Quatro lições digitais que editoras de obras gerais podem aprender com as de CTP


Editoras CTP têm lidado com distribuição digital há décadas, tendo que servir seu público amante da tecnologia desde os meados dos anos 80 e 90. Por isso, os editores de CTP aprenderam muito sobre a transição digital e fluxos de trabalho. Aqui estão quatro coisas que os editores de obras gerais podem aprender com editores de CTP: 1] Cultura. Uma organização tem de querer mudar antes de poder realmente fazê-lo. 2] Padrões. Editoras CTP geralmente usam as mesmas tecnologias, fluxos de trabalho, linguagens de codificação e formatos de arquivo. Editoras de obras gerais devem adotar formatos e fluxos de trabalho uniformes. 3] Adoção da tecnologia. Os editores devem investir em tecnologia cedo e repetidamente, de acordo com Bill Trippe, diretor de tecnologia da editora MIT Press. 4] Decidir seu próprio futuro. Editoras podem sentir que estão à mercê dos grandes varejistas de e-books, mas nem sempre é verdade.

Por Jeremy Greenfield | Digital Book World | 02/10/2013

Conteúdo digital será abordado em curso


Aulas ocorrerão nos dias 22 e 23 de outubro, em São Paulo

AltTaNos dias 22 e 23 de outubro, terça e quarta-feira, o Imasters [Alameda Santos, 2395, São Paulo] sediará o curso “Conteúdo digital: e agora? – O que e como oferecer para o mercado privado, escolar e governamental”, promovido pelo AltTab. A primeira parte do curso apresenta o ambiente editorial digital, indicando os fatores que o caracterizam e apontando caminhos para navegá-lo. A segunda parte aborda as possibilidades e limitações na adoção de conteúdo digital pelas escolas. Para fechar o curso, serão trabalhadas as informações da esfera governamental. Os ministrantes serão o editor Julio Silveira, o coordenador de tecnologias educacionais do Colégio Santa Cruz, Moisés Zylbersztajn, e a diretora do Instituto Educadigital e uma das fundadoras da Casa de Cultura Digital, Bianca Santana. As aulas ocorrerão, no dia 22/10, das 18h às 22h e dia 23/10, das 10h às 14h e das 15h às 19h. O curso custa R$ 650 à vista ou 2x de R$325. Para ver a programação completa, clique aqui.

PublishNews | 02/10/2013

Não culpem a Amazon, Facebook e Twitter pela mudança de comportamento


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 02/10/2013

Na semana passada, vimos o discurso de Louis C.K. contra smartphones e o ataque intelectual de Jonathan Franzen contra a Amazon. Além disso eu tive uma discussão com um velho amigo que usa e-mail [sua esposa não], mas que não entende SMS ou Facebook. Ou acha que não entende.

Lembro que há quatro anos falei a um parente que havíamos chegado ao ponto de que não ter celular era antissocial. Tenho certeza de que pessoas que não têm celulares ou contas no Facebook perdem formas de comunicação que as beneficiariam.

O futurista David Houle apontou que há oitenta anos, algumas pessoas se recusaram a usar o telefone porque a] as pessoas podiam chamá-las e invadir seu espaço pessoal e b] as pessoas saberiam onde você vivia procurando em uma lista telefônica. Isso era verdade, mas também eram reais os vários outros benefícios. Estava pensando no meu amigo que não usa SMS nem Facebook. Ei, são apenas meios de comunicação! Você quer que eu mande uma carta para descobrir se quer jantar no próximo sábado?

Sim, entramos num mundo onde todos estamos conectados com todo o planeta o tempo todo, exceto nos momentos em que escolhemos especificamente não estar [deixando o celular numa gaveta ou desligando todos os sinais auditivos dele]. Isto é bom dependendo de cada um de nós. Mas também estamos cada vez mais dependentes de que todo o resto esteja conectado desta forma também.

