Associação das Editoras Americanas adota plano ambicioso para adoção em massa do ePub3


Por Eduardo Melo | Publicado originalmente e clipado à partir de Revolução eBook | 31/07/2013

O plano, ambicioso, também inclui obter um amplo suporte  entre os vendedores em até seis meses.

Certamente a adoção de um padrão comum, para algo complexo como um livro digital, não é tarefa fácil. Quando o assunto é ePub3, existem vários motivos para os sistemas de leitura [leia-se: os grandes vendedores de ebooks] ainda não aceitarem o formato de forma uniforme. Até agora, a Apple é a livraria que oferece mais suporte. Há previsão de que até o final do ano, a Apple ganhará a companhia de Kobo e Google na arena do ePub3.

Um cenário com mais harmonia, padronização na aceitação do ePub3, tornaria o trabalho e a produção de ebooks avançados bem mais simples, e mais barato, para as editoras. Com isto em mente, a AAP [Association of American Publishers] convidou os maiores vendedores e editoras para participar da sua nova iniciativa, uma série de encontros para esquematizar a adoção do EPUB3. Chamado de “Projeto de Implementação do ePub3?, o objetivo é avançar rapidamente uma harmonização no uso do formato por editoras e vendedores. A informação é do Digital Book World.

A meta da associação é lançar um grande número de títulos em ePub3 no primeiro trimestre de 2014.

A AAP afirma que as editoras americanas estão trabalhando juntamente com “vendedores, distribuidores de conteúdo digital, fabricantes, provedores de sistemas de leitura, especialistas em tecnologia e organização de padrões”. Mas a entidade não comenta ainda quais editoras e vendedores decidiram participar até agora. A entidade afirma estar convidando todos os integrantes do mercado para sentar à mesa.

Por Eduardo Melo | Publicado originalmente e clipado à partir de Revolução eBook | 31/07/2013

Venda de eBooks no Brasil foi 3,5 vezes maior que em 2011


O número de exemplares vendidos no Brasil em 2012 caiu 7,36% em relação a 2011, passando de 469,46 milhões de exemplares para 434,92 milhões. Apesar da queda, o faturamento das editoras teve aumento de 3,04%, passando para R$ 4,98 bilhões.

Os dados são da pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro, realizada e divulgada ontem pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo [FIPE/USP]. Encomendados pela Câmara Brasileira do Livro [CBL] e pelo Sindicato dos Editores de Livros (SNEL), os dados significam o primeiro crescimento real de vendas desde 2008.

Segundo o levantamento, o segmento que teve maior queda de vendas foi o de livros religiosos [19,18%], seguido pelo de livros didáticos (11,09%). Enquanto isso, o setor de obras gerais cresceu 7,65%. Já a venda de e-books foi 3,5 vezes maior que em 2011, mas o valor total ainda equivale a menos de 0,01% do faturamento do setor.

Fonte: FIPE/CBL

Distrito escolar nos EUA troca livros e cadernos por laptops a 24 mil alunos


Por Ana Carolina Moreno | Publicado originalmente e clipado à partir do Portal G1, em São Paulo | 30/07/2013, às 18h12

‘Conversão digital’ foi feita nas 42 escolas de Huntsville, no Alabama.
Segundo o distrito, proficiência em matemática subiu de 48% para 78%.

Sala de aula no distrito escolar de Huntsville: só o laptop na carteira (Foto: Divulgação/Huntsville City Schools)

Sala de aula no distrito escolar de Huntsville: só o laptop na carteira (Foto: Divulgação/Huntsville City Schools)

Um distrito escolar nos Estados Unidos decidiu mergulhar de cabeça na “conversão digital” há um ano e, hoje, colhe frutos como o aumento da proficiência dos alunos e a redução dos casos de indisciplina. No início do ano letivo de 2012-2013, o distrito de escolas de Huntsville, no Alabama, aboliu os livros didáticos e os cadernos em 100% de suas 42 escolas, que têm 24 mil alunos. Eles foram trocados por laptops para todos os alunos e professores, que podem levar o equipamento para casa. Os computadores foram equipados com um currículo digital que inclui, além de livros eletrônicos, conteúdo interativo e multimídia.

