Livros impressos resistem aos eBooks


Os faturamentos das livrarias ainda não sentiram a presença do e-book no mercado e consumidores não acreditam no fim das páginas impressas

Apesar de o mercado digital conquistar veloz e exponencialmente vários ramos do comércio, a presença dos e-books no mercado ainda não atrapalhou os faturamentos das livrarias. É o que informam Victor Hugo Fischer, coordenador de produtos editoriais da Fnac, e Pedro Paulo Ornelas, gerente e sócio da Livraria Leitura. Talvez porque, como Pedro observou, no Brasil, a prática ainda não seja tão acessível nem difundida entre os usuários da rede. Menos ainda entre os possíveis leitores que em linha geral não consistem numa maioria dos cidadãos.

“Eu até esperava um decréscimo maior dos lucros. Talvez nos próximos anos, mas não creio. Porque ainda não está claro para a população como utilizar os e-books. Ainda é difícil e nem todos sabem como utilizar”, comenta o sócio. Ele conta que trabalhou por anos na Inglaterra numa empresa onde vendia e-books e não teve tanto retorno financeiro, mesmo onde a tecnologia já é parte incorporada da cultura. “No Brasil, ainda não é uma realidade. Nos próximos 5 anos acredito que as vendas de e-books vão aumentar, mas não irão atingir o faturamento dos livros. Tenho emprego para os próximos 10 anos, pelo menos”, brinca.

Victor Hugo concorda: “Não sentimos ainda o impacto do e-book na venda de livros. Mesmo porque a entrada deles no Brasil é recente. A cultura do livro ainda é muito forte”, observa.

Cultura do Livro

Segundo Victor Hugo, a cultura do livro entre os afins é muito forte e ele não acredita que a transição do papel para o digital será rápida. “Até nos Estados Unidos, onde a tecnologia digital é muito mais difundida, você não vê as livrarias morrendo. Porque a cultura do livro é muito forte”, avalia.

Apesar de não identificar impacto significativo nas vendas em função da concorrência do e-book, Victor acredita que este seja um processo inevitável, entretanto para um futuro a médio e longo prazo. “Falo isto mais pela cultura social da leitura pelo livro do que pela dificuldade de difusão do e-book”, pondera.

Pedro Paulo acrescenta: “Muito pelo contrário. Os faturamentos das livrarias continuam crescendo em números recordes. Principalmente na categoria infanto-juvenil, a exemplo da contemporânea Saga Crepúsculo, líder de vendas nas livrarias”.

Assim como a televisão não acabou com o rádio, nem ainternet não acabou com a TV, Pedro Paulo acredita muito mais na complementaridade do que na sobreposição dos meios.

Nisto, a estudante Gisele Amorim concorda. “Acho que são suportes diferentes e podem coexistir como o CD e o vinil. Acho que a tendência é livro virar objeto de arte, como aquele que o Zeca Baleiro lançou”, conta a futura bibliotecária que, quando questionada sobre o desaparecimento dos livros, exclama: “Espero que não! Hoje há editoras que seguem esta tendência de livros como um fetiche, mesclando bom design com traduções primorosas”, complementa.

Questão de Preferência

Gisele, sem dúvida, prefere os livros. Conta que lê, em média, três livros por mês e que este número caiu após seu casamento. “Quando era solteira, lia muito mais livros. Já li e-books, mas de assuntos acadêmicos, ou seja, porque fui forçada”, conta rindo. Surpreendentemente, a entrevistada conta que sente dificuldade de ler parada no mesmo lugar, como sentada à frente de um computador. “Leio muito andando. Tenho dificuldade de ficar parada”, diz. Em sua casa, Gisele informa que a leitura é um hábito compartilhado até pelas crianças. “A Sarah ainda não tem muita paciência. Mas a Sophia já tem sua própria biblioteca e está aprendendo a ler”, fala.

Na opinião de Gisele, além da questão que envolve um melhor conforto relacionado aos tipos de suporte para a leitura, existe um ponto mais importante no que diz respeito à formação de leitores. “O livro digital possibilita que uma comunidade mantenha um acervo, como o da biblioteca do Congresso Americano – a maior do mundo – com um custo baixo”, observa.

A acessibilidade destas bibliotecas no formato digital aproxima o e-book das realidades acadêmicas e os livros dos estudantes. Entretanto, Gisele confessa que o branco exagerado de tela lhe dá dores de cabeça e a dificuldade de manuseio do suporte a incomoda.

Thiago Santê, radialista e estudante de Jornalismo, encontrou uma solução para este problema. Como tem o hábito diário de ler, o entrevistado comprou um dispositivo eletrônico para leitura de e-books chamado leitor digital. Semelhante a um tablet, a ferramenta foi desenvolvida para tornar a leitura mais acessível em qualquer lugar porque possui uma tela antirreflexo e uma luz interna com brilho suave e ajustável que pode ser ativada ou não.

Tenho curtido muito os e-books e percebi que consigo ler até mais. Depois de comprar o leitor digital, minha escolha é pelos e-books pela praticidade. Por existir a possibilidade de comprar por valores mais baixos e até encontrar arquivos em sites de gênero gratuito ou sites de compartilhamento”, esclarece.

Thiago acrescenta que o aparelho utilizado por ele usa uma tinta digital muito semelhante à do livro e não cansa as vistas, mas só conseguiu encontrar a tecnologia disponível on-line. “Ele pode ser encontrado a partir de R$ 260. Mas o meu foi um pouco mais caro, modelo mais novo, R$ 460”.

E-Commerce

Para não perder o nicho de mercado disponível pela internet, a maioria das grandes livrarias aposta no e-commerce de livros. De acordo com o coordenador de produtos editoriais da Fnac, esta é uma fatia fundamental do faturamento da empresa no segmento.

Quando vendemos para Manaus, por exemplo, alcançamos um cliente o qual não teríamos acesso se não fosse pela internet porque não temos lojas lá. A internet concentra num único local, a baixos custos operacionais, uma capacidade enorme de conquistar clientes num território ilimitado”, avalia.

Mais importante do que o formato de leitura fica a reflexão da entrevistada: “o importante é formar leitores!”

POR RAFAELA TOLEDO | DIÁRIO DA MANHÃ | 31/01/2014 às 21h11

Palestra aborda o novo mercado editorial


Encontro promovido pela Livrus ocorre no dia 8 de fevereiro

A Livrus promove a palestra “O autor e o novo mercado editorial” especialmente para escritores que desejam saber mais sobre os novos meios de edição de obras. Abordando a produção, a comercialização, a divulgação e os direitos autorais e outros temas ligados ao universo editorial, a palestra será gratuita, com vagas limitadas, e acontece no dia 8/02, no auditório da Livraria Martins Fontes Paulista [Avenida Paulista, 509, Bela Vista, São Paulo/SP]. Os autores interessados devem inscrever-se até o dia 7/02 pelo telefone 11 3101-3286.

PublishNews | 31/01/2014

Árvore de livros


Biblioteca digital deve adquirir 200 mil e-books para atender mais de 170 mil alunos brasileiros

Uma iniciativa promete revolucionar a leitura no Brasil. É a Árvore de Livros, uma biblioteca digital que estará a disposição de alunos das redes públicas e privadas do Brasil a partir de março. Encabeçado por Galeno Amorim, ex-presidente da Biblioteca Nacional; João Braga e Roberto Leal, ambos da Florescer Distribuidora de Livros, o projeto vai cobrar uma assinatura anual de governos, prefeituras, escolas e empresas para que os usuários acessem a plataforma que estará disponível para computadores, smartphones e tablets. Por ele, usuários vão emprestar e ler livros de forma ilimitada. A expectativa é adquirir acervo inicial de 200 mil e-books para atender mais de 170 mil alunos do Ensino Fundamental 2 e Médio.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 31/01/2014

Biblioteca Digital Escolar


Por Ednei Procópio

Por Ednei Procópio

A tecnologia está focando a educação. Recentemente a Google lançou a plataforma educativa YouTube Edu, com 8 mil videoaulas gratuitas [de vinte e seis canais brasileiros]. A plataforma é voltada para estudantes, educadores e colégios do ensino médio, inicialmente.

Pouco tempo depois, a mesma Google também anunciou uma parceria com o governo de São Paulo para capacitar, em 2014, cerca de 300 mil professores da rede estadual dos ensinos fundamental e médio para que estes utilizem nas atividades complementares as ferramentas online como o Gmail e o Google Docs. Na época, não foi citado o Google Books [e deve haver uma razão bem particular para isto].

O governo paulista também anunciou, no final de outubro, através do projeto Escola Virtual de Programas Educacionais [EVESP] uma parceria com a norte-americana Microsoft Corp para utilizar o pacote Office gratuitamente na rede estadual.

Em um último exemplo, o empresário Nolan Bushnell, criador do antológico Atari, sugere uso de videogames e jogos eletrônicos nas escolas como ferramentas de aprendizagem.

Como dito, a tecnologia está focando na educação. Mas, e os livros? Como ficam os livros nesta história toda? O mercado de conteúdo digital e literário voltado à educação é, sem sombra de dúvida, um dos mais promissores negócios que envolvem os eBooks. Só para se ter uma ideia, a educação básica no Brasil possui pelo menos 50 milhões de alunos que necessitam de conteúdo de qualidade para seus estudos diários. E, segundo projeção do Ministério da Educação [MEC], até 2022 deve haver um incremento de 120 bilhões de reais no orçamento da educação.

Se o próximo grande desafio do Brasil é elevar a qualidade da educação, nosso País necessitará de um ecossistema de armazenamento e compartilhamento de conteúdo digital que seja de fácil entendimento e manuseio pelas partes que compõe os ambientes pedagógicos.

Mas como desenvolver um ecossistema de leitura digital voltado à educação?

Neste novo mercado prestes a se intensificar, a questão da interoperabilidade [entre o hardware, o software e o conteúdo] se mostra um dos itens mais importantes para que as bibliotecas digitais não se tornem estantes inacessíveis. O hardware, em sua maioria, são os dispositivos de leitura [reading devices] fabricados por empresas privadas com interesses mercantis bastante díspares. O software, o mediador entre a máquina e o leitor, oscila entre linguagens de programação proprietárias e os chamados códigos abertos [open source]. E o conteúdo, nosso principal item, sempre dependerá dos dois primeiros para ser efetivamente acessado e usado em sala de aula.

Para que os agentes envolvidos e interessados na utilização das bibliotecas escolares [governo, editoras, autores, professores, alunos, etc.] se beneficiassem igualitariamente de um repositório digital, o desenvolvimento de seu ecossistema pode se basear no conceito de open source. Ou seja, de código fonte aberto, de acesso livre e irrestrito. A open source permitiria a democratização do acesso aos eBooks e, a meu ver, é o caminho mais próximo do ideal em médio e longo prazos.

Os acervos digitais, porém, devem estar sustentados por modernos modelos de negócios, porque um dos principais entraves para a construção de bibliotecas digitais é o investimento para se montar sua estrutura de trabalho. O investimento inclui desde a aquisição, a digitalização de obras, quando houver esta necessidade, até o emprego da tecnologia de Digital Rights Management [DRM] empregada para os controles de acesso as obras.

Minha proposta, descrita a seguir, é simular um ecossistema de conteúdo digital voltado à educação. Nesta proposta de trabalho, iremos levar em conta o emprego da tecnologia da informação, porque ela ainda é central quando se fala livros digitais [didáticos, paradidáticos ou de leitura complementar]. Propomos criar uma alternativa, uma solução para a problemática do livro em repositórios bibliodigitais, para que os profissionais interessados possam enfim vislumbrar um projeto factível e voltar suas atenções ao que realmente importa: a formação e a aprendizagem.

Leitura e educação na era digital

Antes de avançar com uma parte mais técnica, vamos contextualizar o cenário de onde partiremos. Algumas ações gerais podem nos ajudar a permear uma escola de leitores, entre elas, o desenvolvimento de uma rotina de leitura e o estímulo à indicação de livros.

Para estas ações anteriormente descritas se desenvolverem na prática, faz-se necessária a criação e manutenção de diversos ambientes interativos, ou salas de leitura digitais e conectadas. E o principal investimento é a criação de um acervo misto de livros em versão digital disponibilizado através do que chamaremos de Biblioteca Digital Escolar que, entre outros benefícios, deve permitir:

O acesso aos livros através de um rico acervo.
A possibilidade dos próprios alunos escolherem os livros que desejam ler.
Atender mais leitores com menos títulos.
Retiradas, devoluções e recolocações automáticas nas prateleiras digitais.
Adicionar mais títulos ao acervo já criado, sem a necessidade de investimentos em espaço físico, infraestrutura ou dispêndio operacional.
Um mecanismo de busca de uma Biblioteca Digital Escolar que permita a pesquisa de palavras em uma obra ou em uma coleção inteira de livros.
Análise dos relatórios detalhados sobre a utilização da biblioteca, melhorando a qualidade das decisões de aquisição de novos títulos.
E deve permitir os mesmos dispositivos de direitos de propriedade dos livros impressos [através de um sistema de gerenciamento digital de Direitos Autorais, o já citado DRM].

Estes e outros benefícios antes descritos podem ser o atrativo para os leitores que estão mais dispersos em outras mídias digitais interativas, fora dos ambientes pedagógicos tradicionais. Uma Biblioteca Digital Escolar é a solução mais adequada para atender a alunos de cursos à distância, ou iniciativas de inclusão digital, por exemplo, que necessitam de acesso a uma biblioteca completa.

Nosso ecossistema terá um servidor central de conteúdo. Este servidor irá literalmente servir as estantes virtuais de eBooks que poderão ser criadas pelos próprios usuários. Estas estantes poderão ser temáticas conforme a necessidade de cada educador ou grupo de alunos. E estas estantes, por fim, irão alimentar as salas de leitura que serão formadas pelos usuários para que se possam realizar os trabalhos pedagógicos comuns a eles [como nas comunidades virtuais de ensino].

O servidor de conteúdo

Podemos utilizar se quisermos as soluções prontas, daquela empresa que quer dominar o mundo. Ou podemos desenvolver nossas próprias soluções. Iremos pelo caminho que nos trará mais aprendizado. Para construir nossa Biblioteca Digital Escolar precisaremos de um servidor de conteúdo, ele será o alicerce do nosso repositório, do nosso acervo central. Por servidor de conteúdo entende-se o sistema tecnológico que irá salvaguardar os objetos digitais e permitirá sua circulação para os usuários nas salas de leitura.

Tecnicamente, vamos chamar a base para a construção da nossa Biblioteca Digital Escolar de Library Content Server. O nome é apenas uma alegoria. Nossa biblioteca digital necessitará de um servidor de conteúdo escalonável e seguro, que pode ser um servidor dedicado ou podemos também, para minimizar os nossos custos, usar um servidor compartilhado de algum serviço de cloud computing [computação em nuvem].

