Apps de celular fomentam a leitura, diz estudo da Unesco


Em países com altos índices de analfabetismo, programas dedicados podem aumentar a prática em mais de 60%

Tecnologia | Nos EUA, crianças de 2 a 10 anos passam pouco mais de duas horas por dia, em média, em frente à televisão, computador, tablet e celular | Fonte: Thinkstock

Tecnologia | Nos EUA, crianças de 2 a 10 anos passam pouco mais de duas horas por dia, em média, em frente à televisão, computador, tablet e celular | Fonte: Thinkstock

Segundo relatório da ONU, dos 7 bilhões de habitantes do planeta, apenas 4,5 bilhões têm acesso a banheiros. Mas 6 bilhões já possuem acesso ao telefone celular, o que torna o dispositivo uma ferramenta poderosa. Com a tecnologia móvel tão disseminada e presente em todas as camadas da sociedade, os celulares podem fomentar a leitura em regiões onde o acesso aos livros é mais difícil. A constatação faz parte do relatório Lendo na Era do Celular, divulgado recentemente pela Unesco.

A partir da pesquisa feita em parceira com a empresa Nokia e a ONG Worldreader, a Unesco mapeou os hábitos de leitura de mais de 4.000 pessoas em sete países da África onde o analfabetismo atinge mais de 40% da população [Etiópia, Gana, Índia, Quênia, Nigéria, Paquistão e Zimbábue]. A entidade constatou que as pessoas que mantêm aplicativos de leitura instalados no celular leem 62% mais do que quando tinham disponíveis apenas livros em papel.

Entre os entrevistados, a leitura via celular já é prioritária devido à conveniência: 67% dizem estar sempre com o celular em mãos, o que facilita a leitura, ainda que prefiram ler pelo modo convencional. O fenômeno não se restringe aos países africanos. Na China, 25 milhões de pessoas leem livros apenas pelo celular.

O aparelho móvel também está se transformando em meio de acesso para quem não tem livros. Dos entrevistados, 9% afirmaram que leem pelo celular por não terem outra maneira de acessar histórias. “Nós vivemos em uma área remota onde não há bibliotecas e os poucos livros que tenho em casa já foram lidos. O celular me dá a chance de escolher novos títulos”, afirma Meet Charles, morador do Zimbábue ouvido pela pesquisa.

A leitura pelo celular ainda parece estar mais disseminada entre os homens – dos pesquisados, 77% são do sexo masculino. A Unesco constatou, no entanto, que essa diferença entre os gêneros deve-se mais ao fato de que, nos países pesquisados, os celulares são mais disseminados entre eles. Quando têm acesso aos livros digitais, as mulheres mostram-se mais interessadas: elas gastam 63% mais tempo na atividade do que homens.

Dos dez livros mais lidos, seis pertencem ao gênero romance. O título mais baixado é Can Love Happen Twice?, de Ravinder Singh, sem tradução para o português, seguido de The Price of Royal Duty [A Coroa de Santina: O Preço do Dever], de Penny Jordan. A Bíblia aparece na terceira posição.

A falta de alguns best-sellers para download no celular é um dos problemas apresentados pelos entrevistados. Para mais de 60%, a leitura seria mais frequente se títulos como Harry Potter e a Saga Crepúsculo estivessem disponíveis. Eles aparecem na lista dos 20 tópicos mais buscados nos aplicativos de leitura. No topo, está o termo “sexo”, seguido de “Bíblia”.

Estima-se que existam 774 milhões de analfabetos no planeta. A Unesco recomenda em seu relatório que novos projetos de aplicativos de leitura para celular sejam desenvolvidos para garantir o acesso a mais livros e em larga escala. A instituição aconselha ainda que os pais usem os aparelhos para despertar o interesse pela leitura nas crianças, de modo a reduzir o índice de analfabetismo entre os jovens, que representam 123 milhões dos analfabetos no mundo.

Por que as pessoas leem livros pelo celular?

Por que as pessoas leem livros pelo celular?

Por Bianca Bibiano | Publicado originalmente e clipado em Veja | 29/04/2014, às 15:39

Autores independentes vão ganhar mais do que autores tradicionais


Por Mark Coker | Publicado originalmente e clipado a partir de PublishNews | 29/04/2014 | Tradução: Marcelo Barbão

No meu último post previ que os autores de e-books independentes conquistarão 50% do mercado de e-books nos EUA em 2020. Hoje, estou olhando as implicações disto de outro ângulo – os ganhos dos autores. Hugh Howey recentemente jogou um pouco de luz sobre esta questão em seu siteAuthorEarnings.com[examinei o tumulto causado em Hugh Howey and the Indie Author Revolt.

Uma das vantagens normalmente citadas em relação a publicação de e-books independentes é que estes ganham “royalties” muito mais altos do que autores publicados tradicionalmente. Autores da Smashwords ganham tipicamente 60-80% do preço de venda, enquanto que os autores publicados tradicionalmente ganham entre 12,5% e 17,5% do preço de venda. A taxa paga pela editora depende se estão vendendo os livros pelo modelo de distribuidora ou de agência.

