Casa da Palavra promoveu concurso em que desafio era resumir livro em 140 caracteres


Tuíte de gaúcho convence editora a publicá-lo

Num cenário retrofuturista, os heróis da literatura brasileira do século 19 investigam os crimes do ousado assassino serial Antoine Louison.

Foi assim, em exatos 139 caracteres, que o escritor Enéias Tavares passou pela primeira etapa de um concurso de ficção científica promovido pela editora Casa da Palavra.

O desafio era resumir a trama de um romance num formato de Twitter, cujas mensagens são de no máximo 140 caracteres. Enéias acabaria vencendo mais de 1.500 concorrentes com o livro “A Lição de Anatomia do Temível Dr. Louison”, um exemplar da corrente “steampunk”, surgida no final dos anos 80.

O “steampunk” é um subgênero retrofuturista da ficção científica, o oposto do cyberpunk, com um pé no século 19 e outro no amanhã.

O gaúcho Enéias Tavares, 32, é professor de literatura clássica na Universidade Federal de Santa Maria [UFSM] e especialista nos “Livros Iluminados” do britânico William Blake [1757-1827].

“A Lição de Anatomia…” mistura inúmeras referências da literatura brasileira do século 19, associando livremente as obras e personagens de Machado de Assis [1839-1908], Aluísio de Azevedo [1857-1913] e Lima Barreto [1881-1922] a serviçais-robôs e zepelins.

É um parente amalucado de Júlio Verne [1828-1905] e da série de televisão dos anos 1960 “James West”.

INFLUÊNCIAS

O Brasil já tem uma tradição no terreno da ficção científica, e Enéias Tavares conhece bem os autores brasileiros da área.

“Além de A Máquina Voadora’ [1994], de Braulio Tavares, sempre sugiro o primeiro livro de ficção científica nacional, que é O Doutor Benignus’ [1875], de Augusto Emílio Zaluar”, diz Tavares sobre suas preferências.

Dos contemporâneos, adoro a obra de Fabio Fernandez, bem como os romances de Felipe Castilho [Ouro, Fogo & Megabytes’, de 2012] e Nikelen Witter [Territórios Invisíveis’, lançado no mesmo ano].

Mas o idiossincrático roteirista de quadrinhos inglês Alan Moore [“Watchmen” e “A Liga Extraordinária”] é uma das fontes de inspiração mais palpáveis em “Lição de Anatomia”.

Alguns amigos, quando leram pela primeira vez o meu romance, disseram que era A Liga Extraordinária’ com heróis brasileiros, o que foi o melhor elogio que eu poderia ter recebido“, conta o escritor.

A Lição de Anatomia” traz uma espécie de “samba do crioulo doido” do mundo cibernético. Mas a graça está toda aí.

Faz muito tempo que a literatura brasileira contemporânea, tão comportada, não se deixa levar pela imaginação, conversando com o próprio passado.

A LIÇÃO DE ANATOMIA DO TEMÍVEL DR. LOUISON
AUTOR Enéias Tavares
EDITORA Casa da Palavra
QUANTO R$ 34,90 [320 págs.]

CADÃO VOLPATO ESPECIAL PARA A FOLHA | 30/08/2014 | CADÃO VOLPATO é autor de “Pessoas que Passam pelos Sonhos” [Cosac Naify].

Pacotes para o Digital Book World


Conferência marcada para o início do ano que vem em NY apresenta descontos especiais

A Digital Book World, conferência marcada para acontecer entre os dias 13 e 15 de janeiro, em Nova York, apresentou essa semana pacotes que barateiam a inscrição. As pessoas ou corporações que se associarem ao programa DBW Membership poderão ter descontos de 10% [para inscrições individuais] a 20% [para inscrições corporativas]. Além dos descontos, os associados ao Membership têm benefícios como acesso ilimitado aos conteúdos exclusivos da conferência, aos vídeos da edição passada, 40% de desconto em todos os webcasts ao vivo e sob demanda da Conferência e 10% de desconto em livros e cursos da Digital Book World University. Para saber mais sobre os descontos, os pacotes e a afiliação aos programas, clique aqui.

PublishNews | 29/08/2014

Acervos de bibliotecas russas estarão em smartphones e tablets


Em 2015, os acervos das maiores bibliotecas russas estarão disponíveis para smartphones e tablets e poderão ser acessados gratuitamente. Para isso, será necessário apenas se registrar em um aplicativo móvel especial para plataformas iOS e Android.

O Ministério da Cultura russo planeja liberar o acesso a mais de 6 milhões de arquivos dos acervos da Biblioteca Eletrônica Nacional [NEB, na sigla em russo]. A Biblioteca Estatal da Rússia, a Biblioteca Nacional da Rússia, a Biblioteca Presidencial B. N. Ieltsin e a Biblioteca Pública Técnico-Científica Estatal da Rússia também participam do projeto da NEB.

Os usuários poderão não apenas ler, mas também salvar textos e imagens para visualização on-line gratuita. Em primeiro lugar, estarão disponíveis as obras dos clássicos russos, documentos históricos e teses. Atualmente, muitos livros de arquivos e documentos dos tempos do Império Russo estão sendo vendidos em sites piratas.

O custo do desenvolvimento do aplicativo móvel será de pouco mais de 4 milhões de rublos [cerca de R$ 240 mil].

Gazeta Russa | 29/08/2014

Editoras usam blogueiros para divulgar livros


De olho nos “sagamaníacos”, as editoras têm mirado em blogueiros que se tornaram referência para o público jovem.

Quando um blogueiro muito popular comenta ou resenha um livro, aguça a curiosidade dos leitores, divulga o título e aumenta a chance de que ele seja vendido“, afirma Alessandra Ruiz, “publisher” da editora Gutenberg.

Camila da Silva, 18, recebe gratuitamente dez livros por mês, graças a parcerias com editoras.

Nos livros, eu encontrei mundos que são mais meus do que o próprio mundo. Eles me fizeram quem eu sou hoje“, diz.

Seu blog, o “Desejo Adolescente” [www.desejoadolescente.com], recebe cerca de 120 mil visualizações mensais. Em julho último, a jovem ganhou o Teen Web Awards, premiação para as meninas com menos de 21 anos mais influentes da internet.

Camila, que é de Ferraz de Vasconcelos [Grande São Paulo], conta com cinco colaboradoras para atualizar o blog, que aborda temas como literatura, comportamento, música, decoração e culinária.

Bruna Vieira, 20, também possui colaboradores no depoisdosquinze.com, blog que recebe cerca de 60 mil acessos diários e em que comenta moda, viagens e um de seus grandes interesses, a literatura.

Ela se mudou de Leopoldina [MG] para a capital paulista aos 17 anos, depois que se tornou uma “celebridade teen” –além de blogueira, ela publicou quatro livros. “A maioria do meu público tem entre 15 e 20 anos. [Esse tipo de livro] é um primeiro passo para o jovem criar amor pela literatura.

DA EDITORIA DE TREINAMENTO | 29/08/2014, às 02h41 | Publicado originalmente em Folha de S. Paulo | Caderno Ilustrada

Kobo para ler na banheira


Primeiro e-reader a prova d´água será lançado em outubro

A partir de outubro, quem curte ler enquanto toma banho – de banheira ou de piscina – vai ter um aliado poderoso. É que a Kobo prepara o lançamento do Kobo Aura H2O, o primeiro e-reader a prova d´água do mundo. O Kobo Aura H2O é resistente a até 1 metro de água, ou seja, não vá pensando que você poderá ler seu livro preferido durante um mergulho subaquático, mas, vai bem em uma banheira, na praia ou à beira da piscina. Na Inglaterra, o device vai custar £139.99 (cerca de R$ 530). Ao The Bookseller, Michael Tamblyn, presidente da Kobo, disse: “Quando perguntamos aos nossos consumidores o que os impedia de ler mais e-books, muitos nos disseram que gostariam de ler no banho, na piscina ou na praia. Quando nos aprofundamos na pesquisa, notamos que 60% dos nossos consumidores gostariam de ler perto de água sem preocupações. Projetamos o Aura H2O para que a leitura no banho ou na praia seja tão comum quanto no ônibus ou na cama”. Ah! E antes que deem ideia, os funcionários da Kobo, no Canadá, já fizeram o desafio do balde segurando um Kobo Aura H2O. Assim que o vídeo for publicado, o PublishNews promete divulgar por aqui. Ainda não há previsão de chegada do Kobo Aura H2O no Brasil.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 27/08/2014

Nova universidade nos EUA inaugura biblioteca sem livros em papel


Universidade Politécnica da Flórida teve sua primeira aula nesta segunda.A nova biblioteca tem 135 mil livros, todos em formato digital.

Prédio principal da Universidade Politécnica da Flórida, em foto sem data; a nova biblioteca foi inaugurada sem livros em papel [Foto: Reuters/Divulgação/Universidade Politécnica da Flórica]

Prédio principal da Universidade Politécnica da Flórida, em foto sem data; a nova biblioteca foi inaugurada sem livros em papel [Foto: Reuters/Divulgação/Universidade Politécnica da Flórica]

A Universidade Politécnica da Flórida, nos Estados Unidos, foi inaugurada na semana passada na cidade de Lakeland prometendo abordagens inovadoras no ensino e na pesquisa em ciência, tecnologia, engenharia e matemática. Uma dessas inovações é a biblioteca, que foi aberta neste mês com um acervo de 135 mil livros, mas nenhum deles impressos no papel. Todos estão em formato digital. A primeira aula da história da universidade aconteceu nesta segunda-feira [25].

É uma decisão corajosa avançar sem livros“, disse à agência de notícias Reuters Kathryn Miller, a diretoria de bibliotecas da nova instituição. A ideia por trás dessa decisão é refletir a priorização pela alta tecnologia que permeia toda a missão da “Florida Poly”, como a universidade é chamada nos Estados Unidos.

Os 135 mil e-books podem ser acessados pelos estudantes pelo tablet ou notebook pessoais. O local, assim como o resto do campus, é equipado com internet sem fio. Além dos títulos já disponíveis, a instituição tem um orçamento de US$ 60 mil [cerca de R$ 140 mil] para comprar livros digitais por meio de softwares, para que os alunos possam lê-los uma vez gratuitamente. Com o segundo clique, a universidade compra o e-book. “Em vez de o bibliotecário colocar livros que eu acharia relevantes na estante, os estudantes é que estão escolhendo“, disse Kathryn.

Nova função para bibliotecários

Já que não têm mais a função de carregar e guardar os livros físicos, os bibliotecários contratados pela universidade têm como principal tarefa orientar os leitores a aprender a gerenciar os materiais digitais.

A nova biblioteca, porém, não é 100% sem papel, segundo a Reuters. Alunos podem levar livros para estudar no local e emprestar livros em papel das outras 11 universidades estaduais da Flórida.

A Politécnica é a 12ª universidade mantida pelo governo do estado da Flórida e o prédio principal do campus foi desenhado pelo arquiteto espanhol Santiago Calatrava.

A construção levou 28 meses e, além da biblioteca digital, há um supercomputador e laboratórios de pesquisa para estudantes e professores.

Prédio principal da Universidade Politécnica da Flórida foi desenhado pelo arquiteto espanhol Santiago Calatrava [Foto: Reuters/Divulgação/Universidade Politécnica da Flórida]

Prédio principal da Universidade Politécnica da Flórida foi desenhado pelo arquiteto espanhol Santiago Calatrava [Foto: Reuters/Divulgação/Universidade Politécnica da Flórida]

Do G1, em São Paulo | 26/08/2014, às 00h00

ABM firma parceria com Observatório do Livro e da Leitura para bibliotecas digitais


A Associação Brasileira de Municípios [ABM] efetivou no mês de agosto uma parceria com o Observatório do Livro e da Leitura, da Fundação Palavra Mágica e a Árvore S/A, que permitirá que as Prefeituras deem um salto importante quanto ao uso das novas e modernas tecnologias de educação na sua cidade.

Graças a esse acordo, as gestões municipais poderão ter quantas bibliotecas digitais forem necessárias para passar a emprestar livros digitais para os usuários de bibliotecas do seu município. E tudo isso sem qualquer custo para a prefeitura.

Os munícipes poderão acessar e ler os eBooks no computador, tablet ou smartphone de onde estiverem, a qualquer dia ou hora. O acervo básico e gratuito possui 1.000 eBooks que estão em domínio público. A ampliação do acervo poderá ser feita diretamente pela prefeitura. “A educação é fundamental para o desenvolvimento do país e das cidades. Viabilizar o acesso da população e livros é fundamental para proporcionar avanços nessa área e com essa parceria a ABM está democratizando essa prática”, avalia o presidente da ABM, Eduardo Tadeu Pereira.

De acordo com Galeno Amorim, responsável pela iniciativa, “investimentos em tecnologia costumam ser altos e, mesmo assim, em pouco tempo ficam defasados. Esse tipo de parceria faz com que os parceiros tecnológicos assumam os custos de manutenção e desenvolvimento”, explica.

A biblioteca digital de cada cidade já está criada. Só é necessário que o responsável pela biblioteca na Educação ou na Cultura entre em contato com o Programa de Implantação de Bibliotecas Digitais, pelo e-mail bibliotecas@arvoredelivros.com.br e peça seu login e senha para aprovar e já começar a usar.

POR IMPRENSA ABM | 25 DE AGOSTO DE 2014

eBook de escritor brasileiro vem despertando curiosidade na Internet


A Cabala na Última Ceia de Leonardo da Vinci

Com mais de 6.000 downloads gratuitos, o livro Ordem dos Fantasmas do gaúcho Eucajus Eugênio, trás uma leitura inédita para Última Ceia de Leonardo da Vinci. O autor sugere que a posição e a expressão dos personagens na pintura simbolizam os fundamentos da Cabala, e também afirma que a misteriosa identidade de Mona Lisa, trata-se de Giacomo di Capriotti-Salai, o jovem discípulo que Da Vinci amava e protegia.

