Presidente da American Booksellers Association estará no congresso do livro digital da CBL


Evento ocorrerá nos dias 21 e 22 de agosto

Congresso CBL Internacional do Livro Digital

Está marcado para os dias 21 e 22 de agosto a quinta edição do Congresso Internacional CBL do Livro Digital. E a entidade acaba de confirmar mais uma presença internacional. Trata-se de Oren Teicher, presidente da American Booksellers Association [ABA]. Ele vai falar sobre o tema Em busca de um modelo de negócios para as livrarias independentes no universo digital. As inscrições para o Congresso já estão abertas. Para mais informações e inscrições, clique aqui.

PublishNews | 30/04/2014

Organização usa livro digital na luta contra analfabetismo em países pobres


Ter acesso a livros físicos é quase impossível em lugares como a África subsaariana em função de conflitos étnicos, políticos e militares. Os números relacionados à educação naquela área são desanimadores: apenas 18% das crianças recebem educação básica, segundo a Unesco [Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura]. No entanto, o uso da tecnologia tem ajudado a amenizar os baixos índices de analfabetismo na região e em outros países pobres.

Uma das organizações que trabalham com isso é a Worldreader. Ela atua de duas formas: disponibilizando leitores eletrônicos para escolas de países africanos e por meio de um aplicativo chamado Worldreader Mobile. Esse programa pode ser instalado em celulares simples [desde que eles tenham um navegador Java] e dispositivos Android.

Fundada em 2009 por ex-diretores da Microsoft e da Amazon, a instituição atua principalmente em países africanos. `Tentamos disponibilizar conteúdo digital onde, historicamente, os livros nunca chegam`, afirmou Susan Moody, diretora de desenvolvimento e marketing da Worldreader.

Os títulos vão desde livros africanos a guias práticos para uma vida saudável. Há ainda clássicos, como os escritos por William Shakespeare e Jane Austen, além de histórias curtas para pessoas em processo de alfabetização e livros didáticos. Esse conteúdo pode ser baixado em redes de baixa velocidade [2G] graças a uma tecnologia de compressão de dados.

Em conversa com o UOL por telefone, Susan explicou o funcionamento do aplicativo, o surgimento da organização e o desafio de erradicar o analfabetismo no mundo. Veja abaixo os principais trechos:

UOL Tecnologia: Como surgiu a Worldreader?

Susan Moody: Somos uma organização sem fins lucrativos e vimos uma oportunidade para lutar contra o analfabetismo ao notar o crescimento de três grandes tendências tecnológicas: crescimento do acesso à telefonia móvel, aumento da cobertura de internet móvel e a popularização de livros digitais.

Decidimos tentar disponibilizar conteúdo digital onde, historicamente, os livros nunca chegam.Fazemos isso de duas formas: distribuindo leitores eletrônicos Kindle em algumas escolas e por meio de um aplicativo para celulares simples e dispositivos Android.

UOL Tecnologia: Como funciona o aplicativo de livros digitais para celulares simples?

Susan: Com ele, você consegue acessar nosso acervo de livros em qualquer lugar que tenha sinal de telefonia móvel [não necessariamente 3G]. Fizemos uma parceria com uma empresa chamada Binu. Eles desenvolveram uma tecnologia de alta compressão de arquivos. Os dados são `reduzidos` na internet e isso faz o processo de download ser muito barato e rápido.

UOL Tecnologia: Os leitores digitais que vocês distribuem ficam com os alunos ou na escola?

Susan: Há métodos diferentes e isso depende do que a escola decide. Todos funcionam, mas um dos mais efetivos é o que os estudantes podem levar os leitores eletrônicos para casa. O bom é que o dispositivo acaba sendo compartilhado por outras pessoas da família.

Também temos o modelo `livraria`. Deixamos alguns equipamentos em escolas, e os alunos pegam emprestado. A vantagem é que esse método atinge mais pessoas.

UOL Tecnologia: Qual critério vocês utilizam para atender a determinadas localidades?

Susan: O primeiro critério é chegar a locais onde não há acesso a livros. Há lugares onde há um livro para cada 78 crianças.

Levamos em consideração também nossas parcerias. Algumas fundações já realizam outros tipos de trabalhos nessas localidades e isso facilita nosso acesso.

Temos conteúdos em inglês, francês, espanhol e português. Há também um esforço de contatar editoras locais para disponibilizar esses conteúdos nas línguas de cada país, como suaíli – falado no Quênia e na Tanzânia.

A demanda é imensa, pois os livros na região são escassos. Para a gente é importante conseguir dinheiro para poder licenciar mais títulos e achar parceiros estratégicos para implementar nossos projetos.

UOL Tecnologia: Como vocês se mantêm?

Susan: Recebemos dinheiro de três fontes. Há pessoas físicas, governos [trabalhamos com a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento, por exemplo] e instituições. Uma delas é a Fundação Bill e Melinda Gates [instituição de caridade comandada por Bill Gates, cofundador da Microsoft, e sua mulher]. É possível fazer doações via cartão de crédito em nosso site ou via PayPal.

UOL Tecnologia: O objetivo da organização é atingir apenas as crianças?

Susan: Sabemos que e-readers funcionam bem com crianças, pois é uma idade crucial para elas aprenderem a ler. O foco é tentar fomentar a leitura nos mais novos.

Porém, o aplicativo tem tido sucesso, pois pode atingir a todos [desde que tenham um telefone celular]. As pessoas utilizam o programa para continuar seus processos de educação, aprendendo e crescendo com a leitura.

UOL Tecnologia: Como essas pessoas tomam conhecimento do aplicativo desenvolvido por vocês?

Susan: Trabalhamos com alguns parceiros que, eventualmente, disponibilizam nosso aplicativo já pré-instalado no aparelho.

Uma vez que um leitor descobre, eles costumam amar. Algumas pessoas nos EUA dizem não entender como tem gente que lê numa tela pequena. No entanto, em países em desenvolvimento têm ocorrido o oposto. Fizemos uma pesquisa recente com a Unesco, e eles entrevistaram pessoas sobre seus hábitos de leitura. Cerca de 60% disseram que gostam de ler em celulares e que gostariam de ler mais. Isso só nos animou mais ainda.

UOL Tecnologia: Vocês têm noção de quantas pessoas já se beneficiaram das ações da Worldreader?

Susan: Contabilizamos 1,7 milhão de livros que foram lidos – uma marca que seria bem difícil alcançar com edições físicas. Em nosso aplicativo, temos mensalmente 200 mil leitores ativos em aparelhos simples e em dispositivos Android.

UOL Tecnologia: Quais são os próximos planos da Worldreader? Há planos para fazer projetos como esses realizados na África na América do Sul?

Susan: Queremos atingir de forma significativa todos os países possíveis. É um problema conseguir investimento para atender a essa grande demanda [de pessoas que não têm acesso a livros]. Queremos chegar o mais longe possível, não importa se pela disponibilização de leitores eletrônicos ou por meio de nosso aplicativo para celulares básicos.

UOL | 30/04/14

Graça Ramos estreia no site do GLOBO o blog A Pequena Leitora


Autora de ‘A imagem nos livros infantis — Caminhos para ler o texto visual’ abordará diversas questões do mercado literário para crianças e jovens

Graça Ramos | André Coelho

Graça Ramos | André Coelho

RIO — No final de março, durante a Feira do Livro Infantil de Bolonha, na Itália, o brasiliense Roger Mello conquistou por seu trabalho como ilustrador o Prêmio Hans Christian Andersen, o principal concedido a autores de obras infantojuvenis. Já detentor de muitos prêmios dentro e fora do Brasil, Mello juntou-se ao seleto time nacional formado por Lygia Bojunga e Ana Maria Machado, que receberam o Hans Christian Andersen na categoria escritor em 1982 e 2000, respectivamente. A premiação de Mello é mais um reconhecimento da alta qualidade dos livros para crianças e jovens feitos no Brasil, e o escritor-ilustrador é justamente o primeiro personagem destacado por Graça Ramos no blog A Pequena Leitora, que estreia hoje no site do GLOBO.

Doutora em História da Arte e autora de “A imagem nos livros infantis — Caminhos para ler o texto visual” [Autêntica], Graça mostra, neste primeiro texto, como China, Japão e Coreia do Sul se renderam à arte de Roger Mello. O objetivo do blog, porém, é comentar não apenas trabalhos de autores específicos, mas também discutir questões importantes como as políticas públicas para o setor pois, como lembra Graça, “o incremento desse circuito no Brasil passa muito pelo Programa Nacional Biblioteca na Escola [PNBE]”.

— A ideia é explorar o universo da literatura infantojuvenil de maneira abrangente. Será necessário avaliar questões de mercado, lançamentos de livros, surgimento de novos autores e ilustradores. O esforço será para navegar, de maneira fluida, por esse vasto mundo — conta ela.

Graça concorda que a literatura infantojuvenil brasileira não tem a menor dificuldade para agradar a seus pequenos leitores, tanto que nomes como Ruth Rocha, Pedro Bandeira, Ziraldo e tantos outros, como os próprios premiados com o Andersen, são enormes sucessos de público e vendas. Para ela, porém, a ilustração poderia ir um pouco mais além:

— Nossos escritores, de maneira geral, têm uma dicção de inteligência afetiva que costuma encantar os leitores. Mas acho que nossa ilustração poderia ousar ainda mais. O prêmio para Roger Mello pode funcionar como incentivo, exemplo a ser seguido, até por ser ele um autor-ilustrador, com amplo domínio das duas narrativas que costumam compor o livro infantil, a textual e a visual. Acho que nossa ilustração precisa apresentar maior riqueza iconográfica e mostrar mais emoção nas imagens.

Embora sua escolha “amorosa e teórica”, como ela lembra, recaia preferencialmente sobre o livro infantil, principalmente por causa da leitura de imagens, tema de seu livro, Graça também dará atenção à literatura para jovens, um segmento explorado com cada vez mais sucesso por autores nacionais como André Vianco, Paula Pimenta, Thalita Rebouças e Bruna Vieira.

— Com a presença da internet, as ofertas [de leitura] são inúmeras, então o jovem tem outras possibilidades de escolha além das determinadas na escola. Esses autores foram competentes em perceber isso, muitos utilizando canais on-line para a divulgação de seus conteúdos — lembra Graça.

Vida de leitor deve ir além da escola

A disparidade entre o pujante mercado editorial infantojuvenil e os resultados de pesquisas que ainda apontam um baixíssimo número de livros lidos per capita no país também é um dos assuntos que poderão estar no foco do blog.

— Durante a vida estudantil os alunos são obrigados a cumprir roteiros de leitura. Se ao sair do âmbito da escola essa vida de leitor não se concretiza, devemos nos perguntar sobre a natureza e a eficácia dessas mediações da leitura feitas na escola — observa ela. — Talvez prevaleça, no país, uma mediação sem estímulo, sem envolvimento com a literatura, e isso se reflita em uma ausência de mais leitores adultos.

