Ascensão dos eBooks força editoras a saírem do mercado na Inglaterra


A ascensão dos e-books e a pressão exercida por importantes varejistas para baixar preços dos livros vêm forçando um grande número de editoras na Inglaterra a deixarem o mercado, conforme sinalizou uma pesquisa realizada pela empresa de contabilidade Wilkins Kennedy.

Por lá, 98 editoras de livros, periódicos e outros materiais semelhantes se afundaram em dívidas e fecharam neste ano –até o final de agosto. Houve um aumento de 42% na comparação anual.

Os números mostram que o ambiente digital vem se tornando tanto um desafio quanto uma oportunidade para os editores de todo o setor, uma vez que, por um lado, é mais fácil chegar ao leitor, mas, por outro, ficou mais difícil ganhar dinheiro com eles em um mercado lotado.

A ascensão da Amazon e outros vendedores com grande poder de compra significa que a pressão sobre as margens dos editores agora é imensa“, disse Anthony Cork, parceiro de Wilkins Kennedy.

Em sua maioria, os editores que fecharam eram pequenos negócios, incluindo a editora Evans Brothers Limited, a primeira a publicar livros para crianças escritos por Enid Blyton – uma das mais importantes escritoras inglesas de livros infantis. A editora fechou em setembro de 2012.

Mas enquanto o poder de compra da Amazon pode forçar editoras a vender a preços mais baixos, também cria uma “rota” para as editoras menores chegarem ao mercado, uma vez que tem dificuldade de colocar seus livros nas grandes redes de varejo, disse Angus Phillips, diretor do Centro Internacional de Oxford para Estudos de Publicação.

DO FINANCIAL TIMES | 04/11/2013, às 19h39

O que está levando as editoras do Reino Unido à falência?


Bleak picture for books business … Closed sign. Photograph: CBsigns / Alamy

Bleak picture for books business … Closed sign. Photograph: CBsigns / Alamy

O jornal The Guardian reportou que 98 editoras do Reino Unido foram à falência no último ano, um aumento de 42% em relação ao ano anterior, um número que reflete a diminuição “contínua das margens de lucro das editoras, por causa dos grandes descontos no varejo e novos modelos de negócios digitais”. Anthony Cork, sócio da Wilkins Kennedy, empresa de auditoria que averiguou as falências, apontou alguns fatores: “Os descontos, crescimento do mercado de e-books, pirataria digital, crescimento do mercado de livros usados e o desuso do Net Book Agreement [acordo de lei do preço fixo, de 1997]”.

Por Dennis Abram | The Guardian | 04/11/2013

Clube do livro e bibliotecas são revisitados no formato digital


O streaming de livros não é a única novidade surgida no mercado editorial digital nos últimos tempos. Em parceria com a Claro e a Oi, a distribuidora de livros digitais Xeriph lançou seu próprio serviço de biblioteca digital, no qual é possível ter acesso simultâneo a três livros por semana, com o pagamento de R$ 3,99. Para ter acesso a um quarto livro, é preciso devolver um volume que já esteja emprestado.

Com essa operação, numa base de 120 milhões de clientes, podemos levar o livro a lugares que não têm uma livraria num raio de 30 quilômetros, como é o caso de algumas cidades no interior do Rio de Janeiro, por exemplo“, explica Duda Ernanny, fundador da empresa. “Queremos crescer ainda mais, com anuência das editoras, que estão sendo corajosas e tentando se reinventar.

Segundo Ernanny, “as editoras ainda são as donas da matéria-prima do nosso serviço, e ouvi-las é muito importante, bem como aos consumidores“. Procuradas pela reportagem, Oi e Claro não revelam os números de usuários nem de livros lidos pelos programas, por considerarem os dados estratégicos.

eReatahOutro modelo recém-chegado ao mercado, mas bastante conhecido dos brasileiros, é o dos clubes dos livros, retomado pelo eReatah. Disponível para iOS e Android, o serviço tem um leitor digital próprio, com formato específico, e deixa os usuários baixarem entre dois e quatro livros por mês em seus planos de assinatura. O acervo do eReatah tem 85 mil títulos, e funciona de modo similar ao do Círculo do Livro, editora brasileira bastante popular nas décadas de 1970 e 1980, que oferecia edições a preços acessíveis, mas obrigava seus afiliados a comprar no mínimo um livro por mês.

Talvez seja cedo para saber como estará o cenário da leitura nos próximos tempos. O mercado local é incipiente. Em 2012, foram vendidos 228 mil livros, gerando receita de R$ 3,6 milhões. Entretanto, os novos modelos de leitura, quando somados às bibliotecas livres de direito autoral e à venda de e-books de maneira tradicional, ajudam a incrementar o potencial dos livros eletrônicos no País.

O Estado de S. Paulo | 04/11/13, às 6h30