Abril decide focar sua distribuição de conteúdo digital em assinaturas de revistas


A Editora já soma 570 mil assinaturas de revistas digitais e lançou com sucesso, no início deste ano, o iba clube, serviço de acesso ilimitado a revistas digitais

Com o sucesso nas vendas de assinaturas de revistas digitais, que já alcançam a marca de 570 mil, a Abril decidiu focar a atuação de distribuição de conteúdo digital exclusivamente no segmento. Como consequência, o iba terá suas atividades concentradas na distribuição de revistas para assinantes e no iba clube, serviço de acesso ilimitado a revistas digitais lançado em março deste ano. Com isso, até o final do ano e-books e jornais não farão mais parte das operações do iba. A mudança está alinhada à intenção da Abril Mídia de priorizar as frentes mais promissoras do seu negócio para o fortalecimento de suas principais marcas.

Os leitores de e-books e jornais digitais que adquiriram publicações na loja continuarão com acesso integral a esses conteúdos por meio dos aplicativos iba, com os mesmos prazos e condições acordados no momento da compra dos produtos.

O iba clube oferece aos seus membros acesso ao acervo completo de quatro revistas mensais por um valor fixo (R$ 19,90). O portfolio contempla os títulos digitais da Abril e de outras cinco editoras. Desde o seu lançamento, o iba clube aumentou em 200% a venda de revistas digitais avulsas da Editora Abril, tendo quadruplicado a participação do iba nas vendas.

Sobre a Abril Mídia | A Abril Mídia é o braço de comunicação do Grupo Abril. Abaixo de sua estrutura está a Editora Abril, maior editora de revistas do Brasil, com mais de 40 títulos e que atinge cerca de 30 milhões de leitores; a Abril Gráfica, maior gráfica de revistas da América Latina; e o Casa Cor, segundo maior evento de arquitetura e decoração do mundo. Além dessas empresas, a Abril Mídia também possui uma grande operação de assinaturas e a Unidade de Negócios Digitais, que reúne diversos sites e aplicativos da Abril.

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Biblioteca da Câmara dos Deputados conclui digitalização de 200 obras raras


O projeto de digitalização de 200 obras raras do acervo da Biblioteca Pedro Aleixo, da Câmara dos Deputados, foi concluído. Os livros e periódicos, que datam dos séculos 16 ao 20, já podem ser acessados gratuitamente na página Biblioteca Digital na internet.

No total, a Câmara possui cerca de 4.600 obras raras e 108 títulos de periódicos raros. As 200 obras digitalizadas foram selecionadas a partir de aspectos como conteúdo, elevado valor histórico e demanda de consultas.

Entre os títulos digitalizados recentemente estão coletâneas da legislação do Império e edições do Jornal das Trincheiras [órgão da Revolução Constitucionalista de 1932].

A obra mais antiga que está disponível no formato digital é um relato em latim, do ano de 1537, sobre as grandes expedições de navegadores como Cristóvão Colombo e Américo Vespúcio.

R7 | 31/7/2014

Consumo da literatura é mediado pelas redes sociais


Estudo apresentado na Flip mostra que web virou ferramenta para disseminar o texto literário

Paulo Leminski começou a ser muito citado no Facebook na época das manifestações que tomaram as ruas do país | Imagem Márcio Santos / Agência O Globo

Paulo Leminski começou a ser muito citado no Facebook na época das manifestações que tomaram as ruas do país | Imagem Márcio Santos / Agência O Globo

SÃO PAULO — O consumo de literatura é cada vez mais mediado pelas redes sociais. No entanto, o impacto dessas mídias na produção, consumo, distribuição e troca de trabalhos literários ainda não foi mensurado a contento. Para Fabio Malini, coordenador do Laboratório de Pesquisador sobre Imagem e Cibercultura [Labic] da Universidade Federal do Espírito Santo, essa transformação traz novos públicos, novos espaços de circulação da literatura e novos mediadores, transformando a obra literária de diferentes escritores em discursos espalhados pela internet, fazendo de alguns autores celebridades da rede.

Para preencher em parte essa lacuna, Malini dedicou-se a observar a propagação da literatura brasileira no Twitter e no Facebook. A pesquisa, encomendada pelo Itaú Cultural, será apresentada nesta quarta na programação da instituição na Flip, e publicada na edição 17 da revista “Observatório cultural”.

O estudo mostra que a propagação de citações é o modo mais utilizado para disseminar o texto literário nas redes sociais. Na literatura contemporânea, observa-se a construção de um autor que, ao mesmo tempo, publica e constitui uma relação íntima com seus públicos na rede. E estes espalham visões críticas e afetos pelas obras que lhe interessam.

— O consumo de literatura nas redes sociais vem alterando o comportamento dos escritores. Em seus perfis, eles passaram a revelar bastidores de seu processo de produção, ao mesmo tempo em que divulgam suas obras. Especialmente os autores dedicados ao público juvenil: esses estão em constante presença nas redes, quase como personagens — explica Malini, lembrando que a escritora Thalita Rebouças é uma das autoras brasileiras de maior público no Facebook, com mais de 300 mil fãs que interagem continuamente com sua página na rede social.

Segundo o pesquisador, Thalita faz de sua página uma espécie de diário virtual reproduzindo a própria discursividade adolescente na rede. No lugar de um narrador mais recolhido, dedicado à obra, a escritora radicaliza a linguagem do selfie, com inúmeros autorretratos. Assim, seu público pode consumir não apenas a sua literatura, mas a sua vida. É uma situação de alta visibilidade em tempo real.

Mas não é só o público juvenil que está em busca de um contato mais próximo com escritores nas redes sociais. Malini acredita que essa avidez por comunicação cria uma geração de autores mais abertos em sua subjetividade literária, motivados por um público que deseja vislumbrar uma produção até então baseada no recolhimento.

— O público não só busca maior compreensão da obra de seus autores favoritos, como também gosta de observar sua visão de mundo, suas posições políticas — observa o especialista.

Outro aspecto do consumo de literatura nas redes é a cultura de fãs de autores que já morreram, tais como Machado de Assis, Guimarães Rosa, Graciliano Ramos, Mário de Andrade, Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Paulo Leminsky e Caio Fernando Abreu.