Por Mànya Millen | Publicado originalmente em O Globo 30/04/14, às 9h47

Apps de celular fomentam a leitura, diz estudo da Unesco


Em países com altos índices de analfabetismo, programas dedicados podem aumentar a prática em mais de 60%

Tecnologia | Nos EUA, crianças de 2 a 10 anos passam pouco mais de duas horas por dia, em média, em frente à televisão, computador, tablet e celular | Fonte: Thinkstock

Tecnologia | Nos EUA, crianças de 2 a 10 anos passam pouco mais de duas horas por dia, em média, em frente à televisão, computador, tablet e celular | Fonte: Thinkstock

Segundo relatório da ONU, dos 7 bilhões de habitantes do planeta, apenas 4,5 bilhões têm acesso a banheiros. Mas 6 bilhões já possuem acesso ao telefone celular, o que torna o dispositivo uma ferramenta poderosa. Com a tecnologia móvel tão disseminada e presente em todas as camadas da sociedade, os celulares podem fomentar a leitura em regiões onde o acesso aos livros é mais difícil. A constatação faz parte do relatório Lendo na Era do Celular, divulgado recentemente pela Unesco.

A partir da pesquisa feita em parceira com a empresa Nokia e a ONG Worldreader, a Unesco mapeou os hábitos de leitura de mais de 4.000 pessoas em sete países da África onde o analfabetismo atinge mais de 40% da população [Etiópia, Gana, Índia, Quênia, Nigéria, Paquistão e Zimbábue]. A entidade constatou que as pessoas que mantêm aplicativos de leitura instalados no celular leem 62% mais do que quando tinham disponíveis apenas livros em papel.

Entre os entrevistados, a leitura via celular já é prioritária devido à conveniência: 67% dizem estar sempre com o celular em mãos, o que facilita a leitura, ainda que prefiram ler pelo modo convencional. O fenômeno não se restringe aos países africanos. Na China, 25 milhões de pessoas leem livros apenas pelo celular.

O aparelho móvel também está se transformando em meio de acesso para quem não tem livros. Dos entrevistados, 9% afirmaram que leem pelo celular por não terem outra maneira de acessar histórias. “Nós vivemos em uma área remota onde não há bibliotecas e os poucos livros que tenho em casa já foram lidos. O celular me dá a chance de escolher novos títulos”, afirma Meet Charles, morador do Zimbábue ouvido pela pesquisa.

A leitura pelo celular ainda parece estar mais disseminada entre os homens – dos pesquisados, 77% são do sexo masculino. A Unesco constatou, no entanto, que essa diferença entre os gêneros deve-se mais ao fato de que, nos países pesquisados, os celulares são mais disseminados entre eles. Quando têm acesso aos livros digitais, as mulheres mostram-se mais interessadas: elas gastam 63% mais tempo na atividade do que homens.

Dos dez livros mais lidos, seis pertencem ao gênero romance. O título mais baixado é Can Love Happen Twice?, de Ravinder Singh, sem tradução para o português, seguido de The Price of Royal Duty [A Coroa de Santina: O Preço do Dever], de Penny Jordan. A Bíblia aparece na terceira posição.

A falta de alguns best-sellers para download no celular é um dos problemas apresentados pelos entrevistados. Para mais de 60%, a leitura seria mais frequente se títulos como Harry Potter e a Saga Crepúsculo estivessem disponíveis. Eles aparecem na lista dos 20 tópicos mais buscados nos aplicativos de leitura. No topo, está o termo “sexo”, seguido de “Bíblia”.

Estima-se que existam 774 milhões de analfabetos no planeta. A Unesco recomenda em seu relatório que novos projetos de aplicativos de leitura para celular sejam desenvolvidos para garantir o acesso a mais livros e em larga escala. A instituição aconselha ainda que os pais usem os aparelhos para despertar o interesse pela leitura nas crianças, de modo a reduzir o índice de analfabetismo entre os jovens, que representam 123 milhões dos analfabetos no mundo.

Por que as pessoas leem livros pelo celular?

Por que as pessoas leem livros pelo celular?

Por Bianca Bibiano | Publicado originalmente e clipado em Veja | 29/04/2014, às 15:39

Autores independentes vão ganhar mais do que autores tradicionais


Por Mark Coker | Publicado originalmente e clipado a partir de PublishNews | 29/04/2014 | Tradução: Marcelo Barbão

No meu último post previ que os autores de e-books independentes conquistarão 50% do mercado de e-books nos EUA em 2020. Hoje, estou olhando as implicações disto de outro ângulo – os ganhos dos autores. Hugh Howey recentemente jogou um pouco de luz sobre esta questão em seu siteAuthorEarnings.com[examinei o tumulto causado em Hugh Howey and the Indie Author Revolt.

Uma das vantagens normalmente citadas em relação a publicação de e-books independentes é que estes ganham “royalties” muito mais altos do que autores publicados tradicionalmente. Autores da Smashwords ganham tipicamente 60-80% do preço de venda, enquanto que os autores publicados tradicionalmente ganham entre 12,5% e 17,5% do preço de venda. A taxa paga pela editora depende se estão vendendo os livros pelo modelo de distribuidora ou de agência.

Vamos colocar alguns números para dar consistência a estas porcentagens. Um autor distribuído pela Smashwords ganha $2,40 em um e-book de $3,99 vendido através de um de nossos parceiros, enquanto que um autor publicado de forma tradicional ganharia entre 50 e 70 centavos. Para que o autor publicado de forma tradicional ganhasse os mesmos $2,40, o e-book deveria ter um preço entre $13,71 e $19,20. Isto explica porque autores talentosos estão sentindo um forte incentivo para publicarem de forma independente. Os independentes podem colocar um preço mais baixo, mas ainda ganham mais por unidade do que através das editoras tradicionais que cobram mais pelos livros mas continuam a oferecer uma porcentagem menor de royalties.

TABELA 02

A tabela no alto desta página é gerada pelas mesmas estimativas que criaram a tabela à esquerda que eu publiquei no último post.

A tabela no alto foi criada multiplicando a porcentagem do mercado que vai para os autores independentes de e-books [à esquerda] por 60%, e a porcentagem que vai para autores tradicionais por 15%.

Estas porcentagens são aproximações baseadas nas expansões que mencionei acima.

Você pode fazer o download da minha tabela para desenvolver e compartilhar suas próprias estimativas. Nada me deixaria mais feliz do que se alguém com melhores números provasse que minha estimativa de 15% para o mercado de e-books independentes em 2013 está muito alta [significaria que os autores da Smashwords teriam mais espaço para crescer no futuro!].

Confio, no entanto, que os 10 ventos de mudança que identifiquei no último post vão levar os independentes a ganhar cada vez mais mercado nos próximos anos.

O que é inicialmente incrível para mim na nova tabela no alto da página é que 2014 poderia ser o primeiro ano em que o total de dólares ganhos por independentes nas livrarias igualaria o valor ganho pelos autores tradicionais. Em 2020, a comunidade independente de e-books poderia ganhar quase quatro vezes mais do que a comunidade de e-books publicada de forma tradicional se os autores independentes chegarem a 50% do mercado como prevejo.

A seguinte informação incrível é como as curvas são íngremes. Note como é forte a ascensão dos autores independentes. O crescimento linear do mercado que usei como modelo para os independentes na tabela da semana passada leva a um diferencial maior na tabela desta semana em termos dos dólares que vão para os bolsos dos autores independentes em comparação com os bolsos dos autores tradicionais. Em linguagem simples, para cada dólar ganho com um e-book independente, o autor recebe 60 centavos. Para cada dólar ganho com um e-book publicado de forma tradicional, o autor recebe 15 centavos.

Minhas tabelas e suposições também estão limitadas. Meus números não tentam incorporar adiantamentos, por exemplo. É comum que as editoras paguem adiantamentos aos autores que nunca são recuperados pelas vendas dos livros. Em tais situações, a porcentagem de royalties declarada subestima o que o autor ganhou [também representa uma incapacidade da editora de estimar de forma precisa o potencial comercial de um livro].

Um limite adicional da tabela de hoje é que estou assumindo que a porcentagem de royalties vai continuar a mesma. Esta é uma suposição perigosa. Se a Amazon diminuir os valores dos e-books como fez com os com os audiobooks da Audible na outra semana, ela vai romper o modelo e quebrar a banca de muitos autores. Ou as editoras tradicionais poderiam ouvir o chamado dos escritores e aumentar a taxa de royalties. Ou todo mundo poderia aumentar os royalties.

Minhas projeções pintam um quadro de uma comunidade de autores independentes preparada para ganhar uma parte ainda maior dos lucros dos e-books se os impressos continuarem a perder importância.

Mas isso não significa que ser autor independente é a estrada para a riqueza. O aumento dos e-books autopublicados vai levar a uma abundância de livros de alta qualidade que nunca sairão de catálogo. Estes livros, combinados com os lançamentos de e-books das editoras tradicionais, vai acumular as prateleiras de livrarias online e levará a mais e-books de qualidade concorrendo com um número limitado de leitores. Significa que os leitores vão se tornar mais sagazes. Significa que todos os autores – independentes ou não – terão que encarar concorrência mais intensa do que antes.

Bons livros não serão mais bons o suficiente. Leitores querem livros excepcionais. Os independentes vão entregá-los.

Por Mark Coker | Publicado originalmente e clipado a partir de PublishNews | 29/04/2014 | Tradução: Marcelo Barbão

Mark CokerMark Coker é fundador da Smashwords, uma das maiores plataformas de autopublicação e distribuição de e-books do mundo. O site já publicou quase 7 milhões de e-books de autores independentes mundo afora. Mark também é colaborador do Huffington Post e, por isso tudo, tem experiência de sobra para falar sobre esse assunto que anda deixando editores e livreiros de cabelo em pé.

A coluna “O mundo do livro digital” traz as notícias e insights de Coker sobre o mundo do livro digital. Você pode conferir os textos em inglês, no site.

Site disponibiliza obra completa de Machado de Assis para download


Retrato do escritor brasileiro Machado de Assis [1839-1908] | Fundo Correio da Manhã | Arquivo Nacional

Retrato do escritor brasileiro Machado de Assis [1839-1908] | Fundo Correio da Manhã | Arquivo Nacional

A Coleção Digital Machado de Assis, parceria entre o portal Domínio Público [a Biblioteca Digital do MEC] e o Núcleo de Pesquisa em Informática, Literatura e Linguística [Nupill], da Universidade Federal de Santa Catarina, disponibilizou a a obra completa do escritor [1839-1908] para download gratuito.

Além dos principais clássicos de Machado no romance [“Memórias Póstumas de Brás Cubas”,”Quincas Borba”, “Dom Casmurro”] e no conto [“Papéis Avulsos”], o projeto também apresenta facetas menos conhecidas do autor.

Estão lá o Machado poeta, cronista, dramaturgo e tradutor [verteu para o português livros de Alexandre Dumas Filho, Victor Hugo e Charles Dickens].

Também é possível ler as críticas literárias que escreveu ao longo de toda a carreira —destaque para o seminal “Notícia da Atual Literatura Brasileira: Instinto de Nacionalidade” e “Eça de Queirós: O Primo Basílio”, famosa diatribe que lançou ao autor português.

