Reinventando a Wiley


Stephen Smith, CEO and President of Wiley, will be a featured speaker at this year’s Frankfurt Book Fair.

Stephen Smith, CEO and President of Wiley, will be a featured speaker at this year’s Frankfurt Book Fair.

A empresa de educação global, pesquisa e editora acadêmica Wiley avançou significativamente na transição para o digital. Hoje, mais de 50% da receita anual da Wiley vem de conteúdo e serviços digitais, e em alguns departamentos chega até a 70%. “Porém, apesar da transição para o digital ser muito importante para a manutenção do nosso negócio, reconhecemos que livros e journals digitais no máximo substituem as receitas que vinham de seus predecessores impressos”, conta o CEO Stephen M. Smith ao Publishing Perspectives.

Por Edward Nawotka | Publishing Perspectives | 30/09/2013

Tendências digitais


Nos dois países onde os e-books já correspondem a pelo menos 20% do total de vendas do mercado editorial, EUA e Reino Unido, o crescimento do segmento tende à estagnação, enquanto localidades como França, Espanha e Alemanha, nas quais os digitais beiram os 5%, crescem em ritmo similar ao dos países de língua inglesa nos últimos anos. Essa é uma das constatações da pesquisa Global eBook, que será divulgada mundialmente na terça. O relatório foi feito em parceria com publicações internacionais sobre o mercado editorial (no Brasil, o parceiro foi o Publishnews) e estará disponível de graça no mês de outubro no site global-ebook.com.

// NETFLIX DOS LIVROS

Para o austríaco Ruediger Wischenbart, coordenador da pesquisa, um dos destaques do ano foi o crescimento de serviços de assinaturas de livros digitais por mês, similares ao Netflix (de filmes) e ao Spotify (de música), “dando pista clara de que esse é o próximo passo na transformação da cadeia do livro“.

A espanhola Telefônica anunciou anteontem a estreia do Nubico, pelo qual, mediante mensalidade de 8,99 euros (R$ 27), o usuário tem acesso a 3.000 títulos.

Outros serviços similares, o Oyster e o Scribd, ganharão em breve a adesão da HarperCollins, uma das maiores editoras do mundo, que colocará 1.400 títulos na primeira plataforma e 10 mil na segunda.

// NOVA FASE

As negociações com a Amazon foram as mais demoradas, mas as 33 editoras que distribuem e-books pela Digitaliza poderão, até o final do ano, vender pela loja. Dez delas, incluindo a Aleph, a Escrituras, a Matrix e a Vermelho Marinho, já terão títulos disponíveis no mês que vem.

Um motivo para a demora –as conversas com outras lojas, como a Apple e a Saraiva, foram concluídas há meses– foi que o grupo assinou a nova versão do contrato da Amazon, que trata também da venda de livros físicos, prevista para 2014. Editores dizem que tiveram de ceder mais do que gostariam, mas que “não dava para ficar de fora”.

Por Raquel Cozer [raquel.cozer@grupofolha.com.br] | Publicado originalmente em Folha de S. Paulo | PAINEL DAS LETRAS | 28/09/2013

Professores de Rondônia começam a receber tablets


Os 314 tablets recebidos pelo Instituto Federal de Rondônia começaram a ser entregues esta semana aos professores. A ação é referente ao Programa de Modernização da Rede Federal para uso de Tecnologias Educacionais [PMTE], realizada por meio do FNDE [Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação], e cada professor efetivo do IFRO terá um tablete para suas atividades de ensino. Os primeiros beneficiados foram os docentes do Câmpus Vilhena. Nesta sexta-feira [27], uma remessa de 64 aparelhos será distribuída em Porto Velho, sendo 48 para o Câmpus Calama e 16 para o Zona Norte. Nos próximos dias, a entrega e o cadastramento contemplarão os Câmpus Ariquemes, Cacoal, Colorado do Oeste e Ji-Paraná.

De acordo com o Diretor de Gestão de Tecnologia da Informação do IFRO, Jhordano Malacarne Bravim, esta é mais uma possibilidade de ampliação do acesso às tecnologias educacionais digitais, pelo seu baixo custo, facilidade de uso e de conectividade à infraestrutura de TI instalada nas unidades do Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica em Rondônia.

“Os professores podem usar os equipamentos portáteis para interagirem com os alunos com grande facilidade nas aulas, em sala ou em campo, usando materiais voltados para educação como vídeos, áudios e páginas Web que tratam do assunto abordado. Os equipamentos permitirão ainda que o professor tenha uma vasta biblioteca e acesso aos mais diversos periódicos de maneira rápida e em qualquer lugar sem o incomodo de transportar fisicamente vários livros e publicações”, enfatiza Jhordano.

Rondoniagora | 28/09/13

Novo edital do MEC para tablets


Está no forno do FNDE um novo edital para interessados em vender uma montanha de tablets para as escolas públicas. Será pelo sistema de registro de preços em ata. Ou seja, os selecionados poderão vender e entregar diretamente para qualquer prefeitura ou governo estadual sem a necessidade de novas licitações.

Após a entrega de 640 mil tablets para professores do Ensino Médio, desta vez serão contemplados os mestres do Ensino Fundamental, que é o dobro disso. Uma parte talvez fique para 2015.

Galeno Amorim

Feira de Frankfurt enfrenta o auge do livro eletrônico


Berlim | O auge do livro eletrônico e a concorrência que as editoras tradicionais enfrentam perante o comércio na internet será um dos eixos da Feira do Livro de Frankfurt, que começa no próximo dia 9 de outubro e que tem nesta edição o Brasil como país convidado.

O diretor da Feira, Jürgen Boos, apresentou nesta sexta-feira em Berlim as principais novidades desta edição, na qual são esperados mais de sete mil expositores de quase uma centena de países, que continua sendo o principal ponto de encontro do mundo editorial.

A feira, explicou Boos, não quis permanecer alheia aos principais desafios do setor, que discutirá em Frankfurt a pujança de empresas como a Amazon, o futuro das bibliotecas atuais e o risco de ‘saturação’ dos potenciais leitores perante a em massa oferta de conhecimentos.

É um desafio e ao mesmo tempo uma oportunidade‘, disse Boos, que destacou a ‘relativa boa evolução‘ do setor do livro em nível global.

Também terão um espaço destacado em Frankfurt as inovações das editoras mais jovens, o crescente fenômeno da autoedição e a aposta de empresas de fora do setor nos livros como complemento de suas outras atividades.

Um exemplo claro, disse Boos, seria o do Angry Birds, popular jogo para dispositivos móveis que se traduziu em dezenas de produtos com o desenho animado de seus furiosos pássaros e que finalmente chegou ao mundo literário.

O Brasil, como país convidado, será representado por 90 autores e pelo vice-presidente Michel Temer na feira.

Após ressaltar o esforço realizado para traduzir muitos escritores cujos livros só estavam em português, Boos destacou a plataforma que a feira representará para criar uma rede de contatos entre o mundo editorial e a pujante literatura brasileira.

No total, serão apresentados 260 títulos relacionados com o Brasil, entre eles 117 livros de literatura brasileira traduzidos para o alemão com ajuda de um fundo especial.

A literatura infantil e juvenil e o ‘livro valioso’, com desenhos e materiais exclusivos, voltarão também a ter espaço próprio e destacado em uma feira cada vez mais internacional, apontou seu diretor.

Além do Brasil, Boos ressaltou o vigor do mercado editorial em outras potências emergentes como China e Indonésia, com uma grande presença na feira, mas também participação de países como o Afeganistão e Coreia do Norte.

Por EFE | Portal G1 | 27/09/2013

O futuro do livro de papel


O futuro do livro de papelEm tese, a pequena livraria da americana Keebe Fitch, a McIntyre’s Books, em Pittsboro, na Carolina do Norte, já deveria ter fechado as portas. Keebe viu o avanço das grandes redes, como Barnes & Noble, nos anos 90. Testemunhou também a explosão das vendas pela internet, sobretudo o fenômeno varejista Amazon, nos anos 2000.

E, mais recentemente, foi a vez de os e-books mudarem novamente o mercado livreiro nos Estados Unidos. Mas a loja de Keebe, herdada de seus pais e há 25 anos no mercado, vai muito bem: a expectativa é faturar 10% mais em 2013. E a McIntyre’s Books é tudo, menos um caso isolado.

As vendas das chamadas livrarias alternativas nos Estados Unidos aumentaram 8% em 2012. O número de lojas também voltou a crescer. “Oferecemos uma série de serviços que enriquecem a experiência do cliente na livraria. Caso contrário, ele compraria online”, diz Keebe.

Em seu cardápio estão encontros com escritores e discussões entre leitores com interesses comuns. O curioso é que, até há pouco tempo, a morte do livro em papel era dada como certa — e, consequentemente, das livrarias. Sim, vendem-se menos livros em papel hoje do que em 2007 nos Estados Unidos, ano do lançamento do Kindle, o leitor eletrônico da Amazon. O futuro, porém, não parece ser de uma onipresença eletrônica.

Depois de um início espetacular, o crescimento da venda de e-books nos Estados Unidos, mercado considerado um laboratório das experiências digitais, perdeu fôlego. De acordo com a consultoria PricewaterhouseCoopers, as vendas de e-books devem crescer 36% em 2013, mas apenas 9% em 2017 — embora sobre uma base obviamente maior.

Não há mais fôlego para o e-book crescer como antes”, diz o consultor Mike Shatzkin, um dos maiores especialistas em mercado editorial digital. Não é que o consumidor vá perder o interesse, pelo contrário.

No mundo, a venda de e-books deverá movimentar 23 bilhões de dólares em quatro anos. Ainda assim, de cada dez livros vendidos em 2017, apenas dois serão eletrônicos, segundo as previsões mais respeitadas.

Não faz muito tempo, acreditava-se que a indústria do livro sofreria o mesmo destino da indústria fonográfica. O surgimento do MP3 abalou o mercado de CDs e, consequentemente, as grandes lojas de discos. O mercado de livros, no entanto, tem se comportado de maneira diferente.

