E temos companhia no mercado de eBooks


Por Camila Cabete | Texto publicado originalmente em PublishNews | 11/08/2014

Sim, temos e-books! E foi com esta alegria que recebi a notícia há alguns meses do lançamento de um e-reader da Livraria Saraiva. Todos sabem bem que sou partidária e tenho a opinião totalmente comprometida com a Kobo, mas vejo com bons olhos o surgimento de mais um concorrente. Isso significa que o que venho investindo e dizendo desde 2009 se concretiza: o e-book veio para ficar. E faz bem ao ego…vamos ser sinceros, minha gente.

O e-reader é um grande aliado das livrarias, principalmente para heavy readers, ou melhor, os leitores assíduos. A compra via e-reader é fácil, acessível.

Chamo de heavy readers os que leem mais de um/três livro/s por mês, ou seja, bem o público da Kobo. Não sei como se comportarão os da Saraiva, posto que o posicionamento é recente, levarão um tempo até ter métricas para comparar e pensar nas ações promocionais, merchandising etc.

Minha amiga Cindy Leopoldo me perguntou outro dia no hangout “você alguma vez pensou que o e-book não fosse vingar?” respondi sem necessidade de refletir que nunca pensei isso. E repetindo as palavras de um editor amigo: “e-book não é fundamental, mas é indispensável”.

O pior agora no mercado de e-books é ver gente que ainda não acredita, não investe, não entra no mercado. Livrarias que não se posicionam, não possuem plano B, não se digitalizam. As editoras ainda enfrentam problemas operacionais, ainda se perdem com conteúdo que mandam para uma loja e não mandam para outra, metadados desatualizados com preços diferentes nas lojas. Editoras ainda enfrentam um caminho relativamente longo para a organização e rotinas se consolidarem de vez. Isso impede que elas possuam métricas confiáveis também, afinal como elas podem dizer com certeza sobre o market share de cada loja, se o conteúdo que possui em cada uma é diferente, assim como seus preços de capa?

De resto estamos bem, em crescimento apesar da Copa, apesar das eleições, apesar dos impostos.

Sobre a questão de negociação com editoras, chantagem em relação a estoque do livro impresso… Digo com a cara lavada e consciência levíssima que eu não faço parte disso. Trabalho exclusivamente com e-book, e as físicas que se entendam. Agora só deixaria um alerta aqui: tanto se fala de Amazon, de suas políticas opressoras etc. Devemos vigiar para que este erro aqui não se repita, numa tentativa estúpida de se proteger, mas na verdade se transformando no retrato do “inimigo”.

Só queria passar por aqui rapidamente, para dizer que está tudo bem e que estamos felizes com a chegada de novos companheiros de mercado.

Por Camila Cabete | Texto publicado originalmente em PublishNews | 11/08/2014

Camila CabeteCamila Cabete [@camilacabete] tem formação clássica em História e foi responsável pelo setor editorial de uma editora técnica, a Ciência Moderna, por alguns anos. Entrou de cabeça no mundo digital ao se tornar responsável pelos setores editorial e comercial da primeira livraria digital do Brasil, a Gato Sabido, além de ser a responsável pelo pós-venda e suporte às editoras e livrarias da Xeriph, a primeira distribuidora de conteúdo digital do Brasil. Foi uma das fundadoras da Caki Books (@CakiBooks), editora cross-mídia que publica livros em todos os formatos possíveis e imagináveis. Hoje é a Brazil Senior Publisher Relations Manager da Kobo Inc. e possui uma start-up: a Zo Editorial (@ZoEditorial), que se especializa em consultoria para autores e editoras, sempre com foco no digital. Camila vive em um paraíso chamado Camboinhas, com sua gata preta chamada Lilica.

A coluna Ensaios digitais é um diário de bordo de quem vive 100% do digital no mercado editorial brasileiro. Quinzenalmente, às quintas-feiras, serão publicadas novidades, explicações e informações sobre o dia-a-dia do digital, críticas, novos negócios e produtos.