Fora os textos de Machado, há teses e dissertações sobre seus livros, textos de contemporâneos ilustres do escritor [Euclydes da Cunha, José Veríssimo, Rui Barbosa] e um vídeo que retrata sua carreira.

Publicado originalmente e clipado à partir de Folha Online | 28/04/2014

Livro Digital | da teoria à prática


Novo curso do PublishNews, em parceria com o Alt+Tab, vai dar um panorama das principais questões do livro digital

Está marcado para os dias 20, 21 e 22 de maio, o curso Livro digital: teoria e práticaorganizado pelo PublishNews e pelo Alt+Tab. O curso, ministrado por Fábio Flatschart e pelos colunistas do PublishNews Gabriela Dias e Greg Bateman, vai dar um panorama das principais questões que rondam o livro digital hoje: como deve ser o conteúdo? Quais os principais dispositivos de leitura, formatos e ferramentas de produção? Como lidar com tantos ecossistemas e modelos de negócios? Quais as tendências e números do mercado no Brasil e no exterior? O curso é voltado para tanto para editoras que querem formar uma estratégia digital quanto para quem quer desenvolver um negócio na área. O curso acontece na House of Work (Dr Virgílio de Carvalho Pinto, 47 – Pinheiros – São Paulo/SP), das 17h30 às 21h30. Para mais informações e inscrições, clique aqui.

PublishNews | 28/04/2014

A internet virou grande aliada do livro


Com o avanço da informática, houve quem profetizasse o fim do livro “físico” e defendesse que os e-books – livros em arquivos digitais – fossem tomar o seu lugar. Esta transição se vê pouco hoje. Embora o e-book seja mais consumido a cada dia, ele ainda não chega nem perto das vendas dos livros de papel. A verdade é que a internet e o livro acabaram, de certa forma, sendo aliados. Quem gosta de literatura, encontra na rede muitos sites que tratem deste assunto, seja para o comercializar e-books e livros novos ou usados, promover discussões acerca de algum título, buscar por dicas de compra ou ainda descobrir novos autores.

Assim, a internet faz um papel também de estímulo à leitura entre as pessoas que se interessam pelo assunto. Os e-books, embora digitais, não deixam de ser livros e, por isso, são também importantes para cultivar o hábito da leitura e nem sempre quem compra o livro digital abandona de vez o hábito de ler as edições físicas. “Eu acredito que existe espaço para todos. Assim como o computador não substitui totalmente o papel e o CD não substituiu o vinil, o e-book não substituirá o físico. Há prazer em escutar um vinil, assim como há prazer em folhear as páginas de um livro e isso a tecnologia não substitui”, opina Caroline Brüning, psicóloga que tem o costume de ler tanto e-books quanto papel. Após adquirir o hábito de comprar e-books, ela não deixou ir às livrarias para saber sobre os lançamentos e comprar títulos que a interessam. Caroline acredita que existem publicações que você não somente baixa na internet, mas faz questão de ter o produto físico.

Confira todas as possibilidades que o mundo virtual abriu para quem é apaixonado por literatura.

eBooks

A psicóloga Caroline Brüning elogia praticidade do e-book, que possibilita ter vários livros em um mesmo lugar sem ocupar espaço ou fazer peso. “Gosto da possibilidade de, assim que encontrar algo que não conheço no livro, já procurar mais sobre aquele tema ou palavra. Gosto de ter tudo ao meu alcance da forma mais prática possível e acho que o e-book oferece isso”, comenta. Entre as vantagens, está o preço do e-book, que costuma ser menor do que do livro físico, e ainda a facilidade para carregar. Antes, Carolina costumava carregar dois ou três livros com ela, devido ao costume de ler vários volumes ao mesmo tempo. Agora, isso ficou mais fácil. “Os aplicativos também tem funcionalidades: é possível fazer comentários, ler um livro em grupo, fazer marcações e anotações em grupo de forma interativa. Fazer marcações em um e-book é muito mais limpo e organizado do que em um livro físico e, se eu quiser, posso desfazer sublinhamentos e apagar comentários sem afetar a integridade do livro”, acrescenta. Entre os maiores sites de compra de e-books estão o Gato Sabido [www.gatosabido.com.br], a Livraria Saraiva [http://www.livrariasaraiva.com.br/livros-digitais/] e a Livraria Cultura [www.livrariacultura.com.br/ebooks].

A rede social dos livros

Quem gosta de ler sobre livros, procurar novos títulos e conversar sobre literatura encontra uma rede social para tratar somente deste assunto: o Skoob. A rede é brasileira e promove a interação entre leitores de todos os cantos do país. No Skoob, a pessoa pode formar sua estante virtual: adiciona-se o livro, que então é classificado em categorias, como “quero ler”, “tenho” e “já li”. É possível fazer resenhas sobre os grupos, receber recados, interagir em grupos com o mesmo interesse literário ou ainda ter um perfil “Plus”, uma ferramenta criada pela rede para permitir a troca de livros entre os usuários. Além disso, o Skoob costuma sortear entre os usuários livros cortesia dados pelas editoras.

Um sebo virtual

Fazer compras em sebo exige um pouco de paciência para se garimpar entre muitos livros antigos até achar o de sua escolha. Para quem não tem tempo ou apenas não quer ir até o sebo, existe o site Estante Virtual, que reúne 1,3 mil sebos e livreiros de 339 cidades do Brasil. Na hora de procurar o livro desejado, o site busca em sebos de todos os cantos do Brasil. “Em sebo online, a facilidade de encontrar o livro que você deseja é maior. Basta fazer a busca e verificar as opções de preço e conservação. Além disso, o sebo online tem bem mais opções de títulos”, afirma a jornalista Gabriela Piske. Ela conta que nunca teve problemas com a entrega de livros que comprou no site e os livros vieram em boa qualidade, conforme estava na descrição do site. É preciso ter alguns cuidados na hora da escola. Gabriela recomenda que a pessoa verifique as informações sobre a conservação do livro e também sobre o vendedor. “Verifique se há depoimentos de quem já comprou, se há bastante opções de livros e acompanhe todo o processo de compra e envio. Se necessário, mantenha contato com o vendedor até tudo dar certo”, aconselha.

Blogs

Uma maneira de se manter informado sobre lançamentos e discutir diversos aspectos de livros e estilos literários são os blogs que existem sobre o assunto. Entre eles, estão o Homo Literatus [www.homoliteratus.com], o Literatortura [literatortura.com] e o Literatura de Cabeça [www.litraturadecabeca.com.br]. Estes sites costumam fazer resenhas, entrevistas, críticas, podcasts, enfim, abordam diversos aspectos da literatura. Já o Indique um Livro [www.indiqueumlivro.com], é um site apenas de resenhas, em que qualquer pessoa pode mandar a sua indicação. Além disso, algumas editoras também criaram blogs para informar quanto aos seus lançamentos, falar sobre os autores, entre outros assuntos. Este é o caso da Companhia das Letras, que alimenta com frequência seu blog [www.blogdacompanhia.com.br].

Podcasts

Boa parte dos blogs de literatura possui podcasts, programas de áudio em que participantes discutem algum tema relacionado a este assunto. Entre os tantos se destaca o 30:MIN, podcast do blog Homo Literatus que reúne o fundador da página, Vilto Reis, idealizador do blog Literatortura, Gustavo Magnani e a linguista Cecília Garcia. Os assuntos levantados nos posts são interessantes, cheios de informação e tratam de diversos pontos da literatura mundial sempre com humor. Cada podcast tem um nome que informa sobre o assunto a ser discutido. Entre eles, estão “Quebra-quebra das formas literárias”, “Os escritores mais barraqueiros da história da literatura”, “O grande clássico que eu detestei ler”, “Escritores adorados que eu não vejo graça” e “Neve, vodka e literatura russa”.

Mais variedade e menores preços

Comprar com um clique e no conforto de casa foi uma das vantagens que a internet trouxe para os consumidores. Dayro Bornhausen, assessor administrativo do Departamento de Cultura e Maestro do Coro Misto Santa Cecília, comenta que compra quase todos os seus livros pela internet. Seus sites preferidos para compras são Submarino, e o das livrarias Saraiva e Cultura. “É mais fácil e a entrega é rápida. Tenho a possibilidade de comparar os preços, procurar promoções e de fazer parcelamento”, argumenta. Dayro também compra na Amazon partituras e livros em inglês para o coro, pois dificilmente encontra livros importados de música nas livrarias e sites nacionais. Ele recomenda que a pessoa fique atenta às taxas no momento de comprar livros importados, pois às vezes o livro acabando saindo muito caro devido a elas e passa a não valer mais a pena. Quando for comprar pela internet, preste atenção nos detalhes das informações dos livros. Por exemplo, se a descrição diz “edição condensada”, significa que o livro traz um resumo do original e não seu texto integral, e se está descrito como “edição econômica”, trata-se de uma edição impressa em papel de qualidade inferior ao livro original, muitas vezes com capa mais mole ou com um design diferente.

Jornal Metas – 25/04/14

Baja Libros Brasil


Diretor da mais importante varejista de e-books nos países latinos promete para o primeiro semestre a loja com domínio .br

A Amazon ainda não chegou à Argentina e, se um portenho quer comprar qualquer coisa na gigante, terá que pagar em dólares e uma taxa de importação de estratosféricos 35% sobre o valor do produto. Assim, empresas locais que comercializam e-books, por enquanto, nadam de braçadas no Rio da Plata. Uma delas merece destaque: a Baja Libros que vende em quase todos ao países da América Latina [em moedas locais]. “Obviamente, a chegada da Amazon na Argentina é iminente e nos preocupa”, comentou Ernesto Skidelsky, diretor da Baja Libros. Em uma conversa com o PublishNews, ele contou ainda que, ainda no primeiro semestre de 2014, a varejista deve chegar ao Brasil. “Claro que não queremos concorrer com Amazon ou Livraria Cultura. Mas detectamos que há um universo de três milhões de pessoas que vivem no Brasil que falam ou estudam o espanhol. Então, a nossa ideia é vender e-books em espanhol para brasileiros”, comentou o diretor.

A Baja Libros apresenta um crescimento exponencial mês a mês, de acordo com Skidelsky. “A presença do livro digital na Argentina ainda é muito pequena, mas tem crescido muito e muito rápido”, disse o diretor que estima que a fatia dos e-books não ultrapasse o 1% das vendas de livros no país. Skidelsky contou ainda que, além de chegar no Brasil, está nos planos da Baja Libros fortalecer a sua presença no Chile e no México.

A Baja Libros também entrou na onda das Bibliotecas Digitais e criou uma solução que já está em operação na Universidade Siglo 21, da Rede Ilumno, dona de duas instituições de ensino superior no Brasil: Centro Universitário Jorge Amado [BA] e Universidade Veiga de Almeida [RJ]. O modelo da biblioteca digital da Baja Libros é bem semelhante com alguns vistos no Brasil: a universidade paga um preço pela licença que tem vigência de um ano e cada e-book pode ser emprestado a um único usuário por vez. A remuneração a editores e autores é feita em cima do valor pago pela licença anual.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 24/04/2014

Vendas online de livro na China tiveram boom em 2013


As vendas varejistas de livros da China tiveram boom em 2013, com o valor das vendas online superando 16 bilhões de yuans [US$ 2,56 bilhões], uma alta anual de 30%, de acordo com um relatório publicado nesta quinta-feira pelo Diário do Povo.

