Os desafios do copyright


Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 30/08/2013

Micheal Healy, diretor da CCC, concedeu entrevista ao PublishNews

Um dos maiores debates atualmente no mercado editorial digital – na verdade, em qualquer tipo de mercado digital – é a questão do licenciamento e direitos autorais. No olho do furacão está Michael Healy, Diretor Executivo da divisão de autores e editoras da Copyright Clearance Center [CCC], uma das maiores empresas administradoras de copyright e direitos autorais do mundo. Healy participa hoje da Contec, na Bienal do Rio [no Auditório – Pavilhão Azul/3 do Rioentro] onde fará uma palestra sobre Educação e Direitos Autorais. Em entrevista ao PublishNews, por email, Healy fala sobre territorialidade, novos formatos e os desafios da CCC para o futuro.

PublishNews: Como você vê o surgimento e aumento de outras formas de copyright, em particular o Creative Commons?

Michael Healy: Não pode haver um único regime monolítico de licenciamento. O licenciamento tem que se desenvolver [e tem se desenvolvido] para atender as necessidades dos detentores de conteúdo, que sempre mudam. Vai continuar sendo assim, e isso é saudável.

PN: Em um mundo digitalizado, a ideia de “território” para conteúdo parece perder importância. Há uma mudança da definição do termo? Como a CCC lida com ela?

MH: Muitos editores continuam colocando muita importância na ideia de territorialidade, especialmente na área de direitos subsidiários, e é fácil ver como isso atende a uma necessidade. Também é verdade que compradores de livros veem a ideia com perplexidade, principalmente quando são impedidos de comprar um livro rápida e facilmente no país onde vivem, mesmo este sendo disponível em outro lugar. É uma fonte de frustração para os usuários acostumados e confortáveis com a ideia de comprar através das fronteiras. Para nós da CCC, trabalhando com um quadro não exclusivo, simplesmente aceitamos as instruções dos detentores de direitos sobre o escopo territorial. Vendemos licenças “multi-territoriais” para muitas corporações, então os direitos globais são comuns para nós e para os detentores de direitos que representamos.

PN: Como que as licenças de copyright podem se preparar e acompanhar as rápidas mudanças dos formatos digitais?

MH: Nós coletamos direitos digitais para nossos clientes há muitos anos, então reconhecemos logo cedo um padrão de mudanças entre os usuários de conteúdo. O principal desafio é sempre se assegurar que as licenças acompanhem as mudanças de expectativas que os usuários têm do conteúdo digital, enquanto protegemos os interesses dos detentores de direitos. Estamos determinados a introduzir quantos produtos novos de licenciamento forem necessários para nos mantermos relevantes no mercado. Nossa licença de republicação e o Student Assessment License [tipo de licenciamento voltado para estudantes] são provas disso.

PN: Quais são os maiores desafios em relação ao Brasil, em termos de copyright?

MH: O principal problema que vemos no Brasil é o mesmo de todos os países: como equilibrar direitos e responsabilidades entre detentores de conteúdo e usuários de conteúdo? Em outras palavras, como recompensar os interesses daqueles que investiram no desenvolvimento de conteúdo e ao mesmo tempo torna-lo acessível da forma que os consumidores gostariam de usar hoje.

PN: Quais são os desafios da CCC hoje?

MH: É uma época muito estimulante e desafiadora para se trabalhar com copyright e licenciamento. Copyright está nas capas dos jornais de uma maneira que seria impensável há apenas alguns anos atrás. Há um grande debate no mundo inteiro sobre o valor e papel do copyright e sua contribuição para o desenvolvimento da economia, educação e cultura. É nesse contexto que trabalhamos.

Esse debate em última instância afetará como o conteúdo é usado e reutilizado em ambientes de negócios e acadêmicos, então a CCC e os detentores de direitos que representamos têm uma participação importante no resultado. Não há dúvidas de que os ambientes governamental, legal e regulatório são muito desafiadores no momento.

Há também desafios associados à forma como a utilização e distribuição de conteúdo estão mudando. O movimento Open Access faz parte desse processo de mudança, assim como o aumento da demanda dos usuários em ter entrega do conteúdo integrada à liberação de direitos. Essas mudanças afetam diretamente o que fazemos e a maneira como fazemos, é uma época fascinante para se trabalhar nessa área.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 30/08/2013

Um futuro para a livraria do futuro


Que tal nos especializar em promover a venda dos livros?

Por Ednei Procópio | Publicado originalmente em Blog do Galeno | Edição 313 – 30 de agosto a 07 de setembro de 2013

Uma civilização sem livreiros de varejo seria inimaginável… as livrarias são artefatos essenciais à natureza humana. A sensação de um livro retirado de uma prateleira e seguro nas mãos é uma experiência única, que une o escritor ao leitor. E para competir com a Internet as livrarias do futuro terão de ser diferentes das megalojas voltadas para a massa que ora dominam o mercado. As lojas do futuro terão de ser o que a Internet não pode ser: tangíveis, íntimas, locais, comunitárias; oferecendo prazer e sabedoria na companhia dos que querem compartilham dos nossos interesses; onde o livro que se procura sempre pode ser encontrado e as surpresas e as tentações saltam de todas as prateleiras.” — Jason Epstein, O Negócio do Livro, 2002

A livraria do futuro ainda não consegue existir porque em nossa tese o presente mercado editorial ainda vive do seu passado. Afirmar que uma livraria do futuro deve obrigatoriamente ser um ponto cultural não resolve uma equação de solução para, por exemplo, os pequenos negócios. Não só em razão do espaço físico, muitas vezes indisponível e caro por causa de uma eminente bolha imobiliária já presente em nossas cidades, mas também por conta das questões orçamentárias, financeiras e de recursos humanos e materiais em geral.

Para equalizar questões complexas como a de tentar encontrar uma síntese para o que seria uma livraria no futuro, propomos, antes, responder a uma questão das mais básicas e fundamentais para o entendimento das partes interessadas:

Afinal, o que é uma livraria?

Simplicidade na resposta pode ajudar em muito a resolver uma série de questões em torno do assunto, principalmente para as chamadas livrarias independentes. Se os livros são digitais, a livraria também o seria; mas se os livros são impressos a livraria pode ser online ou física. Em nossa tese, trataremos das lojas físicas que vendem apenas livros impressos.

Assim, segundo um dicionário, livraria é um estabelecimento onde se vendem livros. Segundo a Wikipédia, as livrarias são lojas que vendem livros e outros itens relacionados a leitura.

Livraria, portanto, é um local onde se vendem livros. Mas, para não cair no risco da superficialidade, segundo o amigo Gerson Ramos (www.vivodelivro.com.br), citando uma fonte bastate segura:

A livraria é uma empresa, como todas as unidades econômicas ou organizacionais, cujo objetivo é a produção de riqueza. Em uma economia empresarial entende-se por empresa a organização cujas características são do tipo predominantemente econômico. A livraria é, portanto, uma organização econômica, cujo objetivo é prover serviços de distribuição. Seu papel é distribuir livros, fazendo uma transformação econômica, pois os dispõe dos momentos e locais mais adequados para satisfazer demanda e as necessidades do comprador-leitor.” — La Librería Como Negócio

Mais alguma coisa que uma livraria deveria ser?

DOS EXEMPLOS CONEXOS

Houve um momento na história da indústria automobilística em que a General Motors sentiu a necessidade de unificar o processo produtivo de muitas de suas unidades, antes mais separadas e independentes, para enfrentar a modernização dos meios de transporte. O modelo que a GM queria implantar era bem diferente daquele instaurado por Ford. Fazia-se necessário inovar na customização dos carros ante a concorrência dos tipos padrões oferecidos até aquele momento.

Por incrível que possa parecer, no entanto, um temor da GM naquela ocasião não eram aqueles carros todos iguais fabricados em série, mas os aviões. Sim, os aviões. O temor da gigante GM era que as pessoas parassem de andar de carro e começassem a andar de avião.

Deveria a GM, então, dada a percepção desfocada, fabricar aviões?

Antes de existirem os gigantescos centros de compras e, como consequência, os hipermercados, existiam os mercados de bairro, chamados hoje minimercados. Quando os hipermercados começaram a se popularizar e ganhar força de atração, o que se discutia, por volta da década de 1990, era o fim desses mercadinhos de bairro. Foi assim decretada sua morte em detrimento dos grandes centros de compras, os hipermercados, cujo modelo estava sendo importado de países de economias então mais consolidadas como os Estados Unidos.

O que ocorreu, no entanto, foi exatamente o contrário, os hipermercados deram ainda mais sobrevida aos minimercados. Players como Extra e Pão de Açúcar, em estado de vertiginosa expansão, tiveram de repensar os seus negócios e também optaram por abrir mercadinhos, menores, em locais improváveis, onde jamais se poderia imaginar que pudessem aquelas marcas um dia se alocarem. Nascia assim o businessexpress” e marcas como Minimercado Extra.

Da mesma forma que o avião (utilizado para percorrer as distâncias maiores) não acabou com a fabricação dos carros (utilizados por passageiros para percorrer as menores e maiores distâncias a custos acessíveis), o hipermercado não acabou com os mercadinhos de bairro (que continuam tendo um papel muito particular no abastecimento dos moradores locais com a venda daqueles produtos mais urgentes).

No caso de mídias como livro, poderíamos continuar a repetir os exemplos do cinema que não acabou com o teatro, da televisão que não acabou com o rádio e por aí vai. E embora o digital esteja em rota de colisão com as indústrias todas, existem questões ainda mais próximas.

A CONCORRÊNCIA INTERNA

Os exemplos nos dão uma dimensão mais acertada de como ver a questão das livrarias de um modo mais geral, amplo, globalizado. Precisaríamos, no entanto, para melhorar a nossa assertividade sobre o tema, perguntar ao próprio mercado editorial, e aqui incluímos as editoras, as gráficas, as distribuidoras, etc., se seria realmente interessante, comercialmente falando, que as livrarias menores, independentes, continuassem existindo. É importante para o mercado editorial a existência, e não a sobrevivência, dessas livrarias?

Parece que o mercado editorial talvez não considere uma realidade viável e, por diversas vezes, em várias circunstâncias, ajudou a canibalizar as livrarias menores, pequenas ou independentes. Subjugou o poder de venda das menores. Favoreceu o seu enfraquecimento, para não dizer o seu real desaparecimento, em detrimento de players maiores.

As pessoas em geral compram os livros porque eles estão ali, por perto, disponíveis. Mas as livrarias online, principalmente aquelas ligadas aos grandes grupos, com a sua política de precificação, enfraqueceram a livraria de rua, que permitia aquela situação corriqueira da compra por impulso. E temos que considerar que, como consequência, comprometeram também aquela rica bibliodiversidade antes existente no mundo livreiro.

Em sua obra “O Negócio do Livro”, Jason Epstein afirma que:

“(…) a função primordial da lista de lançamentos é fortalecer os catálogos, um princípio que a maioria das editoras, infelizmente, ignorou por completo ante a era digital; e que as redes de livrarias atuais, por sua vez, com sua dependência dos títulos efêmeros, fazem com que os editores tenham dificuldade em obedecer.

Parte da equação da solução tem de considerar um problema com relação às livrarias físicas, aquelas que vendem os livros impressos, pois elas não só concorrem atualmente com as eBookStores e com as livrarias online que também vendem os títulos impressos, mas concorrem com as grandes redes, gráficas, as distribuidoras e as editoras que, pela desintermediação imposta pela revolução digital, resolveram vender, elas próprias, títulos diretamente para o público leitor.

E, nesse processo, ao invés de haver uma diversificação sadia de pontos de venda, houve na verdade uma guerra pela precificação do produto livro, enfraquecendo ainda mais o próprio mercado; como consequência, aquele efeito dominó, sobre as livrarias menores, principalmente as de rua.

Embora o papel de uma livraria possa parecer, nesta nossa tese, aparentemente simples, um problema apresentado é exatamente este papel ter, de certo modo, migrado para outros agentes da cadeia produtiva do livro, como as editoras, distribuidores e lojas online que não guardam compromisso com a leitura e a venda direta de livros tão bem quanto às livrarias.

Em conversa com o amigo Gerson Ramos ele me alertou sobre o seguinte:

Eddie, a questão mais urgente para o pequeno livreiro hoje é a sua sobrevivência. Isso em um primeiro momento. Mas, imediatamente em seguida, vem a questão da rentabilidade do varejista de livros; que passa primeiro por uma profissionalização de seu oficio no varejo, combinada com qualificação para ser um protagonista cultural na sua região de influência, assim como também numa visão mais abrangente do mundo, para que a livraria seja não só o ponto de encontro, mas um agente protagonista nas transformações da sociedade em que faz parte… Mas falta ao empreendedor livreiro ter a visão de que está tocando uma empresa; que exige competência administrativa, financeira, tecnológica e logística.”

Diante deste cenário, de necessidades e desafios, será que existe uma equação para se encontrar a solução para modelo de negócios sustentável para a tradicional livraria de rua? Será que as livrarias de rua, como os cinemas de rua, morreram? Ou como uma fênix, que renasce das cinzas, algo poderia ser feito que revertesse uma triste morte?

Enfim, o que uma livraria tradicional de rua precisa fazer para continuar existindo?