Thalita Rebouças é uma das autoras brasileiras de maior público no Facebook | Foto: Eduardo Naddar | Agência O Globo

Thalita Rebouças é uma das autoras brasileiras de maior público no Facebook | Foto: Eduardo Naddar | Agência O Globo

Os autores mais citados pelo mundo acadêmico não são os mais populares nas redes sociais. Obras de Guimarães Rosa, Graciliano Ramos e Mário de Andrade são menos citadas, curtidas e compartilhadas. Já as do poeta Carlos Drummond de Andrade e do escritor Machado de Assis alavancam diferentes apropriações pelos usuários. As páginas de Drummond, Caio e Clarice são as campeãs de fãs no Facebook: juntas mobilizam mais de 1 milhão de seguidores.

— Os perfis desses autores brasileiros já falecidos geralmente são administrados por literatos ou escritores. Daí a cultura do remix literário, ou seja, a liberdade que esses administradores de fan pages têm em assumir características marcantes do autor e criar suas próprias frases, numa espécie de emulação. Citações que têm algo de autoajuda quando tiradas de seu contexto fazem muito sucesso. Em alguns casos, servem como indiretas ao serem compartilhadas — detalha o acadêmico sobre o comportamento do leitor brasileiro na web.

Paulo Leminski, por exemplo, começou a ser muito citado no Facebook na época das manifestações que tomaram as ruas do país, há pouco mais de um ano. Esse movimento nas redes sociais levou a antologia “Toda poesia” de Leminski a figurar diversas semanas na lista de mais vendidos.

Ecoando o desejo dos manifestantes de humanizar o espaço urbano, um poema de Leminski [“Ainda vão me matar numa rua. Quando descobrirem, principalmente, que faço parte dessa gente que pensa que a rua é a parte principal da cidade”] foi retuitado centenas de vezes. Nos dias 15 e 16 de junho de 2013, a tag #todarevoluçãocomeçacomumafaísca esteve entre as mais populares no Brasil, uma alusão à trilogia juvenil “Jogos vorazes”, outro best-seller.

A tese de que perfis de redes sociais não discutem literatura em tempo real é uma especulação simplista, acredita Malini. A rede se tornou um manancial de novos críticos, novos mediadores da literatura, por onde as obras da nova geração e dos autores “mortos” ganham vida e sobrevida.

— É impressionante o que as redes sociais têm feito pela popularização da poesia brasileira, gênero historicamente renegado. É reducionista acusar a rede de gerar um consumo fácil e rápido de literatura, assim como é simplista acreditar que só o livro oferece leitura de qualidade. As redes sociais são portas de entrada para leitores, escritores e críticos, democratizando o consumo e a produção literária — acredita Malini.

Por Márcia Abos | O Globo | 30/07/2014, às 12:08

Biblioteca da Câmara conclui digitalização de 200 obras raras


Foi concluído o projeto de digitalização de 200 obras raras do acervo da Biblioteca Pedro Aleixo, da Câmara dos Deputados. Os livros e periódicos, que datam dos séculos 16 ao 20, já podem ser acessados gratuitamente na página Biblioteca Digital na internet.

No total, a Câmara possui cerca de 4.600 obras raras e 108 títulos de periódicos raros. As 200 obras digitalizadas foram selecionadas a partir de aspectos como conteúdo, elevado valor histórico e demanda de consultas.

Entre os títulos digitalizados recentemente estão coletâneas da legislação do Império e edições do Jornal das Trincheiras [órgão da Revolução Constitucionalista de 1932]. A obra mais antiga que está disponível no formato digital é um relato em latim, do ano de 1537, sobre as grandes expedições de navegadores como Cristóvão Colombo e Américo Vespúcio.

Preservação do acervo

O projeto de digitalização foi concluído seis meses antes do previsto, já que a expectativa era finalizá-lo em dezembro deste ano. A digitalização foi feita com o uso de escâneres planetários, equipamentos que registram o material impresso em alta resolução sem danificar as páginas do arquivo.

As publicações digitalizadas estão disponíveis no site www.camara.leg.br, nos menus “Documentos e Pesquisa”, “Biblioteca Digital” e “Obras Raras”. Para acessar, clique aqui.

Câmara dos Deputados | 30/07/2014 | Da Redação PT

‘Crisálida’ gratuito


Campanha disponibilizou livro de contos para leitura pela internet

Widbook2.311. Esse foi o número de leitores que puderam ler gratuitamente o livro de contos Crisálida – Amores que transformam, livro organizado por Lycia Barros e Janaina Vieira. A ação fez parte da campanha do Widbook, lançada no Dia do Escritor, onde através do acesso ao portal todos os que desejaram tiveram acesso a publicação. No livro, trezes escritoras falam de amor. Na quarta-feira da próxima semana [06], três autoras do livro participarão de um hangout a partir das 19h30. Quem quiser participar pode enviar as perguntas antecipadamente para o e-mail me@widbook.com.

PublishNews | 29/07/2014

Mercado ganha Guia da Autopublicação


Lançamento oficial acontece no dia 1º de agosto

No próximo dia 1º de agosto será lançado oficialmente um espaço com informações e tutoriais para quem deseja escrever, publicar, distribuir, divulgar e vender seu próprio livro impresso e/ou digital. No Guia da Autopublicação, autores e o editores independentes encontrarão uma série de dicas do mundo real e a orientação necessária para posicionar, publicar, promover, distribuir e vender sua obra autopublicada, nos formatos impresso e digital. O espaço tratará também as principais notícias relacionadas à autopublicação de livros no Brasil e no exterior. O novo portal é coordenado por Cláudio Soares, CEO e fundador da Obliq Press, empresa especializada em produção editorial e tecnologia.

PublishNews | 29/07/2014

Revista Observatório Itaú Cultural disponível para download gratuito


Revista que será lançada durante a Flip já pode ser baixada para leitura

Já está disponível para download gratuito a edição de número 17 da Revista Observatório Itaú Cultural. A revista traz uma reflexão ampla e consistente sobre os caminhos do livro e da leitura no século XXI. O lançamento oficial acontece na Flip amanhã [30], às 14h, na Casa de Cultura de Paraty, mas quem quiser adiantar a leitura pode baixar gratuitamente o conteúdo pela Amazon, pelo Kobo, Saraiva ou Apple. O evento de lançamento será marcado por uma mesa redonda intitulada Livro e leitura no século XXI: novos arranjos produtivos e novas formas de apropriação, que terá a presença do CEO e fundador do PublishNews Carlo Carrenho e dos autores Cristiane Costa e Fábio Malini.

