Kobo: travado em Guarulhos


Kobo | travado em Guarulhos

Kobo | travado em Guarulhos

A burocracia tem atrapalhado a Livraria Cultura para desenvolver o livro digital no Brasil, denunciou a coluna Radar, assinada por Lauro Jardim na revista Veja. Recentemente, a empresa teve retidos centenas de aparelhos digitais Kobo no aeroporto de Guarulhos durante um mês. Motivo: a Receita Federal cismou que os manuais de instrução do aparelho eram diferentes dos enviados em lotes anteriores para o Brasil. No ano passado, o Kobo ficou retido semanas na alfândega de Santos também por problemas da burocracia brasileira.

Por Lauro Jardim | Revista Veja | 31/05/2014

Ler na nuvem


Brasileiros passam a ter acesso ao Kindle Cloud Reader

Kindle Cloud Reader

A partir de hoje [29], usuários brasileiros da Amazon terão a sua disposição o Kindle Cloud Reader, um serviço gratuito de leitura que permite a visualização instantânea de e-books direto no navegador. A ferramenta permite a leitura de livros online ou offline, sem necessidade de download ou instalação de aplicativos e, como já acontece nos apps Kindle para as diversas plataformas, o Kindle Cloud Reader sincroniza automaticamente a biblioteca do usuário, a última página lida, marcações, notas e trechos destacados de cada livro. Para usar o Kindle Cloud Reader,  basta acessar https://ler.amazon.com.br.

PublishNews | 29/05/2014

Aplicativo promete revolucionar a leitura tradicional


É bem possível que você, e a maior parte dos seus conhecidos, nunca tenha parado para pensar no modo como lê. A questão é que o método de leitura é sempre o mesmo – da esquerda para a direita e de cima para baixo -, o que muda é a velocidade com que se lê, adquirida por meio da prática.

Foi pensando nisso que Frank, Maik e Jamie criaram o Spritz, tecnologia capaz de gerar maior agilidade na leitura e melhor compreensão das palavras. Quando ativado, uma pequena tela se abre em cima do texto e palavra por palavra é mostrada nela, em uma velocidade escolhida pelo usuário, que varia de 100 a 700 palavras por minuto.

Segundo os criadores, 80% do tempo de leitura é gasto em mover os olhos de um lado pro outro da página, o que, segundo eles, diminui a absorção de conteúdo. E o Spritz foi criado com o objetivo de otimizar o tempo do leitor, fazendo com que seja possível ler livros, por exemplo, em tempo recorde.

De acordo com os criadores, o leitor tenta encontrar um ponto no meio de cada palavra que lê, para só assim entender o que ela significa. Esse ponto é chamado de ORP [Optimal Recognition Point], e no Spritz é representado por uma letra em vermelho. Ou seja, em meio a palavras, que aparecem uma a uma e com um ponto de reconhecimento no meio, a leitura é facilitada, segundo o que dizem os criadores.

Já Lilian Cristine Hübner, professora da Pós-Graduação em Letras da área de Linguística da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul [PUC-RS], afirma que a lógica do cérebro de um leitor proficiente é sempre antecipar as palavras, e não ler uma de cada vez. Segundo Leonardo Cruz, Neurologista do grupo de Neurologia Cognitiva da Universidade Federal de Minas Gerais [UFMG], “as pessoas não aprenderem a ler palavra por palavra, da maneira como propõe a tecnologia, e isso pode ser um problema”. O neurologista também acrescenta que, por a leitura ser um hábito que exige esforço cognitivo, muitas vezes a pessoa tem que voltar em alguma frase ou palavra para compreender o texto – e isso não é possível via Spritz.

Segundo os criadores da startup, enquanto alguns pulam palavras na hora de ler, ou simplesmente passam os olhos em um texto, outros podem otimizar a absorção do conteúdo através do Spritz – que, ao contrário dessas “técnicas”, não requer mais de cinco minutos de treinamento.

Eduardo Pellanda, professor da faculdade de Comunicação Social da PUC-RS, diz que a tentativa de mudar o método tradicional de leitura é válida, mas que não sabe se essa é a melhor solução. “Eu prefiro o bloco de texto, estamos treinados a ler imagens, a escanear o texto”, afirma. Ao contrário do que dizem os criadores, o professor acredita que é preciso treino para aderir totalmente ao novo hábito proposto pela startup.

A redação testou o aplicativo. As palavras surgem uma a uma na tela, como flashes, o que contribui para uma leitura realmente rápida. Talvez seja interessante para textos pequenos, mas não para livros ou longas histórias jornalísticas.

Seria a agilidade, nesse caso, sinônimo de dinamismo ou de superficialidade? É possível interpretar conteúdo dessa maneira? Ou é tudo apenas uma questão de hábito?

Para fazer o teste, acesse http://www.spritzinc.com.

Terra Educação | 28/05/2014

Folhetim digital


Ricardo Lísias, a convite do SESC SP, escreve livro pelo Facebook

No começo do ano, quando os olhos de alguns brasileiros estavam voltados para o Big Brother Brasil, na França, os telespectadores ficavam sabendo de um reality show literário que prometia trancafiar em um castelo 20 escritores. Por aqui, algumas iniciativas semelhantes já começaram a aparecer. Há algumas semanas, o escritor Vinicius Campos começou a escrever o seu livro Minha vida cor-de-rosa #SQN (Rocco) ao vivo e com a participação de seus leitores. Agora, com o incentivo do SESC-SP, é a vez de Ricardo Lísias que encarou um folhetim digital publicado pela página do Facebook da unidade Ipiranga do SESC SP. O projeto, intitulado É logo ali, relembra as memórias afetivas do autor em relação ao bairro paulistano do Ipiranga. Serão quinze capítulos publicados diariamente, sempre às 20h30. É acompanhar para ver até onde vai essa história.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 27/05/2014

O problema dos “enhanced books”


Tornou-se um senso comum dizer que os enhanced books não decolaram e que talvez nunca decolará. Mas é muito cedo para deixar que os enhanced books sigam o mesmo caminho dos CD-ROMs, defende o escritor Peter Costanzo, um entusiasta dos enhanced books. Uma das principais razões para que eles ainda não decolaram é a profusão de dispositivos e tecnologias de leitura digital que temos. Criar significativas experiências baseadas na leitura para todos os usuários do iOS e do Android é quase impossível, e nem estamos falando dos usuários do Windows e do Blackberry. Quando se trata de enhanced books, o melhor está por vir.

Por Jeremy Greenfield | Digital Book World | 27/05/2014

CEO da Livrus é o entrevistado de Ralph Peter


Ednei Procópio foi entrevistado por Ralph Peter, na TV Geração Z Programa LIVROS EM REVISTA – (Literatura)

CEO da Livrus é o entrevistado de Ralph PeterCEO da Editora Livrus, Ednei é um dos maiores especialistas em livros digitais do país. Procópio foi Coordenador Geral do projeto que implementou e desenvolveu o Cadastro Nacional do Livro [ CBL ]; e é membro da Comissão do Livro Digital da Câmara Brasileira do Livro. Integra o Grupo de Trabalho que organiza o Congresso Internacional CBL do Livro Digital. Ministra cursos e palestras como “A Revolução dos eBooks”, nome de seu último livro, lançado pela SENAI-SP Editora. O programa “Livros em Revista” recebe as principais personalidades do universo livreiro/literário como autores, editores, entre outros. Esmera-se em levar ao internauta boa cultura e um sadio entretenimento | Saiba Mais

Digestivo Cultural | Segunda-feira, 26/5/2014

Empresa cria versões digitais de livros e cresce 400% em um ano


O mercado de livros digitais é uma tendência e cresce no Brasil. Em 2013, as versões digitais representaram quase 5% do setor editorial e, em 2014, devem fechar com uma participação de 10%. O e-book está conquistando adeptos no Brasil por causa da praticidade, interatividade e do baixo custo.

O empresário Greg Bateman veio dos Estados Unidos para investir no mercado brasileiro de e-books. Sua empresa, a Hondana, cresceu 400% no ano passado. “Quando eu cheguei aqui no Brasil, em 2012, os livros digitais eram 1% do mercado editorial. Neste ano, acho que vamos chegar até 10% do mercado”, diz o empresário.

Esta alta é impulsionada pelo aumento das vendas de computadores, tablets e smartphones no país. Em 2014, deverão ser vendidos mais de 70 milhões de aparelhos, de acordo com a IDC Brasil, empresa de consultoria do setor de tecnologia da informação.

A empresa de Greg Bateman tem capacidade para digitalizar 100 livros por mês. Ela é contratada por editoras e recebe prontos os textos, fotos, vídeos e áudios. Em dois anos de atividade, a empresa já digitalizou 2.500 livros. O faturamento do negócio foi de mais de R$ 100 mil em 2013.

A adaptação de um livro físico para a versão digital pode demorar três semanas, de acordo com o tamanho da obra e da ferramenta que vai oferecer ao leitor. No e-book é possível regular o tamanho da fonte, o brilho da tela e a cor do fundo. Além disso, o leitor ainda pode fazer anotações, pesquisar o significado de palavras e compartilhar trecho em redes sociais.

A DSOP, editora especializada em livros de educação financeira, contratou a empresa de Greg Bateman e todo o acervo foi digitalizado. Hoje, 5% do faturamento vêm do comércio de e-books.