CAFÉ COM LIVRO

Segundo outro amigo — envolvido com livreiros e a quem sempre recorro buscando conselhos sobre o tema —, mas que prefere não se identificar:

Como o pequeno livreiro vai sobreviver, perante a concorrência dos sites e dos grandes? As margens são pequenas, o giro de estoque baixo e só vão entrar na livraria física os amantes dos livros que, infelizmente, são poucos.

Há, no entanto, as possibilidades do entorno da livraria: atendimento a escolas, empresas, bibliotecas etc. Parece-me que as locadoras de vídeo ainda sobrevivem em cima de fundo de catálogo, que não são encontrados pra download na Web. Valeria a pena o livreiro pesquisar sobre isso.

Só está crescendo quem parte para a Web, e agrega sua expertise e renome ao site. Por exemplo, a (…) está fechando várias lojas físicas e investindo pesado na construção de um site, que vai focar na bibliodiversidade de seu estoque.

Cresce também quem está atendendo o Governo, escolas etc.

E só.

Bem, para início ou final de conversa, o que uma tradicional livraria física de rua precisa fazer para continuar existindo é… vender os livros. Simples assim.

A melhor e mais eficiente maneira de promover a venda de livros é os colocando à disposição do público. A exposição por si só também já é uma promoção. Não resolve a questão maior, mais essencial, por exemplo, colocar à venda café para atrair os clientes. Sejamos óbvios, as tradicionais cafeterias, espalhadas pelas cidades, já o fazem de maneira mais eficiente. E ninguém vai a uma livraria para tomar café. As pessoas, por maior ou menor número em que se encontrem, vão às livrarias para comprar livros. Se o que se pretende é atrair clientes para uma livraria, não venda café, dê o café, de graça. Deixe as pessoas comprarem livros, não o café. O café é apenas o início de uma conversa, não é o objetivo final. O café dentro de uma livraria deve ser tratado como coadjuvante, não como o ator principal.

Cafeterias vendem café, livrarias vendem livros. Se não for assim, teremos que ponderar se não seria mais interessante então vender remédios e livros; ou talvez livros e tabaco; ou quem sabe comida e livros, ao invés de livros e livros. Podemos fazer uma pesquisa do que mais as pessoas gostam. Por exemplo, de animais de estimação. Chegaríamos à conclusão de que a solução seria vender livros e produtos para pets.

Mas não é esse o caso porque o contrário nos pareceria mais óbvio, lucrativo e prudente, ou seja, vender livros em papelarias, pet shops, cafeterias, restaurante, etc. E por que os comerciantes em geral não fazem isso? Simplesmente porque não é comercialmente viável para os próprios pequenos livreiros. E a questão maior continua sendo a logística. Esta é uma das razões leva modelos mais verticais como uma livraria especializada em culinária, por exemplo, começarem a novamente ser testados.

Não resolve igualmente a questão fundamental, tão pouco, colocar itens de papelaria e informática nas livrarias porque as papelarias tradicionais espalhadas pela cidade já o fazem de maneira mais digna. Só por conta de haver escolas por perto, uma livraria teria que obrigatoriamente estar atrelada a uma papelaria? Não seria mais lógico, e rentável, para afastar a contradição, a própria papelaria vender os livros escolares? E não é exatamente o que muitas delas já o fazem?

Esta é uma questão muito bem levantada por um amigo que me disse que a livraria, principalmente a independente, atualmente serve mais como vitrine para grandes grupos editorias, e sites canibais, do que como canal de vendas. E este seria um dos motivos que levaria livreiros a migrarem para a venda de outros produtos. E esta é mais razão pela qual o preço de capa do livro no Brasil deveria realmente ser fixado em uma tabela de preço único.

Indo um pouco além e já forçando ainda mais a barra. Teatro, cinema, eventos culturais, etc., podem se tornar inviáveis dentro da maioria dos negócios de livrarias físicas menores, se formos honestos, se pensarmos que se um determinado empreendedor não tem espaço físico para sequer colocar os livros; e concluirmos que os aparelhos de cultura também já têm os seus próprios desafios. Cinema, eventos culturais, etc. já têm os seus espaços devidamente ocupados nas cidades. Cada um com os seus problemas e concorrências próprios. Não faz sentido algum convencer o livreiro menor, aquele que deveria ser o especialista em livros, de que ele agora é obrigado a tornar-se um aparelho de cultura, como se apenas vender livros já não bastasse para tornar-se um.

E ainda que a iniciativa de uma livraria de pequeno porte vencesse estas questões dita culturais, não nos indicaria a segurança de um business sólido, uma vez a própria biblioteca, o museu, o ateliê, a galeria, o teatro, privados, também não conseguem apresentar modelos de negócios consistentes. Estes outros negócios culturais muitas vezes também não conseguem consolidar um modelo sustentável mais eficiente e perdem até os seus próprios papéis sociais.

Neste sentido, proponho voltarmos ao básico. Se você é um pequeno livreiro e pretende vender livro, então esqueça todo o resto e se concentre naquilo que deveria fazer uma verdadeira livraria: promover a venda de livros.

Quer saber mais como fazer isso? Comece lendo um bom livro, “La Libreria Como Negócio”, indicação que me foi sugerida por quem entende do assunto.

UMA MENTIRA QUE SE CONTA VÁRIAS VEZES

Temos de repetir diversas vezes para ficar bem claro: o futuro da livraria do futuro é ser dolorosamente simples, um ponto comercial que vende livros. Se não puder ser pelo menos isso, então nós realmente temos um problema.

Há um motivo para que sejamos tão repetitivos em defesa de nossa tese. O ditado popular afirma que uma mentira contada várias vezes se torna uma verdade. Mas não é verdade que o brasileiro não lê. Embora seja verdade que não existem consumidores o bastante para comprar livros e manter alguns pontos de venda. No entanto, quatro títulos foram a média lida por pessoas em 2011. Não é verdade que o livro no Brasil é caro, embora ajustes no preço de capa sejam obviamente necessários. Há números que demonstram que os preços vêm se tornando mais populares nos últimos anos. Alguns podem discordar, mas talvez a verdade seja o fato de que o livro em nosso país não tenha o seu devido valor. De qualquer modo 5,26% foi quanto o faturamento do setor cresceu em 2011.

Sessenta e cinco por cento dos brasileiros compram livros em livrarias. Nossas fontes, o “Retrato da Leitura no Brasil” e o “Levantamento Anual do Segmento de Livrarias”, da Associação Nacional de Livrarias (ANL), nos mostram que há até cerca de 3.000 lojas em operação no Brasil. Meio milhões de obras foram vendidas em 2011. Sessenta mil títulos foram publicados no mesmo período. Trinta e três por cento das livrarias faturaram até 10 milhões. Vinte por cento faturaram de 10 a 20 milhões. Vinte por cento das livrarias faturaram acima dos 20 milhões.

Neste cenário, façamos um exercício. Pense no seguinte, vamos supor que, eventualmente, para que o Governo enviasse incentivos fiscais, investimentos financeiros, às livrarias, para salvá-las do seu leito de morte, existisse paralelamente associada uma lei que obrigasse as livrarias a venderem essencialmente os livros. Apenas os livros. Faria sentido isso? Faria algum sentido hipoteticamente, como gostariam alguns, o Governo incentivar livrarias que lucrassem com a venda de cartões de créditos para celulares pré-pagos ou cigarros, por exemplo?

Pense um pouco mais, porque é assim com as bancas de jornal, e alguns governos locais até tentam mudar este cenário permitindo que estas bancas possam vender até macarrão instantâneo. Muitos ‘entendidos’ do mercado dirão, logo de cara, que não, que não faria sentido, em plena modernidade, que as livrarias vendessem apenas os livros. E estes são os mesmos que são contra o projeto de lei do preço único no Brasil, são os que, lá no fundo, também morrem de medo do livro eletrônico.

QUITANDA DE LIVROS

Debater livro eletrônico aqui beiraria a covardia. Então voltamos ao básico, para não fugir do óbvio. As pessoas saem de casa para comprar as coisas. Elas passeiam e trafegam nas ruas. Não é verdade que toda a audiência de pessoas esteja somente dentro dos shoppings. Como se só as pessoas que andam nos shoppings tivessem dinheiro e estivessem dispostas a gastar. As pessoas, geralmente, com ou sem dinheiro, letradas ou não, não vão aos shoppings para comprar livros. Elas eventualmente compram livros porque os livros estão lá, como já dito, à venda. É isto, existem livros ali sendo ofertados. E não estão sós, estão rodeados por uma infinidade de outros produtos que inclusive dispersam a atenção dos chamados potenciais consumidores.

Vender outros tipos de produtos com a desculpa de que precisa desta muleta para vender os livros não resolve o problema. Ou se vendem os livros ou não se vendem os livros, não existe o meio termo, do tipo, “me vê um quarto de café e dois capítulos daquela obra ali”.

E se o modelo de uma livraria não suporta o custo de um shopping, uma alternativa poderia ser a daquele case que vende livros infantis nos corredores, uma livraria Express — modelo já testado por uma franquia que parece ter mudado de ramo; caso contrário, o projeto de uma livraria menor precisa estar alocado pelo menos em um local onde as pessoas estão passando, trafegando, passeando. Mas não necessariamente dentro dos shoppings.

Se as pessoas passeiam pelas ruas, e podem consumir livros tanto quanto os consumidores que passeiam pelos shoppings, e se o modelo das grandes redes é na verdade vender produtos de informática ou papelaria, então qual é o verdadeiro problema das livrarias de rua?

Segundo o mestre Epstein, em seu clássico “O Negócio do Livro”:

No comércio de livros, como em qualquer negócio de varejo, estoque e aluguel impõem o chamado trade-off. Ou seja, quanto mais se paga por um, menos se pode gastar com o outro. Os aluguéis nos shoppings impossibilitavam a estrutura varejista que se desenvolveu de mãos dadas com a indústria editorial por quase dois séculos… a ocupação de alto custo nos estabelecimentos dos shoppings exige alta rotatividade de produtos indiferenciados, taxas de giro incompatíveis com a longa, lenta e com frequência errática vida dos livros…”.

Parece-nos, portanto, que as editoras e as livrarias terão de optar por sentar em uma mesa para negociar planos futuros para as livrarias de rua, ou finalmente romper de uma vez por todas o cordão umbilical que possibilitava a ambas a venda casada dos livros. Mas em qual das tantas entidades do livro existentes neste país, estaria esta mesa de negociações? Na Associação Brasileira do Livro Eletrônico?

UM FOCO PARA FINALIZAR

O que aconteceria se a GM resolvesse apostar na fabricação de aviões?

Parece-me que perderia o foco.

E este é o maior problema do mercado brasileiro atual. Falta um ajuste de foco nas lentes dos óculos dos diretores das empresas editoriais.

Muitos estabelecimentos comerciais, por exemplo, vendem barras de chocolates. Desde padarias, restaurantes, aeroportos, cinemas, etc., até as farmácias, camelôs e ambulantes vendem os chocolates. Mas então por que cases como a CacauShow são um sucesso? Seria o foco? Afinal, não é porque vivemos em um país tropical que as pessoas não consomem chocolates. Assim como não é verdade que o fato de uma parcela da população ser analfabeta elimina a possibilidade da outra parcela, letrada, comprar os livros. E mesmo que alfabetizássemos todos os brasileiros que não sabem ler, não poderíamos garantir com segurança que todos eles comprariam os livros.

Portanto, voltamos novamente ao básico. Deixe que os mercados em geral que vendam fósforos, cigarros, bebidas, etc. Deixe que aquela grande rede online lucre mais com os televisores de alta definição, ou com venda de filmes, do que com os livros. Porque se uma determinada livraria vende mais outras coisas, literalmente, em detrimento do livro, cinquenta por cento a mais, por exemplo, trata-se então de qualquer outro ponto comercial, não de uma livraria. O livro, para estes grandes empreendimentos, é apenas um cartão de visita, uma isca, nada mais.

Mas, para o pequeno livreiro, não adianta usar de subterfúgios se o objetivo é vender livros. Caso contrário, fique com o outro tanto, lucre com o resto e esqueça os livros. Se os livros não se vendem, então abrir uma quitanda talvez seja a melhor saída. Pode parecer radical, mas o cinismo também é um artifício de convencimento, algum consultor poderia apostar na brilhante ideia de vender frutas, verduras, legumes… e livros de culinária. Mas não ia funcionar porque as donas de casa não vão aos supermercados ou a feiras livres, grandes ou pequenas, para comprar livros. O fato é que borracharias, mecânicas e autoshoppings não vendem livros sobre carros por uma razão muito simples, as pessoas que gostam de carros e querem comprar livros sobre os carros geralmente recorrem às livrarias mesmo sabendo poder encontrar livros em outros locais.

Podem até tentar, mas o melhor lugar para se comprar fisicamente os livros impressos continua sendo uma livraria. O melhor lugar para comprar pão é na padaria. Assim como o melhor lugar para se comprar vinho é na adega. O melhor lugar para se jantar é em um restaurante, dentro ou fora de um shopping, não importa. O melhor lugar para assistir a um filme, apesar da era do home theater, continua sendo a sala de cinema. Onde é o melhor lugar para se comprar perfumes? Assim como se torna legítimo afirmar que o melhor lugar para se tomar sol é na praia, na piscina, num clube ou num rio, mesmo que o sol esteja presente na maior parte do nosso planeta. Um escritor poderia demonstrar em uma cena de um best-seller como o sol também aquece as livrarias, mas nem por isso as pessoas iriam às livrarias para tomar sol.