Quase metade dos livros é comercializada pela internet nos Estados Unidos. Mas apenas 23% dos americanos leem livros eletrônicos. Ou seja, a experiência da leitura digital não acompanhou na mesma velocidade o hábito de comprar livros pela internet.

Um levantamento do instituto de pesquisas Pew Research com 3 000 leitores mostra que o livro digital leva vantagem frente ao papel em algumas situações. No caso de viagens, a maioria prefere os e-books. Quando se trata de leitura para crianças, 80% preferem as edições físicas.

Essas evidências frustraram quem contava com um futuro 100% digital. A rede de livrarias americana Barnes & Noble apostou suas fichas no Nook, leitor eletrônico lançado em 2011. A venda do aparelho e de títulos digitais, porém, tem sido uma decepção. As sucessivas quedas de venda custaram o emprego de William Lynch, que até julho presidia a empresa. Especula-se que a Microsoft esteja negociando a compra do Nook.

A previsão mais aceita atualmente é de que haverá uma convivência entre e-books e papel. “A participação do livro digital deve alcançar no máximo 40% do total de vendas”, diz Wayne White, vice-presidente da canadense Kobo, fabricante de leitores eletrônicos, com 14 milhões de usuários no mundo.

Hoje, nos Estados Unidos, a fatia dos e-books na receita do setor é de 22% — no Brasil, é de 1,6%. “O livro digital será parte do negócio, não todo ele”, diz Sergio Herz, dono da Livraria Cultura, na qual os e-books representam 3,7% das vendas. É provável que não tenhamos de explicar a nossos netos o que são livros de papel — nem o prazer que temos ao lê-los.

Exame | 27/09/13

Planejamento de bibliotecas digitais é tema de curso


Aula ocorrerá no dia 7 de dezembro, em São Paulo

Estão abertas as inscrições para o curso “Planejamento de bibliotecas digitais”. A atividade, com abordagem prática, enfatizará as etapas de planejamento necessárias para criação de projetos de bibliotecas digitais. O foco é oferecer aos participantes orientações diversas sobre questões como escolha de tecnologia, de repositório, seleção de documentos, digitalização, aquisição de conteúdos digitais, direitos autorais, preservação digital, DRM [Digital Rights Management] etc. Serão apresentados os conceitos de bibliotecas digitais, virtuais, eletrônicas e híbridas, apresentando os modelos existentes. A aula ocorrerá no dia 7 de dezembro, sábado, das 8h30 às 18h, na FESPSP [Rua General Jardim, 522, Vila Buarque, São Paulo], e será ministrado por Liliana Giusti Serra, mestranda no Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação na Escola de Comunicações e Artes na Universidade de São Paulo [ECA/USP]. O curso custa R$ 150. Informações e inscrições, acesse o site.

PublishNews | 26/09/2013

Caso do Google Books está prestes a ser decidido


Levou menos de 40 minutos para o juiz Denny Chin ouvir ontem todas as exposições das moções do longo processo do Authors Guild, a Associação dos Escritores dos EUA, contra o Google, sobre seu projeto de digitalização de livros. Se uma vez foi considerado uma batalha definidora da era digital em 2005, o caso reduziu-se a uma audição curta e anticlimática onde Chin pareceu mais do que pronto para tomar uma decisão que colocaria um fim na questão. Chin se mostrou mais inclinado para decidir a favor do Google. Clique na matéria e veja como foi a audição.

Por Andrew Albanese | Publishers Weekly | 26/09/2013

Pearson lança novo formato digital para eBook


Empresa traz ao mercado o formato eText Pearson com funcionalidades que auxiliam os professores

A Pearson desenvolveu um formato interativo de e-book, o eText Pearson, que chega agora ao Brasil. O formato foi pensado para uso dentro e fora de sala de aula, com o objetivo de proporcionar aos alunos e professores uma nova experiência de leitura e estudo. Entre os recursos do novo formato estão o compartilhamento de anotações e links dos professores com seus alunos, customização do conteúdo acessado pelo aluno, módulo de projeção exclusivo para visualização dos livros em sala de aula, ferramentas de pesquisas de conteúdo, marcador de página e caneta marca-texto e download de capítulos para leitura off-line em tablets.

PublishNews | 26/09/2013

O autor usado pela internet usada pelo autor


Por Julio Silveira | Publicado originalmente em PublishNews | 26/09/2013

Você acha que usa a internet, mas está sendo usado por ela” diz o escritor Bernardo Carvalho. A ocasião foi o lançamento de Reprodução. O livro foi, segundo a matéria de Raquel Cozer, escrito “a partir do cenário ‘libertário’ e ao mesmo tempo ‘cheio de ódio’ da internet”.

Não é de hoje que ele se preocupa com a internet, ou que [bons] escritores alertam para os males da rede, mas enquanto um Scott Turrow o faz por razões corporativistas [é presidente da Associação dos Autores dos EUA] e um Johnathan Franzen, pelo gosto dândi-decadentista, Bernardo usa de sua “literatura de reflexão” para tratar do seu incômodo.

Em Reprodução, o personagem que encadeia a narrativa não tem controle, ou consciência, do que se passa. O título se refere a ele, que troca a reflexão pela reprodução automática da algaravia fascistizante das redes sociais. A ele o autor se refere como “estudante de chinês”, e os outros personagens o descrevem como “boçal”. É o adjetivo perfeito. “Boçal”, na origem do termo, era o escravo africano que chegava ao Brasil, não conseguia aprender o português, sofria de banzo, e por isso era tratado como idiota. [O oposto do xingamento “boçal” era o elogio “crioulo”, o negro que já era “criado” no Brasil, sabia a língua, era safo].

O “estudante de chinês” é o boçal do século 21: não consegue aprender a língua dos senhores [os chineses, como ele repete ao longo do livro], se desespera para fazer parte do novo ambiente [lê “revistas semanais”, jornais] e expressa seu banzo pelo passado vituperando [ou repetindo os vitupérios] nas redes sociais. É o idiota-útil “usado” pela internet, achando que a internet, por lhe dar voz [para papagaiar o coro dos anônimos], lhe confere poder. O uso de “línguas” como metáfora da internet matando a literatura está ainda na história do assassinato do último índio que falava a única língua capaz de pronunciar o nome de Deus. Ao cancelar distâncias e expor o mundo como “aldeia global” e inviabilizar a existência de aldeias remotas [“a diversidade é um repositório de adaptabilidades”], a internet estaria matando a chance de encontrarmos a pureza, a língua única para falarmos com Deus, trocando-a pela língua que todos falam e que não quer dizer nada, o chinês.

A China do “estudante de chinês”, por sinal, é uma perfeita metáfora para a própria internet: avassaladora, irrevogável, vulgarizante, desumanizadora e, sobretudo, com uma língua que é simples demais para fazer algum sentido. “Uma em cada três pessoas fala chinês”, “os chineses serão os novos senhores”, repete o “estudante de chinês” ao longo do livro. É na China, porém, que o autor situa uma “parábola” que ilustra sua denúncia de “infantilização do público da literatura pela internet”.

Conta a parábola que, num vale remoto de uma aldeia longínqua da China, um sábio escreveu um tratado sobre velas de cera, o que lhe trouxe fama e criou uma dinastia. Mais tarde, com a chegada do lampião, que iluminava o vale como uma “nuvem de vaga-lumes”, “o tratado escrito fazia séculos pelo patriarca passou a ser lido como poesia”. Mais tarde ainda, com a chegada da lâmpada elétrica e a nivelização brutal da Revolução Cultural, a herança e os ensinamentos do patriarca chinês tornaram-se motivo de vergonha burguesa. A metáfora aqui é escancarada — a luz é o conhecimento, a reflexão, a literatura em suma. É divina quando é remota [cera], redentora quando é para poucos [lampião] e perde todo o sentido e valor quando é para todos [lâmpada].

Há um conflito intrínseco entre a literatura de Bernardo Carvalho e a internet. Narrativas como Nove noites eMongólia partem do árido e progridem aos poucos desvendando novas camadas de significados, dando sentido[s] à narrativa. É uma literatura em que é preciso descobrir camadas, sucessivas e cada vez mais puras, como uma cebola. A internet é a anticebola: todas as camadas estão expostas e refogadas. Há tanta informação que ela volta a perder sentido, torna-se apenas estímulo improcessável. Um acelerador hormonal. Escrever como Bernardo Carvalho no ambiente da internet é como fazer um teatro de sombras ao sol a pino.

A síntese está na página 153. A internet é “um diálogo de surdos. Só um decide o que quer ouvir e o que o outro vai dizer”. Uma definição precisa, talvez. Porém, pensando bem, a definição presta-se perfeitamente à própria literatura: “inventar o que o personagem vai dizer e assim decidir o que o leitor quer ouvir. Os chineses vêm aí.

Por Julio Silveira | Publicado originalmente em PublishNews | 26/09/2013

Julio Silveira é editor, formado em Administração, com extensão em Economia da Cultura. Foi cofundador da Casa da Palavra em 1996, gerente editorial da Agir/Nova Fronteira e publisher da Thomas Nelson. Desde julho de 2011, vem se dedicando à Ímã Editorial, explorando novos modelos de publicação propiciados pelo digital. Tem textos publicados em, entre outros, 10 livros que abalaram meu mundo e Paixão pelos livros[Casa da Palavra], O futuro do livro [Olhares, 2007] e LivroLivre [Ímã]. Coordena o fórum Autor 2.0, onde escritores e editores investigam as oportunidades e os riscos da publicação pós-digital.

A coluna LivroLivre aborda o impacto das novas tecnologias na indústria editorial e as novas formas de relacionamento entre seus componentes — autores, agentes, editores, livrarias e leitores. Ela é publicada quinzenalmente às quintas-feiras.

O crescimento orgânica do mercado digital nos países em Desenvolvimento


Por Octavio Kulesz | Publicado originalmente em PublishNews | 26/09/2013

Eu estudo publicação eletrônica em países em desenvolvimento desde 2009, quando Ramy Habeeb (Egito), Arthur Attwell (África do Sul) e eu montamos a Digital Minds Network, para trocar dados informalmente. Como editores digitais no Sul Global, não sentíamos que os modelos de negócios dos EUA e da Europa se encaixavam nas nossas necessidades. Então, em 2011, a International Alliance of Independent Publishers e o Prince Claus Fund me pediram para fazer um estudo detalhado do fenômeno digital na América Latina, África, Mundo Árabe, Rússia, Índia e China. Desde então, continuo a monitorar a publicação digital no mundo em desenvolvimento.