Hoje, a editora lança simultaneamente as versões física e digital. O volume virtual não tem custos de impressão, distribuição e logística, por isso sai bem mais em conta para o cliente final. Mas apesar de todos os atrativos do e-book, o livro de papel ainda está muito longe de acabar.

G1 – 25/05/2014

O crescimento do mercado de livros digitalizados


O Pequenas Empresas & Grandes Negócios deste domingo [25] aborda os e-books – livros digitais que estão movimentando o mercado editorial no Brasil. Facilidades como controle do tamanho da fonte, opção de compartilhar conteúdo pelas redes sociais e pesquisas on-line, por exemplo, atraem os consumidores. Uma pequena empresa em São Paulo apostou na tecnologia e já apresenta lucros expressivos.

O empresário Greg Bateman veio dos Estados Unidos e começou a digitalizar livros em 2012, mas, na época, os livros digitais ocupavam apenas 1% do mercado editorial. Com a expansão do mercado, a empresa de Greg cresceu 400%, em 2013, e já digitalizou mais de 2.500 livros. A previsão para 2014 é de um desempenho ainda melhor.

Apesar do crescimento nas vendas, o mercado de livros virtuais ainda é pequeno se comparado ao livro impresso. Os digitais representam 5% do faturamento total do mercado editorial.

O programa também mostra o crescimento da indústria têxtil no inverno. Em São Paulo, três empresárias fabricam mil pijamas por mês para adultos e crianças. Regina Castro, a filha Nathália, e a sócia Luciana produzem peças de algodão, flanela, plush e tricolini. O diferencial está nos detalhes: estampas de corujas, bonecos de neve e tigres são recortadas e costuradas.

O preço médio dos pijamas é de R$ 85 [infantil] e R$ 120 [adulto]. A margem de lucro da empresa é de mais de 30%. Uma estratégia utilizada pelas empresárias para não depender do clima, já que este é um mercado sazonal, é a fabricação de pijamas de meia estação com tecidos mais leves. Eles são feitos de meia malha, algodão e viscolycra, chegando a custar 30% menos. E para atrais mais clientes, as empresárias montaram uma loja ao lado da fábrica e oferecem pequenos serviços de ajustes gratuitos.

O Pequenas Empresas & Grandes Negócios vai ao ar todos os domingos, logo após Antena Paulista, em São Paulo, e após o Globo Comunidade, no restante do Brasil.

G1 | 23/05/2014

eBooks já são realidade no mercado editorial brasileiro


Livro digital ou e-book já faz parte do mercado editorial brasileiro. Mas tanto consumidores como editores ainda precisam se adaptar à nova plataforma. Segundo a projeção recente do Global E-book Report, em 2014 os resultados com a venda de livros digitais devem chegar à 2,5% do total do faturamento no mercado editorial brasileiro. Para entender um pouco mais sobre o universo dos livros digitais no país, a Coluna Literatura, com Maiá Prado conversa, agora com diretor da E-Galáxia, editora especilizada em e-books.

E-BOOKS JÁ SÃO REALIDADE NO MERCADO EDITORIAL BRASILEIRO

 

Por Maiá Prado | Bandnews Literatura | Quinta-feira, 22 de maio de 2014 – 11h37

Jornais da Biblioteca Pública serão digitalizados


Secretário Felipe Melo autorizou a aquisição de equipamentos que viabilizarão a digitalização de todos os jornais, tamanho standard, que integram o rico acervo da Biblioteca Pública do Estado. Deve assinar também ordem de serviço para as obras de recuperação do Memorial Cruz e Souza, nos fundos do Palácio Cruz e Souza.

Clickrbs.com.br | 16/05/2014

Depois do boom


Por Julio Silveira | Publicado originalmente em PublishNews | 15/05/2014

eBooks pararam de crescer. É hora de inventar a publicação digital.

De agora em diante, mais cigarros e menos Amazon!” recomenda o agente literário Andrew Wylie.  Ele pontua sua entrevista com alertas: ler no Kindle dá câncer. Não é piada, tampouco tem qualquer fundamento. O hoax é para atingir a Amazon, um golpe com a sutileza que lhe angariou o apelido de “Chacal” no meio literário. Seduzir escritores de outros agentes e extorquir de editoras adiantamentos milionários são dois de seus métodos introduzidos com escândalo no cerimonioso mercado de copyrights.

Sua acrimônia agora está apontada contra a Amazon, que, além de cancerígena, venderia vexames. Segundo ele, e-readers servem só para o “lixo, livros que você não quer mostrar porque te dariam vergonhosa se te pegassem lendo essas besteiras”. Esse rancor não seria nem um caso de “quem desdenha quer comprar”, porque Wylie já pagou para ver. E, ao que parece, perdeu.

Há quatro anos — que equivalem a um século na história da publicação digital — Wylie assumiu uma relação íntima e direta com os e-books. Sem editoras. Partindo para mais uma briga contra o establishment editorial, fundou a Odissey, para publicar a backlist de seus autores [Nabokov, Rushdie, Thompson etc] somente no digital, e exclusivamente na Amazon. Foi em 2010, quando nascia o iPad e vivíamos a corrida do ouro dos e-books, chacoalhando a cadeia do livro. Andrew Wylie criou a Odissey como um investimento ou, mais provável, um blefe para exigir para autores [e agentes] uma margem maior das editoras. E para isso fez um pacto com Mefistóteles, a Amazon. Conseguiu maiores royalties, mas de um volume menor. Mas não voltou com o rabo entre as pernas. Hoje diz que está com um ânimo “extraordinário”.

“A indústria editorial vai bem, vai sobreviver. Por um tempo teve gente que não estava segura, eu inclusive, mas agora estou convencido de que vai sobreviver e que irá bem”.

O Chacal tem números para endossar seu otimismo. No ano passado, a receita de venda de livros de capa dura subiu uns 10%, revertendo um longo declínio. Por outro lado, a receita de e-books subiu menos de 4%, o que, comparando-se com o crescimento esfuziante dos últimos anos, soa como depressão. Há quem fale que os e-books atingiram um platô, e que os livros impresso [os “de verdade”] vão retomar os 30% do mercado perdidos para o digital.

Os dados mostram, no mínimo, um freio de arrumação. Se há um limite para fatia de mercado dos e-books no mercado geral dos livros, talvez seja melhor a publicação digital partir para seu próprio mercado. A ascensão das bibliotecas digitais e de outros canais de disseminação, nos quais o livro eletrônico não é mais tratado como mera mercadoria, mostra um amadurecimento do produto e um casamento melhor entre o que o digital propicia e as demandas dos leitores que não podem ser satisfeitas pelo livro em papel.

É cedo. Deixemos passar mais um século na história da publicação digital e veremos. Daqui a uns cinco anos.

Por Julio Silveira | Publicado originalmente em PublishNews | 15/05/2014

Julio Silveira é editor, formado em Administração, com extensão em Economia da Cultura. Foi cofundador da Casa da Palavra em 1996, gerente editorial da Agir/Nova Fronteira e publisher da Thomas Nelson. Desde julho de 2011, vem se dedicando à Ímã Editorial, explorando novos modelos de publicação propiciados pelo digital. Tem textos publicados em, entre outros, 10 livros que abalaram meu mundo e Paixão pelos livros[Casa da Palavra], O futuro do livro [Olhares, 2007] e LivroLivre [Ímã]. Coordena o fórum Autor 2.0, onde escritores e editores investigam as oportunidades e os riscos da publicação pós-digital.

A coluna LivroLivre aborda o impacto das novas tecnologias na indústria editorial e as novas formas de relacionamento entre seus componentes — autores, agentes, editores, livrarias e leitores. Ela é publicada quinzenalmente às quintas-feiras.

Widbook em português


Plataforma ganha versão brasileira

WidbookComo o PublishNews adiantou em fevereiro, a Widbook  – plataforma digital colaborativa de produção de conteúdos nascida em Campinas, no interior de São Paulo – atingiu a marca de 200 mil usuários em todo o mundo. Apesar de brasileira – com investimento norte-americano – a plataforma conquistou primeiro os EUA e, até recentemente, estava disponível apenas em inglês. Agora, a comunidade digital tem uma versão em português. Para isso, os usuários pode optar pelo idioma preferido. “O Widbook veio para facilitar o compartilhamento de histórias e favorecer as interações. O brasileiro tem um perfil expressivo, é engajado e sociável, o que, aliado ao crescimento do mercado editorial no país e ao crescimento de 15% ao mês de usuários e livros brasileiros na plataforma, nos fez optar por ficar mais próximos desse público”, afirma Flávio Aguiar, fundador e CEO da empresa. A ideia da Widbook é incentivar a leitura e a escrita no Brasil.

Nossa missão é melhorar a experiência literária no mundo, e queremos reforçar que as pessoas leiam e escrevam mais e com maior qualidade no Brasil, país onde a empresa foi fundada e de onde operamos também“, afirma Joseph Bregeiro, cofundador do Widbook. As novidades na plataforma incluem ainda um novo editor, que facilitará a escrita e publicação de e-books, e a abertura do conteúdo publicado no Widbook, o que significa que todos poderão ler livros sem a necessidade de se cadastrar na comunidade.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 14/05/2014

O livro está morto, viva o livro!


Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 14/05/2014

No mês passado, eu acordei com uma notícia alarmante: o crescimento dos e-books nos EUA ficou estagnado – um pequeno aumento de 4% no rendimento. Em um mercado que esteve crescendo pelo menos 3% ano a ano desde o lançamento do Kindle, parece uma Grande Depressão.