Um amigo, bem mais radical que eu, um dia me disse: “Eddie, não confunda melancolia profunda, com melancia na bunda”. Pareceu-me bem desconfortável quando eu ouvi a sentença a primeira vez, mas ele tinha razão. Afinal, o livro impresso consegue estar fisicamente presente em todos os lugares, com um modelo de negócios sem um foco definido? Não. É claro que não. Assim mesmo, o papel social fundamental de uma livraria física, para que não pairem mais dúvidas sobre o assunto, é o de vender os livros.

Concessionárias geralmente vendem os carros, embora possam também vender as peças dos automóveis. Tabacarias vendem cigarros, cachimbos, etc., embora possam vender jogos de xadrez. Borracharias geralmente cuidam dos pneus dos carros, embora possam também manter bons lava-rápidos anexos logo ali do lado. Pequenos mercados de bairro geralmente vendem itens do lar, como comida, tempero, macarrão, embora também possam vender cobertores e edredons. E por que não o fazem? E por que as lojas especializadas em sapatos também não vendem matéria-prima como borracha e couro, ou consertam os sapatos, ou mantêm os engraxates por perto?

Desde o desenvolvimento do negócio livreiro, com o aprimoramento da máquina de tipos móveis pelo gênio alemão Gutenberg, até o nascimento das livrarias online, o papel fundamental de uma livraria é um só. Se uma livraria não puder vender livros, essencialmente os livros, então chegamos à conclusão de que a livraria realmente morreu como negócio. O que nasce, depois disso, será qualquer outra coisa, menos uma livraria.

Ednei Procópio

Ednei Procópio

* Ednei Procópio é especialista em livros eletrônicos desde 1998 e Diretor Executivo da Livrus Negócios Editoriais (www.livrus.com.br).

A geração digital: plug in, log in, drop out


Por Julio Silveira | Publicado originalmente em PublishNews | 29/08/2013

Para pertencer à geração Z, é preciso ter nascido por volta do 2000. E, para haver uma geração Z, foi preciso primeiro, há 50 anos, que um canhão disparasse elétrons em um tubo de ultra vácuo a um preço que a classe média pudesse pagar. A popularização da televisão — máquina doméstica de comunicação em massa — permitiu a formação de uma geração única — a primeira geração eletrônica. Meninos e meninas que cresceram com a televisão tiveram pela primeira vez acesso a uma cultura coletiva, dinâmica, instantânea, (incipientemente) global e (minimamente) plural. Esses meninos da geração eletrônica tinham uns 20 anos em 1968.

“A imaginação no poder” era o sonho e o desafio de 1968. McLuhan tinha acabado de escrever que a (recém-nascida) tecnologia eletrônica e os meios de comunicação tinham conferido àquela geração, a primeira “circuitada”, o poder e a disposição para revolucionar — a cultura, a política, a educação. Era a geração que iria mudar tudo; que poderia mudar tudo; que não mudou. A euforia revolucionária dessa primeira geração eletrônica em 1968 não durou até a virada da década (e, no Brasil, foi logo abreviada com o AI5). No começo dos anos 1970, a geração que iria mudar tudo, sossegou (ou foi sossegada à força) e, repetindo seus pais, começou a gestar a geração seguinte. Tiveram filhos.

Ronaldo Lemos, Cory Doctorow, Batman Zavare e eu, recém-quarentões, pertencemos a essa geração: somos os filhos da geração circuitada. Não somos a primeira geração eletrônica, e tampouco somos a primeira geração digital. Nossa marca é a transição. Nascidos nos anos 1970, já fomos criados com a televisão ligada e, na infância, assistimos à ascensão e obsolescência das tecnologias: VHS, CDs, Fax, DVDs, TV a cabo. Na adolescência, vimos chegar os primeiros (micro)computadores (pessoais) com seus iniciáticos discos de 8 polegadas. Já éramos gente grande quando enfim chegou a internet, e ainda estamos entendendo e enfrentando o que ela pode, o que significa. Fizemos, e ainda estamos fazendo, a passagem, do analógico para o imaterial. Tivemos que aprender que nossa música prescinde de LPs e CDs; que nossas imagens não precisam mais ser reveladas; que livros são o texto, não a pilha de papéis que os contém; que as mensagens levam para chegar apenas o tempo do raio da onda luminosa. Entre céticos e deslumbrados, apocalípticos e integrados, fomos a geração que poderá ver, em nossos filhos, concretizada a profecia de McLuhan proferida originalmente para geração de nossos pais — a da redentora “circuitação eletrônica”, vulgo internet.

A geração Z, a geração de nossos filhos — os filhos dos filhos da primeira geração eletrônica — não precisou de transição, já nasceu digital. O espanto e a curiosidade da minha filha diante de um toca-discos não tem paralelo com meu espanto diante de um gramofone. Meu caso é de evolução qualitativa, o dela é de salto lógico. O imaterial proporciona um câmbio de poder. Não há mais sujeição. É difícil explicar a meu filho que a música no rádio não pode ser repetida; que temos que assistir, na televisão, o que outra pessoa decidiu. Para ele, músicas e filmes não têm contenção, limite, posição — estão o tempo todo, e em todo lugar (no telefone do pai, no iPad da mãe, no tablet da avó, na televisão, no videogame) e são uma decisão e escolha dele, não de outros. Os novos habitantes deste planeta já são produtos de uma cultura do “ilimitado”. Não há restrições de tempo, distância ou mesmo custo. Nada é palpável, estocável — e tudo é acessível pelo feixe dos elétrons. O valor também se relativiza — quando tudo está o tempo todo para todos, mais vale os “likes” dos amigos que o cânone — e não há mais nicho. Para quem nasceu com o milênio, as crianças e adolescentes da tal Geração Z, o cabedal acumulado da expressão humana está à distância e custo de alguns cliques.

O que farão com esse inédito poder esses meninos e meninas que em poucos anos serão adultos? Veremos cumprida enfim a profecia da circuitação eletrônica McLuhiana? A imaginação tomará por fim o poder?

Há quem tema que não, ou torça para que não. Para os digitocéticos como Nicholas Carr, a geração Z seria a “Geração superficial” que, num pacto mefistotélico, ganhou acesso a uma cornucópia de cultura e deu em troca sua capacidade de concentração e reflexão. Se a geração de 1968 advogava o lisérgico “turn on, tune in, drop out” (se liga, se afina, cai fora), a nova geração adotaria uma droga muito mais viciante, o “plug in, log in, drop out” (se conecta, se loga, cai fora). Cada um na sua bolha virtual, satisfeitos como Jonas na Baleia, zanzam sonâmbulos e alheios por um mar de informações sem saber o que fazer com elas. Não seria coincidência que a droga de eleição desse grupo seja o Metilfenidato. Traficada com os nada sutis nomes de Ritalina© e Concerta©, ela promove uma “antionda” no usuário, concertando-o, tornando o pensamento reto, abafando os sentidos para os milhares de estímulos que disputam sua atenção e dando-lhe o foco para o paciente — portador do transtorno do déficit de atenção — tornar-se um cidadão produtivo da lógica mercantilista e linear. Se o LSD “abria as portas da percepção” para a revolucionária geração eletrônica, o Metilfenidato “fechará as portas da percepção” para a solipsista geração digital.

Talvez seja esta a questão. Quando um grupo acusa o outro de alienação é porque ambos já estão, de modo irrevogável, em ambientes diferentes. O ambiente dos nativos digitais não é o mesmo dos seus pais. É bem mais amplo. Nicholas Carr, alguns pais angustiados e outros detratores da geração Z estão lamentando o fim de uma tradição imemorial, a do pensamento sequencial, lógico. A das ideias trasformadas em símbolos, e estes sequenciados na escrita, e esta replicada na imprensa e esta transformada em mercadoria estocável uniforme e uniformizante. Se encararmos a geração Z pelo ponto de vista eufórico, “this is (at last) the dawning of the Age of Aquarius”. Na era do pensamento paralelo, multitarefa preemptiva, o déficit de atenção seria considerado um superávit de criatividade. Andar por aí portando Google Glasses não seria encarado como uma paixão pelo próprio umbigo; a realidade aumentada e a virtual seriam complementos, e não substitutos à “realidade” tangível. “Os povos primitivos e anteriores ao advento do alfabeto integram tempo e espaço como um espaço acústico, sem horizontes, sem fronteiras”, dizia McLuhan, preconizando que a “circuitação eletrônica” traria de volta esse poder sensorial perdido com a imprensa. De fato, o homo reticulisda Geração Z lembra muito esse povo primitivo, em seu desrespeito às fronteiras, às distâncias, à materialidade. Um retorno à sensibilidade do primitivo, com a tecnologia da vanguarda, pode transportar-nos aos períodos áureos da criatividade humana, à Era Helênica dos Heróis, ao animismo, ao panteísmo. Pense em Sócrates que condenou a “tecnologia” da escrita e pense em Steve Jobs, que disse trocar toda sua tecnologia por uma tarde conversando com Sócrates. O ciclo se fecha.

Em mais alguns anos, a geração Z vai ser adulta, vai ocupar o mercado de trabalho, vai deter o poder econômico. Solipsistas comunitários, viciados-em-gratificação-instantânea engajados com utopias, individualistas compartilhadores compulsivos, bairristas globalizantes, iconoclastas curiosos, multifuncionais dispersos, artesãos tecnológicos, panteístas geeks. A sociedade e a cultura serão o que a Geração Z for. Seremos.

[Texto escrito para o Catálogo Multiplicidade 2012, editado por Batman Zavarese, com textos de Ronaldo Lemos, Braulio Tavares, Tom Zé e outros].

Por Julio Silveira | Publicado originalmente em PublishNews | 29/08/2013

Julio Silveira é editor, formado em Administração, com extensão em Economia da Cultura. Foi cofundador da Casa da Palavra em 1996, gerente editorial da Agir/Nova Fronteira e publisher da Thomas Nelson. Desde julho de 2011, vem se dedicando à Ímã Editorial, explorando novos modelos de publicação propiciados pelo digital. Tem textos publicados em, entre outros, 10 livros que abalaram meu mundo e Paixão pelos livros[Casa da Palavra], O futuro do livro [Olhares, 2007] e LivroLivre [Ímã]. Coordena o fórum Autor 2.0, onde escritores e editores investigam as oportunidades e os riscos da publicação pós-digital.

A coluna LivroLivre aborda o impacto das novas tecnologias na indústria editorial e as novas formas de relacionamento entre seus componentes — autores, agentes, editores, livrarias e leitores. Ela é publicada quinzenalmente às quintas-feiras.

Kobo lança novos e-readers e Amazon chega ao México


Amazon e Kobo na “Guerra dos Tronos” do mercado digital

Kobo Aura HD

Kobo Aura HD

Um grande anúncio da Kobo nunca está muito distante de um grande anúncio da Amazon. Na última terça, 27/08, Michael Serbinis, CEO da empresa canadense, chacoalhou os veículos de tecnologia ao anunciar o lançamento de uma nova linha de aparelhos Kobo, que segue a linha do “porsche dos e-books” [inclusive no preço] Aura HD. A Kobo lançou também uma livraria virtual para crianças – uma “seção” dentro da loja da Kobo, onde os pais teriam controle dos gastos e conteúdo que os filhos compram – além de outros recursos, como a adaptação do formato das revistas nos aparelhos, utilizando tecnologia da Aquafadas [e explicando, finalmente, o motivo da compra da francesa Aquafadas pela Kobo em 2012] e a opção “modo de leitura”, uma espécie de “modo avião” para evitar distrações durante a leitura.

AmazonDois dias depois, a Amazon anuncia sua chegada ao México. Hoje, 29/08, a gigante de Seattle lançou sua loja Kindle com mais de 70 mil e-books em espanhol e mil títulos a partir de MXN 9, cerca de R$ 1,6. Se o aparelho Kindle Paperwhite não acompanhou a estreia da Amazon no Brasil, ele já está sendo vendido em terras mexicanas, na livraria Gandhi Store – que, curiosamente, possui seu próprio e-reader, o Enos. O México se assemelha ao Brasil na questão da dificuldade de acesso a livrarias, o que não passou despercebido pela Amazon. “A grande maioria dos mexicanos não tem acesso a uma livraria em sua cidade, então estamos felizes de lançar a loja mexicana do Kindle e trazer uma enorme livraria com mais de 2 milhões de títulos para qualquer pessoa que estiver conectada à Internet”, afirmou em nota Pedro Huerta, Diretor de Conteúdo do Kindle para a América Latina.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 29/08/2013

PNLD e Bienal: realidades digitais bem distintas


Por Gabriela Dias | Publicado e clipado originalmente de PublishNews | 28/08/2013

O fim de agosto está contrapondo, sem querer, realidades digitais bem distintas. No último dia 23, acabou o prazo de entrega dos e-books do PNLD 2015 [Programa Nacional do Livro Didático]; no dia 29, começa a 16ª Bienal do Livro, que em 2013 comemora 30 anos quase sem falar de livro digital.

Com o PNLD 2015, o segmento didático parece ter dado um salto à frente do resto do mercado no que tange à cultura digital. Instigadas pelo MEC a entregar livros digitais enriquecidos, as editoras didáticas tiveram que aprender [ainda que aos trancos e barrancos] o que significa fazer um e-book – que não basta produzir no formato X ou Y, por exemplo; que há que se considerar também o peso dos arquivos, a[s] forma[s] como eles serão distribuídos e a[s] plataforma[s] de leitura nos diversos dispositivos.