No caso de projetos ligados às iniciativas públicas, há algumas instituições que já mantêm o seu próprio parque tecnológico que pode eventualmente ser usado para suportar nosso servidor. Como dito, o que realmente importa é que o nosso servidor de conteúdo digital será a base tecnológica da nossa biblioteca.

Ainda estamos no campo das ideias, mas o objetivo da nossa Library Content Server será tornar possível a customização de uma central de armazenamento e distribuição de eBooks para alunos e professores, com o controle dos usuários desde o login [ou seja, a entrada do leitor] até o acesso seguro aos conteúdos digitais [já que as editoras e autores fazem tanta questão]. Nossa proposta é uma solução que servirá para a hospedagem, armazenamento, distribuição, acesso e compartilhamento dos livros digitais.

Whitelabel pages

Para melhorar a rotina de utilização, nossa Library Content Server deverá permitir a criação de páginas customizadas para bibliotecas públicas e até particulares. Elas poderão ser usadas para a circulação de livros usando, neste módulo específico, o conceito de whitelabel. Ou seja, de páginas criadas de modo customizado conforme as necessidades e realidade do intermediador do conteúdo [que pode ser o próprio bibliotecário, já que uma lei assim impõe] ou do moderador da leitura [que pode, por exemplo, ser o educador].

Com esta ferramenta, cada escola pode criar a sua própria sala de leitura com suas estantes temáticas, a partir do repositório central, enchê-las de títulos e, mais tarde, permitir o compartilhamento das obras. Com este módulo, cada aluno ou educador poderá criar a sua própria página e organizar a sua própria estante de livros e também compartilhar conteúdo seguro através e com outras salas de leitura.

Através dos principais módulos, nossa Biblioteca Digital Escolar permitiria:

  • Criação de páginas customizadas [salas de leitura] para escolas, professores e alunos.
  • Criação de estantes e bibliotecas digitais portáteis e acessíveis.
  • Acesso ao painel de controle das salas, estantes e eBooks.
  • Acesso ao painel de controle dos Direitos Autorais em tempo real.

Open share

O código-fonte por trás da estrutura da nossa Library Content Server deve ser baseado em uma licença freeware, livre de pagamento de royalties. Os provedores de conteúdo [autores, editoras, distribuidores, etc.] podem obter lucro com a exploração comercial do conteúdo disponibilizado, como hoje ocorre com o mercado de livros impressos, mas não seria estimulada a exploração comercial em cima da plataforma em si [com exceção do suporte técnico necessário].

Há custos envolvendo o desenvolvimento do acervo digital, principalmente na instalação, configuração e manutenção do sistema. Mas instituições, escolas, bibliotecas públicas e entidades que cuidam da questão da leitura poderão desenvolver o servidor de livros digitais Library Content Server sem os altos custos de licenças geralmente existentes em sistemas de igual complexidade.

As tecnologias que podem ser usadas na estrutura da Library Content Server são populares na internet e já amplamente difundidas e utilizadas por milhares de empresas no mundo todo. Nossa Library Content Server teria, salvaguardando alguns pormenores aqui ainda não detalhados, a seguinte estrutura tecnológica básica:

  • Servidor
  • Código fonte [linguagem de programação]
  • Scripts de segurança
  • Banco de dados
  • Front-end de leitura
  • Gateway de e-commerce
  • eBooks

As tecnologias devem ser de uso padrão e podem ser implantadas por profissionais facilmente encontrados em nosso mercado. Estes profissionais já estão familiarizados com estas tecnologias citadas e só precisam de um bom mapa de desenvolvimento para, enfim, construir o acervo central.

Por uma biblioteca descentralizada

Para que o projeto da nossa Biblioteca Digital Escolar não esbarre em corporativismos o e burocracias, precisamos criar mecanismos que criem a independência necessária principalmente para os casos em que nosso projeto esteja abaixo do poder público. Nada contra, creio apenas que o controle da nossa biblioteca deve ser feito de modo prático, descentralizado, com capacidade operacional plena.

Já existe hoje uma diversidade de programas governamentais, como é o caso do Programa Nacional Biblioteca da Escola [PNBE], Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Prossionais da Educação [Fundeb] e Plano de Ações Articuladas [PAR]. É possível levantar patrocínio através da iniciativa privada, que podem nos ajudar a enriquecer o nosso acervo sem precisarmos necessariamente ficar atrelados à supervisão ou controle que burocratize o projeto e torne os livros digitais tão inacessíveis quanto são hoje os livros impressos nas bibliotecas físicas em geral.

Vencido qualquer cenário burocrático neste sentido, há casos, e não é raro, em que o arquivo do livro, por conta de restrições contratuais e ou técnicas, não se encontrará ‘fisicamente’ dentro de nosso repositório central. Neste caso específico, nós poderíamos recorrer [se for o caso] aos metadados. A equação aqui é mais simples que lhe dar com burocratas. Precisamos estabelecer um padrão, de preferência aberto [um exemplo é a Onix for Books, mas, no Brasil, se usa geralmente o protocolo Marc 21] para os dados completos sobre o livro. Criamos uma rica indexação de obras com o objetivo único e final de levar o nosso usuário até os livros, independente de onde os arquivos estejam disponíveis.

Com o uso dos metadados, os dados sobre os livros, nossa biblioteca pode oferecer aos usuários comodidade na busca por títulos, assuntos, temas, escritores, coleções, e uma infinidade de palavras-chave que poderão direcioná-los até a estante mais próxima. O usuário poderá enfim encontrar o conteúdo que busca, mesmo que o material esteja longe do nosso próprio acervo.

Conforme dito, o servidor de nossa biblioteca pode ser construído em cloud computing [computação em nuvem], o mais importante, porém, é que os recursos da Library Content Server devam permitir que os objetos digitais armazenados possam ser acessados prioritariamente via web browsers [navegadores] a qualquer momento, a partir de qualquer dispositivo móvel.

O sistema das salas de leitura não deve restringir ou obrigar o usuário/leitor/aluno à instalação de nenhum aplicativo, componente ou plug-in em seu reading device [dispositivo de leitura]. O ideal é que os recursos de leitura e conteúdo estejam disponíveis dentro da própria solução e ambiente virtual de acesso. Os aplicativos, neste cenário, podem existir desde que não criem nenhum tipo de interferência [dependência] no acesso aos livros. Embora muitos aplicativos ajudem na exploração e experiência, muitos acabam criando muros maiores que os das bibliotecas físicas.

O front-end do sistema Library Content Server [ou seja, a interface final com o usuário — responsável pela montagem de cada estante, sala de leitura ou páginas dos livros] deve ser baseado no conceito de acessibilidade total. Isto quer dizer não só que os objetos digitais possam ser acessados e livremente lidos através principalmente dos navegadores que permitam o acesso à internet, mas que a rotina que permite a leitura deva obedecer às regras básicas da World Web Consortium [W3C] e do consórcio International Digital Publishing Forum [IDPF].

O front-end da biblioteca digital deve ‘rodar’ em qualquer navegador através de hardwares de leitura como desktops, notebooks, laptops, netbooks, ultrabooks, tablets, smartphones, e-readers e até nas lousas digitais. O sistema deve permitir, enfim, o acesso e a leitura de arquivos nos formatos já amplamente utilizados pelos provedores de conteúdo, como PDF, Daisy, HTML5 e, claro, ePub.

O gerenciamento de Direitos Autorais

Os eBooks armazenados na Library Content Server devem ser tratados como objetos independentes, o que permitirá o compartilhamento seguro entre os usuários previamente cadastrados [bibliotecários, professores, alunos, escola, etc.], cada um com o seu perfil de acesso, com login e senha.

Os eBooks devem ser completamente livres de criptografias restritivas para que, portanto, possam ser acessados à partir de qualquer suporte de leitura, bastando apenas haver no mínimo o navegador com conexão via web.

A segurança dos objetos digitais deverá existir, é claro, mas podem tecnicamente estar alocadas em cada biblioteca, estante ou sala de leitura que, por sua vez, estará atrelada a conta de usuário, que necessitará estar previamente registrado na biblioteca para ter acesso aos livros liberados. Livros digitais em regime de Domínio Público, por exemplo, podem ser armazenados no sistema sem a necessidade de criptografia, senhas ou segurança. E, portanto, podem ser acessados mais rapidamente pelos usuários cadastrados.

Muito se tem falado a respeito do empréstimo nas bibliotecas digitais, mas a equação para esta questão é simples. Se há, por exemplo, apenas 100 exemplares digitais de um determinado título, licenciados e a disposição na biblioteca, somente estes 100 exemplares digitais poderão ser emprestados para os usuários. O usuário de número 101 na fila de leitura deve aguardar a devolução de um exemplar para o acervo central de um dos exemplares já emprestados da obra.

Para os livros em regime de Direito Autoral, um gateway de pagamento atrelado a Library Content Server pode permitir os pagamentos. E o repasse dos Direitos Autorais, dos casos específicos, pode ser realizado em tempo real tanto para a editora ou distribuidor, quanto para o autor, que podem resgatar os valores através de um dashboard [painel de controle].

Nenhum livro, porém, deve ‘subir’ para o servidor da Library Content Server sem a autorização prévia da editora, autor, distribuidor ou do detentor dos Direitos Autorais [através de um contrato, de preferência por escrito, de autorização]. Desencorajamos qualquer ação contrária nesse sentido.

É importante incluir no projeto de desenvolvimento uma rotina de trabalho de convencimento dos detentores de conteúdo com relação às licenças, através de uma política de aquisições clara, objetiva e transparente.

Definindo a política de aquisições

Embora tenhamos o desafio nas aquisições dos títulos frente a um mercado carente de entendimento, a logística do livro digital é mais simples do que o problema enfrentado com relação à distribuição e logística dos livros físicos. No caso dos livros impressos, o trabalho do bibliotecário é realizado de modo mais tranquilo porque historicamente os autores e editoras já conhecem a finalidade das compras.

A aquisição de um eBook por parte de um bibliotecário torna-se, porém, um desafio na medida em que os detentores dos Direitos Autorais [editoras, distribuidores, autores] insistem em saber como, onde e de que forma os livros adquiridos serão acessados pelos usuários.

A questão que surge é que não há um nível seguro de conhecimento de todos os envolvidos que permita uma rápida tomada de decisão. O que pode tornar o processo mais lento. E para que o trabalho cotidiano do bibliotecário não se altere drasticamente, o ideal é que o profissional tenha em mãos os limites territoriais, de idioma e de temporalidade de sua biblioteca digital para que o detentor dos Direitos Autorais possa enfim licenciar as obras [e colaborar com o projeto].

Para obter uma quantidade maior de títulos, uma biblioteca não precisa necessariamente estar diretamente atrelada a, por exemplo, uma plataforma de autopublicação. É muito importante ponderar, em nosso projeto, a fase de aquisição de conteúdo digital, e o seu modelo, e separarmos da seção de oferta de títulos para o leitor. Ou seja, em uma ponta nós iremos adquirir os títulos, neste momento, poderíamos até eventualmente manter parceria com projetos de autopublicação; mas, na outra ponta, teremos a disponibilização dos títulos. Uma ferramenta de autopublicação atrelada a nossa biblioteca só iria atrapalhar a nossa curadoria de conteúdo.

Na hora de adquirirmos os títulos para o nosso repositório, temos de ter a clara noção do nosso modelo de oferta. Se a aquisição é perpétua, por meio de uma licença, por um longo ou curto período de tempo, o ideal é que esta aquisição esteja sempre vinculada à demanda e direcionada unicamente ao usuário. Lá na ponta, o usuário tem de estar bastante familiarizado com as possibilidades de acesso ofertadas [assinatura, aluguel, pay per view, etc].

Nossa biblioteca poderá adquirir os títulos através dos próprios autores, de suas respectivas editoras, ou de distribuidores, o que for melhor em cada caso, dependendo da oferta e da demanda do acervo central. Em cada um dos casos, o ideal é que haja um contrato firmado e registrado que estipule as regras mínimas de compartilhamento do conteúdo adquirido.

Para eliminar custos na aquisição de conteúdo, o ideal é que o nosso acervo central seja o próprio ‘agregador’ de conteúdo, dessa forma estaremos mais aptos a negociação com os detentores dos Direitos Autorais.

A aquisição do conteúdo digital será quase sempre orientada ao usuário [usando a aplicação do conceito patron driven acquisition] e independente da política de acesso dispensada ao leitor, o ideal é que esta aquisição do exemplar digital em si seja sempre perpétua.

O ideal também é que toda essa gestão de aquisições e do controle de acesso dos usuários seja realmente desenhada pelo profissional bibliotecário. Que deve estudar minuciosamente o seu público leitor antes de definir prioritariamente a política de acesso [que será obviamente baseada no modelo de negócios], para, enfim, definir o modelo de aquisição dos títulos.

A aquisição de conteúdo estará intimamente ligada com o nosso modelo de disponibilização. Ao mesmo tempo em que elaboramos de que modo podemos adquirir conteúdo para a nossa biblioteca digital, precisamos pensar também de que modo iremos compartilhar este conteúdo com o nosso usuário final [escola, professor, aluno, etc.].

Definindo a política de acesso

Conforme nossa biblioteca for crescendo em tamanho de títulos e usuários, outros desafios virão. A começar pela própria bibliodiversidade até o número de exemplares digitais disponíveis para cada título [que, como já dito, estará por sua vez automaticamente ligado ao modelo de permissão de acesso ao usuário].

A política de acesso de cada biblioteca digital estará intimamente ligada com o seu modelo de negócios. Ou seja, as aquisições e compras só poderão ser efetuadas se o modelo de acesso for bem especificado. Por exemplo, a biblioteca pode ter um modelo na qual o usuário pague uma assinatura [pay per view]. O usuário pode optar pelo empréstimo em curto ou longo prazo.

Cada biblioteca digital pode ter definidas as suas próprias políticas de acesso aos conteúdos. Cada política de acesso deve estar visivelmente bem clara a todos os atores do projeto para que a comunicação, desde a aquisição das coleções, até a sua disponibilização, se mantenha clara e objetiva.

Propomos enfim, em nosso projeto, uma política de acesso universal e irrestrita que mantenha ao mesmo tempo resguardados os Direitos Autorais, mas, principalmente, o direito do acesso à informação e ao conhecimento em primeiro plano.

Eis aqui o nosso check list básico:

  • Definição da política de acesso dos leitores/usuários.
  • Definição da política de compra dos eBooks.
  • Definição do modelo de negócios da biblioteca.

Estes três itens básicos irão melhorar o desempenho da nossa Biblioteca Digital Escolar na medida em que irá baixar o nível de convencimento dos detentores de Direitos Autorais e propiciará melhora na comunicação com o leitor, usuário, aluno, etc.