Mas dificilmente podemos dizer que houve alguma inovação no e-book nos últimos dois anos. A Barnes & Noble que esteve liderando as inovações com Nook Study e Nook Kids agora está recuando em sua permanente batalha contra a Amazon. Esta continua a avançar com seus Paperwhites mais brancos, acrescentando algumas quinquilharias, mas a tecnologia central continua estagnada. A Apple colocou o iBooks pré-instalado em seus novos OS X para desktop, mas limitado à mesma funcionalidade de seus apps iOS.

Todas as grandes livrarias de e-book ainda estão com o foco no mercado geral.

Talvez para balançar a Grande Depressão dos e-books, a indústria deveria correr alguns riscos e sair da zona de conforto dos “livros gerais”. Agora temos um padrão ePub3 estabelecido que dá às editoras quase todas as ferramentas que precisam para fazer um livro de referência “não-linear” para Direito, Engenharia ou Medicina. Ou talvez um livro de texto que libere testes de autoavaliação a partir de suas encarnações estáticas no corpo e se reprograme em objetos interativos. Um dos meus novos favoritos no mundo da culinária é “Speakeasy Cocktails“. Claro que foi feito usando uma plataforma especial de autoria para livros HTML5, mas nada aqui poderia ser feito com o padrão ePub3.

Os desenvolvedores do app e-book certamente não estão ajudando a questão. Mesmo o reader mais importante, iBooks, tem apenas 68% de suporte à especificação do ePub 3 necessária para toda interatividade. Sem mencionar que temos pelo menos duas grandes livrarias de e-books no Brasil com zero suporte ao padrão. Poucas editoras arriscariam um grande investimento em livros interativos se menos da metade das livrarias vão ajudar a recuperar esta aposta.

Mas antes de começarmos a reclamar da falta de apoio a conteúdo inovador no ecossistema do e-book, vamos tratar de um assunto bem mais alarmante: os brasileiros não leem livros. Ou pelo menos é o que parece desta última pesquisa pela Secretaria de Comunicação Social [obrigado, Carlo Carrenho, por me mostrar esta pesquisa]. O brasileiro médio gasta pelo menos seis horas por semana na Internet, seis horas na TV, seis horas ouvindo rádio, uma hora lendo revistas e uma hora lendo jornais. Livros nem são listados como uma forma de mídia na pesquisa!

Livros parecem não estar registrados como uma mídia relevante para os brasileiros.

Grande problema para as editoras de livros? Sim. Epidemia social? Não na minha opinião. Nós, como criadores de conteúdo e curadores, temos a responsabilidade de tornar o conteúdo mais relevante para o público. Certamente, se um brasileiro quiser passar mais de 18 horas por semana na tv+internet+rádio, por que não tentamos criar uma experiência de conteúdo que una o melhor de todos os mundos? Livros de história ganham vida com um vídeo que mostre como era aquela época. Livros espirituais narrados por uma pessoa respeitada. Livros “sociais” conectados via internet que permitem perguntas e respostas feitas a um especialista.

Então, se acreditamos na revolução do e-book brasileiro e queremos que ela continue bem além dos 30% de penetração que já chegou nos EUA, precisamos de duas coisas simples:

1. As livrarias de e-book devem atualizar sua tecnologia para permitir mais criatividade.

2. As editoras precisam correr alguns riscos e pensar diferente sobre seu conteúdo

O livro está morto, longa vida ao livro!

Greg Bateman

Greg Bateman

Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 14/05/2014

Greg Bateman, expert em tecnologia e empreendedor do negócio de e-books, é conhecido pelo seu envolvimento na criação de produtos extremamente bem-sucedidos, como os smartphones da Samsung e o Kindle, da Amazon. Na Vook, ele desenvolveu uma eficiente cadeia de produção de centenas de e-books por semana. Greg, que nasceu nos Estados Unidos, viveu nove anos no exterior, onde intermediou várias parcerias envolvendo Coreia, China, Japão e EUA. Hoje mora no Brasil, em São Paulo. Ele é pesquisador visitante da Universidade de Tóquio, tem duas graduações pela Universidade da Califórnia em Berkeley [engenharia elétrica/ciência da computação e literatura japonesa] e um MBA pela Columbia Business School.

A coluna E-Gringo discute a fundo o negócio e o lado técnico dos e-books a partir de uma perspectiva global. Às quartas-feiras, quinzenalmente, ela vai apresentar plataformas e tendências do mundo todo e, claro, do Brasil. Para enviar comentários, escreva para greg@hondana.com.br .

Educandário realiza a primeira atividade da Biblioteca Comunitária Digital


Ribeirão Preto tem a primeira Biblioteca Comunitária Digital do país e realizou no dia 12/05 palestras sobre leitura digital.

A Fundação Educandário “Cel. Quito Junqueira” realizou no dia 12/05 palestras com Galeno Amorim, autor do livro “O menino que sonhava de olhos abertos”. A atividade foi a primeira realizada após a inauguração da Biblioteca Comunitária Digital no Projeto EducaJovem.

Destinada aos adolescentes do Projeto, as palestras tiveram o objetivo de proporcionar um contato virtual e presencial com o autor para discussão sobre o livro e a leitura digital. E ainda debater um dos temas do livro, como a cidade de Ribeirão Preto estará em 2022, ano em que o Brasil completa 200 anos da Independência de Portugal.

A Biblioteca Comunitária Digital foi inaugurada em abril deste ano e é a primeira do país a fazer empréstimos de eBooks. Como projeto-piloto é realizada na Fundação Educandário para os adolescentes do Projeto EducaJovem sendo 1.000 diferentes títulos de diversos gêneros da literatura.

A leitura dos livros digitais é feita em tablets na Fundação a partir de uma conexão com a internet e pode ocorrer também em smartphones, notebooks, computadores e eReaders [dispositivos de leitura digital]. Cada usuário tem login e senha para acessar a biblioteca digital de qualquer aparelho, inclusive de outros lugares.

O projeto é uma iniciativa da Fundação Palavra Mágica e da Árvore de Livros S.A., uma plataforma de bibliotecas digitais, com sede no Rio de Janeiro e que tem como parceiras a Globo Livros, a Callis e a Draco, e apoio da Fundação Feira do Livro.

Mais informações sobre a Fundação Educandário “Cel. Quito Junqueira” e seus projetos no site http://www.educandariorp.com.br/programas.php

Feira Nacional do Livro terá Biblioteca Digital


A Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto contará com uma novidade durante a 14ª edição, que acontece de 16 a 25 de maio. Mais de 1.000 diferentes títulos farão parte de uma Biblioteca Digital, que poderá ser acessada pelos interessados durante a Feira, após cadastro no Estande da Fundação Feira do Livro, na Esplanada do Theatro Pedro II.

A Biblioteca Digital, projeto pioneiro da plataforma de bibliotecas digitais Árvore de Livros, disponibiliza a leitura de vários livros a partir de uma conexão com a internet, em qualquer tablet, computador, notebook e na maioria dos smartphones e e-Readers. Depois de carregar o texto na tela, a pessoa pode ler o livro mesmo com a rede desconectada [desde que a tela não seja fechada].

Monitores estarão disponíveis no estande da Fundação, com tablets, para auxiliar os interessados que receberão login e senha para acessar as obras de qualquer local. Cada usuário pode ler quantos eBooks quiser, desde que não leia mais de três obras simultaneamente.

Entre os livros disponíveis na Biblioteca Digital estarão obras de Machado de Assis, Lima Barreto, José de Alencar, Castro Alves, Balzac, Eça de Queirós, Monteiro Lobato, Florestan Fernandes, Ignácio de Loyola Brandão, Arnaldo Jabour, Flávio Gikovate, Ziraldo e outros.

O projeto atenderá alunos do ensino fundamental e do ensino médio na rede pública e privada. Em seguida, os demais níveis de ensino. “A era digital vai promover uma verdadeira revolução na leitura no Brasil, com impactos extraordinários na educação”, afirma o presidente da Árvore de Livros S.A., Galeno Amorim.

A Fundação Educandário Cel. Quito Junqueira, em Ribeirão Preto, abriga a primeira biblioteca comunitária digital do país, que está em operação desde o último 23 de abril, Dia Mundial do Livro. A iniciativa é da Fundação Palavra Mágica e da Árvore de Livros S.A, que tem sede no Rio de Janeiro. O projeto tem o apoio das editoras Globo Livros, Callis e Draco e da Fundação Feira do Livro.

Editora Livrus lança obra que aborda o terror nas narrativas dos jogos eletrônicos


EDITORA LIVRUS LANÇA HORROR LUDENS

O medo é um dos sentimentos mais ancestrais que orbita a existência do homem. O sentimento de medo, presente na natureza humana, historicamente foi uma base fecunda para que diferentes escritores, cineastas, roteiristas de histórias em quadrinhos e tantos outros narradores buscassem a inspiração para a criação de suas obras.

O universo dos games não ficou de fora dessa lista. A sofisticação das últimas gerações de consoles permitiu que narrativas de terror fossem produzidas no formato de jogos que se tornaram tão assustadores quanto qualquer filme do gênero. É o que acontece em “HORROR LUDENS“.