O relatório foi divulgado conjuntamente pela Televisão Central da China, Diário do Povo, sites de venda de livros, e pelo Horizon Research Consultancy Group.

De acordo com os dados fornecidos pela baidu.com, a maior companhia de pesquisa na internet da China, as pessoas aos 20 a 39 anos procuram livros no motor de busca mais do que outros grupos. Homens buscam geralmente livros sobre artes, compêndios, ciência e literatura, enquanto mulheres preferem livros de ciências sociais.

Nos últimos três anos, chineses vêm lendo mais livros em dispositivos móveis.

A varejista online jd.com informou que usuários de dispositivos móveis lêem em média livros eletrônicos por 30 minutos, cinco vezes por dia, geralmente em casa ou no metrô.

Embaixada da China | 24/04/14

eBooks conquistam mais espaço no mercado editorial brasileiro


Aos poucos os e-books estão conquistando cada vez mais adeptos no Brasil. O crescimento na venda dos livros digitais no mercado nacional supera outros países como os Estados Unidos, segundo projeções da empresa de consultoria alemã Rüdiger Wischenbart [RW].

Depois do primeiro ano com as principais empresas do segmento internacionais – Amazon, Apple, Google e Kobo – o faturamento total do segmento “trade” de e-books, isto é, livro não didático, religioso ou técnico, subiu de 1,17% para 2,5%. A confirmação desses números, no entanto, deve ser divulgada em agosto pela RW.

A estimativa é que a Amazon já ocupe 30% do mercado brasileiro, junto com a Apple, também com 30%. Google e a Saraiva dividem a segunda posição com 15%, em seguida vem a Kobo com 5% e outros menores também com 5%.

Os números não denotam que se lê mais no Brasil, no entanto. Uma explicação para este fenômeno é a alta nas vendas de tablets e smartphones no Brasil nos últimos meses. Em 2013, as vendas somaram 7,9 milhões de tablets e 35 milhões de smartphones, de acordo com a IDC.

Fatores como a entrada da Amazon no mercado de produtos físicos e a possível aprovação das modificações na Lei 10.753/2010, que inclui a proposta de isentar equipamentos cuja função primordial seja a leitura de textos em formato digital, devem favorecer o crescimento de e-books nos próximos anos.

Acieg | 24/04/14

Biblioteca comunitária digital é inaugurada em Ribeirão Preto


Dez mil exemplares digitais de mil títulos estarão à disposição dos usuários por seis meses

A Fundação Educandário Cel. Quito Junqueira, localizada em Ribeirão Preto, inaugura nesta quarta-feira [23/04], a primeira biblioteca comunitária digital do país a fazer empréstimos de e-books. O projeto é uma iniciativa da Fundação Palavra Mágica e da Árvore de Livros, uma plataforma de bibliotecas digitais que inicia neste mês as suas operações no Brasil. O projeto-piloto terá seis meses de duração e contará com um acervo digital básico de 10 mil cópias digitais de mil títulos diferentes. A leitura dos livros digitais será feita em tablets a partir de uma conexão com a internet e pode ocorrer também em smartphones, notebooks, computadores e e-readers. Cada usuário terá login e senha para acessar a biblioteca digital de qualquer aparelho, inclusive de outros lugares. Ao carregar o e-book na tela, o usuário pode até desconectar a internet que mesmo assim terá acesso ao conteúdo offline.

PublishNews | 23/04/2014

Um em cada cinco crianças já leem em tablets 


A maioria das crianças no Reino Unido vivem em lares onde existe pelo menos um tablet e uma em cada cinco usam o dispositivo para ler, de acordo com o relatório da Childwise que examinou o consumo de mídia por crianças e adolescentes.  A pesquisa aponta ainda que o dispositivo está cada vez mais popular e o número de tablets quase dobrou pelo segundo ano consecutivo. Dois em cada cinco que participaram da pesquisa disseram que possuiu o seu próprio tablet. Simon Legget, diretor associado de pesquisa da Childwise, aponta que a popularidade do tablet se deve a duas razões: a portabilidade e o número de aplicativos disponíveis.

Por Charlotte Eyre | The Bookseller | 23/04/2014

Smartphones estimulam a leitura em países pobres, mostra UNESCO


Pesquisa da UNESCO indica que o “boom” de smartphones tem ajudado a promover a leitura em países pobres como Etiópia, Gana, Nigéria e até na Índia. Nestes locais, o aparelho atua como agente ativo para estancar a ausência de livros em papel.

A organização americana sem fins lucrativos Worldreader distribui livros digitais para smartphones de baixo custo e Kindles para classes escolares carentes. Com acervo de 6 mil títulos [a maioria gratuitos], o serviço já acumula cerca de 300 mil usuários mensais. Desde 2010, a Worldreader já ofereceu mais de 1,7 milhão de e-books para download.

“Estamos trabalhando em partes do mundo onde, historicamente, os livros não chegaram”, explica Susan Moody, diretora de comunicação da entidade, para quem a tecnologia permite mudar esta realidade. “Se levarmos livros para lá, as pessoas compreenderão mais e cultivarão a cultura da leitura”, completa.

De acordo com a pesquisa, 62% das pessoas entrevistadas preferem ler nos smartphones a pegar nos livros e 33% leem para seus filhos a partir dos dispositivos, ao passo que reclamam da falta de obras infantis.

Olhar Digital | 23/04/14

Plataformas ensinam a criar eBooks


No dia 23 de abril é celebrado o dia internacional do livro, data instituída pela Unesco em 1995. Aproveitando esse momento, que tal acompanhar a evolução dos suportes de leitura? Do papiro aos tablets, ao longo da história, os livros passaram a utilizar novos formatos para se adequar aos avanços tecnológicos. Atualmente, as novas tendências são os e-books. Além de serem interativos, eles também podem reduzir os custos de impressão e o gasto de papel. Mas, essas não são as únicas vantagens. Os livros eletrônicos podem ser uma ótima opção para professores e alunos desenvolverem seus próprios conteúdos.

Se antes era necessário recorrer às editoras para a publicação de um livro, hoje é possível criar um e-book e compartilhar o resultado final na internet. Com essa facilidade, podem surgir novas opções de materiais que proporcionam experiências de ensino personalizado. Para auxiliar educadores, alunos, ou até mesmo usuários que desejam se aventurar por esse universo, o Porvir separou uma lista de 5 sites gratuitos que permitem criar livros digitais.

Confira algumas opções:

1. Myebook

Com essa ferramenta o usuário pode criar e editar livros digitais de forma simples e personalizável. Ao iniciar um novo projeto, é possível escolher o número de páginas e optar por desenvolver a publicação a partir de um modelo pronto ou começar do zero. Para os que desejam adaptar um arquivo, também existe a opção de importar um documento em PDF.

Além de inserir textos, a plataforma permite a criação de recursos interativos com vídeos, áudios, documentos, imagens e arquivos em flash. Após a conclusão do projeto, o livro pode ser disponibilizado no site para consultas. A ferramenta está disponível apenas em inglês.

2. Livros digitais

Desenvolvida pelo Instituto Paramitas, a plataforma pode ser utilizada por alunos e professores para criação e publicação de livros eletrônicos. Com aplicações simples, uma das vantagens da ferramenta é estar disponível em português e ter fácil usabilidade.

No site, o usuário pode formatar o seu livro, escolher modelos de capas e adicionar páginas com quatro layouts pré-estabelecidos, permitindo inserir textos e imagens. Após a finalização do projeto, o livro pode ser convertido em PDF, no formato A4, ou também é possível compartilhar a obra nas redes sociais.

3. Papyrus

O Papyrus é um editor on-line que permite a criação de livros digitais para serem exportados no formato PDF, Epub ou Kindle. Para começar um projeto, é necessário escolher entre 25 modelos disponíveis. Com base nesses formatos, o usuário pode fazer adaptações, adicionar capítulos, inserir imagens e textos.

Embora seja possível seguir apenas modelos pré-formatados, a ferramenta possui alguns recursos de customização, incluindo o estilo de texto, alinhamento, formatação e inserção de links. Ela já está disponível em português.

4. Playfic

A plataforma não possui muitos atrativos visuais, mas possibilita a criação de livros digitais interativos. O usuário pode criar uma narrativa e colocar nas mãos de seu leitor escolhas que alteram o fim da história. A plataforma não usa gráficos e sons, mas o dinamismo é garantido pela possibilidade de avançar páginas ou parágrafos e de alterar o rumo da história.

O Playfic usa linguagem de programação simples, que permite a criação de verdadeiros jogos com a utilização de recursos textuais. A ferramenta pode ser interessante para estimular o desenvolvimento da capacidade de leitura e escrita.

5. ePub Bud

O ePub Bud foi desenvolvido para criar livros digitais infantis para iPad. A ferramenta permite subir arquivos ou criar publicações para serem acessadas pelo tablet. Com a ferramenta, os usuários podem disponibilizar as produções gratuitamente ou optar por vender sua criação.

Além de desenvolver as próprias histórias, a ferramenta permite navegar pelas criações de outros autores, podendo fazer o download desse conteúdo. A plataforma possui um acervo com diversos livros digitais gratuitos para crianças.

Porvir | 23/04/14

Primeira biblioteca comunitária digital do país é lançada em Ribeirão Preto


A Fundação Educandário Cel. Quito Junqueira abriu na quarta-feira [23], Dia Mundial do Livro e dos Direitos do Autor, a primeira biblioteca comunitária digital do país a fazer empréstimos de eBooks.

A Biblioteca Digital do Educandário vai atender os jovens e adolescentes do Complexo do Aeroporto, que já são atendidos pela instituição. O projeto-piloto, que é pioneiro no País, terá seis meses de duração e contará com um acervo digital básico de 10 mil eBooks: serão 1.000 diferentes títulos de diversos gêneros da literatura, com destaque para as obras de literatura infantil e juvenil.

A leitura dos livros digitais será feita em tablets a partir de uma conexão com a internet e pode ocorrer também em smartphones, notebooks, computadores e eReaders [dispositivos de leitura digital]. Cada usuário terá login e senha para acessar a biblioteca digital de qualquer aparelho, inclusive de outros lugares.

A biblioteca funciona como uma espécie de “Netflix [a empresa que empresta filmes pela internet] dos livros”. Porém, com uma vantagem adicional: ao carregar o eBook na tela, o usuário pode até desconectar a internet que mesmo assim pode ler o conteúdo offline.

A Fundação Educandário disponibilizou, inicialmente, 13 tablets. Além do uso nos projetos que acontecem no local, também poderão ser emprestados dispositivos para leitura em casa. Os eBooks com até 42 páginas podem ser emprestados por uma semana [com possível prorrogação de mais uma] e os demais por 15 dias, com direito a uma prorrogação. Aqueles eBooks que têm acima de 200 páginas podem ter o empréstimo prorrogado mais de uma vez.