A narrativa agrupa eventos apontando que Leonardo da Vinci não teria composto a Última Ceia segundo Evangelho de João, 13:21. E sim, segundo o Evangelho de Mateus 13:11. “A vos tem sido dado o segredo sagrado, mas para os que são de fora, os segredos ocorrem em ilustrações, a fim de que olhando olhem, mas não compreendam”.

Mateus 13:11 = 13 personagens na pintura e 11 esferas da Arvore da Vida da Cabala.

A associação da pintura ao principal símbolo da Cabala é realizada didaticamente com auxílio de imagens ilustrativas, proporcionando entendimento e significado na exposição de cada personagem com as Esferas da Arvore da Vida.

Em relação à Mona Lisa, o autor afiança que Leonardo da Vinci amava a pessoa retratada. Era tanto amor que Da Vinci fez questão de registrá-lo na pintura, a letra inicial da alcunha do seu amado e um belo coração estão lá, tão nítidos, que ficamos surpresos que estivessem ali todo tempo.

Entretanto, a interpretação das obras de Leonardo da Vinci, simboliza uma leitura cognitiva e inquisitiva que a narrativa nos convida a fazer nas entrelinhas da mídia, nas interações sociais e na própria literatura. Entre conceitos filosóficos e herméticos encontramos parábolas, figuras dialógicas e recursos gráficos formatando essa rede simbólica, onde 28 filmes e 120 livros são citados. Ordem dos Fantasmas é um livro que propõe leituras e traz na sua essência a frase de Schopenhauer: “A tarefa não é tanto ver o que ninguém viu ainda, mas pensar o que ninguém pensou sobre algo que todos vêem”.

Serviço | Download Gratuito do livro Ordem dos Fantasmas em ordemdosfantasmas.blogspot.com

Luquinhas e os Livros Mágicos


E se magicamente fosse possível ler histórias pelo lado de dentro? Essa foi uma fantástica possibilidade descoberta por Luquinhas – um típico garoto moderno, que curte tudo relacionado a tecnologia. Porém um dia, quando um imprevisto tirou dele o acesso à internet e aos aparelhos eletrônicos, sem ter com o que passar o tempo, Luquinhas teve que encarar uma das atividades que ele considerava mais chatas e sem graça: ler um livro. Assim, o livro digital interativo Luquinhas e os Livros Mágicos conta a história desse carismático garoto, que descobre um mundo de possibilidades ao reler as histórias clássicas do universo infantil.

Bibliotecas digitais e impressas vão coexistir por muito tempo, diz especialista


As bibliotecas impressas e digitais vão coexistir, “pelo menos”, durante os próximos 20 anos, disse nesta quinta-feira [20] à Agência Brasil a diretora do Sistema de Bibliotecas da Fundação Getulio Vargas [FGV], Marieta de Moraes Ferreira. Ela participou do primeiro dia de debates da conferência internacional Os Desafios das Bibliotecas Digitais: Conhecimento, Tecnologia e o Crescimento da Informação Virtual nas Universidades, promovido pela instituição, em sua sede em Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro. O evento reúne profissionais brasileiros e de instituições internacionais de ensino.

“O mundo dos livros está mudando muito e sempre surge aquela ideia de se criar uma biblioteca digital e diminuir o número de livros físicos”, comentou Marieta. Essa proposição, entretanto, cria uma série de debates, incertezas e desafios para o futuro. Segundo ela, isso ocorre porque uma coisa são os periódicos digitais, que são bem aceitos de modo geral e para os quais que se verifica um aumento cada vez maior de consultas por parte de pesquisadores, professores e alunos. A questão muda, entretanto, quando se trata dos livros impressos.

Brasília – Estudo divulgado pelo Ministério da Cultura mostra que 79% dos municípios brasileiros têm bibliotecas

Participantes de encontro internacional discutem a convivência dos livros impressos com os chamados e-booksRenato Araújo/Agência Brasil

Alguns palestrantes indagaram se é possível haver uma biblioteca só digital ou essencialmente digital. “A conclusão final é a inviabilidade disso neste momento, porque os leitores ainda não estão sintonizados com isso, mesmo os jovens. A preferência pelo livro físico ainda é dominante”, explicou.

A diretora da FGV disse, ainda, que é preciso distinguir entre livros de ficção, como um romance, por exemplo, e um livro acadêmico, que é um livro de estudo que demanda mais concentração da parte do leitor. “Acho que os livros de ficção, que levam para uma atividade mais de lazer, têm mais facilidade de serem incorporados aos hábitos das pessoas na forma de livros digitais, os chamados e-books, do que os livros acadêmicos”.

Outro problema se refere à compra de livros digitais, especialmente para as bibliotecas universitárias, indicou Marieta Ferreira, porque o modelo de negócio é diferente do adotado tradicionalmente. “Quando você compra livros digitais para as bibliotecas, não compra das editoras. Compra das agregadoras, que são como distribuidoras de livros digitais”. O que ocorre, mencionou, é que essas empresas vendem pacotes fechados de livros ou de base de dados. “Às vezes, você compra 100 títulos e lhe interessam 20. Muitas vezes, não há opção de escolha”.

Além disso, a disponibilidade de grande parte dos livros vendidos pelas agregadoras não é perpétua, ou seja, a compra é feita por um prazo determinado, ao fim do qual os livros digitais deixam de ser acessáveis. “Se, no ano que vem, a biblioteca não tiver dinheiro, acabou o livro”. Devido a essas questões, a tendência, sinalizada pelos especialistas de vários países presentes à conferência, é que as bibliotecas digitais e impressas ainda coexistirão durante bastante tempo.

O Sistema de Bibliotecas da FGV reúne as bibliotecas da instituição no Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília. Em todo o Brasil, a FGV tem mais de 140 mil alunos. O sistema inclui 10.733 e-books comprados ou adquiridos por assinatura; 3.756 livros impressos que estão em domínio público e podem ser digitalizados; 280 mil e-books disponibilizados a partir do Portal Capes; e 149.471 livros impressos, dos quais 85.121 pertencem ao acervo da FGV Rio.

CBN Foz | 22/08/2014

A Saraiva evolui sob a liderança de um novo CEO focado em tecnologia


A Saraiva trouxe um novo CEO com conhecimentos tecnológicos que está integrando as operações de varejo e edição enquanto explora opções em educação e tecnologia.

Fotógrafo | Sérgio Zacchi

Fotógrafo | Sérgio Zacchi

A Saraiva é editora e a principal rede de livrarias no Brasil. Se fosse nos EUA, seria uma Barnes & Noble; se fosse no Reino Unido, uma Waterstones. A empresa opera 114 lojas, possui 60 milhões de clientes visitando suas livrarias anualmente [9 milhões dos quais são membros do Cartão Preferencial da Saraiva]. Em 2013, as vendas totais alcançaram os 2,1 bilhões de dóalres e agora eles empregam 3,5 mil pessoas. Entre as mais recentes contratações está Michel Levy, o novo CEO da empresa.

Levy veio da Microsoft e, algo pouco surpreendente, diz que a “tecnologia está no centro de todo o negócio da Saraiva. Acreditamos que estamos no negócio de produzir e distribuir conteúdo, serviço e tecnologia, em qualquer formato, para qualquer plataforma, em qualquer momento e em qualquer lugar.”

No começo deste mês, Levy liderou o lançamento da LEV, plataforma de e-books proprietária da Saraiva e leitor de e-ink – um movimento ousado para prevenir a invasão da Amazon, que lançou o Kindle no Brasil no ano passado e começou nessa semana a distribuição física de livros.

Dito isto, o movimento mais significativo da administração de Levy não tem nada a ver com tecnologia, mas com pragmatismo: ele juntou o lado editora e livraria da Saraiva, depois de anos nos quais os dois setores estavam em luta interna tão grande que dizia-se que não dava nem para encontrar um livro da Saraiva em uma livraria Saraiva. “Em abril, nós integramos os depósitos que distribuem para livrarias e a editora, e hoje você até consegue encontrar alguns livros da nossa editora em livrarias Saraiva”, ele fala piscando o olho.

A Editora como um Centro Lucrativo

O braço editorial permanece o verdadeiro centro de lucro para a empresa, que produz um conjunto amplo de títulos e é líder em livros didáticos, cursos de tecnologia, educação superior, livros de Direito e preparação para exames legais e concursos – segmento no qual possuem 40% do mercado. Com os livros didáticos, o governo brasileiro continua sendo um cliente central, representando 25% das vendas de livros para a educação inicial e 50% de suas vendas para a educação superior.

Voltando ao tema da tecnologia, Levy gosta de sublinhar que quando a Saraiva está falando sobre edição, está realmente falando sobre “criação de conteúdo”.

“Ser uma editora é uma pequena parte do que somos no sentido de conteúdo. Somos agregadores.” Desta forma, a companhia está diversificando seu braço editorial e está se movendo para novas áreas, incluindo aprendizado a distância e jogos. “É a nossa chance de aumentar nosso relacionamento com o cliente e aproveitar nosso relacionamento com instituições de educação superior e melhorá-los.”

É onde a rede online e física de lojas Saraiva se torna central para o crescimento estratégico a longo prazo. As vendas comparáveis por loja cresceram a uma taxa de 10-11% por ano e a empresa agora está se expandindo para aeroportos para aproveitar o mercado criado por uma classe média que cada vez mais está viajando mais dentro do país.

Expansão do Financiamento, Expansão da Educação

Para alimentar a expansão, a empresa conseguiu um empréstimo de R$ 628 milhões do BNDES, o maior empréstimo que a empresa já pediu em toda sua história. A expectativa é que sejam criados 700 novos empregos nos próximos anos.

Inevitavelmente, boa parte do futuro da empresa parece voltar para o setor de livros didáticos, que é um negócio em crescimento, por causa do crescimento exponencial de estudantes matriculados no ensino superior profissionalizante e particular. Chegar a estes estudantes, muitos dos quais estão nos cantos mais distantes do país, é um desafio. “Distribuição é muito cara”, nota Levy, “então o que estamos fazendo agora é dedicar representantes de vendas para servir às universidades e trabalhando para que os professores venham a nossas lojas. Agora temos nove filiais onde as universidades podem usar nossas lojas como uma base de apoio.”

Claro, elas sempre têm como fazer pedidos online como uma opção também. “Mas eu não vejo o físico como sendo independente do virtual e estamos nos movendo rápido na integração”, diz Levy.

Além disso, Levy diz que a Saraiva criou um fundo financeiro para investir em startups e novas tecnologias, que puderem ser adaptadas para fornecer novas ferramentas para o mercado didático. “Queremos ser fornecedores de serviço completo e entregar soluções para as companhias que entregam educação.”

Perguntado como um consumidor brasileiro vê a Saraiva hoje, Levy responde: “Existe a percepção de que a Saraiva é apenas uma livraria, e que existe a outra empresa que publica livros. Mas somos mais do que isso. Estamos no mercado de varejo, tanto virtual quanto físico. Somos criadores de conteúdo, preparação, distribuição de livros didáticos para ensino inicial, médio, profissional e superior. Trabalhamos com tecnologia e aprendizado adaptativo. Vendemos para indivíduos e empresas. Somos tanto o fornecedor de conteúdo quanto a plataforma. Somos um shopping center. Estamos desenvolvendo um novo O que é a Saraiva Hoje.”

O CEO do Grupo Saraiva, Michel Levy, e o Diretor Gerente da Editora Saraiva, Mauricio Fanganiello, vão participar no Business Club deste ano da Feira do Livro de Frankfurt.

Edward Nawotka | PublishNews | 22/08/2014 | Este artigo foi publicado originalmente no Publishing Perspectives.

Caro Jeff Bezos,


POR EDNEI PROCÓPIO | Publicado originalmente na Revista Biblioo | Edição 35 | Ano 4 | Nº 08 | Agosto de 2014 | Páginas 16 a 19

Revista Biblioo | Edição 35 | Ano 4 | Nº 08 | Agosto de 2014 | Páginas 16 a 19

Revista Biblioo | Edição 35 | Ano 4 | Nº 08 | Agosto de 2014 | Páginas 16 a 19

Meu nome é Ednei Procópio, sou editor especialista em livros digitais. Não é de hoje que tento acompanhar os passos da Amazon. Tanto nos países onde ela atua quanto no Brasil. Digo tento porque venho apenas observando e evitando ao máximo expressar em público minha opinião pessoal a respeito do tema Amazon. Até mesmo em meu último livro, me esforcei para manter certa imparcialidade com relação ao assunto. Embora confesse ser difícil escrever qualquer coisa sobre eBooks sem citá-la em exemplos.

É que em meu país, mesmo após um hiato de tempo desde uma Ditadura Militar, e uma consequente cultura da censura de ideias, ainda hoje enfrentamos resistências quando exercitamos nossa liberdade de expressão. Muitos canais de comunicação simplesmente fingem ser um espaço democrático de discussão para a aproximação de ideias sobre o mercado editorial. De fato, alguns atuam como formadores de “achismos”, algo como “deformadores de opinião”. Uma verdadeira “panelinha” de manipuladores.

Mas estas não são as únicas razões que me levaram a escrever diretamente ao senhor sem correr o risco de ser mal interpretado pelos párias. Outra razão que exponho para reforçar alguns argumentos meus é que do mesmo modo que o mercado editorial a meu ver erra em inúmeras interpretações, elucubrações e até especulações a respeito de sua companhia, a Amazon também erra feio no modo como conduz suas negociações com este mercado, digamos, desesperado.

“Desespero” seria o adjetivo mais assertivo para este mercado?

