Editora alemã lança campanha de financiamento coletivo para imprimir a Wikipédia


Primeiro volume da Wikipédia em inglês, impresso pela editora alemã PediaPress

Primeiro volume da Wikipédia em inglês, impresso pela editora alemã PediaPress

Primeiro volume da Wikipédia em inglês, impresso pela editora alemã PediaPress

A editora alemã PediaPress lançou uma campanha no site de financiamento coletivo Indiegogo para imprimir todo o conteúdo da Wikipédia – pelo menos os artigos escritos em inglês.

Se a meta de US$ 50 mil for alcançada até 11 de abril, mais de 4 milhões de artigos deverão ser transformados em cerca de mil livros de 1.200 páginas cada um, segundo o projeto da empresa.

“O melhor jeito de experienciar o tamanho da Wikipédia é convertendo-a para o meio físico dos livros”, escreveu a editora na página da campanha.

Além de custear a impressão, o dinheiro arrecadado será usado para construir uma estante de 10 metros de comprimento e 2,5 metros de altura.

A ideia é fazer uma exibição da enciclopédia colaborativa num evento organizado para a comunidade da Wikipédia, que neste ano será realizado em Londres, durante cinco dias de agosto.

Até a conclusão deste texto, a campanha havia arrecadado mais de US$ 9 mil, doados por 110 apoiadores.

Caso obtenha mais de US$ 50 mil, a editora diz que pode considerar imprimir os livros em cores e levar a exposição para outros continentes.

Parceira da Fundação Wikimedia, a editora alemã PediaPress é conhecida por oferecer um serviço de impressão de artigos da Wikipédia para colaboradores e leitores.

Publicado originalmente e clipado è partir de FOLHA DE S.PAULO | TEC | 21/02/2014 18h56

Editora lança novo selo


Formas breves é dedicado ao conto

A editora digital e-galáxia acaba de lançar um novo selo, o Formas Breves. Trata-se de uma coleção de contos com traduções diretas e exclusivas de grandes clássicos do conto universal ou com narrativas da nova geração de escritores em língua portuguesa. O selo também vai ter traduções exclusivas: do sueco, Luciano Dutra apresentará os contos de Hjalmar Söderberg, e do inglês, a tradutora Denise Bottmann prepara uma série de contos de Virginia Woolf. Todos os textos estarão à venda exclusivamente em e-book, nas lojas Amazon, Apple, Google Play, Livraria Cultura, Saraiva e Iba, e com o valor de U$ 0,99, ou R$ 1,99, por conto.

PublishNews | 21/02/2014

Oito questões sobre as bibliotecas digitais


Joana Monteleone, da Alameda Editorial, analisa o fenômeno que tem dado o tom do mercado editorial nesse momento

A mais recente tendência do mercado de livros eletrônicos, tanto no exterior  quanto no Brasil, é a busca de composição de acervos de bibliotecas digitais. A principal diferença em relação ao modelo de livrarias é que passamos da figura do consumidor de livros para a do usuário de bibliotecas.

Essa diferença não é irrelevante. Provavelmente, os dois modelos conviverão. Mas para que ambos deem certo, é preciso pensá-los em suas especificidades.

No Brasil, há pelo menos três projetos privados significativos em andamento. Todos focam, essencialmente, possíveis compras do poder público, mas também estão em busca do usuário individual, em e-readers, tablets e telefones celulares. São eles o da Nuvem de Livros, da Gol Mobile [em operação]; o Biblioteca Xeriph, ligado ao grupo Abril [em lançamento]; e o Árvore de Livros, representado por Galeno Amorim, ex-presidente da Fundação Biblioteca Nacional [em gestação].

Listamos abaixo oito questões que consideramos relevantes para pensar as bibliotecas digitais.

1. Biblioteca digital não substitui biblioteca física. Ambas são experiências importantes, mas complementares. O Ministério da Educação, que tem a missão de conduzir o cumprimento da Lei da Biblioteca Escolar [12.240/10], sancionada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a gestão de Fernando Haddad como ministro da Educação, não pode abusar do artigo 2º, que permite o uso de vários suportes, para ignorar o fato de que escola sem biblioteca física operando é escola ruim. O grande desafio de melhorar a educação nacional passa por não fingir que gadgets eletrônicos são uma espécie de emplastro Brás Cubas, que tudo cura.

2. Quando o consumidor ou o governo compra um livro, ele adquire um conteúdo específico, unitário. Quando o assunto é biblioteca, busca-se um acervo. Uma livraria vive muito dos livros da estação, que todos querem ler; uma biblioteca é útil quando sua coleção é representativa, seja pela especificidade, seja pela variedade. Uma livraria não deve ignorar a bibliodiversidade [muitos autores, editores, públicos e coleções diferentes], se quer manter um público cativo; uma biblioteca simplesmente não pode.

3. Os editores independentes, boa parte deles reunidos na Libre, mas não apenas, representam o maior e mais diversificado acervo de livros comprados pelas melhores bibliotecas públicas e privadas. Qualquer modelo de livraria digital sério tem de reconhecer este valor, dialogar com esses editores e remunerá-los pela qualidade e importância de seus catálogos. Quem privilegiar apenas os grandes grupos se parecerá com um catálogo de best-sellers, não com uma biblioteca.

4. Livraria não é mídia, é ponto de venda. Biblioteca não é ponto de venda, é espaço de consulta e estudo, muito mais do que de lazer. E isso é bom. Biblioteca que seguir a lógica de ponto de venda não vai funcionar, assim como crescem rápido, mas paradoxalmente afundam, sobretudo culturalmente, mas também do ponto de vista de sustentabilidade econômica, livrarias que vendem espaços como se fossem outdoor.

5. Remunerar bem apenas quem é mais acessado é reproduzir na biblioteca a lógica da livraria que vende espaço de mídia. Ou seja, o pior dos mundos.

6. Um dos motivos do fracasso relativo da biblioteca pública como instituição nacional, amplamente difundida no território do país, é que muitos políticos as entendem como depósito de livros, e o usuário é visto primeiro como potencial ladrão de exemplares do que como alguém que acessa o serviço público. O mínimo que se espera do universo eletrônico é que ele proporcione conforto ao usuário, e excesso de restrições não vai ajudar as bibliotecas digitais a se popularizar.

7. Numa biblioteca digital, o usuário não pode ter as mesmas restrições que numa biblioteca física, como pegar fila para acessar um livro ou ter pouco tempo para ler uma obra. Aliás, o ideal é que nesse novo mundo, o tempo não seja uma questão.

8. A prestação de contas aos fornecedores e usuários tem de ser, ao mesmo tempo, a mais simples e detalhada possível. As bibliotecas são, tradicionalmente, um espaço de questionamento e transparência. Criar uma relação de confiança entre todos os envolvidos é fundamental.

Por Joana Monteleone | PublishNews | 21/02/2014 | Joana Monteleone, historiadora, é editora da Alameda.