É difícil gerar números sobre a penetração do e-book nestas regiões, por várias razões. As estatísticas nacionais tendem a ser instáveis – é difícil criar um catálogo de livros impressos no Mundo Árabe, por exemplo. Além disso, a ideia de penetração de e-books no setor editorial em geral é relevante para regiões como os EUA e a Europa, mas é muito menos importante para os mercados em desenvolvimento.

Na verdade, quando a tecnologia digital explodiu, o Ocidente já tinha uma “indústria Gutenberg” bem integrada, e o e-book foi visto como uma extensão ou migração do livro impresso: então, havia “livros” e depois “e-books”, “distribuição” e depois “e-distribuição”. É lógico, então, que a experiência pioneira de Michael Hart se chamasse Project Gutenberg e que a Amazon, a atual líder de vendas digitais no Ocidente, começasse como uma livraria online. Na Espanha, para dar um exemplo europeu, a Libranda foi criada pelas maiores editoras impressas.

Desenvolvimento digital orgânico nas economias em desenvolvimento

Nos mercados emergentes, no entanto, as versões eletrônicas nem sempre aparecem como um segundo estágio, às vezes são desenvolvidas diretamente, sem uma história analógica. Numerosos portais de e-publishing no Oriente começaram com videogames, por exemplo – como é o caso da Shanda Cloudary. Na África, livros físicos são considerados e-books impressos – ver a Paperight — que inverte a típica sequência ocidental (1º livros, 2º e-books).  São ecossistemas bem diferentes dos que estamos acostumados.

É por isso que quando falamos de países emergentes, em vez de se referir somente a e-books, faz mais sentido falar em edição digital, incluindo alguns livros para celular, plataformas online, impressão sob demanda e conteúdo educativo digital – além dos e-books, claro. Se olharmos só para e-books, capturamos pouco movimento e arriscamos perder de vista o que é importante: fenômenos significativos acontecendo, que devem ser medidos quantitativamente (números de renovação de estoque, número de publicações) assim como qualitativamente (impacto social, tendências subjacentes).

Os mercados emergentes incorporam modelos internacionais, ao mesmo tempo em que criam modelos próprios – e a variedade é enorme. Na América Latina, algumas das grandes capitais com forte tradição editorial (São Paulo, Buenos Aires) tendem a seguir o padrão típico livro/e-book do Ocidente, mas há outras tendências interessantes, como a proliferação de literatura online – ainda sem um sólido modelo de negócio – ou a infraestrutura do setor público e projetos de conteúdo digital. O Brasil lidera o caminho no campo tecnológico, apesar de que para o resto dos países na América Latina, o fato de terem uma língua em comum – espanhol – representa uma vantagem quando se pensa em iniciativas eletrônicas.

Na Índia, reduzir a lacuna entre o digital e o impresso também é uma política do Estado. Talvez por causa da profusão de idiomas – e, portanto, de caracteres – típica do país, o setor público optou por um tablet, em vez de laptops com teclado analógico. Assim surgiu o Aakash, um dos projetos tecnológicos mais ambiciosos da história mundial. Entregar mais de 220 milhões de tablets para estudantes será uma tarefa desafiadora, mas se a iniciativa for um sucesso, em quatro ou cinco anos, o mercado editorial na Índia será muito diferente do que é agora, e várias empresas e indivíduos já estão criando conteúdo para este aparelho.

China: um centro dinâmico

A China é definitivamente o centro mais dinâmico da publicação digital. A literatura chinesa online está mostrando sinais de extraordinária vitalidade, com portais como Qidian ou Hongxiu— os dois sob a égide da Shanda Literature. Os quase 2 milhões de autores da empresa, 6 milhões de títulos a venda e dezenas de milhões de leitores ativos são outro indicador de que na China a leitura e a escrita digital alcançaram as massas e estão se tornando um negócio sério. O país oferece plataformas importantes, um enorme volume de conteúdo e uma massa de clientes sem igual: para mencionar só um dado estatístico comparativo, há tantos usuários de internet 3G na China hoje quanto habitantes nos Estados Unidos.

Há alguns anos que as grandes empresas ocidentais – Amazon, Apple, Google — encontram certas dificuldades quando se trata de ganhar uma base nestas regiões. Como exemplos: na China, a Amazon capturou ridículos 1 ou 2% do e-commerce doméstico; na Rússia, o líder de buscas online não é Google, mas Yandex, com 62% do mercado; na África subsaariana, a presença da Apple é completamente marginal. Acho que hoje em dia, uma editora estrangeira tem mais chance de vender um e-book na Argentina, por exemplo, através da Bajalibros do que através das lojas internacionais.

A situação sempre pode mudar, mas no presente a estratégia mais razoável para as editoras interessadas em entrar nestes mercados seria: 1) tentar entender a lógica digital do país – principais atores públicos e privados, aparelhos, meios de pagamento, impostos, negócios e tradições culturais e 2) formar uma aliança com os players locais.

Contextos de mudança e evolução

Muitos países em desenvolvimento apresentam contextos econômicos em constante mudança, como câmbio flutuante, inflação, regulamentações inesperadas e outros obstáculos que as editoras norte-americanas e europeias não estão acostumadas. Até países que agora parecem estar estáveis do ponto de vista macroeconômico podem mudar da noite para o dia, como já aconteceu tantas vezes na América Latina, por exemplo. Subestimar estes desafios pode ser fatal. No entanto, uma estratégia equilibrada pode abrir as portas para substanciais mercados digitais, como no setor educacional na Índia e no Brasil. As oportunidades nesta área são enormes.

As lições aprendidas do mercado editorial no mundo em desenvolvimento podem ser lucrativas não só para projetos implementados nestas regiões, mas também para iniciativas realizadas na Europa e nos EUA. Há muitas comunidades multiculturais do Sul Global no Ocidente e algo me diz que se os editores pudessem levar em conta a “gramática digital” que acontece no país de origem, talvez conseguíssemos atingir este público especial de forma mais eficiente – independente de onde estiverem vivendo.

Octavio Kulesz é o diretor da editora Teseo de Buenos Aires e da Alliance-Lab. Ele fará uma palestra naPublishers Launch Frankfurt Conference sobre o tópico de “O que você precisa saber sobre Edição Digital no Mundo em Desenvolvimento” às 13h do dia 8 de outubro, Hall 4.2, Room Dimension na Feira do Livro de Frankfurt.

Por Octavio Kulesz | Publicado originalmente em PublishNews | 26/09/2013 | Artigo publicado originalmente na Publishing Perspectives. Tradução: Marcelo Barbão.

Octavio Kulesz

Octavio Kulesz é formado em Filosofia pela Universidade de Buenos Aires e atualmente dirige a Teseo, uma das principais editoras digitais acadêmicas da Argentina. Em 2010, criou a rede Digital Minds Network, junto com Ramy Habeeb [do Egito] e Arthur Attwell [da África do Sul], com o objetivo de estimular o surgimento de projetos eletrônicos em mercados emergentes. Em 2011, escreveu o renomado estudo La edición digital en los países en desarrollo, com apoio da Aliança Internacional de Editores Independentes e da Fundação Prince Claus.

Sua coluna Sul Digital busca apresentar um panorama dos principais avanços da edição eletrônica nos países em desenvolvimento. Tablets latino-americanos, leitura em celulares na África, revoluções de redes sociais no mundo árabe, titãs do hardware russos, softwares de última geração na Índia e colossos digitais chineses: a edição digital no Sul mostra um dinamismo tanto acelerado quanto surpreendente.

Amazon investe em clube de leitura


Jeff Bezos, fundador e presidente da Amazon

Jeff Bezos, fundador e presidente da Amazon

Uma das estratégias de Jeff Bezos, fundador e presidente da Amazon, para inspirar o seu time de executivos é organizar um clube de leitura. Ele revelou a atividade durante uma entrevista à CNBC, nesta quarta-feira, para falar da nova linha de Kindles lançada pela compahia.

No meio da conversa, o repórter Jon Fortt pergunta a Bezos o que ele faz para impulsionar, motivar ou questionar o seu time de liderança quando está junto dele no Lab 126, local onde são desenhados os projetos de hardware da companhia, no Vale do Silício. Bezos então conta: “o que eu fiz neste verão, é que nós tivemos três clubes de leitura. O nosso time de líderes se encontrou e tivemos durante três dias inteiros esses clubes de leitura e bons jantares“.

Uma das coisas que nós fizemos foi ler esses livros de negócios juntos e falar sobre estrátegia, visão e o contexto. Esses livros realmente viraram ferramentas de trabalho que nós usamos para falar de negócios. Foram ótimas conversas deram a todos nós a chance de conhecer uns aos outros melhor“, avaliou.

Durante a entrevista, o presidente da Amazon não disse quais foram os três livros lidos pelo time de executivos, mas Jon Fort divulgou os títulos em uma postagem em seu perfil no LinkedIn.

São eles: “The Effective Executive”, de Peter Drucker, “The Innovator’s Solution”, do autor Clayton Christensen e “The Goal”, de Eliyahu Goldratt.

Exame.com | 25/09/13

Amazon lança tablets com suporte ao vivo em vídeo


Dispositivos HDX, com tela de alta definição, possuem ‘botão de socorro’

Jeff Bezos, dono da Amazon, mostrando risonho suas duas novidades AFP  Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/tecnologia/amazon-lanca-tablets-com-suporte-ao-vivo-em-video-10134724#ixzz2fvdiHmmw  © 1996 - 2013. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

Jeff Bezos, dono da Amazon, mostrando risonho suas duas novidades AFP

SEATTLE | A Amazon.com anunciou dois novos tablets de alta definição na terça-feira com um recurso inédito de suporte on-line em vídeo, na esperança de que a novidade venha a dar-lhe uma vantagem sobre os dispositivos das rivais Apple e Google.