O Prof. MSc. Vicente Martin Mastrocola [@vincevader], autor de “HORROR LUDENS“, é publicitário e pós-graduado em comunicação e marketing pela ESPM. No último ano, escreveu diversos artigos sobre game design para a mídia especializada e publicou o livro “Doses Lúdicas”. Paralelamente à produção acadêmica, lançou card gamesboard gamesadvergames para internet e jogos para as plataformas móveis.

HORROR LUDENS” é mais um projeto lúdico [e sombrio] do autor. Mas vá ao lançamento sem medo. Pois, quando o quando o assunto é games – mesmo que sejam games de terror – o que predomina, no final, é a diversão e o entretenimento.

EDITORA LIVRUS LANÇA HORROR LUDENS

Startup americana ajuda usuários a comprar livros digitais com desconto


BookBub conquistou um aporte de US$ 3,8 milhões para aumentar equipe, melhorar experiência do usuário e, quem sabe, expandir os negócios para fora dos Estados Unidos

A proposta da empresa é enviar alertas aos seus usuários sobre livros eletrônicos com desconto ou gratuitos por tempo limitado | Foto: Divulgação

A proposta da empresa é enviar alertas aos seus usuários sobre livros eletrônicos com desconto ou gratuitos por tempo limitado | Foto: Divulgação

Fundada em 2012 por Josh Schanker e Nicholas Ciarelli, a startup Americana BookBub ajuda as pessoas a montar uma biblioteca digital sem quebrar o orçamento doméstico. A proposta da empresa é enviar alertas aos seus usuários sobre livros eletrônicos com desconto ou gratuitos por tempo limitado.

Com cerca de 3 milhões de pessoas cadastradas, a plataforma gera cerca de um milhão de vendas de e-books a cada mês.

Para receber os descontos em primeira mão, a BookBub tem parceria com as cinco maiores editoras dos Estados Unidos e com centenas de pequenas e médias publicadoras de livros digitais. Ao receber a lista das ofertas, uma equipe editorial seleciona as melhores e as manda, por e-mail, para os usuários do site, que recebem as indicações de acordo com suas preferências literárias.

Com essa proposta, a BookBub conquistou um aporte de US$ 3,8 milhões da NextView Ventures, Founder Collective e outros investidores. O recurso será utilizado para aumentar a equipe – atualmente formada por 20 pessoas -, melhorar a experiência do usuário com o site, desenvolver a plataforma para dispositivos móveis e, talvez, expandir o negócio para fora do país.

Publicado originalmente e clipado à partir de Pequenas empresas grandes negócios | 12/05/2014

As oito perguntas de Fabiano


Diretor da DLLLB do MinC pede que a proposta de isenção dos leitores digitais seja mais discutida, mas aceita a isenção dos e-books

Fotógrafo: Luis Macedo | Câmara dos Deputados

Fotógrafo: Luis Macedo | Câmara dos Deputados

“Dizem que o livro desaparecerá, eu creio que é impossível. Perguntam: que diferença pode haver entre um livro e uma revista ou um disco? A diferença é que uma revista é para ser lida e esquecida, um disco se ouve, e mesmo assim, para o esquecimento, é uma coisa mecânica e, portanto frívola. Um livro se lê para a memória. O conceito de livro sagrado, do Alcorão, da Bíblia e dos Vedas […] pode estar ultrapassado, porém o livro tem uma espécie de santidade que devemos cuidar para que não se perca.” Foi com estas palavras de Jorge Luis Borges que Fabiano dos Santos Piúba, responsável pela Diretoria de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas  [DLLLB] do Ministério da Cultura, abriu sua participação na audiência pública organizada pela Câmara dos Deputados para discutir o Projeto de Lei 4534/12 que propõe a equiparação de e-books e de e-readers dedicados ao livro físico, isentando-o de impostos.

Como costuma fazer em eventos deste tipo, Fabiano não improvisou sua fala, mas leu um texto preparado com rigor quase acadêmico e muita pesquisa. Aliás, um texto não, mas dois. Pois Fabiano participou tanto da primeira mesa Que é livro digital, como da terceira, Mercado do Livro Digital no Brasil. Em sua primeira fala, além de citar o grande escritor argentino e discorrer sobre o conceito de livro, Fabiano deixou clara qual era a posição do MinC sobre a pauta do dia. “Somos plenamente favoráveis à atualização da lei com a equiparação do livro digital a livro, gozando assim, de todas as isenções garantidas pelas leis supracitadas. Mas daí, incluir o aparelho de leitor digital nesse rol, parece-me um tanto precipitado, necessitando um debate melhor sobre essa equiparação. Nesses termos, o Ministério da Cultura está em fase de estudo e construindo pareceres técnicos pela DLLLB e pela Diretoria de Direitos Intelectuais [DDI]”, informou o diretor da DLLLB.

Antes de terminar sua primeira fala, Fabiano ainda ressaltou a discussão que o MinC vem promovendo sobre o tema. “Temos recebido, por meio de audiências com a própria Ministra Marta Suplicy, representantes do setor produtivo do livro, a exemplo da CBL, SNEL, LIBRE, ABEU, ANL, além da Amazon, que solicitaram audiências com a Ministra”, relatou.

Mas foi na terceira mesa do dia que o representante do MinC foi objetivo e direto ao assunto como poucos panelistas do dia conseguiram. Após citar Umberto Eco e fazer algumas considerações sobre a isenção fiscal de livros e leitores digitais, Fabiano apresentou oito questões extremamente pertinentes sobre a revisão da Lei do Livro e a equiparação do leitor digital ao livro físico:

1] Um aparelho eletrônico pode ser equiparado a livro? E como consequência, será registrado o ISBN de cada aparelho de leitor digital?

2] Vale esclarecer e debater o que significa na proposta da revisão o termo “função exclusiva ou primordial” para a leitura de textos. Então se um aparelho tem como função primordial a leitura exclusiva de textos e como funções secundárias outros aplicativos e tipos de mídia digital, ele será considerado um livro?

3] Quais as garantias legais que com a isenção fiscal esses aparelhos de leitores digitais serão barateados e aumentaremos com isso o consumo de e-books?

4] Essa proposta de revisão, tal como apresentada, não poderia afetar a livre concorrência?

5] A equiparação do aparelho de leitor digital e sua consequente desoneração fiscal ampliará necessariamente e de maneira expressiva o acesso ao livro e à leitura?

6] Considerando que a primeira diretriz no artigo 1º da Lei do Livro 10.753 de 2003 é “assegurar ao cidadão o pleno exercício do direito de acesso e uso do livro” e que o primeiro eixo do PNLL é a “democratização do acesso”, não seria mais adequado que o acesso remoto ao livro digital ocorra em um número maior e diverso de aparelhos, sejam eles exclusivos para leitura de textos ou não? E complementária a essa questão, qual o impacto de equiparar o leitor de texto digital a livro para os projetos de bibliotecas de empréstimo digital?

7] Que países adotam hoje por meio de leis, a isenção fiscal não só para o livro [físico ou digital], mas também para o aparelho de leitor digital? A produção e comercialização do Kindle estão imunes de impostos e seu aparelho está equiparado a livro nos EUA ou na Holanda?

8] Por que esses aparelhos não podem ser produzidos no Brasil, inclusive podendo contar com isenções de impostos por meio da lei específica que trata do incentivo à inovação tecnológica e do programa de inclusão digital?

As perguntas ficaram no ar e mostraram algumas das preocupações que o MinC tem sobre o tema. O vice-presidente da Amazon, Alexandre Szapiro, falou logo a seguir e conseguiu responder duas das perguntas.

Sobre a questão da política fiscal dos outros países, Szapiro deu uma resposta bastante estratégica. “EUA, Mexico e Canadá são países que oneram o leitor digital da mesma maneira como oneram o livro”, declarou. Mas como era de se esperar, ele não fez questão de enfatizar que nestes países os livros pagam impostos semelhantes às outras mercadorias.

A segunda pergunta que o vice-presidente da Amazon respondeu foi referente às garantias de que a desoneração representasse, de fato, um barateamento do produto. “Nosso comprometimento é que as mesmas faixas de preço que a Amazon pratica hoje nos EUA, México e Canadá seriam as que praticaríamos no Brasil, cabidos os custos inerentes ao Brasil”, comprometeu-se Szapiro.

Agora falta responder as outras seis perguntas.

Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente e clipado à partir de PublishNews | 09/05/2014

O longo caminho legislativo da isenção dos eBooks


A tendência é que o PL 4534/12 não seja aprovado antes de 2014 na Câmara dos Deputados

O projeto de lei 4534/12 propõe equiparar livros digitais e aparelhos de leitura ao livro físico, permitindo que desfrutem de total isenção fiscal. Tal projeto foi tema de um longo debate  que aconteceu ontem (6) em audiência pública convocada pela Câmara dos Deputados, em Brasília. No entanto, seu processo de aprovação e sanção ainda tem um grande percurso para percorrer antes que consiga alterar a lei 10.753/03, conhecida como Lei do Livro.

Como o projeto de lei foi aprovado no Senado e enviado para apreciação conclusiva da Comissão de Cultura [CCult] e da Comissão de Constituição, Justiça e de Cidadania da Câmara [CCJ], isso significa que ao ser aprovado nas duas comissões, ele será considerado aprovado pela Câmara, sem passar pelo Plenário.

