Graça Ramos estreia no site do GLOBO o blog A Pequena Leitora


Autora de ‘A imagem nos livros infantis — Caminhos para ler o texto visual’ abordará diversas questões do mercado literário para crianças e jovens

Graça Ramos | André Coelho

Graça Ramos | André Coelho

RIO — No final de março, durante a Feira do Livro Infantil de Bolonha, na Itália, o brasiliense Roger Mello conquistou por seu trabalho como ilustrador o Prêmio Hans Christian Andersen, o principal concedido a autores de obras infantojuvenis. Já detentor de muitos prêmios dentro e fora do Brasil, Mello juntou-se ao seleto time nacional formado por Lygia Bojunga e Ana Maria Machado, que receberam o Hans Christian Andersen na categoria escritor em 1982 e 2000, respectivamente. A premiação de Mello é mais um reconhecimento da alta qualidade dos livros para crianças e jovens feitos no Brasil, e o escritor-ilustrador é justamente o primeiro personagem destacado por Graça Ramos no blog A Pequena Leitora, que estreia hoje no site do GLOBO.

Doutora em História da Arte e autora de “A imagem nos livros infantis — Caminhos para ler o texto visual” [Autêntica], Graça mostra, neste primeiro texto, como China, Japão e Coreia do Sul se renderam à arte de Roger Mello. O objetivo do blog, porém, é comentar não apenas trabalhos de autores específicos, mas também discutir questões importantes como as políticas públicas para o setor pois, como lembra Graça, “o incremento desse circuito no Brasil passa muito pelo Programa Nacional Biblioteca na Escola [PNBE]”.

— A ideia é explorar o universo da literatura infantojuvenil de maneira abrangente. Será necessário avaliar questões de mercado, lançamentos de livros, surgimento de novos autores e ilustradores. O esforço será para navegar, de maneira fluida, por esse vasto mundo — conta ela.

Graça concorda que a literatura infantojuvenil brasileira não tem a menor dificuldade para agradar a seus pequenos leitores, tanto que nomes como Ruth Rocha, Pedro Bandeira, Ziraldo e tantos outros, como os próprios premiados com o Andersen, são enormes sucessos de público e vendas. Para ela, porém, a ilustração poderia ir um pouco mais além:

— Nossos escritores, de maneira geral, têm uma dicção de inteligência afetiva que costuma encantar os leitores. Mas acho que nossa ilustração poderia ousar ainda mais. O prêmio para Roger Mello pode funcionar como incentivo, exemplo a ser seguido, até por ser ele um autor-ilustrador, com amplo domínio das duas narrativas que costumam compor o livro infantil, a textual e a visual. Acho que nossa ilustração precisa apresentar maior riqueza iconográfica e mostrar mais emoção nas imagens.

Embora sua escolha “amorosa e teórica”, como ela lembra, recaia preferencialmente sobre o livro infantil, principalmente por causa da leitura de imagens, tema de seu livro, Graça também dará atenção à literatura para jovens, um segmento explorado com cada vez mais sucesso por autores nacionais como André Vianco, Paula Pimenta, Thalita Rebouças e Bruna Vieira.

— Com a presença da internet, as ofertas [de leitura] são inúmeras, então o jovem tem outras possibilidades de escolha além das determinadas na escola. Esses autores foram competentes em perceber isso, muitos utilizando canais on-line para a divulgação de seus conteúdos — lembra Graça.

Vida de leitor deve ir além da escola

A disparidade entre o pujante mercado editorial infantojuvenil e os resultados de pesquisas que ainda apontam um baixíssimo número de livros lidos per capita no país também é um dos assuntos que poderão estar no foco do blog.

— Durante a vida estudantil os alunos são obrigados a cumprir roteiros de leitura. Se ao sair do âmbito da escola essa vida de leitor não se concretiza, devemos nos perguntar sobre a natureza e a eficácia dessas mediações da leitura feitas na escola — observa ela. — Talvez prevaleça, no país, uma mediação sem estímulo, sem envolvimento com a literatura, e isso se reflita em uma ausência de mais leitores adultos.

Por Mànya Millen | Publicado originalmente em O Globo 30/04/14, às 9h47

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