A era digital vai promover uma verdadeira revolução na leitura no Brasil, com impactos extraordinários na educação”, afirma o presidente da Árvore de Livros S.A., Galeno Amorim, que até o ano passado presidiu a Fundação Biblioteca Nacional e também foi secretário municipal de Cultura em Ribeirão. A Árvore desenvolveu um modelo de negócios pioneiro e vai atuar em todo território nacional junto a redes de ensino públicas e escolas privadas, bibliotecas e empresas.

Com esse projeto, vamos ampliar o acesso aos livros aos adolescentes que participam do nosso programa, com uma disponibilidade ampla de títulos”, diz o presidente da Fundação Educandário, Marcos Awad. “Seria muito mais difícil reunir tantos títulos de papel, enquanto os eBooks facilitam muito o acesso, agilizando o aprendizado”, completa Awad.

Ribeirão Preto Online | 23/04/14

Primeira biblioteca comunitária digital do país é lançada hoje em Ribeirão


A princípio, a biblioteca será direcionada aos 300 alunos do Educandário, mas futuramente poderá ser aberta à população

Para os novos leitores

O acervo digital conta com 13 tablets, 10 mil eBooks e 1.000 títulos | Foto: Divulgação

O acervo digital conta com 13 tablets, 10 mil eBooks e 1.000 títulos | Foto: Divulgação

Hoje é o Dia do Livro e a Fundação Educandário tem um bom motivo para comemorar. Às 14h será lançada a primeira biblioteca comunitária digital do País a fazer empréstimos de eBooks. A biblioteca faz parte do projeto Árvore de Livros S.A., presidida por Galeno Amorim, que já implantou espaços parecidos na Favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, e no Parque da Juventude, em São Paulo. A princípio, a biblioteca será direcionada aos 300 alunos do Educandário, mas futuramente poderá ser aberta à população. O acervo digital conta com 13 tablets, 10 mil e-books e 1.000 títulos.

Jornal A Cidade | 23/04/2014, às 09:42

Curva de vendas de eBooks no Brasil cresce


Lá, em 2008, ano seguinte ao ingresso do Kindle no mercado, a venda de e-books representava 1,17% do total do mercado editorial no segmento “trade” [obras gerais, que não incluem didáticos, religiosos ou técnicos].

Em uma projeção para 2013 – dados oficiais devem ser divulgados em agosto, alguns dias antes da Bienal Internacional do Livro em São Paulo – os e-books devem chegar a 2,5% do total do faturamento do segmento no mercado editorial brasileiro.

A projeção é da edição mais recente do Global E-book Report, relatório publicado periodicamente pela empresa de consultoria alemã Rüdiger Wischenbart [RW].

O CEO do site especializado no mercado editorial Publish News, Carlo Carrenho, autor do capítulo do relatório que trata do Brasil, sinaliza na direção de um 2014 otimista para o mercado de livros digitais no País.

A estimativa é de que a Amazon já ocupe 30% do mercado brasileiro, junto com a Apple, também com 30%”, projeta Carrenho. “Google e Saraiva dividem a segunda posição com 15%, em seguida vem a Kobo, com 5% e outros players menores, também com 5%.

Uma das explicações para essa divisão – não tão comum nos outros mercados, especialmente no americano e europeu – é a alta difusão de tablets e smartphones no Brasil nos últimos meses: de acordo com dados da IDC, 7,9 milhões de tablets e 35 milhões de smartphones foram vendidos no Brasil em 2013.

A questão é que a Amazon vai começar, nos próximos meses, a vender livros físicos e outros bens materiais pelo site. Desde fevereiro de 2014, a empresa utiliza um esquema de logística próprio para importar os Kindles. Agora, já com contratos assinados com as principais editoras do País, a operação física da Amazon deve preocupar especialmente as livrarias mais tradicionais, de acordo com Carrenho.

As vendas de livros físicos devem ajudar muito a venda de livros digitais da Amazon, mas também deve causar problemas para as livrarias tradicionais”, afirma.

Outro fator que deve jogar os números de vendas de livros digitais para cima nos próximos meses é a previsão de aprovação das modificações na Lei 10.753/2010, que institui a Política Nacional do Livro. Uma das propostas é incluir “equipamentos cuja função exclusiva ou primordial seja a leitura de textos em formato digital” na lista de isenções da Lei, que isenta livros físicos.

Se essa modificação for aprovada, o preço dos leitores digitais [E-readers] deve cair vertiginosamente, porque os impostos que incidem sobre importações de aparelhos eletrônicos podem chegar a 60% do valor total, de acordo com o relatório da RW. Outro bom sinal para o mercado.

O Programa Nacional do Livro Didático [PNLD] para 2015, que prevê a aquisição de mais de 80 milhões de livros, também incluiu obras digitais na sua seleção.

Conforme o relatório da RW, essa e outras compras do governo somam mais de 25% da receita dos editores. Sem dúvida, uma boa previsão. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Portal No Ar | 22/04/14

Governo impulsiona livro digital


A inclusão de conteúdo multimídia no Programa Nacional do Livro Didático [PNLD] para o ensino médio de escolas públicas a partir de 2015 vai impulsionar o mercado de livros digitais, na avaliação de editoras.

A medida do governo federal será indutora [da difusão desse material]“, afirma Antonio Luiz Rios, CEO da editora FTD.

Um departamento de produção digital foi criado pela empresa e, no início deste ano, a editora lançou um canal de e-commerce exclusivo para a venda de livros didáticos multimídia ao mercado.

A receita ainda é ‘traço’ quando a gente compara com as vendas do segmento tradicional. Mas o movimento vai começar de forma intensa com a aquisição do governo.

A companhia inscreveu no programa federal 106 livros com conteúdo digital – 53 títulos voltados para alunos e o mesmo núme0ro destinado aos professores.

No ano passado, dos R$ 421 milhões que a FTD faturou com material educacional, 50% foram provenientes das vendas para a União.

No processo de compra do material para 2015, o prazo para que as editoras cadastrem suas obras terminará em 21 de junho, segundo o Ministério da Educação [MEC].

O material será selecionado no segundo semestre por uma comissão de docentes e, após essa etapa, um guia será encaminhado às escolas, que farão a escolha.

Depois dessa definição, cabe ao MEC a compra e a distribuição dos livros pelo país.

COLUNA MERCADO AERTO | Publicado originalmente em Folha de s.Paulo | 22/04/2014, às 03h00

Escritores da nova geração debatem uso da internet


Brasília | Os limites e o papel da internet entre as novas gerações de escritores foi o principal tópico debatido pelos convidados da terceira mesa temática “A nova geração de ficcionistas”, encontro realizado na manhã de domingo [20] da Bienal do Livro e da Literatura, em Brasília.

Colunista da Folha e do “International New York Times”, a jornalista e escritora Vanessa Barbara, vencedora do Prêmio Jabuti na categoria reportagem com o título “O livro amarelo do Terminal,” se diz uma entusiasta do mundo virtual.

Eu adoro a internet. Sou muito otimista, claro, às vezes tem muita besteira, mas também tem coisas importantes, sem falar que é um espaço ilimitado para explorar, brincar“, destacou.

Autor do livro “Paralelos”, lançado pela Geração Editorial, Leonardo Alkmim, outro participante do debate vindo de São Paulo, concordou com a independência e democratização do espaço.

É uma plataforma importante não só como veículo de divulgação, mas como você pensa a literatura hoje em dia“, observou. “Antigamente, se você queria ser publicado tinha que chegar numa grande editora. Agora não, você publica o texto nesse espaço digital e se vender muito ou pouco ele estará lá“, constatou, revelando que flertou com vários outros caminhos da cultura, antes de se tornar definitivamente escritor.

Depois de escrever seus primeiro livros entre 9 e 13 anos, deu um tempo na literatura para ser baterista e ator de teatro. No palco, teve chance de trabalhar com nomes de peso do segmento, como José Celso Martinez Corrêa e Paulo Autran. Empolgadom escreveu duas peças abordando temas como violência urbana e conflitos amorosos.

O grande poder do autor é embarcar no seu sonho. Essa independência me fascinou e me trouxe de volta para a literatura, onde a liberdade é plena“, comentou.

Autora do livro “Desnorteio” [Editora Patuá], vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura na categoria iniciante, Paula Fábrio contou que desde cedo tinha fascínio pela escrita, mas que escrevia escondida da família porque todos em casa não achava normal que ela tivesse esse hábito. “Lá em casa não havia o hábito da leitura, todo mundo odiava livro” , lamentou, arrancando risos da plateia.

Com os 500 exemplares do livro lançados por uma pequena editora, esgotados, ela mesma trouxe cinco títulos para serem vendido na Bienal. “É o sistema de distribuição de livros para novos escritores no Brasil“, ironizou.

POR LÚCIO FLÁVIO | EM COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE BRASÍLIA | 21/04/2014, 14h52

Vaticano vai pôr tesouros da biblioteca no digital


Numa parceria com a NTT Data, uma empresa japonesa, o Vaticano quer converter 3000 manuscritos em ficheiros digitais, cerca de 40 mil páginas.

Esta operação vai demorar cerca de 4 anos, necessita de 50 peritos e 5 scanners. No entanto, serão precisos vários anos até que esteja completa a digitalização de todos os ficheiros da biblioteca do Vaticano, que são cerca de 82 mil.

Segundo o sítio da Internet Mashable, espera-se que alguns dos documentos da primeira fase de digitalização estejam disponíveis online no final deste ano.

Diário de Notícias | 21/04/14

Crescimento na venda de eBooks no Brasil deve continuar, diz especialista


Livros digitais devem chegar a 2,5% do total do faturamento do segmento no mercado editorial brasileiro

A curva de crescimento das vendas de e-books no Brasil, no primeiro ano de atuação dos grandes players internacionais [Amazon, Apple, Google, Kobo], é maior do que a curva de crescimento no mercado dos Estados Unidos na mesma situação.

Brasil teve alta difusão de tablets e smartphones nos últimos meses | Márcio Fernandes/Estadão

Brasil teve alta difusão de tablets e smartphones nos últimos meses | Márcio Fernandes/Estadão

Lá, em 2008, ano seguinte ao ingresso do Kindle no mercado, a venda de e-books representava 1,17% do total do mercado editorial no segmento “trade” [obras gerais, que não incluem didáticos, religiosos ou técnicos].

Em uma projeção para 2013 – dados oficiais devem ser divulgados em agosto, alguns dias antes da Bienal Internacional do Livro em São Paulo – os e-books devem chegar a 2,5% do total do faturamento do segmento no mercado editorial brasileiro.

A projeção é da edição mais recente do Global E-book Report, relatório publicado periodicamente pela empresa de consultoria alemã Rüdiger Wischenbart [RW].

O CEO do site especializado no mercado editorial Publish News, Carlo Carrenho, autor do capítulo do relatório que trata do Brasil, sinaliza na direção de um 2014 otimista para o mercado de livros digitais no País.

