Mercado de direitos


Inicialmente, Rights Data Integration durará 27 meses

A União Europeia lançou o projeto piloto de um “Copyright hub”, um centro online de compra e vendas de direitos de conteúdo. Segundo o próprio site, o Rights Data Integration é  “uma demonstração de como administrar e comercializar direitos de propriedade online de forma eficiente e para todos os tipos de conteúdo, utilização e mídias”. A ideia principal é permitir a comercialização, mas também fornecer informações sobre quem detém os direitos de algum conteúdo – facilitando, e muito, o trabalho do editor, no caso do mercado editorial. Além de livros de texto, o RDI contempla também obras musicais, notícias, fotografias e conteúdo audiovisual. Financiado em parte pela Comissão Europeia e em parte pelos parceiros da indústria, o RDI já possui nomes de peso como Pearson, Reed Elsevier, Getty Image UK, British Library e  a alemã Axel Springer.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 16/12/2013

Novo Kindle Paperwhite promete leitura confortável


Kindle Paperwhite

Kindle Paperwhite

A Amazon lançou no Brasil o seu e-reader mais avançado, o Novo Kindle Paperwhite. O dispositivo, que conta com um acervo de mais de 1 milhão de livros, dos quais mais de 14 mil são em português, custa 480 reais na versão Wi-Fi.

A nova geração do gadget conta com novidades em relação à anterior e promete trazer mais conforto e praticidade para a sua leitura. Isso porque, segundo a Amazon, a tela do e-reader, que tem 6 polegadas, tem contraste maior e sua bateria é capaz de durar até 8 semanas com uma única carga.

Pesando apenas 213 gramas, o gadget também oferece novas funções. Uma delas é a Page Flip, que permite ao usuário navegar pelas páginas do livro sem perder o ponto no qual parou a leitura. Com o Construtor de Vocabulário, é possível ainda armazenar as palavras pesquisadas.

Lançado em setembro nos Estados Unidos, o Novo Kindle Paperwhite foi bem recebido pela crítica. Para o The Verge, por exemplo, “ele não apenas é um ótimo e-reader como é o único que vale a pena levar em conta”. A CNET também elogiou o dispositivo, mas observou, contudo, que a Amazon não trouxe nada de novo em relação às suas dimensões.

Exame | 16/12/13

Uma agenda para o livro em 2014


A palestra Cenário Político e Perspectivas para 2014, promovida pela Abrelivros e CBL, apresentada pelo jornalista Rui Nogueira na última segunda-feira, 9/12, mostrou que 2014 será um ano atípico. Será um ano cujas agendas política, esportiva e cultural brasileiras estarão repletas de eventos. Teremos a Copa do Mundo, Carnaval, Bienal do Livro de São Paulo, as Eleições, só para citar os mais significativos, sem deixar de lado a agenda de manifestações que também podem ocorrer.

2014 será um ano em que certamente teremos dezenas de lançamentos editoriais voltados ao mundo dos esportes, principalmente livros falando da história do futebol, biografias, negócios e marketing esportivo. É um campo promissor. O mercado editorial brasileiro precisa perceber esta agenda nacional, para dela fazer uso, e estrategicamente se beneficiar.

Mesmo com agenda lotada, a Bienal do Livro, que ocorre no segundo semestre, por exemplo, não deve sofrer com a falta de audiência e público, uma vez que já faz parte da agenda oficial da cidade. O ideal, no entanto, é que consiga, com a participação do próprio mercado, superar o glamour daquelas edições com centenas de lançamentos exclusivos e com aqueles descontos irresistíveis para os consumidores e leitores.

Ações para promover a leitura são sempre bem vindas, mas o que falta, no entanto, para o mercado editorial alcançar níveis mais surpreendentes no consumo da leitura, é que o livro, enquanto suporte básico da educação, entre de vez na agenda política brasileira. Com um projeto engajado, a médio e longo prazos, tanto do ponto de vista empresarial, quanto do ponto de vista do serviço público.

O livro está para a educação, como a bola está para o futebol, assim como o voto está para a democracia. O Governo, na verdade o Estado, como bem frisou o jornalista Rui Nogueira, e a sociedade brasileira como um todo, deve colocar o livro no centro de suas atenções se quiser realmente melhorar o nível de acesso à informação, elevar a qualidade de conteúdo na educação, e se pretende reduzir o déficit literário, e cultural, que já se tornou histórico em nosso país.

Ednei Procópio

Ednei Procópio

POR EDNEI PROCÓPIO

Ednei Procópio, 37 anos, é empresário e um dos maiores especialistas em livros digitais no Brasil, atuando na área desde 1998. Seu mais novo trabalho “A Revolução dos eBooks”, será publicado pela Editora do Senai no início de 2014. Procópio fundou a LIVRUS [www.livrus.com.br], uma empresa que tem como objetivo levar os autores e as suas obras para a era digital.

Fã de livro digital admite recaída pelas páginas de papel


Segundo pesquisa, jovens que leem em papel absorvem mais informações | Photo: David Walter Banks/The New York Times

Segundo pesquisa, jovens que leem em papel absorvem mais informações | Photo: David Walter Banks/The New York Times

Eu não queria voltar a ler livros em papel, mas honestamente não tive escolha. Minha cadela Pixel me forçou a isso.