Nossa arquitetura bibliodigital

Independente do modelo de negócios por trás de um acervo [público ou privado], e para que o modelo a ser seguido obtenha um alto valor agregado, uma arquitetura bibliodigital deve ser inteiramente portátil, ou seja, deverá ser carregada através de qualquer dispositivo móvel.

Insisto [já pedindo desculpas pelas repetições] que essa arquitetura deva ser inteiramente acessível, ou seja, deve permitir o armazenamento e acesso de conteúdo através das tecnologias populares e já amplamente conhecidas.

Desenvolver uma arquitetura bibliodigital exigirá, do projeto e da equipe envolvida, interoperabilidade computacional, integração do ecossistema com outras soluções de ensino a distância, portais de conteúdo e plataformas de eBooks. Estes itens devem ser minuciosamente observados levando-se em conta àqueles tantos outros tão importantes já citados, como:

  • A computação em nuvem [ou seja, uso dos serviços de acesso sob demanda e utilizando-se de recursos computacionais compartilhados].
  • A mobilidade da biblioteca digital proposta.
  • A portabilidade do conteúdo através de diversos dispositivos de leitura.
  • A bibliodiversidade do conteúdo na biblioteca.
  • A acessibilidade total a biblioteca através do uso de softwares livres.

Professor também é leitor

Nossa Biblioteca Digital Escolar poderá ser utilizada não somente pelos alunos, mas também pelos professores, que também carecem muitas vezes de seu próprio hábito de leitura. Se o professor tem a oportunidade de melhorar sua leitura, se tornará ainda mais producente criar e incentivar este hábito no educando.

O educador não precisa substituir o profissional bibliotecário, em seu trabalho mais técnico, mas pode ser o agente de leitura nas salas que permitiremos criar. O educador pode ser o moderador das salas de leitura [comunidade de leitores].

Pensando em um cenário onde ambos os profissionais possam atuar em nosso ambiente de leitura, nós podemos contar com a colaboração tanto dos professores quanto dos bibliotecários nos aspectos que tangem:

A organização do acervo com uma variedade reconhecível de títulos.
Ajudar o leitor a desenvolver o senso crítico do mundo que o cerca.
Colaborar com o desenvolvimento intelectual do aluno.
Colaborar com a formação e o crescimento cultural e, portanto, social dos alunos através de uma leitura complementar.

Ao criar um espaço conectado, de livre frequência, estaremos possibilitando o acesso aos livros sem as intermediações que hoje criam obstáculos para a formação de novos leitores. O ideal é que a nossa biblioteca também crie para o professor a oportunidade de ter acesso a uma produção editorial, tanto quanto os alunos que farão uso para os mais variados objetivos.

Fazendo-se cumprir a lei

A Biblioteca Digital Escolar pode se transformar em uma coleção de livros, materiais e documentos registrados em suporte digital, destinado à consulta, pesquisa, estudo e leitura. Com a Biblioteca Digital Escolar, o professor pode ter em mãos uma poderosa ferramenta de estímulo ao desenvolvimento de jovens estudantes nos campos de leitura e um verdadeiro acervo para a construção da arte do saber e do conhecimento.

Segundo a Lei N°12.244, decretada pelo Congresso Nacional e sancionado pelo Governo em 25 de maio de 2010, todas as instituições públicas e privadas de todos os sistemas de ensino do País deverão contar com bibliotecas. Com a Biblioteca Digital Escolar, a instituição de ensino poderá se preparar e se antever a realidade da Lei N°12.244 que diz:

“Os sistemas de ensino do País deverão desenvolver esforços progressivos para que a universalização das bibliotecas escolares, nos termos previstos nesta Lei, seja efetivada num prazo máximo de dez anos”.

Segundo Dados do Censo Escolar, de 2009, há 99.896 escolas do Ensino Fundamental e 7.174 escolas do Ensino Médio sem bibliotecas. Segundo o Censo Escolar de 2011, seria 113.269 escolas públicas sem biblioteca. É fato que praticamente 80% das escolas públicas não têm bibliotecas. Mas é fato também que, para melhorar o nível de leitura nas escolas, não precisaríamos de novas leis [como é o caso daquela de número 12.244], se realmente colocássemos a mão na massa. Mas já que a lei foi criada, nós podemos usar de suas prerrogativas para ajudar a levar livros às escolas através das bibliotecas conectadas.

Em meados de agosto de 2013 foi aprovada no Congresso Nacional uma lei que destina 75% dos royalties do pré-sal para a educação. É importante lembrar que uma biblioteca digital também pode cumprir o papel de uma biblioteca pública. Um espaço de leitura conectado não deve substituir as tão sonhadas bibliotecas físicas escolares, mas podem criar um caminho alternativo para a construção de um País letrado.

Uma das metas do Plano Nacional de Educação é que pelo menos metade das escolas de educação básica seja de tempo integral até o início da década de 2020, quando se deve alcançar o incremento de 120 bilhões de reais oriundos dos royalties do pré-sal. Se estudantes das escolas públicas terão mais tempo dentro das escolas, precisaremos de mais ferramentas em quantidade e qualidade para aprender mais e melhor.

O País precisaria construir mais de 100 mil bibliotecas até 2020 para cumprir a Lei [mais de 30 unidades por dia]. Precisaremos investir ao mesmo tempo em mais bibliotecas, para atender a lei 12.244 e, ao mesmo tempo, precisaremos de mais laboratórios ou salas de informática. Poderíamos ganhar tempo com a construção das bibliotecas digitais e reinvestir o montante da diferença dos exemplares impressos em mais títulos digitais.

Uma biblioteca digital pode ajudar no desenvolvimento da educação com investimentos menores do que a construção de bibliotecas de tijolos. Nossa ideia, com o nosso projeto de instalação de ambientes de leituras conectados, é criar maneiras sustentáreis de se fazer cumprir a lei, e de colaborar com a expansão do número de leiturasem nosso País.

Inúmeras oportunidades de crescimento

A tecnologia está com seus olhos voltados para a educação e o mercado de conteúdo digital e literário voltado à educação é um dos mais promissores negócios que envolvem os eBooks.

Conforme registrado, os futuros royalties do pré-sal podem gerar um incremento da ordem de mais de 120 bilhões de reais no orçamento da educação até 2022, segundo projeção do próprio Ministério da Educação. Dados do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação [FNDE], autarquia do MEC responsável pelos programas do livro didático e da biblioteca da escola, mostram que as escolas públicas da educação básica receberam 43 milhões de livros de literatura infantil e infanto-juvenil, no período de2005 a 2010.

Outros números apontam que haverá um aumento de 42% no gasto por estudante da educação básica entre 2014 e 2022. No mesmo período, a média de alunos na pirâmide demográfica brasileira será de aproximadamente 50 milhões de jovens entre 5 e 19 anos.

Existem 5.564 secretarias municipais, e 27 secretarias estaduais, cuidando da educação no País com quem podemos firmar convênios para a construção das salas de leitura digital. Entre elas aquela já citada no início deste artigo que comporta a VESP. No geral, são 190 mil escolas públicas de ensino fundamental e médio. Com dois milhões de professores de educação básica.

Repositórios digitais no futuro

Embora os eBooks possam ser utilizados como ferramenta complementar no sistema de ensino aprendizagem, eles ainda não estão amplamente sendo utilizados na área da educação. Isto ocorre porque ainda estamos em uma fase onde inúmeros projetos ainda tentam de certo modo mimetizar os processos de acesso aos conteúdos já existentes, ao invés de criar um novo cenário utilizando as inúmeras possibilidades que a tecnologia da informação nos permitiria.

Um dos principais motores dessa transformação no modo de ‘ambientalizar’ o processo de aprendizagem é a disseminação dos recursos onipresentes da computação, entre eles a própria internet. Já existem boas alternativas, mas ainda há muitos entraves de ambos os lados, tanto pelo lado da educação, que ainda tenta testar o modelo nas escolas, quanto da própria tecnologia que ainda não se provou realmente eficiente na falta, muitas vezes, do equilíbrio entre a teoria e a prática.

Os impeditivos da utilização dos eBooks na educação passam também pela chamada exclusão digital, pelo analfabetismo funcional, pela falta de acesso e conexão à internet, entre outras questões ainda mais sérias e infelizmente não resolvidas. Os números da falta de leitura no Brasil, por exemplo, são alarmantes. Em qualquer pesquisa ou estudo que se analise, entre eles o indicador Ideb [Índice de Desenvolvimento da Educação Básica], o que se percebe é uma lentidão generalizada na construção de novas bibliotecas, na abertura de novas salas de leitura e na formação de novos leitores.

E é neste sentido que a tecnologia do livro digital pode ajudar na disseminação da literatura através de dispositivos móveis em lugares aonde as bibliotecas de tijolos não chegarão até 2020.

Um texto forma uma página. Uma página forma um livro. Um livro forma uma estante. Uma estante forma uma biblioteca. E uma biblioteca pode ajudar na formação de um leitor usando os ambientes virtuais como as salas de leitura aqui propostas.

Os eBooks devem transformar a realidade das bibliotecas no Brasil e no mundo. Com apenas um único dispositivo de leitura em mãos, o leitor pode acessar infinitas páginas, de diversos livros, de muitas estantes, de uma Biblioteca Digital Escolar. E a educação,em nosso País, deve se preparar para lidar com uma nova demanda que já foi criada com o advento do livro digital. Para isso, o reinvento das bibliotecas se torna o próximo desafio para toda a sociedade.

* Ednei Procópio, 37 anos, é empresário e um dos maiores especialistas em livros digitais no Brasil, atuando na área desde 1998.

Publicado originalmente em Notícias do Blog do Galeno | 31/01/2014

Intel cunhou o termo “iPad” em 1994, e tentou lançar tablet em 2001


Reprodução | Intel

Reprodução | Intel

Muito antes da Apple lançar seu iPad, a Intel apresentou ao mundo seu “bloco de informações, que chegou até a CES 2001, mas sem grande sucesso

Antes que a Apple lançasse o iPad, em 2010, ninguém previa este nome para um tablet. Quer dizer, ninguém exceto o ex-vice-presidente da Intel, Avram Miller.

Sim, as previsões de dispositivos semelhantes ao iPad existem há décadas. O filme 2001: Uma Odisseia no Espaço [1968], de Stanley Kubrick, tinha aparelhos semelhantes a tablets. E a antiga empresa Knight Ridder divulgou em 1994 um vídeo-conceito para um tablet de notícias.

Mas muito antes de a Apple lançar seu tablet, já se falava em um iPad.

Em 30 de junho de 1994, a Associated Press descreveu a visão da Intel para a casa do futuro, centrada em uma “fornalha de informação”. Mas também há a menção de um dispositivo curioso: um I-pad, ou “bloco de informações”.

“Um dos dispositivos mais interessantes é chamado de I-pad, um bloco de informações”, disse [Avram] Miller. “Seria um dispositivo com tela plana. Você pode escrever nele, tocá-lo. Você pode falar com ele e ele pode responder com voz. Seria sem fio, barato e teria diferentes formas na casa.

Algumas formas primitivas de um “I-pad” são os dispositivos Apple Newton, Motorola Envoy e IBM Simon, que têm características de computação e comunicação.

O I-pad que a Intel mencionava em 1994 era mais ou menos um termo genérico para os gadgets que iriam interagir com a casa do futuro. Ainda assim, o nome e suas associações com “casas inteligentes” aconteceram mais de 15 anos antes de a Apple estrear o iPad.

A Intel ainda revelou um dispositivo IPAD na feira CES em 2001. O Intel Pad usava uma conexão sem fio ao seu PC para acessar a web – ele dependia de outro computador para funcionar. Ele tinha botões, roda de mouse e uma caneta para interagir com a tela.

Mas, segundo a CNET, ele acabou irritando as parceiras da Intel, já que poderia concorrer com produtos delas. A empresa então cedeu à pressão e cancelou o projeto.

Ainda hoje, a Intel tenta encontrar seu espaço no mercado de tablets com seus processadores, sofrendo forte concorrência da ARM. Há até rumores de que a Intel poderia fabricar chips para… o iPad.

Por Matt Novak | Gizmodo | Com informações da Associated Press | 30/01/2014

Novidades na KoboStore


Kobo cria “Oferta do Dia” para sua página brasileira

Depois de anunciar a Kobo Colletions, a KoboStore está com mais uma novidade para seus usuários. É a Oferta do Dia. A cada dia um livro entra em promoção e será comercializado com descontos que podem chegar a 91%. A novidade entrou no ar ontem [29], com O chamado do cuco, o mais recente de J.K. Rowling, publicado sob o pseudônimo Robert Gailbraith e que acaba de chegar ao mercado pelas mãos da Rocco. “A ideia é destacar grandes autores e títulos quentíssimos. Estamos contemplando todo tipo de público: leitores de best-sellers ou de gêneros específicos. A prerrogativa é que seja um título atraente a nossos clientes”, explica Letícia Féres, e-book merchandiser da Kobo para os mercados do Brasil e de Portugal. Ela conta ainda que editores podem enviar propostas para aparecerem na nova seção diretamente para o seu e-mail: lferes@kobo.com.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 30/01/2014

Livro permite que leitor sinta as emoções dos personagens fisicamente


A partir de um projeto chamado “Ficção Sensorial”, os pesquisadores do MIT [Massachusetts Institute of Technology], nos EUA, criaram um protótipo de livro que permite que o leitor sinta fisicamente sensações relacionadas às emoções dos personagens da história.

Funciona assim: o leitor veste uma espécie de colete que possui vários controles e começa a ler o livro. A capa deste possui uma série de mecanismos – em sua maioria, luzes – que são acionados de acordo com a página em questão. Desta forma, o colete e o livro trabalham em conjunto.

Toda vez que o leitor vira a página, o livro se programa para começar a transmitir as sensações daquela parte da história em particular. Por exemplo: se o protagonista está assustado, o colete faz uma leve pressão no leitor, de forma que ele sinta um ‘aperto no peito’. Ou, se o personagem estiver triste, as luzes do livro se ajustam para refletir tal emoção.

O livro escolhido para ser utilizado como o primeiro protótipo foi ‘The Girl Was Plugged In’, ficção científica da autora Alice Sheldon [sob o pseudônimo de James Tiptree Jr.], publicado pela primeira vez em 1973.

Publicado originalmente em Revista Época | 30/01/14

THEMA | A nova ferramenta de metadados para livros


Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 29/01/2014

Os leitores de O Nome da Rosa, de Umberto Eco, podem lembrar que os crimesno mosteiro acontecem, no final das contas, em torno de um assunto aparentemente prosaico: a classificação a ser dada ao suposto manuscrito de Aristóteles achado na biblioteca do convento. O suposto tratado sobre o riso seria obra filosófica [no sentido dado à palavra pela escolástica], ou um texto demoníaco que negava o cristianismo? Dessa classificação dependeria o acesso ao manuscrito ou sua condenação ao “inferno” dos livros proibidos. Da disputa, surge a razão dos assassinatos.