Os novos tablets Kindle Fire HDX apresentam o que a Amazon tem chamado de “Botão de Socorro” [Mayday Button], que aciona traz instantaneamente um papo em vídeo com um representante de suporte técnico que pode dizer a um usuário como operar o dispositivo ou até mesmo fazer isso por ele remotamente.

A Amazon disse que o serviço é gratuito para clientes HDX, está disponível em todos os momentos, e tem tempo previsto máximo de resposta de até 15 segundos. Os usuários podem mover a caixa de vídeo na tela a seu bel-prazer e seus rostos não podem ser vistos pelo representante da Amazon.

A maior varejista internet do mundo tem uma abordagem para o mercado de tablet diferente do da a Apple, vendendo de seus dispositivos Kindle a preços baixos e obtendo lucro com a venda de conteúdo digital, como vídeo e música, ou bens físicos, como os livros vendidos em seu site. Desde que a Amazon entrou no então nascente mercado de tablets com o Kindle Fire, em 2011, os dispositivos da empresa têm provado ser eficazes máquinas de venda automática.

Não está claro ainda como o recurso de suporte pessoal instantâneo vai afetar o custo subjacente de apoiar o Kindle.

Este é o tipo de recurso que estamos bem adaptados para oferecer”, disse o presidente-executivo da Amazon, Jeff Bezos, ao mostrar os novos tablets a jornalistas na sede da Amazon em Seattle na terça-feira. “Muitas das coisas que fizemos juntos combinam com trabalho pesado. Esta é uma dessas coisas”.

Por Reuters | 25/09/13, às 9h37 | Publicado originalmente e clipado à partir de O Globo | © 1996 – 2013. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.

Simon & Schuster lança projeto piloto para vender eBooks em sala de aula


Simon & Schuster se juntou à Hachette e Random House na busca pelo mercado de e-books para o ensino escolar. A editora lançou projetos pilotos com 4 distribuidoras de livros de educação – Booksource, Follet, Mackin e Perma-Bound – para vender e-books do jardim de infância até a 12ª série [do sistema educacional americano]. Em agosto, Hachette e Random House formaram parcerias com a distribuidora Follet para vender no mesmo mercado.

Digital Book World | 24/09/2013

Bilionário japonês quer superar o império da Amazon


Dono da loja on-line Rakuten também é conselheiro do governo do Japão

Hiroshi Mikitani obrigou os funcionários a aprender inglês para serem promovidos

Rakuten, de Hiroshi Mikitani, é o maior portal de comércio eletrônico do Japão Agência O Globo  Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/tecnologia/bilionario-japones-quer-superar-imperio-da-amazoncom-10112638#ixzz2fpJqqyXL  © 1996 - 2013. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

Rakuten, de Hiroshi Mikitani, é o maior portal de comércio eletrônico do Japão | Agência O Globo

O bilionário Hiroshi Mikitani não gosta muito que sua empresa, a Rakuten, seja chamada de a “Amazon japonesa”, definição frequente na imprensa internacional. O maior portal de comércio eletrônico do Japão _ e terceiro maior do mundo _ é concorrente do império online criado por Jeff Bezos. Mikitani, presidente da Rakuten, sustenta que sua companhia não quer ser apenas uma loja com bons preços, mas um shopping center global, onde as pessoas podem passear e resolver de problemas bancários a pacotes de viagem. A meta do empresário _ famoso por quebrar tabus no cerimonioso universo corporativo japonês _ é “vencer a Amazon”, slogan que imprimiu em camisetas, além de ajudar a ressuscitar a estagnada economia de seu país.

A Rakuten ainda não vale nem metade da principal concorrente, mas cresce aceleradamente, com 85 milhões de usuários só no Japão e negócios que se espalham de Taiwan ao Brasil. A mais recente aquisição da companhia foi a Viki, plataforma de transmissão de vídeo pela internet, comprada por US$ 200 milhões. O grupo também é dono da Kobo, de eReaders; da Wuaki.tv, videoclube online com mais de cinco mil títulos; e da americana Buy.com. Investiu ainda US$ 100 milhões no Pinterest, um dos atuais fenômenos das redes sociais. A diversificação do conteúdo sob o comando de Mikitani _ um dos homens mais ricos do país _ levou o governo japonês a recrutá-lo como seu conselheiro na área de desregulamentação da economia.

A Amazon não é a única rival do fundador da Rakuten. Por discordar do conservadorismo da Keidanren _ a lendária federação das indústrias japonesas _ o empresário rompeu com a organização e ajudou a criar a Associação da Nova Economia Japonesa [Jane, na sigla em inglês], que faz pressão por reformas estruturais e reúne representantes do setor digital. Suas ideias enfrentam resistência no ultrarregulamentado Japão, mas reforçam a Abenomics, política econômica do primeiro-ministro Shinzo Abe, que vem dando resultados positivos nos últimos meses.

Quando Mikitani fala _ e ele fala muito _ Abe ouve. Após sua posse, o primeiro-ministro encontrou os membros da Jane antes de se reunir com a Keidanren.

_ Queremos ser um modelo a ser seguido, para sacudir o velho Japão e mostrar uma nova direção _ disse Mikitani a jornalistas na última sexta-feira, em Tóquio.

Aos 48 anos, com uma fortuna estimada em US$ 6,4 bilhões, o empresário ficou célebre por métodos radicais. Em 2010, determinou que o inglês seria a língua oficial das reuniões e dos e-mails internos da Rakuten. A empresa pagaria aulas para os funcionários, mas quem não passasse nos testes não seria promovido. Foi um choque num país conhecido por seu apego às tradições. Mikitani, ou Mickey, como é conhecido, acredita que essa é a única maneira de se tornar um conglomerado global.

_ Fui chamado de louco. Mas hoje a maioria dos funcionários domina o inglês. Eles também mudaram seu jeito de pensar e de ver o mundo _ disse Mikitani, que inaugurou a Rakuten no Brasil em 2012, depois de comprar a Ikeda.

O empresário estudou em Harvard e trabalhou em banco até 1995, quando sua cidade natal, Kobe, foi arrasada por um terremoto. Perdeu os tios e amigos e decidiu mudar de vida. Dois anos depois, criou o portal de e-commerce, batendo pessoalmente na porta dos lojistas para convencê-los a anunciar seus produtos na Rakuten, que cobra um percentual sobre as vendas. Começou com 13 lojas, a maioria de amigos. Hoje o shopping online engloba tanto multinacionais quanto pequenos produtores. O lucro operacional do grupo no primeiro semestre foi acima de US$ 470 milhões, 26% a mais do que no mesmo período do ano passado.

_ O Japão não é bom em criar novos negócios. _ afirma. _ Ganhamos em tecnologia, mas perdemos em gerenciamento _ critica, acrescentando que as empresas japonesas têm a aprender com concorrentes como a coreana Samsung.

Entre suas propostas para revitalizar a economia de seu país, estão a contratação de mais executivos estrangeiros; incentivos fiscais para investimentos em pesquisa e desenvolvimento; reformulação do sistema educacional para produzir profissionais globalizados e adesão a tratados de livre comércio.

_ Estou otimista. Acredito que há menos resistência a mudanças no Japão _ diz Mikitani, que além de tudo é dono de um time de beisebol, o Tohoku Rakuten.

Por Claudia Sarmento | Publicado originalmente em O Globo | © 1996 – 2013. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. | 24/09/2013

Editora Unesp lança 13 novos eBooks gratuitos


Coleções digitais assinadas por docentes e pós-graduados da universidade reúnem agora 284 obras

Fundação Editora UnespA Editora Unesp está lançando 13 novos livros digitais, dentro do Projeto Edição de Textos de Docentes e Pós-graduados da Unesp. Criado em 1993, o projeto já selecionou e editou mais de 300 obras de acadêmicos da universidade, das quais 71 em formato digital, incluindo os novos títulos. Até 2011 os livros eram publicados somente em versão impressa e comercializados em livrarias. Desde o ano passado começaram a ser oferecidos apenas como e-books para download gratuito e impressão sob demanda. Clique aqui e confira os títulos que estão sendo lançados.

PublishNews | 24/09/2013

Digital Book World completa 5 anos


Conferência será em janeiro, em Nova York

O Digital Book World [DBW] vai promover, entre os dias 13 e 15 e janeiro de 2014 ,sua 5ª Conferência DBW, realizada em parceria com o Publishers Launch Conferences, em Nova York. É a maior conferência dedicada exclusivamente ao negócio editorial digital, e reunirá cerca de 50 expositores e mais de 100 palestrantes. Entre os destaques da conferência deste ano está Brad Stone, escritor da Bloomberg Businessweek e especialista na Amazon e Vale do Silício, e Tim O’Reilly, fundador e CEO da O’Reilly Media. Inscrições até o dia 7 de outubro terão preço especial. Para saber mais sobre a programação, clique aqui.

PublishNews | 24/09/2013

TEDx: escola de SP receberá evento para debater tecnologia e educação


Não adianta usar o tablet para um ditado”, diz Rubem Saldanha. A frase resume o pensamento do gerente de educação da Intel Brasil e um dos palestrantes do TEDx Dante Alighieri School, que irá ocorrer em 25 de outubro, às 15 horas, na sede do colégio paulista. Saldanha trabalha com jovens cientistas estimulando a produção de conhecimento e é defensor da inovação e da inclusão de novas tecnologias ao currículo escolar, mas é crítico: segundo ele, não há resultados eficazes sem um processo pedagógico bem delineado. Ou seja, não basta colocar um tablet ou computador na sala de aula, é preciso planejar o uso desses dispositivos e explorar suas potencialidades.

Você pode falar em tablet, ou no que for, mas a questão mais importante é: qual o planejamento que o professor tem para utilizar a nova tecnologia?”, comenta. Ele cita exemplos interessantes, como o de um projeto desenvolvido entre duas turmas de oitavas séries de estados diferentes do Brasil, no qual as professoras sugeriram a leitura de um livro que falava sobre a vida de Santos Dumont. A partir daí, uma série de atividades foi desenvolvida entre as turmas: discussão via web, criação de um blog de escrita coletiva, visita de uma das turmas ao interior de Minas Gerais para conhecer o local onde nasceu o aviador, conexão via web com uma terceira turma, parisiense, que foi conhecer o campo francês onde Dumont tentou alçar voo. “A internet permitiu aos alunos estar onde não podiam, mas havia todo um projeto pedagógico dos professores por trás, que envolveu geografia, história, português e inglês para se comunicar”, diz Saldanha.