No caso das crianças da pré-escola ao segundo ano, tablets com aplicativos educacionais são guardados nas salas de aula e usados de acordo com a atividade preparada pelo professor. Para garantir a conectividade, o distrito instalou wifi nas escolas e nos ônibus escolares. Além disso, a maioria das salas de aula foram equipadas com lousas inteligentes.

Segundo Rena Anderson, diretora de engajamento comunitário do distrito, isso tudo foi feito sem o aumento do orçamento das escolas. “Nós redirecionamos o orçamento, gastando o que normalmente usamos em livros didáticos, por exemplo”, afirmou ela ao G1.

Os resultados preliminares deixaram todos no distrito “muito surpreendidos”, contou Rena. Três vezes ao ano [no outono, inverno e primavera no Hemisfério Norte], todos os alunos do primeiro ao último ano do ensino básico passam por um teste em matemática e leitura. Desde a implantação do sistema 100% digital, os resultados melhoram a cada avaliação. De acordo com Rena, entre o outono de 2011 e a primavera de 2013 a porcentagem média de alunos de todos os anos proficientes em matemática subiu de 48% para 78%.

No quesito leitura, a média de proficiência era de 46% no outono de 2011. No último teste, feito na primavera de 2013, ela subiu para 66%. O resultado representa a média de todos os alunos dos doze anos do ciclo básico [do 1º ao 12º ano].

Modelo para o país

Alunos mais novos ganham tablets; os maiores, laptops; no ônibus, wifi garante o acesso à web (Foto: Divulgação/Huntsville City Schools)

Alunos mais novos ganham tablets; os maiores,
laptops; no ônibus, wifi garante o acesso à web
(Foto: Divulgação/Huntsville City Schools)

Rena afirma que muitas escolas já estão fazendo a migração digital, mas Huntsville foi, segundo ela, o primeiro distrito escolar a fazer isso para todas as suas escolas de uma vez. “Dois anos atrás, começamos um programa-piloto com todos os alunos do sexto ano. Todo eles receberam um netbook para levar para casa. Depois daquele primeiro ano, tudo pareceu dar certo, e decidimos que iríamos pular com os dois pés”, explicou ela.

Huntsville agora virou inspiração para outras regiões dos Estados Unidos, e Rena afirma que suas escolas recebem cerca de 100 visitantes por mês de outros distritos, interessados em conhecer de perto a experiência. Segundo ela, o governo da Flórida atualmente estuda implantar o sistema em todas as escolas do estado. Rena sugere a todos os visitantes que não tenham medo de “se adaptarem aos tempos“.

A princípio, a maior resistência veio dos pais, que não sabiam como poderiam ajudar seus filhos a irem bem na escola. Por isso, oficinas foram feitas para mostrar como os pais também teriam acesso, mesmo no computador de casa, às aulas, lições de casa, boletins e relatórios de frequência.

Já os alunos mostraram retorno imediato ao novo sistema. Com a liberdade de progredirem em seu próprio ritmo, o engajamento dos estudantes às aulas aumentou e, com isso, os atos de indisciplina diminuíram. De acordo com um relatório disponível no site oficial do distrito, nove semanas após a conversão, o número de alunos que receberam alguma suspensão por mau comportamento caiu 45%.

Além do currículo digital, Huntsville também testou diversos filtros para garantir que os estudantes não se distraiam navegando pela internet. Atualmente, eles adotaram um sistema que bloqueia conteúdos como redes sociais e jogos nas máquinas dos alunos, mas os permite na dos professores. Além disso, o professor pode acessar, em seu laptop, a tela do computador de um aluno, para saber o que ele está fazendo. Por fim, o filtro bloqueia os serviços de e-mail nos computadores dos estudantes durante o dia, para evitar que eles desperdicem tempo trocando mensagens, mas permite seu uso após o horário escolar, quando eles levam o laptop para casa.