Por isso é que às vezes eu brinco, conversando com bibliotecários, que eles são capazes de assassinar em disputas sobre a classificação. O estruturado sistema decimal usado nas bibliotecas abre espaços para esse tipo de disputas [felizmente, rara vez resultando em assassinatos, mas muitas vezes em disputas acerbas entre os bibliotecários].

O sistema decimal serve muito bem aos sistemas de bibliotecas. Mas, para a indústria editorial e para o comércio de livros resulta demasiadamente complicado. O assunto foi progressivamente sendo enfrentado pela indústria. Primeiro veio o ISBN, um identificador unívoco de cada título e edição. Mas, se não se sabe qual o ISBN, as buscas devem utilizar algum outro metadado. Os mais comuns, certamente, são o título e o nome do autor. Durante várias décadas isso funcionou bem para o mercado e foi incorporado nos sistemas de bibliotecas. Mecanismos com o protocolo Z.39.5 permitem que os computadores de diferentes bibliotecas “conversem” entre si a partir de fragmentos como esses, e importem/exportem dados de classificação cooperativa [nossa BN, infelizmente, não abre esse mecanismo. O sistema de bibliotecas das universidades paulistas abre, em parte].

Mas a classificação por “assuntos” do ISBN sempre foi muito frouxa e desregulada. Quando aconteceu o avanço do comércio internacional de livros e particularmente o surgimento dos e-books, as deficiências dos mecanismos de busca por assunto revelaram de vez suas fragilidades. Daí que as entidades ligadas aos livros, em cada país [as que levam esses assuntos a sério, é claro], começaram a enfrentar o problema. O BISG – Book Industry Study Group, dos EUA, formulou o BISAC, os ingleses criaram o BIC, os franceses o CLIL e os alemães o WGS. E começaram os remendos, com gente armando esquemas para “traduzir” as classificações de um para o outro. Isso sem falar na Amazon, que usa o BISAC, mas acrescenta um monte de outros metadados que lhe permite fazer listas de best-sellers extremamente segmentadas e tornar mais fluido seu mecanismo de buscas.

No meio do caminho apareceu o DOI – Digital Object Identifier e o consórcio EdiTeur. O EdiTeur é, digamos assim, o meta incentivador/organizador de padrões para a indústria editorial. Praticamente tudo de relevante formatado em termos de padronização surgiu de iniciativas do grupo, embora a administração de cada um deles logo tenha passado para órgãos específicos. O padrão Epubé administrado por um consórcio específico, assim como o ISBN possui um escritório central sediado em Berlim. O ONIX [ON line Interface EXchange], criado pelo BISG, também se integra a essa constelação.

Gosto de citar o DOI porque acompanhei um tanto de perto as etapas finais de sua formulação, quando ainda trabalhava na CBL, e pela sua importância nos sistemas de gerenciamento de direitos. O DOI permite que qualquer segmento de informação digital, definido como tal pelo editor [de livros, de música, de filmes], receba um identificador único. Assim, um livro inteiro pode ter um identificador, ou um capítulo, ou uma ilustração, ou um gráfico, etc. Uma vez embutido, o DOI permite, em tese, que a circulação desse documento digital possa ser rastreado na Internet. O DOI é administrado pela DOI Foundation, e conta com a participação dos mencionados segmentos de música e filmes.

A mais recente iniciativa do EdiTeur é o THEMA, um sistema internacional para classificação de assuntos. O THEMA pretende incorporar progressivamente os demais sistemas de classificação de assuntos, permitindo uma uniformização dos objetos de pesquisa.

Durante a conferência Tools ofChangena edição de 2012 da Feira de Frankfurt foi anunciado o projeto do THEMA, que imediatamente ganhou apoio das associações de mais de doze países, tanto da América do Norte quanto da Europa. Logo se construiu um projeto piloto e uma proposta para a governança do sistema, que ficou adjudicado ao EdiTeur na última Feira de Frankfurt, em 2013. Na ocasião também foi criado um comitê para dirigir o seu desenvolvimento, que deverá se reunir durante as feiras de Londres e Frankfurt para acompanhar o projeto.

A proposta do THEMA é a construção de um sistema global de classificação de assuntos, aplicável facilmente por todos os integrantes da cadeia de produção e comercialização de livros, com flexibilidade para permitir que cada mercado retenha suas especificidades culturais. Integrado ao ONIX, permitirá o uso em múltiplas plataformas de comercialização e difusão do livro.

Mas, afinal, como funciona esse tal de THEMA? O sistema estabelece uma hierarquia de assuntos, com vinte assuntos de nível máximo, cada um dividido em quantas subcategorias forem necessárias, cada uma dessas categorias inferiores identificada por códigos alfanuméricos.

As hierarquias maiores correspondem a uma letra. A, por exemplo, são as Artes. Daí em diante vão se subdividindo: AB corresponde a Artes: assuntos gerais;ABA vai para Artes – Teoria. E assim por diante. A chave, evidentemente, é manter uniformes as categorias, na medida em que sejam formadas.

A hierarquia implica que os livros devam ser classificados até o nível de detalhe mais adequado, mas sempre relacionados com os níveis superiores. Por exemplo, um livro que entre na categoria AGA [História da Arte] será também automaticamente classificado nos níveis mais gerais – AG [Belas Artes: tratamentos e assuntos] e o A.

O sistema permite também a combinação de várias classificações e o detalhamento por países, época histórica ou corrente artística, idade possível de interesse para o livro e seja lá mais que dado possa ser considerado relevante. Como os códigos serão alfanuméricos e constantes, os cabeçalhos podem ser traduzidos para qualquer idioma.

Essa classificação deverá alterar também as categorias de assuntos das empresas de pesquisa de vendas, como a BookScan e a GfK. Cada uma delas usa critérios próprios para divisão de assuntos, o que certamente dificulta a comparação de dados entre os vários países.

A atribuição dos códigos de classificação é feita pelos editores, que devem atentar para que os assuntos de cada livro sejam considerados e se tornem localizáveis pelos mecanismos de busca. E é gratuito, mesmo para as que estão em países cujas organizações profissionais não façam parte nem contribuam para o comitê de governança do THEMA.

É mais um esforço das organizações sérias de editores e livreiros para facilitar o intercâmbio internacional. Aqui ainda teremos que enfrentar vários problemas prévios, em particular que os editores e livreiros compreendam em profundidade a importância da aplicação correta de metadados em suas informações.

Mas algum dia chegaremos lá. Nem que seja pela pressão do resto do mundo, inconformado com essa balbúrdia que reina por aqui.

Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 29/01/2014

Felipe Lindoso

Felipe Lindoso é jornalista, tradutor, editor e consultor de políticas públicas para o livro e leitura. Foi sócio da Editora Marco Zero, diretor da Câmara Brasileira do Livro e consultor do CERLALC – Centro Regional para o Livro na América Latina e Caribe, órgão da UNESCO. Publicou, em 2004, O Brasil pode ser um país de leitores? Política para a cultura, política para o livro, pela Summus Editorial. Mantêm o blogwww.oxisdoproblema.com.br

A coluna O X da questão traz reflexões sobre as peculiaridades e dificuldades da vida editorial nesse nosso país de dimensões continentais, sem bibliotecas e com uma rede de livrarias muito precária. Sob uma visão sociológica, este espaço analisa, entre outras coisas, as razões que impedem belos e substanciosos livros de chegarem às mãos dos leitores brasileiros na quantidade e preço que merecem.

O negócio de assinatura avança, e a Amazon dispara


Oyster anunciou ter levantado US$ 14 mi para expandir seu serviço

As empresas de serviços de aluguel de livros digitais estão começando a crescer e a proposta vem ganhando força, mas há muito ainda a ser definido. A Oyster, por exemplo, anunciou ter levantado US$ 14 milhões para expandir seu serviço criado há quatro meses. No entanto, os serviços se esbarram na lógica do consumo. O serviço da Oyster custa US$ 9,95 por mês (cerca de US$ 120/ano). Uma pesquisa de 2012 aponta que, entre as pessoas que leram pelo menos um livro nos 12 meses anteriores, apenas a metade tinha lido mais de seis livros. Portanto, para a maioria das pessoas seria mais barato comprar os livros separadamente. A Amazon oferece atualmente uma biblioteca de empréstimo de 350 mil títulos para seu leitor eletrônico Kindle aos assinantes da Amazon Prime. Como seu serviço de assinatura é combinado a outros serviços atraentes e como custa US$ 79 por ano, parece provável que a Amazon vai ganhar de todos em termos de preço, como de costume.

Por Joshua Brustein, Bloomberg BusinessWeek | Valor Econômico | 29/01/2014

Empresas de SC apostam em eBooks como estratégia de marketing


Objetivo é atrair clientes, parceiros e ser conhecido como referência no meio em que atua

Luis Fernando Palermo, da Talk2, acredita que o conteúdo é o maior desafio ao criar um livro eletrônico | Foto: Jessé Giotti / Agencia RBS

Luis Fernando Palermo, da Talk2, acredita que o conteúdo é o maior desafio ao criar um livro eletrônico | Foto: Jessé Giotti / Agencia RBS

Uma pesquisa realizada pelo Ibope Inteligência em 2012 indica que o Brasil conta com mais de 9,5 milhões de leitores de e-books. De olho neste mercado promissor, empresas apostam nos livros eletrônicos como ferramenta de marketing digital. O objetivo é atrair clientes, parceiros e ser conhecido como referência no meio em que atua.

Uma das empresas que embarcaram nessa onda é a Talk2, marca do DOT Digital Group. Depois de longo planejamento, a startup de Florianópolis publicou seu primeiro e-book em agosto de 2013. Desde então, foram cinco livros publicados e cerca de 4 mil donwloads.

— A internet mudou o comportamento das pessoas e a maneira como as empresas se relacionam com seu público — observa Luis Fernando Palermo, diretor de criação da Talk2.

O conteúdo, que é o maior desafio apontado por Palermo, é focado na estratégia digital, área de atuação da empresa.

O Grupo Nexxera, de Florianópolis, lançou em 2013 seu primeiro livro eletrônico sobre dicas para pagamento móvel em empresas. A diretora de marketing da empresa, Sarah Silva, explica que a primeira estratégia do grupo foi o blog com assuntos de tecnologia.

Para Eric Santos, CEO da Resultados Digitais, a utilização de e-books como estratégia de marketing digital é mais do que uma tendência.

— As empresas vão investir mais nessa estratégia ao tomarem conhecimento do impulso que a publicação representa no retorno sobre o investimento — avalia.

>>> Dicas para quem quer publicar e-book

Ter total confiança nas informações que estão sendo repassadas e checar o conteúdo com diferentes fontes para não correr o risco de divulgar dados equivocados, o que seria ruim para quem baixa o material e péssimo para a reputação da empresa.

É recomendado ter um bom revisor para evitar tropeços na língua, corrigir eventuais falta de lógica do texto ou simples erros de digitação.

Investir em uma boa apresentação. Um e-book bem diagramado, com ilustrações, gráficos e exemplos práticos desperta mais interesse.

Planejar muito bem como vai ser a promoção do material. Para extrair ao máximo os benefícios, a empresa deve planejar que canais utilizará para divulgar o lançamento e como será essa exposição.

Diário Catarinense | 29/01/2014 | 09h24

Amazon dribla IOF, cobra em real e tenta ganhar mercado no Brasil


Instalada no país desde novembro, loja de aplicativos também oferece aos clientes o ‘app grátis do dia’

SÃO PAULO. No Brasil, desde novembro passado, a Amazon Appstore tenta driblar a concorrência no mercado de aplicativos para smartphones e tablets com vendas feitas em moeda local e a oferta de um aplicativo gratuito por dia. O mercado de distribuição de aplicativos é hoje dominado pela Apple, que controla as transações em Iphone e Ipad, e pela Google Play, voltada para a plataforma Android. Para Robert Williams, diretor mundial da Amazon Appstore, as transações em reais evitam “surpresas” no preço final pago pelo consumidor e são um dos maiores diferenciais da empresa em relação às concorrentes.

— O preço que os consumidores vêem é o preço que eles pagam pelos aplicativos. Sem surpresas. Eles não têm de arcar com os 6,38% de Imposto sobre Operações Financeiras [IOF] e nenhum outro acréscimo no cartão de crédito de quando se compra em dólar— disse Williams nesta segunda-feira em São Paulo.

A Amazon Appstore é voltada para smartphones com plataforma Android, disputando o mercado com o Google Play. O executivo não divulga dados dos negócios feitos no Brasil, mas se diz otimista com o resultado obtido nos últimos dois meses.

— Nosso objetivo inicial era criar uma empresa local de aplicativos e operar como uma empresa local no Brasil. Era entender os consumidores e os desenvolvedores brasileiros. Não é uma tarefa simples. Nós tivemos muito o que aprender sobre o Brasil e as leis fiscais.

O executivo da Amazon confirmou que tem buscado parceria com as empresas de “startup” brasileiras.

— Sim. Definitivamente. Nós vemos nisso uma oportunidade para que desenvolvedores brasileiros fiquem conhecidos— disse ele, afirmando que, com a inserção inteernacional da Amazon, fica mais fácil para que o conteúdo das empresas brasileiras seja replicado ao redor do mundo.

Willians destacou ainda que muitos dos desenvolvedores brasileiros têm ganhado espaço internacional trabalhando com a Amazon. Um exemplo citado pelo executivo é o da Tapps, empresa de aplicativos funcionais e jogos. Outro exemplo citado pela empresa é a Mobjoy.

— Estamos satisfeitos com a reação dos consumidores e também com a dos desenvolvedores, com quem temos nos relacionado há mais tempo, cerca de nove meses. Nós levamos muitos deles para nosso catálogo internacional (de aplicativos)— disse Williams, destacando ainda que o conteúdo e explicações sobre os aplicativos são apresentados em português para os clientes do país.

Em encontro com jornalistas na Amazon em São Paulo, Williams destacou ainda a oferta de aplicativos gratuitamente na loja.

— Nós temos uma característica única, que é o aplicativo grátis do dia. Desde que começamos, em novembro de 2011, oferecemos mais de 1580 aplicativos gratuitamente; e o valor desses aplicativos somados é de aproximadamente US$ 3,6 mil.

Um outro ponto defendido pelo diretor da Appstore é que todos os aplicativos _ cerca de 100 mil disponíveis na Amazon_ são testados previamente, sendo “livres de vírus ou de malware”.

Questionado sobre como os desenvolvedores veêm os brasileiros que não têm o hábito de pagar por aplicativos, que preferem os gratuitos, Williams afirmou:

—Nós entendemos que brasileiros são brasileiros, que fazem coisas como todos os demais e que fazem coisas de modo diferente. Esse é outro aspecto que temos de olhar sob uma perspectiva de longo prazo. É um processo.

