Aos 10 anos, autora mirim cria livro digital para ganhar mesada no RS


Todo pai e toda mãe estão acostumados. Sempre chega uma fase em que um assunto é inevitável: a hora de começar a receber mesada. Foi em uma conversa assim, na casa da família do biólogo e empreendedor Paulo Lima, em Porto Alegre, que nasceu uma maneira criativa de ajudar a filha Larissa a começar a ganhar seu próprio dinheiro. Aos 10 anos, a menina se tornou autora mirim e já tem seu primeiro livro disponível à venda em uma loja virtual.

Quando Larissa foi até o pai pedir para ganhar dinheiro como as amigas da escola, Paulo devolveu uma proposta. “Minha geração não foi acostumada a ser empreendedora. O sonho era conseguir carteira assinada. Eu mesmo só descobri o empreendedorismo mais tarde. Então eu disse para ela que não ia dar o dinheiro, mas que ia ajudá-la a encontrar uma maneira de ganhar o próprio dinheiro”, conta o pai.

Enquanto Paulo pensava que a filha viria com a ideia de pedir um kit de miçangas para fazer pulseiras e vender, Larissa o surpreendeu: queria escrever livros. A menina cresceu cercada por livros e histórias. Desde cedo, segundo o pai, ela já tinha a própria biblioteca com clássicos de Hans Christian Andersen, das histórias da Disney e da escritora gaúcha de cabelo azul, Léia Cassol. Ainda pequena, Larissa ensaiou fazer seus primeiros livros. Andando pela casa, a menina agarrava blocos de lembretes e criava suas histórias em muitas páginas. Por isso, a ideia de escrever veio naturalmente.

O primeiro livro de Larissa, “O espanta-tranqueiras”, conta a história de duas crianças que descobrem na fazenda dos avós um robô construído para ensinar como comer bem. Com a industrialização ,os avós deixaram de manter a fazenda como um local saudável, onde latinhas de refrigerante crescem em árvores, por exemplo. Mas o robô é recuperado e ajuda a fazer da fazenda da família um local onde se produz e se come apenas alimentos saudáveis.

Ela sempre teve alimentação saudável e se preocupa com os coleguinhas que estão acima do peso e que só se alimentam de refrigerantes e tranqueiras. Uma das meninas da sala dela foi inclusive diagnosticada com diabetes”, diz Paulo.

Empresário de uma editora especializada em publicações digitais há um ano e meio, Paulo se encarregou de cuidar da publicação da história da filha. Enquanto Larissa escreveu as aventuras de seus personagens, foi ele quem fez as ilustrações e animações digitais. As narrações foram um trabalho em conjunto da dupla.

Depois de finalizado, o livro foi enviado para avaliação da loja da Apple, a iBooks. Há uma semana, a empresa colocou a obra de Larissa à venda em sua loja virtual. Já nos primeiros dias, “O espanta-tranqueiras” obteve cerca de 60 downloads e lucro de quase U$S 100 [R$ 223]. Agora, a autora mirim passa os dias em frente ao site para acompanhar o sucesso editorial de sua primeira obra.

Me surpreendeu positivamente. Esperava que desse certo mas não tão certo. Não esperava vê-la com esse espírito tão empreendedor”, declara o pai, orgulhoso. Paulo tem experiência com este espírito. Desde 2007, ele trabalha desenvolvendo projetos de aplicativos e vídeo-aulas, até abraçar a ideia da editora de publicações digitais.

Sobre os caminhos que pretende seguir quando crescer, já passaram pela cabeça de Larissa ser designer de roupas de cachorro ou arquiteta. A certeza dela, porém, é de que em qualquer área em que venha a atuar no futuro a menina quer ser escritora. Ela já tem planos para a primeira mesada conquistada com seu livro na internet.

Ela quer comprar um teclado, desde pequena ela vê o padrinho tocando e tem vontade de aprender”, revela o pai. Paulo, porém, toma cuidado em ensinar a menina sobre os investimentos com o dinheiro em mãos. “Aí entra também a questão da economia familiar, de ensinarmos para eles que o dinheiro não pode ser gasto todo de uma vez. Temos de ensinar a gerenciar e deixar investido no banco”, explica ele.

De acordo com o pai, Larissa não pretende parar. Ela já anunciou em casa que tem ideias para seu próximo livro. E já até virou influência na família. “O Caio, meu filho de cinco anos, uma noite dessas, disse que também quer fazer o livro dele. Vamos ver”, ri Paulo.

G1 | 17/07/2014

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