Internet supera livrarias em vendas de livros nos EUA


Comércio de livros pela internet ganha força com crescimento de pedidos e aumento de procura por e-books

Reuters

SÃO PAULO | As livrarias de paredes, prateleiras e tijolos estão em declínio. Pelo menos é o que parece acontecer nos EUA, onde o faturamento das editoras foi maior, pela primeira vez, em lojas online e vendas de e-books do que em varejistas físicas.

Em 2013, as vendas “virtuais” corresponderam a US$ 7,54 bilhões, enquanto a receita vinda do modo tradicional de se vender livros foi de US$ 7,12 bilhões, de acordo com estatísticas da BookStats, que contou com informações cedidas por mais de 1,6 mil editoras. Assim, as vendas online representaram 35,4% da receita das editorias, que ainda conta com a venda de livros escolares e publicações acadêmicas. Ainda que a diferença não seja grande, mostra uma preferência considerável do público americano pela compra pela internet.

De maneira geral, a indústria editorial americana permaneceu estável com suas vendas batendo US$ 27,01 bilhões em 2013. Pouco inferior aos US$ 27,1 bilhões de 2012 – queda de 0,3% – e aos US$ 26,5 bilhões de 2008 – um aumento de 1,9% em seis anos.

E-books. A venda de e-books nos Estados Unidos também cresceu e bateu recorde em 2013. Em volume, esse formato passou a vender de 465,4 milhões em 2012 para 512 milhões de unidades [um aumento de 10,1%]. Apesar de inédito, o número não foi suficiente para deixar o formato em papel para trás.

Em termos de receita, no entanto, o número apresentou ligeira queda de 0,7%, caindo de US$ 3,06 bilhões [2012] para US$ 3,04 bilhões. Para analistas, a relativa estabilidade – após crescimento consecutivo em relação ao ano anterior – é resultado de políticas de promoção, que aumentaram a demanda ao diminuir o preço dos livros digitais, mas não necessariamente provocaram aumento de interesse de novos leitores americanos pelo formato digital.

Outro fator que pesa contra o posicionamento dos livros digitais na pesquisa se refere ao fato de que a Bookstats considerou apenas livros com ISBN – número de cadastro usado pela maioria dos editoras do mundo. Dessa maneira, ela excluiria livros e e-books autopublicados.

Brasil. No País, dados do Sindicato Nacional dos Editores de Livros [Snel] contabilizam uma receita anual em 2012 [o último período registrado] de US$ 4,98 bilhões. Entre 2011 e 2012, houve um aumento do número de livros digitais vendidos [entram na conta e-books e aplicativos de leitura animados] de 343% no mercado brasileiro. No total, foram lançados 7,6 mil títulos no formato digital em 2012, além de 235 mil unidades vendidas. O que levou a indústria brasileira a ter um faturamento da R$ 3,8 milhões [participação de 0,78%].

A Saraiva – que vende, além de livros, aparelhos eletrônicos – teve 30% de suas vendas concentradas no e-commerce.

Em 2012, o Brasil viu o mercado de livros digitais expandir com a chegada da canadense Kobo, da americana Amazon [dona do leitor Kindle], da loja de livros do Google [em sua loja virtual Google Play] e com o início das vendas de livros em português pelo iTunes, da Apple.

Diferenças de Brasil e EUA

Enquanto lá fora muitas cadeias tradicionais de livrarias sofrem para seguir no mercado, fruto do “fantasma” da Amazon no mercado, no Brasil ainda há expansão de lojas físicas. A rede brasileira Saraiva está investindo na abertura de unidades nos aeroportos que estão passando por reformas ou ampliações. A companhia já abriu uma nova unidade em Guarulhos e terá mais cinco lojas só em Viracopos, em Campinas. Após dois anos sem nenhuma nova loja no País, a francesa Fnac abriu uma unidade na área de free shop de Guarulhos, em maio. A Hudson, rede que pertence à empresa de “free shops” Dufry, estreou no Brasil com lojas em terminais aeroportuários. Com 700 pontos de venda no exterior, a companhia aposta em unidades de “conveniência” em aeroportos por aqui. Por enquanto, anunciou sete Hudson News em terminais como Guarulhos, Brasília e Natal. Como não existe um site dominante de vendas de livros pela internet no País, como é o caso da Amazon nos EUA, as principais redes locais estão buscando reforçar suas operações online. A Livraria Cultura investiu R$ 8 milhões na área este ano. Recentemente, a Saraiva fechou parceria para oferecer seu portfólio de livros dentro do site Walmart.com.