Sobre a vantagem da Google Play, de ter a loja já instalada na maioria dos aparelhos Android, Williams disse que a estratégia da empresa é fazer com que os clientes vejam que têm uma escolha, com características e benefícios diferentes.

— Nosso grande desafio foi criar para o cliente um meio que facilitasse a instalação da appstore e dos aplicativos. Na Amazon, os clientes podem usar moeda local, cartão de crédito, e o preço que eles pagam é exatamente o que está na loja, sem surpresas, sem cobrança extra.

Por Tatiana Farah | Publicado em Globo.com | 28/01/14, 17h28 | Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.

PALESTRA | O AUTOR E O NOVO MERCADO EDITORIAL


O novo cenário da publicação, comercialização
e divulgação de livros no Brasil

Muito se tem falado em aplicativos, redes sociais, plataformas e tecnologias voltadas aos livros. Tecnologias que, antes, pareciam estar distantes do alcance do autor, agora fazem parte de um universo de opções que podem ajudá-lo na publicação, comercialização e divulgação de seus livros.
A Livrus desenvolveu a palestra “O autor e o novo mercado editorial” especialmente para escritores que desejam saber mais sobre os novos meios de edição de obras. Abordando a produção, a comercialização, os direitos autorais e outros temas ligados ao universo editorial, a palestra será gratuita, com vagas limitadas, e será realizado em 8 de fevereiro no auditório da Livraria Martins Fontes Paulista. Os autores interessados devem inscrever-se até o dia 7 de fevereiro por intermédio do telefone [11] 3101-3286.

CONTEÚDO DA PALESTRA
  • O Livro na Era Digital
  • A Nova Cadeia Produtiva do Livro
  • A Questão dos Hardwares, Softwares e Formatos
  • A Questão da Divulgação e Marketing Digital
  • A Gestão dos Direitos Autorais
ANOTE NA SUA AGENDA
Palestra | O autor e o novo mercado editorial [gratuita]
Quando | 8 de Fevereiro de 2014, sábado
Horário | das 10h às 12h
Local | Livraria Martins Fontes Paulista
Endereço | Avenida Paulista, 509 – Bela Vista – São Paulo
INSCRIÇÕES RSVP
Confirme sua presença até o dia 7/2/2014. Vagas gratuitas e limitadas.
Cris Donizete | Publisher
Telefone: [11] 3101-3286

Editora aposta no lançamento de títulos em eBook antes mesmo da chegada dos livros físicos às livrarias


A nova estratégia da LeYa

Em menos de 24 horas depois de ser posto à venda, o livro O cavaleiro dos sete reinos, de George R. R. Martin alcançou o topo da lista de mais vendidos da Amazon brasileira. O curioso é que o título só chega às livrarias físicas no dia 10 de fevereiro. A LeYa, responsável pela publicação do livro no Brasil, resolveu colocar à venda os e-books antes mesmo da chegada do livro às prateleiras. De acordo com Pascoal Soto, diretor da editora no Brasil, essa foi uma estratégia nova para medir a aceitação dos livros publicados pela casa. “Há algum tempo, temos lançado as duas versões – física e digital – simultaneamente. Este ano, entretanto, estamos experimentando esse formato e podemos dizer que estamos muito satisfeitos”, comenta o diretor. No fechamento desta edição, o livro estava na quinta posição da lista da varejista on line. Outro livro da editora segue pelo mesmo caminho. Ditadura à brasileira, do historiador Marco Antonio Villa também só chega às prateleiras em fevereiro, mas já pode ser comprado no formato e-book. “A LeYa está gostando dessa ideia”, finaliza Pascoal.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 27/01/2014

Pedras no caminho


Até um gigante do varejo como a Amazon sofre para se viabilizar comercialmente sob o impacto do custo Brasil

Amazon

Ao anunciar sua entrada no mercado editorial brasileiro, em 6 de dezembro de 2012, a Amazon, gigante americano da venda on-line, apostava que aquele seria o Natal do Kindle, o pequeno leitor digital que dá acesso a um universo de milhões de livros. Mas não foi. 0 primeiro obstáculo apresentou-se logo na largada: o lote inicial ficou retido na alfândega de Vitória, no Espírito Santo, aguardando liberação da Anatel, e só pôde começar a ser vendido duas semanas depois. De lá para cá, tem sido uma dificuldade atrás da outra. Imprensada entre os impostos altíssimos — por causa deles, seu leitor aqui é o mais caro do mundo —, os labirintos da burocracia, a feroz resistência das livrarias e a falta de mão de obra especializada [a vaga do número 2 da operação levou meses para ser preenchida], a Amazon, um portento com faturamento de 61 bilhões de dólares em 2012, completou um ano de atividade no país em marcha lenta. Trata-se de um caso emblemático de como o custo de fazer negócios no Brasil pode minar as intenções até mesmo de uma empresa que tem poder de vida ou morte em seu setor.

Apenas 60 000 Kindles foram vendidos até agora no Brasil, contra 3 milhões de iPads. Um problemão, já que o Kindle representa arma indispensável na fidelização de clientes: é fácil de carregar, fácil de ler em qualquer lugar e nele é facílimo fazer download dos milhões de e-books à venda na Amazon — este, seu negócio mais lucrativo na livraria. Erro de estratégia? Não exatamente. A Amazon sabia o que a esperava — preparava a vinda desde 2009 —, só que o chamado custo Brasil saiu mais caro do que o previsto. O peso dos impostos é um bom exemplo. A empresa tinha plena consciência dele, tanto que contratou Welber Barrai, ex-secretário de Comércio Exterior do governo Lula, para batalhar no Congresso por um projeto de lei que, em nome da cultura, isenta o Kindle de impostos; o lobby deu resultado no Senado, mas ainda se arrasta na Câmara. Com isso, o preço ficou nas alturas: o Kindle simples está custando 299 reais. O mesmo aparelho sai pelo equivalente a 260 reais na Inglaterra, 180 reais na França e 150 reais nos Estados Unidos. “Se zerarem os impostos, como aconteceu em outros países, o preço se reduziria 60%“, afirma Alex Szapiro, presidente da Amazon no Brasil.

Além de caro, o Kindle é difícil de encontrar. As livrarias brasileiras se recusam a vendê-lo, sob o argumento [justificado, aliás] de que a Amazon é uma máquina de preços baixíssimos que já levou à falência redes tradicionais. Em demonstração explícita do exacerbado protecionismo do mercado, Marcílio Pousada, ex-presidente da Saraiva, a maior rede de livrarias do país, chegou a telefonar para os donos de editoras ameaçando boicotar quem firmasse contratos favoráveis demais com a Amazon.

Quiosques montados em shoppings fecharam por falta de compradores, e s agora a empresa parece enfim, a ponto de firmar com fornecimento com uma grande rede varejista. Também emperra os negócios da loja virtual brasileira o fato de que, dos 2 milhões de títulos oferecidos, apenas 30000 são em português. Por causa, em parte, da pressão das livrarias e, em parte, de sua própria inação, até recentemente o e-book não era prioridade nas editoras. A Amazon veio sacudir essa morosidade. Para atenuar a preocupação dos livreiros e estimular a produção de livros digitais, a empresa aceitou até uma cláusula inédita em seus contratos; nas promoções que fizer, o preço do e-book, que já é 30% menor que o do livro de papel, pode baixar no máximo 10% — nos Estados Unidos, não há limite.

Atualmente, todo novo título lançado no Brasil tem seu equivalente digital, mas poucos dos antigos estão disponíveis. “O problema é que renegociai- velhos contratos dá muito trabalho“, explica Ricardo Garrido, diretor de operações do iba, empresa do Grupo Abril que produz e comercializa títulos digitais. Diante de tantos entraves, a média diária de e-books baixados na loja brasileira da Amazon não passa de 3 000, e a operação representa apenas 1% do faturamento global da empresa — mesmo assim, ela é líder de vendas de livros digitais no Brasil [detém 40% do mercado], seguida da Apple [20%] e do Google [10%]. Outra luta inglória, esta não só da Amazon, tem sido travada contra a pirataria. No ano passado foram rastreados 108279 links para downloads ilegais de livros por brasileiros, quase 50% a mais do que em 2012, de acordo com a Associação Brasileira de Direitos Reprográficos.

Criada em 1994 para vender livros físicos on-line, a Amazon comercializa de ostras a motor de lancha e tem livrarias virtuais em treze países. Em busca de alternativas agora que as vendas de e-books deixaram de aumentar em praças tradicionais, como Estados Unidos e Inglaterra [onde correspondem a 20% do faturamento das editoras], e avançam lentamente em outras, como França e Alemanha, a empresa decidiu apostar em economias emergentes; são mercados difíceis, mas promissores, como México, índia. China e o próprio Brasil. Por aqui, somente 3% dos livros vendidos são digitais. Impávida diante dos obstáculos, já anunciou que em março ou abril começará a vender livros físicos aqui, comprando nova briga com as editoras — para escapar do Judiciário brasileiro, a empresa tenta emplacar uma cláusula segundo a qual qualquer desacordo será decidido em câmaras de arbitragem, e em inglês. Aos leitores, só resta torcer por um acordo que lhes traga livros mais baratos e mais acessíveis.

Por Thiago Prado | Revista Veja | 27/01/2014

Biblioteca de São Paulo oferece consulta ao seu catálogo online


A Biblioteca de São Paulo possui um catálogo online de livros e DVDs. Basta que o leitor acesse o site da Biblioteca e procure o link do Catálogo. No campo Pesquise Nosso Catálogo, é só colocar as palavras-chave e buscar o item de interesse que a ferramenta informa se o livro ou DVD está disponível para empréstimo. Para fazer a consulta não é necessário ser sócio da BSP.

Recentemente, o catálogo online ganhou mais uma obra para consulta, “Cada homem é uma raça”. O livro de Mia Couto reúne 11 contos onde os indivíduos são sempre objeto de fascínio e a descrição de suas vidas jamais traz qualquer julgamento. Com uma escrita poética, que resulta em um português com a melodia das línguas africanas, o autor apresenta um rico universo de vivências de figuras moçambicanas.

A Biblioteca de São Paulo ocupa uma área de 4.257 metros quadrados, na zona norte da capital, e atende crianças, jovens, adultos, idosos e pessoas com deficiência. Totalmente equipada com alta tecnologia, o espaço oferece aos seus usuários microcomputadores, rede wireless e terminal de autoatendimento.

SERVIÇO

Biblioteca de São Paulo [BSP]
Av. Cruzeiro do Sul, 2.630 Santana, São Paulo, SP
De terça a sexta das 9h às 21h; sábados, domingos e feriados das 9h às 19h
[11] 2089-0800
http://bibliotecadesaopaulo.org.br

SP Notícias | 26/01/14

Coleções no Kobo


A partir de fevereiro, usuários Kobo vão ter acesso a páginas exclusivas com ‘extras’ sobre livros, autores e muito mais

A Kobo vai dar uma mãozinha para seus usuários a partir de fevereiro. Na KoboStore, os usuários vão ter em uma única página informações, links, vídeos, dicas de livros sobre determinados assuntos ou autores. A nova seção vai se chamar Colletions. O centenário do ícone da contracultura William Burroughs vai servir de mote para a estreia. Nascido em 5 de fevereiro de 1914, Burroughs é autor do último livro censurado nos EUA: Almoço nu, publicado originalmente em 1959. Jack Kerouac o imortalizou em On the Road como Old Bull Lee [no filme de Walter Salles, interpretado por Viggo Mortensen]. Na página, que entra no ar na primeira semana de fevereiro, além de dicas de livros do autor, os fãs do padrinho dos punks e garotos heavy metal vão poder assistir a um depoimento de Eduardo Bueno contando como foi o seu encontro com “Bill”, além de um texto assinado por Tony Bellotto.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 24/01/2014

Brasil já pode comercializar didáticos interativos pela loja virtual da Apple


Brasil e outros 50 países já podem comercializar didáticos interativos pela loja virtual da Apple

Em comunicado enviado pela Apple à imprensa na tarde de ontem, a companhia criada por Steve Jobs informou que o Brasil [e outros 50 países da América Latina, Ásia e Europa] está na linha de expansão da iBooks, a livraria digital da Apple. A partir de agora, editores e autores independentes poderão comercializar livros didáticos pela plataforma. Não só isso. A iBooks permite criar livros digitais dinâmicos, com gráficos interativos, diagramas com rotação em 3D, além de possibilitar a atualização de conteúdos a qualquer momento.

Ainda de acordo com o comunicado, existem hoje cerca de 25 mil títulos educacionais, incluindo alguns criados pelas universidades de Cambridge, Oxford e pela editora britânica Hodder Education. Nos EUA e no Reino Unido, os didáticos vendidos pela iBook já cobrem 100% do currículo escolar do ensino médio.

Para Eddy Cue, vice-presidente de Software e Serviços de Internet da Apple, o serviço, agora ampliado para outros países, pode dar início a uma revolução. “Os incríveis conteúdos e ferramentas disponíveis para iPad permitem que professores personalizem o aprendizado de uma forma como nunca foi vista antes. Não podíamos mais esperar para ver professores em mais países criando planos de aulas com livros didáticos interativos, aplicativos e conteúdo digitais dessa qualidade”, afirmou no comunicado.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 23/01/2014

Nova versão de seu tablet educacional é lançado pela Intel


Intel Education Tablet

Intel Education Tablet

A nova versão do tablet educacional foi anunciada ontem no evento educacional Bett 2014, que ocorre em Londres. A configuração do novo dispositivo é interessante, mas os grandes destaques são os acessórios e o a suíte de software educacional.

O Intel Education Tablet aparece em duas configurações, a melhor delas tem os seguintes detalhes:

  • Android 4.2;
  • Tela de 10 polegadas (resolução não informada);
  • Intel Atom Z2520 com dois núcleos rodando no máximo a 1,2 GHz;
  • Memória RAM de 1 GB LPDDR2;
  • Armazenamento que varia de 8 GB até 32 GB;
  • Chip de segurança TPM;
  • Câmera frontal de 1,26 megapixels e traseira de 5 megapixels;
  • Rede sem fio 802.11 a/b/g/n com Bluetooth 2.1;
  • Micro USB, micro SD e micro HDMI.

3G e NFC são opcionais a esta configuração. O tablet é robustecido e suporta quedas de até 70 centímetros. Tem também proteção no padrão IP 52, que dá resistência a poeira e a água.