É claro que não se aprende apenas observando os erros dos outros. Aprende-se mais, na verdade, com os nossos próprios erros. Mas os desesperados vivem falando em nome da Amazon e temos de admitir que o mercado editorial está agora nas mãos daqueles chamados “novos players”. Embora suspeite que a Amazon não se encaixe nesta categoria, já que ela já não é tão nova assim.

A Amazon é do tempo em que nenhum pseudo-especialista da cadeia produtiva do livro acreditava que um dia a Internet poderia vender mais livros impressos que as livrarias físicas. A Amazon é do tempo em que os barões da mídia zombavam, quando aqui mesmo no Brasil, eu afirmava que o mercado estava correndo um sério risco de um dia atrair mais interesse, audiência, acesso e consumo dos livros digitais em comparação às edições impressas. Pois é, alguém visualizou esta [im]possibilidade. E aqui estamos nós.

Agora, todos têm algo a dizer a respeito do que há poucos anos eram claramente contra.

Segundo a pesquisa anual “Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro”, realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo [FIPE/USP], sob encomenda da Câmara Brasileira do Livro [CBL] e do Sindicato dos Editores de Livros [SNEL], as livrarias físicas ainda lideram os canais de vendas do mercado. Ou seja, permanecem como o principal canal de comercialização do setor editorial no Brasil. Mas poderíamos especular: até quando? Se a própria Amazon em breve pretende entregar os exemplares impressos com muito mais profissionalismo que muito lojista online local, que não tem lojas físicas?

Hoje, muitos editores reclamam porque só recebem da Amazon a ninharia de uns U$300 mensais da pela venda de seus eBooks. Mais uma vez, testemunho mercadores reclamando e desacreditando os eBooks, usando qualquer desculpa, desta vez a “mixaria” que recebem. E, observe que nem mesmo eles são capazes de investir em algo melhor que a própria Amazon já que comparam U$300 mensais à esmola, o que aqui chamamos de “dinheiro de pinga”.

Não são capazes de perceber ou não querem distinguir que a soma dos valores miseráveis que eles todos juntos julgam receber da sua pontocom, é na verdade, apenas a ponta de um iceberg que, no futuro, se uma negociação entre as partes não for realmente melhor conduzida, vai ser responsável por naufragar toda e qualquer possibilidade de ganho, até mesmo com os livros impressos.

Porque o que falta é o entendimento das partes.

Um indício desse cenário futuro é que, embora a venda de exemplares aqui no Brasil tenha crescido, segundo a pesquisa anual “Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro”, de 2013 para cá, caiu o preço médio constante do livro. Tanto quanto o eBook, as vendas online de exemplares impressos, podem ser, indiretamente, um dos prováveis responsáveis pela queda do preço médio do livro país.

Onde os senhores pensam que isso vai dar?

Caro Jeff, aquele velho legado de editores convictos já se foi. Morreu. Ou melhor, muitos ainda estão por aqui, tentando sobreviver, porém, a maioria morreu. Não no sentido espiritual, mas no sentido social e cultural mesmo. Existem ainda os que vivem da “grana”, usando um termo bem popular, de uma renda, para não usar o termo economia, gerada na maioria das vezes pelos cofres públicos. Poucos são os grandes conglomerados editoriais liderados por homens que conseguiram passar pela revolução digital, focando no mercado varejista, lograram transferir sua história e legado aos profissionais mais jovens, afinal não largam o osso, e mantiveram-se vivos frente a esse admirável mundo novo. De meu país, não posso lhe dar nenhum exemplo sem ser chamado à atenção de algum modo pelos censores de plantão — que distorcem tudo o que a gente diz.

Na última oportunidade que fiz menção a um determinado conglomerado editorial em meu blog, dizendo para tomarem cuidado com a Amazon, recebi uma ligação telefônica me censurando. Eles fingem compartilhar ideias, e convites sociais, mas na verdade são censores da pior espécie

Mas o senhor é um homem dos novos tempos, não vai me censurar por ser direto, não é? Mesmo porque o meu objetivo não é ser agressivo, e com humildade peço desculpas se assim for interpretado. O que eu realmente quero lhe dizer é que ainda há tempo do senhor voltar às origens transformando a Amazon em um fenômeno que pode fortalecer o nosso mercado e não acabar de vez com ele. O que penso realmente da Amazon é que ela, como instituição de visão, não deve deixar pairar este sentimento de que algo sem ética está sendo feito.

Parece-me que hoje, e me corrija, por gentileza, se eu estiver equivocado, players bilionários como a gigante pontocom que o senhor fundou, sempre encarou o mercado editorial como um território a ser colonizado, para ser economicamente explorado e depois descartado após o avanço de um novo estágio em seu real objetivo com novos territórios. Então eu pergunto: por qual preço a Amazon quer se tornar um gigante mundial das mídias?

Ao custo do sucateamento de uma indústria inteira?

Às vezes, players como a Amazon pareceram estar mais interessadas no tipo de consumidor que os eBooks poderiam atrair do que na exploração dos livros propriamente dito. É como se os eBooks fossem para elas uma espécie de isca para os consumidores modernos. Algo como “vamos dar a eles os eBooks de graça e vender a eles geladeiras ou televisores”.

Deste jeito, os senhores se assemelham aos espanhóis na época da busca pelo eldorado. Cuidado para não dar um tiro no próprio pé, Jeff. Imagine se a Amazon não estivesse envolvida com toda essa revolução digital, mas estivéssemos em outras épocas e ela eventualmente envolvida, por exemplo, com a revolução tipográfica ocorrida depois do aprimoramento da prensa de tipo móveis, liderada, o senhor sabe por quem. Se estivéssemos nos referindo a passagem dos livros manuscritos para a manufatura dos livros graficamente impressos, para nos servir de exemplo, e se uma Amazon da vida fosse a detentora da patente da máquina de tipos móveis, é provável que até a imprensa que tanto contribui para a distorção desta realidade não existisse.

A Amazon, se compararmos com uma postura do tipo “vamos dominar o mundo, afinal dinheiro nós temos”, iria querer ser o próprio escriba, seu próprio gráfico, seu próprio livreiro e quem sabe até seu próprio leitor. É como se a sua empresa, caro Jeff, se bastasse para manter toda uma cadeia em torno de si mesma, em seu próprio círculo de existência, sem a presença de mais nenhum outro personagem no contexto.

O mercado editorial espera mais da Amazon. Espera que a Amazon o surpreenda. Mas talvez a Amazon não possa dar ao mercado aquilo que ele gostaria, nem da forma como espera. Sem dúvida algumas iniciativas da Amazon para o mundo dos livros são louváveis: CreateSpace, The Audiobook Creation Exchange, Amazon Author Central, Kindle Unlimited, KDP Select, etc., etc. etc. Mas como é que o senhor deseja, por exemplo, que as editoras regionais sejam parceiras da Amazon, se seu conglomerado também mantém uma editora — que, em última análise, os mercadores aqui de meu país consideram um concorrente direto?

Eles não estão de todo errados. Vou tentar traduzir o que alguns deles pensam. Se a sua companhia mantém uma gráfica de Impressão Sob Demanda, o que faremos com as gráficas digitais que prestam serviços para as editoras e escritores de meu país? Se a sua companhia mantém uma livraria online, como os livreiros de nosso país sobreviverão? Se a sua companhia mantém uma rede social voltada aos livros, o que faremos com os projetos similares disponíveis em nossa rede local? Se a sua companhia mantém o serviço de uma biblioteca digital no modelo de empréstimos, o que faremos com as nossas iniciativas locais?

Enfim, a Amazon, com tantos tentáculos, quer ser a sua própria cadeia produtiva do livro? Resultando que a antiga cadeia, que também deveria ter sido compartilhada há tempo, não está gostando nada disso.

A Amazon não está se equivocando ao enveredar nesse caminho, Jeff?

Porque o final de todo Big Bang aguarda um Big Crunch. E eles farão de tudo para que Amazon seja deportada deste país. E não me refiro a questão da tecnologia do livro digital, destaque de sua pontocom que trouxe finalmente os eBooks à ordem do dia; eu me refiro ao modelo de negócios que a sua empresa está impondo para um mundo editorial que ainda está, por sua vez, se ajustando ao modelo de economia compartilhada. Ora local, ora comunitária, na maioria das vezes global.

Deve ser um modo dos americanos de pensar. Eu não sei. Porque, aqui em meu país, nosso governo está buscando alternativas de financiamento em parceria com outros países emergentes, um deles até mais rico que o país do senhor. Isto se chama compartilhar riquezas. Pois vai chegar um dia em que nós por aqui teremos que compartilhar água para o mundo. Barris de água indexarão a economia global. E se gente como o senhor fosse dono de nossas reservas, no futuro as pessoas teriam que baixar um aplicativo para ter acesso à água potável. Ou ainda mais provável, elas seriam obrigadas a comprar um Kindle H2O.

S. Eliot disse que “num país de fugitivos, aquele que anda na direção contrária parece estar fugindo”. Felizmente temos outros players na jogada. E felizmente meu país está aprendendo a duras penas com seus próprios erros. Já adquirimos bastante aprendizado quando subestimamos o potencial da Internet. Não estamos inovando, mas ao menos estamos renovando. Porque jovens empreendedores de meu país têm que todos os dias se esquivarem da doutrina dos velhos senhores feudais do mercado editorial que os atrapalham todo o tempo.

Como exercício de uma realidade paralela, pense nesta tecnologia hoje disponível para os livros como uma única e nova impressora capaz de produzir centenas de milhares de páginas por minuto. Imagine se o gênio Johannes Gutenberg fosse um empreendedor arrogante como muitos em meu país, que se assemelham aos que dirigem a Amazon, não colocasse a tecnologia de tipos móveis a disposição do mundo. A Europa, caro Jeff, não teria lindas oficinas prensando páginas para iluminar até a mente daqueles que um dia fundaram o seu país.

E hoje, ao nascer de uma nova era que influencia todas as empresas, o que os senhores pensam que estão fazendo? Saiba que os velhos senhores feudais daqui não entenderiam, mas o senhor sabe bem que esta minha carta não é uma queixa. O mercado editorial tradicional também errou. Errou de forma lastimável quando subestimou a tecnologia rudimentar que estava sendo desenvolvida pela indústria de tecnologia para os livros digitais.

O senhor se recorda quando a Amazon iniciou as vendas do eBookMan? A Franklin fabricava dicionários eletrônicos, lembra-se? Nossos párias aqui também foram um dia tão arrogantes quanto parece hoje sua organização porque naquela época não estavam nem aí para o eBookMan. Não se importavam nem para o Rocket eBook, para o SoftBook. GlassBook. Microsoft Reader. Palm Reader. Mobipocket. E, nossa, são tantos os projetos que antecederam o conceito de eBook até chegarmos ao Kindle!

Mas a Amazon não, ela estava lá, literalmente vendendo todas estas novidades, enquanto o mercado encarava o livro na era digital com desdém. O mercado editorial errou porque em vez de observar o potencial de ruptura tecnológica, mais de seu conceito, optou por observar apenas a superficialidade das diferenças ignóbeis ente o cheiro do papel e a suposta dificuldade de uso do digital pelos consumidores. Menosprezaram seu potencial e subestimaram a capacidade dos jovens leitores deslizar seus dedos por uma tela touchscreen que mais tarde ultrapassaria o papel em legibilidade, usabilidade e portabilidade.

Tem gente aqui, caro Jeff, que acha que a tecnologia touch foi inventada pela Apple. E que livro em HTML5 não passa de um site. Tem gente aqui pensando que foi a Amazon quem inventou o livro digital. Para algum deles, a Amazon é pioneira em tudo, menos em distorcer os números e a realidade deste mercado. E, por acharem que estavam acima do conhecimento compartilhado de décadas de trabalho nos laboratórios de Palo Alto, agora pagam uma conta cara por terem entregado seu maior capital, o livro, ao que consideram um de seus maiores concorrentes: a Amazon.

Agora eles apontam suas catapultas para a sua companhia

A meu ver é assim que o mercado enxerga a Amazon, caro Jeff: como uma concorrente. Um inimigo que deve ser morto. É claro que eles não admitem, mas torcem contra a Amazon. Querem crer, lá no fundo, que isto não vai dar em nada, lutam contra um inimigo oculto, mas consideram que é a Amazon que deve ser exterminada, banida. A Amazon é a ponta de um iceberg, mas o mercado editorial aponta seus binóculos para os chamados grandes players e não percebem que o futuro está nas mãos de uma massa de consumidores modernos que não só lêem os livros impressos. Que lêem os livros. Impressos, em áudio, interativos, digitais, eletrônicos, elétricos, impressos sob demanda, livro aplicativo, livro brinquedo. Enfim, eles lêem livros. E ainda hoje tem gente aqui perdendo tempo discutindo com o Governo o que é um livro.

Alguém já deve ter lhe informado que eles têm o Governo como seu maior cliente. E lá está também a Amazon se infiltrando, tal qual um agente duplo. Afinal, Jeff, de que lado a Amazon está? Porque, do ponto de vista de um mercado em decadência, a Amazon está apenas de seu próprio lado. Conversando com um amigo do mercado, ele disse que “ainda não sabe quem está do lado de quem, o mercado é uma confusão só”. Enquanto isso, a Amazon está atropelando, ela mesma, sua própria história. De tão gigante que se tornou, não consegue mais acompanhar seus próprios passos. Cresceu tanto que não consegue mais olhar para baixo e evitar pisotear naqueles que poderiam ser seus potenciais parceiros, por menores que sejam.

A Amazon erra ao pensar que o mercado todo seria atraído por sua força gravitacional de poder, equivalente a uma espécie de buraco negro. E em vez de se tornar uma opção sustentável para aquele velho e retrógrado mercado, está se tornando um fardo pesado de se carregar. Mesmo com toda sua inovação, se assemelha aqueles conglomerados antigos que queriam ser de tudo ao mesmo tempo: produtora de conteúdo, editora, gráfica, livraria, caixa, empacotador, entregador etc.

