Editora lança ferramenta de autopublicação


A Escrytos, que tem milhões de adeptos no mundo, permite a autopublicação em formato digital

De olho no potencial de jovens escritores brasileiros, a LeYa acaba de colocar em operação a sua plataforma de autopublicação. Pioneira em Portugal, a Escrytos não tinha chegado ainda ao Brasil. A plataforma dá ao autor acesso gratuito a uma variedade de serviços que vão da conversão em ePub, construção da capa, distribuição e comercialização em grandes varejistas on line como LeyaOnline, Amazon, Apple Store, Barnes & Noble, Fnac.pt, Gato Sabido, Google, IBA, Kobo, Livraria Cultura, Submarino, Wook. Há outros serviços pagos como parecer editorial, edição, revisão, produção de booktrailler e até release para imprensa. “A plataforma vai ao encontro da estratégia de estimular a criatividade editorial e também da procura por novos talentos da língua portuguesa. O fato da ferramenta estar associada a uma editora já consolidada no mercado proporciona um diferencial e uma vantagem competitiva atraente para os novos autores”, afirma Pascoal Soto, diretor da Leya Brasil.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 08/04/2014

eBooks infantis em debate


Saiba como foi o curso ‘Literatura infantil e uso responsável da tecnologia’ realizado pelo PublishNews em parceria com o Alt+Tab

A designer Andrea Bellotti saiu do Rio de Janeiro para participar do curso >Literatura Infantil e uso responsável da tecnologia, em São Paulo. Para ela, a experiência vai ajudar muito no seu mestrado sobre e-books infantis. “Pude ouvir os relatos e as impressões de profissionais atuantes em um mercado novo”, comentou. Andrea se juntou a cerca de 25 pessoas interessadas em debater e praticar a literatura infantil no meio digital. Denis Antônio foi colega de Andrea. Editor de literatura infanto-juvenil na Editora Escala, acredita que o curso estimulou o diálogo entre quem está produzindo esse tipo de literatura em plataformas digitais. Realizado pelo PublishNews em parceria com o núcleo de formação digital Alt+Tab e apoio da Livraria Martins Fontes, o curso aconteceu nos dias 31/3 e 01/4 e foi conduzido por Renata Nakano, da Edições de Janeiro, e por Camila Werner, da Brinque Books, ambas com larga experiência no mercado.

As duas conduziram as discussões e vários exercícios. Ao final de cada aula, a turma era dividida em grupos e trabalhava com livros físicos para propor formatos e soluções digitais. Renata Nakano lançou uma provocação: “nem sempre livros que se valem de aplicativos são interativos. Nem sempre há diálogo, apenas reação. Às vezes um livro impresso pode ser mais interativo do que o digital!”.

Juntaram-se a esse debate outras questões importantes: quando a obra deixa de ser livro e se transforma em brinquedo? Game também pode ser literatura? Falta repertório nos editores brasileiros para se produzir e-books de qualidade? A conclusão a que se chegou é que, embora ainda não haja respostas definitivas, quem não começar a experimentar o novo suporte pode ficar para trás. Para Camila Werner, somente o investimento no mercado digital vai possibilitar entender o que esses leitores desejam.

Por Vanessa Rodrigues | PublishNews | 08/04/2014

Razão para o desinteresse nos eBooks está no fato de que livros, para a maioria, são objetos de decoração


Qual a pergunta mais idiota que é possível ouvir quando temos uma biblioteca generosa? Exato, leitor: “Você já leu tudo isso?”

Engolimos em seco. Respiramos fundo. E depois explicamos, pela décima, centésima, milésima vez que uma biblioteca não é uma coleção de livros lidos. As bibliotecas são feitas de livros que lemos no passado, que consultamos no presente e que um dia, talvez, leremos no futuro. Ou que alguém lerá por nós.

Mas existe uma situação mais constrangedora no mundo das bibliotecas: quando descobrimos que uma parte delas nem sequer são constituídas por livros. Aconteceu uma noite: fui convidado para um jantar em casa de um conhecido literato português. E, deambulando pela casa, encontrei uma estante com livros.

Ou, pelo menos, eu pensava que eram livros. Ao remover um deles, reparei que a coleção era mero enfeite, feito de lombadas e nada mais. O meu anfitrião presenciou o funesto momento. Ninguém disse palavra. Nunca mais fui convidado para jantar algum. Ficou a lição: a posse dos livros começa por ser vaidade. Só residualmente é uma questão intelectual.

E é exatamente por isso que nunca comprei a febre triunfal dos e-books. Sim, tenho um bicho desses: um Kindle rudimentar, onde recebo jornais, revistas e os livros que desejo ler de imediato com uma ganância que arruína qualquer possibilidade de enriquecimento pessoal.

Mas todas as notícias apontam para o mesmo cenário: o negócio dos e-books brochou em 2013 e é provável que não recupere mais. A Barnes & Noble não está contente com o seu Nook e há rumores de que tenciona desistir do negócio. A Sony não tem dúvidas: desistiu mesmo. E até o Kindle já conheceu melhores dias. Como explicar o naufrágio?

Sociólogos diversos falam na saturação do mundo digital: a novidade de ontem virou rotina hoje e está morta amanhã. Outros, mais românticos, lembram que o livro tradicional não tem concorrência no “plano dos afetos” [grotesca expressão]: quando o objeto é em papel, podemos tocá-lo, cheirá-lo. Eventualmente comê-lo.

E a seita dos economistas reduz tudo a meras contabilidades: segundo o “New York Times”, os e-books levaram a uma queda no preço dos livros tradicionais [70% na Amazon, em alguns casos], o que reconciliou os leitores com o objeto físico.

É possível que tudo isso tenha dado seu contributo. Mas a razão mais funda para o desinteresse nos e-books está na vaidade humana: os livros, para a maioria, são objetos decorativos de afirmação pessoal e social.

Um Kindle pode armazenar milhares de obras que obtemos instantaneamente [e, com certos títulos clássicos, gratuitamente]. Mas serão sempre milhares de obras escondidas no interior de um minúsculo aparelho –e não exibidas com orgulho nas estantes da sala, para impressionar as visitas.

No Kindle, é possível ler e apenas ler. Não é possível mostrar que se lê – uma diferença fundamental. Ora, sem essa dimensão fálica de espetáculo público, os e-books estariam sempre condenados.

Ou, então, condenados a servirem uma ilustre minoria para quem o livro, antes de ser objeto de estatuto social, é sobretudo a fonte mais preciosa que existe de conhecimento e lazer. O problema é que uma minoria, logicamente, não justifica um negócio global.

Se os e-books desejam sobreviver, talvez a solução passe por transformar livros tradicionais em livros digitais –mas um de cada vez, como se fossem CDs ou DVDs.

Tenho a certeza que milhares de kindles na estante da sala teriam um sucesso social que o solitário Kindle jamais será capaz de atingir.

Por João Pereira Coutinho | Publicado originalmente em Folha de S.Paulo | 08/05