Entre os acessórios está uma lente de aumento que, em conjunto com um software, permite aumento de até 30 vezes. Uma caneta para operar a tela do tablet e um interessante sensor de temperatura que vai conectado na porta de som. Imagine uma criança experimentando medir a temperatura de uma reação química ou vendo detalhes de algum inseto. O ganho em experiência é sem dúvidas desejável, notavelmente porque é difícil prender a atenção dos jovens dado a quantidade de informação que temos disponível hoje.

O tablet vem recheado com aplicativos da suíte Intel education software, que incluem desde aplicativos para ensinar matemática até ferramentas de desenho e anotações. Por enquanto não há preço sugerido e nem informações se ele será comercializado por aqui.

Por Luiz Cruz | Publicado originalmente e clipado à partir de InfoExame | quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Ministério da Educação prefere eBooks em PDF


Nas redes sociais, a escolha do formato PDF para livros dos alunos foi considerado um retrocesso

Em Brasília, ontem foi dia de discussões sobre o livro didático para o ensino fundamental/anos iniciais. Em audiência pública realizada pelo FNDE, foram estabelecidos os critérios e as inovações para o processo de inscrição e avaliação de obras dentro do Programa Nacional do Livro Didático – PNLD 2016 nas áreas de Língua Portuguesa, Matemática, História, Geografia, Ciências e Arte. A escolha do formato PDF para os livros dos alunos causou certa celeuma na turma dos livros digitais. No grupo Amigos dos editores digitais no Facebook, por exemplo, houve uma ampla discussão sobre o tema. Muitos consideraram um retrocesso. No entanto, para a colunista do PublishNews, Gabriela Dias, a audiência pública pode ser considerada um avanço e que a universalidade do PDF faz algum sentido dentro do PNLD. “Eu entendo que as pessoas ficaram assustadas, mas há de se relativizar. O fato de o governo ter estipulado uma configuração mínima já pode ser considerado um avanço e o PDF, apesar de não ser o formato mais avançado, é o mais universal e portátil”, pondera.

O livro digital em formato mais flexível ficou somente para o manual dos professores. “Isso também faz sentido já que estamos falando de alunos da faixa etária de 6 a 10 anos e há dúvidas pedagógicas se é positivo ou não entregar um tablet nas mãos de crianças dessa idade”, comenta Gabriela. A especialista observa ainda que há outro avanço no PNLD 2016. Antes, era exigida a paridade entre livro digital e o impresso, ou seja, nos dois formatos, os títulos deveriam ter o mesmo conteúdo, formato e até paginação e isso foi abolido. O resumo da audiência pública pode ser baixado clicando no link Sumário Executivo.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 22/01/2014

Apple evita temporariamente monitoramento de eBooks


Tribunal livrou temporariamente a companhia de ser submetida a um monitoramento externo para assegurar o cumprimento das leis de defesa da concorrência

Aplicativo iBooks em um iPad da Apple: empresa foi considerada culpada no ano passado de conspirar com cinco editoras para fixar os preços dos livros eletrônicos

Aplicativo iBooks em um iPad da Apple: empresa foi considerada culpada no ano passado de conspirar com cinco editoras para fixar os preços dos livros eletrônicos

Nova York – Um tribunal federal de apelações livrou temporariamente a Apple nesta terça-feira de ser submetida a um monitoramento externo para assegurar o cumprimento das leis de defesa da concorrência, depois de a empresa ter sido considerada culpada no ano passado de conspirar com cinco editoras para fixar os preços dos livros eletrônicos.

O Segundo Circuito do Tribunal de Apelações de Nova York concedeu à Apple uma “suspensão administrativa” da ordem judicial nomeando o monitor Michael Bromwich, enquanto a empresa busca permissão para uma suspensão mais longa em sua apelação.

A Apple alegou que Bromwich tem sido muito intrusivo, pedindo reuniões com executivos de alto escalão e membros do Conselho da empresa, e tem cobrado 1,1 mil dólares por hora de serviço. Alegou ainda que as atividades do monitor poderiam interferir na capacidade da empresa de desenvolver novos produtos.

REUTERS | EUA | 21/01/2014 17:08

Terra passa a abrigar Nuvem de Livros


O portal Terra, em mais uma investida para ampliar seu portfólio de produtos e serviços, anunciou uma parceria com a página Nuvem de Livros que, a partir de agora, passa a ficar hospedada em seu canal.

O portal reúne mais de 11 diferentes tipos de leitura, entre clássicos da literatura brasileira e estrangeira, obras infantis e infanto-juvenis, biografias, atlas, livros educacionais e tele-aulas da Fundação Roberto Marinho. A Nuvem de Livros oferece aos leitores a possibilidade de ler o conteúdo das obras sem precisar baixar o arquivo.

O canal funciona por meio de uma assinatura mensal [R$ 14,90 para os assinantes Terra e R$ 19,90 para outros usuários] e permite a leitura ilimitada das obras do acervo. O portal pode ser acessado por PC e também em tablets e smartphones.

Meio & Mensagem | 21/01/14

Escolas públicas terão livros didáticos digitais a partir de 2017


BRASÍLIA – Todos os livros das escolas públicas terão versão digital a partir de 2017. Essa é a estimativa do diretor de Ações Educacionais do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação [FNDE], Rafael Torino. Com o livro digital, os estudantes e professores poderão acessar conteúdos interativos, fotos, jogos, assistir a vídeos e selecionar palavras. Tudo pelo computador ou tablet, o que vai facilitar as atualizações.

A tecnologia deve entrar de forma gradual e complementar ao papel, que ainda é a mídia universal”, disse Torino. Mas em um universo de mais de 40 milhões de estudantes de escolas públicas de todas as regiões brasileiras, fatores como o acesso à internet, à tecnologia e mesmo à eletricidade devem ser levados em consideração.

As experiências com a digitalização começaram a ser feitas no ano passado, no ensino médio, com a distribuição de tablets aos professores da rede pública. O FNDE comprou a versão em PDF de 230 títulos do Programa Nacional do Livro Didático [PNLD], por R$ 20 milhões.

Para 2014, a digitalização já foi pensada no edital. Os livros que serão distribuídos este ano pelo programa trazem os chamados objetos educacionais digitais. São vídeos e jogos educativos em DVDs, que podem ser livremente copiados pelos estudantes. O material será oferecido também on-line. O custo para o FNDE foi R$ 68 milhoes, enquanto que o total gasto com os livros chegou a R$ 570 milhões.

A oferta de conteúdos digitais era optativa no edital, cerca de 45% dos livros têm materiais digitais. Esses livros serão entregues aos estudantes do 6º ao 9º ano. Para 2015, quando o foco será o ensino médio, o edital pede, também opcionalmente, o livro digital. Segundo Torino, 85% das propostas recebidas têm o livro digital.

A digitalização também trará outro benefício: a atualização. O edital do livro didático é lançado com dois anos de antecedência. Depois, são três anos até que os livros sejam trocados. “Até lá, Plutão, por exemplo, pode deixar de existir”, afirmou o diretor. No papel, a substituição demora e significa mais gastos. Na versão digital, as editoras podem fazer alterações instantâneas pela internet.

Publicado originalmente no Valor Econômico | 19 de janeiro de 2014

Americanos preferem livros impressos apesar do sucesso dos tablets


Os leitores americanos continuam preferindo o livro de papel e tinta, apesar do crescente sucesso dos tablets e dos livros digitais, segundo estudo do instituto Pew Research Center.

Embora o número de pessoas que leram e-books tenha crescido em 2013, a maioria dos adultos nos Estados Unidos optou por edições impressas, revelou o centro Pew.

A fatia de americanos que leem e-books está crescendo, mas poucos substituíram totalmente os livros impressos por suas versões eletrônicas“, afirmam os cientistas. Só 4% dos leitores disseram ter aderido completamente aos e-books.

O [livro] impresso continua sendo a base dos hábitos de leitura dos americanos“, acrescentaram.

O percentual de americanos adultos que leram um e-book durante o ano passado aumentou de 23% para 28%. Enquanto isso, sete em cada dez americanos disseram ter lido livros impressos, o que representou um aumento de 4% com relação a 2012.

Em conjunto, 76% dos adultos americanos leram um livro durante os doze meses anteriores à pesquisa, realizada neste janeiro.

A consulta também mostrou que aqueles que leem em dispositivos eletrônicos, inclusive tablets, ganharam terreno: 42% dos adultos americanos têm um tablet, contra 34% registrados em setembro do ano passado. A metade dos americanos tem ou um tablet ou um leitor de livros digitais contra 43% em setembro.

A Amazon.com não revelou os volumes de venda do Kindle, mas a agência Compass Intelligence estima que a gigante de vendas online tenha vendido 18,2 milhões de unidades do tablet multimídia Kindle Fire no ano passado e 5 milhões do restante de seus leitores digitais, o Kindle.

A consulta foi feita entre 2 e 5 de janeiro, por telefone, com 1.005 americanos maiores de idade.

Estado de Minas | 16/01/14

Revista literária ‘Cesárea’ vai publicar eBooks


Cesárea, revista literária para iPad criada por Schneider Carpeggiani e por Jaine Cintra no final de novembro e cujo primeiro volume teve cerca de 700 downloads, vai virar editora de livros digitais em março. Estão previstos, por ora, três títulos. Logo depois do carnaval, sairá Polaroides, uma série de fragmentos poéticos publicados pela jornalista e fotógrafa Adelaide Ivánova em seu blog vodcabarata.blogspot.com e selecionados por Carpeggiani. Depois, em abril, será lançado Os Sete Pilares da Apostasia, de Fernando Monteiro, escritor pernambucano que trocou a prosa pela poesia como forma de resistência literária. Para maio está previsto um volume reunindo as principais poesias traduzidas por Ricardo Domeneck (foto), um dos responsáveis pela revista eletrônica e coletivo Modos de Usar. Mas antes disso tudo, em 17/2, sai o 2.º número da Cesárea, com textos de Paulo Bruscky, Elizabeth Bishop, José Luiz Passos, entre outros.

Coluna Babel | Estadao.com.br | 17/01/2014, às 22:00

Como aproveitar melhor o Kindle


Como aproveitar melhor o Kindle

O KINDLE PAPERWHITE [ FOTO: FLICKR/ CREATIVE COMMONS ]

O KINDLE PAPERWHITE [ FOTO: FLICKR/ CREATIVE COMMONS ]

Reviews comparando a experiência de um Kindle com um livro impresso você já viu aos montes. E artigos falando sobre as novas funcionalidades do Kindle Paperwhite também. Já contei, em uma coluna, que essa discussão impresso x e-book já venceu e não faz lá muito sentido para meus hábitos de leitora. Então, em vez de preparar um simples review, resolvi compartilhar os macetes que aprendi nos últimos dias que permitem aproveitar ao máximo a experiência no reader e com a sua conta da Amazon.

Depois dessas dicas, vai ser difícil desgrudar do aparelho:

Envie arquivos por e-mail

Esqueça a ideia de transferir arquivos por USB – há um jeito muito mais prático de enviar arquivos para o Kindle. Quando você cadastrou a sua conta na Amazon, automaticamente foi gerado um email com final @kindle.com com suas credenciais. Normalmente, o início do email é o mesmo do email que você usou no cadastro [confirme no painel ‘Sua Conta’, após fazer login na Amazon].

Depois de confirmar o seu email @kindle, aproveite para verificar se você está autorizado a enviar mensagens e arquivos para o endereço – ele só recebe conteúdo de contas previamente selecionadas. Por default, o email que você usou para criar a conta já é autorizado. Mas, caso você use bastante outro endereço, como um email do trabalho, ou se quer autorizar outra pessoa a enviar documentos para seu gadget, autorize-os aqui.

Agora basta entrar no seu serviço de email normal e enviar um email para a conta @kindle com o conteúdo desejado anexado. Você não precisa nem ativar um comando no Kindle – basta o aparelho estar conectado à internet que o download será automático. O que quer dizer que, mesmo que seu reader esteja longe, você pode enviar documentos para ler depois através dele – se você estiver no escritório e o Kindle estiver em casa, por exemplo,

Para enviar PDFs, crie um email, anexe arquivo PDF e coloque, como assunto, ‘convert’. O comando irá fazer com que o seu gadget, assim que for conectado à internet, receba automaticamente o PDF que você enviou e o converta para leitura no reader. Sim,automaticamente.

Mas que tipos de arquivos podem ser abertos no Kindle?

Além dos PDFs em caráter experimental, podem ser convertidos  DOC, HTML, JPEG, TXT , GIF, PNG e  BMP. Seu arquivo não é de nenhum desses tipos? Use os programas online Cloud Convert e o Online Convert ou o software Calibre.

Leia artigos da web em seu Kindle

HTML pode ser convertido? Então significa que você pode ler uma página da web, digamos um artigo longo que encontrou online, no Kindle? Salve uma página da web como HTML em seu computador e então a envie para seu email @kindle. Ela continuará formatada como no browser.

A Amazon oferece também o prático app Send to Kindle. Instale o programa em seu navegador e, quando encontrar um artigo interessante, aperte o botão do aplicativo. Pronto! Ele estará te esperando no leitor. Mas, antes de começar a usá-lo, você vai precisar autorizar o email do app na sua conta da Amazon [como expliquei lá no começo].

Crie coleções

Se você, como essa que vos escreve, tem ~probleminhas~ e é viciado em livros, a melhor maneira de não se perder em sua biblioteca digital é criar coleções. Por enquanto, como não tenho tantos arquivos assim, separei meus livros em ‘lidos’, ‘lendo’, ‘não lidos’ e ‘trabalho’ [as provas que ganho para analisar aqui na GALILEU – aliás, você já leu a seção de livros da revista? ela é feita com o coração].

As amostras são suas melhores amigas

A não ser que você esteja absolutamente certo que comprar um determinado livro, recomendo de coração que você baixe a amostra dele antes de fazer a transação final. Essa funcionalidade já me salvou do frenesi polissilábico que faria com que eu comprasse livros que ficariam encostados pra sempre na minha estante digital [ou me julgando, através da coleção de ‘não lidos’].

Leia notícias em seu Kindle

Kindle 4rss cria um feed com links selecionados por você em seu Kindle. A versão gratuita suporta até 12 sites que mostram até 25 artigos por edição. Acha pouco? Por uma assinatura de US$ 1,99 você tem direito de cadastrar 300 sites e ter uma edição com número ilimitado de artigos.