Muitos anunciam os eventos mais importantes de suas vidas [e alguns insignificantes também] no Facebook. Isso mantém nossos amigos e familiares informados de casamentos, doenças, nascimentos e opiniões políticas sem que tenhamos que enviar cartões e sem a preocupação de manter os endereços atualizados. Muitos [eu ainda não estou entre esses…] podem usar o Twitter de forma eficiente para conseguir as informações mais atualizadas sobre as novidades. [Suspeito que nenhum jornalista respeitável poderia viver sem esta capacidade hoje]

Há uns 15 anos, o CEO de uma grande editora me contou que estava questionando se todos em sua empresa deveriam ter e-mail! [Afinal, pessoas com e-mail são tentadas a comunicar coisas que não têm a ver necessariamente com o trabalho. Ele concordava com comunicação eletrônica interna em um sistema fechado.] Parece que toda mudança tecnológica enfrenta o ceticismo porque toda mudança tecnológica traz junto um conjunto de possibilidades para novos comportamentos que precisam ser controlados.

Mas, sendo este um blog sobre mercado editorial, não estou interessado em refutar a sugestão de Franzen de que a Amazon é, de alguma forma, má para a leitura, ou má para a leitura de bons livros. [Concordo com ele que a Amazon dificulta a vida dos editores, mas não é a mesma coisa.]

Primeiro, não devemos culpar a Amazon por duas coisas: ser realmente boa no que faz e o impacto natural de efeitos em rede. O “efeito em rede” é aquele onde quanto mais pessoas estão em rede, mais valiosa é cada pessoa nela. Nas primeiras duas décadas do século XX, as empresas de telefonia só conseguiam chegar a seus próprios assinantes. Uma pessoa que queria falar com seus amigos em uma região deveria ter vários telefones com diferentes empresas. A maioria não tinha, então mesmo com telefone, a comunicação era mínima. Gradualmente, as “estradas foram pavimentadas” e os sistemas de telefonia foram costurados.

Sabe qual foi um dos resultados disso? Políticos que estavam distantes das cidades centrais finalmente conseguiram concorrer com as máquinas urbanas, que tinham a capacidade de se comunicar facilmente sem telefones porque estavam próximos geograficamente do centro da cidade. [Agradeço o conhecimento deste fato a meu finado amigo, Professor Richard C. Wade, que inventou o campo da história urbana.] Também é verdade que com o tempo, muitos jovens perderam incontáveis horas falando com outros no telefone. Eu sei disso porque fui um deles nos anos 50 e 60 durante minha adolescência quando todos meus amigos estavam disponíveis para conversar. Eu estaria ao ar livre respirando ar puro se fosse 40 ou 50 anos antes. Oh, aqueles terríveis telefones!

Amazon, Facebook e Twitter têm mais valor do que seus concorrentes porque têm mais pessoas ativamente participando a cada dia. A B&N não consegue concorrer com a Amazon em termos de leitores porque possui muito menos. A Amazon diz que X entre Y pessoas acharam esta resenha útil. Você precisa de grandes números para fazer isso. Só uma pessoa entre muitas escreve uma resenha. Só uma pessoa entre muitas lê uma resenha postada. E só uma pessoa entre muitas se importa em dizer que achou uma resenha útil. É um em muitos. O denominador é um número enorme. O tráfego de clientes da Amazon é provavelmente dez vezes maior que o da BN.com. Então é possível para a Amazon, e para mais ninguém, dizer que X entre Y acharam esta resenha útil com números significativos. [Mesmo se Jonathan Franzen e outras pessoas não estiverem impressionados com a procedência das resenhas. E até se algumas das resenhas foram feitas deliberadamente.]

Enquanto isso, as resenhas de livros do New York Times estão disponíveis para muito mais pessoas do que antes da chegada da Amazon e através dos mesmos computadores que podem entrar na Amazon. E quando Jonathan Franzen escreveu sua coluna para o The Guardian, muito mais pessoas vão ler porque podem acessar o link. E qualquer um interessado no novo livro que ele está promovendo pode simplesmente clicar em mais um botão, provavelmente para a Amazon, e comprá-lo.

