Juíza bate o martelo: o novo cenário da publicação digital


A juíza Denise Cote alterou a paisagem do varejo de e-books nos Estados Unidos para os próximos cinco anos. Ela assinou na última semana a ordem que descreve a punição da Apple no caso de conluio com as editoras. Pelos próximos cinco anos, a Apple não poderá fechar nenhuma cláusula de nação mais favorável com nenhuma editora.

Por mais de dois anos, a Apple também não poderá fechar nenhum contrato no modelo de agência com as cinco editoras envolvidas no caso. Por fim, passará dois anos sendo monitorada de perto para não repetir os erros. A boa notícia para a Apple é que a juíza não regulou as atividades da empresa dentro do aplicativo, o que significa que ela pode ainda cobrar 30% pelas compras feitas dentro do aplicativo e que ela não precisa dar a permissão à Amazon e outras rivais de colocarem links para lojas dentro do aplicativo.

Por Jeremy Greenfield | Digital Book World | 09/09/2013

Escritor diz que ‘novas tecnologias não reinventam leitura’


Gonçalo Tavares

Gonçalo Tavares

O escritor português Gonçalo Tavares, que participou da 2ª Feira Internacional de Literatura de Ponta Grossa, no Paraná, afirmou que as novas tecnologias não reinventam a leitura.

Para ele, a atual discussão que rodeia o campo literário sobre a absorção das novas tecnologias não é o tema central desta arte, pois as tecnologias não “reinventam a leitura”.

Filho de pais portugueses, mas angolano de nascença, Tavares começou a escrever aos 20 anos e, desde então, se pauta pelo desafio da visualidade da linguagem, sendo a literatura para ele uma maneira de “traçar o que não é possível ver”, incentivando o processo de leitura.

Singularidade e imersão na profissão da escrita é o que transmite Tavares, que pela primeira vez participa da Feira Internacional de Literatura de Ponta Grossa, que acontece até o dia 15 de setembro.

O autor destacou em diálogo com Agência Efe a importância de serem realizadas feiras literárias “fora do eixo Rio-São Paulo” como uma forma de garantir pluralidade e expansão de públicos, além de incentivar o debate da literatura e da escrita.

O autor de “Jerusalém”, livro consagrado na Europa pelo ranking “1001 livros para se ler antes de morrer”, tem um ritmo sagrado para escrever e se refugia em um ateliê que define como “um espaço do século 21, onde não há conexão com o mundo, só com os pensamentos”

Para ele a escrita é um puro prazer, de capacidade orgânica. “Quando não escrevo fico irritado”, afirmou Tavares, que ainda critica os limites da tradução de obras literárias no mundo, restringindo autores aos ambientes do idioma de origem.

O português de coração justifica que as tecnologias ainda não resolvem o problema da expansão do acesso a obras literárias e que é comum editoras hispânicas lançarem títulos simultaneamente em Espanha, México e Argentina pela proximidade do idioma, mas não é o caso das obras de língua portuguesa.

O desafio de ir além das fronteiras é um das bandeiras defendidas por Tavares que publicou o primeiro livro aos 31 anos. Ele conta que a escrita, além se ser sagrada, é um esforço de síntese.

“Só abro uma frase se tenho uma coisa a dizer. Rapidamente me calo e chego no outro ponto final”, reafirmou ironicamente.

Humor negro e reflexão são as principais marcas de suas últimas obras, entre elas, “Senhor Brecht”, livro de minicontos de ficção inspirado no autor alemão Bertold Brecht.

Para escrever as obras, Tavares se inspira em autores como Fernando Pessoa, Rimbaut, Marcel Proust, James Joyce, Honoré de Balzac, nos russos Tolstói e Gogol, além da brasileira Clarice Lispector.

“Algo que me interessa é o discurso político e moral, mas é um discurso muito pouco rico literariamente. E, portanto, há uma característica de que a literatura vive – a perversidade, em que se percorre o lado obscuro, o que não é possível ver”, explicou.

Apesar do autor não admitir, o valor poético dos minicontos relembram tragédias humanas, marcas evidenciadas na cultura lusitana, mas ele alerta que é preciso tempo para absorver o poder da literatura.

“Só deve publicar um livro quem está preparado para qualquer reação de público. Escrever não é o mesmo que publicar”, aconselhou Tavares.

Exame | 09/09/13