Vamos colocar alguns números para dar consistência a estas porcentagens. Um autor distribuído pela Smashwords ganha $2,40 em um e-book de $3,99 vendido através de um de nossos parceiros, enquanto que um autor publicado de forma tradicional ganharia entre 50 e 70 centavos. Para que o autor publicado de forma tradicional ganhasse os mesmos $2,40, o e-book deveria ter um preço entre $13,71 e $19,20. Isto explica porque autores talentosos estão sentindo um forte incentivo para publicarem de forma independente. Os independentes podem colocar um preço mais baixo, mas ainda ganham mais por unidade do que através das editoras tradicionais que cobram mais pelos livros mas continuam a oferecer uma porcentagem menor de royalties.

TABELA 02

A tabela no alto desta página é gerada pelas mesmas estimativas que criaram a tabela à esquerda que eu publiquei no último post.

A tabela no alto foi criada multiplicando a porcentagem do mercado que vai para os autores independentes de e-books [à esquerda] por 60%, e a porcentagem que vai para autores tradicionais por 15%.

Estas porcentagens são aproximações baseadas nas expansões que mencionei acima.

Você pode fazer o download da minha tabela para desenvolver e compartilhar suas próprias estimativas. Nada me deixaria mais feliz do que se alguém com melhores números provasse que minha estimativa de 15% para o mercado de e-books independentes em 2013 está muito alta [significaria que os autores da Smashwords teriam mais espaço para crescer no futuro!].

Confio, no entanto, que os 10 ventos de mudança que identifiquei no último post vão levar os independentes a ganhar cada vez mais mercado nos próximos anos.

O que é inicialmente incrível para mim na nova tabela no alto da página é que 2014 poderia ser o primeiro ano em que o total de dólares ganhos por independentes nas livrarias igualaria o valor ganho pelos autores tradicionais. Em 2020, a comunidade independente de e-books poderia ganhar quase quatro vezes mais do que a comunidade de e-books publicada de forma tradicional se os autores independentes chegarem a 50% do mercado como prevejo.

A seguinte informação incrível é como as curvas são íngremes. Note como é forte a ascensão dos autores independentes. O crescimento linear do mercado que usei como modelo para os independentes na tabela da semana passada leva a um diferencial maior na tabela desta semana em termos dos dólares que vão para os bolsos dos autores independentes em comparação com os bolsos dos autores tradicionais. Em linguagem simples, para cada dólar ganho com um e-book independente, o autor recebe 60 centavos. Para cada dólar ganho com um e-book publicado de forma tradicional, o autor recebe 15 centavos.

Minhas tabelas e suposições também estão limitadas. Meus números não tentam incorporar adiantamentos, por exemplo. É comum que as editoras paguem adiantamentos aos autores que nunca são recuperados pelas vendas dos livros. Em tais situações, a porcentagem de royalties declarada subestima o que o autor ganhou [também representa uma incapacidade da editora de estimar de forma precisa o potencial comercial de um livro].

Um limite adicional da tabela de hoje é que estou assumindo que a porcentagem de royalties vai continuar a mesma. Esta é uma suposição perigosa. Se a Amazon diminuir os valores dos e-books como fez com os com os audiobooks da Audible na outra semana, ela vai romper o modelo e quebrar a banca de muitos autores. Ou as editoras tradicionais poderiam ouvir o chamado dos escritores e aumentar a taxa de royalties. Ou todo mundo poderia aumentar os royalties.

Minhas projeções pintam um quadro de uma comunidade de autores independentes preparada para ganhar uma parte ainda maior dos lucros dos e-books se os impressos continuarem a perder importância.

Mas isso não significa que ser autor independente é a estrada para a riqueza. O aumento dos e-books autopublicados vai levar a uma abundância de livros de alta qualidade que nunca sairão de catálogo. Estes livros, combinados com os lançamentos de e-books das editoras tradicionais, vai acumular as prateleiras de livrarias online e levará a mais e-books de qualidade concorrendo com um número limitado de leitores. Significa que os leitores vão se tornar mais sagazes. Significa que todos os autores – independentes ou não – terão que encarar concorrência mais intensa do que antes.

Bons livros não serão mais bons o suficiente. Leitores querem livros excepcionais. Os independentes vão entregá-los.

Por Mark Coker | Publicado originalmente e clipado a partir de PublishNews | 29/04/2014 | Tradução: Marcelo Barbão

Mark CokerMark Coker é fundador da Smashwords, uma das maiores plataformas de autopublicação e distribuição de e-books do mundo. O site já publicou quase 7 milhões de e-books de autores independentes mundo afora. Mark também é colaborador do Huffington Post e, por isso tudo, tem experiência de sobra para falar sobre esse assunto que anda deixando editores e livreiros de cabelo em pé.

A coluna “O mundo do livro digital” traz as notícias e insights de Coker sobre o mundo do livro digital. Você pode conferir os textos em inglês, no site.