A relatora da CCult, deputada Fátima Bezerra (PT-RN), já apresentou parecer com emenda, mas o mesmo retornou a ela para nova deliberação em razão dos votos em separado de outros dois outros deputados. O PublishNews apurou que, após todo este trâmite, o parecer final da relatora já está perto de ser concluído e há a expectativa de que seja aprovado ainda neste semestre. Aprovado na CCult, o projeto vai para a CCJ, onde os deputados podem apresentar novamente emendas e o relator pode aceitá-las, rejeitá-las ou mesmo apresentar suas próprias emendas. Nada garante que haverá só um relator, pois a eleição se aproxima e a tendência é que a matéria não seja votada até lá. Sendo matéria originária do Senado, ela não será arquivada com a mudança de legislatura mas vai receber novo relator e a CCJ, como a CCult, terá outra composição.

Na remota hipótese de o projeto de lei ser aprovado sem emendas pela Câmara, ele seguirá para sanção presidencial e a Casa Civil analisará a conveniência, oportunidade e aspectos constitucionais e legais da matéria, permitindo que Dilma sancionasse ou vetasse integralmente o projeto ou ainda o vetasse apenas parcialmente. A presidente não tem prazo para fazer isso, mas, em tese, na sua inércia, o Presidente do Congresso pode promulgá-la sem sua aprovação, mas isto é algo extremamente raro.

Já está claro, no entanto, que haverá emendas na Câmara para o PL 4534/12. Neste caso, o projeto volta para o Senado, que irá apreciar apenas as emendas da Câmara, aceitando-as ou rejeitando-as. Seja qual for a atitude do Senado, um texto final será enviado para a sanção da Presidência, iniciando o mesmo processo no poder executivo já descrito no parágrafo anterior.

Uma vez sancionado o projeto, ele entra em vigor na data de sua publicação, com exceção dos dispositivos eventualmente vetados. Havendo tais vetos, o Congresso poderá aceitá-los ou rejeitá-los em sessão conjunta da Câmara e do Senado, mas a tendência natural é que sejam mantidos. Rejeitado o veto, os artigos vetados passam a vigorar imediatamente mediante publicação.

Da mesma forma que a CCult convocou uma audiência pública sobre o tema, a CCJ também poderá convocar suas próprias audiências. E como a matéria não tramita em regime de urgência, a tendência é que ela não seja completamente apreciada e aprovada na Câmara ainda este ano, ainda mais em um ano de Copa e eleições.

Por Carlo Carrenho | PublishNews | 07/05/2014

“Se separarmos o conteúdo dos aparelhos, o projeto fica manco”, Acir Gurgacz


Senador defende isenção fiscal aos leitores digitais dedicados

O projeto de lei 4534/12, que busca a isenção fiscal de livros digitais e e-readers dedicados ao equipará-los ao livro físico é de autoria do senador Acir Gurgacz [PDT-RO], que em 2010 apresentou o Projeto de Lei do Senado [PLS] 114, o qual viria a se transformar no atual projeto de lei em discussão na Câmara. O PublishNews conversou com o senador ontem [6], logo após sua participação audiência pública convocada pela Câmara para discutir o tema da isenção fiscal dos livros digitais.

PublishNews: O que levou um senador de Rondônia nos idos de 2010, quando o livro digital mal existia no Brasil e empresas como Amazon e Kobo ainda nem pensavam no Brasil, a se preocupar com a isenção do livro eletrônico? Há uma história por trás disso?

Acir Gurgacz: Sim, há uma história por trás disso. Na época, eu queria fazer uma emenda ao orçamento anual para a compra de livros digitais para os alunos da rede de ensino de Rondônia. Só que eu não consegui porque o custo do projeto era muito alto. E com preços altos quem é que consegue ter acesso aos livros digitais? Só quem consegue comprar, e aí teremos mais uma divisão das camadas sociais brasileiras. A história inicial minha foi essa, levar o livro digital a todos os estudantes de Rondônia, para que eles pudessem inclusive levar os aparelhos para casa.

PN: O mercado do livro defende a posição de que os e-readers devem ser retirados do projeto de lei, pois não há consenso quanto a sua isenção fiscal, enquanto não há quem discorde de que os livros digitais, o conteúdo, deve ser isento como o livro físico. Desta forma, o projeto de lei seria aprovado mais rapidamente. Esta estratégia faz sentido?

AC: Eu acho que não dá para separar. Como é que você vai separar o livro digital do equipamento? É difícil. Já limitar o equipamento eu considero aceitável, pois a intenção não é fazer com que computadores e tablets sejam isentos. Se separarmos o conteúdo dos aparelhos, o projeto fica manco. Ficaria sem sentido você ter o livro digital e não ter onde lê-lo. Esta é a discussão.

PN: A prática do mercado digital no exterior comercializa os e-books como licença ou serviço de acesso. No projeto de lei apenas livros como produto, com compra e venda, serão isentados diretamente. Esta possibilidade de isentar também o licenciamento e serviço de acesso aos livros digitais foi considerada?

AC: Não, isto nunca foi considerado, ainda não chegamos neste ponto. Mas isto pode ser discutido. Nós precisamos aprimorar o projeto, mas não demorar muito tempo.

PN: Qual será a redução prevista no preço dos e-readers se o projeto for aprovado?

AC: Em torno de 50%.

PN: Qual seu leitor digital predileto? Você está lendo algum livro digital?

AC: Confesso que prefiro os livros tradicionais. No digital, eu leio a Constituição, a Bíblia e os jornais brasileiros.

PublishNews | 07/05/2014 | Carlo Carrenho

Isenção fiscal do Kindle e do Kobo ameaçada


Relatora do Projeto de Lei que isenta livros digitais sugere retirar os e-readers do texto

Fotógrafo | Viola Jr./Câmara dos Deputados

Fotógrafo | Viola Jr./Câmara dos Deputados

Editores e livreiros tiveram que madrugar na manhã de ontem [6], para marcar presença logo cedo na Câmara dos Deputados em Brasília onde as comissões de Cultura e de Educação organizaram a audiência pública O Futuro e o Mercado do Livro Digital no Brasil. Por trás do nome pomposo, o objetivo do encontro era discutir o Projeto de Lei 4534/12 que propõe a equiparação de e-books e de e-readers dedicados ao livro físico, o que isentaria tanto aparelhos dedicados à leitura quanto livros digitais – ou seja, o conteúdo – de absolutamente quaisquer impostos. O voo 3702 da TAM, por exemplo, transportou executivos da Livraria Cultura, da Saraiva e da Amazon de São Paulo para o Distrito Federal, confiando às mãos do piloto que decolou às 6h47 parte do futuro do livro digital no Brasil.

A primeira mesa, intitulada Que é livro digital, teve como destaque a participação do senador Acir Gurgacz, autor do Projeto de Lei do Senado [PLS] 114, de 2010, que viria a se transformar no PL 4534/12. “A intenção é corrigir uma distorção que ocorreu com o passar do tempo na Lei do Livro. É um contrassenso considerar como livros apenas o material impresso”, explicou o senador, que enfatizou a defesa da isenção do leitor dedicado em sua fala, especialmente para o uso entre estudantes. “A isenção diminuiria o preço dos leitores em até 50%.”, lembrou. “A indústria nacional deve ser estimulada, mas não protegida da sadia concorrência internacional. Manter os impostos prejudica os estudantes e alarga a distância da nossa tecnologia daquela que existe no exterior”, prosseguiu. O senador ainda explicitou que o projeto de lei é específico para e-readers dedicados. “Não tenho a intenção de levar a isenção a tablets e computadores, não é essa a ideia.”

O enfoque de Acir Gurgacz na isenção do aparelho não foi gratuita. Conforme o PublishNews já havia noticiado, várias associações do setor do livro, representadas na audiência pela Associação Nacional de Livrarias [ANL], Sindicato Nacional de Editores de Livros [SNEL], e Câmara Brasileira do Livro [CBL], se posicionam contra a inclusão de aparelhos de leitura no projeto de lei, ainda que dedicados, e estavam ali justamente para manifestar sua posição.

Foi isto que a ANL fez logo na segunda mesa do dia, intitulada Plataforma e Formato dos Livros, e que teve como destaque justamente a fala de Ednilson Xavier, presidente da instituição. “Estamos dando um passo maior que a perna ao aceitar esta avalanche do livro digital”, afirmou. E terminou sua fala de forma objetiva, contra a desoneração do leitor digital e criticando especialmente os modelos proprietários como aqueles da Amazon e Apple. “A ANL concorda com o conteúdo digital isento, mas no que se refere aos aparelhos de leitura ela se preocupa com dois riscos: o arquivo digital ser refém de quem possui o software e o aparato tecnológico acabar por limitar o acesso ao conteúdo”.

Mas o melhor estava reservado para a tarde. Por volta das 14h, teve início o painel Mercado do Livro Digital no Brasil, com a presença de tantos representantes que praticamente não couberam na mesa. Estavam ali Karine Pansa [CBL], Amarylis Manole [SNEL], Fabiano Piúba [DLLLB/MinC], José Castilho [PNLL], Fernando Mombelli [Receita Federal], Alexandre Szapiro [Amazon], Sergio Herz [Livraria Cultura], a deputada Alice Portugal [presidente da Comissão de Cultura] e a deputada Fátima Bezerra [PT-RN], relatora do projeto na Câmara.