“A estimativa é de que a Amazon já ocupe 30% do mercado brasileiro, junto com a Apple, também com 30%”, projeta Carrenho. “Google e Saraiva dividem a segunda posição com 15%, em seguida vem a Kobo, com 5% e outros players menores, também com 5%.”

Uma das explicações para essa divisão – não tão comum nos outros mercados, especialmente no americano e europeu – é a alta difusão de tablets e smartphones no Brasil nos últimos meses: de acordo com dados da IDC, 7,9 milhões de tablets e 35 milhões de smartphones foram vendidos no Brasil em 2013.

A questão é que a Amazon vai começar, nos próximos meses, a vender livros físicos e outros bens materiais pelo site. Desde fevereiro de 2014, a empresa utiliza um esquema de logística próprio para importar os Kindles. Agora, já com contratos assinados com as principais editoras do País, a operação física da Amazon deve preocupar especialmente as livrarias mais tradicionais, de acordo com Carrenho.

“As vendas de livros físicos devem ajudar muito a venda de livros digitais da Amazon, mas também deve causar problemas para as livrarias tradicionais”, afirma.

Outro fator que deve jogar os números de vendas de livros digitais para cima nos próximos meses é a previsão de aprovação das modificações na Lei 10.753/2010, que institui a Política Nacional do Livro. Uma das propostas é incluir “equipamentos cuja função exclusiva ou primordial seja a leitura de textos em formato digital” na lista de isenções da Lei, que isenta livros físicos.

Se essa modificação for aprovada, o preço dos leitores digitais [E-readers] deve cair vertiginosamente, porque os impostos que incidem sobre importações de aparelhos eletrônicos podem chegar a 60% do valor total, de acordo com o relatório da RW. Outro bom sinal para o mercado.

O Programa Nacional do Livro Didático [PNLD] para 2015, que prevê a aquisição de mais de 80 milhões de livros, também incluiu obras digitais na sua seleção. Conforme o relatório da RW, essa e outras compras do governo somam mais de 25% da receita dos editores. Sem dúvida, uma boa previsão.

Por Guilherme Sobota | Publicado originalmente em O Estado de S. Paulo | 21 de abril de 2014 | 21h 17

Amazon e Samsung firmam acordo para eBooks


A partir de hoje, usuários da marca coreana podem baixar um e-book grátis por mês

Amazon e Samsung anunciaram um acordo global para lançar a versão exclusiva do Kindle para usuários  Samsung. Com isso, a marca coreana abandona os seus planos de aquisição de conteúdos de e-book e delega à Amazon a tarefa. Uma novidade para usuários Samsung é que, a partir de hoje, eles poderão baixar de graça um título por mês. A escolha é feita entre quatro e-books mensais. Em abril, já estão disponíveis para os brasileiros O Continente – volume 1  [Companhia das Letras], de Érico Verissimo; 1494 [Globo Livros], de Stephen R. Brown; Casei. E agora? [Literata], de Tatiana Amaral e Memorização e aprendizado acelerado [A Arca Livros], de Miguel Angel Perez Corrêa. O aplicativo Kindle para Samsung já pode ser baixado em smartphones e tablets que operam a partir da versão 4.0 do sistema operacional Android.

No comunicado sobre a parceria, Lee Epting, vice-presidente da Samsung Media Solution Center na Europa, disse: “estamos muito satisfeitos em aprofundar nosso relacionamento de longa data com a Amazon e oferecer o Kindle para Samsung como aplicativo perfeito para leitura em um dispositivo inteligente. Com este serviço, demonstramos nosso compromisso de criar e ampliar parcerias de conteúdos-chave que proporcionam experiências ricas e personalizadas para nossos clientes”.

Um dos livros do mês é o 1494, oferecido pela Globo Livros. Para Mauro Palermo, diretor executivo da editora, nessa parceria, todos ganham. “É um ganha-ganha: a editora melhora a exposição do livro em troca da cessão de um título gratuito. É uma ação com a qual a gente acaba tendo uma maior flexibilidade e não há um investimento alto. A Amazon tem sido um parceiro muito eficiente”, comentou Palermo.

Um movimento semelhante, guardadas as devidas proporções, aconteceu em fevereiro, quando a Kobo assumiu os clientes da Sony, logo depois do fechamento da Reader Store, criada pela empresa japonesa.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 17/04/2014

Biblioteca Digital


O principal jornal econômico do País mostra que a Árvore prepara o início de suas operações no mercado nacional indicando Galeno Amorim, ex-presidente da Fundação Biblioteca Nacional, para assumir o comando da companhia. Anuncia investimentos e principais objetivos para 2014.

Valor Econômico | Coluna Avant-première | 17/04/2014, às 05h00

Livros digitais nas escolas brasileiras


Google, iba e Árvore de Livros também poderão distribuir livros digitais

O caso MEC feat. Amazon iniciado no meio de março com o anúncio feito pela varejista como escolhida para distribuição de livros digitais às escolas brasileiras tem novos personagens. Já era sabido que a Saraivatambém tinha disto escolhida para a hercúlea missão de levar os livros digitais a alunos e professores da complexa rede pública de ensino brasileira. Agora, está confirmada a seleção do Google, do iba e da Árvore de Livros no páreo.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 17/04/2014

10 razões pelas quais os autores vão ganhar o mercado de eBooks em 2020


Por Mark Coker | Publicado originalmente e clipado a partir de PublishNews | 16/04/2014

Modeling the Rise of Indie Authorship

Modeling the Rise of Indie Authorship

Há um debate furioso sobre o tamanho do mercado de autopublicação. Acho que os e-books independentes chegarão a ser 50% do mercado em 2020. O que vocês acham? De um lado do debate, há pessoas como eu que acreditam que todos os sinais apontam para os autores independentes conquistando uma porcentagem cada vez maior do mercado de e-books. Do outro lado, há caras que acham que a autopublicação representa uma porção insignificante do mercado de livros. Os negadores acham que nós, os otimistas da independência, estamos delirando.

Os dois lados poderiam estar certos? Sim, se você olhar para os números de hoje, e não se olhar para as tendências. Quando se olha para as tendências, surge uma nova imagem. Sim, entendo que pode ser perigoso extrapolar tendências. Vários eventos podem agir para romper ou reverter uma tendência. Mas se você tem confiança no que está impulsionando uma tendência, e acha que o vento deste impulso vai continuar soprando forte, então fica fácil ver o futuro.

Hoje estou contribuindo para a discussão oferecendo uma tabela para download que você pode usar para se tornar um especialista em e-books. Clique aqui  para fazer o download da minha tabela no Dropbox

GraficoMark02

Depois que tiver feito o download da tabela, abra e smplesmente digite suas estimativas nas células em amarelo. Você pode colocar suas estimativas em duas colunas: 1. Na coluna 11, você vai estimar a porcentagem de vendas de livros gerais representada por livros impressos [como você provavelmente sabe, o termo “livros gerais” se refere a livros ao consumidor comprados normalmente através de livrarias]. 2. Na coluna 13, você vai estimar a porcentagem das vendas do mercado de e-books dos autores de e-books independentes.

Entre os números para cada ano de 2008 a 2020.

A partir destas duas colunas de estimativas, a tabela vai calcular:

1.A porcentagem de vendas do mercado editorial representada pelos e-books

2.A porcentagem do mercado de livros gerais representada por autores independentes

3.A porcentagem do mercado de livros gerais representada por editoras tradicionais

E depois vai desenhar uma linda tabela. Eu quero encorajá-lo a fazer uma captura de tela da sua tabela, postar em seu blog ou site de social media favorito e depois explicar em um post o raciocínio por trás das estimativas e opiniões. Faça o favor de incluir um link para este post do blog assim outras pessoas podem brincar com o jogo do especialista, e também coloque o link nos comentários abaixo assim outras pessoas poderão visitar seu blog e se beneficiar de suas opiniões e ideias. Minhas estimativas, e minha linda tabela, estão no alto deste post.

Estou estimando que os e-books em 2013 representam 30% de todo o mercado editorial norte-americano, e os livros impressos representam 70%. Os autores independentes não têm acesso à distribuição em livrarias físicas, então omiti qualquer ganho com impressos dos independentes nas minhas estimativas.

Estou estimando que os autores independentes representam 15% do mercado de ebook. Usando estes números, isso significa que as vendas de autores autopublicados só nos e-books representam 4,5% do mercado de livros gerais nos EUA em 2013. Se minha estimativa estiver correta, isso explica por que as editoras continuaram intransigentes quando se trata de reformar suas taxas de royalties e outras práticas de negócio que estão fazendo os independentes perderem paciência.

É fácil para os negadores menosprezarem este 4,5% como evidência de que apesar de todo o barulho sobre a revolução independente, a publicação tradicional ainda domina o jogo. Estes negadores conseguem ver para onde isto está indo?

Há alguns primeiros sinais de que as editoras estão começando a sentir o calor dos autores autopublicados e um deles vem da Harlequin, a grand dame da publicação de romances. Na parte de discussão do relatório de resultados 2013 da Harlequin [publicado em 4/03/14], a empresa pela primeira vez citou a autopublicação como um risco competitivo potencial: “A proliferação de trabalhos mais baratos, ou gratuitos, autopublicados poderia impactar negativamente nos lucros da Harlequin no futuro.” [agradeço à Publishers Lunch].Veja o relatório clicando aqui.

Tenho certeza que muitos criticarão minha estimativa 2013-2020 por ser muito otimista, ou absurdamente conservadora. Só o tempo dirá. Minhas preocupações iniciais são as tendências gerais, o que impulsiona estas tendências e o que elas significam para os escritores que trabalham conosco.

Quando olho para o futuro, acho que os números começam a parecer bastante excitantes se você é um autor independente, e terríveis se for uma das cinco Grandes Editoras. Na minha tabela, vejo os autores independentes chegando a ser 50% das vendas de e-book 2020. Acho que minhas estimativas são bastante conservadoras. Algumas pessoas hoje acham que os e-books independentes já respondem por 25% ou mais das vendas de e-books. Estou modelando uma mudança certa, mas gradual de impressos para e-books e um aumento certo, mas gradual no mercado de e-books independentes.

Se minhas projeções estiverem certas, os autores independentes vão controlar mais de 1/3 [35%] de todo o mercado de livros gerais em sete anos. Podem me chamar de louco ou iludido . Não me importa.

Abaixo, vou explicar por que meus números estão mais perto da realidade do que os negadores pensam.

Mark CokerPor Mark Coker | Publicado originalmente e clipado a partir de PublishNews | 16/04/2014

Mark Coker é fundador da Smashwords, uma das maiores plataformas de autopublicação e distribuição de e-books do mundo. O site já publicou quase 7 milhões de e-books de autores independentes mundo afora. Mark também é colaborador do Huffington Post e, por isso tudo, tem experiência de sobra para falar sobre esse assunto que anda deixando editores e livreiros de cabelo em pé.

A coluna “O mundo do livro digital” traz as notícias e insights de Coker sobre o mundo do livro digital. Você pode conferir os textos em inglês, no site.