Nos ônibus escolares que fazem as rotas mais compridas, também foram instaladas conexões sem fio. Assim, os estudantes podem estudar, fazer lição de casa ou se entreter no caminho para casa. O distrito ainda lista, em seu site, os hotspots de internet em locais públicos e privados da cidade, para facilitar o acesso dos alunos à rede.

Remanejando custos

São quatro os tipos de gastos que o distrito teve para fazer a conversão digital: os equipamentos individuais dos estudantes, o conteúdo didático digital, a infraestrutura de internet e o treinamento de professores. Em vez de comprar os computadores, eles são alugados por um período de três anos, já que até o fim do contrato novos e melhores modelos estarão disponíveis.

O custo por aluno por ano desse aluguel é de US$ 245 [cerca de R$ 540]. O currículo digital que será instalado nos computadores portáteis custa US$ 120 dólares por aluno por ano [cerca de R$ 260].

Já o treinamento dos professores, que inclui o acompanhamento e assessoramento in loco do trabalho dos docentes, custa US$ 100 por ano por aluno [cerca de R$ 220]. Por fim, Rena explica que há um custo para aumentar a banda da internet e expandir a rede de conexão sem fio, pago uma vez só, no valor de US$ 200 por aluno [cerca de R$ 440].

No total, o custo por aluno por ano gasto no sistema 100% digital para a sala de aula é de R$ 1.020, ou cerca de R$ 24,5 milhões, no caso de todo o distrito de Huntsville, mais o investimento de R$ 10 milhões em infraestrutura.

Para o cientista e professor Rob Kadel, do Centro de Pesquisas de Aprendizagem Online e Rede de Inovação da Pearson nos Estados Unidos, os custos não são necessariamente altos se for levada em conta a economia feita com a conversão. Ele estima que uma escola do ensino médio no país gaste, em média, 150 mil folhas de papel por ano em cartazes e recados para os pais, sem contar os equipamentos como impressoras e máquinas de fotocópia, e os cartuchos de tinta usados para a produção de material impresso.

Segundo o pesquisador, que nos próximos vezes vai aplicar uma série de testes para avaliar o desempenho dos alunos de Huntsville, a alfabetização é um dos poucos momentos em que os cadernos ainda estão presentes na sala de aula, mas as crianças aprendem a escrever em letra cursiva ao mesmo tempo em que também começam a praticar a digitação.

Professores facilitadores

Rob Kadel, pesquisador norte-americano (Foto: Divulgação/Pearson)

Rob Kadel, pesquisador norte-americano
(Foto: Divulgação/Pearson)

Kadel, que veio ao Brasil nesta semana para falar sobre tecnologia educacional, explicou ao G1 que, mais do que a mudança de equipamentos, é necessário promover uma mudança cultural dentro da sala de aula antes de esperar resultados concretos da tecnologia.

“Não é só aprender sobre como clicar nesse botão ou como abrir aquele site, mas como pensar sobre quais são as maneiras mais eficazes para usar esses computadores”, disse ele, que sugere aos gestores escolares primeiro decidirem o que querem fazer com a tecnologia para depois decidir que equipamento comprar.

Segundo ele, também é necessário engajar os professores, que muitas vezes ficam apreensivos a respeito de sua função na sala de aula. Para Kadel, a tecnologia permite que o docente acompanhe com mais facilidade o progresso individual de cada aluno e, por isso, seu papel passa a ser mais o de um facilitador: para os estudantes mais avançados, os currículos digitais permitem que eles vão comprovando o domínio dos conteúdos e avançando sem precisar esperar os demais. Já no caso dos alunos com alguma dificuldade, o professor pode dar um atendimento diferenciado e garantir que eles aprendam.