Isso é ruim?

É verdade que a Amazon é a ponta da lança da mudança no mundo da comunicação. Do momento em que criaram um enorme banco de dados disponível online, eles desafiaram a proposta central das livrarias e as maiores com as melhores seleções foram as mais desafiadas. Não é culpa da Amazon que comprar livros online seja tão atrativo para tantas pessoas, é a natureza das bestas: a besta da escolha de livros e a besta do banco de dados na Internet.

Mas a Amazon aproveita essa oportunidade melhor do que qualquer outro. É onde entra sua superioridade na execução. Sou muito próximo de alguém que prefere comprar seus livros na Barnes & Noble por razões que provavelmente seriam atraentes a Jonathan Franzen. Mas, já faz algum tempo, ela descobriu que o mecanismo de busca deles não funciona muito bem. Então ela encontra o que quer na Amazon e depois vai até a BN.com para comprar! A maioria das pessoas não faz isso; elas simplesmente compram onde é mais fácil. É culpa da Amazon que eles estão derrotando a BN online com um serviço melhor?

Falei esta última semana com o diretor de comunicações de um think tank responsável pelo braço editorial deles. Ele é novo no mundo dos livros. Contou que sua equipe vive mostrando a Amazon como o inimigo; da perspectiva dele, ela é “a resposta”. Sim, ele está preocupado de que o aumento da hegemonia da Amazon entre o público consumidor de livros poderia resultar em severos cortes em suas margens. Na verdade, provavelmente vai mesmo. A Amazon provavelmente é o canal mais lucrativo de quase toda editora porque suas vendas são massivas e seus retornos são mínimos. Algumas editoras informam que até suas exigências de gastos cooperativos são menos onerosos do que os da Barnes & Noble. Claro, eles provavelmente vão exigir mais com o tempo e arrancar mais margem das editoras. A maior parte do varejo faria isso.

Na verdade, a Amazon pode às vezes usar os efeitos de rede e sua capacidade de executar [coisas que poderiam ser resumidas como “escala”] para melhorar suas margens criando novos negócios que mais ninguém poderia. Eles podem ter feito isso com o novo programa Matchbook, que oferece um pacote impresso-ebook. Talvez a Barnes & Noble poderia ter feito isso [e talvez em algum ponto eles farão], mas só editoras com um negócio direto-ao-consumidor muito grande poderiam executar isso sozinhas.

A Amazon provavelmente é inteligente o suficiente para não querer um mundo no qual, como teme Franzen, eles publiquem tudo que não é autopublicável por um autor. Eles sabem que se beneficiam dos investimentos que as editoras fazem e provavelmente até se afastam o suficiente para saber que se beneficiam de livros que estão no mercado porque são apoiados por vendas que a Amazon não tem a abertura para fazer. E vamos lembrar que venda de livros provavelmente representa uma parte menor do negócio da Amazon. Eles têm algo maior para cuidar do que construir sua parte do mercado ou suas margens às custas da editoras.

Aqui está outra perspectiva histórica para refletir que, acredito, seja análoga. Na primeira metade do século XIX, muitos dos escritores que mais vendiam nos EUA eram poetas. Uma grande razão era o baixo nível de escolaridade. Livros eram lidos em voz alta pela pessoa que sabia ler para os outros que não sabiam. Este era um ambiente que favorecia a poesia sobre a prosa.

Mas então veio a cruzada pela educação pública universal e melhorias nos transportes que se expandiram. Na última parte do século XIX, poetas cederam espaço a romancistas e, na verdade, a poesia declinou muito em popularidade comercial desde então.

Então podemos dizer que a educação pública universal foi uma adaga no coração da vantagem comercial da poesia. Na mente de algumas pessoas, isso poderia ser uma boa razão para reconsiderar a educação. Os argumentos contra os efeitos naturais da comunicação digital, seletivamente encontrando pontos negativos e insistindo neles, também me parece absurdo.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 02/10/2013

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].