PublishNews | 29/07/2014

Apple adquire startup que criou o ‘Pandora dos livros’


O mercado de livros na internet é largamente dominado pela Amazon, mas Apple adquiriu uma startup que pode ajudá-la na batalha por esse segmento. Fundada em 2007, a BookLamp se especializou na análise estatística de estilos literários. Seu produto mais conhecido era o Books Genome Project, hoje fora do ar, que comparava a linguagem e os temas de livros para agrupá-los e oferecer recomendações de leitura aos usuários — algo semelhante ao que sites como o Pandora fazem para músicas. A compra foi revelada pelo site americano Techcrunch, especializado em tecnologia, que a estimou entre 10 e 15 milhões de dólares.

A imagem abaixo mostra como o Books Genome Project analisava os livros, mapeando a história e seus temas. As áreas verdes, por exemplo, mostram cenas que transcorrem num ambiente escolar no romance Carrie, a Estranha, de Stephen King, ao passo que as áreas negras indicam cenas de morte.

A BookLamp já tinha entre seus clientes a Apple e a Amazon, além de editoras tradicionais, que usavam seus serviços para prospectar novos títulos, estimar quais públicos seriam adequados para um livro ou tomar decisões de marketing.

A Apple não comentou a aquisição, mas as ferramentas do BookLamp poderiam incrementar de maneira óbvia os serviços de sua livraria virtual, a iBooks, que atualmente não oferece recomendações com base nas similaridades entre obras.

Veja | 27/07/2014

Assinatura mensal de eBooks promete mudar relação com livros e elevar tensão com editoras


Amazon inicia serviço que é considerado o ‘Netflix dos livros’

RIO | A Amazon está habituada a lançar serviços destinados a destruir seu próprio negócio, e o Kindle é exemplo disso. Quando apresentou seu leitor de livros digitais, em 2007, a empresa de Jeff Bezos já faturava bilhões vendendo cópias em brochura e capa dura e sabia que os e-books iriam canibalizar parte considerável da receita. Porém, a companhia julgava que era melhor aniquilar seu modelo do que permitir que outra o fizesse. Sete anos após se estabelecer como força hegemônica dos e-books, a Amazon volta a recorrer à destruição criativa nesse mercado, lançando um produto que pode tornar obsoleta a venda avulsa de livros digitais — mas não sem antes aprofundar a já tensa relação com editoras, inclusive no Brasil.

O Kindle Unlimited estreou no fim de semana passado e é uma espécie de Netflix dos livros. O usuário paga US$ 9,99 por mês e pode acessar quantos livros quiser. O preço chamou atenção, já que é comum um único exemplar de e-book custar mais que isso no site. Por enquanto, o serviço só está disponível nos Estados Unidos, mas qualquer cliente que se registre no site como americano pode assiná-lo.

Grandes editoras não aderem

O catálogo tem 600 mil livros, incluindo dois mil em áudio, mas os consumidores sentirão falta de vários best sellers: as cinco maiores editoras dos EUA — que travam uma guerra contra a Amazon e já foram acusadas de formar cartel com a Apple para combater a empresa — não aceitaram participar. Embora não tenham se posicionado oficialmente, elas temem que o modelo dê ainda mais poder à Amazon sobre o preço das obras. A paciência dos investidores pode atrapalhar: as ações caíram 9,6% na sexta-feira, depois de a empresa divulgar prejuízo de US$ 126 milhões por causa do volume de investimentos.

— Será bom para as editoras se serviços de assinatura de e-books vingarem em todo o mundo. Mas será péssimo se a Amazon atingir uma posição quase monopolista, como já tem na venda de e-books nos EUA e no Reino Unido — afirma Dougal Thomson, diretor de comunicação da Associação Internacional dos Editores [IPA, sigla em inglês]. — A relação da Amazon com as editoras é cada vez mais tensa, com algumas disputas públicas sobre remuneração, como com a Hachette nos EUA e a Bonnier na Alemanha. Mas, se as assinaturas derem certo, e eu acho que vão dar, as editoras perceberão que se trata de uma fonte importante de receitas.

Nesta seara, porém, a Amazon não é pioneira. Algumas start-ups já oferecem acesso ilimitado a milhares de e-books. A principal é a americana Oyster, fundada em 2012, que cobra US$ 9,95 por mês e dá acesso a 500 mil obras, inclusive da gigante HarperCollins. A Scribd abrange 400 mil livros por US$ 8,99 ao mês. Mas, com a Amazon entrando na disputa, a coisa ganha outra proporção, avalia Carlo Carrenho, fundador do site PublishNews. A questão é se as editoras verão vantagem financeira em colaborar com a companhia.

A Amazon mantém segredo sobre o modelo de remuneração do Unlimited, mas Thomson diz que ele é semelhante ao do Oyster. Editores receberão valor equivalente à venda de uma cópia no atacado sempre que um leitor ultrapassar certo percentual de páginas de um de seus livros. No Oyster, especula-se que pelo menos 10% da obra devem ser consumidos. Um quarto da receita será repassada aos autores. Títulos independentes devem receber valor fixo, como US$ 2 por livro lido. Para Carrenho, o formato traz mudança importante na economia do setor:

— Hoje, remunera-se o livro comprado, lido ou não. No novo modelo, só gerarão receita aqueles efetivamente lidos. Isso traz grande eficiência ao processo, mas pode provocar perda absurda às editoras.

Indagada sobre quando o Unlimited chegará ao Brasil, a empresa se limita a dizer que o serviço está disponível nos EUA e que não especula sobre planos futuros. No Brasil, as editoras estão cautelosas. Procuradas, várias preferiram não se pronunciar alegando desconhecer detalhes do modelo. Para a presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros [Snel], Sônia Machado Jardim, a Amazon terá que discutir com elas novos contratos para inclusão dos e-books no novo serviço.

