Planejamento de bibliotecas digitais é tema de curso


Aula ocorrerá no dia 7 de dezembro, em São Paulo

Estão abertas as inscrições para o curso “Planejamento de bibliotecas digitais”. A atividade, com abordagem prática, enfatizará as etapas de planejamento necessárias para criação de projetos de bibliotecas digitais. O foco é oferecer aos participantes orientações diversas sobre questões como escolha de tecnologia, de repositório, seleção de documentos, digitalização, aquisição de conteúdos digitais, direitos autorais, preservação digital, DRM [Digital Rights Management] etc. Serão apresentados os conceitos de bibliotecas digitais, virtuais, eletrônicas e híbridas, apresentando os modelos existentes. A aula ocorrerá no dia 7 de dezembro, sábado, das 8h30 às 18h, na FESPSP [Rua General Jardim, 522, Vila Buarque, São Paulo], e será ministrado por Liliana Giusti Serra, mestranda no Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação na Escola de Comunicações e Artes na Universidade de São Paulo [ECA/USP]. O curso custa R$ 150. Informações e inscrições, acesse o site.

PublishNews | 26/09/2013

Caso do Google Books está prestes a ser decidido


Levou menos de 40 minutos para o juiz Denny Chin ouvir ontem todas as exposições das moções do longo processo do Authors Guild, a Associação dos Escritores dos EUA, contra o Google, sobre seu projeto de digitalização de livros. Se uma vez foi considerado uma batalha definidora da era digital em 2005, o caso reduziu-se a uma audição curta e anticlimática onde Chin pareceu mais do que pronto para tomar uma decisão que colocaria um fim na questão. Chin se mostrou mais inclinado para decidir a favor do Google. Clique na matéria e veja como foi a audição.

Por Andrew Albanese | Publishers Weekly | 26/09/2013

Pearson lança novo formato digital para eBook


Empresa traz ao mercado o formato eText Pearson com funcionalidades que auxiliam os professores

A Pearson desenvolveu um formato interativo de e-book, o eText Pearson, que chega agora ao Brasil. O formato foi pensado para uso dentro e fora de sala de aula, com o objetivo de proporcionar aos alunos e professores uma nova experiência de leitura e estudo. Entre os recursos do novo formato estão o compartilhamento de anotações e links dos professores com seus alunos, customização do conteúdo acessado pelo aluno, módulo de projeção exclusivo para visualização dos livros em sala de aula, ferramentas de pesquisas de conteúdo, marcador de página e caneta marca-texto e download de capítulos para leitura off-line em tablets.

PublishNews | 26/09/2013

O autor usado pela internet usada pelo autor


Por Julio Silveira | Publicado originalmente em PublishNews | 26/09/2013

Você acha que usa a internet, mas está sendo usado por ela” diz o escritor Bernardo Carvalho. A ocasião foi o lançamento de Reprodução. O livro foi, segundo a matéria de Raquel Cozer, escrito “a partir do cenário ‘libertário’ e ao mesmo tempo ‘cheio de ódio’ da internet”.

Não é de hoje que ele se preocupa com a internet, ou que [bons] escritores alertam para os males da rede, mas enquanto um Scott Turrow o faz por razões corporativistas [é presidente da Associação dos Autores dos EUA] e um Johnathan Franzen, pelo gosto dândi-decadentista, Bernardo usa de sua “literatura de reflexão” para tratar do seu incômodo.

Em Reprodução, o personagem que encadeia a narrativa não tem controle, ou consciência, do que se passa. O título se refere a ele, que troca a reflexão pela reprodução automática da algaravia fascistizante das redes sociais. A ele o autor se refere como “estudante de chinês”, e os outros personagens o descrevem como “boçal”. É o adjetivo perfeito. “Boçal”, na origem do termo, era o escravo africano que chegava ao Brasil, não conseguia aprender o português, sofria de banzo, e por isso era tratado como idiota. [O oposto do xingamento “boçal” era o elogio “crioulo”, o negro que já era “criado” no Brasil, sabia a língua, era safo].