Por Ana Carolina Moreno | Publicado originalmente e clipado à partir do Portal G1, em São Paulo | 30/07/2013, às 18h12

Curso ensina a formatar eBook


Com o objetivo de possibilitar o domínio da linguagem básica de formatação de um e-book [ePub) utilizando o HTML5 e CSS3, a Universidade do Livro realiza o curso HTML5 e CSS3 para formatação de e-books. As aulas ocorrerão nos dias 20 e 21/08, das 9h às 18h, no Laboratório do Núcleo de Computação Científica da UNESP – Campus Barra Funda.

O foco do curso é a formatação pós-produção, ou seja, o aluno aprenderá a formatar o conteúdo de uma publicação já convertida em formato digital [ePub). O docente será Luciano Carneiro Holanda, sócio da Capítulo Sete, empresa de serviços editoriais e marketing digital. O investimento é de R$890,00. Estudantes e profissionais da Unesp e do mercado editorial pagam R$712,00.

PublishNews | 30/0713

Mercado Editorial se adapta ao Digital


POR EDNEI PROCÓPIO

O mercado editorial brasileiro caminha com um modelo de negócios para eBooks se ajustando ainda lentamente. Vários são os motivos. Segundo levantamento realizado em junho pela Câmara Brasileira do Livro [CBL], de um universo pesquisado durante a quarta edição do Congresso Internacional do Livro Digital, 32% afirmou que dificuldades [como qual tecnologia utilizar, e a falta de conhecimento técnico] impedem a entrada da sua editora no mercado digital.

Antes do advento da Internet, nosso mercado editorial parecia estar protegido em redoma de vidro pelos agentes que compunham a chamada cadeia produtiva do livro. Editoras, distribuidoras, livrarias e até mesmo as gráficas eram responsáveis por integrar e unir um mercado de bilhões de reais. Havia um mecanismo, engendrado por pelo menos três décadas, para proteger e não permitir que novos entrantes, concorrentes, atrapalhassem os negócios.

O mercado se mostrou de certo modo estável até meados da década de 1990. Depois do estouro da bolha da Internet, tecnologias de informação e comunicação, e mais tarde as mídias digitais e sociais, fizeram avançar um novo modo de operação nos negócios editoriais. Permitiu que novos players não só fizessem parte deste mercado como também o transformasse em algo urgente; em um mercado mais dinâmico, para os que entravam, porém mais anárquico para os que nele já confortavelmente se encontravam.

Nos últimos anos, diversas livrarias online romperam com o antigo modo de vendas diretas e fizeram nascer um novo consumidor digital. Hoje, segundo uma pesquisa do grupo Codex, cerca de 60% das vendas de livros, impressos e digitais, acontecem online. E os autores estreantes, que antes não tinham a oportunidade de publicação, ganharam dezenas de ferramentas de autopublicação e divulgação que abriram portas para um mundo de leitores.

A Livrus Negócios Editoriais é um exemplo de empresa que pode ser entendida ao mesmo tempo com uma editora e agência de comunicação, tal a metamorfose nos negócios causada pela Internet. Com apenas dois anos de atuação, mantém um modelo de negócios sustentável voltado ao mercado e já representa mais de oitenta escritores em todo o território nacional. Com um catálogo híbrido de títulos, impressos e digitais, a Livrus faz parte de um rol de novos players que estão tão próximos dos leitores quantos dos autores. Faz uso de uma série de ferramentas para aproximar os públicos através dos livros. Ferramentas que vão desde uma livraria que utiliza modelos de social-commerce até um site voltado aos serviços essenciais para a publicação sob encomenda, marketing e gestão literária.

O livro da era digital ainda não mantém um mercado tão consolidado quanto o do seu irmão primogênito, o livro impresso, mas já permite uma flexibilidade no que diz respeito a novas formas de produção de obras, novos percentuais de Direitos Autorais e, principalmente, novos modos de se ler um livro. Muitas editoras estão pensando diariamente em como melhorar a performance dessa nova empresa nascente, para atender também a um novo tipo de cliente muito mais exigente.