A Amazon parece querer ser a constelação de uma estrela só

O senhor vai ter uma ideia melhor do que eu estou tentando dizer quando o Alibaba Group colocar suas ações à venda para o mercado americano. Mas o senhor pode aprender um pouquinho mais com seu conterrâneo, o Sr. Henry Ford. Recomendo que leia sobre a Fordlândia que Ford tentou prosperar aqui em nosso país. Por favor, baixe em seu Kindle a versão digital do livro — que é mais barata que a versão impressa, e o senhor não precisa aguardar aquele drone levar o pacote até a porta da sua casa —, conheça a cidade fantasma que o fordismo deixou de herança aqui pra gente.

Existe uma diferença básica entre o investimento que impulsiona a inovação e a grana que compra coisas prontas, Jeff. E enquanto sua companhia perde tempo se digladiando com velhos senhores feudais do mercado editorial, ela não percebe que está impedindo o trabalho das jovens empresas editoriais que poderiam elevar a segunda potência este mercado. A Amazon não está, honestamente, ajudando em nada. Fica perdendo tempo com os velhos e não percebe que está atrapalhando os jovens empreendedores.

Não bastasse a falta de criatividade de um determinado setor que enxerga a todos como concorrentes de si mesmos, fica todo o tempo copiando as ideias uns dos outros, temos que nos esforçar para compreender os planos de uma empresa, aqui vista mais estrangeira que global, e que age como se quisesse monopolizar o ar que respiramos. Que não sabe se foca em logística usando drones, smartphones que nos dizem o que devemos comprar — como se o consumidor fosse estúpido — ou se foca em venda de serviços de espaço em cloud computing.

Que tal a Amazon nos ajudar com o saneamento básico, Jeff? Também estamos precisando de um aplicativo que ensine os autores independentes a lerem os seus próprios textos, antes destes serem publicados no KDP, sem revisão, sem copydesk, sem ISBN, sem ao menos uma capa decente.

Para finalizar, confesso que os reais objetivos da Amazon, àqueles que eu considerava saber compreender por acompanhar este tema desde 1998, não condizem com a conduta de sua empresa neste momento. Neste ponto, sou obrigado a optar por toda esta generalidade excessiva nesta minha missiva, já que me causaria constrangimentos, não perante aos amigos do mercado que também buscam fundamentos como eu, mas junto àqueles que custam a aceitar uma opinião especializada como a minha.

A Amazon de ontem não é a mesma Amazon de hoje. Temos a Amazon antes e depois do Kindle. E eu não me refiro a inovação. A Amazon depois do Kindle assemelha-se a um cão correndo atrás do próprio rabo. Parecem bastante óbvios os planos dos senhores, mas suas ações estão refletindo uma conduta de distorção no mercado.

E o que nós, das chamadas startups, estamos fazendo? Simples: escalando aquela montanha que se move, com fé em nossos próprios feitos. Temos mais interesse em observar sobre os ombros dos gigantes. Afinal o que é que big players como a Amazon não estão enxergando. Algo que empresas como IBM, Kodak e Palm também não enxergaram. E o destino delas, caro Jeff, todos conhecem muito bem.

Lá do alto deve ser bonito! Mas afinal, o que é que o senhor vê daí de cima, caro Jeff?

Cordialmente,

Ednei Procópio

POR EDNEI PROCÓPIO | Publicado originalmente na Revista Biblioo | Edição 35 | Ano 4 | Nº 08 | Agosto de 2014 | Páginas 16 a 19

Leitura digital torna mais difícil a absorção dos detalhes de um texto, diz pesquisa


Lembrar detalhes de um texto pode se tornar mais fácil através da leitura em papel do que aquela feita através de um Kindle [ou qualquer outro dispositivo eletrônico]. A constatação é de um estudo sobre o impacto da digitalização na leitura, apresentado na Itália, no mês passado, que mostrou que os leitores conseguem resgatar mais informações sobre a trama, lugares e personagens descritos de um texto quando o leem impresso. As informações são do jornal The Guardian.

O estudo foi feito com 50 pessoas. Metade deles teve de ler um livro da escritora Elizabeth George, um texto de 28 páginas, em um Kindle. Os demais leram as mesmas páginas, porém impressas. Em seguida, eles foram questionados sobre detalhes da trama como aspectos da história, personagens e cenários.

Os leitores de Kindle tiveram um desempenho significativamente pior na reconstrução da trama, por exemplo, quando pediram que eles colocassem na ordem correta 14 acontecimentos”, explicou Anne Mangen, pesquisadora da Universidade Stavanger, da Noruega, líder do estudo. Segundo ela, o “retorno tátil da leitura em um Kindle não oferece o mesmo suporte para a reconstrução mental de uma história como um livro impresso traz”.

Quando você lê no papel você percebe a pilha de folhas crescendo à esquerda e diminuindo à direita. Você tem o senso tátil de progresso, além do visual, diferente dos leitores num Kindle. Talvez isso, de alguma forma, ajude o leitor, dando mais consistência ao seu sentido de desdobramento e progresso do texto, e, logo, da própria estória. É interessante para nós que as diferenças [na lembrança dos leitores] são relacionadas à temporalidade. Por que isso?”, acrescentou a pesquisadora, que afirma a necessidade de novos estudos para se responder a essa questão.

extra.globo.com | 21/08/2104

Empresa de TI explica desafio de digitalizar a Biblioteca do Vaticano


A empresa japonesa NTT Data começou, entre março e abril deste ano, um longo processo para digitalizar todo o acervo da Biblioteca Apostólica do Vaticano. Ao todo, são 82 mil manuscritos, totalizando mais de 41 milhões de páginas. São números que já dão uma ideia da dimensão do trabalho que os 50 envolvidos enfrentam – e que fica mais complicado se considerarmos os diferentes tipos de documentos guardados no local e a alta exigência de espaço para armazenar tudo.

Há manuscritos muito frágeis, que precisam de cuidados especiais no manuseio”, explicou a INFO Dalton Dallavecchia, executivo da NTT Data no Brasil. Conforme descreveu o brasileiro, alguns dos documentos não podem ser muito abertos, resistindo no máximo a um ângulo de aberutra de 100 graus. “Usamos suportes especiais de livros nesses casos, além de um software que corrige as imagens que não foram capturadas em um ângulo raso”, completa.

A biblioteca, inaugurada ainda em 1475, ainda conta com algumas obras orientais escritas em rolos enormes, que precisam ser escaneadas aos poucos, em partes separadas. O trabalho todo gera vários pedaços, que depois são unificados com a ajuda de ferramentas dos softwares utilizados no processo de virtualização.

Armazenamento e big data – Para a primeira fase da iniciativa, uma pequena parcela do acervo será escaneada. Mas mesmo que não represente muito, serão necessários 3 Petabytes para armazená-la. E segundo Dallavecchia, o conjunto todo de manuscritos, que deve ser totalmente escaneado em quatro anos, exigirá pelo menos 20 PB de capacidade de armazenamento – ou 20 milhões de GB, para deixar mais claro.

Os arquivos ficam em servidores baseados na tecnologia Isilon, da norte-americana EMC, voltada para guardar documentos por um longo período. O uso da plataforma também está relacionado à ideia da NTT Data e do Vaticano de disponibilizar o acervo digital a pesquisadores e internautas pelo mundo: ela é voltada para gerenciamento de big data, e caracterizada como uma solução escalável [scale-out]. Ou seja, conforme a demanda de acessos ao grande volume de dados da biblioteca cresce, mais nós [nodes] são adicionados, mantendo o sistema estável.

Digitalização – O número aparentemente exagerado de Petabytes, aliás, tem muito a ver com a qualidade das imagens. O executivo da NTT Data explica que o aparelho usado na digitalização “captura a imagem dos manuscritos com resolução óptica de 400 dpi, usando diferentes tipos de fontes de luz para melhorar a qualidade”.

É uma ação complicada, que envolve por vezes até uma armação para segurar as obras apenas parcialmente abertas – mas que leva só “dois minutos para digitalizar uma página do tamanho de uma folha A4”. No fim das contas, cada scanner é capaz de capturar pelo menos 150 volumes em um ano.

Se quiser acompanhar o progresso do trabalho, dá para checar algumas das páginas digitalizadas na página da própria Biblioteca Apostólica do Vaticano. Por ora, estão disponíveis 975 volumes, e para ver cada um deles, é só clicar no respectivo livro aberto e depois na folha que aparecerá à direita.

info.abril.com.br | 21/08/2014

Amazon inicia venda de livros físicos no Brasil


Brasileiros agora podem comprar livros em papel e ainda dispõem da funcionalidade Leia Enquanto Enviamos

A Amazon anunciou em sua página em português, nessa quinta-feira 21, em carta assinada pelo fundador e CEO Jeff Bezos, a expansão de sua loja online no Brasil. Agora, é possível comprar não só livros digitais como também em papel. A varejista, há dois anos no País, passa a oferecer 150 mil títulos em português, além dos 35 mil livros digitais já disponíveis no catálogo do Kindle.

Para quem comprar os impressos, ainda há outra novidade, a função Leia Enquanto Enviamos, que disponibiliza uma amostra digital do livro comprado para a leitura durante o envio do pedido. O acervo com essa funcionalidade, porém, é limitado a cerca de 13 mil obras, dentre elas os mais populares. Outro atrativo da loja é o frete grátis para compras a partir de R$ 69.

POR BRUNA MOLINA | Do Meio & Mensagem | 21/08/2014, às 12:26

Congresso CBL do Livro Digital discute convergências


Evento leva público ao Anhembi para explorar oportunidades

O grande potencial de crescimento do mercado digital no Brasil deve dar a tônica dos debates do 5.º Congresso Internacional CBL do Livro Digital, que começa nesta quinta-feira no Auditório Elis Regina, localizado ao lado do Pavilhão do Parque Anhembi [Avenida Olavo Fontoura, 1.209]. Até sexta-feira, especialistas brasileiros e estrangeiros vão debater a revolução dos livros digitais, modelos de negócio e também os aspectos jurídicos – lacuna importante – dos e-books no Brasil.

A Pesquisa Fipe de Produção e Vendas do Setor Editorial, divulgada em julho, mostrava que, apesar do crescimento expressivo de 225% de 2012 para 2013, o digital ainda ocupa uma fatia muito pequena do mercado editorial brasileiro [menos de 1% do faturamento total]. Dois fatores – pequena participação nos anos iniciais de operação e imenso potencial de crescimento – que são destacados por José Luis Verdes e Rosa Sala, empresários do mercado editorial espanhol que participam do Congresso sexta-feira, às 17 h, na mesa Compartilhando experiências sobre o universo do livro digital.

José Luis Verdes é CEO do Manuscritics, empresa que produz uma plataforma de avaliação online de textos literários, pensada para editores e scouts. Funciona assim: o agente literário submete um texto de um autor para a plataforma, e com ela leitores especializados de qualquer parte do mundo podem dar opiniões, sugerir edições, correções, etc. Com essa recepção, o editor pode ter melhores condições de decidir o que fazer com aquele material. A fase beta da plataforma está no ar desde 18 de julho.

Muitos livros passam pelas mesas dos editores sem que eles tenham a oportunidade de editá-los”, diz Verdes ao Estado, “então a ideia é não perder as chances“.

Rosa Sala. Congresso vai debater potencial do mercado

Rosa Sala. Congresso vai debater potencial do mercado

Ele concorda que o início da operação digital é sempre lento, em qualquer parte do mundo. “Mas em poucos anos o desenvolvimento é muito rápido. Foi assim nos Estados Unidos, no Reino Unido, etc. As editoras brasileiras conhecem esse fenômeno e devem se preparar para a fase de crescimento”, afirma, salientando que, se o processo de atualização do negócio não ocorrer, outras empresas de fora, como a Amazon, chegarão ao mercado para ocupar este espaço.

Creio também que há um terreno com muitas possibilidades de negócio, que vai crescer de maneira exponencial no futuro próximo: startups que colaboram com grandes grupos editoriais“, prevê, otimista.

Já a Digital Tangible, criada por Rosa Sala em julho de 2013, está levando ao mercado espanhol outra iniciativa: o Seebook pretende aproximar a experiência do físico ao digital ao desenvolver cartões com conteúdo digital [que podem ser dados como presentes, ser autografados, vendidos nas livrarias ou em conferências, palestras, etc]. O cartão possui um código QR [que pode ser lido por smartphones] ou alfanumérico que dá acesso ao arquivo, enviado por e-mail ao portador do Seebook, que pode então lê-lo em qualquer plataforma [no próprio computador, smartphone, tablet ou em e-readers].

O grande problema dos livros digitais segue sendo a dificuldade de descobrir novos títulos“, lembra Rosa – o que ela chama de “discoverability”. Para ela, as plataformas online estão pensadas para encontrar algo rapidamente, mas não tanto para descobrir coisas novas. “As mestras nisso continuam sendo as livrarias”, afirma. A ideia então é juntar o útil ao agradável.

Sobre o crescimento do mercado digital, ela concorda que o potencial é grande. “Sobretudo para países de uma extensão tão vasta como o Brasil, em que a chegada de livros de papel pode ser um problema logístico considerável, a leitura digital tem um futuro extraordinário“, diz. “É um mercado que causa muita desconfiança, mas, gostemos ou não, o futuro da leitura vai nessa direção”, conclui.

O Congresso tem como tema Conteúdo e Convergência, e começa nesta quinta-feira às 9 h, com abertura de Karine Pansa, da CBL. Em seguida, Jason Merkoski, ex-evangelista de tecnologia da Amazon fala sobre seu livro mais recente [Burning the Page] e sobre a revolução digital. Em uma entrevista ao Link, doEstado, Merkoski afirmou, categórico, que “uma vez que as pessoas consigam encontrar 80% dos títulos que buscam no digital, a chance de elas migrarem para e-books é de 100%“.