Tudo isso significou um primeiro semestre muito duro para essas editoras: horas extras, incontáveis reuniões, muito investimento e experimentação. O trabalho foi tão intenso que tanto o prazo de entrega dos livros físicos quanto o dos digitais teve que ser adiado – o que, na prática, quer dizer que o segundo semestre será tão ou mais puxado que o anterior.

Mas será que valeu a pena?

Depois da tempestade, vem a bonança

Passada a tempestade de oito meses de incertezas e dúvidas, minha impressão é que esse “intensivão” teve saldo positivo. O período de reorganização de fluxos e processos não só agregou o digital de vez às estruturas produtivas das editoras didáticas, como também fez dele moeda corrente entre os funcionários em geral.

Se até 2012 o digital ainda era visto como “aquela coisa estranha que um departamento específico faz”, em 2013 ele passou a ser assunto de todos e para todos. Essa mudança de mentalidade se refletiu no organograma de algumas editoras, em que o departamento digital deixou de ser algo à parte para ser incorporado às estruturas editorais já existentes.

Pudemos sentir isso na primeira turma do curso Alt+Tab, em maio. Pensado para profissionais de qualquer setor editorial, o curso “Livro Digital: o que você sempre quis saber [mas tinha medo de perguntar]” acabou atraindo 80% de pessoas oriundas de editoras didáticas em sua edição inicial. A ansiedade era grande, e a avidez por informação também – o que se refletiu no engajamento da turma no ambiente online do curso, mesmo após as aulas terminarem.

A mudança é tão forte que até os autores de livros educativos estão começando a se preparar para a nova era. Sua associação, a Abrale, começa este mês uma série de eventos destinados ao debate sobre o livro digital.

Por enquanto, a transformação é mais intensa nas equipes ligadas à criação e à produção dos livros. Mas é questão de tempo para que a mudança se intensifique em áreas como marketing e vendas – basta chegar a hora apropriada, seguindo-se o calendário do PNLD.

Os números [não] mentem

O avanço digital do segmento didático não se refletiu ainda nos números de vendas. Na pesquisa “Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro” referente a 2012, divulgada em julho pela Câmara Brasileira do Livro [CBL] e Sindicato Nacional dos Editores de Livros [SNEL], o setor aparece como o último do mercado em número de e-books e aplicativos vendidos e o penúltimo em faturamento com conteúdo digital.

Mas como interpretar esses dados quando a prática do setor tem sido “dar” o digital como acessório na compra do livro impresso? E como medir a penetração do conteúdo didático digital sem considerar o uso nos sistemas de ensino, cuja venda não se baseia apenas em e-books e apps?

É por essas e outras que, quando me perguntam dos números digitais do setor, sempre digo que não há estatísticas confiáveis. Na verdade, se não nos prepararmos para fazer essa medição de modo apropriado aos novos modelos de negócio trazidos pelo digital, pode ser que continuemos tendo números irrelevantes por um tempo – o que renderia uma coluna à parte.

Enquanto isso, na Bienal…

Apenas seis dias separam a entrega dos e-books do PNLD da Bienal no Rio, mas parecem anos de distância. Só como exercício, tentem buscar a palavra “e-book” no site oficial da feira e vejam o que acontece.

Após muito esforço, consegui descobrir que o evento reservou o digital para públicos como o jovem [no#acampamentonabienal] e o profissional [com a Contec e o colóquio “O acesso à biblioteca no clique do mouse: a Mediateca Digital”]. O mesmo ocorreu na Flip em julho, quando o digital só apareceu em eventos paralelos como os da Casa Kobo Livraria Cultura.

Pelo visto, as iniciativas digitais na Bienal 2013 ficarão por conta dos expositores – Kobo [no pavilhão Azul], Amazon e Google [ambas no pavilhão Verde] terão estandes pela primeira vez. Detalhe: o IBA, plataforma digital da Abril, é patrocinador do Café Literário.

Considerando que o evento é o ponto alto do ano para os setores de obras gerais; religiosas; e científicas, técnicas ou profissionais, e que há apostas de que as vendas de e-books no Brasil cheguem a 3 milhões de unidades já em 2013, será que ainda deveria ser assim?

Por Gabriela Dias | Publicado e clipado originalmente de PublishNews | 28/08/2013

Gabriela Dias

Gabriela Dias

Gabriela Dias [@gabidias] é formada em Editoração pela ECA-USP e transita desde 1996 entre o papel e o virtual. Atualmente, presta consultoria e realiza projetos nas áreas de educação e edição digital.

A coluna Cartas do Front é um relato de quem observa o mercado educacional no Brasil e no mundo. Periodicamente, ela traz novidades e indagações sobre o setor editorial didático – e sobre o impacto da tecnologia nos livros escolares e na sala de aula.

Mercado ganha nova livraria online


Candiota Editora foi criada pelo inspetor do guia Condé Nast, Felipe Candiota

CandiotaFelipe Candiota – inspetor para América do Sul do guia internacional Condé Nast Johansens e autor do livro Brazil Hotels – acaba de lançar a livraria online Candiota Editora. O espaço traz livros importados, sofisticados, preciosidades, séries e coletâneas. O projeto já conta com mais de 160 obras, de Elvis and the Birth of Rock and Roll eMailer, Stern, Marilyn Monroe a Gênesis [de Sebastião Salgado].

PublishNews | 28/08/2013

Kobo lança nova linha de dispositivos para eReading, levando os leitores para além do livro


A Kobo, líder global em eReading, anunciou sua nova linha de dispositivos eReading, com o novo eReader Kobo Aura 6″ E Ink e os novos tablets certificados pela Google, o Arc 10HD e dois Kobo Arc 7. Projetada para os leitores, a nova linha foi desenvolvida com base na experiência própria dos usuários da plataforma Reading Life da Kobo, que permite coletar, guardar e descobrir conteúdos, cumprindo a promessa da empresa de colocar a leitura em primeiro lugar.

A Kobo continua focada na leitura, uma paixão honrada pelo tempo que permite às pessoas se manter informadas, escapar do dia a dia, aprender sobre novas culturas, ver as coisas sob novas perspectivas, viajar no tempo e imaginar novos mundos“, disse o CEO da Kobo, Michael Serbinis. “Com o acréscimo de revistas a nossa livraria eletrônica [eBookstore], uma nova experiência para crianças e os melhores dispositivos eReading possíveis, nós ajudamos os leitores a encontrar mais do que eles amam – levá-los para além dos livros“, declarou.

Para exibir melhor a livraria de classe mundial da empresa, com 4 milhões de títulos, que agora inclui revistas e uma loja dedicada a crianças [“Kids Store”], os tablets Kobo Arc 10HD e Kobo Arc 7HD, habilitados pela NVIDIA®, oferecem telas belas e ágeis de alta definição e acesso irrestrito ao Jelly Bean do AndroidT 4.2.2 e à loja Google PlayT. Com a plataforma Reading Life, a experiência do usuário de leitura em primeiro lugar, os leitores podem descobrir mais conteúdos nos quais estão interessados, com novas maneiras de organizá-los e guardar coleções de eBooks, revistas e outros conteúdos em multimídia, encontrados na Web, incluindo filmes, música e jogos. O novo recurso “Reading Mode” da Kobo elimina notificações e pop-ups incômodos de e-mails, de aplicativos e da mídia social, otimiza as configurações de iluminação e amplia a vida útil da bateria do tablet de horas para dias.

Para os leitores que preferem uma experiência de leitura dedicada, a Kobo criou o belo eReader Kobo Aura 6″ E Ink, que ostenta uma impressionante tela de alta resolução [212 dpi], ponta a ponta. O Kobo Aura adota uma nova tecnologia de tela de baixo brilho [low-flash] para, virtualmente, eliminar a formação de “fantasmas” e a atualização [refresh] das páginas, para se obter a melhor experiência de leitura de um livro. Comporta até 3.000 livros e dura mais de dois meses com uma única carga. Além disso, pela primeira vez, os leitores podem agora enviar artigos e páginas da Web para ler em seus dispositivos E Ink, através da pareceria da empresa com a Pocket.

Em sua nova linha de tablets eReading e eReaders E Ink, a Kobo está ajudando os leitores a descobrir mais conteúdos, nos quais estão interessados, com a experiência inteiramente nova da empresa “Beyond the Book” [“Além do Livro”], que destaca tópicos essenciais em um livro e fornece conteúdo agregado através da Web, conhecido como “Collections” [Coleções]. Para a Kobo compartilhar sua própria paixão pela descoberta de grande material de leitura, as “Featured Collections” [Coleções Especiais] são personalizadas com a própria palavra editorial da Kobo, bem como por respeitados formadores de opinião, incluindo autores, editores e outras figuras notáveis, consideradas especialistas em seus campos.

DCI | 28/08/13

Site disponibiliza mais de mil livros para baixar gratuitamente


O Universia Brasil oferece mais de mil livros para download gratuito. Na lista, é possível encontrar grandes clássicos da literatura, obras acadêmicas, biografias, textos científicos, entre outros. Vestibulandos também podem aproveitar para baixar livros cobrados nas provas da Fuvest e Unicamp. Leitores podem encontrar ainda 17 obras de Aluisio de Azevedo, 27 de José de Alencar, 13 de Fernando Pessoa, 15 de William Shakespeare, entre muitos outros. Confira a lista completa no site Universia Brasil.

Catraca Livre | 27/08/13

Singles brasileiros


KBR lança “Singles”

SinglesO “Kindle singles”, coleção de títulos curtos vendidos pela editora da Amazon mostrou lá fora ser um formato que rende bons frutos. Por aqui, a editora KBR, de Noga Sklar, também resolveu apostar no formato. Ontem a editora, sempre entusiasta do formato digital, lançou a série “singles”, que terá a cada semana 15 crônicas dos colunistas do blog da KBR. Sklar participa como cronista e organizadora, mas a coordenação editorial fica a cargo de Flavia Salvatore. “Queremos criar um hábito de séries, é o projeto perfeito para ser lido no celular”, conta Sklar. Toda quarta-feira os singles entram em pré-venda, a R$1.99, e os leitores recebem no seu leitor digital de escolha toda meia-noite de domingo. Para conferir a primeira edição da série, clique aqui.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 26/08/2013

Palestra | Autopublicação na era digital


AUTOPUBLICAÇÃO NA ERA DIGITAL

Como publicar, distribuir e divulgar seu livro

Muito se tem falado sobre tablets, e-readers, smartphones, aplicativos e plataformas de livros digitais. Mas como aproximar esses recursos tecnológicos dos produtores de conteúdo e colocá-los ao alcance de autores, editores e professores?

Pensando em desmistificar um assunto aparentemente complicado, será ministrado, durante o “Congresso do Livro Digital e Feira do Livro Didático 2013”, o workshop Autopublicação na Era Digital. A palestra foi especialmente criada para profissionais que desejam saber mais a respeito dos novos meios de edição e abordará a produção, a comercialização, os Direitos Autorais e outros temas ligados ao universo dos eBooks.

A palestra será ministrada pelo editor Ednei Procópio, que é especialista em eBooks e autor de livros sobre o tema. Procópio é membro da Comissão do Livro Digital da Câmara Brasileira do Livro [CBL] e é CEO da Livrus Negócios Editorais, uma editora especializada em levar autores e obras para a Era Digital.

Congresso do Livro Digital e Feira do Livro Didático 2013

Anote na sua agenda

Palestra | Autopublicação na Era Digital • Como Publicar, Distribuir e Divulgar seu Livro
Onde | LIVRO DIGITAL 2013 • Feira do Livro Didático e Congresso do Livro Digital
Quando | Dia 21 de setembro de 2013, sábado
Horário | das 10h00 às 11h00
Local | Colégio Santa Cruz • Sala Desenvolvedores e Tendências
Endereço | Avenida Arruda Betelho, 255 • Alto de Pinheiros • SP

Clique aqui e veja como chegar

RSVP | Vagas gratuitas e limitadas, confirme sua presença
Cristiane Donizete | Publisher
Telefone: [11] 3104-42036
publisher@livrus.com.br
www.livrus.com.br

Escritor best-seller luta contra Google, Apple e Amazon


O escritor e advogado Scott Turrow está em guerra. E o inimigo, desta vez, não é nenhum inocente condenado injustamente, e sim as grandes corporações da rede, entre elas Google, Amazon e Apple. Presidente da Author’s Guild, uma associação que reúne cerca de 8.000 escritores nos EUA, Scott quer que as empresas dividam os lucros com quem cria o que elas vendem.

Essas empresas distribuem conteúdo pirateado que outros produzem. E vendem publicidade com essa distribuição, enquanto escritores e editores não ganham nada“, reclama ele, que luta para que os gigantes da internet paguem direitos autorais a escritores.

Admitindo que não nega “por um segundo” que a internet melhorou imensamente a vida cotidiana de muita gente, ele diz que o sucesso dessas empresas não pode ser feito passando os outros para trás. “Sou a favor do preço baixo para os livros, o que estimula a leitura, mas quero a divisão dos lucros.