Segundo a pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, publicada em 2012, existiriam mais de 80 milhões de leitores no país. O mercado editorial convencional, que sempre foi protegido pelos agentes que compunham a cadeia produtiva do livro, agora tem como desafio compreender do que se trata o consumo de leitura. O artefato livro, um produto cultural de massa com mais de cinco séculos de história, ganha novos contornos com a qualidade nos serviços prestados pelas novas casas editoriais e pelos canais de vendas disponíveis.

De acordo com um relatório publicado pela Nielsen em julho, intitulada “Entendendo o consumidor de eBook”, as vendas de ficção em versão digital chegarão a 47 milhões de unidades e representarão 48% do total de vendas de ficção. Segundo a Nielsen, uma menor receita da venda de eBooks não é a única preocupação para editoras. Receitas de vendas de livros impressos estão caindo também. “Estamos prevendo que o valor total do mercado de ficção cairá 16% este ano, e mais 4% em 2014”, afirma o relatório.

Enquanto o antigo mercado se adapta ao mundo digital e busca compreender este novo modo de se operar, um novo mercado nasce com um modelo de negócios orgânico, que vai se ajustando. Esta adaptação iniciou-se com o advento da Internet, mas intensificou-se com a revolução provocada pelas mídias sociais. O livro digital, neste cenário, necessita de uma reposta adequada.

POR EDNEI PROCÓPIO

Google Play vai vender e alugar livros-textos


Google-Android-Nexus-7-179x300Em uma coletiva de imprensa na última quarta-feira, em São Francisco, a Google anunciou uma nova seção de livros-textos, além do novo Nexus 7. Segundo o site TechCrunch, consumidores poderão comprar ou alugar uma seleção de livros-textos, na loja Google Play, das cinco maiores editoras de educação dos Estados Unidos: Cengage Learning, Macmillan Higher Education, McGraw-Hill, Pearson e Wiley. Preços não foram divulgados, mas a gerente de produtos da Google Play, Ellie Powers, afirmou que estudantes economizarão até 80% do preço dos livros no varejo.

Por Hannah Johnson | Publishing Perspectives | 25/07/2013

A geração digital é burra demais para entender coisas que ela é inteligente demais para acreditar


Por Julio Silveira | Publicado originalmente em PublishNews | 25/07/2013

Voltaram a pipocar, aqui e ali, matérias alertando para o “emburrecimento” da nova geração, sempre plugada, se desgarrando do mundo “real” pelo universo da rede. As críticas a esses jovens online costumam começar com uma condenação a um estilo de vida — a distração, a incapacidade de se aprofundar em um assunto, o bovarismo — e logo sobem alguns graus para afirmar que a insistência em tal comportamento acarretará em graves danos cerebrais, gerando um indivíduo que, de tanto se “socializar” nas redes será inútil à sociedade. Seria o que chamam de “demência digital”, o mal do século.

Sobre causar danos cerebrais, estão certos. Ou quase isso. É provável sim que os nativos digitais já tenham uma nova configuração neural, mais apta a conviver com fontes múltiplas e simultâneas de informação e estímulo. O fenômeno chama-ser neuroplasticidade, e sem ele, nada aprenderíamos. O cérebro de um spallade orquestra, por exemplo, é exatamente igual ao de um contador, mas cada um deles foi tecendo seus neurônios, à medida que aprendia e vivenciava seu ofício, no circuito que mais lhes habilitasse para executar um pizzicato ou amortizar o diferido, respectivamente.

O que os críticos e digitoludistas não querem reconhecer, no entanto, é que não há uma configuração cerebral “perfeita”. Isso seria uma “eugenia mental” à la Goebbels. A mente muda no indivíduo, e muda nas gerações. Assim como o cérebro das pessoas vai se configurando, também as gerações vão alterando sua “placa-mãe”. Uma característica geral da “circuitação cerebral” dos nativos digitais é o fim da exclusividade do modelo linear de aprendizado, com um dado de cada vez, construindo um conhecimento. E isso, especulações fisiológicas à parte, é que representa[ria] risco para nós que trabalhamos com livros.