POR LUCIANA GALASTRI | 17/01/2014, às 16H01

Primeira biblioteca pública de eBooks começa a funcionar em San Antonio, no Texas


Sinal dos tempos: já existe uma biblioteca pública sem livros físicos. A primeira biblioteca de e-books do mundo está localizada na cidade de San Antonio, estado do Texas, nos Estados Unidos. Em funcionamento há alguns meses, a novidade foi muito bem recebida pelo público – e, por dentro, lembra mais uma Apple Store do que uma biblioteca convencional. A descrição vem da Associated Press: “O Texas viu o futuro das bibliotecas públicas, e elas se parecem muito com uma Apple Store: fileiras de iMacs brilhantes acenam, iPads montados em uma mesa cor de tangerina convidam os leitores. E centenas de outros tablets estão prontos para ser levados por qualquer pessoa com cadastro na biblioteca. Mesmo os bibliotecários imitam o código de vestimenta da Apple, com camisas combinando e um capuz.

bibliotech

bibliotech

Os visitantes da BiblioTech – como foi batizada a biblioteca – podem levar para casa um e-reader para ler os livros. Ou, se preferirem, nem precisam se locomover até o ambiente físico da biblioteca: é possível checar o conteúdo pela internet mesmo, já que os livros estão todos armazenados na nuvem. Mas os seus idealizadores acreditam que a biblioteca física ainda é importante para a experiência completa; como explicou Laura Cole, coordenadora de projetos especiais da BiblioTech, à CNN Money em outubro passado: “Somos uma biblioteca tradicional, na qual o edifício em si é um importante espaço comunitário.

O prédio onde fica a BiblioTech conta com 45 iPads, 40 laptops e 48 desktops para ser consultados por seus visitantes, que podem navegar por um catálogo de 10 mil e-books. Caso a pessoa não tenha um tablet ou e-reader para ler a versão digital do livro em casa, ela pode pegar um dos aparelhos para aluguel: são 600 e-readers tradicionais e 200 outros voltados para crianças.

E você? É adepto dos e-books, ou prefere o formato tradicional?

Mundo Itapema FM | 17 de janeiro de 2014

Novos dicionários da língua portuguesa no Kindle


Porto Editora lança simultaneamente dois dicionários adaptados para o Brasil

A Porto Editora, que recentemente elegeu a palavra “bombeiro” como o verbete do ano da língua portuguesa, acaba de lançar na Amazon brasileira dois novos dicionários desenvolvidos para o Kindle: o Grande dicionário da língua portuguesa da Porto Editora [R$ 49,99] e o Dicionário Porto Editora da Língua Portuguesa [R$ 19,90]. Os dicionários seguem o padrão do Kindle, que permite que se consultem palavras em português sem interromper a leitura. O Grande dicionário tem mais de 300 mil definições, reconhecimento de 1,65 milhões de formas flexionadas de verbos, substantivos e adjetivos, além de mais de 100 mil registros de etimologia e notas explicativas sobre grafias preferenciais do Brasil e de Portugal. Já a versão compacta do dicionário tem mais de 140 mil definições e 70 mil entradas que incluem sinônimos, antônimos, locuções e expressões idiomáticas.

A Porto Editora publica dicionários desde 1952 e o seu trabalho na área da lexicografia é reconhecido internacionalmente. A adaptação dos dicionários para as novas plataformas tecnológicas é uma estratégia que começou ainda na longínqua década de 1990. No caso das versões para Kindle específicas para o mercado brasileiro, o trabalho começou em 2013, com o lançamento dos dicionários Porto Editora de Português-Espanhol e Porto Editora de Espanhol-Português.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 17/01/2014

Escolas particulares adotam tablets em substituição ao livro impresso


O uso de tablets em sala de aula em substituição aos livros impressos tem se tornado uma realidade para muitos alunos de escolas particulares. No caso do uso do equipamento, os estudantes acessam livros digitais. A estimativa da presidenta da Federação Nacional das Escolas Particulares [Fenep], Amábile Pacios, é que 30% das escolas privadas de todo o país adotam de alguma forma o tablet em sala de aula.

Está ocorrendo uma interface entre o uso concomitante do livro eletrônico e o de papel. É uma tendência abandonar o livro didático, já que o livro eletrônico tem vantagens sobre o impresso. Um tablet carrega todos os livros e cadernos e permite interatividade, atualização, o que não ocorre com a versão impressa”, diz.

O Colégio Sigma, de Brasília, começou adotar os tablets em 2012, no primeiro ano do ensino médio. Este ano, o colégio irá formar a primeira turma que terá usado o equipamento durante todo o ensino médio. Professor do Sigma e integrante do núcleo editorial da Editora Geração Digital, Eli Carlos Guimarães diz que o grande diferencial do uso do tablet é a possibilidade de apresentar a matéria de forma mais rica com interatividade e uso da internet, o que facilita a aprendizagem.

Inclusive os alunos resolvem mais as tarefas de casa, a prática de resolução de exercício é maior do que entre os que não usam tablet, talvez até pela curiosidade”, acrescenta. Ele cita ainda como vantagem a portabilidade que permite ao estudante se deslocar com todo o conteúdo de estudo.

Há quem tenha restrições a esse modelo. O presidente da Associação de Pais e Alunos de Instituições de Ensino do Distrito Federal, Luis Cláudio Megiorin, diz que existem pais que têm demonstrado apreensão com a possibilidade de substituição total dos livros impressos e consideram que pode ficar mais difícil controlar quando o filho está realmente estudando no tablet e quando está usando para diversão.

As escolas deveriam investir mais em laboratório. Não e só colocar o mundo digital dentro da sala de aula que vai resolver o problema de atrair mais a atenção dos estudantes. É preciso associar mais a teoria à prática”, avalia Luis Cláudio. Ele argumenta que há colégios que estão elaborando apostilas digitais e ainda não há como medir o impacto desse material na aprovação dos estudantes no vestibular.

Quando o assunto é o valor que os pais têm que desembolsar para comprar os tablets, tanto a presidenta da Fenep, Amábile Pacios, quanto o professor do Sigma Eli Guimarães dizem que o investimento é compensado pela economia com a aquisição dos livros impressos. Os pais, no entanto, precisam pagar pela aquisição do conteúdo digital.

Um tablet de 1,2 mil a 1,3 mil comporta o material necessário. Quando se analisa o preço do equipamento e o conteúdo que ele compra ao longo de três anos, fica mais barato [que comprar os livros impressos ao longo dos três anos]. Além disso, temos que considerar que o tablet pode ser usado para mais coisas”, diz Guimarães.

Luis Cláudio Megiorin discorda. “Não fica mais barato. O mesmo que se gasta no ensino médio em livro de papel, se gasta com o digital, não reduz. A diferença está indo para o lucro”, diz.

Agência Brasil | 17/01/14

eBook do começo ao fim


Em março, Espaço Revista Cult promoverá curso sobre o tema

Em março, nos dias 28 e 29, o Espaço Revista Cult promoverá o curso E-book do começo ao fim. A atividade abordará de forma teórica todos os aspectos relacionados ao e-book. As aulas temáticas seguem o fluxo de produção de um livro digital do começo ao fim: da escolha do título até a comercialização; passando pela produção, pelos direitos autorais e pelo marketing. As aulas serão ministradas por profissionais reconhecidos pelo mercado brasileiro, como os colunistas do Publishnews, Greg Bateman, expert em tecnologia e empreendedor no negócio de e-books e Camila Cabete, Brazil Senior Publisher Relations Manager da Kobo Inc. As vagas são limitadas. O investimento é de R$ 550.

PublishNews | 16/01/2014

Intrínseca publicará trilogia multimedia de James Frey no Brasil


O lançamento mundial do primeiro livro da série está previsto para 7/10

Negociados pela HarperCollins, os direitos da revolucionária série interativa Endgame, de James Frey beiraram os US$ 2 milhões. O acordo inclui três livros e nove novelas em e-books e prevê o lançamento mundial em 30 línguas. No Brasil, a série sai pela Intrínseca. O primeiro título, Endgame: the calling [ainda sem título em português] já tem lançamento mundial marcado para 7 de outubro.

A inovadora série, completamente interativa, foi criada em parceria com o Google Niantic Labs e vai convidar os leitores a participarem de uma competição em nível mundial. O vencedor levará um prêmio em ouro! Cada livro da trilogia trará um intrincado quebra-cabeças interativo composto de pistas e enigmas ao longo do texto. Com o auxílio dos mecanismos de busca do Google, os leitores vão seguir pistas espalhadas nos livros e em outras plataformas e o primeiro a encontrar a chave final que desvenda todos os mistérios da série leva o prêmio nada virtual.

A história se passa em um planeta bem parecido com a Terra onde jovens de 13 a 17 anos participam de competições para se tornarem guerreiros. Quando chegam aos 18 anos, são substituídos. Embora isso ocorra há séculos, ninguém lembra o motivo pelo qual eles são preparados para a guerra. Até que um dia esses combatentes são chamados para lutar, sob a ameaça de verem suas respectivas tribos serem exterminadas até que reste apenas uma. Os direitos para cinema foram vendidos para a Twentieth Century Fox.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 16/01/2014

Site colaborativo reúne livros que causam empatia


A Empathy Library permite que os usuários escrevam sobre obras que os fizeram se identificar com outras pessoas

 

CENA DE “SEGREDOS E MENTIRAS”, FILME QUE GERA MAIS EMPATIA, SEGUNDO O SITE [FOTO: REPRODUÇÃO]

CENA DE “SEGREDOS E MENTIRAS”, FILME QUE GERA MAIS EMPATIA, SEGUNDO O SITE [FOTO: REPRODUÇÃO]

Comédia, aventura, ação, terror e romance. Categorizar filmes não é nenhuma novidade. No entanto, o que o pensador e escritor Roman Krznaric criou vai muito além disso: ele fugiu das divisões tradicionais e decidiu reunir obras que tenham em comum o sentimento de empatia.

O site Empathy Library, elaborado por Krznaric, serve como um banco de dados colaborativo sobre livros e conteúdo audiovisual que fazem com que os leitores ou espectadores se identifiquem com a realidade dos personagens. Os usuários que se cadastram na página podem avaliar as obras com uma nota e escreverem sobre elas.

A biblioteca é baseada na ideia de que a empatia pode transformar vidas e sociedades. Ela oferece sugestões de grupos de leitura, cinema e projetos de empatia em escolas, comunidades e locais de trabalho.

A página ainda conta com um ranking com as dez obras que mais geram empatia, segundo a opinião dos usuários. Segredos e Mentiras, filme britânico de 1996, dirigido por Mike Leigh, aparece no topo da lista de longas. Já Wonder, de R.J. Palacio, é o primeiro lugar no ranking de livros. A obra gira em torno de um garoto na quinta série que sofre da rara síndrome de Treacher Collins.

POR EDSON CALDAS | Publicado originalmente e clipado à partir de GALILEU | 15/01/2014, às 15H0101

A nova indústria dos eBooks


ebook

A história do mercado editorial está prestes a ganhar um novo capítulo. Inspiradas em serviços como Netflix e Spotify, startups de tecnologia estão desenvolvendo plataformas que permitem aos leitores acessar uma infinidade de ebooks – quando e onde quiserem – em troca de uma assinatura mensal.

Mais que criar um novo padrão de consumo de conteúdo, essas empresas estão abrindo uma promissora fronteira de negócios para a indústria de livros. Elas pretendem vender informações sobre nossos hábitos de leitura para autores e editoras produzirem best-sellers.

Com base na análise de grandes volumes de dados, será possível responder a perguntas como: Quanto tempo as pessoas levam para ler um clássico de Machado de Assis? Pulamos capítulos para conhecer logo o assassino numa história de Agatha Christie? Qual passagem provoca o abandono de um título de Paulo Coelho? Retardamos a leitura do último volume de Harry Potter porque sabemos que não haverá sequência?

A nova indústria dos ebooks já conta com duas empresas – a  Scribd, baseada em São Francisco, e a Oyster, de Nova Iorque. Por uma mensalidade de cerca de 10 dólares, o assinante pode navegar numa biblioteca digital com mais de 100 mil obras e ler quantos ebooks desejar em diferentes dispositivos. Os serviços repassam parte desse valor para os publishers de acordo com a porcentagem de leitura de cada livro. No caso da Oyster, se mais de 10% da publicação for lida, a editora é remunerada.

Segundo uma reportagem do The New York Times, o estudo do comportamento dos leitores por essas startups ainda está em fase inicial. Mas alguns insights obtidos, e revelados por elas ao jornal, dão uma amostra do potencial da iniciativa. Num futuro próximo, será possível escrever um livro totalmente adaptado aos gostos do público.

Eis as principais descobertas das empresas: quanto mais longo for um livro de mistério, maiores serão as chances de ocorrer um salto para os capítulos finais. As pessoas leem até a última página mais biografias do que publicações sobre negócios. Os leitores são 25% mais propensos a terminar ebooks divididos em partes menores. A velocidade de leitura de livros eróticos é maior do que a de romances e títulos religiosos.

Embora seja uma mina de ouro, há várias dúvidas sobre os rumos que esse tipo de atividade deve tomar nos próximos anos. Uma delas passa pelo direito à privacidade. Apesar de prometer o anonimato, as políticas de uso desses serviços preveem a coleta, transferência, manipulação, armazenamento e divulgação de informações com o consentimento dos leitores. Estamos dispostos a nos expor sem ganhar nada em troca?

Existe também um forte questionamento sobre a perda do processo criativo dos autores. O alinhamento cego aos desejos do público poderia nos privar do surgimento de obras-primas da literatura. Abriremos mão da escrita intuitiva e emocional em nome de uma produção técnica, baseada em algoritmos?

Por fim, a subordinação dos publishers a essas plataformas é motivo de preocupação. Detentoras dos dados, elas ganhariam força para determinar quais livros seriam produzidos e o valor da comissão das editoras. O mundo literário quer se render a esse modelo disruptivo?

Até agora, as editoras estão divididas. HarperCollins e Smashwords já fecharam com Oyster e Scribd, mas Penguin Random House e Simon & Schuster estão longe de um acordo, diz o The New York Times.

Nesse cenário, Amazon e Barnes & Noble correm por fora. Hoje, as duas empresas coletam várias informações dos usuários de seus e-readers e mantêm a propriedade sobre elas, diferentemente do que as startups pretendem fazer.

Isso pode mudar em breve: a Amazon estaria planejando o lançamento de um serviço semelhante ao das concorrentes. Por um valor mensal, teríamos acesso a um gigantesco catálogo de livros – e as editoras receberiam relatórios sobre nossos hábitos de consumo.

A nova indústria dos ebooks mostra que ferramentas nos moldes da Netflix estarão em alta em 2014. Depois do cinema, da música e da literatura, o jornalismo deve surfar nessa onda. A assinatura pela consulta ilimitada a acervos de conteúdo e a venda de dados dos usuários serão fontes de receita alternativas para organizações de mídia na Internet.

Esse quadro representará uma enorme quebra de paradigma para empresas acostumadas a comercializar produtos individualmente. Poderemos assinar um pacote de revistas sobre esporte, economia, moda e política, por exemplo, pelo mesmo valor cobrado por apenas uma delas hoje. Um novo tipo de experiência, totalmente virtual, pautará as redações e a publicidade que veremos.