Sobre a capacitação dos professores para atuar com as novas tecnologias, o especialista acredita que o país já avançou, mas vê ainda muito o que melhorar. Segundo ele, fundamental é a capacitação dos professores estar vinculada a um plano de carreira, e cita que, no estado de São Paulo, isso já ocorre.

Bom exemplo em Indaiatuba

A cidade do interior paulista é o primeiro exemplo destacado pelo especialista em relação a projetos voltados à inserção de tecnologia. Ele ressalta que a continuidade é a chave do sucesso. “A pessoa que comanda a área de tecnologia [de Indaiatuba] é a mesma há 10 anos. Eu poderia te dar também o exemplo de Araucária, na grande Curitiba, mas que hoje já não é um trabalho tão perfeito porque não houve continuidade do programa”, diz. Ele explica mais sobre o sucesso do projeto paulista: um computador por aluno, mas com professores capacitados, planejamento de compra de tecnologias e avaliação dos resultados.

Aliás, a avaliação dos resultados é outro elemento destacado por Saldanha: “Tem de saber onde se chegou e onde se quer chegar, e temos de entender que o fato de processos falharem não significa que o modelo é falido”, comenta.

Atuando com jovens cientistas no seu dia a dia, Saldanha estimula-os à inovação porque acredita que ela seja o motor propulsor da economia. “Se uma pessoa não tem a capacidade de criar coisas novas, ela vai entrar na escola, universidade, se formar e procurar um emprego: é um dos milhões de ‘consumidores de emprego’. Agora, se você inova, busca soluções para os problemas locais, o passo seguinte é criar uma empresa para comercializar o que você criou. A partir desse momento, você passa a procurar gente para ser seu colaborador. Você deixa de ser uma porquinha na roda da economia para ser o motor propulsor dela”, explica.

TEDx

O TEDx é um evento no formato das famosas conferências Technology, Entertainment, Design [TED, na sigla em inglês]. Como o evento internacional, é uma conferência de 18 minutos, no máximo, em que os palestrantes são convidados a fazer a melhor palestra das suas vidas; a diferença é o caráter local, organizado de forma independente, mas tendo de seguir as normas do TED internacional.

Valdenice Minatel, coordenadora do departamento de tecnologia educacional do Colégio Dante Alighieri, explica que a ideia foi acalentada desde o ano passado. As inscrições ainda estão abertas, mas, segundo ela, deverão encerrar-se em final de setembro. O público máximo das palestras será de cem pessoas, devido à exigência do TEDx por ser uma primeira edição. Além de Rubem Saldanha, o seleto público poderá acompanhar a palestra de Iberê Thenório, criador do site de curiosidades Manual do Mundo, uma das mais esperadas pelos alunos segundo Valdenice, entre outras personalidades.

Publicado originalmente em Terra | 23/09/13

Aprendendo com o futuro dos livros


POR EDNEI PROCÓPIO

Figure CLXXXVIII in Le diverse et artificiose machine del Capitano Agostino Ramelli, an illustration of a bookwheel

Conforme venho prometendo neste blog há algum tempo, meu próximo livro, o terceiro sobre eBooks, será finalmente publicado. Já se encontra no prelo da Editora do Sesi e, se tudo continuar correndo bem, será lançado simultaneamente nos formatos digital e impresso durante a próxima edição da Fliporto.

Iniciei a escrita do livro no segundo semestre de 2012, exatamente no ano em que o Data Discman, o primeiro projeto relevante da empresa Sony Corporation na área de livros eletrônicos, completava duas décadas de vida. Uma vez, porém, que minhas pesquisas ainda careciam de algumas constatações, só consegui terminar o texto depois da última edição do Congresso Internacional CBL do Livro Digital.

É impressionante perceber que, quanto mais avançam as tecnologias que envolvem eBooks, em menor espaço de tempo as novidades são colocadas à prova pelo mercado. Levei, portanto, um ano para escrever e terminar o livro, e em apenas um ano muita coisa aconteceu. Imaginemos então tudo o que foi apresentado no período de duas décadas, onde o livro eletrônico saltou de um estrondoso fracasso comercial para uma nova e empolgante possibilidade de experiência para a leitura.

Insisto nesta mania de olhar para trás quando escrevo sobre eBooks porque o distanciamento me parece um dos poucos modos seguros de vislumbrar um futuro para os livros. Em 2002, por exemplo, as empresas desenvolvedoras dos e-readers da primeira geração Rocket eBook e SoftBook, respectivamente NuvoMedia e SoftBook Press, foram entregues a Gemstar, uma subsidiária da RCA que, por sua vez, vendera os dois projetos para a Google em 2012.

Mas e em 1992, qual era o cenário?

Mesmo com a atual velocidade com que aparecem as novidades tecnológicas, e antigas certezas são postas à prova, não consideraria como um caminho saudável transformar meu novo livro em um periódico. Ou seja, não consideraria transformar minha obra em uma edição corrente, atualizada constantemente como se fosse um jornal ou revista [mesmo em uma versão digital]. Não vejo como encarar um determinado título como algo realmente inacabado, que deve estar sempre sendo reescrito, em constante atualização como se fosse um blog. Preferi, ao contrário, contestar o presente, analisar o passado, para vislumbrar um futuro.

Descobri isto quando recebi a última revisão do texto original, que me alertava para o fato de que os números apresentados em meu livro já poderiam ser considerados defasados. A revisão me pôs em alerta. Como é que um determinado dado, registrado para futuras consultas, pode ser considerado defasado antes mesmo de ser publicado? Tive que deixar ainda mais claro para os futuros leitores da obra que, os números de mercado, apresentados no livro, refletiam um momento, um cenário, uma fotografia, enfim, um recorte de um período em que o mercado de eBooks parecia expandir-se por um novo caminho. Um caminho bem diferente daquele imaginado pela Sony duas décadas antes.

No início da década de 1990, a internet ainda era um projeto acadêmico e não havia se transformado no meio extraordinário de comunicação e exploração comercial como ela é hoje. A Sony lançava no mercado norte-americano, um dispositivo para a leitura de livro eletrônico chamado Data Discman. Uma espécie de percursor da primeira geração de e-readers que viria a seguir.

Por rodar livros em cima de uma mídia física, ou seja, pré-gravados em discos [protegidos como os antigos disquetes], o dispositivo fora desenvolvido totalmente para leitura no modo offline e o conteúdo podia ser pesquisado através de um teclado do tipo QWERTY [também físico, bastante parecido com o dos BlackBerrys].

Há duas décadas, Sony lançava seu primeiro Electronic Book Player. Foto: Sony Data Discman modelo DD-1EX]

Há duas décadas, Sony lançava seu primeiro Electronic Book Player. Foto: modelo DD-1EX

De certo modo, o Data Discman era uma tentativa da Sony de repetir o sucesso do Walkman, dessa vez com livros. Mas ao contrário de seu predecessor, que tocava áudio que poderia ser encontrado aos montes em lojas especializadas [fora as fitas do tipo K7 que se tornaram bastante populares e podiam ser gravadas pelos próprios usuários], o Data Discman carecia de conteúdo.

Um Data Discman modelo padrão, como o DD-1EX, tinha uma tela de LCD de baixa resolução e em escala de cinza, como nos primeiros Palmtops, com baixo poder de processamento. Ao contrário dos Palms, trazia um drive de CD com a tecnologia e o padrão proprietários, que rodava enciclopédias, dicionários, além das obras literárias. Que não eram facilmente encontrados em livrarias, nem nos melhores magazines do ramo.

Como era de se esperar, o Data Discman teve pouco sucesso, principalmente fora do Japão [país sede da Sony]. Em vez disso, agendas eletrônicas do tipo Palm foram os dispositivos que ganharam popularidade e conquistaram o consumidor. Um pouco mais tarde, o Palm Reader foi a solução de aplicativo para a leitura dos livros nos devices portáteis daquele período que avançou até o lançamento do Sony Libriè para o mercado japonês.

Nada se cria, tudo se compartilha

Sony Data_Discman | Electronic Book Player modelo DD-8

Sony Data_Discman | Electronic Book Player modelo DD-8

Há semelhanças entre o Data Discman e o Palm. Há semelhanças entre o Palm e o BlackBerry. Há semelhanças entre o Rocket eBook e o Sony Reader lançado em 2005 no mercado americano. Mas o que geralmente é enxergado são apenas as diferenças entre esses equipamentos todos desenvolvidos dentro de um período que vai de 1990 a 2010.

A internet mudou muito desde aquelas duas décadas e, parte do conteúdo que existia naquela chamada web 1.0, de meados da década de 1990, praticamente já não existe mais. Se algum pesquisador buscar até os números referentes ao período que antecede o lançamento do Kindle, que inaugura a segunda geração de e-readers, terá que vasculhar bastante para encontrar alguma análise relevante.

É neste sentido que, nos meus dois primeiros livros, tentei contextualizar ao máximo os dados do mercado e cenários apresentados. Penso em um contexto futuro, usando históricos e cases de sucesso ou fracasso do passado para ampliar a visão do presente. E agora tento fazer isto novamente com minha nova obra porque eu sei que alguns pesquisadores precisarão de informações, analisadas e comentadas, para eventualmente até usar de comparação em seus trabalhos.

Por exemplo, algum profissional poderá futuramente se perguntar que porcentual representava a venda de eBooks no Brasil, em comparação com o mercado de livros impressos, quando big players como Kobo, Google e Amazon aportaram no país. Se ele fizer uma comparação com dados em um mesmo nível de apuração, usando os mesmos critérios de levantamento, poderá obter o percentual de crescimento mais próximo da realidade até o seu próprio período [mesmo que alguns players continuem ocasionalmente tentando manipular os números como tentam fazer hoje].