Em outras palavras, o nativo digital “multiestimulado” não conseguiria acompanhar narrativas lineares longas, não conseguiria se engajar em argumentações complexas — enfim, não conseguiria ler um livro.

Estudos mostram que metade das crianças chinesas que aprendem a usar o computador não é mais capaz de ler. Se isso não mostra o perigo do digital, então não sei o que mostra”. Estudos mostram que estudos mostram o que foram pagos para mostrar, e é preciso ter muito medo para conseguir fazer sentido do que o professor Manfred Spitzer, arauto da “demência digital”, quis dizer com essa estatística difusa.

Um traço comum entre os críticos é o apelo ao cânone. “Quem vai conseguir ler Guerra e Paz?” Um dos autores que mais ganhou dinheiro com o pânico, Nicholas Carr [de The shallows], chegou a dizer que o livre acesso à informação, trazido pela internet, levou a um enorme aumento da comunicação, favorecendo somente a fofoca e a trivialidade — os jovens estariam falando de celebridades quando deveriam estar lendo Milton ou Shakespeare. [Cabe perguntar se o bardo, lá no século 17, estava mais preocupado em ler Chaucer ou Aristóteles ou em satisfazer o público fofoqueiro com peças divertidas e “superficiais” como Sonho de uma noite de verão.]

Enfim. O que estamos enfrentando, e pela primeira vez, é o fenômeno da abundância abrupta. Temos estímulos demais, livros demais a nosso alcance [além de filmes, músicas, aplicativos, memes e vídeos de gatinhos]. Como lidar com tudo isso, sem ficar demente? Em um experimento bem conhecido com os bonobos, primatas geneticamente parecidos com os homens, foi oferecido a um grupo desses macacos uma montanha de comidas — bananas, carnes, doces. Os bonobos, frente à abundância abrupta, no lugar de atacar a comida, começaram a fazer sexo desenfreadamente, e em todas as combinações de gênero e posição. Algo parecido pode ocorrer com nossa espécie de primatas: frente à abundância de informações, não conseguimos absorver, ou processar, então nos regozijamos. Em todas as combinações. E temos medo, também.

Sócrates teve medo quando os jovens passaram a escrever; o autor do Eclesiastes alertou para a loucura dos livros sem fim; a imprensa foi tratada como a prostituta do saber; Jerônimo Squarciafico [impressor do século 15]  já dizia que a abundância de livros torna o homem menos estudioso; a primeira geração televisiva foi taxada de alienada.

Olhando pelo outro lado, Silvio Meira é da opinião que “empresas e escolas, instituições em geral, assustadas com a democracia das redes sociais, uma espécie de 1968 online, resolveram se esconder do ‘problema’, e por muito tempo. Estão muito atrasadas no aprendizado da nova ‘linguagem’. O resultado? os jovens saíram na frente e estão à frente, onde vão continuar por muito tempo. E isso é muito bom, sejam quais forem as consequências.

O fato, contabilizável e incontestável, é que nunca se leu e se escreveu tanto. Mesmo que confinada em 140 caracteres, os nativos digitais formam a geração mais letrada e mesmo literária desde a Revolução Industrial.

Um dos replicadores de Carr, Clay Shirky, acha que a abundância é motivo de otimismo, e que “demente” são os que não conseguirem fazer a transição para esse novo modo de pensar. Ele argumenta que “as tecnologias que tornam a escrita abundante sempre exigem novas estruturas sociais para acompanhá-las”, e lembra que a invenção da imprensa por Gutenberg dizimou algumas formas tradicionais de expressão, mas amplificou enormemente a força da palavra escrita. No que diz respeito ao métier de quem vive da palavra, como os editores, é preciso se dar conta, o quanto antes, de que o digital também vai aposentar algumas formas de expressão e tornar redundantes alguns segmentos da indústria editorial, como a imprensa fez com os sermões e os monges copistas. Alguns vão cair, mas, no final, a indústria, e a palavra, vão se erguer.

Ou talvez ficaremos todos dementes, mesmo.