Ainda é possível se inscrever no Congresso: há uma recepção para credenciamento e inscrição hoje no local – a inscrição custa R$ 1.120 para associados de entidades do livro, professores, estudantes e bibliotecários. A programação segue até sexta-feira, às 18 h, quando o encerramento será feito pela Comissão do Livro Digital.

Produção científica e acadêmica vai ser avaliada

O Congresso também abre espaço para trabalhos acadêmicos produzidos nas universidades brasileiras sobre o mercado digital dos livros – em aspectos tecnológicos e econômicos. Dos trabalhos enviados, seis foram selecionados por uma comissão liderada pelo professor da FEA-USP Cesar Alexandre de Souza e serão apresentados hoje no Hotel Holiday Inn, no complexo do Anhembi. Três deles recebem uma ajuda de custo [de até R$ 1.500] e o “vencedor” também apresentará o trabalho nesta sexta-feira, para todo o Congresso. “Esse modelo fomenta a pesquisa e o desenvolvimento na academia brasileira relacionados ao livro e à leitura, sempre relacionados ao mercado digital“, comenta a gerente executivo da CBL, Cristina Lima.

Por Guilherme Sobota | Publicado originalmente em O Estado de S.Paulo | 21 Agosto 2014, às 03h00

Vade Mecum, da Saraiva, mais barato na Amazon


No fechamento desta edição, o livro custava R$ 111,05 na Amazon e R$ 116,90 na Saraiva

A Amazon começou a vender os livros físicos no Brasil e prova que veio para competir com força. Uma exemplo disso é o Vade Mecum 2014 Saraiva [18ª edição]. No fechamento desta edição, às 9h, o livro estava sendo vendido por R$ 111,05 na Amazon. O mesmo produto na Saraiva – loja do mesmo grupo da editora – estava a R$ 116,90.

PublishNews | 21/08/2014 | Por Leonardo Neto

Saraiva X Amazon


As duas gigantes terão 80% do mercado digital no fim de 2014

O ano de 2013 terminou com Amazon e Apple disputando o primeiro lugar no mercado de livros digitais, seguidos por Google e Saraiva disputando a terceira posição. A grosso modo, uma estimativa aproximada mostraria o seguinte market share nacional:

  • Amazon: 30%
  • Apple: 30%
  • Saraiva: 15%
  • Google: 15%
  • Kobo: 5%
  • Outros: 5%

A explicação para o sucesso de Apple e Google é a forte base de tablets e smartphones com sistemas iOS ou Android instalados no Brasil, o que facilitou a venda de e-books nestes ambientes – muitas vezes para clientes que já compravam outros produtos nas lojas da Apple e Google.

Passados quase oito meses de 2014, no entanto, percebe-se um crescimento da Saraiva e da Amazon. A loja brasileira investiu em seu e-commerce e nos aplicativos de leitura para Android e iOS, o que levou a um aumento das vendas. Já a Amazon continuou crescendo organicamente, aumentando tanto seu catálogo tradicional como o de livros auto-publicados, e ainda investiu fortes em ações demerchandising. Google e Apple, portanto, perderam fatias de mercado, o que é absolutamente natural já que ambas as empresas não focam livros. A Google quer aumentar seu faturamento de publicidade e a Apple, como bem já colocou o editor pernambucano Julio Silveira, está mais interessada em vender coisas que brilham. Vale também lembrar que a IBA, a e-bookstore mais forte entre as classificadas como “Outros” e propriedade da toda-poderosa Abril, está encerrando suas operações.

Atualmente, portanto, o mercado provavelmente apresenta um market share como este a seguir, com uma margem de erro [enorme] de 5%:

  • Amazon: 38%
  • Apple: 25%
  • Saraiva: 20%
  • Google: 10%
  • Kobo: 5%
  • Outros: 2%

Mais importante do que se prender nos números é  enfocar o ranking em si, já que estes números não passam de guesstimates ou, em bom português, chutes estimados. De qualquer forma, não há dúvida que a Amazon assumiu a dianteira e que a Saraiva conquistou a terceira colocação.

E neste mês de agosto, tivemos novidades. Dois lançamentos importantes aconteceram no mercado de livros. A Saraiva lançou seu leitor digital dedicado, o LEV, entrando para o clube das e-bookstores com devices próprios. E a Amazon lançou sua loja de livros físicos. Ou seja, em movimentos curiosamente contrários, a Saraiva entrou de vez na briga do mercado de e-books, enquanto a Amazon estreou na venda de livros físicos.

Embora o potencial do mercado brasileiro de leitores dedicados não seja tão grandeem minha opinião, a chegada do LEV representa muito mais que um gadgetexclusivo para a Saraiva. Na verdade, o lançamento do LEV – feito com maestria pela equipe saraivana liderada por Deric Guilhen – representou toda uma nova postura da empresa em relação ao digital. A Saraiva agora usa sua rede de 114 lojas espalhadas pelo Brasil para promover sua plataforma de livros digitais, conseguiu encantar seus próprios funcionários com um endomarketing bem bolado que envelopou de portas de elevadores a cadeiras de reunião em sua sede paulistana, e ainda convenceu o mercado de que ela está levando o livro digital a sério e que não está para brincadeira. E tudo isso não seria possível sem um marco e sem um símbolo. Daí a importância do LEV. O aparelho da Saraiva é a materialização da estratégia digital da empresa e, ainda que o LEV venda pouco, ele fará toda a diferença.

Já a Amazon, que prometeu a abertura de sua loja de livros físicos para o dia 21 de agosto, passará a ter muito mais tráfego em sua loja. Se antes apenas leitores já convertidos ao digital e consumidores de apps para Android frequentavam suas prateleiras virtuais, agora qualquer leitor de livros estará por lá. Com isso, um público muito maior ficará exposto à plataforma e ao leitor Kindle, com uma conversão não desprezível de leitores de livros físicos em leitores de livros digitais. Vale lembrar que a Amazon mostrará a opção de compra da edição digital nas páginas dos livros físicos. E além disso, oferece 13 mil títulos no seu programa Leia Enquanto Enviamos, onde o consumidor recebe os primeiros trechos do livro em formato digital para iniciar sua leitura enquanto o livro físico não chega. Quantos leitores não responderão ao canto da sereia amazônica de preços menores e acesso mais prático ao conteúdo que os livros do Kindle oferecem?

Considerando as últimas novidades de Amazon e Saraiva, é natural estimar que as duas empresas serão as grandes concorrentes do mercado brasileiro de e-books no fechamento de 2014. A Saraiva seguramente passará a Apple – que continua vendendo em dólar, com IOF – e alcançará a segunda posição. Somadas, as empresas que hoje já possuem cerca de 60% do mercado devem chegar a  80%, obrigando Apple, Google e Kobo a se dilacerarem pelos 20% que sobram. É esperar para ver – de preferência, lendo um e-book.

Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente em Tipos Digitais | 21/08/2014

Amazon agora é de papel?


Dois tipos de comentários eram frequentes no mercado editorial brasileiro nos últimos meses. O primeiro que a Amazon iniciaria sua operação de livros físicos no Brasil nos próximos dias. O segundo que a Amazon estava devagar demais tanto na vendas de livros digitais quanto no lançamento do e-commerce de livros de papel, e que não estava fazendo jus às expectativas. Houve até quem dissesse que a Amazon sairia do Brasil. Mas a partir de hoje, 21/8, os comentaristas profissionais do mercado editorial terão que procurar outros assuntos. Afinal, a loja Amazon de livros físicos está finalmente entrando no ar em www.amazon.com.br/livros.

E se a gigante de Seattle parecia devagar para montar sua operação física no Brasil, o catálogo de 150 mil livros em português que ela está oferecendo no Brasil explica a razão desta demora. Afinal, este número é praticamente o total de livros físicos brasileiros em catálogo – e montar um catálogo deste exige tempo. Considerando-se a baixa qualidade dos metadados brasileiros e a rede de distribuição de livros ainda limitada no Brasil, pode-se dizer que Amazon andou bem rápido. E que seus funcionários podem ser qualquer coisa, menos lentos.

Para abastecer seu estoque, a Amazon negociou com distribuidores, mas também direto com várias editoras. Os seis distribuidores que abastecerão a filial brasileira de Jeff Bezos são Bookpartners, Disal, Acaiaca, Superpedido, Catavento e i-Supply. A empresa não foi agressiva em sua negociação de descontos com as editoras, o que pode ser um sinal de não enfocará tanto nos descontos para conquistar clientes. Em muitas editoras, os descontos negociados para a aquisição de livros pela Amazon foram menores daqueles praticados com outros grandes varejistas.

A logística, segundo matéria do Valor Econômico, está a cargo da Luft, que antes atendia a extinta operação de comércio eletrônico do Carrefour. A seguir os principais destaques do mais novo e-commerce de livros no Brasil:

  • Catálogo de 150 mil livros em português
  • Frete gratuito para compras acima de R$ 69,00
  • Devolução em até 30 dias da data da compra por qualquer motivo [a lei brasileira exige 7 dias]
  • Leia Enquanto Enviamos: funcionalidade disponível para 13 mil livros que permite que o leitor receba trechos iniciais do livro em formato digital para ler enquanto não recebe o livro físico.
  • Entrega em um dia útil para CEPs selecionados da Grande São Paulo para pedidos feitos até as 11h
  • Comparação de preços entre os formato digital e físico

Agora é esperar para ver qual será a performance da Amazon no Brasil. Mas a verdade é que as dificuldades logísticas nacionais não impediram a empresa norte-americana de se lançar no Brasil com um catálogo de gente grande. Resta saber se os consumidores brasileiros serão seduzidos pelo canto das sereias amazônicas.

Por Carlo Carrenho | Tipos Digitais | 21/08/2014

A obsessão da Amazon


Country manager da Amazon no Brasil falou com exclusividade ao PN

Em entrevista concedida com exclusividade ao PublishNews no fim da tarde de ontem, Alex Szapiro, country manager da Amazon no Brasil, repetiu a palavra obsessão quatro vezes. Isso demonstra a forma com que a varejista começa a operar com livros físicos no Brasil. No papo de ontem, encontramos um Alex relaxado, bem humorado e falante. Ele falou um pouco sobre a relação da Amazon com as editoras, sobre como foi montar o gigantesco catálogo de mais de 150 mil títulos em português e, finalmente, respondeu a uma pergunta que o PublishNews fez em 2012, quando a Amazon começou as vendas de livros digitais por aqui. Leia abaixo a íntegra do papo com o executivo.

PublishNews – Finalmente, a Amazon começa a vender os livros físicos no Brasil…

Alex Szapiro – Pois é… A gente está extremamente feliz de estar lançando a loja de livros físicos. Acho que mais do que lançar, tem alguns pontos que a gente tem que trazer à tona. Estamos lançando a loja com o maior catálogo de livros em português do Brasil. Isso é uma coisa importante. Tem mais de 150 mil títulos. Acho que vocês acompanharam a Amazon e sabe da nossa obsessão em ter certeza de que a gente vai ter um catálogo muito bom, não só dos best-sellers, mas também de títulos de cauda longa, de backlist. A gente é bem obsessivo nesse aspecto. O segundo ponto é a logística. Em alguns CEPs da cidade de São Paulo, para pedidos feitos até as 11h da manhã, a gente entrega no dia seguinte. Isso é uma coisa importante.

PN – E há prazos máximos para entrega?

AS – Não sei te dizer. Pode ser mais de dois dias mesmo dentro da cidade de São Paulo. Depende da área, da rota… Mas mais importante que o prazo, tem duas coisas da Amazon. Uma que a gente tem certeza daquilo que a gente promete é o que a gente pode cumprir. Isso não acontece só agora com o início da loja de livros. Mas isso já acontecia desde antes, quando começamos a oferecer um produto físico no Brasil que foi em fevereiro, quando a gente começou a vender o Kindle da própria Amazon. A gente é muito conservador nessa questão. Ou seja, o prazo pode ser de sete a nove dias, mas eu prefiro falar que é nove. A segunda coisa, a gente está lançando uma promoção: para compras acima de 69 reais, frete grátis para todo o Brasil. Se você está comprando dois ou três livros, não importa em que parte do Brasil você esteja, o frete sairá gratuito nas compras acima de R$ 69.

PN – É uma promoção ou é uma política?

AS – É uma promoção. A gente pode mudar a qualquer momento. Não tem uma data. Nesse momento, não sei quanto tempo vai durar

PN – Há planos para praticar frete grátis no Brasil?

AS – A gente não fala de nenhum plano futuro. O plano para agora é frete grátis para compras acima de R$ 69. Uma outra coisa é a vantagem de todas as ferramentas e tecnologia de descoberta e de recomendação de livros que a Amazon tem. Não é que a gente começa do zero. A gente começa com quase dois anos de experiência. Já tem toda uma história com os consumidores digitais. Para essa experiência, a gente não usa só dados do Brasil, mas de todo o mundo. Dados de correlação de compra, de produto, de título, de gênero, etc e tudo isso está aplicado na loja de livros físicos. Isso é uma coisa muito muito importante.

PN – A legislação brasileira garante a devolução de produtos em um prazo bem menor do que o oferecido pela Amazon, de 30 dias.

AS – O que o Procon fala que você pode devolver um item em até sete dias, a Amazon tem dá 30 dias. Mostra como a gente pensa. Se alguém ligar para mim daqui a vinte dias e falar que comprou um livro e quer devolver, nós vamos aceitar.

PN – E você não acha que as pessoas vão abusar dessa facilidade?

