Governo, mercado e especialistas apoiam isenção fiscal para livro digital


Isenção para e-reader, porém, gera polêmica. Ambas as isenções estão previstas em projeto de lei que foi debatido em audiência pública na Câmara. Especialistas também chamam a atenção para a falta de hábito de leitura no Brasil.

Representantes do governo, do mercado e especialistas ouvidos, nesta terça-feira [6], em audiência pública das comissões de Cultura e de Educação da Câmara dos Deputados, apoiaram proposta que concede ao livro digital às mesmas isenções tributárias que hoje tem o livro em papel.

A medida está prevista no PL 4534/12, já aprovado pelo Senado, que também concede isenção tributária para os equipamentos eletrônicos cuja função exclusiva ou primordial seja a leitura de textos em formato digital, conhecidos como e-readers. Essa parte da proposta, porém, teve opiniões divergentes dos debatedores.

De acordo com o autor do projeto, senador Acir Gurgacz [PDT-RO], a ideia é atualizar a definição de livro contida na Política Nacional do Livro [Lei10.753/03], que considera livro apenas os textos escritos em papel. A lei só inclui na definição livros em formato digital destinados ao uso de pessoas com deficiência visual. “Hoje isso é um contrassenso”, opinou Gurgacz.

O senador destacou que as novas gerações têm preferência por livros digitais, e muitas crianças inclusive já são alfabetizados por meio de tablets. Segundo o senador, a isenção poderá reduzir em até 50% o preço dos equipamentos e dos livros digitais.

Posição do governo

O diretor de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas do Ministério da Cultura, Fabiano Piúba, defendeu a definição de livro como o conteúdo, independentemente de formato físico ou digital.

De acordo com Piúba, o ministério é favorável à atualização da Política Nacional do Livro nesse sentido. Porém, ele considera “precipitado” conceder aos equipamentos para leitura de livros digitais as mesmas isenções tributárias previstas para os livros. Ele lembra que o governo já concede isenção fiscal para os tablets e smartphones, não sendo necessário especificamente um e-reader para a leitura de livros digitais.

A diretora da Divisão de Conteúdo Digital do Ministério da Educação, Mônica Franco, também concorda com a atualização da definição do livro e defende mais discussão sobre os benefícios fiscais ao e-reader, pois vê com ressalvas a ideia de “atrelar o conceito de livro a um equipamento x ou y”.

Posição do mercado

A presidente da Câmara Brasileira do Livro [entidade que reúne editores e livreiros], Karine Pansa, defendeu posição semelhante. Ela destacou que as legislações do ICMS de cada estado tratam o livro em formato digital de forma diferente.

Segundo a dirigente, o Poder Judiciário tem decidido de forma diversa sobre a questão de o livro digital ser equiparado ao livro impresso para fins de isenção tributária. Por isso, acredita que o Congresso deva editar norma sobre o assunto. “Livro digital é livro; a discussão sobre o aparelho é outra história”, concordou a diretora de Comunicação do Sindicato Nacional dos Editores, Mariana Zahar.

A relatora do PL 4534/12, deputada Fátima Bezerra [PT-RN], acredita que já exista um consenso em torno dessa posição e deve apresentar parecer à proposta nesse sentido: atualizando a definição de livro para incluir o formato digital, mas deixando para um momento posterior o debate sobre a isenção fiscal para o e-reader.

Isenção também para o e-reader

Para o presidente da Livraria Cultura, Sérgio Herz, o e-reader é o equipamento ideal para a leitura de livros digitais e deve receber isenção tributária também. Segundo informou, o preço do e-reader no Brasil é o mais caro do mundo. “Quando reduzimos o preço, em promoções, chegamos a triplicar as vendas”, ressaltou. “O custo-Brasil faz hoje que o consumidor brasileiro compre os aparelhos fora do País”, acrescentou. Para Herz, o projeto de lei pode ajudar a mudar essa realidade.

O vice-presidente da Amazon Brasil, Alex Spaziro, tem posição semelhante. Ele destacou que muitas escolas usam hoje tablets para o acesso a conteúdo digital, mas que o aparelho, além de servir para a leitura, também permite que o aluno acesse outros aplicativos, como jogos.

Contra a isenção fiscal

A produtora editorial Tereza Kikuchi foi a única debatedora contrária a isenção fiscal dos livros protegidos por DRM [Digital Rights Management – em português, “gestão de direitos digitais”].

Kikuchi observou que os livros digitais com DRM não são de fato de posse do comprador, porque eles nem mesmo podem ser compartilhados. Ela defendeu a valorização dos conteúdos digitais livres e gratuitos pelas políticas públicas, para democratizar o acesso à informação.

Reportagem de Lara Haje | Edição de Regina Céli Assumpção | Agência Câmara Notícias

Novo livro digital multimídia da Editora Livrus reúne texto, músicas e vídeos


O engenheiro Paulo Santoro, que estreou no mercado editorial em 2012, lança seu segundo livro digital, O CENTRO DO UNIVERSO, cujos recursos prometem uma nova experiência de leitura, garantem à história dinamismo e, ao leitor, interação do início ao fim.

O Centro do Universo é uma proposta inovadora: o formato hipermídia, baseado na tecnologia HTML5, permite reunir em um único suporte, além do tradicional texto, vídeos, animações e 17 canções compostas por Santoro. “Trata-se de uma experiência diferente de leitura, um livro dinâmico com recursos que potencializam a história” – comenta o autor. Santoro salienta ainda que o formato estará disponível em versões para smartphonestablets e computadores.

ANOTE NA SUA AGENDA

O lançamento do livro acontece em 07 de maio, na Sala Vermelha do Instituto Itaú Cultural, às 19hs, com apresentação de três vídeos do livro às 20:30hs.