Por Bruno Capelas | Publicado originalmente em O Estado de S. Paulo | 02/07/2014

Prêmios literários não preevem espaço para eBooks


Em sua maioria, os e-books são versões digitais de obras também impressas – e, até por isso, tendem a ter preços parecidos e caros. Novas iniciativas exclusivamente digitais, como a Formas Breves e a Cesárea, trazem textos inéditos de nomes de destaque da produção contemporânea, incluindo de Nuno Ramos a Fernando Monteiro. O problema é que o cenário literário, da crítica aos prêmios, ainda não dá a devida atenção aos lançamentos virtuais.

Nos três mais prestigiados concursos da área no Brasil, as obras digitais ainda não podem competir. O Jabuti, o São Paulo de Literatura e o Portugal Telecom, na edição deste ano, só previam a inscrição de obras impressas, sem espaço e oportunidade para e-books. O Prêmio São Paulo, por exemplo, deixa claro isso no regulamento: só são aceitos romances, em português, de autores vivos e em formato impresso.

O Portugal Telecom também aponta a exigência do “modelo impresso” para suas obras. O único que deixa menos claro a questão é o Jabuti, mas, segundo a assessoria de imprensa da premiação, a obra precisa ser inédita em formato impresso para concorrer [ou seja, obras digitais ainda não são consideradas títulos no prelo]. “A Comissão Curadora do Jabuti está estudando a inclusão de livros digitais para as próximas edições. Para este ano, de acordo com o regulamento, somente podem participar obras impressas”, explicou a organização do concurso.

Para Carlos Henrique Schroeder, editor da Formas Breves, isso é um sintoma de como as premiações precisam se atualizar. “Nossos prêmios primeiro devem separar conto e crônica, como na maioria dos prêmios, pois são coisas muito distintas e com intenções muito diferentes. E aceitar inscrições em e-books, ou criarem versões dos prêmios em e-book. Os prêmios precisam olhar para frente, não para trás”, aponta o escritor catarinense.

O jornalista e editor Schneider Carpeggiani, da Cesárea, questiona o mesmo problema. Segundo ele, vai se tornar cada vez mais paradoxal a ausência de obras exclusivamente digitais nas premiações. “Quando você esbarra numa questão como essa, você se pergunta: os prêmios julgam o conteúdo ou o suporte? Não é o projeto gráfico ou a qualidade do papel que importam em um romance”, provoca. Ele ainda lembra que prêmios jornalísticos já aceitam inscrições com projetos digitais.

EM PRODUÇÃO

Para este ano, Schroeder antecipa que muitos autores novos vão sair pela Formas Breves. Da Argentina, vão ser publicados contos de Sérgio Chejfec e Marianna Enriquez, além de novas traduções de narrativas curtas de Virginia Woolf. A literatura contemporânea atual também será representada, com André Sant’Anna, Carola Saavedra, Cadão Volpato e Rodrigo Garcia Lopes.

A Cesárea também terá uma agenda cheia nos próximos meses. A terceira edição da revista, com a temáticas de fantasmas, sai no dia 9 de junho. Em livros, duas novidades estão sendo preparadas: uma reedição de Maçã agreste, de Raimundo Carrero, o melhor livro do autor salgueirense segundo ele mesmo, e um ensaio sobre as selfies, feito pelo jornalista e doutorando em comunicação Paulo Carvalho.

Jornal do Commercio | 01/07/2014

Os autores mais inventivos no Twitter


O Globo seleciona os cinco escritores que usam o microblog de forma original

TwitterO diário carioca O Globo fez um especial com os cinco escritores que usam o Twitter de forma original. Nenhum brasileiro na lista, mas lá está a americana Jennifer Egan [@Egangoonsquad] que escreveu um conto completo dividido em tweets diários. Ao final, o texto foi publicado na revista New Yorker. Outro listado pelo jornal é o nigeriano Teju Cole [@tejucole] que foi ainda mais longe do que Jennifer Egan: escreveu um conto apenas retuitando tweets de outros usuários. Ele também usou o Twitter para criar uma versão contemporânea do Dicionário de ideias feitas, de Flaubert. Para ler a lista completa, clique aqui.

PublishNews | 01/07/2014