Startup apelidada de “YouTube dos livros” lança eBook sobre o futuro do mercado editorial


A rede social literária Widbook acaba de lançar um livro sobre o futuro do mercado editorial no mundo. Batizada como “YouTube dos livros”, a startup brasileira apresentou o material no maior encontro literário do mundo, a Feira do Livro de Frankfurt, na Alemanha, na semana passada.

O livro digital é feito com a colaboração de escritores como Marçal Aquino, Zuenir Ventura e Fernando Palacios, além de empreendedores, cronistas e pesquisadores internacionais.

De acordo com a Widbook, o livro propõe uma reflexão sobre o futuro da indústria editorial no mundo e ainda reforça a missão de quebrar paradigmas do mercado por meio de sua plataforma de escrita e leitura.

Mas o lançamento do ebook em Frankfurt rendeu mais que leitores. No megaencontro, o YouTube dos livros chamou a atenção do cartunista Maurício de Sousa, e uma série especial de entrevistas foi feita para em breve ser postada no blog.widbook.com.

Como funciona

Como em qualquer rede social, o internauta é convidado a participar da Widbook. Depois de criar uma conta, ele já pode socializar. Na plataforma, o usuário também pode seguir seus inspiradores ou autores favoritos, “curtir” obras e convidar membros para escrever em parceria. Qualquer membro pode compartilhar conteúdos, criticar, revisar ou editar – tudo depende da aprovação ou não da intervenção no texto.

R7 | 16/10/13

Proibido pela família, livro sobre o poeta curitibano Paulo Leminskié lançado na internet


Em meio a debate sobre biografias, herdeiras barram novo livro sobre Paulo Leminski e autor põe texto na internet

Leminski em imagem de 1986. Photo: Juvenal Pereira [Estadão]

Leminski em imagem de 1986. Photo: Juvenal Pereira [Estadão]

O escritor paranaense Domingos Pellegrini, vencedor de seis prêmios Jabuti e autor de mais de 30 obras, decidiu lançar um livro em que narra episódios que viveu com Paulo Leminski depois de não ter tido autorização da família do curitibano, morto em 1989, para a publicação da obra. Pellegrini escreveu um e-mail ao Supremo Tribunal Federal informando de sua decisão: “Sou escritor e acabo de colocar na internet, para divulgação e reprodução gratuitas permitidas, o livro inédito em anexo, Passeando por Paulo Leminski, pois a família herdeira não autorizou sua publicação impressa”.

Pellegrini conta que foi convidado para fazer o livro pelo editor Samuel Ramos Lago, da Editora Nossa Cultura, de Curitiba. Desde o início, o acertado era que a família leria tudo antes, e que, depois de publicada a obra, ganharia também uma porcentagem sobre ela. “Decidimos com a editora que, sobre o preço de capa, teríamos 12%: 6% para mim e outros 6% para os herdeiros”, conta o escritor ao Estado. Ele diz ter desistido quando percebeu que os herdeiros não lhe davam retornos dos capítulos que enviava. “Caiu a ficha de que aquilo não seria bom.

O escritor conta que seguiu em sua escrita até o fim, lembrando dos 17 anos de amizade que nutriu com Leminski, de 1972 até sua morte. Ele afirma que o resultado não se trata de uma biografia convencional, mas de memórias das vivências com o amigo. Sem autorização para lançá-la, escreveu um último e-mail para a família com uma espécie de ultimato. “Assim que informei que iria colocar tudo na internet, imediatamente houve resposta. Mas disseram que queriam modificações para liberar a publicação impressa”, conta ele, que afirma ter feito um livro afetuoso, mas que não poderia deixar de falar de episódios importantes como a morte provocada por cirrose. “Resolvi colocar tudo na internet, está lá. Não lutei contra a ditadura para enfrentar censura agora. Leminski é um patrimônio público, não pode ser cerceado nem por sua família.

O Estado enviou perguntas para a viúva do escritor, Alice Ruiz, e para a filha mais velha, Áurea. Alice decidiu responder às questões com o mesmo e-mail que afirma ter enviado a Pellegrini no dia 5 de outubro. Em um trecho, ela escreve: “Pellegrini, sei que você é um dos que se posicionaram a favor dele [Leminski], em artigos, resenhas, matérias, etc. Sei que você é um dos que ele considerava amigo, embora, entre esses, três já mostraram que ele estava enganado. Lendo seu livro, percebo que, nas entrelinhas, você está à beira de unir-se a eles.

E, então, segue deixando claro os assuntos do livro que fariam com que proibisse a publicação: “A ênfase no álcool, sua leitura de uma ‘precariedade’ de bens em nossa casa [você nunca ouviu falar em contracultura?], as observações exageradas sobre ‘falta de banho’, que corresponde a um período de maiores excessos, mas que foi superada, enfim, tudo isso serve para criar uma imagem bem negativa do Paulo em contraponto à sua, que aparece como ‘o’ interlocutor por excelência e cheio das qualidades que supostamente ‘faltavam’ a ele”.

Pellegrini diz que enviou o texto do livro para e-mails de jornalistas e para os amigos, pedindo que divulgassem o máximo que pudessem. A família não respondeu ao Estado sobre sua postura com relação ao fato de o livro estar circulando na web.

Ainda no e-mail, Alice segue: “Claro, isso tudo se explica pela disputa ferrenha de egos que havia entre vocês [eu estava lá, lembra?] e à qual agora ele não tem como responder. Ainda assim, o teu livro tem uma leitura importante do ‘fazer poético’ do Paulo, joga uma luz esclarecedora sobre vários aspectos da obra e é amoroso em vários pontos. Por isso, e só por isso, achamos – nós três [Alice e as filhas Áurea e Estrela] – que, se você estiver disposto a ‘ressuscitar’ o Dinho, aquele cara que era amigo do Paulo, deixando o ego de lado e revendo essas questões, o livro merece ser publicado. Caso contrário, não poderemos autorizar nem a publicação das imagens nem a publicação dos inúmeros textos dele.

A filha mais velha, Áurea, respondeu ao e-mail do Estado escrevendo apenas: “Decidimos todos os assuntos sobre o Paulo Leminski, conjuntamente, entre eu, Alice e Estrela. Por isso, temos que esperar o retorno da Alice que está em Frankfurt. Espero que entenda”.

No início da semana, o jornal Folha de S.Paulo revelou que uma nova edição de outra biografia de Leminski, de Toninho Vaz, também havia sido impedida de ser publicada pela família. Batizada Paulo Leminski – O Bandido que Sabia Latim [Editora Record, 378 págs.] , a obra foi lançada pela primeira vez em 2001, com autorização de Alice, que teve participação nos direitos. Os familiares do curitibano comunicaram à editora que não autorizavam a edição por causa do enfoque “depreciativo à imagem do retratado e seus familiares”.

Por Julio Maria | O Estado de S. Paulo | 16/10/2013