— Os contratos assinados em 2012, quando a empresa entrou no Brasil, não contemplam esse formato de assinatura. Não sabemos como será a remuneração. Se o leitor não ler nenhum livro no mês, o valor da assinatura fica todo com a Amazon? A empresa não conversou com o setor sobre isso — observa Sônia, que também é vice-presidente do grupo Record.

Convencer consumidor é desafio

Segundo ela, o maior receio é que a Amazon negocie maiores descontos no valor dos livros para viabilizar o novo modelo. Foram discussões sobre a precificação dos e-books que atrasaram a chegada da loja virtual ao país. Para impedir que a companhia vendesse obras por valor muito inferior ao das cópias em papel, as editoras brigaram e conseguiram ter controle sobre o preço do e-book, com a Amazon recebendo comissão pelas vendas. A Amazon preferia comprar títulos no atacado e vender por quanto quisesse.

Gustavo Stephan

Gustavo Stephan

Sem incentivo. O designer Gustavo Peres usa o leitor digital, mas não está entusiasmado com o novo serviço: “Não terei interesse, não gasto nem US$ 10 por mês com livro eletrônico” – Gustavo Stephan
Embora não tenha conversado com as editoras brasileiras, o Unlimited já possui 8.402 livros em português. Segundo a Amazon, isso acontece porque obras cadastradas no KDP Select — programa de exclusividade da plataforma de autopublicação da empresa — entram automaticamente no serviço. Entre os títulos disponíveis está o best seller “Assassinato de Reputações”, de Romeu Tuma Junior. Procurada, a editora Topbooks disse que não sabia que o livro estava no Unlimited.

Questões comerciais à parte, especialistas afirmam que o formato de assinatura pode se tornar o futuro dos livros. Conseguindo atrair o catálogo de grandes editoras com um modelo atraente, esses serviços elevam a média de leitura dos usuários, afirma Galeno Amorim, diretor-executivo da Árvore de Livros. Criada em abril, a empresa vende acesso ilimitado de e-books a escolas e bibliotecas de 25 cidades, com catálogo de 14 mil obras.

Como poucas pessoas leem mais de um livro por mês, o desafio de serviços como o Unlimited é convencer o consumidor a comprometer um valor mensal com leitura. Na média, o brasileiro lê quatro livros por ano, segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil de 2012. Lorena Piñeiro, de 24 anos, está testando o Unlimited e, mesmo acostumada a devorar três obras por mês, teme não ser capaz de dar conta da oferta:

— É ótimo para conhecer novos autores, já baixei sete livros, mas só continuarei usando se conseguir absorver o que baixo.

Mesmo apaixonado pelo Kindle, o designer Guilherme Peres é menos otimista:

— Não terei interesse nem se chegar ao Brasil porque não gasto US$ 10 por mês com livros eletrônicos.

Para Susanna Florissi, diretora da Câmara Brasileira do Livro [CBL], a evolução para o modelo de assinatura vai tirar o mercado editorial da zona de conforto:

— Mas é apenas um dos modelos que, no futuro, coexistirão. A experiência será cada vez mais fragmentada — avalia.

Por Rennan Setti | Publicado originalmente em O Globo – 27/07/2014, às 9:19

Flip digital


A coluna No Prelo conta que, além da argentina Graciela Mochkofsky, outro convidado da Flip terá um livro lançado exclusivamente em formato digital pela editora independente e-galáxia. O crítico Agnaldo Farias, que fará a conferência de abertura da festa, lançará ainda este ano A arquitetura eclipsada, que trata da complicada relação entre historiografia e arquitetura a partir do estudo das obras do russo Gregori Warchavchik.

O Globo | 26/07/2014

Amazon lança biblioteca digital sem cinco maiores editoras americanas


Depois de meses de especulação, na sexta-feira [18] a Amazon lançou um serviço digital de assinaturas que oferece acesso ilimitado a livros eletrônicos e audiobooks digitais por US$ 9,99 ao mês.

O serviço, Kindle Unlimited, oferece uma abordagem em estilo Netflix que permite acesso a mais de 600 mil livros eletrônicos, entre os quais séries de sucesso como “Jogos Vorazes” e “Diário de um Banana”, obras de não ficção como “Flash Boys”, do jornalista Michael Lewis, clássicos e ficção literária.

Até o momento, nenhuma das cinco grandes editoras dos Estados Unidos está oferecendo seus livros.

A HarperCollins, a Hachette e a Simon & Schuster, por exemplo, estão fora.

A Penguin Random House e a Macmillan se recusaram a comentar, mas uma busca na Amazon sugere que os livros dessas editoras tampouco estão disponíveis.

Como resultado, alguns títulos populares eram notáveis pela ausência quando o serviço começou a operar.

E como muitos escritores oferecem livros por mais de uma editora, os assinantes podem descobrir que têm acesso a certos livros de Michael Chabon e Margaret Atwood, mas não a outros.

A introdução do serviço surge em um momento de crescente tensão no relacionamento entre a Amazon e as grandes editoras.

O grupo de varejo on-line está sofrendo escrutínio cada vez mais intenso por seu domínio do mercado de livros eletrônicos e pelas táticas duras que usa nas negociações com as editoras.

A Amazon e a Hachette estão envolvidas em um duradouro e público impasse sobre os termos de venda de livros eletrônicos da editora, e a situação não parece próxima de uma solução.

Entre as editoras que estão oferecendo títulos pela assinatura estão a Scholastic, da série “Jogos Vorazes”, e a Houghton Mifflin Harcourt.

As notícias sobre o Kindle Unlimited começaram a surgir semanas antes de seu lançamento, quando a Amazon postou acidentalmente um vídeo promocional sobre o modelo de assinatura. O vídeo foi retirado do site, mas não antes que blogs de tecnologia comentassem sobre ele.

Ao oferecer o serviço, a Amazon está ingressando em um mercado cada vez mais lotado. Concorrerá com empresas iniciantes de distribuição digital de livros que oferecem serviços semelhantes, como a Scribd e a Oyster.

A Scribd conta com cerca de 400 mil títulos, e cobra US$ 8,99 ao mês. A Oyster tem mais de 500 mil títulos e oferece acesso ilimitado aos leitores por US$ 9,95 ao mês.

Com modelos de preço semelhante, a concorrência entre os serviços de livros eletrônicos por assinatura pode ser decidida com base no conteúdo e autores disponíveis.

