Editora francesa Hachette revela o peso da Amazon na venda dos seus eBooks


Grupo está em disputa com a gigante americana do varejo sobre margens de lucro

Livros da filial do grupo francês nos Estados Unidos aparecem como indisponíveis no site da varejista | Karen Bleier/AFP/9-12-2010

Livros da filial do grupo francês nos Estados Unidos aparecem como indisponíveis no site da varejista | Karen Bleier/AFP/9-12-2010

RIO – O grupo francês Hachette revelou, pela primeira vez, o peso da Amazon na venda de seus e-books nos Estados Unidos e no Reino Unido: 60% e 78% do total, respectivamente. O número foi divulgado no site da companhia numa apresentação para investidores e mostrou como as contas da editora estão sendo afetadas pela disputa com a gigante americana do varejo. Há um mês, a Amazon retirou o botão “encomendar por antecipação com um só clique” dos livros do Hachette Book Group [a filial americana do grupo] e ainda impôs prazos de entrega de “três a cinco semanas” na venda de seus livros eletrônicos.

A medida, chamada de “opção nuclear”, foi uma resposta da Amazon pela Hachette — a menor das cinco grandes editoras americanas — não ter aceitado diminuir suas margens de lucro em favor da gigante do varejo online. O mesmo já tinha acontecido com a Macmillan em 2010. Pouco se sabe sobre os termos da negociação, mas é notório que a Amazon pegou pesado. A retaliação atinge best-sellers, como a escritora J.K. Rowling, cujo último livro, “The Silkworm” [“O bicho da seda”, em tradução livre], começará a ser vendido no dia 19 pela Hachette.

Segundo analistas, a situação do grupo francês pode ficar ainda mais delicada se as restrições impostas pela Amazon no mercado americano forem estendidas ao britânico. Em comunicado, a empresa apontou que o equilíbrio entre as vendas de livros virtuais devem representar entre 25% e 35% das vendas totais nos Estados Unidos e 35% no Reino Unido em 2017. “Editoras estão agora lidando com gigantes da tecnologia que possuem considerável poder de barganha”, diz o texto, “uma lógica econômica diferente dos revendedores tradicionais”. E complementa: “As editoras precisam de tamanho e musculatura para manter controle das relações com os autores e sobre preços e distribuição”.

No comunicado, a Hachette também se mostrou confiante que as editoras tradicionais permanecerão mais atrativas para os autores por causa dos “serviços exclusivos” que podem oferecer, como adiantamentos, expertise editorial e marketing e deu o exemplo de autores que começaram na auto-publicação e depois migraram para grandes grupos.

O Globo | 13/06/2014

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