As participações que abordaram a pauta mais diretamente foram as da CBL e das livrarias digitais presentes. Karine Pansa apresentou vários números sobre a leitura no Brasil antes de concluir manifestando a posição da CBL de se retirar os e-readers do projeto de lei. “Não existe dúvida em relação à isenção do conteúdo, mas existe preocupação no que se refere ao suporte, que deve ser discutido de maneira mais ampla e menos rápida, em outro momento, de forma mais profunda”, sentenciou. Ao PublishNews, quando indagada se a CBL já possuía uma posição sobre a isenção dos leitores dedicados em um processo distinto do atual projeto de lei, a presidente disse que não há nada definido. “Não existe posição formada, mas é algo que precisa ser discutido”, explicou.

O SNEL possui posição semelhante, conforme sua presidente Sonia Jardim já declarara ao PublishNews. O sindicato é contra a desoneração dos leitores digitais neste momento, embora não tenha posição contrária à desoneração dos aparelhos em outro fórum ou em outro momento. “O SNEL não é contra, apenas não queremos juntar as duas questões”, explicou a editora Amarylis Manole, diretora da entidade e presidente da ABDR, resumindo a essência do que estava em discussão.

Na realidade, há total consenso sobre a desoneração dos livros digitais, o conteúdo. O Poder Executivo, consultado informalmente, já se mostrou favorável à isenção. O Ministério da Cultura também apoia a equiparação do e-book ao livro físico, e não há quem se manifeste contra. Por isso, a estratégia de SNEL e CBL é, antes de tudo, pragmática. Como a isenção dos e-books é um consenso geral, faz mais sentido tirar os leitores dedicados do projeto de lei e garantir a aprovação rápida da isenção do conteúdo, equiparando o e-book ao livro. Mantendo-se na proposta a isenção dos aparelhos, é praticamente certa a oposição do Executivo e o projeto de lei poderá demorar um tempo inaceitável para ser aprovado, ainda mais em um ano de eleições. E o mercado precisa de uma definição fiscal dos livros digitais imediatamente.

A Amazon e a Livraria Cultura, que comercializam os leitores dedicados Kindle e Kobo, respectivamente, têm todo interesse em garantir a desoneração dos aparelhos de leitura. Sergio Herz, CEO da Livraria Cultura, salientou que quanto maior a facilidade para o consumidor, mais ele compra livros. “Nossos clientes que possuem e-readers compram quatro vezes mais que aqueles que leem em tablets ou no celular. E aqueles que consomem em nossos três canais – a loja física, a loja virtual e a loja de livros digitais – adquirem seis vezes mais livros que aqueles que consomem em apenas um canal. Ou seja, quanto maior a facilidade ao cliente, mais ele consome.” Herz ainda apontou a necessidade de se baratear os e-readers. “O grande problema hoje para se vender os aparelhos é o preço. Quando abaixamos os preços, chegamos a triplicar as vendas. Não há justificativa nenhuma para o Brasil ter o e-reader mais caro do mundo”, enfatizou o livreiro.

O vice-presidente da Amazon no Brasil, Alexandre Szapiro, se manifestou de forma bastante alinhada à Livraria Cultura. Como não podia deixar de ser, iniciou sua fala lembrando do consumidor. “Quem tem de sair ganhando é o leitor e o consumidor brasileiros”, afirmou. Szapiro também insistiu que o grande concorrente do livro físico não é o livro digital, mas as inúmeras atividades de entretenimento inclusive digitais que existem. “Como o jovem está gastando seu tempo livre?”, provocou. Finalmente, lembrou da isenção que o papel e a tinta possuem no Brasil quando destinados à produção de livros, jornais e revistas, mas não quando utilizados de outra forma, e comparou o modelo aos aparelhos de leitura, defendendo a isenção apenas para os e-readers dedicados. “Quais são os equipamentos que que efetivamente só permitem a leitura de um livro? É este o debate que deve ser feito hoje”, arrematou.

Última a falar entre os participantes da mesa, a deputada Fátima Bezerra apresentou então uma proposta, na posição de relatora do projeto de lei na Câmara, que está bastante alinhada às posições defendidas pelas associações do livro. “Há um consenso sobre a isenção do conteúdo e achamos que é saudável lhe dar o incentivo fiscal, mas no que diz respeito ao aparelho, queremos deixar que se trabalhe via a Lei do Bem”, sugeriu a congressista potiguar já com um espírito de decisão. Embora tenha até defendido incentivos fiscais ao aparelho, a relatora mostrou firmeza na ideia de se deixar a decisão para o âmbito da Ciência e Tecnologia. “Por que não remeter este assunto para a Lei do Bem?”, enfatizou.

Se esta for a sugestão do parecer final da Comissão de Cultura da Câmara, quem sairá perdendo é a Amazon, a Livraria Cultura e qualquer outra empresa que queira comercializar e-readers dedicados. Isto porque a “Lei do Bem”, ou Lei 11.196/05, concede incentivos fiscais apenas às pessoas jurídicas que realizarem pesquisa e desenvolvimento de inovação tecnológica no Brasil. Ou seja, as importações hoje praticadas tanto pela Amazon quanto pela Livraria Cultura em nada se beneficiarão se os incentivos aos e-readers forem de fato tratados no âmbito desta lei. Além disso, os benefícios mesmo para a produção nacional são a dedução de 20,4% até 34% no IRPJ e na CSLL dos dispêndios com pesquisa e desenvolvimento, a redução de 50% no IPI na compra de máquinas e equipamentos destinados à pesquisa e desenvolvimento, e a depreciação e amortização acelerada desses bens. Ou seja, os benefícios da Lei do Bem estariam muito aquém de uma equiparação do e-reader ao livro físico, que traria a desoneração total do aparelho. Além disso, como lembrou Sergio Herz, “para o Brasil ser competitivo na produção de aparelhos de leitura com países como China, teríamos de ter uma escala gigantesca de produção”. E definitivamente esta não é a realidade e o mercado de e-readers no Brasil é bastante limitado.

Diante da sugestão da deputada Fátima Bezerra, Alexandre Szapiro manifestou-se de forma conciliatória. “No objetivo comum, estamos de acordo. Sobre a Lei do Bem, teremos de discutir mais”, declarou o executivo da Amazon. Já Sergio Herz lembrou que “quanto mais rápido for, melhor para o povo brasileiro”.

O PublishNews apurou que o parecer da relatora Fátima Bezerra está bastante adiantado e em fase de finalização. A expectativa da equipe da deputada é aprová-lo ainda neste semestre, para que o projeto de lei siga então para a Comissão de Constituição, Justiça e de Cidadania, onde será finalizada a apreciação conclusiva pela Câmara dos Deputados.

Escrito por Carlo Carrenho | Publicado originalmente e clipado à partir de PublishNews | 07/05/2014

Câmara discute definições para eBooks


Audiência defendeu que o livro digital seja tratado como o impresso, mas isenção para e-readers ainda é controversa

Representantes do mercado editorial e membros das comissões de Cultura e de Educação da Câmara dos Deputados se dedicaram ontem a entender os novos significados adquiridos pela palavra livro nos últimos anos, especialmente com o desenvolvimento do mercado de livros digitais. Eles se reuniram em audiência pública em Brasília para discutir o PL nº 4534/2012, que atualiza esse conceito e estabelece a lista de produtos que poderiam ser equiparados ao livro – e que, assim, poderiam ter os mesmos benefícios de isenção tributária que o livro em papel tem. A inclusão do e-book nesse rol foi comemorada. A polêmica, porém, ficou por conta da inclusão dos leitores digitais nesta lista. Entre os debatedores e interessados na questão estavam Alex Szapiro, vice-presidente da Amazon no Brasil, que vende o e-reader Kindle, e Sérgio Herz, presidente da Livraria Cultura, que vende o Kobo.

Para a relatora e deputada Fátima Bezerra, que deve preparar um parecer a ser apresentado na Câmara, a desoneração do E-reader poderia ocorrer por meio da Lei 11.196/05, conhecida por Lei do Bem, que dá incentivos fiscais às pessoas jurídicas que realizarem pesquisa e desenvolvimento de inovação tecnológica. Os tablets produzidos no Brasil, entre outros equipamentos, já não precisam pagar o PIS/Cofins e tiveram redução no IPI. A ideia é que a iniciativa torne os aparelhos de leituras mais baratos e que eles ajudem a democratizar o acesso a livros no País. Bezerra levantou a questão da Lei do Bem nos últimos minutos do debate que durou cerca de seis horas.

O momento, agora, é de entender juridicamente o que significa a Lei do Bem, que é muito ampla, e continuar pensando em ter um produto mais acessível para o consumidor“, comentou Szapiro ao Estado. Se o E-reader tiver de ser produzido no Brasil, mesmo com incentivo fiscal, talvez grandes players como a Amazon, que importam seu produto, não tenham tanta facilidade em fazer aparelhos pelo preço que conseguem em outros mercados como a China. “Precisamos mesmo estudar a lei, mas não acho que a discussão agora seja sobre fabricar o produto no Brasil. O que queremos é ver como podemos tornar o leitor mais acessível para a população“, reafirmou o representante da gigante americana que deve iniciar, nos próximos dias, a venda de livros impressos no País.