AS – Evidentemente a gente tem tecnologia para saber se um cliente faz isso uma, duas, três ou quatro vezes. A gente trabalha em prol do consumidor. Se isso acontecer, não é por causa de um ou outro caso como esse que a gente tem que prejudicar todas as outras pessoas honestas. É assim que a Amazon trabalha.

PN – Qual o efeito a Amazon espera em suas vendas digitais com o início das vendas físicas? Consumidores de livros físicos serão convertidos ao digital?

AS – Isso é uma coisa muito importante que está no DNA da Amazon e que não tenho visto por aí. A experiência digital e física ao mesmo tempo. No mundo todo, a nossa visão é dar a escolha ao cliente. A escolha entre o físico e o digital é uma escolha do cliente. A gente sabe que o digital traz uma série de vantagens. A gente sabe também que a pessoa que lê no digital acaba lendo mais. A história nos diz que quando um cliente não Kindle e passa a ser um cliente Kindle, ele não para de comprar livros físicos, mas ele passa a comprar, em média 3,9 vezes mais livros. Então é uma coisa muito salutar. E, claro, o livro digital tem uma série de outros benefícios: não tem estoque, não tem impressão, não tem frete. Se ele virou obsoleto, a partir do pressuposto que não terá mais nenhuma tiragem, mas a editora ainda tem os direitos autorais, ele pode ser vendido para sempre. Ou talvez, você acaba de vender um livro físico e as vendas foram muito maiores do que você esperava. Até você fazer a reimpressão e etc… se você tem um livro digital, você não perde a venda. Um exemplo disso é o livro Assassinato de reputação, de Romeu Tuma Jr. Ele lançou o livro no final do ano passado e teve uma cobertura da mídia. O livro esgotou em horas. A editora [TopBooks] então colocou o livro a venda via KDP, via autopublicação, e o livro não parava de vender. É uma ótima maneira de muita gente que nunca tinha testado o digital, testar. Não importa se você vem pelo livro ou pelo livro digital, a experiência é a mesma. Os metadados, e você tem sempre a opção de comprar o livro físico ou o livro digital. Baseado nisso, a gente está lançando uma coisa interessante. Junto com o lançamento da loja, a gente está oferecendo uma funcionalidade que a gente chama de Leia Enquanto Enviamos. Isso é uma coisa muito legal para o brasileiro. Não é para todo o catálogo. Dos mais de 150 mil títulos, temos mais ou menos 13 mil nessa disponibilidade. Quando você fechar o pedido, ele vai te perguntar se você quer começar a ler o livro enquanto a gente te manda o livro. E aí você começa a lê-lo no Cloud Reader e aí, evidentemente, você pode começar a ler pelo Kindle App, pelo seu smartphone, no seu tablet ou no seu Kindle. Essa é a mentalidade que a gente está trazendo para a abertura da loja.

PN – E há planos para expandir esse número de 13 mil títulos dentro dessa funcionalidade?

AS – Sem dúvidas. E essa expansão se dá dentro do crescimento do catálogo digital. Quando a gente abriu a loja há 20 meses, a gente abriu a loja digital com 13 mil títulos. Hoje temos mais de 35 mil. Então, se você analisar, em 20 meses, quase que triplicou. A nossa obsessão é estar sempre melhorando o catálogo. Pode ter certeza de que esse catálogo está crescendo.

PN – E por falar em catálogo, foi muito difícil levantar esses 150 mil títulos? Foi mais trabalhoso do que o esperado?

AS – O que você chama de muito difícil? Eu recebi muitas perguntas quando a gente lançou a loja de livros digitais e eu não tenho nenhum problema em responder isso. Toda as vezes que você vai começar uma relação comercial. Em especial para a Amazon que não estava no País. E toda negociação comercial, até você chegar no que é bom para ambas as partes, tem um Delta T, um esforço. E isso aconteceu há vinte meses. Como os publishers veem a relação com a Amazon, o que eles acham da forma como tratamos os livros digitais, eles é que precisam responder. Eu não posso julgar. Quem tem que julgar é o nosso consumidor e talvez alguns dos nossos fornecedores. Sempre faço um paralelo: se você vai comprar uma casa amanhã, eu imagino que você vá fazer uma negociação até fechar preço, contrato etc… Você não vai chegar e falar: vou comprar essa casa e pronto. Você fala que quer assim ou quer assado. Então, isso aconteceu muito há dois anos. Foram negociações que fazem parte até que a gente começasse a vender. Nós trabalhamos para o bem comum que atender ao consumidor que quer comprar um livro. Seria estranho se uma editora falasse que não quer vender. É claro que ela tem a opção de falar “olha, eu não quero vender para esse fornecedor”. E para você ter ideia, estamos lançando e o total do nosso catálogo representa mais de 2.100 editoras.

PN – Por que o Matchbook, programa da Amazon que permite que leitores que adquirem o livro físico comprem o digital com um preço que é uma fração do valor, não está sendo oferecido aqui? Há planos para oferecê-lo?

AS – A gente não comenta planos futuros. Você poderia me perguntar também se vamos oferecer o Kindle Unlimited. A gente não fala disso.

PN -Então perguntando algo do passado. Quando, há vinte meses, a Amazon chegou vendendo os e-books e lançando o Kindle no Brasil, o PublishNews perguntou para você o que era ser livreiro no Brasil. Na época, você disse que não dava para responder ainda a essa pergunta. Passados esses vinte meses, você tem uma resposta para essa pergunta?

AS – A gente é mais do que livreiro (risos). O que eu posso te responder é que a Amazon tem essa obsessão e a gente trabalha muito nisso. A gente tem a premissa de começar pelo cliente e, a partir dele, a gente vai para trás. Tudo o que a gente faz, a gente olha o que o cliente quer e como a gente pode atendê-lo. A forma como a gente bola nossos serviços e nossos produtos está baseado muito no cliente. Para mim, a minha visão de ser livreiro é o que a gente tem para fazer para atender o leitor. É ter certeza de que a gente tem um catálogo completo e catálogo é uma coisa viva, precisa estar sempre crescendo. Ter certeza de que a gente tem uma facilidade de busca. A maneira como coloco o gênero, a maneira como faço o merchandising é realmente a melhor maneira? Não tem coisa mais chata do que você estar procurando um livro, entra na loja e não encontra. Não vou dizer que isso não acontece na Amazon. Acontece com a gente também, mas a gente tem que trabalhar para que isso não acontecer. Outra coisa é: está tudo funcionando? A experiência é uma experiência fácil? Ou seja, eu não tenho que colocar cinquenta passos para que a pessoa compre o que quer. A terceira coisa é a “descobertabilidade”, a facilidade de descoberta. A pergunta é: a gente está fazendo o papel do bom livreiro que é ajudar você a descobrir produtos, de ter boas ofertas e ter certeza de que a minha tecnologia funciona? Se a resposta for sim, isso é ser um bom livreiro no Brasil. Para mim esse é o DNA do livreiro.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 21/08/2014

Com 150 mil títulos, Amazon começa a vender livros físicos no Brasil


No lançamento, varejista oferece frete grátis em compras acima de R$ 69

A partir dessa quinta-feira [21], os brasileiros poderão finalmente comprar livros físicos pela Amazon. Para o início das operações, a varejista compôs um catálogo de 150 mil títulos. Para marcar o lançamento, a Amazon oferecerá frete grátis para compras acima de R$ 69 e entrega no dia seguinte para compras feitas antes das 11h da manhã por consumidores de algumas localidades da cidade de São Paulo. Em entrevista que concedeu nesta quarta-feira, com exclusividade ao PublishNews, Alex Szapiro, country manager da Amazon no Brasil, disse que outra funcionalidade estará disponível imediatamente aos brasileiros. É o Leia Enquanto Enviamos, que permitirá que o cliente comece a ler o livro no digital – por meio do Kindle Cloud Reader – enquanto é feito o envio do livro físico. Essa funcionalidade está disponível para 13 mil títulos, com possibilidade de expansão. “Essa experiência que transita entre o digital e o físico ao mesmo tempo está no DNA da Amazon”, disse ao PublishNews.

Catálogo

O catálogo de 150 mil títulos é composto por obras de 2.100 editoras. Os títulos vão desde os best-sellers até livros de fundo de catálogo. “Estamos lançando a loja com o maior catálogo de livros em português do Brasil. Quem acompanha a história da Amazon sabe da nossa obsessão em ter certeza de que temos um catálogo muito bom, não só composto por best-sellers, mas também por títulos de cauda longa e de backlists”, disse Szapiro.

Logística

De acordo com Szapiro, outa obsessão da Amazon é pelo cumprimento de prazos prometidos. Para alguns CEPs da cidade de São Paulo, para pedidos feitos até as 11h da manhã, a Amazon promete entregar no dia útil seguinte. Para as demais localidades, a Amazon trabalha com prazos distintos. “A gente tem certeza de que aquilo que a gente promete é aquilo que a gente pode cumprir”, defendeu. “Isso já acontecia desde antes, quando começamos a oferecer o Kindle”, completou o executivo. O frete grátis para compras acima de R$ 69 vale para todo o território nacional. Outra inovação apresentada pela Amazon é a possibilidade de o cliente devolver o livro dentro do período de 30 dias, caso o produto não atenda às suas expectativas. Ao ser perguntado sobre a possibilidade de alguns clientes se aproveitarem dessa facilidade para comprar livros, ler e depois devolver, Szapiro disse que usará a tecnologia contra esses casos: “a gente tem tecnologia para saber se um cliente faz isso uma, duas, três ou quatro vezes. A gente trabalha em prol do consumidor. Não é por causa de um ou outro caso como esse que a gente tem que prejudicar todas as outras pessoas honestas. É assim que a Amazon trabalha”.

Retrospecto da Amazon no Brasil

A Amazon começou a operar no Brasil em dezembro de 2012, com o lançamento da Amazon.com.br, da loja Kindle Brasil, do Kindle Direct Publishing [KDP] e dos e-readers Kindle que eram oferecidos em lojas da Livraria da Vila e do Pontofrio.com. No ano passado, a varejista lançou a Amazon Appstore no Brasil e, no começo de 2014, iniciou as vendas de Kindle e Kindle Paperwhite diretamente pelo seu site. Agora, além do lançamento da loja de livros físicos, a Amazon fará o seu debut em uma bienal. Pela primeira vez, a varejista terá um estande na Bienal do Livro de São Paulo, que começa na próxima sexta-feira [22].

Por Leonardo Neto | PublishNews | 21/08/2014

eBooks e convergência são temas da Bienal do Livro de SP


Evento começa nesta quinta-feira com a realização do 5º Congresso Internacional do Livro Digital com o tema “Cultura em Convergência”

Em 2007, a Amazon lançou a primeira edição do e-reader Kindle. Agora, sete anos depois, a empresa anuncia um serviço de assinatura para e-book e audiobook. Tanto no Brasil como internacionalmente, observou-se uma resposta positiva ao modelo. Segundo pesquisa realizada pela BookStats, a venda de livros digitais superou os impressos, gerando US$ 7,54 bilhões às editoras norte-americanas em 2013. Assim, diante da incerteza sobre o futuro dos livros tradicionais, um dos maiores eventos brasileiros do segmento decidiu apostar no tema.

Na sexta-feira, 22, inicia-se a 23ª Bienal Internacional do Livro, que, neste ano, está trabalhando diretamente com o público por meio das redes sociais e peloblog do evento. A aproximação resultou em mais de 10 mil ingressos vendidos até o momento, em comparação aos 2,6 mil da edição anterior, o que corresponde ao recorde de vendas antecipadas. Para evidenciar ainda mais o tema, a Câmara Brasileira do Livro, responsável pela Bienal, promove um dia antes, na quinta-feira, 21, o 5º Congresso Internacional do Livro Digital.

O tema deste ano é “Cultura em Convergência”, e será abordado nos dias 21 e 22 de agosto, no Auditório Elis Regina. A quinta edição do evento conta com a participação de Jason Merkoski, o primeiro evangelista de tecnologia da Amazon; Oren Teicher, presidente da American Booksellers Association [ABA]; Jose Borghino, diretor de política da International Publishers Association [IPA]; Stephen King, presidente do grupo Daisy de Londres; Olaf Eigenbrodt, diretor da Biblioteca Universitária de Hamburgo, na Alemanha; Pedro Luis Puntoni, professor da Universidade de São Paulo e coordenador do Núcleo de Cultura Digital do Cebrap; Danilo Venticinque, editor de cultura da Revista Época; entre outros.

Tradicionalmente, o Congresso acontece no primeiro semestre, mas desta vez vai anteceder a Bienal e se extender durante o evento. Além do espaço para discussão e apresentação de cases de sucesso, também serão premiados trabalhos científicos sobre o livro digital. Os três vencedores receberão um valor em dinheiro e, dependendo do tema do trabalho, serão avaliados em fast track para publicação na Revista de Gestão da USP. O primeiro colocado vai apresentar seu projeto no dia 22, às 16h30, na plenária do Congresso.

O Congresso do Livro Digital surgiu há cinco anos como parte das metas de trabalho da Câmara, com a missão de discutir o futuro do impresso e do mundo digital. Susanna Florisse, diretora da Câmara Brasileira do Livro, afirma que a ideia é debater os novos formatos, modelos de negócios e novas formas de bibliotecas. Serão abordadas as diversas possibilidades do autor, ilustrador e editor ao trabalhar com o conteúdo no impresso, aplicativo, nuvem, etc. Ou seja, toda a cadeia de produção, desde o autor até o leitor.

Apesar da presença cada vez mais forte do livro digital, Susanna acredita que o impresso não vai morrer, embora alguns realmente desapareçam do mercado ou diminuam a tiragem. Para ela, haverá um mix, em que o digital vai complementar o impresso. Os livros didáticos, por exemplo, devem manter o formato tradicional, mas com conteúdo reduzido. “Bibliotecas digitais é um modelo de negócio que faz todo o sentido. As editoras precisam sair da zona de conforto, acompanhar tendências. Em um País com tamanha dimensão geográfica, o mais óbvio seria diminuir custos com papel e com frete. Além disso, estamos vivendo a realidade de uma geração totalmente digital. As pessoas não tem mais tempo, os costumes mudaram, os hábitos mudaram”, afirma a diretora da Câmara.