Por Julio Silveira | Publicado originalmente em PublishNews | 25/07/2013

Julio Silveira é editor, formado em Administração, com extensão em Economia da Cultura. Foi cofundador da Casa da Palavra em 1996, gerente editorial da Agir/Nova Fronteira e publisher da Thomas Nelson. Desde julho de 2011, vem se dedicando à Ímã Editorial, explorando novos modelos de publicação propiciados pelo digital. Tem textos publicados em, entre outros, 10 livros que abalaram meu mundo e Paixão pelos livros[Casa da Palavra], O futuro do livro [Olhares, 2007] e LivroLivre [Ímã]. Coordena o fórum Autor 2.0, onde escritores e editores investigam as oportunidades e os riscos da publicação pós-digital.

A coluna LivroLivre aborda o impacto das novas tecnologias na indústria editorial e as novas formas de relacionamento entre seus componentes — autores, agentes, editores, livrarias e leitores. Ela é publicada quinzenalmente às quintas-feiras.

Ficção digital irá ultrapassar livros de bolso em 2014 no Reino Unido


De acordo com seu relatório “Entendendo o consumidor de e-book” de julho, a Nielsen estima que ano que vem as vendas de ficção chegarão a 47 milhões de unidades, umas 300.000 à frente dos livros de bolso, e representarão 48% do total de vendas de ficção. Contudo, como o preço médio de um e-book é menos de 3 libras, comparado a 5,5 libras do livro de bolso, o valor das vendas de e-book em 2014 alcançarão apenas 32% do total de ficção. Segundo a Nielsen, uma menor receita da venda de e-books não é a única preocupação para editoras. Receitas de vendas de livros impressos estão caindo também. “Estamos prevendo que o valor total do mercado de ficção cairá 16% este ano, e mais 4% em 2014”, afirma o relatório.

Por Philip Jones | The Bookseller | 24/07/2013

O colapso da Barnes & Noble


Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 24/07/2013

Em 2009, a Amazon e a Sony tinham um duopólio virtual no nascente mercado de e-books. A Barnes & Noble tinha que agir agressivamente, e de fato o fez – eles contrataram William Lycnh, CEO que tinha nenhuma experiência com livros, mas era craque em tecnologia e e-commerce. Ele lançou o Nook, e um ano depois a B&N tinha 20% do mercado – engolindo quase todo o negócio de e-book da Sony e chegando rapidamente perto da Amazon.

A B&N fez investimentos pesados em tecnologia, criou um centro de desenvolvimento digital no Vale do Silício, com mais de cem engenheiros treinados, que lançaram e-readers e tablets Nook que receberam resenhas calorosas. Esses aparelhos estavam em destaque nas livrarias físicas, e tinham o respaldo de um staff de vendas comprometido.

Aí vejo essa notícia:

CEO William Lynch resignou ao cargo, após perda trimestral de US$ 177 milhões na divisão digital

O que aconteceu com aquela luz no fim do túnel?

Primeiro de tudo, o DNA da empresa era o de uma livraria física, e apesar dos milhões de dólares investidos em desenvolvimento, um duelo com um mamute da tecnologia, a Amazon, mostrou-se ser uma batalha quixotesca.

Segundo, eles cometeram um erro crasso ao investir em tablets. Apesar do Nook Color e Tablet serem aparelhos muito inovadores, a B&N não percebeu que o seu ponto forte era conteúdo, não aparelhos (se fosse o caso, os tablets teriam preços de iPad). Sem uma oferta completa de músicas, vídeos e jogos pagos, que mantêm os consumidores nas lojas virtuais, a B&N estava simplesmente disponibilizando a compra de Angry Birds e assinatura de Netflix.