Agora, se a internet continuar impondo seu ritmo avassalador de criação, armazenamento e compartilhamento de informações, esta tarefa de pesquisa pode se tornar cada vez mais difícil de ser realizada. E obras contemporâneas, que mais do que registrar um período, contextualiza os números e cenários, pode ajudar profissionais a compreender o passado mas, principalmente, o futuro dos livros.

Foi assim que, por conta da velocidade com que novidades surgem, em formato de projetos, startups, apps, produtos, softwares, hardwares, plataformas, etc., fui obrigado a voltar ao básico neste meu novo livro. Procurei encontrar semelhanças entre as coisas aparentemente diferentes, e diferenças naquelas que nos são aparentemente semelhantes.

POR EDNEI PROCÓPIO

Equipamentos eletrônicos podem tornar a leitura mais fácil para disléxicos


Um dos maiores problemas para quem tem dislexia é a decodificação das letras, o que gera grandes dificuldades na leitura. Porém, a tecnologia pode facilitar a vida de quem sofre com esse problema. Pesquisa realizada por professores da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, aponta que essas pessoas podem ter mais facilidade com textos quando eles estão em smartphones e e-readers [leitores de livros digitais como o iPad, o Kobo e o Kindle].

Ao realizar um experimento com adolescentes disléxicos, os cientistas notaram que os jovens faziam a leitura de forma mais fácil quando usavam os aparelhos eletrônicos em vez do papel. Os autores do estudo, publicado esta semana na revista americana Plos One, acreditam que isso ocorre por conta da maneira como a tela dispõe as linhas do texto, que, mais curtas, reduzem o número de interferências.

Pernambuco.com | 21/09/13

Celular já serve de caderno em sala de aula


Os alunos das escolas públicas da capital já começam a usar os celulares em sala de aula como se fossem cadernos

Na Emef [Escola Municipal de Educação Infantil] Antônio Duarte de Almeida, em Itaquera, na Zona Leste de São Paulo, os alunos não apenas são autorizados a entrar com seus smartphones nas salas de aula, como são incentivados a utilizá-los como suporte de ensino. “A tecnologia serve à educação também. Tenho alunos que preferem anotar o que foi passado na lousa digitando no celular ou tablet. Outros preferem fotografar”, analisa o diretor, José Silveira.

Na instituição, além do laboratório didático com 21 computadores, os estudantes pesquisam o conteúdo simultaneamente à explicação do docente, tanto pelos seus telefones particulares, quanto pelos 14 tablets dados pela Prefeitura. “A gente presta mais atenção quando podemos aprender usando a internet”, diz Luana Isidora, de 16 anos, aluna do 8 ano.

Celular, não/ Mas o deputado estadual Rodrigo Moraes [PSC] teme que os dispositivos móveis se tornem uma “inconveniência”. “Imagine um professor trabalhando e celulares tocando? Nossos educadores não precisam sofrer com mais um problema”, argumenta.

Rodrigo é autor de um projeto de lei que proíbe o uso do telefone móvel nas escolas. Se tivesse feito uma breve pesquisa na internet, o parlamentar saberia que tal legislação já existe, tanto na esfera municipal como na estadual.

Com 14 anos de magistério, a docente de informática Ariane Cabrera teme pela segurança com a liberação dos aparelhos. “Já vi estudantes agendando briga. Mas isso não deve ser empecilho. Os professores têm de saber lidar com isso”, opina.

Caíque Silva, de 11 anos, concorda com Ariane e não quer saber de voltar ao modelo antigo. “Hoje tenho vontade de vir pra escola”, diz o aluno do 5 ano. se rende à tecnologia, mas leis municipal e estadual vão contra a medida.

Rede Bom Dia | 20/09/13

Editora Livrus marca presença no Congresso e Feira do Livro Digital 2013


PALESTRA | AUTOPUBLICAÇÃO NA ERA DIGITAL

ANOTE NA SUA AGENDA. É DIA 21, SÁBADO


No mês da primavera, a Editora Livrus traz oportunidades únicas para os nossos autores. São ações que irão contribuir para esclarecer a respeito do novo cenário editorial brasileiro. As ações são gratuitas e serão oportunidades únicas de conhecer de perto o futuro dos livros no Brasil e no mundo.

PALESTRA AUTOPUBLICAÇÃO NA ERA DIGITAL

A palestra Autopublicação na Era Digital foi especialmente criada para quem deseja saber mais sobre os novos meios de edição e abordará a produção, comercialização, Direitos Autorais e outros temas ligados ao universo dos livros.

SERVIÇO GRATUITO DE APOIO AO ESCRITOR

Esta iniciativa inédita no País disponibilizará um canal direto com o escritor com dúvidas relacionadas à sua carreira literária. A ação pretende contribuir de maneira decisiva, oferecendo um suporte que inclui itens como:

  • O registro do livro na Biblioteca Nacional;
  • A apresentação de textos originais nas editoras;
  • As questões que envolvem a publicação de impressos e digitais;
  • As opções de plataformas de edições independentes;
  • A comercialização e distribuição de títulos;
  • A divulgação e promoção de obras em diversos meios;
  • Os Direitos Autorais e Copyright;
  • Agenciamento Literário.

DIA 21, SÁBADO

PalestraAutopublicação na Era Digital
Onde: Na Sala Desenvolvedores e Tendências
Horário: Das 10h às 11h00

AçãoServiço Gratuito de Apoio ao Escritor
Onde: No Espaço de Expositores
Horário: Das 9h às 17h00

LocalColégio Santa Cruz
Endereço:Av. Arruda Botelho, 255 • Alto de Pinheiros • SP

Nos EUA, crescimento tímido das vendas de eBooks no primeiro semestre


As vendas de e-books não estão imunes aos impactos dos bestsellers. Segundo o relatório StatShot da Associação Americana dos Editores [AAP], os e-books adultos cresceram apenas 4,8% nos primeiros seis meses de 2013, em relação ao mesmo período em 2012, chegando a um total de US$ 647,7 milhões. Em junho, as vendas de e-books caíram 8,7% (para um total de US$ 108,6 milhões). No começo do ano, a Random House admitiu que as vendas de e-books caíram no período, devido ao forte crescimento de vendas em 2012, liderado pelo ‘Cinquenta Tons’. As vendas de e-books da categoria infantil e jovens adultos caíram 22,1% no primeiro semestre, prejudicadas pelas vendas de Jogos Vorazes em 2012.

Publishers Weekly | 19/09/13

Do papel ao digital


Conheça um pouco mais os e-books, tecnologia que vêm modernizando os hábitos de leitura em todo o mundo

O mercado do consumo vem crescendo cada dia mais em todo o mundo, tendo sempre como fiel aliada as constantes inovações tecnológicas. Celulares, câmeras, iPods, tablets e diversos aparelhos fazem parte do cotidiano de todas as pessoas, proporcionando facilidade de acesso à informação e interligando todos os amantes da tecnologia.

O que ninguém imaginou e nem mesmo Gutenberg previu, era que esse universo tecnológico iria contagiar leitores assíduos e o universo mágico dos livros.

Até pouco tempo atrás, se ficávamos sabendo do lançamento de algum livro desejado, se nossa série favorita ganhasse uma nova continuação ou o vestibular nos exigisse alguma obra, a primeira opção seria recorrer à livraria mais próxima ou às bibliotecas. Mas agora, o surgimento dos e-books faz com que nossa necessidade de leitura seja suprida sem sair de casa.

E-book, termo de origem inglesa, é uma abreviação de electronic book. Popularmente conhecido como livro digital, apresenta a mesma obra contida na versão impressa, porém na forma de mídia eletrônica, que pode ser lida através de um computador, e-reader, smartphone ou tablet.

A tecnologia invade o mundo dos livros através dos e-books e aparelhos de leitura digital. Foto: Marcos Santos/USP Imagens

A tecnologia invade o mundo dos livros através dos e-books e aparelhos de leitura digital. Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Para ter acesso a essas obras, existem livrarias digitais que fornecem diversos títulos disponíveis para download e cobram por isso.

Cobrar? Sim!

Segundo o especialista em e-books e membro da Comissão do Livro Digital, Ednei Procópio, “ao comprar um e-book, geralmente as plataformas permitem que o leitor baixe o arquivo do livro para diversos dispositivos e aplicativos de leitura. O leitor tem diversas opções que vão desde bibliotecas digitais até a possibilidade de baixar títulos gratuitos de modo legal”.

Além disso, existe a possibilidade dos downloads não-oficiais, que não cobram pelo e-book, mas não são recomendados, pois acarretam diversos danos, como vírus. Sobre isso, o blogueiro Caíque Fortunato, do Entre Páginas de Livros explica que “um dos grandes problemas com os livros digitais é a pirataria, que é crime, já que se pode encontrar facilmente na internet vários exemplares ilegais para download.”. Para ele, o certo e recomendável é a pessoa comprar o e-book, “já que assim o autor estará recebendo por seu trabalho e a literatura vai sendo incentivada cada vez mais”, complementa Fortunato.

E- o que?

Outra novidade que acompanha a onda dos livros eletrônicos são os e-readers, dispositivo específico para a leitura de obras digitalizadas, que pode ser encontrado no mercado em uma grande diversidade de modelos e marcas.

O mais famoso deles foi o Kindle, lançado pela Amazon Books em 2007, empresa americana de comércio eletrônico, uma das maiores bibliotecas digitais. O aparelho conquistou o mundo pela sua portabilidade e comodidade, possibilitando o download das obras pelo próprio aparelho e comportando mais de 1500 títulos.Hoje em dia, o Kindle já está em sua quinta geração, possuindo diversas funções e utilidades para os usuários.

A Amazon chegou ao Brasil em dezembro do ano passado, porém os preços de seus e-books continuam salgados, se assemelhando quase ao preço do livro impresso. No país, as principais opções de livrarias digitais são a Fnac, Saraiva, Cultura, Moby-Dick Ebooks, Gato Sabido, Travessa e Submarino.

Sobre o novo dispositivo, a blogueira Sybylla, do Momentum Saga, afirma que “a chegada dos e-readers e da Amazon impulsionaram o mercado de e-books, e a tecnologia é sempre um atrativo para as pessoas, mesmo que elas não se interessem tanto pela leitura.”. Ela acredita que para quem é leitor viciado, isso não vai mudar muito, sendo apeas uma ferramenta a mais. Entretanto, a blogueira acredita que “ isso pode impulsionar a leitura de quem antes não curtia muito.”.