As oportunidades são animadoras para indústrias em luta pela sobrevivência no meio digital. Só ficará para trás quem não quiser enxergá-las.

PUBLICADO ORIGINALMENTE EM EXAME.com | 13/01/2014 | Imagem adaptada de melenita2012 [Flickr/Creative Commons]

O DNA dos livros


Baseado nas previsões de cientistas na área de computação, até os livros, no futuro, seriam, ao mesmo tempo, átomos e bits.

Por Ednei Procópio

POR EDNEI PROCÓPIO

Não tem jeito, antes mesmo que o mercado editorial tente compreender até as atuais mudanças, as inovações tecnológicas da Era Digital acabam por interferir desproporcionalmente na sobrevivência de uma indústria que gira ao redor do artefato livro.

Forçando uma tese, três poderiam ser os fatores básicos que ajudariam o mercado editorial a compreender o futuro de um universo para os livros. Citamos, a seguir, os três fatores básicos mais como exercício de entendimento do que a tentativa de se criar uma nova teoria:

• A tecnologia utilizada na criação, armazenamento e acesso aos livros
• O cenário de acesso, consumo e leitura dos livros
• O modelo de exploração comercial no consumo dos livros

Um modelo de exploração comercial, adequado ou não, está fora de qualquer tese que pudéssemos alcançar, pois dependeria da dinâmica dos dois primeiros itens para fazer sentido e poder funcionar. No mesmo sentido, um cenário de acesso, consumo e leitura dependeria também de inúmeros fatores dos quais não temos ainda parâmetros mais precisos do ponto de vista em que agora nos encontramos. Sendo assim, só nos resta especular, num bom sentido, a tecnologia utilizada futuramente no armazenamento e acesso aos livros.

Estamos em um estágio interessante em relação aos suportes pela quais podemos acessar livros. E dados criados por autores, estimulados pela democratização das ferramentas de compartilhamento, geram tráfego na rede para usuários interessados em uma infinidade de informações e conteúdo, e onde parte delas é acessada através dos eBooks.

Os escritores são os responsáveis por uma quantidade exorbitante de dados computacionais criados diariamente em redes sociais, sites, blogs, livrarias online, bibliotecas digitais, etc., cada das já com pelo menos uma empresa ou marca testando cada uma seu próprio modelo de exploração comercial. Mas, no futuro, há indícios de que a criação, o armazenamento, o acesso e a leitura dos livros possam estar atrelados a um cenário talvez bastante diferente deste que hoje o mercado literário está inserido.

Onde nada se cria, e tudo se compartilha

O armazenamento e o posterior acesso aos livros torna-se parte de uma problemática computacional, na medida em que os usuários, tanto autores quanto leitores, registram e acessam informação e conhecimento em forma de conteúdo em uma velocidade equivalente as suas necessidades diárias.

Parte do arsenal tecnológico existente atualmente, porém, por mais que tentem igualar a velocidade das necessidades humanas de acesso ao conhecimento, encontram barreiras que vão desde o próprio hardware – cujo item menos inovador é a bateria que mantém as máquinas de leitura acesas – até o item ‘acesso’ que, por sua vez, sempre acaba esbarrando nos limites de carregamento das bandas de transmissão.

Mesmo com o avanço na velocidade dos processamentos computacionais, no armazenamento e acesso aos bilhões de dados criados pelos escritores, ainda vai levar algum tempo para termos, por exemplo, itens como baterias melhores em nossos equipamentos de leitura.

Mas, para se ter uma ideia da [r]evolução que presenciaremos na área de armazenamento e acesso a informação, cientistas da Universidade de Southampton, na Inglaterra, criaram um HD baseado em um cristal capaz de armazenar 360 terabytes de dados [equivalente a meio milhão de CDs]. A super memória criada utiliza nanotecnologia e, segundo o professor Pete Kazansky, que supervisionou a equipe de desenvolvimento, permite que as informações sejam guardadas por até 500 mil anos.

Só esta tecnologia, se ganhasse uma aplicação no dia-dia do mercado, já seria suficiente para resolver o problema da perda de dados dos livros digitais. “É emocionante pensar que foi criado o primeiro artefato capaz de sobreviver à raça humana”, disse professor Pete ao canal CNET.

Vencido algumas barreias no desempenho das máquinas de memória de cristal, imaginemos um sistema de armazenamento de dados inspirado em nossa própria natureza biológica: o DNA.

Dinâmica No Armazenamento

A estrutura molecular de DNA foi descoberta em 1953 por James Watson e Francis Crick. E é inspirado no funcionamento do DNA que atualmente muitos outros cientistas trabalham em uma variante microcomputacional baseada em biologia molecular, em contrapartida àquela baseada no condutor de silício [usado nas modernas máquinas de leitura].

Desde a década de 1950 até aproximadamente a década de 2020, há uma estimativa de que os chips das máquinas convencionais alcancem dimensões minúsculas. Mas a nanocomputação, porém, irá influenciar definitivamente no tamanho dos componentes eletrônicos que compõem gadgets modernos e os equivalentes a notebooks, tablets, smartphone e e-readers.

Uma máquina microcomputacional molecular pode ser infinitamente mais leve [se este for o desejo em alguma aplicação prática] que qualquer máquina de leitura e processamento de informações já criadas pelo homem. Independente de suas telas, as máquinas de leitura poderão ser finalmente flexíveis e dobráveis tais qual o suporte papel.

As moléculas de DNA, além de minúsculas, são consideradas eficientes na elaboração de uma máquina microcomputacional sem o gasto de energia necessário nas máquinas modernas. Segundo Nick Goldman, do Instituo de Bioinformática, “o DNA é incrivelmente compacto e não precisa de nenhum tipo de energia para ser armazenado. É fácil transportá-lo e guardá-lo.” Ou seja, se uma máquina computacional qualquer fosse desenvolvida utilizando a tecnologia molecular, parte do problema que temos hoje em dia com relação à duração das baterias, por exemplo, seria resolvido sem a necessidade de investir em novas soluções energéticas para tantos gadgets.

Livros invisíveis

Diante de um cenário onde o hardware de leitura se nano-naturaliza, é como se todos os livros, de todas as livrarias e bibliotecas do mundo, coubesse literalmente na palma da mão de um leitor. Se o leitor puder simplesmente, utilizando por exemplo uma tecnologia do tipo holográfica, imprimir a informação em qualquer superfície disponível, neste momento talvez haja finalmente a desmaterialização dos livros.

Os livros seriam acessados diretamente em nível informacional, ao invés de se usar qualquer tipo de suporte para isso. Os suportes, neste estágio, seriam necessários apenas para justificar algum tipo de cultura baseada em produtos físicos, palpáveis, tangíveis, que pudessem ser vendidos. Afinal, o mercado precisa disso.

As máquinas de acesso e leitura modernas, embora nos pareçam rápidas em comparação aos computadores da década de 1980, por exemplo, e embora possam carregar muitos livros, elas só podem processar praticamente uma informação por vez, daí a necessidade de se desenvolver computadores com chips duplos, trabalhando paralelamente. Já a máquina de acesso e leitura do futuro irá praticamente mimetizar o cérebro humano, no sentido que permitirão o acesso direto e simultâneo [ao mesmo tempo] a diversas fontes bibliográficas.

A máquina de acesso e leitura do futuro permitirá o acesso, carregamento e leitura simultâneos a mais de 10 milhões de arquivos de livros por segundo. Imagine uma aplicação desta proporção voltada às bibliotecas do futuro?

A microcomputação em nível molecular possibilita este cenário pois baseia-se na química orgânica usando DNA para processar informação. A própria microcomputação já é uma realidade, pois ocorre em dispositivos físicos, no mercado atual em e-readers. Mas somente o cérebro humano estaria apto a acompanhar tal velocidade no aprimoramento no nível de acesso direto aos livros.

Alguns vão logo achar todo esse cenário como pura ficção científica, mas deveriam considerar antes que uma equipe de cientistas dos Estados Unidos e do Japão estão testando uma máquina computacional com duas moléculas de largura com propriedades condutoras similares às do cérebro humano, sem nenhum tipo de fiação. Não se trata de ficção científica a ideia de usar moléculas como um microprocessador de livros uma vez que as moléculas já permitem o processamento de um tipo de informação que lhe é natural. As informações contidas no próprio DNA já são consideradas binárias e, portanto, podem ser usadas também para as aplicações digitais.

Pesquisadores confirmam que é possível mimetizar a estrutura do DNA, em um similar sintético, artificial, para armazenar textos, sons e imagens. Para estes verdadeiros magos da computação, em breve será possível preservar por centenas de anos, em apenas um grama de DNA sintético, milhares de CD-ROMs. E já provaram suas teses decodificando com exatidão todas as informação que conseguiram armazenar em um protótipo.

Em um cenário de aplicações de nanocomputação, baseadas em tecnologia molecular, a cloud computing fará cada vez mais sentido, uma vez que até as nuvens, as reais, são carregadas por moléculas.

Empacotando livros digitais

Não estamos, como dito, levando em consideração a indústria editorial. Todo o mercado editorial também pode se desmaterializar em um cenário dominado pela indústria científica e tecnológica, que pode ou não, em um dado momento crucial, considerar [des]necessária toda a exploração comercial de inovações e aplicações voltada ao mundo da informação. Os livro são formados por informações e estas podem continuar sendo no futuro o item básico de qualquer aplicação desenvolvida para fins de obtenção do conhecimento. Mas isto não quer dizer que teremos um mercado formado ao redor destas aplicações como temos e entendemos hoje.

Não estamos, tão pouco, com esta nossa viagem ao futuro, mais um vez, como muitas vezes já foi feito, decretando o fim do livro. Não que isto esteja fora de cogitação. O objetivo é fazer autores, editores e outros agentes da cadeia produtiva do livro pensarem fora da caixa [das caixas feitas de brochura, costuradas, e daquelas feitas com o uso do silício]. Poderíamos assim conseguir separar a questão tecnológica que hoje envolve o mundo dos livros, da questão do consumo e da leitura em constantes mudanças.

Pode ser possível, por exemplo, no futuro, simplesmente fazer o download de um pacote de livros diretamente para os nossos cérebros, sem passar por nenhuma máquina com tela de leitura [nem mesmo um óculos, que seja]. Neste sentido, a exploração dos pacotes de informação poderá definir talvez um novo mercado. E, se neste [im]provável futuro, um pacote de informações computacionais feito de letras, parágrafos, capítulos, enfim, for chamado de livro, então seu download pode literalmente estar livre dos hardwares. E mais voltados aos softwares de inteligência artificial.

Mas quais serão as implicações culturais, jurídicas, e porque não dizer comerciais, se um dia a atual tecnologia de armazenamento e acesso aos livros for superada? Afinal, o que são hoje em dia os livros, se não zeros e uns empacotados em um tipo de átomo chamado bit?

Ednei Procópio, 37 anos, é empresário e um dos maiores especialistas em livros digitais no Brasil, atuando na área desde 1998. Em 2005, Procópio publicou “Construindo uma Biblioteca Digital” e em 2010 lançou “O Livro na Era Digital”. Seu último livro “A Revolução dos eBooks”, está sendo publicado pela Editora do Senai no início de 2014.

Ednei Procópio fundou a LIVRUS [www.livrus.com.br], cujo escritório fica sediado na capital São Paulo. A Livrus Negócios Editoriais é uma empresa de comunicação especializada, que tem como objetivo levar os autores e as suas obras para a era digital.

Editora brasileira leva eBook às listas de mais vendidos


Empresa vendeu, desde o começo do ano, um livro a cada 30 minutos em média

Sediada em São Paulo, empresa também publica Machado de Assis, Euclides da Cunha e outros autores em domínio público

A página de venda do ebook 'Mein Kampf' na Amazon Reprodução  Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cultura/editora-brasileira-leva-ebook-mein-kampf-de-hitler-as-listas-de-mais-vendidos-11255628#ixzz2q0mcoIOK  © 1996 - 2014. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

A página de venda do ebook ‘Mein Kampf’ na Amazon

RIO – A edição digital do livro-manifesto de Hitler, “Mein Kampf” [minha luta, em português], no qual ele expressou suas ideias de supremacia racial e lançou os fundamentos ideológicos do nacional-socialismo, teve um aumento súbito de vendas nas principais livrarias digitais do mundo, atingindo destaque nas lojas da Amazon nos Estados Unidos e na Inglaterra. E, no meio desse sucesso, está uma pequena editora brasileira, a Montecristo, sediada em São Paulo, que vendeu 509 livros desde o dia 1º de janeiro, o que dá, em média, um exemplar a cada 30 minutos.

Até o fechamento desta edição, o “Mein kampf” da Montecristo estava em primeiro lugar entre os ebooks mais vendidos da categoria “propaganda e psicologia política” na lista de mais vendidos da Amazon americana. Na lista geral da mesma livraria, com todas as obras, o livro estava em 837º. Já na versão britânica da livraria, o manifesto de Hitler figurava em 14º entre os mais vendidos na categoria “política e ciências sociais”. A obra sai por US$ 0,99, nos EUA, e £ 0,99, no Reino Unido.

O fato foi antecipado, na tarde de ontem, pelo site Vocativ.com, do jornalista americano Chris Faraone. A Montecristo, com capital social no valor de R$ 3 mil, tem como sócios o advogado Alexandre Pires Vieira e sua mulher, Renata Russo Blazek. Procurado pelo GLOBO, o advogado, que criou a editora há dois anos e vende só livros em domínio público, ficou surpreso com a notícia.

— Não estava sabendo dessas vendas. Eu só recebo relatórios da distribuidora digital a cada 60 dias. Criei a Montecristo meio informalmente, há dois anos, com vários livros em domínio público — diz Vieira. — Da primeira vez que tentei vender “Mein Kampf” na loja da Apple, eles se recusaram a vendê-lo. Recebi um email dizendo que contrariava as normas da iBookstore, por se tratar de propaganda nazista.

Alexandre Pires Vieira que escreveu para a empresa contestando a posição de proibir a venda da obra.

— Se você tomar ao pé da letra, até é propaganda nazista. Mas minha ideia é que as pessoas leiam e vejam quão absurdo eram as ideias de Hitler — afirma Vieira, lembrando que nenhuma outra loja digital [ele também a vende na Kobo] se recusou a disponibilizar a obra.

Perguntado sobre o porquê de ter escolhido publicar uma obra tão polêmica, Vieira diz que escolheu o que achava “mais interessante”, mas ressalta que não compactua com as ideias expressas na obra.

O advogado diz ainda que o livro costumava vender no máximo 30 cópias por mês. O mesmo que medalhões da literatura brasileira publicados por ele, como Machado de Assis, Euclides da Cunha, Lima Barreto, entre outros. A Montecristo tem 50 títulos em domínio público disponíveis em ebook.

Por Maurício Meireles | O Globo | 10/01/2014 | Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.