O serviço da Scribd inclui livros de mais de 900 editoras, entre as quais Simon & Schuster e HarperCollins.

A Oyster oferece títulos de seis das dez maiores editoras norte-americanas.

Ainda assim, a Amazon ingressa no segmento com uma imensa vantagem: seu predomínio na publicação de livros eletrônicos e sua vasta biblioteca de audiobooks, que ela está integrando ao seu serviço por assinatura.

Do “New York Times” | Publicado originalmente por UOL | 26/07, às 3:10 | Tradução de PAULO MIGLIACCI

Nova regra de ‘Netflix para livros’ enfurece escritores independentes


O escritor inglês Dave Robinson, 50, é um dos leitores que aderiram a um novo tipo de serviço para consumo de livros digitais que pode revolucionar o mercado.

Ele assinou o Kindle Unlimited, que a varejista on-line Amazon lançou no último dia 18, apenas nos EUA.

O funcionamento é simples: por US$ 9,99 [R$ 22,26] ao mês, o leitor tem acesso a mais de 600 mil títulos. O produto vem sendo chamado de Netflix para livros, em referência ao serviço em que é possível assistir a séries e filmes on-line por um valor mensal.

Para o inglês, a vantagem é a variedade de séries de ficção científica. “Mesmo a quatro dólares por um livro impresso, uma série inteira de oito volumes acaba ficando cara. Por dez dólares eu posso ler tudo e ainda tentar outros“, escreve ele num fórum dedicado a discutir e-books.

A Amazon não revela quantos leitores já fizeram a assinatura nem quando o serviço deverá vir ao Brasil.

A chegada de uma gigante do varejo movimenta um setor ainda pouco explorado. As iniciativas mais antigas na área –a Oyster e a Scribd–, nos EUA, são de 2013.

Editoria de Arte/Folhapress

Para o analista Carlo Carrenho, fundador do Publishnews, os próprios editores ainda não sabem qual será o impacto nas vendas. “Isso altera o modelo de negócio.

A mudança é na remuneração às editoras e aos autores, que deixam de ganhar por livro comprado e passam a receber por livro lido. No caso da Amazon, o leitor tem de atravessar pelo menos 10% do exemplar para que os autores tenham retorno.

A discórdia cresceu especialmente entre independentes, segundo o fundador da Smashwords, empresa que distribui e-books autopublicados para lojas virtuais.

Segundo o americano Mark Coker, 49, a forma de pagamento “imprevisível” da Amazon e o tratamento preferencial dado a grandes editores enfureceu os autopublicados.

A Amazon remunera os pequenos por meio de um fundo global variável. Escritores independentes ganham uma porcentagem a partir do montante total desse fundo.

A varejista também exige exclusividade deles. Já as grandes editores recebem o valor sobre o preço de capa do livro vendido.

No Brasil, por enquanto, o momento das editoras ainda é de observação do modelo, diz a presidente do sindicato da categoria, Sônia Jardim.

Me parece interessante no caso de livros universitários. Quem sabe não iniba a xerox.

Esse gênero de biblioteca tem exemplos aqui. A Nuvem de Livros e a Árvore de Livros são iniciativas com estratégias financeiras mais amigáveis às editoras: a remuneração não está condicionada à leitura.

A Nuvem paga autores e editoras um valor mensal. Já o contrato de remuneração da Árvore conjuga empréstimo e número de exemplares.

Para o presidente da Árvore, Galeno Amorim, a ampliação de bibliotecas digitais aumentará o número de leitores.

POR ALAN SANTIAGO | Publicado originalmente em Folha de S. Paulo | 26/07/2014, às 02h32

Quando os livros se encontram com os games


A Feira de Frankfurt organiza para agosto mais uma edição do seu StoryDrive, iniciativa que promove o diálogo da indústria do livro com a dos games. Entre os dias 13 e 17, dez representantes de editoras internacionais e agências literárias poderão visitar a GamesCom, feira de jogos interativos realizadas na cidade alemã de Colônia. A ideia é aproximar e colocar na mesma mesa de negociação editoras e representantes de setores de licenciamento e merchandising de games. Para mais informações, entrar em contato com Susanne Tenzler-Heusler pelo e-mailstenzler@book-fair.com.

PublishNews | 25/07/2014

Minicurso sobre direito autoral na internet


Atividade será promovida pela Oficina da Palavra

Para discutir questões sobre o direito autoral, a Oficina da Palavra [Rua Lopes Chaves, 546, Barra Funda, São Paulo/SP] Casa Mário de Andrade promove, de 4 a 8 de agosto, o minicurso Atualidades do Direito de Autor na Internet. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas no site das Oficinas Culturais até hoje [25]. Composto por três palestras inter-relacionadas ministradas por advogados especializados, a atividade trata de questões relativas aos direitos autorais na rede. As aulas acontecem das 18h30 às 21h30.

PublishNews | 25/07/2014

Que tal reler os clássicos do romancista e poeta Ariano Suassuna em versão digital?


Ariano Suassuna foi responsável por grande obras da literatura brasileira, como “O Auto da Compadecida” e “O Santo e a Porca”

Ariano Vilar Suassuna (João Pessoa, 16 de junho de 1927 — Recife, 23 de julho de 2014)1 foi um dramaturgo, romancista, ensaísta e poeta brasileiro.

Ariano Vilar Suassuna [João Pessoa, 16 de junho de 1927 — Recife, 23 de julho de 2014]

O iba [www.iba.com.br], plataforma brasileira de venda, distribuição e consumo de conteúdo digital, relembra os clássicos do poeta, romancista e dramaturgo Ariano Suassuna, em 10 publicações disponíveis em seu portfólio.

Nascido na Paraíba, Suassuna viveu em Recife desde 1942. Sua primeira peça foi “Uma mulher vestida de sol”, que ganhou o prêmio Nicolau Carlos Magno. Em 1955, escreveu um de seus maiores clássicos, “O Auto da Compadecida”, que ganhou adaptação para o cinema em 1999 e tornou-se sucesso de bilheteria.

Confira as publicações indicadas pelo iba em um link que contém 10 grandes obras do autor: http://tinyurl.com/na3kqwo.

