Flip digital


A coluna No Prelo conta que, além da argentina Graciela Mochkofsky, outro convidado da Flip terá um livro lançado exclusivamente em formato digital pela editora independente e-galáxia. O crítico Agnaldo Farias, que fará a conferência de abertura da festa, lançará ainda este ano A arquitetura eclipsada, que trata da complicada relação entre historiografia e arquitetura a partir do estudo das obras do russo Gregori Warchavchik.

O Globo | 26/07/2014

Amazon lança biblioteca digital sem cinco maiores editoras americanas


Depois de meses de especulação, na sexta-feira [18] a Amazon lançou um serviço digital de assinaturas que oferece acesso ilimitado a livros eletrônicos e audiobooks digitais por US$ 9,99 ao mês.

O serviço, Kindle Unlimited, oferece uma abordagem em estilo Netflix que permite acesso a mais de 600 mil livros eletrônicos, entre os quais séries de sucesso como “Jogos Vorazes” e “Diário de um Banana”, obras de não ficção como “Flash Boys”, do jornalista Michael Lewis, clássicos e ficção literária.

Até o momento, nenhuma das cinco grandes editoras dos Estados Unidos está oferecendo seus livros.

A HarperCollins, a Hachette e a Simon & Schuster, por exemplo, estão fora.

A Penguin Random House e a Macmillan se recusaram a comentar, mas uma busca na Amazon sugere que os livros dessas editoras tampouco estão disponíveis.

Como resultado, alguns títulos populares eram notáveis pela ausência quando o serviço começou a operar.

E como muitos escritores oferecem livros por mais de uma editora, os assinantes podem descobrir que têm acesso a certos livros de Michael Chabon e Margaret Atwood, mas não a outros.

A introdução do serviço surge em um momento de crescente tensão no relacionamento entre a Amazon e as grandes editoras.

O grupo de varejo on-line está sofrendo escrutínio cada vez mais intenso por seu domínio do mercado de livros eletrônicos e pelas táticas duras que usa nas negociações com as editoras.

A Amazon e a Hachette estão envolvidas em um duradouro e público impasse sobre os termos de venda de livros eletrônicos da editora, e a situação não parece próxima de uma solução.

Entre as editoras que estão oferecendo títulos pela assinatura estão a Scholastic, da série “Jogos Vorazes”, e a Houghton Mifflin Harcourt.

As notícias sobre o Kindle Unlimited começaram a surgir semanas antes de seu lançamento, quando a Amazon postou acidentalmente um vídeo promocional sobre o modelo de assinatura. O vídeo foi retirado do site, mas não antes que blogs de tecnologia comentassem sobre ele.

Ao oferecer o serviço, a Amazon está ingressando em um mercado cada vez mais lotado. Concorrerá com empresas iniciantes de distribuição digital de livros que oferecem serviços semelhantes, como a Scribd e a Oyster.

A Scribd conta com cerca de 400 mil títulos, e cobra US$ 8,99 ao mês. A Oyster tem mais de 500 mil títulos e oferece acesso ilimitado aos leitores por US$ 9,95 ao mês.

Com modelos de preço semelhante, a concorrência entre os serviços de livros eletrônicos por assinatura pode ser decidida com base no conteúdo e autores disponíveis.

O serviço da Scribd inclui livros de mais de 900 editoras, entre as quais Simon & Schuster e HarperCollins.

A Oyster oferece títulos de seis das dez maiores editoras norte-americanas.

Ainda assim, a Amazon ingressa no segmento com uma imensa vantagem: seu predomínio na publicação de livros eletrônicos e sua vasta biblioteca de audiobooks, que ela está integrando ao seu serviço por assinatura.

Do “New York Times” | Publicado originalmente por UOL | 26/07, às 3:10 | Tradução de PAULO MIGLIACCI

Nova regra de ‘Netflix para livros’ enfurece escritores independentes


O escritor inglês Dave Robinson, 50, é um dos leitores que aderiram a um novo tipo de serviço para consumo de livros digitais que pode revolucionar o mercado.

Ele assinou o Kindle Unlimited, que a varejista on-line Amazon lançou no último dia 18, apenas nos EUA.

O funcionamento é simples: por US$ 9,99 [R$ 22,26] ao mês, o leitor tem acesso a mais de 600 mil títulos. O produto vem sendo chamado de Netflix para livros, em referência ao serviço em que é possível assistir a séries e filmes on-line por um valor mensal.

Para o inglês, a vantagem é a variedade de séries de ficção científica. “Mesmo a quatro dólares por um livro impresso, uma série inteira de oito volumes acaba ficando cara. Por dez dólares eu posso ler tudo e ainda tentar outros“, escreve ele num fórum dedicado a discutir e-books.

A Amazon não revela quantos leitores já fizeram a assinatura nem quando o serviço deverá vir ao Brasil.

A chegada de uma gigante do varejo movimenta um setor ainda pouco explorado. As iniciativas mais antigas na área –a Oyster e a Scribd–, nos EUA, são de 2013.

Editoria de Arte/Folhapress

Para o analista Carlo Carrenho, fundador do Publishnews, os próprios editores ainda não sabem qual será o impacto nas vendas. “Isso altera o modelo de negócio.

A mudança é na remuneração às editoras e aos autores, que deixam de ganhar por livro comprado e passam a receber por livro lido. No caso da Amazon, o leitor tem de atravessar pelo menos 10% do exemplar para que os autores tenham retorno.

A discórdia cresceu especialmente entre independentes, segundo o fundador da Smashwords, empresa que distribui e-books autopublicados para lojas virtuais.

Segundo o americano Mark Coker, 49, a forma de pagamento “imprevisível” da Amazon e o tratamento preferencial dado a grandes editores enfureceu os autopublicados.

A Amazon remunera os pequenos por meio de um fundo global variável. Escritores independentes ganham uma porcentagem a partir do montante total desse fundo.

A varejista também exige exclusividade deles. Já as grandes editores recebem o valor sobre o preço de capa do livro vendido.

No Brasil, por enquanto, o momento das editoras ainda é de observação do modelo, diz a presidente do sindicato da categoria, Sônia Jardim.

Me parece interessante no caso de livros universitários. Quem sabe não iniba a xerox.

Esse gênero de biblioteca tem exemplos aqui. A Nuvem de Livros e a Árvore de Livros são iniciativas com estratégias financeiras mais amigáveis às editoras: a remuneração não está condicionada à leitura.

A Nuvem paga autores e editoras um valor mensal. Já o contrato de remuneração da Árvore conjuga empréstimo e número de exemplares.

Para o presidente da Árvore, Galeno Amorim, a ampliação de bibliotecas digitais aumentará o número de leitores.

POR ALAN SANTIAGO | Publicado originalmente em Folha de S. Paulo | 26/07/2014, às 02h32