Contec fala sobre educação e tecnologia na Bienal do Rio


Evento aconteceu na última sexta-feira, 30/08

Aconteceu na última sexta-feira [30/8], durante a XVI Bienal do Livro do Rio de Janeiro, a segunda edição da Contec Brasil, a Conferência sobre Educação e Tecnologia da Feira do Livro de Frankfurt, que teve como proposta discutir as novas formas de se ensinar proporcionadas pelas novas tecnologias, como redes sociais, bibliotecas digitais, smartphones e livre acesso à informação.

A primeira palestra da conferência foi ministrada por Carlos Spezia, da UNESCO, com o apoio da LitCam. A mensagem de Spezia enfatizou que 60% das residências brasileiras não possuem acesso à internet, portanto os professores devem pensar em usar tecnologias que não excluam essa parcela da população do processo de aprendizagem.

Em seguida, vários palestrantes mostraram como as novas tecnologias estão impactando a educação em escolas e comunidades. Rafael Parente, subsecretário de novas tecnologias educacionais da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, explicou as iniciativas que estão sendo experimentadas pela prefeitura em escolas, que envolvem desde redes sociais e o uso de materiais didáticos interativos, até a própria reorganização da sala de aula e da escola em um novo modelo que personaliza a aprendizagem. Ricardo Prado Schneider, da Mobile Brain, mostrou um aplicativo para dispositivos móveis que auxilia a criação e elaboração de textos, que pode auxiliar os professores a melhorar as habilidades de escrita de seus alunos.

O professor José Luis Poli, da IES2 – Inovação, Educação e Soluções Tecnológicas, apresentou o aplicativo para celulares PALMA [Programa de Alfabetização na Língua Mãe], projetado para auxiliar na alfabetização de jovens e adultos – cerca de 12,9 milhões de pessoas hoje no Brasil são analfabetas segundo o IBGE. Já Roberto Bahiense, diretor da Gol Mobile, explicou como as bibliotecas virtuais podem ajudar a suprir a falta crônica de bibliotecas nas escolas do país.

As editoras universitárias também tiveram seu espaço dentro da Contec. Flavia Costa, Diretora Editorial da Universidad Pedagógica, na Argentina, participou de uma mesa juntamente com Elsa Cristina Robayo, Presidente da Asociacíon de Editoriales Universitarias da Colômbia, e João Carlos Canossa, Editor-Executivo da editora Fiocruz e presidente da Associação Brasileira das Editoras Universitárias. A discussão girou em torno de como as editoras universitárias podem aumentar sua visibilidade dentro de seus países e da América Latina. Os componentes da mesa elogiaram a profissionalização das editoras, mas se perguntaram como elas podem concorrer com as editoras comerciais sem deixar de lado a qualidade de seu conteúdo. A resposta, segundo os participantes, é que os livros precisam ser editados para que possam ser relevantes para o público geral, e não somente para o meio acadêmico.

A conferência também contou com a presença de Michael Healy, diretor executivo responsável pelas relações entre autores e editoras do Copyright Clearance Center. Ele focou sua apresentação em uma pergunta fundamental: por que os direitos autorais são importantes? Para ele, os direitos autorais incentivam a inovação, protegem os inovadores, e encorajam um ambiente de competição saudável. Mas, apesar disso, também podem impedir a livre concorrência e aumentar os preços. Esse aparente paradoxo deve ser estudado cuidadosamente. Healy afirmou que, dentro na nova realidade em que estamos vivendo, as leis de diretos autorais devem ser repensadas a fim de continuar cumprindo seu papel de proteger e incentivar as inovações, mas sem sufocar a criatividade.

Por Matheus Perez | PublishNews | 02/09/2013