O debate só está começando. O projeto de lei em discussão ontem na Câmara, de autoria do senador Acir Gurgacz, altera o artigo 2.º da lei nº 10.753, de 30 de outubro de 2003, que institui a Política Nacional do Livro. Segundo o novo texto, “considera-se livro, para efeito da lei, a publicação de textos escritos em fichas ou folhas, não periódica, grampeada, colada ou costurada, em volume cartonado, encadernado ou em brochura, em capas avulsas, em qualquer forma ou acabamento, assim como a publicação desses textos convertidos em formato digital, magnético ou ótico, ou impressos no sistema Braille“. Quanto a isso, houve consenso. “Livro é conteúdo independente do suporte“, simplificou Fabiano Piúba, diretor de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas do Ministério da Cultura.

Os E-readers entram no texto da lei ao lado de fascículos, atlas geográficos e álbuns para colorir e são assim descritos: “equipamentos cuja função exclusiva ou primordial seja a leitura de textos em formato digital ou a audição de textos em formato magnético ou ótico, estes apenas para acesso de deficientes visuais“.

Para Karine Pansa, presidente da Câmara Brasileira do Livro, a discussão é importante, já que possibilitará a uniformização do conceito. Ela lembrou que cada estado trata do livro digital de maneira diferente. “Temos que atualizar o conceito do livro e não existe dúvida com relação à imunidade e remuneração. No entanto, existe preocupação com relação ao suporte. Esse momento deve ser discutido de maneira mais ampla e menos rápida. Vamos tomar decisões que vão comprometer o nosso mercado e nosso acesso ao livro de maneira definitiva“, comentou.

Participaram, também, profissionais da cadeia do livro – editores, livreiros, bibliotecários, etc. – e de órgãos públicos, como José Castilho Marques Neto, secretário executivo do Plano Nacional do Livro e Leitura; Mônica Franco, diretora da Divisão de Conteúdo Digital do Ministério da Educação; e Fernando Mombelli, coordenador de Tributação da Receita Federal.

Maria Fernanda Rodrigues | Publicado originalmente em O Estado de S.Paulo | Caderno de Cultura | 07 de maio de 2014, às 2h14

Apenas conteúdo de livros digitais receberá subsídios, diz deputada


DE BRASÍLIA – O projeto de lei que pretendia dar tratamento igual a livros de papel e aparelhos digitais de leitura vai tratar apenas do conteúdo das obras. Durante audiência pública na Câmara, a relatora do projeto, a deputada Fátima Bezerra (PT-RN), disse que, como não houve consenso sobre a equiparação dos livros digitais aos impressos, não incluirá os dispositivos no texto final do projeto.

A proposta reduziria a tributação sobre esses equipamentos. Ao igualar apenas o conteúdo, a proposta pode impactar o preço dos livros vendidos no mercado digital, mas não o dos equipamentos de leitura.

É razoável dar perspectiva ao conteúdo digital. Mas não basta, porque para ser lido precisa do aparelho“, concluiu a relatora. Além de membros do governo, participaram da audiência representantes da Amazon Brasil e da Livraria Cultura.

O parecer final deve ser apresentado até o fim do mês para que seja votado na comissão de Cultura. Depois, ele segue para apreciação da CCJ [Comissão de Constituição e Justiça].

Publicado originalmente e clipado à apartir de Folha de S. Paulo | 07/05/2014

Governo, mercado e especialistas apoiam isenção fiscal para livro digital


Isenção para e-reader, porém, gera polêmica. Ambas as isenções estão previstas em projeto de lei que foi debatido em audiência pública na Câmara. Especialistas também chamam a atenção para a falta de hábito de leitura no Brasil.

Representantes do governo, do mercado e especialistas ouvidos, nesta terça-feira [6], em audiência pública das comissões de Cultura e de Educação da Câmara dos Deputados, apoiaram proposta que concede ao livro digital às mesmas isenções tributárias que hoje tem o livro em papel.

A medida está prevista no PL 4534/12, já aprovado pelo Senado, que também concede isenção tributária para os equipamentos eletrônicos cuja função exclusiva ou primordial seja a leitura de textos em formato digital, conhecidos como e-readers. Essa parte da proposta, porém, teve opiniões divergentes dos debatedores.

De acordo com o autor do projeto, senador Acir Gurgacz [PDT-RO], a ideia é atualizar a definição de livro contida na Política Nacional do Livro [Lei10.753/03], que considera livro apenas os textos escritos em papel. A lei só inclui na definição livros em formato digital destinados ao uso de pessoas com deficiência visual. “Hoje isso é um contrassenso”, opinou Gurgacz.

O senador destacou que as novas gerações têm preferência por livros digitais, e muitas crianças inclusive já são alfabetizados por meio de tablets. Segundo o senador, a isenção poderá reduzir em até 50% o preço dos equipamentos e dos livros digitais.

Posição do governo

O diretor de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas do Ministério da Cultura, Fabiano Piúba, defendeu a definição de livro como o conteúdo, independentemente de formato físico ou digital.

De acordo com Piúba, o ministério é favorável à atualização da Política Nacional do Livro nesse sentido. Porém, ele considera “precipitado” conceder aos equipamentos para leitura de livros digitais as mesmas isenções tributárias previstas para os livros. Ele lembra que o governo já concede isenção fiscal para os tablets e smartphones, não sendo necessário especificamente um e-reader para a leitura de livros digitais.

A diretora da Divisão de Conteúdo Digital do Ministério da Educação, Mônica Franco, também concorda com a atualização da definição do livro e defende mais discussão sobre os benefícios fiscais ao e-reader, pois vê com ressalvas a ideia de “atrelar o conceito de livro a um equipamento x ou y”.

Posição do mercado

A presidente da Câmara Brasileira do Livro [entidade que reúne editores e livreiros], Karine Pansa, defendeu posição semelhante. Ela destacou que as legislações do ICMS de cada estado tratam o livro em formato digital de forma diferente.

Segundo a dirigente, o Poder Judiciário tem decidido de forma diversa sobre a questão de o livro digital ser equiparado ao livro impresso para fins de isenção tributária. Por isso, acredita que o Congresso deva editar norma sobre o assunto. “Livro digital é livro; a discussão sobre o aparelho é outra história”, concordou a diretora de Comunicação do Sindicato Nacional dos Editores, Mariana Zahar.

A relatora do PL 4534/12, deputada Fátima Bezerra [PT-RN], acredita que já exista um consenso em torno dessa posição e deve apresentar parecer à proposta nesse sentido: atualizando a definição de livro para incluir o formato digital, mas deixando para um momento posterior o debate sobre a isenção fiscal para o e-reader.

Isenção também para o e-reader

Para o presidente da Livraria Cultura, Sérgio Herz, o e-reader é o equipamento ideal para a leitura de livros digitais e deve receber isenção tributária também. Segundo informou, o preço do e-reader no Brasil é o mais caro do mundo. “Quando reduzimos o preço, em promoções, chegamos a triplicar as vendas”, ressaltou. “O custo-Brasil faz hoje que o consumidor brasileiro compre os aparelhos fora do País”, acrescentou. Para Herz, o projeto de lei pode ajudar a mudar essa realidade.

O vice-presidente da Amazon Brasil, Alex Spaziro, tem posição semelhante. Ele destacou que muitas escolas usam hoje tablets para o acesso a conteúdo digital, mas que o aparelho, além de servir para a leitura, também permite que o aluno acesse outros aplicativos, como jogos.

Contra a isenção fiscal

A produtora editorial Tereza Kikuchi foi a única debatedora contrária a isenção fiscal dos livros protegidos por DRM [Digital Rights Management – em português, “gestão de direitos digitais”].

Kikuchi observou que os livros digitais com DRM não são de fato de posse do comprador, porque eles nem mesmo podem ser compartilhados. Ela defendeu a valorização dos conteúdos digitais livres e gratuitos pelas políticas públicas, para democratizar o acesso à informação.

Reportagem de Lara Haje | Edição de Regina Céli Assumpção | Agência Câmara Notícias

Novo livro digital multimídia da Editora Livrus reúne texto, músicas e vídeos


O engenheiro Paulo Santoro, que estreou no mercado editorial em 2012, lança seu segundo livro digital, O CENTRO DO UNIVERSO, cujos recursos prometem uma nova experiência de leitura, garantem à história dinamismo e, ao leitor, interação do início ao fim.

O Centro do Universo é uma proposta inovadora: o formato hipermídia, baseado na tecnologia HTML5, permite reunir em um único suporte, além do tradicional texto, vídeos, animações e 17 canções compostas por Santoro. “Trata-se de uma experiência diferente de leitura, um livro dinâmico com recursos que potencializam a história” – comenta o autor. Santoro salienta ainda que o formato estará disponível em versões para smartphonestablets e computadores.

ANOTE NA SUA AGENDA

O lançamento do livro acontece em 07 de maio, na Sala Vermelha do Instituto Itaú Cultural, às 19hs, com apresentação de três vídeos do livro às 20:30hs.

O CENTRO DO UNIVERSO

Twitter vira novo canal de vendas da Amazon


A Amazon uniu forças com o Twitter a fim de facilitar a compra de produtos a partir do microblog.

Funciona assim: ao receber um tuíte com link de produto da Amazon, o usuário pode adicioná-lo a seu carrinho de compras ao responder com a hashtag #AmazonCart.

A iniciativa faz parte dos esforços do setor de tecnologia para encontrar maneiras de combinar a mídia social e o comércio eletrônico.

O recurso visa fazer do Twitter uma nova vitrine para a Amazon, que nunca se envolveu muito com mídia social, em parte porque Jeff Bezos, seu presidente executivo, não deseja compartilhar os clientes de sua empresa com outras companhias, segundo ex-subordinados.