Em contrapartida, a Bienal atrai um grande número de visitantes em todas as edições. Neste ano, já foram vendidos mais de 10 mil ingressos antecipados. Porém, Susanna explica que o motivo não são os livros impressos em si. Afinal, eles podem ser adquiridos pelas internet e, muitas vezes, a um preço mais acessível. “Cada vez mais as editoras vão se tornar prestadoras de serviço. A Bienal chama muita atenção, não necessariamente para venda de livros, mas para uma questão cultural.Os visitantes querem ir pelo aspecto cultural, para assistir a palestras, debates, premiação, etc”.

Com o processo da digitalização, o conteúdo também se torna mais acessível, aumentando o risco de cair na rede. Entretanto, a diretora não enxerga o problema como o maior desafio do livro impresso. Para ela, as tradições é que podem representar a principal barreira para a consolidação da leitura. “O livro sempre teve que concorrer com a pirataria. Mas, talvez o seu maior concorrente seja ter uma sociedade que prefira ter dois celulares, dois carros ou roupas de marca, em vez de um livro”.

A abertura do 5º Congresso Internacional do Livro Digital acontece na quinta-feira, 21, às 9h. As inscrições podem ser feitas pelo próprio site oficial do evento. Já a Bienal, vai até o dia 31 de agosto e também está com venda de ingressos abertas nos pontos de venda físicos e pela internet.

POR POR ERIKA NISHIDA | enishida@grupomm.com.br | Publicado originalmente em wwwproXXIma.com.br | 20/08/2014, às 19:06

Dorina Nowill lança DDReader na Bienal


App permite ler com os dedos e os ouvidos

A Fundação Dorina Nowill apresentará em seu estande durante a Bienal do Livro em São Paulo o DDReader [Dorina Daisy Reader] em sua versão para Android, o que permitirá seu uso em smartphones e tablets. O app permite ler com os dedos e os ouvidos, facilitando ainda mais o acesso à leitura para as pessoas com deficiência visual. Durante a Bienal, pessoas com deficiência visual demonstrarão o uso do aplicativo aos visitantes. O aplicativo é um desenvolvimento da Fundação Dorina em parceria com a Results, empresa de softwares acessíveis.

PublishNews | 20/08/2014

Bibliotecas digitais e impressas vão coexistir por muito tempo, diz especialista


As bibliotecas impressas e digitais vão coexistir, “pelo menos”, durante os próximos 20 anos, disse hoje [20] à Agência Brasil a diretora do Sistema de Bibliotecas da Fundação Getulio Vargas [FGV], Marieta de Moraes Ferreira. Ela participou do primeiro dia de debates da conferência internacional Os Desafios das Bibliotecas Digitais: Conhecimento, Tecnologia e o Crescimento da Informação Virtual nas Universidades, promovido pela instituição, em sua sede em Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro. O evento reúne profissionais brasileiros e de instituições internacionais de ensino.

O mundo dos livros está mudando muito e sempre surge aquela ideia de se criar uma biblioteca digital e diminuir o número de livros físicos”, comentou Marieta. Essa proposição, entretanto, cria uma série de debates, incertezas e desafios para o futuro. Segundo ela, isso ocorre porque uma coisa são os periódicos digitais, que são bem aceitos de modo geral e para os quais que se verifica um aumento cada vez maior de consultas por parte de pesquisadores, professores e alunos. A questão muda, entretanto, quando se trata dos livros impressos.

Alguns palestrantes indagaram se é possível haver uma biblioteca só digital ou essencialmente digital. “A conclusão final é a inviabilidade disso neste momento, porque os leitores ainda não estão sintonizados com isso, mesmo os jovens. A preferência pelo livro físico ainda é dominante”, explicou.

A diretora da FGV disse, ainda, que é preciso distinguir entre livros de ficção, como um romance, por exemplo, e um livro acadêmico, que é um livro de estudo que demanda mais concentração da parte do leitor. “Acho que os livros de ficção, que levam para uma atividade mais de lazer, têm mais facilidade de serem incorporados aos hábitos das pessoas na forma de livros digitais, os chamados e-books, do que os livros acadêmicos”.

Outro problema se refere à compra de livros digitais, especialmente para as bibliotecas universitárias, indicou Marieta Ferreira, porque o modelo de negócio é diferente do adotado tradicionalmente. “Quando você compra livros digitais para as bibliotecas, não compra das editoras. Compra das agregadoras, que são como distribuidoras de livros digitais”. O que ocorre, mencionou, é que essas empresas vendem pacotes fechados de livros ou de base de dados. “Às vezes, você compra 100 títulos e lhe interessam 20. Muitas vezes, não há opção de escolha”.

Além disso, a disponibilidade de grande parte dos livros vendidos pelas agregadoras não é perpétua, ou seja, a compra é feita por um prazo determinado, ao fim do qual os livros digitais deixam de ser acessáveis. “Se, no ano que vem, a biblioteca não tiver dinheiro, acabou o livro”. Devido a essas questões, a tendência, sinalizada pelos especialistas de vários países presentes à conferência, é que as bibliotecas digitais e impressas ainda coexistirão durante bastante tempo.

O Sistema de Bibliotecas da FGV reúne as bibliotecas da instituição no Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília. Em todo o Brasil, a FGV tem mais de 140 mil alunos. O sistema inclui 10.733 e-books comprados ou adquiridos por assinatura; 3.756 livros impressos que estão em domínio público e podem ser digitalizados; 280 mil e-books disponibilizados a partir do Portal Capes; e 149.471 livros impressos, dos quais 85.121 pertencem ao acervo da FGV Rio.

Agência Brasil | 20/08/2014

Samsung lança Galaxy Tab 4 Nook, tablet com foco na leitura


E a Samsung não se cansa de lançar novas variantes de aparelhos. Desta feita, em parceria com a Barnes & Nobles, ela lançou uma variante do Galaxy Tab 4.0, que fora lançado no início de abril. Chamado de Galaxy Tab 4 Nook, esta variante tem como público-alvo aqueles que não dispensam um bom livro. Barnes & Nobles é uma tradicional livraria dos EUA, então, com essa parceria, os usuários terão acesso a inúmeros títulos comercializados por eles.

Esta livraria já tentou anteriormente se lançar no concorrido mercado de dispositivo móveis com o seu tablet Nook, também com foco na leitura, mas sem muito sucesso. Com isso, sua linha foi descontinuada. Assim, a empresa abriu mão de usar o visual do seu antigo tablet e adotou a opção da sul-coreana Samsung mesmo. O Galaxy Tab 4 Nook deverá vir com a interface TouchWiz. A maior diferença ficará por conta de todos os apps pré-instalados, oriundos desta parceria que, se fossem baixados separadamente, custariam mais de US$ 200.

O Galaxy Tab 4 Nook possui uma tela de 7 polegadas com resolução HD, ou seja, 1280×720 pixels. Seu processador é um quad-core que trabalha na frequência de 1,2 GHz. Seu espaço interno é de 8 GB expansíveis via cartão de memória. Ele tem ainda uma câmera traseira de 3 MP e uma frontal de 1,3 MP. Segundo a Samsung sua bateria é capaz de aguentar 10 horas de reprodução de vídeos. Ele pesa 276 gramas e já vem com o Android 4.4 KitKat instalado.

Suas vendas já iniciam hoje em todas as lojas Barnes & Nobles, onde os funcionários poderão oferecer assistência técnica e produtos adicionais, da loja. Ele será vendido também em outros revendedores, como a Amazon, pelo preço de US$ 179.

mobilexpert.com.br | 20/08/2014

Desafios das bibliotecas digitais


Tema será abordado em conferência internacional da FGV

A Fundação Getúlio Vargas [FGV] promove nesta quarta e quinta-feira [20 e 21] a conferência Os Desafios das Bibliotecas Digitais: conhecimento, tecnologia e o crescimento da informação virtual nas universidades. O evento reunirá palestrantes do Brasil, EUA, Áustria, Reino Unido e Espanha para debater temas como gestão, tecnologia e informação digital nas instituições de ensino superior. A conferência marca a abertura dos eventos realizados em celebração aos 70 anos da FGV. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas clicando aqui.

PublishNews | 19/08/2014

O uso de livros digitais nas salas de aula brasileiras


Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 19/08/2014

Na semana passada, ajudei a administrar uma pesquisa com quase 100 diretores, professores e coordenadores de escolas particulares sobre livros digitais na sala de aula. Os resultados foram surpreendentes, mesmo para um entusiasta digital como eu. Se você está envolvido em edição de livros educativos, não pode deixar de ler isso.

A maioria dos participantes estava focado no ensino fundamental e ensino médio com 80% deles trabalhando em escolas entre 500-10 mil estudantes (nove participantes lideravam escolas maiores de 10 mil alunos). Um número incrível, ao redor de 66%, já estava usando e-books nas salas de aula com menos de 3% que não conheciam a mídia. Apesar de toda a discussão sobre os objetos de aprendizado digital, animações, interatividades e multimídia, o recurso mais importante para os educadores era “busca” – uma funcionalidade padrão em quase todas as plataformas de e-book (exceto nos sistemas que simplesmente dão suporte a uma “imagem” da página impressa).

Quanto os educadores acham que este conteúdo é valioso? Acima de 23% pagariam o mesmo ou maispelo conteúdo digital. A maioria disse que pagaria um pouco menos que a versão impressa do livro, validando a prática comum de que o e-book deveria ter um desconto valendo ao redor de 70% do custo do impresso. Quando perguntamos quais livros eles queriam em versão digital, recebemos uma lista que incluía metade de livros das cinco maiores editoras educativas, mas a outra metade era uma seleção diversa de publicações de editoras médias e pequenas. Muitos estavam exigindo bons e-books para o aprendizado a Língua Portuguesa.

Uma tendência central que vimos foi que, devido à falta de conteúdo disponível no Brasil, muitos coordenadores educacionais estão começando a criar seu próprio conteúdo com ferramentas como iBooks Author, sem paciência para esperar que as editoras atuem.

Interessado em saber mais sobre a pesquisa? Estarei na Bienal do Livro nos dias 22 e 25 e seria ótimo tomar um café com você. Posso ser encontrado em greg@hondana.com.br.

Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 19/08/2014

Greg Bateman

Greg Bateman

Greg Bateman, expert em tecnologia e empreendedor do negócio de e-books, é conhecido pelo seu envolvimento na criação de produtos extremamente bem-sucedidos, como os smartphones da Samsung e o Kindle, da Amazon. Na Vook, ele desenvolveu uma eficiente cadeia de produção de centenas de e-books por semana. Greg, que nasceu nos Estados Unidos, viveu nove anos no exterior, onde intermediou várias parcerias envolvendo Coreia, China, Japão e EUA. Hoje mora no Brasil, em São Paulo. Ele é pesquisador visitante da Universidade de Tóquio, tem duas graduações pela Universidade da Califórnia em Berkeley [engenharia elétrica/ciência da computação e literatura japonesa] e um MBA pela Columbia Business School.

A coluna E-Gringo discute a fundo o negócio e o lado técnico dos e-books a partir de uma perspectiva global. Às quartas-feiras, quinzenalmente, ela vai apresentar plataformas e tendências do mundo todo e, claro, do Brasil. Para enviar comentários, escreva para greg@hondana.com.br .

Ministério da Cultura investe na integração de acervos digitais


O Ministério da Cultura [MinC] está desenvolvendo um projeto para integrar coleções digitais de arquivos, bibliotecas e museus brasileiros. O objetivo é facilitar e ampliar o acesso da população a documentos em diversos formatos, como textual, iconográfico, áudio e vídeo.

A Secretaria de Políticas Culturais trabalha, atualmente, na definição de padrões e protocolos para que seja possível acessar, de uma única vez, informações sobre temas específicos em diferentes acervos digitais públicos.

Hoje, caso alguém queira fazer uma pesquisa, precisa acessar cada acervo separadamente. Com a interoperabilidade dos sistemas, será possível criar ambientes em que uma pessoa que esteja, por exemplo, pesquisando sobre maracatu tenha acesso, ao mesmo tempo, a filmes sobre o tema armazenados pela Cinemateca Nacional, a livros do acervo da Biblioteca Nacional e a músicas guardadas pela Funarte [Fundação Nacional das Artes]“, explica o coordenador-geral de Cultura Digital do MinC, José Murilo Carvalho Junior.

Outro fato interessante é que esse conteúdo armazenado nos diversos acervos também poderá ser acessado por meio de aplicativos desenvolvidos por terceiros para diferentes tipos de mídias, como computadores, celulares e tablets“, completa.

José Murilo destaca também que a implantação de uma plataforma digital pública que disponibilize, de forma aberta [open data], dados organizados relativos à cultura brasileira permitirá mais transparência na governança e na promoção do acesso à cultura, além do apoio ao desenvolvimento de aplicações e serviços inovadores; e novas oportunidades de negócios e empregos. “É um arranjo que busca pôr em prática a visão do governo como plataforma para a ação colaborativa da sociedade“, observa.

O edital Preservação e acesso aos bens do patrimônio afro-brasileiro, lançado em dezembro de 2013 pelo MinC, em parceria com a Fundação Palmares e a Universidade Federal de Pernambuco, vem sendo a ferramenta utilizada para levantar subsídios e articular estratégias interinstitucionais para a integração dos acervos públicos.