O caso é que Pixel, com seus 16 quilos de energia, tem interesse obsessivo por sombras e reflexos. Na praia ou no parque, ela não persegue pássaros ou bolas de tênis; persegue suas sombras, olhando para o chão. E em casa, quando pego o iPad para ler um livro eletrônico, ela começa a girar freneticamente, e pula sobre mim tentando apanhar o reflexo da tela. Na maior parte das vezes, é uma cena engraçada, mas o hábito pode ser extremamente irritante quando estou em uma boa história.

Por isso, dois meses atrás decidi que tentaria um livro em papel. Pixel, por sorte, não pareceu muito impressionada com as qualidades reflexivas do papel. No entanto, e para minha surpresa, descobri que eu estava impressionado.

No passado, já debati os prós e contras dos livros em papel comparados aos digitais, e em muitos casos optei pela versão digital, dada a capacidade de carregar mil livros em um só aparelho, a presença de um dicionário integrado e a facilidade para compartilhar trechos interessantes via redes sociais.

Mas os livros eletrônicos podem ser realmente irritantes. No meu iPad, se uma mensagem de texto, e-mail ou outro alerta chega, sou rapidamente derrubado da página do livro. E mesmo quando meus aparelhos estão em modo avião, ou quando estou usando um Kindle, preciso lidar com Pixel.

Quando toquei um livro em papel, pela primeira vez depois de muitos anos, foi como aqueles momentos nos quais você ouve uma canção nostálgica no rádio e se perde completamente. A sensação de um livro em papel, com a textura áspera das páginas e a lombada grossa, oferece uma experiência absorvente e prazerosa –às vezes bem superior à de ler em um aparelho eletrônico.

Alguns estudos recentes constataram que a sensação tátil do papel também é capaz de criar uma experiência de aprendizado que propicia muito mais imersão ao leitor. O motivo? Muitos cientistas acreditam que seja neurológico.

Um relatório de pesquisa publicado pelo International Journal of Education Research constatou que alunos de ensino médio que liam textos em papel tinham resultados muito superiores, em termos de compreensão de leitura, do que alunos que liam o mesmo texto em formato digital.

Além disso, de acordo com um relatório publicado em outubro pelo Book Industry Study Group, que acompanha a situação do setor editorial, a venda de livros eletrônicos se desacelerou nos últimos 12 meses, respondendo por 30% do total de livros vendidos.

E não são apenas os velhos ranzinzas ou os proprietários de animais de estimação hiperativos que optam pelos livros em papel. Os adolescentes também o fazem.

Outro estudo, divulgado pela Voxburner, uma companhia britânica de pesquisa que rastreia como os jovens consomem mídia, sugere que a maioria dos adolescentes e jovens adultos do Reino Unido, com idades dos 16 aos 24 anos, prefere livros em papel a livros eletrônicos.

Há dois motivos principais para a preferência, diz a pesquisa. Primeiro, muitos dos entrevistados disseram gostar da sensação de ter um livro nas mãos, se comparada a uma experiência digital na qual a tela pode ser anódina e estéril.

O outro motivo fornecido para não comprar livros digitais é o preço. Muitos dos jovens britânicos entrevistados pareciam genuinamente perplexos pelos altos preços dos livros eletrônicos, que podem variar dos US$ 10 aos US$ 15, em média, ante os livros de bolso, que custam quase exatamente o mesmo ou até menos. “É evidente que eles enfrentam dificuldade para atribuir aos livros eletrônicos o mesmo valor atribuído pelas editoras”, o relatório de pesquisa afirma.

Eu continuo a ler livros no meu iPad, especificamente quando viajo, já que livros eletrônicos pesam quase nada e agora podem ser lidos até durante a decolagem e aterrissagem. Mas em casa, deitado no sofá, certamente vou continuar lendo também livros em papel, mesmo que Pixel não goste deles.

NICK BILTON | DO “NEW YORK TIMES” | Tradução de PAULO MIGLIACCI | Publicado por Folha de S.Paulo | 16/12/2013, às 03h30

Noruega quer disponibilizar todos os seus livros para leitura gratuita on-line


Biblioteca Nacional da NoruegaEm até 23 anos, a Noruega pretende disponibilizar a seus habitantes, pela internet, todos os livros publicados no país, independentemente de estarem protegidos ou não por direitos autorais.

Conforme seus endereços de IP [espécie de identificação de um computador na rede], os noruegueses terão disponíveis obras que vão da Idade Média aos dias de hoje, graças a uma iniciativa da Biblioteca Nacional da Noruega.

Desde 2006, a instituição tem digitalizado a íntegra de seu acervo, tornando todos os textos passíveis de serem lidos on-line e encontrados por ferramentas de busca, como Google, Yahoo! e Bing. Os livros que estiverem em domínio público poderão ainda ser baixados pelos internautas.

Pela legislação, todo conteúdo publicado no país, em qualquer meio, deve ser guardado na Biblioteca Nacional da Noruega. Isso quer dizer que não só livros, mas jornais, fotografias e transmissões radiofônicas e televisivas constituirão o acervo digital.

Outras nações como Reino Unido, Finlândia e Holanda também buscam digitalizar seu acervo físico, mas a Noruega foi uma das primeiras a aderir à ideia de servir como repositório eletrônico do patrimônio cultural da nação.

FOLHA DE S.PAULO | TEC | 16/12/2013, às 03h25