreiro e editor – Realejo Livros.

12h30 – Palestra: O BNDES e o novo Procult: incentivo à inovação no setor editorial – Luciane Gorgulho – chefe do departamento de Economia da Cultura do BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Social] – Brasil.

14h às 18h – apresentação dos Trabalhos Científicos – local: Sala Jacarandá Paulista – mezanino do Hotel Holiday Inn.

14h30 – Painel: ePub3 e a revolução da acessibilidade no mercado – José Borghino,- diretor de política da IPA [International Publishers Association] e Stephen King, Presidente do grupo DAISY – Inglaterra. Moderador: Pedro Milliet – Fundação Dorina Nowill – Brasil.

16h30 – Painel: Convergência entre mídias digitais e físicas nas bibliotecas – Olaf Eigenbrodt, diretor da Biblioteca Estadual e Universitária de Hamburgo, Alemanha e Julia Bergman, consultora e especialista em bibliotecas digitais, também da Alemanha. Moderador: Prof. Pedro Luis Puntoni, professor da Universidade de São Paulo e coordenador do Núcleo de Cultura Digital do Cebrap.

22 de agosto, 6ª feira

14h – Palestra: O Livro Digital na Educação e Cultura

15h – Palestra: O livro digital e suas consequências jurídicas – Dr. Carlos Fernando Mathias, ex-Ministro do STJ e Dr. Manoel J. Pereira dos Santos, professor da FGV. Moderador: Gilberto Mariot

16h30 – Apresentação do Trabalho Científico vencedor – 1º colocado

17h – Painel: Compartilhando experiências sobre o universo do livro digital – José Luiz Verdes, CEO da Manuscritics, Espanha; Carme Fenoll, Bibliotecária-chefe do Serviço de Bibliotecas da Calaluña, Espanha e Rosa Sala Rose, CEO da Digital Tangible, também da Espanha. Moderador: Danilo Venticinque [Revista Época]

18h –Considerações finais e encerramento

* Programação sujeita a alterações

Serviço

5º Congresso Internacional CBL do Livro Digital
21 e 22 de agosto de 2014
Auditório Elis Regina
Av. Olavo Fontoura, 1209 – ao lado do Pavilhão do Parque Anhembi
São Paulo
Informações: digital@cbl.org.br / 55 11 3069 1300

Apresentação dos Trabalhos Científicos
21 de agosto, das 14h às 17h
Local: Hotel Holiday Inn – Sala Jacarandá Paulista
Professor Milton Rodrigues, 100

Apresentação dos Cases
24, 26, 27 e 28 de agosto, das 16h30 às 20h30
Local: Auditório da Escola do Livro / 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo

Inscrições abertas
As inscrições podem ser feitas no site oficial do evento: http://www.congressodolivrodigital.com.br

CBL Panorama Editorial – 12 de agosto de 2014

Projeto levará acervo digital a bibliotecas públicas do país


Um projeto de implantação de acervo digital nas bibliotecas públicas brasileiras será apresentado nesta quarta-feira [13] em Brasília.

O programa foi desenvolvido pelo Observatório do Livro e da Leitura [centro de estudos e pesquisas sobre a questão do livro e da leitura no país], em parceria com a Árvore de Livros [biblioteca digital voltada para atender a educação básica das redes de ensino pública e privada].

Em Brasília, será assinado um acordo de cooperação técnica entre o Observatório e a Associação Brasileira de Municípios, com apoio, nos Estados, dos Sistemas Estaduais de Biblioteca Pública.

As bibliotecas públicas dos 5.570 municípios brasileiros poderão aderir ao programa na própria quarta. Terão acesso gratuito ao acervo, à plataforma de empréstimo e ao serviço de manutenção do sistema.

Num primeiro momento, estarão disponíveis cerca de mil e-books de autores clássicos brasileiros em domínio público. O acesso aos livros será por computadores, tablets, e-readers e smartphones. O projeto não inclui o empréstimo dos equipamentos.

Para evitar a pirataria, o leitor não poderá baixar o livro. O serviço será via streaming [transmissão pela internet], o mesmo utilizado pela empresa Netflix para empréstimo de filmes e séries.

É fundamental preparar nossa bibliotecas para este contexto tecnológico atual“, afirma Galeno Amorim, diretor do Observatório do Livro e da Leitura e ex-presidente presidente da Fundação Biblioteca Nacional.

É uma forma de conseguirmos recuperar o leitor que vinha se distanciando da leitura. O empréstimo poderá ser feito pelo site das bibliotecas, em qualquer hora, em qualquer dia. Também representa uma solução para o problema de ter um espaço físico para alojar os livros.

Amorim destaca ainda os ganhos na difusão da leitura —um mesmo livro poderá ser lido por um número infinito de leitores ao mesmo tempo.

Publicado originalmente em FOLHA DE S. PAULO | 12/08/2014 13h54