O “estudante de chinês” é o boçal do século 21: não consegue aprender a língua dos senhores [os chineses, como ele repete ao longo do livro], se desespera para fazer parte do novo ambiente [lê “revistas semanais”, jornais] e expressa seu banzo pelo passado vituperando [ou repetindo os vitupérios] nas redes sociais. É o idiota-útil “usado” pela internet, achando que a internet, por lhe dar voz [para papagaiar o coro dos anônimos], lhe confere poder. O uso de “línguas” como metáfora da internet matando a literatura está ainda na história do assassinato do último índio que falava a única língua capaz de pronunciar o nome de Deus. Ao cancelar distâncias e expor o mundo como “aldeia global” e inviabilizar a existência de aldeias remotas [“a diversidade é um repositório de adaptabilidades”], a internet estaria matando a chance de encontrarmos a pureza, a língua única para falarmos com Deus, trocando-a pela língua que todos falam e que não quer dizer nada, o chinês.

A China do “estudante de chinês”, por sinal, é uma perfeita metáfora para a própria internet: avassaladora, irrevogável, vulgarizante, desumanizadora e, sobretudo, com uma língua que é simples demais para fazer algum sentido. “Uma em cada três pessoas fala chinês”, “os chineses serão os novos senhores”, repete o “estudante de chinês” ao longo do livro. É na China, porém, que o autor situa uma “parábola” que ilustra sua denúncia de “infantilização do público da literatura pela internet”.

Conta a parábola que, num vale remoto de uma aldeia longínqua da China, um sábio escreveu um tratado sobre velas de cera, o que lhe trouxe fama e criou uma dinastia. Mais tarde, com a chegada do lampião, que iluminava o vale como uma “nuvem de vaga-lumes”, “o tratado escrito fazia séculos pelo patriarca passou a ser lido como poesia”. Mais tarde ainda, com a chegada da lâmpada elétrica e a nivelização brutal da Revolução Cultural, a herança e os ensinamentos do patriarca chinês tornaram-se motivo de vergonha burguesa. A metáfora aqui é escancarada — a luz é o conhecimento, a reflexão, a literatura em suma. É divina quando é remota [cera], redentora quando é para poucos [lampião] e perde todo o sentido e valor quando é para todos [lâmpada].

Há um conflito intrínseco entre a literatura de Bernardo Carvalho e a internet. Narrativas como Nove noites eMongólia partem do árido e progridem aos poucos desvendando novas camadas de significados, dando sentido[s] à narrativa. É uma literatura em que é preciso descobrir camadas, sucessivas e cada vez mais puras, como uma cebola. A internet é a anticebola: todas as camadas estão expostas e refogadas. Há tanta informação que ela volta a perder sentido, torna-se apenas estímulo improcessável. Um acelerador hormonal. Escrever como Bernardo Carvalho no ambiente da internet é como fazer um teatro de sombras ao sol a pino.

A síntese está na página 153. A internet é “um diálogo de surdos. Só um decide o que quer ouvir e o que o outro vai dizer”. Uma definição precisa, talvez. Porém, pensando bem, a definição presta-se perfeitamente à própria literatura: “inventar o que o personagem vai dizer e assim decidir o que o leitor quer ouvir. Os chineses vêm aí.

Por Julio Silveira | Publicado originalmente em PublishNews | 26/09/2013

Julio Silveira é editor, formado em Administração, com extensão em Economia da Cultura. Foi cofundador da Casa da Palavra em 1996, gerente editorial da Agir/Nova Fronteira e publisher da Thomas Nelson. Desde julho de 2011, vem se dedicando à Ímã Editorial, explorando novos modelos de publicação propiciados pelo digital. Tem textos publicados em, entre outros, 10 livros que abalaram meu mundo e Paixão pelos livros[Casa da Palavra], O futuro do livro [Olhares, 2007] e LivroLivre [Ímã]. Coordena o fórum Autor 2.0, onde escritores e editores investigam as oportunidades e os riscos da publicação pós-digital.

A coluna LivroLivre aborda o impacto das novas tecnologias na indústria editorial e as novas formas de relacionamento entre seus componentes — autores, agentes, editores, livrarias e leitores. Ela é publicada quinzenalmente às quintas-feiras.

