Presidente da American Booksellers Association estará no congresso do livro digital da CBL


Evento ocorrerá nos dias 21 e 22 de agosto

Congresso CBL Internacional do Livro Digital

Está marcado para os dias 21 e 22 de agosto a quinta edição do Congresso Internacional CBL do Livro Digital. E a entidade acaba de confirmar mais uma presença internacional. Trata-se de Oren Teicher, presidente da American Booksellers Association [ABA]. Ele vai falar sobre o tema Em busca de um modelo de negócios para as livrarias independentes no universo digital. As inscrições para o Congresso já estão abertas. Para mais informações e inscrições, clique aqui.

PublishNews | 30/04/2014

Organização usa livro digital na luta contra analfabetismo em países pobres


Ter acesso a livros físicos é quase impossível em lugares como a África subsaariana em função de conflitos étnicos, políticos e militares. Os números relacionados à educação naquela área são desanimadores: apenas 18% das crianças recebem educação básica, segundo a Unesco [Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura]. No entanto, o uso da tecnologia tem ajudado a amenizar os baixos índices de analfabetismo na região e em outros países pobres.

Uma das organizações que trabalham com isso é a Worldreader. Ela atua de duas formas: disponibilizando leitores eletrônicos para escolas de países africanos e por meio de um aplicativo chamado Worldreader Mobile. Esse programa pode ser instalado em celulares simples [desde que eles tenham um navegador Java] e dispositivos Android.

Fundada em 2009 por ex-diretores da Microsoft e da Amazon, a instituição atua principalmente em países africanos. `Tentamos disponibilizar conteúdo digital onde, historicamente, os livros nunca chegam`, afirmou Susan Moody, diretora de desenvolvimento e marketing da Worldreader.

Os títulos vão desde livros africanos a guias práticos para uma vida saudável. Há ainda clássicos, como os escritos por William Shakespeare e Jane Austen, além de histórias curtas para pessoas em processo de alfabetização e livros didáticos. Esse conteúdo pode ser baixado em redes de baixa velocidade [2G] graças a uma tecnologia de compressão de dados.

Em conversa com o UOL por telefone, Susan explicou o funcionamento do aplicativo, o surgimento da organização e o desafio de erradicar o analfabetismo no mundo. Veja abaixo os principais trechos:

UOL Tecnologia: Como surgiu a Worldreader?

Susan Moody: Somos uma organização sem fins lucrativos e vimos uma oportunidade para lutar contra o analfabetismo ao notar o crescimento de três grandes tendências tecnológicas: crescimento do acesso à telefonia móvel, aumento da cobertura de internet móvel e a popularização de livros digitais.

Decidimos tentar disponibilizar conteúdo digital onde, historicamente, os livros nunca chegam.Fazemos isso de duas formas: distribuindo leitores eletrônicos Kindle em algumas escolas e por meio de um aplicativo para celulares simples e dispositivos Android.

UOL Tecnologia: Como funciona o aplicativo de livros digitais para celulares simples?

Susan: Com ele, você consegue acessar nosso acervo de livros em qualquer lugar que tenha sinal de telefonia móvel [não necessariamente 3G]. Fizemos uma parceria com uma empresa chamada Binu. Eles desenvolveram uma tecnologia de alta compressão de arquivos. Os dados são `reduzidos` na internet e isso faz o processo de download ser muito barato e rápido.

UOL Tecnologia: Os leitores digitais que vocês distribuem ficam com os alunos ou na escola?

Susan: Há métodos diferentes e isso depende do que a escola decide. Todos funcionam, mas um dos mais efetivos é o que os estudantes podem levar os leitores eletrônicos para casa. O bom é que o dispositivo acaba sendo compartilhado por outras pessoas da família.

Também temos o modelo `livraria`. Deixamos alguns equipamentos em escolas, e os alunos pegam emprestado. A vantagem é que esse método atinge mais pessoas.

UOL Tecnologia: Qual critério vocês utilizam para atender a determinadas localidades?

Susan: O primeiro critério é chegar a locais onde não há acesso a livros. Há lugares onde há um livro para cada 78 crianças.

Levamos em consideração também nossas parcerias. Algumas fundações já realizam outros tipos de trabalhos nessas localidades e isso facilita nosso acesso.

Temos conteúdos em inglês, francês, espanhol e português. Há também um esforço de contatar editoras locais para disponibilizar esses conteúdos nas línguas de cada país, como suaíli – falado no Quênia e na Tanzânia.

A demanda é imensa, pois os livros na região são escassos. Para a gente é importante conseguir dinheiro para poder licenciar mais títulos e achar parceiros estratégicos para implementar nossos projetos.

UOL Tecnologia: Como vocês se mantêm?

Susan: Recebemos dinheiro de três fontes. Há pessoas físicas, governos [trabalhamos com a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento, por exemplo] e instituições. Uma delas é a Fundação Bill e Melinda Gates [instituição de caridade comandada por Bill Gates, cofundador da Microsoft, e sua mulher]. É possível fazer doações via cartão de crédito em nosso site ou via PayPal.

UOL Tecnologia: O objetivo da organização é atingir apenas as crianças?

Susan: Sabemos que e-readers funcionam bem com crianças, pois é uma idade crucial para elas aprenderem a ler. O foco é tentar fomentar a leitura nos mais novos.

Porém, o aplicativo tem tido sucesso, pois pode atingir a todos [desde que tenham um telefone celular]. As pessoas utilizam o programa para continuar seus processos de educação, aprendendo e crescendo com a leitura.

UOL Tecnologia: Como essas pessoas tomam conhecimento do aplicativo desenvolvido por vocês?