Relembre clássicos do romancista e poeta Ariano SuassunaO iba [www.iba.com.br] é uma plataforma brasileira de venda, distribuição e consumo de conteúdo digital. Fundada em março de 2012, a loja oferta os principais e-books, revistas e jornais digitais do mercado brasileiro. São mais de 100 mil publicações, que podem ser adquiridas no site e lidas através de aplicativos para Windows PC, iPad, Tablets Android, Smartphones Android, iPhone e Computadores da Apple.

eBooks da Superinteressante no topo


Três e-Books lançados pela revista entram na lista de mais vendidos da Amazon brasileira

A revista Superinteressante, que como contou a coluna Painel das Letras, passou a investir em e-books. Não demorou muito para que os livros caíssem no gosto dos leitores brasileiros. No topo da lista de mais vendidos da Amazon.com.br está o livro Por que tudo custa tão caro no Brasil, de Alexandre Versignassi e Felipe Van Deursen. No top 10 da Amazon, aparecem ainda Ciência Nazista, de Rodrigo Rezende, na sexta posição e Pequenos Psicopatas, de Bruno Garattoni, no nono lugar.

PublishNews – 24/07/2014 – Redação

LIVRUS Editorial lança novas edições de livros aplicativos


Aplicativos trazem ótimos recursos de interação para livros didáticos e infantis

O Centro do Universo

O Centro do Universo

Livro aplicativo é uma forma moderna de interação do leitor com o conteúdo. Além dos formatos tradicionais de livros digitais, como os já populares PDF e o ePUB, a Editora Livrus já vem testando a publicação desses livros. Obras como “O Jogo dos Papeletes Coloridos” e “O Centro do Universo”, ambos eBooks conceituais do escritor Paulo Santoro, foram publicadas utilizando o formato HTML5. Agora, com uma equipe maior de desenvolvedores, a Editora Livrus intensifica ainda mais sua produção de livros aplicativos utilizando as novas tecnologias disponíveis para apps. Os livros aplicativos desenvolvidos pela LIVRUS permitem recursos que criam uma experiência baseada na leitura para todos os leitores [desde usuários do sistema iOS até Android]. Ou seja, os livros aplicativos podem ser lidos tanto através de smartphones, quanto de tablets. Um exemplo clássico de livro aplicativo é “Alice no País das Maravilhas” que, ao ser lançado nos Estados Unidos, já apresentava todos os recursos que poderiam ser usados em tablets do modelo iPad, da Apple. Outro case interessante que pode nos servir de exemplo é “Grimm: The Essential Guide”, publicado pela NBC Entertainment, que também traz o conceito de livros com uma estética arrasadora. Aqui no Brasil, um case acompanhado de perto pela Livrus pode ser citado: “Aprendendo com Jesus” desenvolvido para o Sistema de Ensino Cristão do Colégio Princípios. O aplicativo possui versões para uma maior universalidade de dispositivos e usa tecnologia in-App Purchase que permite venda de novas edições, episódios, etc., através do próprio livro aplicativo. O livro aplicativo aproveita ao máximo as tecnologias disponíveis hoje no mercado. É customizado e adaptado para estimular a leitura e sai do convencional ao trazer as seguintes inovações:

  • Realça, suaviza ou esconde objetos;
  • Permite a navegação livre pelo conteúdo;
  • Busca, aproxima e movimenta objetos;
  • Permite maior engajamento dos leitores;
  • Animações e simulações para ilustrar o texto;
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Autopublicação – uma “revolução” no mercado editorial?


Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 23/07/2014

Certamente um dos fenômenos mais impactantes dos últimos anos na indústria editorial foi o desenvolvimento do mercado de e-books. Apesar de várias tentativas anteriores, esse mercado começou a existir de fato e a se desenvolver a partir do momento em que a Amazon lançou seu e-reader Kindle, em 2007.

O sucesso do Kindle se deveu, certamente, à pressão que a Amazon desenvolveu, nos meses prévios ao seu lançamento, para que as editoras disponibilizassem versões eletrônicas de seus títulos. A digitalização dos livros dos acervos editoriais não começou ali, entretanto. Há vários anos as editoras já vinham digitalizando os livros em função de dois fatores: a] facilidade de produção editorial. Era muito mais fácil e prático desenvolver a produção editorial a partir de arquivos eletrônicos, principalmente com o lançamento de softwares específicos para isso; 2] os sistemas de print-on-demand. Desde meados dos anos 1990 o mercado editorial dos EUA, principalmente, e também os europeus, já vinham usando os sistemas de POD para otimizar seus estoques e revitalizar o fundo de catálogo. A McGraw Hill foi pioneira nisso, e foi logo seguida pelas outras grandes indústrias.

O lançamento do Kindle e dos livros eletrônicos também deveram muito do sucesso à oferta de conteúdo com preços de capa substancialmente inferiores aos dos hard-covers, ou mesmo das edições de bolso, de capa mole e mais populares. A razão disso, evidentemente, era a eliminação dos custos de impressão e a substancial redução dos custos de logística. Para distribuir e-books, não era mais necessário ter caminhões atravessando o país, carregados de livros. Note-se, também, que o Kindle usa um formato específico. Na verdade, o que é particular é o tipo de DRM que a Amazon usa, que foi desenhado especificamente para facilitar o engajamento dos clientes dentro do seu ecossistema. O formato é o Mobi [que havia sido desenvolvido pela Palm e adquirido pela Amazon]. A empresa se recusou a usar o formato e-Pub, desenvolvido por um consórcio, o International Digital Publishing Forum e usado por todos os demais leitores.

Mas o tema que estou tratando aqui começa a tomar forma já nos aos 2000, quando surgem as primeiras plataformas de autopublicação. Em 2007 a Amazon lança o KDP – Kindle Direct Publish, que permite também que os autores publiquem em formato digital para venda direta na Amazon. Hoje, entretanto, existem talvez centenas de plataformas de autopublicação, algumas gigantescas como a Lulu.com nos EUA. O modelo se espalhou, e aqui mesmo no Brasil temos plataformas já com milhares de autores, como o Clube de Autores, a PerSe e mesmo editoras tradicionais que já se embrenharam no nicho, como a Saraiva e seu PubliqueSe. Não pretendo listar aqui, nem como exemplos, outros sites. Mas eles se multiplicam como fungos.