O crescimento orgânica do mercado digital nos países em Desenvolvimento


Por Octavio Kulesz | Publicado originalmente em PublishNews | 26/09/2013

Eu estudo publicação eletrônica em países em desenvolvimento desde 2009, quando Ramy Habeeb (Egito), Arthur Attwell (África do Sul) e eu montamos a Digital Minds Network, para trocar dados informalmente. Como editores digitais no Sul Global, não sentíamos que os modelos de negócios dos EUA e da Europa se encaixavam nas nossas necessidades. Então, em 2011, a International Alliance of Independent Publishers e o Prince Claus Fund me pediram para fazer um estudo detalhado do fenômeno digital na América Latina, África, Mundo Árabe, Rússia, Índia e China. Desde então, continuo a monitorar a publicação digital no mundo em desenvolvimento.

É difícil gerar números sobre a penetração do e-book nestas regiões, por várias razões. As estatísticas nacionais tendem a ser instáveis – é difícil criar um catálogo de livros impressos no Mundo Árabe, por exemplo. Além disso, a ideia de penetração de e-books no setor editorial em geral é relevante para regiões como os EUA e a Europa, mas é muito menos importante para os mercados em desenvolvimento.

Na verdade, quando a tecnologia digital explodiu, o Ocidente já tinha uma “indústria Gutenberg” bem integrada, e o e-book foi visto como uma extensão ou migração do livro impresso: então, havia “livros” e depois “e-books”, “distribuição” e depois “e-distribuição”. É lógico, então, que a experiência pioneira de Michael Hart se chamasse Project Gutenberg e que a Amazon, a atual líder de vendas digitais no Ocidente, começasse como uma livraria online. Na Espanha, para dar um exemplo europeu, a Libranda foi criada pelas maiores editoras impressas.

Desenvolvimento digital orgânico nas economias em desenvolvimento

Nos mercados emergentes, no entanto, as versões eletrônicas nem sempre aparecem como um segundo estágio, às vezes são desenvolvidas diretamente, sem uma história analógica. Numerosos portais de e-publishing no Oriente começaram com videogames, por exemplo – como é o caso da Shanda Cloudary. Na África, livros físicos são considerados e-books impressos – ver a Paperight — que inverte a típica sequência ocidental (1º livros, 2º e-books).  São ecossistemas bem diferentes dos que estamos acostumados.

É por isso que quando falamos de países emergentes, em vez de se referir somente a e-books, faz mais sentido falar em edição digital, incluindo alguns livros para celular, plataformas online, impressão sob demanda e conteúdo educativo digital – além dos e-books, claro. Se olharmos só para e-books, capturamos pouco movimento e arriscamos perder de vista o que é importante: fenômenos significativos acontecendo, que devem ser medidos quantitativamente (números de renovação de estoque, número de publicações) assim como qualitativamente (impacto social, tendências subjacentes).

Os mercados emergentes incorporam modelos internacionais, ao mesmo tempo em que criam modelos próprios – e a variedade é enorme. Na América Latina, algumas das grandes capitais com forte tradição editorial (São Paulo, Buenos Aires) tendem a seguir o padrão típico livro/e-book do Ocidente, mas há outras tendências interessantes, como a proliferação de literatura online – ainda sem um sólido modelo de negócio – ou a infraestrutura do setor público e projetos de conteúdo digital. O Brasil lidera o caminho no campo tecnológico, apesar de que para o resto dos países na América Latina, o fato de terem uma língua em comum – espanhol – representa uma vantagem quando se pensa em iniciativas eletrônicas.

Na Índia, reduzir a lacuna entre o digital e o impresso também é uma política do Estado. Talvez por causa da profusão de idiomas – e, portanto, de caracteres – típica do país, o setor público optou por um tablet, em vez de laptops com teclado analógico. Assim surgiu o Aakash, um dos projetos tecnológicos mais ambiciosos da história mundial. Entregar mais de 220 milhões de tablets para estudantes será uma tarefa desafiadora, mas se a iniciativa for um sucesso, em quatro ou cinco anos, o mercado editorial na Índia será muito diferente do que é agora, e várias empresas e indivíduos já estão criando conteúdo para este aparelho.