Livro impresso versus e-books

As comparações começaram a se espalhar e as opiniões divergem em vários aspectos. E-books, devido à sua facilidade de acesso e seu baixo custo de produção, vêm acompanhados de um preço muito mais barato do que os modelos impressos, quase 70 % a menos.

A possibilidade de adquirir obras do mundo todo pode agradar os leitores, sem contar a facilidade do transporte e de não ocupar espaço: centenas de obras podem ser facilmente levadas de um lugar para outro com apenas um pen-drive ou tablet. Com o advento da era digital, a nova possibilidade pode agradar e incentivar o hábito da leitura para aqueles que não vivem sem estar conectados.

Já a popularidade dos livros impressos não se abala por motivos mais saudosistas. Há aqueles que afirmam que o livro é a única forma de nos desconectarmos do mundo, um bem durável que não necessita de bateria e podem ser emprestados a qualquer hora. Não possuem uma tela para incomodar a vista e nos dão o prazer da leitura, com imagens, capas, cheiro de livro novo e dedicatórias carinhosas.

E o futuro?

Várias editoras em todo o mundo já iniciaram o processo de digitalização de suas obras, alcançando assim todos os públicos. O país campeão é os Estados Unidos. No Brasil, segundo Ednei Procópio, a situação é diferente. “Até meados do segundo semestre de 2013, há um universo de aproximadamente 300 mil títulos sendo comercializados no formato impresso. Mas, no mesmo período, apenas em torno de 16 mil em formato digital. Ou seja, infelizmente, o leitor não acha qualquer livro no formato de e-book”.

eBooks já fazem sucesso no mundo todo, mas para substituir os livros impressos,ainda têm um longo caminho a percorrer. Foto: Divulgação

eBooks já fazem sucesso no mundo todo, mas para substituir os livros impressos,ainda têm um longo caminho a percorrer. Foto: Divulgação

A realidade dos e-books é realmente promissora, eles já fazem parte do cotidiano de muitos países e possuem grandes chances de se expandir também no Brasil, mas a passos lentos, pois as editoras terão que se acostumar com a nova tecnologia.

Ednei Procópio acredita que é muito cedo para afirmar que irá acontecer uma alteração no nível de leitura da população influenciada pela tecnologia. “A única coisa que pode efetivamente contribuir para elevar os níveis de leitura da população é a Educação. Sem Educação não há leitura, não há consumo nem de livros impressos digitais nem de livros digitais”, explica Procópio

Enquanto isso, as duas versões caminham tranquilamente e dividem o espaço e o gosto dos leitores em todo o mundo. Como afirmou a blogueira Sybylla: “Pintura não foi substituída pela fotografia, televisão não foi substituída pelo cinema, apenas convivem e muito bem. O mesmo com o livro físico e o e-book”.

Por Tatiana Olivetto | Publicado originalmente em WebJornal Mundo Digital Unesp | 18/09/2013

Os novos e-readers?


Os tablets estão substituindo os leitores digitais dedicados; os smartphones são cada vez mais uma plataforma importante para o mercado editorial; as vendas do E Ink estão caindo. Apesar das tendências do mercado digital, há quem não abra mão da tela de e-ink na hora de ler seu e-book. Eis então que alguns protótipos de capas de e-ink apareceram na IFA 2013, uma feira de bens eletrônicos, em Berlim. A Alcatel e a Pocketbook apresentaram capas que transformam smartphones em e-readers que consomem pouca energia. As capas funcionam com um aplicativo que ‘desliga’ a tela normal e manda o texto para a capa com display em e-ink. Será que a tendência pega?

PublishNews | 18/09/13

A Biblioteca do futuro?


Biblio Tech é inaugurada no Texas

Enquanto algumas bibliotecas precisam incinerar livros por causa de fungos, outras têm acervo desfalcado por falta de retorno dos empréstimos, e o congresso brasileiro aposta que a aprovação de uma lei vai viabilizar a construção de mais de 50 bibliotecas por dia, novos modelos de bibliotecas digitais começam a aparecer nos Estados Unidos. Em abril foi a inauguração da Biblioteca Nacional Digital, a menina dos olhos do historiador de Harvard Robert Darnton. A outra novidade veio do Texas. No último final de semana o estado americano inaugurou a Biblio Tech, uma biblioteca sem livros físicos, em Bexar County. A biblioteca digital oferece um catálogo de 10 mil e-books a 1.7 milhão de residentes da região. O empréstimo é gerenciado por um aplicativo da biblioteca, que conta quantos dias o leitor tem para terminar o livro. A Biblio Tech possui também um prédio físico, com 600 e-readers e 48 computadores, além de laptops e tablets, segundo o site da biblioteca.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 16/09/2013

Ministério receberá propostas de aplicativos para tablets


O Ministério da Educação abriu inscrições até 21 de setembro para o recebimento de propostas de aplicativos educativos para tablets, que tenham por objetivo enriquecer o currículo dos alunos, bem como contribuir para a formação continuada dos professores.

De acordo com o edital publicado no Diário Oficial da União, o aplicativo deve ser totalmente gratuito para o usuário, funcionar no sistema operacional Android 4.0 e ficar hospedado na loja virtual Google Play. Os aplicativos inscritos devem estar redigidos em língua portuguesa, ou traduzidos para o português do Brasil. Também serão aceitos aplicativos educativos nos idiomas inglês e espanhol, desde que sejam aplicativos de cursos dos respectivos idiomas.

Os aplicativos podem ser desenvolvidos para quatro áreas diferentes. A primeira delas é de enriquecimento curricular, voltada para as diferentes etapas da educação básica. Há também duas áreas voltadas para a capacitação dos professores e por fim, uma área para desenvolver aplicativos acessíveis para alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades-superdotação.

Em 23 de setembro, haverá a instalação de um comitê técnico, que avaliará as propostas inscritas. A homologação dos resultados será publicado no DOU em 22 de novembro. O prazo para recursos vai de 25 de novembro a 2 de dezembro. Os resultados finais sairão em 10 de dezembro.

Experiência – O professor Rony Claudio de Oliveira Freitas, do Instituto Federal do Espírito Santo, desenvolveu um aplicativo de matemática baseado no Material Dourado, criado pela educadora italiana Maria Montessori, utilizado para ensinar conceitos de número e operações aritméticas nas séries iniciais do Ensino Fundamental.

Segundo ele, a intenção é transformar o processo de aprendizagem de matemática em algo interativo e lúdico. Rony explica que o professor pode utilizar o aplicativo como forma complementar ao que já realiza em sala de aula com os materiais tradicionais. Ele pretende também criar um software para que o professor possa acompanhar o desenvolvimento da atividade nesse aplicativo, fornecendo dados sobre o desempenho dos alunos, o tempo gasto, e a trajetória de resolução.

A criação do aplicativo é fruto da continuação da pesquisa de mestrado do professor Rony, intitulada Um Ambiente para Operações Virtuais com o Material Dourado. A pesquisa de mestrado resultou em um software. Em 2012, o docente participou de um edital de incentivo a projetos de pesquisa do campus Vitória do Instituto Federal do Espírito Santo, em que foi contemplado e recebeu apoio financeiro para o projeto Um aplicativo para Android como potencializador da aprendizagem de conceitos de número e operações aritméticas. A parte técnica do aplicativo foi desenvolvida por José Alexandre Macedo, estudante do mestrado em Informática da Universidade Federal do Espírito Santo [Ufes]. O aplicativo é gratuito e pode ser baixado no Google Play.

Assessoria de Comunicação Social | Sexta-feira, 13 de setembro de 2013, às 17:58 | Com informações da assessoria de comunicação social do Instituto Federal do Espírito Santo

Fabricantes reagem à expansão digital


Com um número crescente de pessoas usando e-mails, pagando contas on-line e armazenando arquivos eletronicamente, o mercado de papel destinado para impressão vem caindo nos últimos dez anos e levando ao fechamento de fábricas. No exemplo mais recente, a International Paper informou esta semana que pretende fechar sua maior fábrica de papel nos Estados Unidos e transferir 1.100 empregados, citando justamente a queda na demanda por papel num mundo cada vez mais digital. A International Paper responde por cerca de 25% da capacidade de produção de papel não revestido dos EUA, atrás somente da Domtar Corp. Fechar a fábrica de Courtland deve reduzir a capacidade do setor em torno de 8%. As fabricantes Domtar, Georgia-Pacific e Boise anunciaram cortes na produção nos últimos dois anos. Enquanto isso, a demanda cresce no Brasil, China, Rússia e outros países em desenvolvimento, onde a International Paper vem aumentando sua capacidade. No Brasil, ela tem três unidades: duas fábricas de papel e celulose em São Paulo e uma de papel no Mato Grosso do Sul. A IP planeja dar baixas contábeis de US$ 675 milhões relativas ao fechamento da fábrica de Courtland até o fim de 2013 e em 2014.

Por Bob Tita, The Wall Street Journal | Valor Econômico | 13/09/2013

Para o escritor Scott Turow, Google e Amazon representam ‘a lenta morte do autor americano’


O best-seller e advogado é o principal convidado da Pauliceia Literária, evento que será realizado em São Paulo entre os dias 19 e 22 de setembro

Scott Turow. O autor já vendeu milhões de cópias no mundo com romances como “Acima de qualquer suspeita” (1987), “O ônus da prova” (1990) e “O inocente” (2010) M. Spencer Green / Agência O Globo

Scott Turow. O autor já vendeu milhões de cópias no mundo com romances como “Acima de qualquer suspeita” (1987), “O ônus da prova” (1990) e “O inocente” (2010) M. Spencer Green / Agência O Globo

RIO | Seus livros falam de mortes, acusações, desconfianças e de toda uma elaborada disputa jurídica. Neles, já foram descritos estupros, suicídios e assassinatos, sempre com detalhes de quem conhece bem tanto a arte da narrativa quanto a aridez das histórias policiais. Mas o assunto que ultimamente mais tem tomado o tempo do escritor e advogado americano Scott Turow é diferente das tramas de seus romances. Trata-se de um crime, sim, mas um em que é mais difícil encontrar provas e identificar culpados. É o que Turow chama de “A lenta morte do autor americano”.