O impacto dos livros digitais nas bibliotecas


O Observatório do Livro e da Leitura divulgou nesta segunda-feira [14/04] o resultado da pesquisa Bibliotecas e Leitura Digital no Brasil, encomendada pela Árvore de Livros S.A. Respondida por bibliotecários e responsáveis por bibliotecas brasileiras, o estudo priorizou as bibliotecas públicas municipais que, segundo a pesquisa estão na quase totalidade dos municípios brasileiros, representando 52,5% das entrevistas realizadas. Participaram ainda da pesquisa bibliotecas comunitárias, universitárias e escolares. Foram entrevistados 503 representantes de bibliotecas de todas as unidades da federação em março de 2014.

Segundo Galeno Amorim, coordenador geral do Observatório, “a pesquisa foi feita para avaliar o estado das bibliotecas que atendem o publico, seja ela municipal, estadual, comunitária, rural, escolar, de universidade e até de empresas e órgãos da administração pública e, com isso, aproveitar para chamar a atenção sobre a necessidade de se criar políticas mais robustas e permanentes de financiamento desses equipamentos que podem ter um papel cada vez mais importante no momento em que a educação parece prestes a ganhar um novo destaque no cenário nacional para construir um novo futuro para o país”.

O estudo buscou compreender também como as bibliotecas se posicionam e se preparam para entrar na era do livro digital e passar a prestar esse tipo de serviço aos seus leitores e a muitos outros que poderão tornar-se usuários delas também”, acrescentaou Galeno.

De acordo com a pesquisa, os responsáveis pelas bibliotecas identificaram os diversos dispositivos de leitura, incluindo computadores, como sendo apropriados para serem utilizados pelos usuários em seus espaços de leitura. Os tablets, com 53,3%, um índice que chega a 70,5% no caso das escolares, lideram a preferência, mas os computadores aparecem logo em seguida, em situação de empate técnico, com 56,8%, seguido pelos notbooks [53,3%]. A pesquisa aponta que embora dedicados especificamente à leitura digital, os eReaders só aparecem em penúltima lugar, com 14,9%, só um pouco à frente dos smartphones [12,2%].

Que tipo [s] de aparelho [s] você considera mais apropriado [s] para os usuários lerem um eBook na sua biblioteca?
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Para a maioria absoluta dos bibliotecários e responsáveis pelas bibliotecas brasileiras [77,9%] que atendem diferentes públicos leitores, o tablet é o aparelho mais adequado para os usuários lerem eBooks quando estiverem fora da biblioteca. O notebook aparece como o segundo melhor colocado com 60,5% do total.

O impacto dos eBooks sobre a leitura e as bibliotecas

A pesquisa estimulou os entrevistados a responderem sobre o que acreditam que poderá acontecer com a chegada dos eBooks às bibliotecas. A grande maioria [82% dos que respondera] apontam que os dois tipos de suportes [o livro impresso e o eBook, sua versão digital] deverão conviver juntos em harmonia. No caso das bibliotecas universitárias esse tipo de resposta esteve na boca de 100% entrevistados.

Galeno acredita que este resultado indica que os bibliotecários e os responsáveis pelas bibliotecas estão percebendo que a tecnologia, em vez de representar mais trabalho e dispêndio de energia para eles, pode servir como uma alavanca para a atuação das bibliotecas. “É extraordinariamente importante esse posicionamento dos dirigentes e profissionais da área, que intuem que colocar o pé no futuro pode significar mais usuários, mais leitura e, com isso, certamente maior reconhecimento e apoio. Este ano será marcado pela chegada da era digital às bibliotecas no Brasil. Isso é altamente positivo para gerar leitura, leitores e, sobretudo, maior inclusão cultural e tecnológica na sociedade brasileira”, diz entusiasmado.

O que você acha que poderá acontecer com a chegada de aparelhos e eBooks na sua biblioteca?

Para Moreno Barros, bibliotecário do Centro de Tecnologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro [UFRJ] e colunista da Revista Biblioo, não há dúvida de que os diferentes suportes continuarão a coexistir uma vez que, segundo sua opinião, “bibliotecário não trabalha com suporte, trabalha com conteúdo, documentos e informação, então essa discussão pra gente não faz sentido”. O assunto foi tema de artigo recente de Moreno: “O que os bibliotecários devem saber sobre os ebooks”.

Por outro lado, temos a responsabilidade da guarda, então é importante que estejamos atentos às mudanças de padrões tecnológicos [a escrita sendo a primeira tecnologia, os ebooks a mais recente]”.

Para Moreno, o que os bibliotecários não podem fazer é argumentar que não estão preparados para a mudança. “Basta entrar em qualquer linha de metrô nas grandes cidades e perceber como as pessoas consomem informação em seus celulares. Basta entrar em qualquer biblioteca universitária e perceber que os alunos estão mais com laptops à tira colo do que livros. Basta visitar qualquer biblioteca pública e perceber que as crianças estão mais interessadas nos computadores do que nos livros, os adultos mais preocupados com o uso de espaço público do que o acervo”.

Na concepção do bibliotecário, quem dita essas transformações é o mercado [tendo os avanços tecnológicos como sustentação] e depois os usuários. Os bibliotecários funcionariam apenas como receptáculo e eventualmente exercendo o papel de intermédio entre criadores e distribuidores de conteúdo.

Em determinado momento, bastará que uma editora decida comercializar seus livros em formato apenas eletrônico, para toda uma cadeia de distribuição logística ser alterada, simplesmente porque para ela é muito mais barato produzir e comercializar seus livros em formato digital, trabalhando em conjunto com outras empresas tecnológicas que mantêm o monopólio sobre a disseminação do conteúdo”.

Biblioo | 14/04/14

O Brasil não é o país do e-reader


Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente e clipado em em Tipos Digitais | 13/04/2014

Em um momento em que se discute a desoneração de e-readers dedicados no Congresso e em que o mercado de livros digitais no Brasil, embora pequeno, encontra-se em franca expansão, uma pergunta se torna bastante relevante: Qual o mercado brasileiro potencial para e-readers dedicados? Em outras palavras, quantos Kindles, Kobos e outros leitores genéricos poderiam ser vendidos no Brasil?

Acredito que o potencial do mercado brasileiro para estes aparelhos seja muito menor do que poderia parecer em um primeiro momento. Não que o consumidor brasileiro tenha um interesse limitado em livros digitais, claro que não. O que ocorre é que no Brasil há poucos “grandes leitores” – ou “heavy readers”, como se diz em inglês. Infelizmente, estamos longe dos índices de leitura dos países desenvolvidos e a parcela da população brasileira que, por exemplo, lê mais de 10 livros por ano é muito baixa. Este fato naturalmente já exerceria uma pressão negativa sobre a demanda de e-readers dedicados, mas ainda há um agravante: o brasileiro é fascinado por tecnologia. Veja por exemplo as vendas de tablets e smartphones no Brasil nos gráficos abaixo:

Venda de Smartphones no Brasil

Em um primeiro momento, pode parecer que este potencial por produtos de tecnologia tenha um impacto positivo na demanda de e-readers dedicados, e de certa forma até tem, na medida que o consumidor brasileiro aceita bem novidades tecnológicas. Mas, neste caso, há um certo paradoxo e, enquanto a leitura digital sempre será favorecida, isto não significa que Kindles, Kobos e afins com tecnologia e-ink, ou seja, os leitores dedicados, desfrutem do mesmo favorecimento.

Na verdade, fica muito claro nos gráficos acima que o mercado brasileiro possui uma demanda enorme por tablets. Portanto, não seria exagero dizer que a grande maioria dos brasileiros com interesse em tecnologia [incluindo-se aí os adeptos do livro digital] comprou ou quer comprar um tablet com todas as suas multifuncionalidades. Na maioria das vezes, portanto, a compra de um e-reader dedicado seria considerada apenas após a compra de um tablet, e ocuparia um papel de um segundo aparelho. É claro que há exceções, gente tão fascinada pela leitura que é capaz de ter um ou mais e-readers dedicados e não comprar um tablet. Aliás, há inúmeras vantagens em se ler em um e-reader dedicado como eu já abordei no post “O iPad é tão bom que perde para o Kindle” nos idos de 2010. No entanto, como já dissemos, temos poucos “grandes leitores” no Brasil, e o e-reader dedicado será majoritariamente um segundo aparelho depois do tablet.

A decisão de compra de um e-reader dedicado, portanto, passará quase sempre por duas perguntas: [1] Eu preciso e estou disposto a comprar um outro aparelho só para leitura?; e [2] Eu quero ficar carregando dois aparelhos por aí? E a resposta a ambas as perguntas está diretamente relacionada a um fator: a quantidade de livros que este consumidor lê. Para quem lê a média nacional de 4 livros por ano, incluindo-se aí livros pela metade e livros para a escola [segundo a pesquisa Retratos da Leitura / 2011], nunca valerá a pena a compra de um aparelho exclusivo para leitura, seja ele um segundo aparelho ou não. Esta decisão também vai depender da condição econômica do consumidor. Se ele pertencer à classe A, talvez já considere que valha a pena comprar um Kindle ou Kobo se estiver lendo 5 ou 6 livros inteiros por ano. Já uma pessoa da classe C talvez só investisse em um segundo aparelho se fosse ler 9 ou 10 livros, por exemplo.

Infelizmente, a pesquisa Retrato da Leitura não distribui o universo de leitores em quantidade de livros lidos por ano, mas apenas aponta o números daqueles considerados leitores [que leram pelo menos um livro ainda que incompleto nos últimos 3 meses] por classe social. Não temos, portanto, o número de “grandes leitores” no Brasil, mas com base no número de leitores podemos arriscar algumas estimativas para chegar ao tamanho potencial do mercado brasileiro de e-readers dedicados. Vejamos o gráfico abaixo com dados da pesquisa Retratos da Leitura:

Leitores brasileiros por Classe Econômica

Temos, portanto, 2,3 milhões de leitores na classe A, 25,6 milhões na classe B e 46,2 milhões na classe C. Eu estimo que não mais de 15% dos leitores da classe A poderiam ser considerados “grandes leitores” o suficiente para que, considerando suas curvas de preferência de consumo, optassem pela compra de um e-reader dedicado que quase sempre seria um segundo aparelho, depois de um tablet. Já na classe B, acho que este índice não passa de 10%, considerando a pior condição socioeconômica e uma distribuição dos leitores por quantidade de livros lidos que tende a ser inferior. Na classe C, pelos mesmos motivos, o número não deve passar de 5%. Claro que estes índices não passam de chutes ou, como dizem os ingleses elegantemente, “educated guesses”. Mas quem discordar destes índices pode fazer seu próprio chute e aproveitar a lógica e os dados de pesquisa aqui para chegar a suas próprias conclusões. Mas, enfim, utilizando-se os índices que propus, chegamos à seguinte tabela:

Milhões de Leitores % “Grandes Leitores” com potencial para aquisição Milhões de
“Grandes Leitores”
 Classe A                                  2,3 15% 0,3
 Classe B                               25,6 10% 2,6
 Classe C                               46,2 5% 2,3
 Classe D/E                               14,1 0%
 TOTAL 5,2 

 

Com base nesta estimativa, o mercado potencial de consumidores de e-readers dedicados seria de aproximadamente 5,2 milhões de pessoas. Isto equivale a 5,9% dos 88,2 milhões de leitores no Brasil. Ou seja, 5,2 milhões de pessoas leem livros em número suficiente para que a aquisição de um e-reader dedicado tenha racionalidade econômica considerando-se sua classe socioeconômica e o fato de que o e-reader provavelmente será um segundo aparelhos de leitura.

