Tecnologia permite virar a página de eBook simulando o uso de um livro tradicional


Recursos ‘antiquados’ tornam as telas de toque mais confortáveis

Tecnologia permite virar a página de e-book simulando o uso de um livro tradicional | Sangtae Kim/The New York Times

Tecnologia permite virar a página de e-book simulando o uso de um livro tradicional | Sangtae Kim/The New York Times

As superfícies planas das telas de toque podem prejudicar a leitura de perto e a digitação acurada. As pessoas que folheiam páginas eletrônicas muitas vezes reportam menor retenção daquilo que leem, ante a leitura de páginas em papel, de acordo com alguns estudos. E digitar em uma superfície plana, sem teclas físicas para guiar os dedos, requer atenção visual reforçada, o que reduz a concentração quanto aos pensamentos que devem ser expressos.

Há empresas que estão tentando resolver esses problemas por meio de instrumentos adaptados do mundo analógico, a exemplo das teclas tridimensionais de máquinas de escrever, páginas tácteis em papel e provas de surpresa em salas de aula.

A Tactus Technology, de Fremont, Califórnia, está desenvolvendo um teclado com teclas que mudam de forma e saltam da superfície da tela quando necessário, disse Craig Ciesla, um dos fundadores da companhia. O fluido armazenado em microcanais eleva as teclas e depois volta a baixá-las, o que faz parecer que derreteram.

A tecnologia será oferecida neste ano como acessório para o iPad Mini, disse Ciesla. No ano que vem, será parte de muitas telas de toque usadas em tablets e smartphones.

Recursos tácteis como esses podem ajudar a criar memória muscular e melhorar a precisão perdida com a corrida para a adoção das telas de toque, disse Scott MacKenzie, professor da Universidade York, de Toronto, que se especializa em interação entre computadores e seres humanos. Muita gente que digita em telas de vidro planas precisa manter o olhar concentrado na tela a fim de atingir a tecla certa, ele diz. “As pessoas não só precisam de atenção visual como precisam de muita atenção visual“, ele diz.

Isso significa menos atenção ao ato da composição, diz Eric Wastlund, da Universidade de Karstad, Suécia.

Muitos estudos sugerem que a memória e compreensão das pessoas muitas vezes são superiores quando elas leem passagens longas em papel, e não em uma tela, diz Mariette DiChristina, editora chefe da revista “Scientific American”, que realizou uma conferência no ano passado sobre o aprendizado na era digital. Mas os livros didáticos eletrônicos estão incorporando maneiras de compensar esse problema, ela diz, “de modo que a pessoa distribua no tempo o que está aprendendo, com feedback imediato sobre o que está certo e o que está errado, a fim de ajudá-la a saber o que entendeu e o que não entendeu“.

Desacelerar os estudantes na leitura de livros eletrônicos pode ser importante, diz Marianne Wolf, neurocientista cognitiva na Universidade Tufts, em Medford, Massachusetts.

Você pode lembrar de que algo que leu ontem no jornal estava no meio da página, ou no canto direito“, diz Wastlund. “Esse tipo de mapa cognitivo é muito mais difícil de criar com páginas eletrônicas transitórias“. Pesquisadores de uma universidade sul-coreana construíram o protótipo de uma interface para tela de toque que permite que alunos folheiem um livro eletrônico como fariam com um livro em papel.

Todos esses recursos podem ajudar as pessoas que precisam desacelerar ao trabalhar com telas de toque. “Ler de passagem, ler por cima, multitarefas, tudo isso uma tela permite fazer melhor“, disse a Dra. Wolf, acrescentando que a melhora não precisa vir à custa do que ela classifica como “leitura profunda”: o aspecto contemplativo e concentrado da vida de leitura.

POR ANNE EISENBERG | DO “NEW YORK TIMES” | Publicado em português por Folha de S. Paulo | 09/07/2014 14h13 | Copyright Folha de S. Paulo. Todos os direitos reservados.

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