Escolhemos esse recorte temático [história e cultura afro-brasileira] para delimitar o escopo do trabalho e ser possível integrar todos os projetos selecionados pelo edital. Estamos formando expertise nacional que permita a interoperabilidade entre os diferentes acervos e fomentando aplicações que promovam o compartilhamento de recursos, especialmente os de infraestrutura tecnológica, para assegurar a preservação, a manutenção e o acesso livre e permanente aos ativos digitais gerados neste concurso e, futuramente, aos demais acervos digitais do país“, explica.

Por meio desse trabalho, o Ministério da Cultura está gerando subsídios para a criação de uma futura política nacional para coleções digitais que envolva a digitalização e a disponibilização de acervos arquivísticos, bibliográficos, documentais e museológicos referentes ao patrimônio cultural, histórico, educacional e artístico brasileiros.

A digitalização de acervos representa um grande desafio para os gestores públicos. São necessários recursos significativos em infraestrutura tecnológica e também na formação e manutenção de recursos humanos especializados nas diversas etapas que envolvem a digitalização, a catalogação e a publicação de conteúdos digitais. Para trabalharmos tudo isso de forma ordenada, é importantíssimo que haja uma política de Estado específica para o tema“, considera José Murilo.

O trabalho que vem sendo desenvolvido no País tem como referência experiências bem-sucedidas nos Estados Unidos e na Europa. Servidores do MinC visitaram a Biblioteca Digital Europeana, em Haia, na Holanda, considerada referência mundial em oferta de informações ao público por meio de plataforma digital, e o JISC, em Londres, entidade especializada em informações e tecnologias digitais para educação e pesquisa, entre outras instituições. Também vem sendo levada em conta a experiência da Biblioteca Digital Pública Americana, criada em 2013.

Tivemos a oportunidade de conhecer de perto o que há de mais moderno em cultura digital. A Europeana, por exemplo, reúne acervos de bibliotecas, arquivos e museus dos países membros da União Europeia em 27 línguas. Essas experiências vêm sendo bastante relevantes para o trabalho que estamos realizando aqui no Brasil“, destaca José Murilo.

Portal Brasil – 19/08/2014

Marcador de livro envia tuítes para leitores retomarem a leitura


Eleito o case do mês de julho pelo IAB Brasil, Tweet For Read, criado pela Mood para a editora Penguin, emite alertas com frases literárias para incentivar o hábito da leitura

Redes sociais e comunicadores instantâneos juntaram-se às inúmeras tarefas cotidianas das pessoas, roubando o espaço de uma atividade saudável e prazerosa para a mente: a leitura. Na campanha da Mood para a editora Penguin, em vez de um vilão que impede o leitor de encarar os últimos capítulos do livro, o digital atua como um aliado.

Tweet For Read [Tuíte para ler, em tradução livre do inglês], eleito pelo IAB Brasil como o melhor case de julho, consiste em um marcador de página que emite um alerta no Twitter quando a pessoa passa um tempo sem ler. A ferramenta possui um sensor de luz e um timer que é ativado no escuro. Se o título não for aberto durante uma semana – ou um período previamente programado], um nano computador com wi-fi localizado no dispositivo dispara um tuíte para o perfil do leitor com uma frase do autor que está sendo lido.

A ação partiu de uma pesquisa da Fundação Pró-Livro e do Ibope Inteligência, divulgada no início do ano, cujos dados apontam que a queda do hábito de leitura deve-se ao fato de que as pessoas preferem ver entretenimento na televisão e na internet.

www.proxxima.com.br | 19/08/2014, às 14:30

Wikipédia quer dar acesso gratuito para brasileiros pelo celular


Enciclopédia virtual fundada em 2001 pretende lançar em parceria com operadoras do País app isento de cobrança de tarifa; novidade chega após caso de edição de verbetes por funcionários do governo expor desafios de seu sistema colaborativo

Sede da entidade que mantém a Wikipédia fica nos EUA. FOTO: Wikimedia Commons

Sede da entidade que mantém a Wikipédia fica nos EUA. FOTO: Wikimedia Commons

LONDRES | Enciclopédia virtual mais famosa do mundo, a Wikipédia quer ampliar e facilitar o acesso ao seu conteúdo em países emergentes. No início do mês, a Fundação Wikimedia, responsável pelo site, anunciou o projeto Wikipédia Zero, uma parceria com operadoras de telefonia para oferecer acesso gratuito ao conteúdo da enciclopédia por meio de um app para smartphones. Lançado em 29 países, o projeto deve chegar ao Brasil nos próximos meses.

Estamos em fase final de negociações com uma operadora brasileira, mas gostaríamos de trabalhar com todas”, disse Carolynne Schloeder, diretora da parte móvel da Fundação, com exclusividade ao Estado.

A novidade chegará ao Brasil em um momento em que o sistema da Wikipédia – o quinto site mais acessado do mundo – é questionado no País. A notícia de que um endereço de IP de dentro do governo federal foi usado para alterar informações nas páginas de jornalistas como Miriam Leitão acabou gerando dúvidas e revelando desinformação sobre o funcionamento da enciclopédia.

O artigo sobre a jornalista teve a sigla “LOL” [que significa gargalhar] inserida no texto. Não se trata de uma novidade, já que atos semelhantes aconteceram no passado e também em outros países. Em um caso parecido nos EUA, a Wikipédia foi obrigada a banir usuários de dentro do Congresso americano depois que um funcionário iniciou colaborações no site.

Fundada em 2001 pelo americano Jimmy Wales, a enciclopédia construída apenas com contribuições de voluntários ganhou força com os anos e se tornou referência para qualquer pesquisa. Um levantamento recente no Reino Unido apontou que os ingleses confiam mais nos autores da Wikipédia [64%] do que nos jornalistas da BBC [60%].

Entretanto, os recentes casos de edições por fins políticos expõem uma fragilidade eminente no sistema do site: a legitimidade das informações.

Existem diferentes capacidades de edição na Wikipédia, todas abertas a qualquer pessoa. O editor “anônimo” é qualquer pessoa que faz alterações em um verbete sem se registrar no site. Com o registro, pode-se ascender a diversas posições, entre elas “autoconfirmado” [no Brasil, editores cadastrados há pelo menos quatro dias] e “administrador” [com poderes, por exemplo, de trancar páginas].

Qualquer alteração no conteúdo precisa seguir regras específicas, justamente para evitar a inclusão de informações duvidosas e o vandalismo de certas páginas – alguns verbetes são trancados pelos administradores, como os de George W. Bush, Dilma Rousseff e Lula.

Editores e administradores monitoram o site em busca de edições maliciosas. “O vandalismo nas páginas da Wikipédia é chocante. Mas esse tipo de edição é removida em minutos graças à comunidade”, diz Stevie Benton, chefe de relações exteriores da Wikipédia no Reino Unido.

São cerca de 1.500 editores ativos editando páginas em português e 38 mil usuários cadastrados. As 835 mil páginas em português ainda são minoria se comparadas com as mais de 4 milhões em inglês.

De acordo com as regras da Wikipédia, uma página só pode ser criada se houver relevância e notoriedade. No caso de conflito de interesses, um editor não pode modificar uma página inteira por conta própria.

Nem sempre a edição de verbetes por interesses próprios consegue ser evitada. A prática é desencorajada pela Fundação Wikimedia. “Recentemente modificamos os termos de uso obrigando usuários pagos para editarem a revelarem [que são pagos]”, disse ao Estado a diretora de comunicações da Fundação Wikimedia, Katherine Maher.

Esse comportamento se tornou tão comum que um grupo de onze assessorias de imprensa estrangeiras conhecidas assumiu recentemente um compromisso público de não mexer nas páginas da Wikipédia de seus clientes. Esses casos são investigados pela própria comunidade, que identifica diferentes padrões de edições, semelhantes, feitas diversas vezes em um espaço de tempo.

Recentemente, um outro tipo de edição de conteúdo se tornou um problema para a Wikipédia. A lei europeia que dá direito ao cidadão de pedir para que informações sejam apagadas da internet, o chamado “direito ao esquecimento”, fez com que pelo menos dez páginas tenham sido retiradas do ar a pedido de usuários. Jimmy Wales chamou a lei de “insana”.

Ana Toni, única brasileira a participar do conselho curador da Fundação Wikimedia, disse ao Estado ser contra a lei. “Temos que lutar pela liberdade de informação. A Wikipédia traz uma oportunidade incrível para a educação, para as crianças e professores”, defendeu ela, que está deixando o cargo.

Por Pedro Caiado | ESPECIAL PARA O ESTADO | 17 de agosto de 2014 21h39

Entrevista: ‘Lojas de livros não conseguirão sobreviver’


Jason Merkoski, ex-evangelista da Amazon, diz que livros de papel se tornarão raros como discos de vinil

Jason Merkoski trabalhou no desenvolvimento do primeiro Kindle e é autor do livro “Burning the page: The eBook Revolution and the Future of Reading”. FOTO: Divulgação

Jason Merkoski trabalhou no desenvolvimento do primeiro Kindle e é autor do livro “Burning the page: The eBook Revolution and the Future of Reading”. FOTO: Divulgação

SÃO PAULO – “As pessoas da Amazon não se importam realmente com o que você quer como consumidor.” A frase soa surpreendente ao sair da boca de Jason Merkoski, primeiro evangelista [responsável por disseminar novas tendências] da Amazon e um dos membros da equipe que desenvolveu o primeiro leitor de livros digitais Kindle, lançado em 2007.

Fundador da startup Bookgenie451, criadora de um software que identifica interesses de leitura de estudantes para recomendar livros didáticos, Merkoski mistura otimismo com alguma cautela quando o assunto são livros digitais.

Na quinta-feira, 21, ele vem ao Brasil participar do 5º Congresso Internacional CBL do Livro Digital, em São Paulo, no qual vai falar sobre a sua obra Burning the page: The eBook Revolution and the Future of Reading [ainda sem título em português], na qual decreta o fim do livro impresso.

Ao Link, ele deu mais detalhes sobre as mudanças e problemas que prevê para o mercado editorial. Confira os principais trechos.

Você decreta o fim dos livros impressos em sua obra, mas as vendas de tablets e leitores digitais começam a se estabilizar sem que isso tenha acontecido. O que falta para o livro digital se popularizar?

O que mais influencia a popularidade é a seleção de títulos. O que vimos acontecer nos EUA e Japão é que, uma vez que as pessoas consigam encontrar 80% dos títulos que buscam no digital, a chance delas migrem para e-books é de 100%.

Quanto tempo demora para essa mudança acontecer?

Cerca de três anos depois que os livros digitais estão disponíveis em um país.

Serviços de streaming podem ajudar nessa popularização?

O problema de serviços de streaming como o da Amazon é que eles têm vários livros no catálogo que as pessoas não querem ler. Um dos desafios é definir um modelo de preços para e-books, que hoje não existe. Até isso ser feito será difícil tornar o streaming uma experiência satisfatória e o seu custo sustentável.

Você esperava esses impactos quando ajudou a criar o Kindle?

Como indústria, acho que revolucionamos o mercado editorial, o que é assustador e maravilhoso ao mesmo tempo. Como dono de uma empresa de livros digitais, digo que é muito difícil trabalhar com editoras hoje, porque o mundo delas está em colapso. É como se elas estivessem no Titanic após bater no iceberg, sem coletes salva vidas, com o barco pegando fogo e naves alienígenas atirando contra o barco. As editoras estão confusas e com medo.

Teremos problemas com a coleta e uso de dados sobre nossos hábitos de leitura?

Certamente. Não vai demorar para começarmos a ver propagandas dentro dos e-books. Mas não estou realmente preocupado com o que a Amazon e o Google vão saber sobre mim porque acho que já aceitei que, inevitavelmente, eles saberão das coisas de algum jeito.

Esses dados também geram recomendações de leitura. Essa facilidade pode ter um lado ruim, como afastar o leitor de clássicos em prol de best-sellers?

Algum conteúdo poderá ser negligenciado com toda certeza. O problema de livros clássicos é que eles não são sexy e não são promovidos na página de entrada da Amazon porque a empresa não vai ganhar dinheiro com eles. O que menos gosto da virada do livro para o digital é a cultura do momento. Recomendamos apenas coisas atuais. Ferramentas de recomendação precisam melhorar.

Você já declarou em entrevistas que é difícil amar a Amazon…

Acho que o papel das empresas maiores não é estar na minha cara enquanto eu estou lendo. Elas podem ser mais sutis e acredito que esse é um papel que a Amazon faz mal. Hoje os varejistas conseguem aprender quem você é. Seria interessante se essas informações fossem repassadas para as editoras criarem conteúdo. Mas os varejistas retêm todos os dados. É por isso que o sistema está quebrado.

O que acontecerá com a palavra escrita?

Eu realmente acho que o futuro da palavra escrita é ser falada, porque a escrita é devagar. Os livros do futuro serão falados porque tudo gira em torno da fala hoje em dia. Aparelhos como o iPhone, com a Siri, permitem que você fale ao telefone o que você quer fazer.

Acredita que bibliotecas e livrarias vão mesmo acabar?

Não acho que o futuro será bom. Meus estudos mostram que nos últimos três anos os alunos gastaram 70% menos tempo nas bibliotecas das universidades. Onde eles estão pegando informação? Na Wikipédia ou em sites. As lojas de livros não conseguirão sobreviver e vão desaparecer. Sobrarão apenas algumas, especializadas em livros impressos, como as que vendem discos de vinil. Vão permanecer no mercado Google e Amazon, infelizmente. Conheço as pessoas da Amazon. E elas não se importam com o que você quer como consumidor. Elas se importam em como conseguir mais lucro. Uma maneira de fazer isso é empurrando livros populares, negligenciando outros. E infelizmente as pessoas vão aceitar. A curadoria de títulos está na mão dos varejistas.

Por Ligia Aguilhar | Publicado em LINK | 17 de agosto de 2014 21h38