Mas vale lembrar que isto é potencial, ou seja, não serão 100% destas pessoas que vão adquirir um Kindle ou Kobo. Entre elas, há aqueles que nunca lerão livros digitais ou que lerão ambos os formatos de forma que não consumirão e-books em número suficiente para justificar uma compra. Além disso, há aqueles que nunca aceitarão a ideia de carregar mais de um aparelho. É difícil fazer qualquer estimativa de quanto deste mercado potencial será efetivamente convertido em vendas quando o mercado de leitura digital estiver amadurecido no futuro. Além disso, até que isto aconteça, os índices de leitura podem melhorar ou o preço dos e-readers baixar, aumentando a penetração dos “grandes leitores” com potencial para a compra de um e-reader dedicado. No entanto, para os próximos três anos, enquanto a leitura digital ainda se consolida e os mercados europeu e norte-americano parecem ter atingido um platô do crescimento digital, acho difícil que mais do que 20% deste mercado potencial seja atingido. Ou seja, minha estimava é que a base de e-readers instalada no Brasil ao final de 2016 não passe de um milhão de aparelhos.

E qual é esta base hoje? Difícil saber. O jornalista Thiago Prado estimou que aAmazon vendeu 60 mil kindles no Brasil em 2013. Em seguida a coluna Radar apontou a venda de 20 mil Kobos pela Livraria Cultura no ano passado. Ainda teríamos de considerar os Kindles que entram nas malas dos turistas brasileiros e outros aparelhos. Mas, mesmo assim, acho uma boa estimativa uma base de 100 mil e-readers dedicados no Brasil ao final de 2014. Ou seja, imaginar que a base de tais aparelhos chegue a um milhão em três anos ainda exige uma bos dose de fé. Mas vale lembrar que em 2010 foram vendidos apenas 110 mil tablets no Brasil, e três anos depois, em 2013, a venda chegou a quase 8 milhões.

Não podemos esquecer nesta discussão que a demanda por e-readers dedicados vem diminuindo nos mercados atuais, como mostra este artigo do PublishNews.

De qualquer forma, é inegável e os números corroboram que o Brasil é o país do tablet e do smartphone e não do e-reader dedicado. Afinal, enquanto o mercado potencial de e-readers não pode ser estimado em muito mais de cinco milhões de aparelhos, só em 2014 serão vendidos 10,7 milhões de tablets e 47 milhões de smartphones no Brasil.

Com base nisto, talvez a Amazon a Kobo deveriam apostar mais na leitura digital por meio de seus aplicativos para iOS e Android no Brasil – especialmente para o Android, que possui um market share de aproximadamente 90% no mercado brasileiro de tablets e smartphones. No entanto, os aparelhos Kindle e Kobo fazem parte do cerne da estratégia de conquista de mercado destas empresas e é difícil imaginá-las abandonando seus leitores dedicados para estimular seus leitores a ler em tablets dos concorrentes Google e Apple. Por enquanto, o que ambas as empresas fizeram, foi entrar no mercado de tablets com o Kindle Fire e o Kobo Arc, tentando garantir seu lugar ao sol, caso o e-reader dedicado sofra uma morte precoce. E o Kindle Fire nem está disponível no Brasil.

Portanto não será tão cedo que veremos uma publicidade com o slogan: “Kindle, o melhor aplicativo de leitura para seu iPad.” Mas é preciso que o mercado tenha consciência de que o Brasil não é o país do e-reader, mas sim do tablet e do smartphone.

Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente e clipado em em Tipos Digitais | 13/04/2014

E agora divulgadores?


Por Camila Cabete | Texto publicado originalmente em PublishNews | 11/04/2014

E agora divulgadores??

A grande pergunta que não quer calar é: Como divulgar o livro digital? Para mim, consumidora e já totalmente adaptada ao mundo digital desde 2009, não basta ser on line, tem que ser no mundo físico também.

Ninguém até hoje, investiu em divulgação de e-book, “tangibilizando”, ou seja, tornando ele um pouco palpável. Os motivos são inúmeros, a começar por problemas nas lojas por conta de sistemas de cobrança, até por falta de verba, pois a maior parte dela vai para divulgação do livro impresso.

Pensemos: o que você faria caso tivesse uma boa verba, ou mesmo que fosse meio a meio com o livro impresso? Por incrível que pareça a maioria dos setores de divulgação simplesmente não sabe, não conhece o produto e ainda é cheio de preconceitos e paradigmas.

Então por conta disso, aqui vão itens para inspirar nossos marketeiros, divulgadores, vendedores, merchandisers. Resolvi listar curiosidades dos bastidores das lojas digitais [entenda-se Kobo] e também de ideias loucas da minha cabeça, mas que acho possíveis:

– Você já parou para analisar os metadados? Ok ok, assunto velho, e já escrevi aqui muitas e muitas vezes, mas por incrível que pareça, muita gente não sabe como trabalhar com eles, ou melhor, como fazê-los trabalhar. Metadado nada mais é que as informações que você sobe nas lojas a respeito de uma obra. Você sobe sua obra no buraco negro da internet e cada dado que você vai alimentando nos sistemas, é como se fosse uma estrelinha, que aparecerá para a pessoa certa, justamente quando ela precisar [ó que lindo!]. Cada espaço/campo do metadado é valioso para você, ele te ajuda a indexar o seu e-book não só na loja, mas na internet. E qual não é o meu espanto, ao saber que a maior parte dos editores só preenchem os dados obrigatórios. Algumas empresas se superaram e passaram a usar o ONIX para subir os metadados via Excel. E qual não é minha surpresa também ao saber que elas não tem explorado nem um décimo da capacidade das tags de um ONIX. Acho que a parte operacional das editoras têm se desenvolvido bem, agora falta o trabalho de analista, analista de dados, de negócio. Alguém ali pensando em metadados, veja bem, não falo catalogação. São coisas bem diferentes. Você tem que subir o máximo de quantidades possíveis de informação!!! Por favor!!!!

– Você sabia que quantidade de download é poder? Se você tem um e-book de graça e ele tem números bons de download, você pode usar isso a seu favor, ao vender um espaço ou tentar um patrocínio?

– Sabia também que quando um leitor “ganha” um e-book de uma determinada editora, ele fica recebendo novas sugestões de leitura sempre ligadas de alguma forma a sua editora/autor/imprint? Sim meu povo, ao participar de alguma campanha, cedendo um de seus títulos, você está prendendo os leitores a vocês. Dar um livro a uma loja para participar de uma campanha de merchandising não é favor, é empreendedorismo. É como se passasse um laço no pescoço de seu leitor [eita, que grosseria] ou melhor, liga o editor/selo/autor/categoria ao leitor, ao histórico dele, forever!
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– Os espaços nas lojas de e-books não são pagos ainda =] É bem tranquilo conseguir alguma ação sem travar a infinita guerra do jabá.

– Já pensaram em acessórios? Capas de gadgets, com a arte das capas dos livros? Tiragens limitadas de e-book+capa para o Kobo+impresso+código promocional para capturar o e-book? Estamos na era dos acessórios minha gente. Quantas capinhas de celular você tem? Ou quantas tem vontade de comprar? Explore isso, a arte das capas são de vocês, editores [a maioria dos contratos de designer cedem os direitos totalmente]. Eu quero meu acessório com a minha capa de livro preferida!!!!! Capa de livro antropologicamente falando, faz com que você seja inserido no clube de determinada tribo. Você quer [na maioria da vezes] ser identificado pelo seu livro preferido do momento, não?

– Já pensaram em kits digitais de divulgação? Um wallpaper fofo, com um tema de celular, selos de divulgação e artes exclusivas, tudo isso acompanhando o e-book, para o seu blogueiro/jornalista/site preferido?

Poderia ficar páginas e páginas aqui criando coisas para se fazer com o livro digital. Algumas destas ideias já tenho tentado plantar na cabeças das minhas editoras parceiras. Mas tudo depende muito de verba, de importância que a editora dá ao produto digital. Produto este que já é uma realidade mercadológica [as e-bookstores principais, não vendem menos de 150/200 mil exemplares de e-books ao ano, só no Brasil!!!] Se isso não é um mercado aquecido… me digam o que é =]

Dicas, reclamações e sugestões de pauta camila.cabete@gmail.com

Por Camila Cabete | Texto publicado originalmente em PublishNews | 11/04/2014

Camila Cabete [@camilacabete] tem formação clássica em História e foi responsável pelo setor editorial de uma editora técnica, a Ciência Moderna, por alguns anos. Entrou de cabeça no mundo digital ao se tornar responsável pelos setores editorial e comercial da primeira livraria digital do Brasil, a Gato Sabido, além de ser a responsável pelo pós-venda e suporte às editoras e livrarias da Xeriph, a primeira distribuidora de conteúdo digital do Brasil. Foi uma das fundadoras da Caki Books [@CakiBooks], editora cross-mídia que publica livros em todos os formatos possíveis e imagináveis. Hoje é a Brazil Senior Publisher Relations Manager da Kobo Inc. e possui uma start-up: a Zo Editorial [@ZoEditorial], que se especializa em consultoria para autores e editoras, sempre com foco no digital. Camila vive em Copacabana e tem uma gata preta chamada Lilica.

A coluna Ensaios digitais é um diário de bordo de quem vive 100% do digital no mercado editorial brasileiro. Quinzenalmente, às quintas-feiras, serão publicadas novidades, explicações e informações sobre o dia-a-dia do digital, críticas, novos negócios e produtos.

Amazon compra a comiXology


A empresa revolucionou o modo como se lê os quadrinhos digitais

Amazon anunciou ontem que chegou a um acordo para comprar acomiXology, a empresa que revolucionou o modo como se lê os quadrinhos digitais. “Não há casa melhor para a comiXology do que a Amazon”, disse David Steinberger, co-fundador e CEO da comiXology. Em comunicado enviado à imprensa pela Amazon, Davi Naggar, vice-presidente de conteúdo e aquisições da companhia de Seattle disse: “Amazon e comiXlogoy compartilham a paixão de reinventar a leitura no mundo digital”. Fundada em 2007, a comiXology oferece uma ampla biblioteca de conteúdos digitais de quadrinhos produzidos pelos 75 principais editores e criadores independentes do universo das HQs. Os termos da aquisição, obviamente, não foram divulgados, indo de acordo com a “teoria da comunicação de Bezos” que preconiza que tudo o que não se refira diretamente aos clientes não precisa ser comunicado.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 10/04/2014