Scott Turrow luta contra Google, Amazon e Apple por direitos autorais dos escritores

Scott Turrow luta contra Google, Amazon e Apple por direitos autorais dos escritores

Os nove romances de Scott Turow, 64, venderam mais de 25 milhões de exemplares até hoje. Seus livros são dramas de tribunais, gênero que reinventou e levou para Hollywood “”como “Acima de Qualquer Suspeita” [que virou filme com Harrison Ford em 1990], “O Ônus da Prova” e “Ofensas Pessoais”.

Ele deixa claro que não compra as brigas com as grandes empresas da internet por causa própria. “Essa crise não atinge tanto autores best-sellers, como eu, que têm poder de negociar, mas faz com que muitos novatos ou escritores menos conhecidos percam seu meio de sustento.

Scott perdeu uma dessas batalhas, recentemente, quando a Suprema Corte americana permitiu a importação e revenda de edições internacionais de livros de autores americanos “”em geral mais baratas e pelas quais, diz ele, os escritores quase nunca recebem.

Sites como Yahoo! e Bing também não são perdoados pelo autor. “Se você procurar livros digitais grátis do Scott Turow nesses sites, virão várias páginas promovendo material pirateado. Com anúncios ao lado, pagos para esses sites, que não trabalham de graça.

Scott terá um descanso das brigas, em breve e no Brasil. Ele participa da primeira edição do evento Pauliceia Literária, da Associação dos Advogados de São Paulo, entre 19 e 22 de setembro, que vai abordar a relação do direito com a literatura. O festival ainda terá o escritor português Valter Hugo Mãe e o mexicano Juan Pablo Villalobos.

IGUALZINHO AOS EUA

Sou fascinado pelo Brasil, é parecido com os EUA, do tamanho às riquezas naturais, da história à escravidão“, diz

Às vésperas de lançar seu décimo romance nos EUA, “Idênticos” [sai em março no Brasil, pela Record], ele não esconde a empolgação em conhecer Fernando de Noronha. Sua terceira viagem ao país terá dias de descanso, entre Bahia, Rio e Pernambuco.

Ele lembra com gosto de sua visita a uma livraria paulistana, em uma sexta-feira à noite, em 2011, “onde mal dava para circular de tanta gente”. O país tinha mudado muito desde sua primeira visita, em 2003. “Acompanho o Brasil com grande interesse.”

O autor justifica porque, mesmo sendo um campeão de vendas há muitos anos, nunca deixou de trabalhar como advogado em um grande escritório. “Não é só por fonte de inspiração literária, não. Ser advogado me ensina muito. Me faz ter tantas experiências de vida que evitei qualquer tentação de virar escritor 100% do tempo.

Mas ele anda melancólico com a profissão, o que ficou explícito no último romance, “O Inocente”, de 2010 [Ed. Record], continuação de seu livro de maior sucesso, “Acima de Qualquer Suspeita”. “Houve diversas mudanças no direito nesses últimos 25 anos e há uma comercialização excessiva do dia a dia, cada vez mais dependente de interesses corporativos.

Scott, que tem trabalhado pro bono “”sem cobrar honorários”” em diversos casos recentes, dá o exemplo de um advogado de um grande escritório de sua cidade, Chicago, que ganhou quase R$ 20 milhões no ano passado. “Já sei que serei odiado pelos colegas por dizer isso, mas me pergunto o que faz um advogado para receber tanto dinheiro.

Para ele, a profissão está em crise nos EUA, tornando-se cada vez mais desigual. “As faculdades de direito ganham muito dinheiro e despejam no mercado milhares de recém-formados, que não acham emprego. Os portões da profissão deveriam estar mais fechados“, argumenta. “Há os advogados de elite que ganham milhões e uma maioria trabalhando por muito pouco.

Scott também discute como os julgamentos nos Estados Unidos viraram uma espécie de reality show. “Uma câmera muda o comportamento de todo mundo: do juiz, das testemunhas, dos advogados. Mas é permitido pela lei, para que atinjam uma audiência maior“, diz. “A Suprema Corte não permite. Os juízes de lá não se deixaram virar personalidades televisivas.

Por Raul Juste Lores | Folha de S. Paulo | 25/08/2013

eBook coletivo


Uma das ações que a Saraiva apresentará durante a Bienal do Livro será a criação de um e-book coletivo, que será feito pelos visitantes que passarem pelo estande da livraria/editora até o final do evento, comentou a coluna No Prelo. Quem passar por ali colabora com um trechinho. O objetivo é promover o “publique-se!”, plataforma de autoedição lançada pela Saraiva, na qual autores escrevem e publicam em formato digital suas obras, que serão comercializadas no site da livraria.

O Globo | 24/08/2013

eBook no Brasil: a hora da verdade!


Se tudo seguir conforme o figurino, já em 2021 talvez o governo compre só eBooks didáticos. Nessa toada, em 2018 o impresso pode vir a ser um mero anexo do livro digital e em um horizonte mais próximo, 2015, para cada livro impresso adquirido pelo MEC as editoras terão que entregar o eBook correspondente. Já sabe o impacto que isso terá no mercado editorial brasileiro e na leitura digital, incluídas as obras de literatura?!

Blog do Galeno | Galeno Amorim

Tecnologia na sala de aula


A primeira escola “Steve Jobs”, em homenagem ao fundador da Apple, foi inaugurada esta semana na cidade holandesa de Sneek. No espaço, a sala de aula tradicional, com quadro-negro, cadeiras e um professor à frente de dezenas de alunos, dá lugar para ambientes diferenciados e instigantes, com a tecnologia no centro do aprendizado.

Nos ateliês de artes e nas classes com número reduzido de crianças, os alunos usam iPads conectados à internet para aprender diferentes assuntos. A escola experimental foi criada a partir dos conceitos desenvolvidos por Steve Jobs, que morreu em 2011.

Outra mudança de formato no novo modelo de escola é a divisão por idades. O grupo “Educação para uma nova era”, responsáveis pelo projeto, defende que as crianças sejam divididas em dois grupos etários: 4 a 7 anos e 8 a 12 anos. As atividades coletivas acontecem entre as 11h e as 15h, horários que os alunos devem estar presentes no colégio. Fora desse turno, é o próprio estudante que define, com o professor, sua tabela horária.

Os aplicativos utilizados no iPad pelas crianças registram os avanços conquistados e estão disponíveis para avaliação dos pais e professores, podendo ser substituídos se não apresentarem os resultados esperados. Outro uso da ferramenta é para a criação, seja através de vídeos, áduios, fotos, animações.

Inicialmente, 11 escolas ensinarão sob os preceitos da “educação da nova era”. As demais abrem as portas ainda estr ano, em diversas partes da Holanda.

Terra | 23/08/13

Editora da Universidade Estadual de Londrina lança livros digitais gratuitos


Ao todo, estão disponíveis 22 publicações que estavam esgotadas.
Interessados podem acessar os livros através do site da Eduel.

A Editora da Universidade Estadual de Londrina (Eduel) está disponibilizando 22 livros digitais com acesso gratuito para a população. O projeto resgata livros já publicados pela editora que estavam esgotados. As publicações podem ser acessadas no site da Eduel.

O trabalho começou em 2012 e contou com o apoio dos autores, que autorizaram o acesso gratuito as publicações no formato eletrônico. Por causa das mudanças nos programas de editoração, foi possível realizar a adaptação.

Entre os livros disponibilizados estão títulos relacionados ao período da Ditadura Militar, sobre a Geografia na Idade Média e também conteúdos relacionados as áreas de Arquitetura e Ciências Agrárias.

A intenção da direção da Eduel é ampliar o número de livros disponibilizados. O objetivo é fazer com que um número maior de leitores sejam beneficiados.

Publicado originalmente em G1 | Londrina | 23/08/2013, às 08h25

Versão em português de site da saga “Harry Potter” estreia nesta madrugada


A versão em português do Pottermore, site com conteúdo exclusivo da saga “Harry Potter“], de J.K. Rowling, entra no ar à 0h desta quarta [21].

Anunciado em junho de 2011 e aberto para o público geral no primeiro semestre de 2012, o Pottermore inclui, além das versões digitais do livro, conteúdos exclusivos como detalhes do processo criativo da autora e espaço para usuários reescreverem as tramas da série.

E-books e audiolivros da série, na tradução de Lia Wyler, estarão à venda também pelosite da Livraria Saraiva, parceira do projeto no Brasil.

Os livros digitais custarão US$ 7,99 cada [R$ 19], ou US$ 57,54 [R$ 138] na coleção completa, com os sete títulos, e os audiolivros, US$ 29,99 [R$ 71] cada um. Os preços na Saraiva estarão em reais, mas sujeitos à variação cambial, já que a finalização da compra será realizada no Pottermore original, com preços em dólar.

O ator Daniel Radcliffe com coruja durante as filmagens de "Harry Potter e a Pedra Filosofal", inspirado na série

O ator Daniel Radcliffe com coruja durante as filmagens de “Harry Potter e a Pedra Filosofal”, inspirado na série

Além dos sete livros originais da série, estarão disponíveis também “Animais Fantásticos & Onde Habitam”, “Quadribol Através dos Séculos” e “Os Contos de Beedle, o Bardo”.

Os e-books de “Harry Potter” estavam disponíveis até agora em inglês, francês, espanhol, italiano, japonês e alemão. Embora a tradução para o português seja de Lia Wyler, a mesma usada pela Rocco nos livros impressos, a editora não está relacionada ao projeto.

POR RAQUEL COZER | PUBLICADO ORIGINALMENTE EM FOLHA DE S.PAULO | 20/08/2013, às 19h01

6º Colóquio de Bibliotecas Digitais será em setembro


Evento ocorrerá no dia 05 de setembro no Sesc Vila Mariana

No dia 05/09 o Sesc Vila Mariana [Rua Pelotas, 141, São Paulo] será palco do 6º Colóquio de Bibliotecas Digitais França  – Alemanha. O evento abordará temas como a estratégia documentária digital da Biblioteca nacional da França, a BnF, o empréstimo digital, a Biblioteca Pública de Munique como instituição em espaços físicos e digitais, as bibliotecas digitais da Universidade de São Paulo, e uma biblioteca digital inovadora a serviço da diplomacia cultural francesa. A programação terá início às 8h e segue até às 18h. A entrada é franca. As inscrições antecipadas podem ser feitas pelo telefone 11 3296-7051 ou através do e-mailbiblioteca@saopaulo.goethe.org.

PublishNews | 21/08/2013

Google e o caso do sumiço dos eBooks


Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 21/08/2013

Um ano após o lançamento do Kindle, a Amazon teve seu primeiro escândalo de e-books. Sem aviso prévio algum, a empresa deletou cópias do livro 1984 dos aparelhos Kindle, reiterando de certa forma a visão distópica do futuro de George Orwell.
Quatro anos depois, o Google se encontra envolvido em um escândalo similar. Um blogueiro de tecnologia conhecido viu sua biblioteca inteira de 40 e-books ser apagada e se tornar inacessível após o aplicativo Google Play Books fazer uma atualização automática.
Dado que os contratos de publicação de e-books são quase idênticos aos dos livros tradicionais, nenhum desses dois casos deveria nos surpreender. No caso da Amazon, uma editora não autorizada conseguiu colocar o título de George Orwell à venda. Em todo caso, a maneira como a Amazon tirou o conteúdo sem avisar foi sem dúvida um caso de atendimento ao cliente bagunçado. Já o caso do Google não é tão simples e merece uma discussão aprofundada.
O que aconteceu foi que o aparelho estava em uma localização ainda sem suporte da Google Play Books (Cingapura). Quando o aparelho tentou refazer o download, o Digital Rights Management (DRM) interpretou que ele estava tentando fazer download ilegal de conteúdo em uma região não coberta e impediu o acesso. O que nos traz a pergunta – em um mundo de conteúdo digital, o que são regiões? É a região onde o consumidor compra o conteúdo? Ou a região onde seu cartão de crédito está registrado? Ou a nacionalidade do aparelho? Qualquer que seja a definição, provavelmente alguém sairá insatisfeito.
Talvez esteja na hora dos editores questionarem a definição tradicional de direitos por regiões como um todo. Senão teremos o Big Brother queimando digitalmente nossos e-books.
Greg Bateman

Greg Bateman

Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 21/08/2013

Greg Bateman, expert em tecnologia e empreendedor do negócio de e-books, é conhecido pelo seu envolvimento na criação de produtos extremamente bem-sucedidos, como os smartphones da Samsung e o Kindle, da Amazon. Na Vook, ele desenvolveu uma eficiente cadeia de produção de centenas de e-books por semana. Greg, que nasceu nos Estados Unidos, viveu nove anos no exterior, onde intermediou várias parcerias envolvendo Coreia, China, Japão e EUA. Hoje mora no Brasil, em São Paulo. Ele é pesquisador visitante da Universidade de Tóquio, tem duas graduações pela Universidade da Califórnia em Berkeley [engenharia elétrica/ciência da computação e literatura japonesa] e um MBA pela Columbia Business School.

A coluna E-Gringo discute a fundo o negócio e o lado técnico dos e-books a partir de uma perspectiva global. Às quartas-feiras, quinzenalmente, ela vai apresentar plataformas e tendências do mundo todo e, claro, do Brasil. Para enviar comentários, escreva para greg@hondana.com.br .

Sete princípios de marketing para livros digitais


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 21/08/2013 | Tradução: Marcelo Barbão

Os tempos estão mudando no mercado editorial e as editoras sabem disso. Quase toda editora reconhece que seu valor para os autores depende da capacidade de fazer um marketing eficiente em escala. Hoje em dia isso significa marketing digital, “impulsionado por dados” e que muda o tempo todo. Há dez anos, muitos dos componentes mais importantes do marketing digital para os livros hoje – Twitter, Facebook, Goodreads – não existiam ainda.