As duas questões que interessam aqui são:

– Isso é novidade?

– É uma revolução?

Novidade não é. A autopublicação tem uma longa história. O autor pagar para publicar, ou ele mesmo produzir sua obra é fenômeno antigo. A rigor, pode se dizer que a indústria editorial já tinha isso desde o começo. As gráficas se desenvolveram depois da invenção de Gutenberg, e publicavam as obras pagas pelos autores. O surgimento e o desenvolvimento das editoras, tal como entendemos hoje, foi um processo longo e complicado. Mesmo aqui no Brasil, por volta dos anos 1920, muitos autores fundamentais, como Oswald de Andrade, tiveram que pagar pela publicação de seus primeiros livros. E sempre existiram editoras-gráficas que produziam livros por conta dos autores. Nos EUA eram conhecidas como “Vanity Press”. Algumas daqui chegaram a ter bastante prestígio como a Massao Ohno. E a Scortecci continua aí, progredindo e trabalhando com equipamentos de impressão digital.

O segmento da autopublicação, até o advento do e-book, embora tivesse uma presença até significativa em número de títulos, era uma parte bem pequena do mercado editorial. Em alguns círculos, aliás, tinha certa conotação negativa, certamente estimulada pelas editoras constituídas. E, comparados com os de com hoje, os preços eram altos, e certamente não havia nada grátis. O conceito estava indissoluvelmente ligado a pagar para ser publicado. Além do mais, o problema da distribuição era insolúvel.

Meu amigo Márcio Souza há anos fez uma piada, dizendo que é mais fácil se livrar de um cadáver que de mil exemplares de um livro. O sujeito publicava seu título, recebia os mil exemplares [as tiragens em máquinas planas eram necessariamente maiores, por conta do custo básico de composição, diagramação, etc.], atochava tudo na sala da sua casa e saía com os exemplares debaixo do braço para dar de presente para amigos, conhecidos, quem pintasse pela frente. Distribuir mil exemplares é uma tarefa hercúlea. Os amigos começavam a trocar de calçada quando viam o indigitado autor no horizonte, e de longe diziam “Já tenho, você já me deu três exemplares de presente”.

Isso mudou.

Os programas de automáticos de editoração são fáceis de usar, e essas plataformas penduram os títulos nos servidores e os colocam no site. Sentadinhos à espera de compradores. As melhores e mais sofisticadas oferecem também a possibilidade de impressão sob demanda, tanto para o autor quanto para o eventualíssimo comprador, que pode optar por receber o exemplar impresso em vez de e-book.

É uma revolução?

Sinceramente, não acredito.

As razões são várias.

Primeiro, o fato é que certamente abriu um segmento de mercado para os editores que vendem, sob demanda, os mais variados serviços. Desde editar o texto – no sentido de corrigir, emendar, dar coerência e um mínimo de estrutura narrativa ao material entregue pelos pretensos autores, até a elaboração de capas, providências para registro na BN [os autores amadores acham isso fundamental, para evitar serem plagiados posteriormente…] e inscrição no ISBN. Quando algum exemplar é vendido no site, a comissão é cobrada.

Em segundo lugar, a ideia de que a distribuição [isto é, a venda] deixou de ser problema porque o livro está disponível na web revelou-se uma completa ilusão. Aliás, essa também foi um aprendizado para as editoras tradicionais.

Estar disponível não significa ser descoberto e lido. Muito pelo contrário. Com o crescimento geométrico do número de títulos, fica cada vez mais difícil que um título seja descoberto por seu possível leitor para além do círculo família e das amizades. E esses querem o livro de graça.

Na verdade, os custo de marketing, divulgação e “descobribilidade” [ainda não descobri, literalmente, uma palavra menos esdrúxula para o problema, e aceito sugestões], no âmbito das editoras tradicionais, hoje às vezes ultrapassam os custos agora inexistentes de impressão e logística. E essa é uma das razões pela qual há cada vez mais resistência por parte das editoras estabelecidas a diminuir ainda mais o preço dos e-books.

Certamente isso pode ser compensado,  pelo menos em parte, pelos autores autopublicados, por um intenso esforço de divulgação nas redes sociais. Mas, com certeza, a taxa de sucesso é baixíssima.

Essa questão da descobribilidade dos livros já provocou até um mercado “subprime” de resenhas picaretas. Os espaços para resenhas dos leitores começaram a ser ocupados por “resenhadores” profissionais, pagos por autores para elogiar seus livros. Quando o assunto foi divulgado, a Amazon colocou no seu sistema que só podia postar resenha alguém que houvesse comprado o livro. Parece que só aumentou o custo dos “resenhadores” profissionais, que passaram a incluir o preço da compra do livro no pacote de serviços…

A análise do DigitalBook World do novo programa da Amazon, o Kindle Unlimited, publicado no dia 21/7, diz que, dos 600 mil títulos disponíveis no programa, mais de 500 mil são do programa KDP. Ou seja, autopublicados. As plataformas Oyster e Scribd também incluem um número considerável desses títulos, mas as grandes editoras têm optado por elas em vez do programa amazonian.

Certamente, no meio dessa profusão, aparecem autores que fazem sucesso, e esses são os escolhidos como exemplos para atrair os demais. É o mesmo processo de “peneira” que acontece na edição tradicional.

Em conclusão, penso que esse fenômeno da autopublicação reflete, efetivamente, uma abertura de possibilidades com os e-books. Mas está muito, muito longe de ser qualquer tipo de revolução. Continua sendo, na verdade, um espaço para quem quer brincar de ser autor. Uma matéria recente publicada na Folha é exemplar: o bancário aposentado Toshio Katsurayama, de 71 anos, escreveu um livro sobre sua mãe. Escreveu, procurou várias editoras e não achou quem o publicasse. Contratou a consultoria “Tire Seu Livro da gaveta”, gastou cinco mil reais e realizou seu sonho de “brincar de ser escritor”. Toshio ficou feliz, e deixou também feliz o Cássio Barbosa, dono da consultoria e do Reino Editorial, que preparou a editoração e publicou o Toshio. Barbosa faz parte desse ainda pequeno mas crescente segmento de editores que presta serviços para os autores que querem ser auto-publicados, que não pagam mais pela impressão, mas pagam por esse tratamento de seus textos.