O CENTRO DO UNIVERSO

Twitter vira novo canal de vendas da Amazon


A Amazon uniu forças com o Twitter a fim de facilitar a compra de produtos a partir do microblog.

Funciona assim: ao receber um tuíte com link de produto da Amazon, o usuário pode adicioná-lo a seu carrinho de compras ao responder com a hashtag #AmazonCart.

A iniciativa faz parte dos esforços do setor de tecnologia para encontrar maneiras de combinar a mídia social e o comércio eletrônico.

O recurso visa fazer do Twitter uma nova vitrine para a Amazon, que nunca se envolveu muito com mídia social, em parte porque Jeff Bezos, seu presidente executivo, não deseja compartilhar os clientes de sua empresa com outras companhias, segundo ex-subordinados.

A despeito do potencial, para os consumidores, de obter ideias de consumo com amigos e especialistas em sites como Twitter e Facebook, até o momento a mídia social teve sucesso limitado na geração de transações bem-sucedidas de e-commmerce.

Ainda que o Twitter não vá faturar diretamente com as vendas na Amazon, espera encorajar outros sites de comércio eletrônico a gastar mais em publicidade.

Os “cartões” do Twitter – widgets dentro de um tuíte individual usados mais comumente para mostrar fotos e vídeos – já vêm sendo utilizados por grupos de varejo on-line como o eBay a fim de mostrar mais informações quando um usuário acessa o Twitter para postar links para um produto. Mas o consumidor ainda precisa clicar para chegar ao site e fazer a compra.

Em vídeo sobre o acordo, a Amazon exorta: “Não é mais preciso mudar de app ou lembrar de que produtos você viu no Twitter”.

Sucharita Mulpuru, analista da Forrester Research, afirma não crer que isso seja “necessário [para a Amazon], porque o melhor uso das redes sociais é para conscientização, e a Amazon não tem problemas quanto a isso -todos sabem que ela existe“.

INFORMAÇÃO

A Amazon Appstore brasileira, loja com aplicativos para Android

A Amazon Appstore brasileira, loja com aplicativos para Android

Ela diz que, quando muitos se interessam por um produto, a probabilidade de o procurarem na Amazon é igual à de que o façam no Google.

O problema é que o Twitter é um fluxo de notícias e informação, não de comércio”, diz. “As experiências de compras que ocorreram até o momento no microblog não vêm mostrando muito sucesso.

A parceria envolve questões mais amplas sobre que proporção de sua vida a pessoa deseja revelar na mídia social e sobre se sua propensão a compartilhar interesses e hábitos se estende às compras.

DO “FINANCIAL TIMES” | Publicado originalmente por Folha de S. Paulo | 06/05/2014 | Tradução de PAULO MIGLIACCI

Dois hambúrgueres e um eBook, por favor


McDonald´s dá acesso gratuito a e-books a seus clientes

Depois de distribuir livros físicos aos seus clientes, o McDonalds inicia nova campanha, agora com e-books. Clientes – ou não – da rede podem acessar gratuitamente livros digitais interativos pelowww.happystudio.com, a plataforma de jogos e interação digital com os pequenos. Os livros – por enquanto três títulos – foram produzidos pela Dorling Kindersley, da Penguin Random House e trazem temas como as estrelas e os planetas, as maravilhas da natureza e as mais espetaculares cidades do mundo. Os pequenos podem ainda criar seus próprios livros com opções de selecionar, arrastar e inserir elementos como palavras e imagens. Os livros podem ser lidos direto no computador ou baixando os aplicativos para as versões mobile disponíveis na AppleStore e no Google Play.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 06/05/2014 |

“A leitura digital vai desaparecer”, afirma Andrew Wylie


Andrew Wylie: "La lectura digital va a desaparecer y la edición en papel crecerá"

Andrew Wylie: “La lectura digital va a desaparecer y la edición en papel crecerá”

Andrew Wylie, o chacal da indústria editorial se converteu em um inesperado defensor da literatura de qualidade. Há 30 anos, quando a sua agência revolucionou a sonolenta indústria da representação de escritores, o mundo da cultura o acusou de ser um mero comerciante. À medida que seus escritores começaram a cobrar adiantamentos milionários e a converterem-se em estrelas globais, traduzidos para dezenas de idiomas, ele começou a ser encarado de outra forma. Ele se fez famoso pela dureza de suas técnicas de negociação e pela sua falta de escrúpulos na hora de roubar autores de outras agências. Hoje tem mais de mil clientes como Philip Roth, Orhan Pamuk, Salman Rushdie e os herdeiros de Roberto Bolaño, John Updike e Witold Gombrowicz. Nos últimos anos, encampou uma campanha contra a Amazon que acusa de ter arruinado o mercado editorial, de maltratar os escritores e subestimar os leitores. Famoso por sua língua afiada e o sarcasmo constante, Wylie conversou com o La Nacion durante a Feira do Livro de Buenos Aires.

Por Hernán Iglesias Illa | La Nacion | 06/05/2014

Subsídio para leitor de livro digital é debatido em audiência na Câmara


DE BRASÍLIA | A Câmara dos Deputados discute hoje, em audiência pública, projeto de lei que atualiza o que é considerado livro no país. A proposta é que leitores de livros digitais, como o Kindle, recebam os mesmos benefícios fiscais dos impressos. Se aprovado o projeto, os aparelhos poderão ser comprados para escolas públicas. A relatora, a deputada Fátima Bezerra [PT-RN], defende que os e-readers sejam produzidos no Brasil. Representantes do governo, da Amazon e da Livraria Cultura devem participar da audiência.

Ilustrada em cima da hora | Publicado originalmente em Folha de S. Paulo