Editoras não podem enfrentar este desafio do marketing digital simplesmente gastando mais porque as escolhas no marketing digital são infinitas. Elas precisam saber o que fazem. Ou seja, precisam ser espertas sobre algo para o qual há pouca sabedoria estabelecida e quase nenhuma experiência dentro das editoras.

Durante uma boa parte do ano passado, estive estudando o marketing digital para livros do homem que chamo de O Mestre. É Peter McCarthy. Pete começou sua carreira trabalhando quase 3 anos no The Reader’s Catalog, New York Review of Books e na família de publicações da Granta. Depois Pete passou seis anos na Penguin nos primeiros dias digitais ajudando a montar um sistema DAM e a publicar e-books pela primeira vez, seguido de seis anos na Random House com os primeiros esforços de marketing digital.

Peter afirmou várias vezes que muito do que ele sabe, faz e está me ensinando já é bem entendido no mundo moderno do branding e do marketing. As diferenças entre psicografia, demografia e comportamento, e sua importância no marketing, eram algo novo para mim, mas são coisas corriqueiras para pessoas que vendem Pepsi ou carros Toyota. Pete realmente inventou algo novo no mercado editorial. Ele procurou produtos comparáveis mas que não fossem outros livros, em outros mercados, ou seja produtos parecidos mas que não são exatamente iguais. As técnicas que Pete emprega para encontrar as audiências para um livro são ferramentas padronizadas no mercado consumidor fora do mundo editorial.

Mas isto não significa que as editoras podem simplesmente contratar grandes agências digitais para ajudá-las. Não vai funcionar. Porque enquanto o mercado editorial consegue usar técnicas que marqueteiros sofisticados estão usando para vender outros produtos em outros lugares, o mundo mais complexo dos livros é bem mais complicado. E os orçamentos de marketing para um título que raramente chega a cinco dígitos, geralmente estão em 3.

As grandes agências na verdade não têm ideia de como lidar com milhares de produtos altamente diferenciados mas que, ao mesmo tempo, têm alguma interconexão entre eles, mas no geral não estão relacionados. E isso faz com que percam valor de duas formas:

1. Elas não têm técnicas para aplicar otimização massiva através de centenas ou milhares de “produtos” muito diferenciados, porque o trabalho que fazem não exige isto;

2. Elas não têm a capacidade que as grandes editoras precisam para realizar centenas (ou talvez até milhares) de campanhas ao mesmo tempo com “orçamentos” em tempo real (ou decisões de momento).

Então as grandes agências não saberiam como lidar com uma editora. A granularidade iria frustrá-las e elas cobrariam em cada ISBN  um valor muito alto.

Isso deixa a maioria das editoras abandonadas, com provedores de serviço dando alguma assistência por título (você pode contratar alguém para tuitar pelo autor), mas com as editoras tendo que descobrir como usar o máximo a presença social e digital de um autor para elevar as vendas. E não é realmente surpreendente que Pete McCarthy, tendo a oportunidade de responder ao desafio de marketing entre milhares de títulos e autores, com centenas de gêneros, tópicos e edições, tenha descoberto muitas coisas que as editoras não percebem.

Pete articulou muitos princípios que fazem muito sentido, até para alguém que não conhecia nada de demografia e psicografia.

1. O menu de marketing digital contém um número quase infinito de itens. Isto leva a uma tremenda quantidade de esforços perdidos tentando coisas que um pouco de pesquisa teria indicado que não ia nunca funcionar.

2. A chave para conseguir vendas é colocar a mensagem correta à frente da pessoa correta no momento correto. Pesquisar encontra a pessoa correta; testar encontra a mensagem correta e o momento correto.

3. As várias ferramentas permitem que você entenda o perfil dos “seguidores” de um livro ou autor no Facebook, Twitter ou Linkedin e isso vai permitir que você entenda, para cada um deles, que tipo de seguidor possuem. Esta é uma pesquisa crítica a ser feita antes de investir esforço e tempo em marketing.

4. Outro elemento chave de pesquisa é escolher com cuidado sua nomenclatura. Ferramentas também podem contar como várias palavras e termos comuns estão em pesquisas feitas no Google, Amazon e outros sites. Isto pode informar as melhores escolhas para metadata, claro, mas também poderia afetar o título de um livro.

Entender as conexões digitais do livro e do autor, e a linguagem correta para descrever o livro que você está vendendo são elementos “fundacionais”; tudo flui a partir deles.

5. Todo o conceito de “criar um orçamento” de marketing precisa ser repensado. Enquanto a armadilha ou perigo no marketing digital é seu infinito número de possibilidades, a oportunidade é que os resultados dos esforços sejam visíveis e mensuráveis. Então tudo que é tentado deveria ser medido e avaliado, continuado se estiver funcionando e alterado ou eliminado, se não estiver.

Esta realidade colide com as práticas históricas e as realidades comerciais das editoras, especialmente as grandes editoras. Editores, que precisam contratar livros e manter agentes e autores felizes, querem contar a estes quais serão os orçamentos e esforços de marketing. Independente do sucesso comercial do livro, agentes e autores não querem ouvir que o gasto de marketing foi cancelado porque os esforços não estavam acrescentando valor. Mas uma editora não pode simplesmente aumentar o orçamento quando algo está funcionando ou não cancelar tudo quando não está, ou vão falir.

6. Todo o conceito de “tempo” também precisa ser repensado, tanto “tempo no relógio” (trabalho que as pessoas fazem) e “tempo no calendário” – não só por quanto tempo os programas são mantidos (como acima), mas também quando eles acontecem em relação ao ciclo de vida do livro. Na era digital, o fato de livros estarem bem representados nas livrarias não determina necessariamente como eles vão vender, por isso faz sentido divulgar um livro do catálogo que pode estar mal distribuído, mas cujo timing é perfeito (“o calendário”). E há cinco ou dez anos, livros que não estavam nas livrarias não ganhariam nenhum esforço de marketing. Também é verdade que os custos externos de marketing digital podem ser muito baixos, mas uma campanha poderia consumir muito tempo interno (“o relógio”) com criação, design e postagem.

7. A chave para um marketing digital bem-sucedido é fazer a pesquisa que encontra as mensagens e os alvos corretos, testar as mensagens para os alvos procurando um resultado definido, medir o impacto e depois ajustar a mensagem e o alvo. Pete chama isso de “enxaguar e repetir”. O objetivo é encontrar ações replicáveis que fornecem resultados com um retorno sobre investimento que pode ser continuado até seu fim.

Com a ajuda de Peter McCarthy e em conjunto com Digital Book World, Cader e minhas Publishers Launch Conferences organizaram uma Modern Book Marketing Conference para estabelecer os princípios básicos do marketing digital para editoras. (Assim todos nós podemos aprender de Pete McCarthy.)

Depois que Pete abrir o dia apresentando o básico de suas ideias, teremos um painel de top estrategistas do mercado – Rick Joyce da Perseus, Angela Tribelli da HarperCollins, Matt Litts do Smithsonian e Jeff Dodes da St. Martin’s Press – falando sobre como eles aplicam o marketing digital em suas empresas. Depois Murray Izenwasser da Biztegra, uma empresa de marketing digital, vai esclarecer os princípios básicos de uso da demografia, psicografia e dados comportamentais dos consumidores antes que Susie Sizoler da Penguin discorra como as editoras podem construir importantes bases de dado de clientes e leitores. Os especialistas em marketing Matt Schwartz da Random House, Rachel Chou da Open Road Integrated Media e Brad Thomas Parsons da Houghton Mifflin Harcourt vão contar como promovem, incluindo uma rodada de comentários sobre como e quando usam as ferramentas e sites mais importantes: página de autor da Amazon, Facebook, Goodreads e muitas outras.

Vamos ter uma rodada de reuniões individuais rápidas, assim os participantes podem se encontrar com os patrocinadores principais e os especialistas em pequenos grupos e conseguir que suas perguntas individuais sejam respondidas. E vamos concluir o dia com Erica Curtis da Random House sobre as práticas recomendadas para medir e analisar seu ROI (retorno sobre investimento) no marketing e dois painéis. O primeiro, sobre “como o marketing digital muda o orçamento e o timing”, vai apresentar cases de Sourcebooks, Running Press e pelo menos uma outra editora. O segundo sobre a nova colaboração exigida entre autores e marqueteiros, vai apresentar a agente Laura Dail, além da consultora de marketing Penny Sansevieri, Miriam Parker da Hachette e um editor que ainda será escolhido.

Esta Marketing Conference acontecerá junto com nossa Publishing Services Expo, que eu já descrevi em um post anterior e os participantes da Marketing Conference são bem-vindos para participar da Expo também. Entre os painéis, os patrocinadores e muitos dos conferencistas dos dois eventos estarão disponíveis para as audiências dos dois eventos.

Um “anúncio” antecipado: Pete McCarthy e eu estamos montando uma agência de marketing digital para usar o conhecimento dele para ajudar editoras, autores e agentes. Vamos revelar mais detalhes, incluindo nossos trabalhos iniciais, nas próximas semanas.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 21/08/2013 | Tradução: Marcelo Barbão

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

Barnes & Noble registra prejuízo de US$ 87 milhões no primeiro trimestre


Rede continuará investindo em tablets

Barnes & NobleA Barnes & Noble continua mandando sinais incertos sobre seu futuro. Como notou a jornalista Laura Hazard Owen: “É melhor ignorar todos os planos que a empresa vinha anunciando nos últimos meses”.

A divisão do Nook registrou queda de 20% no primeiro trimestre fiscal do ano. Apesar das constantes perdas com o aparelho (um analista comentou na matéria de Owen que pelos seus cálculos US$ 1,5 bilhão já foi investido no Nook desde a concepção do produto), que resultaram inclusive na saída do CEO William Lynch em julho, a rede americana não vai interromper a produção do tablet – pelo contrário, planeja lançar um novo aparelho no segundo semestre de 2013, em tempo para o Natal.

A separação do varejo e a divisão do Nook também foi abortada. Os rumores da compra da divisão do Nook pela Microsoft não vingaram e, por último, o presidente Leonard Riggio desistiu dos planos de comprar a parte de varejo da companhia, como havia anunciado após a saída de Lynch.

A cereja do bolo são os péssimos resultados financeiros do primeiro trimestre fiscal do ano. A rede aumentou ainda mais o prejuízo, registrando uma perda de US$ 87 milhões no primeiro trimestre, mais que o dobro dos US$ 40 milhões de prejuízo do mesmo período no ano anterior. As vendas das lojas caíram 7,2% no trimestre, que foi atribuído à contínua queda das vendas do Nook, e um catálogo não tão forte quanto o do ano anterior, com megasellers como Cinquenta Tons e Jogos Vorazes. Com investidores perplexos e planos incertos, B&N deveria ouvir os conselhos do Greg, nosso e-Gringo.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 21/08/2013

Edição digital – outros lados de várias moedas


Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 20/08/2013

Normalmente a edição digital está associada aos e-books e e-readers. Mas não é tão simples assim. Já mencionei que o uso de formatos digitais pelas editoras do segmento técnico-científico está próxima de comemorar seu vigésimo aniversário.

Na área dos tradicionais livros impressos, os processos gráficos passaram, nos últimos anos, por transformações igualmente grandes e significativas. Aliás, as transformações técnicas dos processos de impressão têm impactos diretos na quantidade e na qualidade dos livros tradicionais ofertados. A mais recente dessas transformações é a da impressão digital.

A eletrofotografia [reprodução por meios eletrostáticos de um original, foto ou texto], desenvolvida pela Xerox, no final nos anos 1950, foi onde tudo começou. Anos depois a Xerox fundou o PARC – Palo Alto Research Center, matriz de inúmeras inovações tecnológicas na área da reprodução [impressoras a jato de tinta e laser], e dos computadores pessoais.

A chamada “xerografia”, como ficou popularmente conhecida, com máquinas cada vez mais complexas, desembocou nos anos 1990 na DocuTech, uma máquina apresentada como a primeira “fábrica de livros”, que imprimia página por página um original, compaginava e apresentava na ponta o miolo do livro, pronto para ser encadernado. A DocuTech foi o primeiro sistema integrado de impressão sob demanda.

Muita água rolou por baixo dessa ponte, e a Xerox há muito deixou de ser quase monopólio de copiadoras e impressoras. Várias empresas entraram no mercado, seja nas impressoras domésticas, máquinas copiadoras ou impressoras de grande porte. Nos últimos anos, os processos de impressões sob demanda [POD, em inglês] vêm assumindo importância crescente. No mercado global de impressões, a impressão digital chega a apenas 4% do total de impressos produzidos, mas o crescimento é contínuo e rápido, segundo Maurício Ferreira, gerente do segmento Indigo & Inkjet Web Press da Hewlett Packard.

Semana passada, assisti como convidado a uma apresentação sobre impressão digital promovida pela HP. Foi um evento direcionado particularmente para o mercado de livros didáticos. Hoje há máquinas capazes de competir com rotativas offset, e com uma vantagem adicional: a capacidade de produzir livros praticamente individualizados. Ou seja, o conteúdo adaptado para um único consumidor/leitor/estudante.