Os suspeitos, apontados por ele num artigo que publicou em abril no jornal “The New York Times”, sobre os efeitos da era digital para os escritores, são Google, Amazon, a pirataria na internet e até as grandes editoras. Desde então, o assunto vem sendo motivo de debate para esse americano de 64 anos. E certamente será um dos temas abordados por ele na Pauliceia Literária, evento que será realizado em São Paulo entre os dias 19 e 22 de setembro e do qual Turow é o principal convidado — ele fala no dia 20, às 19h, na Associação dos Advogados de São Paulo, com mediação de Arthur Dapieve, colunista do GLOBO.

— Eu costumo chamar a Amazon de “O Darth Vader do mundo literário”. Com uma política pesada de descontos e até pagando aos editores um valor mais alto do que o valor de venda dos livros, a Amazon está forçando a saída de seus competidores do negócio — afirma Turow, em entrevista por telefone ao GLOBO, ao exemplificar seus confrontos com algumas práticas do mercado digital. — As livrarias estão fechando, e as que tentam se arriscar nos e-books não conseguem. Para mim, seria natural alguém querer comprar e-books indo até uma livraria, plugando seu celular ou tablet num cabo e escolhendo o seu livro. Mas algo assim não acontece por causa da pressão que a Amazon faz no mercado.

Processo contra o Google

Não à toa, Turow foi eleito em 2010 para a presidência do Sindicato Americano de Autores, o que é extremamente simbólico para um momento de discussão sobre os direitos na internet e os contratos para e-books. Turow não é apenas responsável por celebrados romances jurídicos, como “Acima de qualquer suspeita” (1987) e “O ônus da prova” (1990), ambos publicados no Brasil pela editora Record, mas é também um advogado atuante, sócio de um grande escritório de Chicago. É, portanto, a figura perfeita para dar voz às preocupações de um sindicato que em 2005 entrou com um processo contra o Google para impedir o Library Project, por meio do qual a empresa pretende digitalizar todos os livros do planeta.

— A ação do Sindicato contra o Google parece interminável, o caso já tem oito anos. Quase chegamos a um acordo em certo momento, mas o juiz o rejeitou. Espero que haja um novo julgamento até o fim deste mês. Mas há outros problemas com o Google e outros buscadores. Você encontra neles o caminho para livros piratas, com uma série de links publicitários ao lado. O Google leva o usuário para baixar todos os meus livros ilegalmente e ainda lucra com isso — diz.

No artigo do “New York Times”, Turow disse que “o valor dos direitos autorais está sendo rapidamente depreciado”. Segundo ele, as mudanças no mercado afetariam sobretudo os autores médios, por conta da política das grandes editoras americanas de fixar um limite de 25% no pagamento de royalties aos autores, apesar de o custo com o livro digital ser, em teoria, menor. O autor lembra, ainda, que a Divisão Antitruste do Departamento de Justiça dos EUA entrou com uma ação contras as editoras e contra a Apple por fixarem preços para os e-books.

A Apple foi considerada culpada em julho, e, há uma semana, a Justiça americana determinou que a empresa altere seus contratos com as editoras e seja acompanhada por um auditor externo durante dois anos. Mas a Apple vai apelar.

— Não gostei da decisão da Justiça contra a Apple, acho que ela serviu para favorecer a Amazon — diz Turow. — O que as editoras e a Apple fizeram foi criar uma nova estrutura de preços, que realmente tornou os livros mais caros, mas elas fizeram isso para barrar a política de monopólio da Amazon, que vende os livros baratos artificialmente para tirar os concorrentes do mercado. Quando você vê livrarias que não a Amazon perdendo dinheiro ao vender e-books, é sinal de que existe alguma distorção, e essa distorção não foi criada pela Apple.

Novo romance sai este ano nos EUA

Em paralelo às lutas do sindicato, Turow ainda encontra tempo para advogar e escrever. O caso mais recente em que atuou, ele explica, foi como consultor num processo contra um político eleito que nomeou para um cargo público sua empregada doméstica. Mas há algo novo a caminho, bem mais interessante para seus leitores: já está em pré-venda em lojas como a Amazon (ops!) seu 12º livro, chamado “Identical”. A previsão de lançamento no Brasil, também pela Record, é para o ano que vem, e seu título provisório em português é “Idênticos”.

— O livro se passa em 2008 e vai tratar de dois gêmeos idênticos. Um, Paul, está prestes a concorrer a prefeito, enquanto o outro, Cass, será solto da prisão depois de 25 anos de condenação por assassinar sua namorada. A partir daí levanta-se a suspeita de que Paul também pode ter tido algum envolvimento no crime — explica Turow.

Antes, o último livro lançado por Turow foi “O inocente”, em 2010, uma sequência para “Acima de qualquer suspeita”, sua obra mais conhecida e que foi parar nos cinemas em 1990 sob a direção de Alan J. Pakula, com Harrison Ford como protagonista. Nele, assim como em seus outros romances, “Identical” inclusive, a trama se passa no fictício Condado de Kindle, o universo criado por Turow para desenvolver histórias que misturam densos casos judiciais com as relações pessoais de seus personagens. Tudo inspirado na realidade de um advogado que Turow conhece tão bem.

— Sempre me senti dividido entre o direito e a literatura, mas eu não sou esquizofrênico. Escritores e advogados têm muito em comum — diz. — Eu pratico direito criminal, e os clientes que me procuram podem ser divididos em duas categorias. A primeira é a de inocentes; e a segunda, maior, é de pessoas que fizeram algo errado e estão com medo de serem pegas. O meu trabalho como advogado, então, é parecido com o meu de romancista: tentar entender as motivações de um cliente ou de um personagem.

Por André Miranda | O Globo | 11/09/2013 | © 1996 – 2013. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.

Financiamento para a edição de livros digitais


Iniciativa da Fundação Editora Unesp é voltada à disseminação digital da produção acadêmica

Fundação Editora UnespA Pró-Reitoria de Extensão Universitária [Proex] e a Fundação Editora Unesp [FEU] acabam de publicar o Edital do Programa de Publicações Digitais Coleção Extensão Universitária. A iniciativa é voltada à disseminação digital da produção acadêmica na extensão universitária desenvolvida pelos docentes e pesquisadores em conjunto com graduandos, pós-graduandos, pós-graduados, funcionários técnicos administrativos da Unesp e comunidade externa. Será financiada a edição de livros sob o selo Cultura Acadêmica da FEU no período 2013/2014. A edição será concretizada em formato digital, nos moldes creative commons e será disponibilizada on-line na página do Selo Cultura Acadêmica da FEU. Os textos indicados serão submetidos ao processo de análise em conformidade com as áreas temáticas da Extensão Universitária, que podem ser conferidas clicando aqui. Acesse o edital completo.

PublishNews | 11/09/2013

Davi e Golias do eBook


Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 11/09/2013

Em surdina, por causa da animação da Bienal na semana passada, os primeiros tiros de uma nova batalha foram lançados. Davi e Golias começaram a batalha pelo futuro do e-book.

Davi

Uma start-up americana financiada por investidores chamada Oyster lançou recentemente um serviço do tipo “Netflix para livros”. Já falei sobre esse conceito antes e testei pessoalmente várias plataformas – da Nuvem de Livros ao Kindle Owners’ Lending Library. Acho que a Oyster tem os aparatos necessários para fazer o modelo dar certo: primeiro, uma biblioteca sólida com mais de 100 mil títulos do catálogo da HarperCollins e bestsellers como O Senhor dos Anéis; segundo, uma interface muito bem desenhada – o tipo de experiência que poderia atrair não leitores a se juntar à revolução do e-book [apesar de estar disponível apenas para o iPhone por enquanto]. O preço mensal é razoável, US$ 9,95 por mês, praticamente o mesmo de uma assinatura do Spotify [de música] e Netflix.

Golias

Sempre se reinventando, a Amazon lançou o Matchbook, um programa que tem o potencial de acelerar as vendas de livros impressos e digitais. A ideia é simples: para qualquer livro impresso incluído no programa comprado nos últimos 18 [!] anos, o leitor pode pagar mais $1, $2 ou $3 pela versão em e-book. Como isso ajuda as vendas de livros impressos? Bem, os leitores podem comprar um livro impresso sabendo que o conteúdo adquirido estará “a prova do futuro” e universalmente acessível na nuvem. Para leitores que já possuem bibliotecas de papel, pode ser um caminho para a digitalização completa do acervo pessoal por uma fração do custo dos originais impressos.

Mas, na verdade, Davi e Golias estão se juntando para lutar contra um inimigo comum da indústria editorial: a pirataria. Com acesso barato e universal a catálogos de e-books, o incentivo de fotocopiar ou baixar cópias ilícitas tende a zero.

O que vocês acham desses programas? Os preços são acessíveis para o público brasileiro? Adoraria ouvir suas opiniões:greg@hondana.com.br

Greg Bateman

Greg Bateman

Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 11/09/2013

Greg Bateman, expert em tecnologia e empreendedor do negócio de e-books, é conhecido pelo seu envolvimento na criação de produtos extremamente bem-sucedidos, como os smartphones da Samsung e o Kindle, da Amazon. Na Vook, ele desenvolveu uma eficiente cadeia de produção de centenas de e-books por semana. Greg, que nasceu nos Estados Unidos, viveu nove anos no exterior, onde intermediou várias parcerias envolvendo Coreia, China, Japão e EUA. Hoje mora no Brasil, em São Paulo. Ele é pesquisador visitante da Universidade de Tóquio, tem duas graduações pela Universidade da Califórnia em Berkeley [engenharia elétrica/ciência da computação e literatura japonesa] e um MBA pela Columbia Business School.

A coluna E-Gringo discute a fundo o negócio e o lado técnico dos e-books a partir de uma perspectiva global. Às quartas-feiras, quinzenalmente, ela vai apresentar plataformas e tendências do mundo todo e, claro, do Brasil. Para enviar comentários, escreva para greg@hondana.com.br .