A despeito do potencial, para os consumidores, de obter ideias de consumo com amigos e especialistas em sites como Twitter e Facebook, até o momento a mídia social teve sucesso limitado na geração de transações bem-sucedidas de e-commmerce.

Ainda que o Twitter não vá faturar diretamente com as vendas na Amazon, espera encorajar outros sites de comércio eletrônico a gastar mais em publicidade.

Os “cartões” do Twitter – widgets dentro de um tuíte individual usados mais comumente para mostrar fotos e vídeos – já vêm sendo utilizados por grupos de varejo on-line como o eBay a fim de mostrar mais informações quando um usuário acessa o Twitter para postar links para um produto. Mas o consumidor ainda precisa clicar para chegar ao site e fazer a compra.

Em vídeo sobre o acordo, a Amazon exorta: “Não é mais preciso mudar de app ou lembrar de que produtos você viu no Twitter”.

Sucharita Mulpuru, analista da Forrester Research, afirma não crer que isso seja “necessário [para a Amazon], porque o melhor uso das redes sociais é para conscientização, e a Amazon não tem problemas quanto a isso -todos sabem que ela existe“.

INFORMAÇÃO

A Amazon Appstore brasileira, loja com aplicativos para Android

A Amazon Appstore brasileira, loja com aplicativos para Android

Ela diz que, quando muitos se interessam por um produto, a probabilidade de o procurarem na Amazon é igual à de que o façam no Google.

O problema é que o Twitter é um fluxo de notícias e informação, não de comércio”, diz. “As experiências de compras que ocorreram até o momento no microblog não vêm mostrando muito sucesso.

A parceria envolve questões mais amplas sobre que proporção de sua vida a pessoa deseja revelar na mídia social e sobre se sua propensão a compartilhar interesses e hábitos se estende às compras.

DO “FINANCIAL TIMES” | Publicado originalmente por Folha de S. Paulo | 06/05/2014 | Tradução de PAULO MIGLIACCI

Dois hambúrgueres e um eBook, por favor


McDonald´s dá acesso gratuito a e-books a seus clientes

Depois de distribuir livros físicos aos seus clientes, o McDonalds inicia nova campanha, agora com e-books. Clientes – ou não – da rede podem acessar gratuitamente livros digitais interativos pelowww.happystudio.com, a plataforma de jogos e interação digital com os pequenos. Os livros – por enquanto três títulos – foram produzidos pela Dorling Kindersley, da Penguin Random House e trazem temas como as estrelas e os planetas, as maravilhas da natureza e as mais espetaculares cidades do mundo. Os pequenos podem ainda criar seus próprios livros com opções de selecionar, arrastar e inserir elementos como palavras e imagens. Os livros podem ser lidos direto no computador ou baixando os aplicativos para as versões mobile disponíveis na AppleStore e no Google Play.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 06/05/2014 |

“A leitura digital vai desaparecer”, afirma Andrew Wylie


Andrew Wylie: "La lectura digital va a desaparecer y la edición en papel crecerá"

Andrew Wylie: “La lectura digital va a desaparecer y la edición en papel crecerá”

Andrew Wylie, o chacal da indústria editorial se converteu em um inesperado defensor da literatura de qualidade. Há 30 anos, quando a sua agência revolucionou a sonolenta indústria da representação de escritores, o mundo da cultura o acusou de ser um mero comerciante. À medida que seus escritores começaram a cobrar adiantamentos milionários e a converterem-se em estrelas globais, traduzidos para dezenas de idiomas, ele começou a ser encarado de outra forma. Ele se fez famoso pela dureza de suas técnicas de negociação e pela sua falta de escrúpulos na hora de roubar autores de outras agências. Hoje tem mais de mil clientes como Philip Roth, Orhan Pamuk, Salman Rushdie e os herdeiros de Roberto Bolaño, John Updike e Witold Gombrowicz. Nos últimos anos, encampou uma campanha contra a Amazon que acusa de ter arruinado o mercado editorial, de maltratar os escritores e subestimar os leitores. Famoso por sua língua afiada e o sarcasmo constante, Wylie conversou com o La Nacion durante a Feira do Livro de Buenos Aires.

Por Hernán Iglesias Illa | La Nacion | 06/05/2014

Subsídio para leitor de livro digital é debatido em audiência na Câmara


DE BRASÍLIA | A Câmara dos Deputados discute hoje, em audiência pública, projeto de lei que atualiza o que é considerado livro no país. A proposta é que leitores de livros digitais, como o Kindle, recebam os mesmos benefícios fiscais dos impressos. Se aprovado o projeto, os aparelhos poderão ser comprados para escolas públicas. A relatora, a deputada Fátima Bezerra [PT-RN], defende que os e-readers sejam produzidos no Brasil. Representantes do governo, da Amazon e da Livraria Cultura devem participar da audiência.

Ilustrada em cima da hora | Publicado originalmente em Folha de S. Paulo

Tempo é dinheiro: O novo pensamento em preços de livros digitais


O “preço certo” para livros digitais tem sido um tema importante desde que a categoria surgiu. Mas pensando sobre livros em termos de competição, para o tempo do cliente e como uma atividade de lazer, podemos capitalizar sobre algumas das vantagens naturais dos produtos digitais. O diretor de merchandising da Kobo, Nathan Maharaj, falou mais sobre o assunto em um recente Booknet Tech Forum, que já está disponível para visualização.

Kobo Publishers’ Digest | Maio 2014

Brasília debate o futuro do livro digital


Entidades querem a redefinição do conceito de livros no Brasil, mas abrem mão da isenção fiscal a leitores digitais

Está marcada para amanhã [6] uma audiência pública na Câmara dos Deputados para discutir o futuro do livro digital no Brasil. No encontro, será tratado o Projeto de Lei 4.534/12, que atualiza e institui a Política Nacional do Livro [PNL], definindo, portanto o que é considerado livro no Brasil. Do jeito que está, o Projeto de Lei, cuja relatoria está a cargo da Deputada Fátima Bezerra, e-books e e-readers estão dentro do mesmo balaio, tratados como livros e, portanto, ambos receberiam a isenção prevista na Constituição Federal. E o pinga fogo vai ser daqueles. De um lado, estão as entidades do livro que defendem a isenção aos conteúdos [aos e-books, portanto] e do outro Amazon e Livraria Cultura que pelejam para que a isenção também seja levada aos leitores digitais. “Quem tudo quer nada tem. A nossa preocupação é que o PL está misturando duas coisas distintas”, comentou Sonia Jardim, presidente do SNEL. De acordo com ela, o medo é que, ao liberar os e-readers dos impostos, abra um precedente para que isente smartphones, tablets e toda sorte de aparelhos pelos quais se podem ler livros. “Numa comparação grosseira, o e-reader é uma estante e o e-book é o livro. Não faz sentido tratar como iguais coisas tão diferentes”, ilustra Sonia.

A CBL está em consonância com o SNEL no caso. A entidade observa que, desde que a questão do e-reder foi trazida para dentro das discussões do Projeto de Lei, só gerou polêmica e atrasou a tão sonhada redefinição do conceito de livro. “O que a CBL tem defendido é a atualização do conceito de livro que é bastante conservador”, observa Fernanda Garcia, gerente jurídico da casa. “A questão dos leitores digitais já atrasou o projeto. Nosso entendimento é que esse assunto deverá ser tratado em outra propositura”, arremata.

Em 2004, a Lei 10.925 foi resultado de um movimento semelhante e que levaram à desoneração de PIS/PASEP-COFINS editoras e livrarias brasileiras. Como contrapartida, os empresários deveriam doar 1% do seu faturamento para construção de um fundo para o financiamento de programas de bibliotecas e promoção da leitura. A contrapartida nunca saiu do papel. Mas as entidades garantem que, o movimento de abrir mão da isenção de e-readers não é uma forma de não trazer a tona as discussões sobre o passado. “Quando você pega a pesquisa da FIPE e compara 2004 e 2012, você vê que houve queda de 41% no preço médio dos livros no Brasil. Quem ficou com o benefício da desoneração foi o leitor”, aponta Sonia. E ela vai além e provoca os fabricantes de leitores digitais: “talvez os fabricantes de e-readers devessem assumir o compromisso de criar um fundo para fomentar as livrarias se elas vierem a ser impactadas nesse processo de migração do físico para o digital. Por que não?”, questiona Sonia.

A audiência pública está marcada para amanhã [6], a partir das 9h, no Plenário 12 da Câmara dos Deputados e terá o senador Acir Gurgacz; José Castilho Marques Neto, secretário do PNLL, a livreira Íris Borges e o escritor Fernando Morais discutindo O que é livro digital, a partir das 9h30. A segunda mesa, a partir das 11h30, vai tratar do tema Plataforma e formato dos livros digitais e terá como debatedores Monica Franco [MEC], Paula Bandeira [advogada] e Francisco Gomes [ANL]. Encerrando a audiência, a partir das 14h, a terceira mesa vai discutir o Mercado de Livros Digital no Brasil, com Fabiano Piuba [MinC], Karine Pansa [CBL], Mariana Zahar [SNEL], Alex Szapiro [Amazon], Sérgio Herz [Livraria Cultura], além de representantes do Ministério da Fazenda e da Receita Federal.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 05/05/2014