Uma das apresentações mais interessantes do evento foi feita por Allen C. Schulz, que trabalhou 33 anos na McGraw-Hill, onde foi um dos principais arquitetos e desenvolvedores do segmento de livros personalizados, impressos sob demanda.

Acompanho as experiências da McGraw-Hill há vários anos. A empresa foi pioneira na adoção do POD, reduzindo drasticamente estoques. Segundo Schulz, foi também pioneira na produção de livros didáticos customizados, já nos anos 1980. O processo de composição e preparação de originais utilizava a linguagem Postscript, de difícil uso para os propósitos pretendidos.

No entanto, segundo Schulz, o processo valia a pena pela diminuição dos estoques [os livros eram produzidos em tiragens específicas para cada grupo de consumidores], e diminuição do mercado de livros escolares usados. O que aqui acontece de modo quase amador, com os colégios e faculdades fazendo feirinhas nas quais os alunos repassam para os colegas mais novos os livros usados no ano anterior, nos EUA já era um negócio estruturado, com empresas especializadas na compra dos usados, limpeza e recondicionamento e venda.

Nos anos 1990, passam a ser usadas pela McGraw-Hill as suítes Adobe Acrobat e Adobe Creative, de uso bem mais fácil, padronizando os processos. Nessa época também foram instituídas as primeiras bibliotecas digitais de conteúdo. Nessas bibliotecas, os conteúdos dos livros publicados pela McGraw-Hill podiam ser “fatiados” em capítulos, e os próprios professores montavam o conteúdo dos livros adotados. Era uma “pasta do professor” impressa, legalizada e vendida na livraria da universidade. Os próprios professores foram estimulados a produzir material digital que pudesse ser incorporado aos livros [licenciado e remunerado]. Os processos gráficos foram sendo desenvolvidos a partir de uma parceria da editora com a HP e gráficas.

A partir do início do novo século começaram a testar impressoras ink-jet para a produção dos livros. Mais importante ainda, a formatação do material passou a ser em XML, a matriz de praticamente todas as linguagens de formatação gráfica existentes hoje, permitindo uma flexibilidade anteriormente mais difícil.

A associação entre a McGraw-Hill e a HP se desenvolveu em outros segmentos. A editora decidiu transferir todos seus processos de produção e pré-impressão para a Índia. A medida, entretanto, se desenvolveu com uma política estrita de imposição de qualidade e preço. É um processo comum, na situação em que uma grande empresa alcança um tamanho capaz de impor condições estritas aos fornecedores. Ou seja, não é nem privilégio nem foi invenção da Amazon, e muitas outras empresas que alcançam esse nível de controle da produção sistematicamente impõem padrões e preços. Também não é privilégio das empresas. Um exemplo parecido é a que o FNDE impõe aos editores no fornecimento dos livros didáticos aqui.

A introdução da impressão digital, com sua grande flexibilidade, permite a elaboração de conteúdos que podem ser produzidos para atender especificações dirigidas até o consumidor individual. Conjuntos de livros para classes e cursos específicos já são rotina.

Mas a impressão digital provocou outras mudanças importantes. O ajuste da oferta à demanda, por exemplo. Anteriormente, os editores tinham que calcular [com base na sua experiência, cada vez mais sofisticada, é claro], qual deveria ser a tiragem de cada título. A impressão sob demanda deixa de lado essa exigência. Não apenas podem fabricar livros individualizados, como cada tiragem é ajustada perfeitamente à demanda. Portanto, há uma menor dependência na previsão de produção.

Outro aspecto importante é o da redução dos estoques. E a redução dos estoques aliada aos processos de impressão digital, produz outros dois efeitos de grande importância na economia da editora. O primeiro é a eliminação do “mercado secundário” dos livros usados. Porém, ainda mais importante, é o processo de “obsolescência programada” das edições. Na medida em que os livros são produzidos para cada classe [ou pelo menos para cada curso], e modificados facilmente de um ano para o outro com o uso desses enormes “bancos de dados”/bibliotecas digitais de conteúdo, além das notas e contribuições de professores, os livros usados por uma turma são inaproveitáveis para as turmas seguintes. O que, evidentemente, é ótimo para a editora, e péssimo do ponto de vista social. Não existe mais o reaproveitamento do livro usado.

Os processos de “montagem” de conteúdo e impressão em pequenas tiragens permitem também o desenvolvimento de mercado de nichos, ou o teste de conteúdos em nichos específicos e de modo controlado.

Finalmente, o desenvolvimento de facilidades locais para impressão digital proporcionou ainda outra economia em logística. Quanto mais próxima estiver a gráfica digital do consumidor final, menor será o custo de transporte. Recentemente as grandes transportadoras dos EUA tiveram que refazer cálculos de produtividade e ocupação com a proliferação dos armazéns da Amazon. Como o frete é cobrado por faixas de distância calculadas em um raio a partir do ponto de recolhimento, a produção localizada começa a afetar o uso do transporte terrestre.

Essas modificações no sistema de produção gráfica e editorial, decorrentes da introdução de sistemas digitais em uma extensão cada vez maior, ocorre, evidentemente, fora dos olhos do consumidor final. O livro tradicional, impresso, também se transforma com os avanços tecnológicos.

Essas considerações aqui são feitas levando em conta o segmento dos livros didáticos [em todos os níveis de ensino, em maior ou menor grau]. No Brasil ainda estamos bem longe da sofisticação tecnológica dos EUA. Até porque, é bom não esquecer, o maior volume na produção de livros didáticos é o comprado pelos programas governamentais. Segundo informações da Abrelivros [dadas por Antonio Luiz Rios, vice-presidente da entidade no evento da HP], os programas governamentais absorvem 80% da produção, mas geram apenas 50% do faturamento das editoras do setor. Os 20% absorvidos pelo mercado geram a outra metade do faturamento, e essa faixa poderá ser melhor explorada com a sofisticação da produção de conteúdo.

Além do setor tradicional das editoras didáticas, os chamados sistemas de ensino também crescem [e quase todas as editoras também têm sistemas]. Nessa área pode haver um aumento consistente no uso desses processos digitais.

Algumas instituições de ensino superior já usam modelos parecidos. Há universidades particulares que, para alguns cursos, incluem no preço da anuidade o custo do material didático desenhado especialmente, entregue aos alunos. E a ABDR, em uma encabulada retirada da mania persecutória das reprografias, lançou a “Pasta do professor”, uma fórmula que era usada há quase trinta anos pela McGraw-Hill e outras editoras de livros técnico-científicos e universitários dos EUA.

O impacto da impressão sob demanda na área dos livros de interesse geral é outro capítulo, que tentarei abordar melhor em outra ocasião.

Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 20/08/2013

Felipe Lindoso

Felipe Lindoso é jornalista, tradutor, editor e consultor de políticas públicas para o livro e leitura. Foi sócio da Editora Marco Zero, diretor da Câmara Brasileira do Livro e consultor do CERLALC – Centro Regional para o Livro na América Latina e Caribe, órgão da UNESCO. Publicou, em 2004, O Brasil pode ser um país de leitores? Política para a cultura, política para o livro, pela Summus Editorial. Mantêm o blogwww.oxisdoproblema.com.br

A coluna O X da questão traz reflexões sobre as peculiaridades e dificuldades da vida editorial nesse nosso país de dimensões continentais, sem bibliotecas e com uma rede de livrarias muito precária. Sob uma visão sociológica, este espaço analisa, entre outras coisas, as razões que impedem belos e substanciosos livros de chegarem às mãos dos leitores brasileiros na quantidade e preço que merecem.

E-Ink registra US$ 33 milhões de prejuízo


A concorrência dos tablets está sendo duríssima com a principal fabricante de telas de ereaders, a e-Ink. Apenas no segundo trimestre de 2013, o prejuízo da empresa foi de US$ 33 milhões de dólares.

A conta negativa é atribuída à reduzida [e decrescente] demanda de novas telas pelos principais compradores da empresa – empresas como Amazon, Kobo e Sony, os fabricantes de referência de e-readers.

Embora a empresa esteja diversificando a sua atuação e procurando mercados de nicho para as telas [como empresas de marketing, sinalização, etc.], isso representa apenas 5% do volume de negócios atual da empresa.

As vendas do final de ano devem aliviar as contas da e-Ink [com uma demanda maior de Amazon & Cia], mas dificilmente serão volumosas como nos tempos “pré-tablets”.

Por Eduardo Melo | Revolução eBook | 19/08/2013

Ferreira Gullar ganha site exclusivo


Ferreira Gullar ganha site exclusivo

Ferreira Gullar ganha site exclusivo

A Saraiva lançou hoje um hotsite especial com a vida e obra de Ferreira Gullar. O projeto, em parceria com o Grupo Editorial Record, que edita o poeta através do selo José Olympio, inaugurou essa semana o site com vídeos, poesias, fotos, biografia, conteúdo exclusivo e uma loja virtual, que liga direto aos títulos na loja da Saraiva. Já estão à venda no site alguns exemplares autografados do livro Poema Sujo e reedições de Dentro da noite veloz, Em alguma parte alguma eMuitas vozes. O poeta maranhense, vencedor do prêmio Camões em 2010, teve toda sua obra poética reunida em Toda poesia.

PublishNews | 16/08/2013

Biblioteca online Nuvem de Livros conquista 1 milhão de usuários


Nuvem de LivrosA falta de espaço nas residências e em 65% das escolas públicas e privadas do Brasil dificulta a implementação de uma biblioteca física, mas isso não é uma barreira para a disseminação do conhecimento, segundo o empresário Jonas Suassuna, criador da biblioteca online Nuvem de Livros, que disponibiliza mais de 10 mil conteúdos para computadores, tablets e celulares dos cerca de 1 milhão de assinantes.

Jonas Suassuna, presidente do Grupo Gol, produtor e distribuidor de conteúdos multimídia de entretenimento e educação, sabe que sua paixão pela literatura está no sangue.

Ele é sobrinho do escritor paraibano Ariano Suassuna e foi o responsável pela criação da Nuvem de Livros (www.nuvemdelivros.com.br), uma biblioteca online multiplataforma, feita em parceria com a companhia telefônica Vivo, que disponibiliza os arquivos educacionais sem a necessidade de download.

A ideia do projeto, que nasceu há sete anos e foi implantado há dois, veio do “inconformismo” do empresário com a falta de acesso aos livros em escolas públicas, principalmente de regiões remotas do Brasil.

O governo brasileiro assinou uma lei que diz que, até 2020, todas as escolas brasileiras, públicas e privadas, devem ter uma biblioteca com pelo menos um livro por aluno (Lei da Biblioteca Escolar). Quem conhece a realidade da escola pública brasileira sabe que isso vai ser muito difícil“, disse Jonas à Agência Efe. Segundo ele, há, hoje, no país um deficit que impacta cerca de 15 milhões de crianças e jovens.

Levando em conta a improbabilidade de que o país construa milhares de bibliotecas em menos de 10 anos, o empresário buscou, determinantemente, outra solução viável.

Segundo dados fornecidos pela empresa, “o Brasil é a quinta maior plataforma de telefonia celular do mundo. O 3º maior mercado mundial de desktops. Hoje, 60% dos acessos de internet na América Latina são feitos aqui. Se é difícil fazer bibliotecas físicas, existe a possibilidade real de fazer uma digital“.

O acervo da Nuvem de Livros apresenta material didático, livros selecionados por uma curadoria sob o comando do respeitado autor Antônio Torres, audiolivros, vídeos e teleaulas (em parceria com a Fundação Roberto Marinho), notícias produzidas em vários países pela Agencia Efe que compõem os mais de 10 mil conteúdos que estão disponíveis na internet, em tablets e celulares, e disponibiliza conteúdos de ensino profissionalizante e games educacionais.

Os usuários da biblioteca online Nuvem de Livros podem fazer a busca nos livros por capítulo ou por termo, marcar as páginas e estudar mapas interativos, enquanto os professores podem propor conteúdos, selecionar suas leituras e controlar o que os alunos estão pesquisando em ambientes de convergência criados com esta finalidade.

Segundo a empresa, o plano era criar uma plataforma de conteúdos protegidos contra a pirataria que pudessem atender a demanda de cerca de 15 milhões de alunos de escolas que não possuem biblioteca e de 3 milhões de universitários de cursos à distância que também não tem onde fazer suas pesquisas, além de famílias que não contam com espaço para estantes de livros em casa e de indivíduos que queiram acessar conteúdos literários de qualidade produzidos pelas 150 mais importantes e respeitadas editoras do mercado brasileiro e mundial.

Na biblioteca virtual, você pode conferir a qualidade da informação que seus filhos estão buscando. Hoje, em um site de busca, não há segurança alguma sobre a confiabilidade do conteúdo, pois você encontra de tudo ali. A Nuvem de Livros traz qualidade, pluralidade, segurança e bom preço“, explicou Jonas.

A assinatura escolar custa cerca de R$ 2,00 mensais por aluno, e os clientes particulares pagam cerca de R$ 8 por mês para ter acesso ilimitado aos conteúdos, em quaisquer plataformas.

Acho que o grande charme da Nuvem, além do acervo, é a portabilidade. Você poder ler um livro ou assistir a uma aula em qualquer lugar, é uma forma interessante de ter acesso a um conhecimento seguro“, disse Jonas.