China: um centro dinâmico

A China é definitivamente o centro mais dinâmico da publicação digital. A literatura chinesa online está mostrando sinais de extraordinária vitalidade, com portais como Qidian ou Hongxiu— os dois sob a égide da Shanda Literature. Os quase 2 milhões de autores da empresa, 6 milhões de títulos a venda e dezenas de milhões de leitores ativos são outro indicador de que na China a leitura e a escrita digital alcançaram as massas e estão se tornando um negócio sério. O país oferece plataformas importantes, um enorme volume de conteúdo e uma massa de clientes sem igual: para mencionar só um dado estatístico comparativo, há tantos usuários de internet 3G na China hoje quanto habitantes nos Estados Unidos.

Há alguns anos que as grandes empresas ocidentais – Amazon, Apple, Google — encontram certas dificuldades quando se trata de ganhar uma base nestas regiões. Como exemplos: na China, a Amazon capturou ridículos 1 ou 2% do e-commerce doméstico; na Rússia, o líder de buscas online não é Google, mas Yandex, com 62% do mercado; na África subsaariana, a presença da Apple é completamente marginal. Acho que hoje em dia, uma editora estrangeira tem mais chance de vender um e-book na Argentina, por exemplo, através da Bajalibros do que através das lojas internacionais.

A situação sempre pode mudar, mas no presente a estratégia mais razoável para as editoras interessadas em entrar nestes mercados seria: 1) tentar entender a lógica digital do país – principais atores públicos e privados, aparelhos, meios de pagamento, impostos, negócios e tradições culturais e 2) formar uma aliança com os players locais.

Contextos de mudança e evolução

Muitos países em desenvolvimento apresentam contextos econômicos em constante mudança, como câmbio flutuante, inflação, regulamentações inesperadas e outros obstáculos que as editoras norte-americanas e europeias não estão acostumadas. Até países que agora parecem estar estáveis do ponto de vista macroeconômico podem mudar da noite para o dia, como já aconteceu tantas vezes na América Latina, por exemplo. Subestimar estes desafios pode ser fatal. No entanto, uma estratégia equilibrada pode abrir as portas para substanciais mercados digitais, como no setor educacional na Índia e no Brasil. As oportunidades nesta área são enormes.

As lições aprendidas do mercado editorial no mundo em desenvolvimento podem ser lucrativas não só para projetos implementados nestas regiões, mas também para iniciativas realizadas na Europa e nos EUA. Há muitas comunidades multiculturais do Sul Global no Ocidente e algo me diz que se os editores pudessem levar em conta a “gramática digital” que acontece no país de origem, talvez conseguíssemos atingir este público especial de forma mais eficiente – independente de onde estiverem vivendo.

Octavio Kulesz é o diretor da editora Teseo de Buenos Aires e da Alliance-Lab. Ele fará uma palestra naPublishers Launch Frankfurt Conference sobre o tópico de “O que você precisa saber sobre Edição Digital no Mundo em Desenvolvimento” às 13h do dia 8 de outubro, Hall 4.2, Room Dimension na Feira do Livro de Frankfurt.

Por Octavio Kulesz | Publicado originalmente em PublishNews | 26/09/2013 | Artigo publicado originalmente na Publishing Perspectives. Tradução: Marcelo Barbão.

Octavio Kulesz

Octavio Kulesz é formado em Filosofia pela Universidade de Buenos Aires e atualmente dirige a Teseo, uma das principais editoras digitais acadêmicas da Argentina. Em 2010, criou a rede Digital Minds Network, junto com Ramy Habeeb [do Egito] e Arthur Attwell [da África do Sul], com o objetivo de estimular o surgimento de projetos eletrônicos em mercados emergentes. Em 2011, escreveu o renomado estudo La edición digital en los países en desarrollo, com apoio da Aliança Internacional de Editores Independentes e da Fundação Prince Claus.

Sua coluna Sul Digital busca apresentar um panorama dos principais avanços da edição eletrônica nos países em desenvolvimento. Tablets latino-americanos, leitura em celulares na África, revoluções de redes sociais no mundo árabe, titãs do hardware russos, softwares de última geração na Índia e colossos digitais chineses: a edição digital no Sul mostra um dinamismo tanto acelerado quanto surpreendente.