Todos felizes.

Mas isso não é nenhuma revolução. Só ficou mais fácil cumprir a antiga máxima que rezava que todos na vida deveriam ter um filho, plantar uma árvore e escrever um livro. Mas ninguém fala incluía no ditado que o livro só existe mesmo se for lido e disser algo relevante para um público, mesmo que pequeno.

Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 23/07/2014

Felipe Lindoso

Felipe Lindoso é jornalista, tradutor, editor e consultor de políticas públicas para o livro e leitura. Foi sócio da Editora Marco Zero, diretor da Câmara Brasileira do Livro e consultor do CERLALC – Centro Regional para o Livro na América Latina e Caribe, órgão da UNESCO. Publicou, em 2004, O Brasil pode ser um país de leitores? Política para a cultura, política para o livro, pela Summus Editorial. Mantêm o blogwww.oxisdoproblema.com.br

A coluna O X da questão traz reflexões sobre as peculiaridades e dificuldades da vida editorial nesse nosso país de dimensões continentais, sem bibliotecas e com uma rede de livrarias muito precária. Sob uma visão sociológica, este espaço analisa, entre outras coisas, as razões que impedem belos e substanciosos livros de chegarem às mãos dos leitores brasileiros na quantidade e preço que merecem.

Kindly Unlimited


Por Gustavo Martins de Almeida | Publicado originalmente em Publishnews | 22/07/2014

Dois pontos relevantes: o antigo contrato de adesão e o novíssimo Kindle [revisor, não errei no título] Unlimited.

O contrato de adesão se caracteriza pelo fato da parte aderir ao que está previamente escrito, sem poder fazer alterações. Assim ocorre em contratos de seguros, principalmente de saúde e de veículos; cartões de crédito, contas bancárias, etc. Embora possam ser posteriormente questionados, judicialmente, no ato da assinatura [ou simples clique no mouse], no ato da adesão, o contratante praticamente nada pode alterar. A título de informação mínima, transcrevo artigo que caracteriza esse contrato, no Código Brasileiro do Consumidor:

“Art. 54. Contrato de adesão é aquele cujas cláusulas tenham sido aprovadas pela autoridade competente ou estabelecidas unilateralmente pelo fornecedor de produtos ou serviços, sem que o consumidor possa discutir ou modificar substancialmente seu conteúdo.

§ 1° A inserção de cláusula no formulário não desfigura a natureza de adesão do contrato.

………………………..

§ 3o Os contratos de adesão escritos serão redigidos em termos claros e com caracteres ostensivos e legíveis, cujo tamanho da fonte não será inferior ao corpo doze, de modo a facilitar sua compreensão pelo consumidor.”

O segundo ponto é o recentíssimo lançamento, pela Amazon, do Kindle Unlimited. Programa que permite o acesso ilimitado em termos de leitura e escuta de livros [audiobooks], por preço mensal de US$ 9,99, só é oferecido, por ora, a residentes nos EUA. Como a essa coluna interessa, precipuamente, o aspecto jurídico do meio editorial, vamos analisar esse contrato, nos termos constantes do site da Amazon. A referência doravante se refere ao Kindle Unlimited Terms of Use, atualizado em 18.72014 e outros complementares.

É um contrato de adesão, no qual não podem ser feitas alterações, que concede ao aderente [quem adere] o direito de ler ou ouvir, ilimitadamente, os livros de uma lista, que pode variar, com acréscimos ou supressões de livros por parte da Amazon. Também não se garante a compatibilidade do conteúdo disponível com os aparelhos de leitura do usuário [“The content available in the FreeTime Unlimited subscription may change at any time. “We cannot guarantee that any specific book, movie, TV show, app or game will remain available via the subscription, and certain content is only available on compatible devices.].

A adesão pode ser recusada [ou cancelada] por critérios internos da Amazon, ou se o cartão de crédito do proponente for recusado. Mas se for aceito, a adesão e renovações são automaticamente ilimitadas [atenção!], até que o cliente peça o cancelamento expressamente.

Os termos do contrato podem ser mudados a qualquer tempo pela Amazon e promoções costumam ser oferecidas periodicamente. Atualmente, os primeiros 30 dias são gratuitos, mas ultrapassado esse prazo ocorre a adesão automática com as regras constantes de renovações sucessivas [“While you won’t be charged during your free trial, you will be automatically upgraded to a paid membership plan at the end of the trial period”].

Portanto, o caso é de contrato de adesão, que tem suas regras próprias, mas que deve ser visto à luz da legislação brasileira, quando o serviço chegar ao nosso país. E essas linhas servem apenas para esclarecer o futuro contratante sobre as normas básicas do gentilmente ilimitado serviço, tanto no volume de leituras e escutas, quanto no tempo de adesão.

Desse breve relato surgem duas reflexões. Primeiramente a sociedade do conhecimento ganha muitíssimo, com o acesso dito ilimitado a livros que talvez ficassem distantes pelo preço. Em segundo lugar, reflito sobre o pagamento dos direitos dos autores lidos [sim a Amazon “lê” suas leituras]. Em estudo recente consta que o critério seria o tempo que o leitor se detém em cada página do autor x ou y; o cálculo seria feito pelo tal do algoritmo, elemento característico desse início do século XXI.

Portanto, mais um passo – enorme – mais um avanço no acesso ao conhecimento, maior ativo do momento.

Por Gustavo Martins de Almeida | Publicado originalmente em Publishnews | 22/07/2014

Gustavo Martins de Almeida

Gustavo Martins de Almeida

Gustavo Martins de Almeida é carioca, advogado e professor. Tem mestrado em Direito pela UGF. Atua na área cível e de direito autoral. É também advogado do Sindicato Nacional dos Editores de Livros [SNEL] e conselheiro do MAM-RIO. Seu e-mail é gmapublish@gmail.com.

Na coluna Lente, Gustavo Martins de Almeida vai abordar os reflexos jurídicos das novas formas e hábitos de transmissão de informações e de conhecimento. De forma coloquial, pretende esclarecer o mercado editorial acerca dos direitos que o afetam e expor a repercussão decorrente das sucessivas e relevantes inovações tecnológicas e de comportamento.