A Nuvem de Livros conta com mais de 150 profissionais espalhados pelo mundo, entre professores, pedagogos, bibliotecários e curadores de conteúdos. Em paralelo, mantém equipe de 80 professores que se responsabilizam, nos ambientes escolares, pela capacitação e motivação dos educadores, engajando-os no processo de modo a permitir que a Nuvem de Livros seja utilizada, eficientemente, como ferramenta pedagógica em salas de aula.

Não dava para um profissional da área de tecnologia explicar o funcionamento da biblioteca para um professor. Os discursos são diferentes, distintos, a terminologia é outra“, afirmou o empresário.

Para Jonas, um dos principais desafios da equipe foi convencer as editoras a embarcar no projeto. A preocupação era com a disponibilização de conteúdo e a garantia de que não há possibilidade de pirataria.

Não é um tipo de gente retrógrada. Ao contrário, são indivíduos com visão contemporânea, atualizados e sensíveis. Mas é um mercado que está vendo o seu negócio mudar. Nenhum editor de livro é dono de fábrica de papel. Eles são experts em garimpar e produzir conteúdo de qualidade“, afirmou.

Nossa obrigação é organizar essa massa de conteúdo do ponto de vista literário e pedagógico de forma pertinente e, principalmente, disponibilizar uma ferramenta tecnológica que permita a interação com a biblioteca da forma mais simples possível, participativa, atrativa e por um preço convidativo“, explicou o criador do projeto.

A Nuvem de Livros já está presente também na Argentina e deve começar a operar em outros países da América Latina e na Espanha a partir de setembro.

Terra | 16/08/13

Oi lança biblioteca virtual, a Oi Bookstore


A Oi anunciou o lançamento do serviço de biblioteca virtual Oi Bookstore, que permite a leitura de livros no tablet, celular ou computador aos clientes da operadora. Com uma assinatura de R$ 3,90 por semana, o usuário pode baixar livros por meio de um aplicativo para Android e iOS.

A biblioteca tem cerca de 2.500 títulos, divididos em 11 categorias, como arte, literatura brasileira, medicina, filosofia e ciências sociais. O app oferece a opção de adicionar marcadores nas páginas, aumentar ou reduzir o brilho e a fonte do texto e compartilhar o que está lendo pelo Twitter ou Facebook.

A iniciativa está dentro da nossa plataforma de conteúdo de educação, que está sendo construída há algum tempo, e oferece cursos online para as pessoas, como de idiomas. Na Oi Bookstore, o cliente escolhe três livros para baixar simultaneamente e pode ler sem estar conectado à Internet. O assinante pode ficar com os livros o tempo que quiser, e quando acabar, pode trocar, como em uma biblioteca real”, diz Roberto Guenzburger, diretor de produtos e mobilidade da Oi.

O serviço é uma parceria em regime white label com a Verisoft. “Estamos com uma perspectiva bem positiva em relação ao serviço, que será aderido primeiro pelo público jovem, cujo interesse por novos serviços é maior. Mas o público mais velho pode se interessar mais para frente, porque o serviço traz uma conveniência muito grande: não é preciso carregar livros pesados e o celular está sempre conosco”, completa Guenzburger.

Para ser assinante da Oi Bookstore, o cliente pode enviar um SMS com a palavra ‘livros’ para o número 644 ou se cadastrar pelo site. Caso o dispositivo do usuário não seja compatível com o app, ele pode acessar os livros pelo site.

Por Marina Tsutsumi | MobileTime

Amazon Publishing: de fan fiction a conferência de autores


Editora lança nova série de biografias, chamada Icons

O braço editorial da Amazon começou discretamente, e muitas pessoas não acreditavam que a iniciativa iria vingar no começo. Mas, aos poucos, a Amazon Publishing vem ganhando espaço. Primeiro com a série Kindle Singles, série de e-books com entrevistas, que lançou inclusive um e-book em português. Depois ganhou destaque por ser a editora que mais publica traduções nos Estados Unidos, com o Amazon Crossing, e o Kindle Worlds, ligando os mundos do fan fiction e da autopublicação. Agora, a Amazon Publishing está lançando uma série de biografias curtas, chamada Icons, de “figuras canônicas”, escritas por “autores célebres”. A editora planeja lançar dez títulos, um a cada dois meses. O primeiro e-book da série é uma biografia sobre Jesus, escrito por Jay Parini, que será lançada em dezembro de 2013. Outro selo da Amazon Publishing, a Thomas & Mercer, que publica thrillers, organizou um conferência no final do mês, em Seattle, com os autores do selo, para conhecer os executivos da empresa, participar de workshops e passear. É a primeira vez que a Amazon realiza uma conferência desse tipo, mas o Bookseller afirma que pode virar um evento anual. Nada mal para uma editora que sofria boicote um ano atrás.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 15/08/2013

Rede de eBooks do Brasil permite escrita colaborativa e pitaco de leitor


Com 8 meses de vida, Widbook já tem leitores e escritores em cem países.
Com 30 páginas escritas por hora, rede de e-books abriga 1,4 mil obras.

Rede de eBooks Widbook tem aplicativo para celulares que rodam Android lançado. [Foto: Divulgação]

Rede de eBooks Widbook tem aplicativo para celulares que rodam Android lançado. [Foto: Divulgação]

Se um autógrafo pode ser o mais próximo que alguns leitores chegarão de seus escritores favoritos, uma rede social brasileira permite que os leitores deem “pitacos” sobre o andamento das obras.

Diferentemente de outras plataformas similares de publicação on-line, como o Wattpad, é possível que os leitores não apenas acompanhem passo a passo a elaboração de livros no Widbook mas também possam sugerir parcerias aos autores. Os brasileiros já são acessados em mais de cem países.

O escritor precisa do leitor e o leitor quer ficar próximo do escritor. A experiência é essa: a possibilidade de participar da obra, de ler um livro antes mesmo de ele sair no mercado, de acompanhar um conversa, de ver um autor que está despontando e às vezes nem é no mundo tradicional das editoras”, diz o diretor executivo de operações e cofundador da plataforma, Joseph Bregeiro.

Publicar

A cada hora, em torno de 50 interações ocorrem na plataforma, sejam avaliações de obras ou leitores que começam a seguir autores.

A rede de publicação e exposição de e-books foi a vitrine para 1,4 mil livros desde o começo de 2013, quando entrou no ar. Mais de 6,5 mil histórias estão em construção. São obras que já foram inseridas no sistema, mas seus autores ainda não optaram por apertar o botão de “publicar”. Por hora, cerca de 30 páginas são escritas na rede.

Se um escritor já tiver algum material pronto, é possível subir o material no site. Mas, diz o executivo, “é a ferramenta menos utilizada”, pois a ideia é “começar um livro do zero, desde a primeira página”. A expectativa é ter 20 mil livros ao fim do ano.

Joseph Bregeiro, cofundador da rede de eBooks Widbook [Foto: Divulgação]

Joseph Bregeiro, cofundador da rede de eBooks Widbook [Foto: Divulgação]

Romance para celular

Com quase 40 mil usuários, a rede social agora chega aos smartphones e tablets, algo que o diretor executivo de operações e cofundador da plataforma acredita que pode mudar a cara das publicações. O aplicativo para Android já pode ser baixado e o para aparelhos da Apple será lançado em breve.

A gente acredita que siga a tendência oriental. Tem muita gente na coreia e japão ficando famoso escrevendo romance para celular. Talvez porque a opção seja mais fácil de leitura melhor para quem está se locomovendo. Então tende a baixar os títulos de não ficção dentro da plataforma. O cara vai querer explorar mais uma história para ser lido em mobile”, diz.

Atualmente, 30% dos acessos já são feitos por meio de aparelhos móveis, mas a tendência é a ultrapassagem, afirma Bregeiro. “Na Índia, o mobile já passou.

Com a força do celular, a empresa espera que os usuários na rede cheguem a 100 mil em 2013 e fiquem entre 1 milhão e 2 milhões em 2014.

A rede de e-books não deve implantar uma forma de rentabilização até o fim do ano que vem, para, primeiro, construir uma base de usuários e decidir antes as alternativas de negócio. Segundo Bregeiro, a geração de caixa pode girar em torno de “informações valiosas para o escritor a qual poderia ter acesso por um valor mensal”.

Como exemplo, o executivo cita o tempo em que um usuário passa com uma obra, em qual página abandona a obra e até informações para agentes literários.

O Widbook possui ferramentas para reprimir infrações aos direitos autorais. É possível denunciar um usuário que tenha publicado plágios e obras que contenham trechos de outros autores.

Por Helton Simões Gomes | Do Portal G1 | 15/08/2013

Oi lança sua própria biblioteca virtual


Atenta ao fato de que cada vez mais gente lê em dispositivos móveis, como tablets e mesmo celulares, a operadora de telefonia Oi está lançando sua própria Bookstore. Na verdade, na Oi Bookstore os usuários não compram os livros, mas pagam uma espécie de “aluguel” (R$ 3,90 por semana), para ter acesso a até três obras simultaneamente.

São 2.500 títulos em acervo subdivididos nas categorias artes, auto-ajuda, biografia, direito, literatura brasileira, medicina & saúde, infanto-juvenil, religião, filosofia, obras gerais e ciências sociais.

Para assinar o serviço, o consumidor deve enviar um SMS com a palavra LIVROS para o número 644 ou acessar o site http://www.oibookstore.com.br. Neste caso, baixa gratuitamente um aplicativo e a partir daí escolhe o livro, ou livros, que poderá ser lido mesmo quando não estiver conectado à internet.

Funcionalidades de leitores eletrônicos, como a possibilidade de adicionar marcadores, aumentar ou diminuir tamanho da fonte ou intensidade de brilho, assim como comunicar a amigos nas redes sociais Facebook e Twitter dados sobre as leituras que têm feito estão também presentes na Oi Bookstore.

Meio & Mensagem | 15/08/13

eBooks sobre eBooks


O’reilly tem títulos sobre Epub 3 e HTML 5 para editores

O mercado editorial às vezes parece dividido em dois: os que falam em siglas eletrônicas, como Epub, HTML etc. e os que imaginam que essas siglas escondem mundos complicadíssimos. É sempre bom então encontrar manuais ou guias bem elaborados sobre o assunto. A O’Reilly, editora conhecida no mundo da informática pelos livros de computação que estampam representantes da fauna nas capas, tem dois e-books sobre duas linguagens de programação fundamentais para a produção editorial digital. What is Epub 3 e HTML 5 for publishers. Ambos podem ser adquiridos gratuitamente no site da editora, após cadastro. Complementando a “e-blioteca” sobre e-books, vale e pena também conferir o estudo The Global eBook Market: Current Conditions & Future Projections, organizado pelo consultor Rüdiger Wischenbart sobre o mercado digital e suas tendências em 2013. Os títulos estão disponíveis em inglês.

Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 14/08/2013

Para pesquisador de Harvard, ‘digital não ameaça bibliotecas’


Ainda moleque, o americano Matthew Battles estava jogando beisebol quando acertou a vidraça da biblioteca da cidadezinha onde vivia. Ao buscar a bola, o garoto de 12 anos encontrou filas e filas de prateleiras cheias de livros.

Seria possível dizer que Battles e as bibliotecas “viveram felizes para sempre”, caso soubéssemos se bibliotecas como a de Petersburg viverão felizes para sempre.

É justamente sobre o futuro delas, as bibliotecas, especialidade de Battles, que o pesquisador fala hoje, no Rio.

Diretor do laboratório de cultura digital da Universidade Harvard [EUA], o metaLAB, Battles faz a palestra de abertura do seminário “Múltiplos e Contemporâneos: A Literatura.com”, do Centro Cultural Banco do Brasil.

O ciclo, com curadoria das pesquisadoras Valéria Lamego e Cristiane Costa, terá outros quatro debates, até dezembro, com escritores, críticos literários e editores. A ideia é debater os desafios da literatura contemporânea diante das novas tecnologias.

Battles diz que não são poucos. “As novas mídias estão alterando completamente a maneira como escrevemos e experimentamos a leitura“, diz ele à Folha.

Um dos maiores efeitos disso é o caráter imediato que a escrita passou a ter. Pode vir a público, a um grande público, logo após ser concluída, sem passar por longos processos de edição.

Battles diz não ter dúvida nenhuma de que nunca se escreveu e leu tanto quanto nos tempos atuais. E o que será feito de tanta escrita?

A efemeridade e o dinamismo da internet são enormes desafios para a preservação. Como preservaremos fenômenos que aparecem subitamente, florescem e morrem logo depois?“, pergunta.

Autor de um livro chamado “A Conturbada História das Bibliotecas” [ed. Planeta, 2004], ele começou sua carreira trabalhando numa das bibliotecas de mais prestígio do mundo, a Widener, de Harvard, onde guardam as obras raras da instituição.

Lá aprendi que os meios de escrever e publicar mudaram de forma radical na história, mas as bibliotecas continuam. O digital não será uma ameaça“, diz Battles, que é consultor da Digital Public Library of America [www.dp.la], a maior biblioteca digital do mundo [onde bolas de beisebol não entram].

PALESTRA DE MATTHEW BATTLES
QUANDO quarta-feira [14], às 18h30
ONDE Centro Cultural Banco do Brasil [r. Primeiro de Março, 66, centro, Rio de Janeiro, tel. 0/xx/21/3808-2020]
QUANTO grátis

POR CASSIANO ELEK MACHADO | Publicado e clipado originalmente em Folha Online | 14/08/2013, às 03h43