Susan: Trabalhamos com alguns parceiros que, eventualmente, disponibilizam nosso aplicativo já pré-instalado no aparelho.

Uma vez que um leitor descobre, eles costumam amar. Algumas pessoas nos EUA dizem não entender como tem gente que lê numa tela pequena. No entanto, em países em desenvolvimento têm ocorrido o oposto. Fizemos uma pesquisa recente com a Unesco, e eles entrevistaram pessoas sobre seus hábitos de leitura. Cerca de 60% disseram que gostam de ler em celulares e que gostariam de ler mais. Isso só nos animou mais ainda.

UOL Tecnologia: Vocês têm noção de quantas pessoas já se beneficiaram das ações da Worldreader?

Susan: Contabilizamos 1,7 milhão de livros que foram lidos – uma marca que seria bem difícil alcançar com edições físicas. Em nosso aplicativo, temos mensalmente 200 mil leitores ativos em aparelhos simples e em dispositivos Android.

UOL Tecnologia: Quais são os próximos planos da Worldreader? Há planos para fazer projetos como esses realizados na África na América do Sul?

Susan: Queremos atingir de forma significativa todos os países possíveis. É um problema conseguir investimento para atender a essa grande demanda [de pessoas que não têm acesso a livros]. Queremos chegar o mais longe possível, não importa se pela disponibilização de leitores eletrônicos ou por meio de nosso aplicativo para celulares básicos.

UOL | 30/04/14

Graça Ramos estreia no site do GLOBO o blog A Pequena Leitora


Autora de ‘A imagem nos livros infantis — Caminhos para ler o texto visual’ abordará diversas questões do mercado literário para crianças e jovens

Graça Ramos | André Coelho

Graça Ramos | André Coelho

RIO — No final de março, durante a Feira do Livro Infantil de Bolonha, na Itália, o brasiliense Roger Mello conquistou por seu trabalho como ilustrador o Prêmio Hans Christian Andersen, o principal concedido a autores de obras infantojuvenis. Já detentor de muitos prêmios dentro e fora do Brasil, Mello juntou-se ao seleto time nacional formado por Lygia Bojunga e Ana Maria Machado, que receberam o Hans Christian Andersen na categoria escritor em 1982 e 2000, respectivamente. A premiação de Mello é mais um reconhecimento da alta qualidade dos livros para crianças e jovens feitos no Brasil, e o escritor-ilustrador é justamente o primeiro personagem destacado por Graça Ramos no blog A Pequena Leitora, que estreia hoje no site do GLOBO.

Doutora em História da Arte e autora de “A imagem nos livros infantis — Caminhos para ler o texto visual” [Autêntica], Graça mostra, neste primeiro texto, como China, Japão e Coreia do Sul se renderam à arte de Roger Mello. O objetivo do blog, porém, é comentar não apenas trabalhos de autores específicos, mas também discutir questões importantes como as políticas públicas para o setor pois, como lembra Graça, “o incremento desse circuito no Brasil passa muito pelo Programa Nacional Biblioteca na Escola [PNBE]”.

— A ideia é explorar o universo da literatura infantojuvenil de maneira abrangente. Será necessário avaliar questões de mercado, lançamentos de livros, surgimento de novos autores e ilustradores. O esforço será para navegar, de maneira fluida, por esse vasto mundo — conta ela.

Graça concorda que a literatura infantojuvenil brasileira não tem a menor dificuldade para agradar a seus pequenos leitores, tanto que nomes como Ruth Rocha, Pedro Bandeira, Ziraldo e tantos outros, como os próprios premiados com o Andersen, são enormes sucessos de público e vendas. Para ela, porém, a ilustração poderia ir um pouco mais além:

— Nossos escritores, de maneira geral, têm uma dicção de inteligência afetiva que costuma encantar os leitores. Mas acho que nossa ilustração poderia ousar ainda mais. O prêmio para Roger Mello pode funcionar como incentivo, exemplo a ser seguido, até por ser ele um autor-ilustrador, com amplo domínio das duas narrativas que costumam compor o livro infantil, a textual e a visual. Acho que nossa ilustração precisa apresentar maior riqueza iconográfica e mostrar mais emoção nas imagens.

Embora sua escolha “amorosa e teórica”, como ela lembra, recaia preferencialmente sobre o livro infantil, principalmente por causa da leitura de imagens, tema de seu livro, Graça também dará atenção à literatura para jovens, um segmento explorado com cada vez mais sucesso por autores nacionais como André Vianco, Paula Pimenta, Thalita Rebouças e Bruna Vieira.

— Com a presença da internet, as ofertas [de leitura] são inúmeras, então o jovem tem outras possibilidades de escolha além das determinadas na escola. Esses autores foram competentes em perceber isso, muitos utilizando canais on-line para a divulgação de seus conteúdos — lembra Graça.

Vida de leitor deve ir além da escola

A disparidade entre o pujante mercado editorial infantojuvenil e os resultados de pesquisas que ainda apontam um baixíssimo número de livros lidos per capita no país também é um dos assuntos que poderão estar no foco do blog.

— Durante a vida estudantil os alunos são obrigados a cumprir roteiros de leitura. Se ao sair do âmbito da escola essa vida de leitor não se concretiza, devemos nos perguntar sobre a natureza e a eficácia dessas mediações da leitura feitas na escola — observa ela. — Talvez prevaleça, no país, uma mediação sem estímulo, sem envolvimento com a literatura, e isso se reflita em uma ausência de mais leitores adultos.

Por Mànya Millen | Publicado originalmente em O Globo 30/04/14, às 9h47