Por último, eles perderam a oportunidade de impulsionar seu maior ativo – a rede de lojas físicas. Os “Cantos do Nook” nas livrarias eram fantásticos, mas por que a B&N não fez algo que apenas um varejista físico conseguiria? Como ofertar pacotes impresso/digital? (por exemplo, compre o livro físico e leve o digital com 50% de desconto). Ou ofertas válidas apenas dentro das lojas? (Como 20% de desconto em todas as compras virtuais feitas na loja física). Ou ofertas de livros físicos na loja virtual? (Digamos, 10% de desconto nos livros físicos para leitores digitais). As possibilidades de marketing eram virtualmente ilimitadas.

O fim de William Lynch e companhia foi bem triste, mas estou animado para ver o que as ‘Barnes & Noble’s do Brasil nos trarão.

Greg Bateman

Greg Bateman

Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 24/07/2013

Greg Bateman, expert em tecnologia e empreendedor do negócio de e-books, é conhecido pelo seu envolvimento na criação de produtos extremamente bem-sucedidos, como os smartphones da Samsung e o Kindle, da Amazon. Na Vook, ele desenvolveu uma eficiente cadeia de produção de centenas de e-books por semana. Greg, que nasceu nos Estados Unidos, viveu nove anos no exterior, onde intermediou várias parcerias envolvendo Coreia, China, Japão e EUA. Hoje mora no Brasil, em São Paulo. Ele é pesquisador visitante da Universidade de Tóquio, tem duas graduações pela Universidade da Califórnia em Berkeley [engenharia elétrica/ciência da computação e literatura japonesa] e um MBA pela Columbia Business School.

A coluna E-Gringo discute a fundo o negócio e o lado técnico dos e-books a partir de uma perspectiva global. Às quartas-feiras, quinzenalmente, ela vai apresentar plataformas e tendências do mundo todo e, claro, do Brasil. Para enviar comentários, escreva para greg@hondana.com.br .

A questão da precificação dos livros digitais


Por Ednei Procópio

Ednei Procópio

Ednei Procópio

Todos os livros, absolutamente todos, para registrar e circular informação e conhecimento, necessitam de um hardware. Nem que seja hardwares em formato de tabletes de argilas, e-readers, papiro, parede de cavernas, telas de smartohpnes, tablets, papel impresso ou até bambu.

O mercado editorial tradicional, sem o qual o artefato livro não existiria como produto de consumo em massa, convencionou explorar comercialmente livros que são impressos em folhas de papel. Para se registrar e compartilhar informações e conhecimento utilizando livros em papel, se faz necessária a utilização de diversas páginas aonde os textos são impressos. Deste modo, por exemplo, para um texto de aproximadamente 140 mil caracteres com os espaços, são necessárias cerca de aproximadamente 100 páginas ou folhas impressas.

Pelas contas do mercado editorial, convencional, se a gente quiser circular, por exemplo, um livro de 100 páginas para cerca de 10 mil leitores, temos que multiplicar as 100 páginas impressas pelos 10 mil.

Parece óbvio, não? Mas é com esta conta básica que o mercado editorial convencional pagou durante décadas cada profissional envolvido com a manufatura dos livros. E é sobre esta conta básica que está ancorado todo o mercado editorial convencional que hoje ainda explora comercialmente as cópias das obras, de onde temos o modelo de copyright [direito de cópia] como premissa básica.

Se pudéssemos criar uma equação, ela seria mais ou menos esta:

Número de páginas X [multiplicado pela] tiragem de exemplares X [multiplicado pelo] preço de capa do livro = [que seria responsável por toda] a base de sustentação de todo um mercado

Agora vamos para os livros digitais

Com uma única tela touch, com uma única écran, com uma única folha e-ink [traduzido para o português como papel eletrônico], é possível permitir ao leitor que se ‘imprima” milhares de páginas, infinitamente, delimitando-se apenas pelos recursos de memória e energia. Ou seja, no caso de livros que se utilizam do hardware eletrônico para serem consumidos, o limite está ou na memória da máquina [basada na Lei de Moore] ou nos limites da energia [infelizmente ainda não suplantada pela tenologia atual].

E se pudéssemos criar uma equação para um novo modelo de negócios para os livros digitais, ela seria mais ou menos esta:

Número de títulos que podem ser infinitamente ‘impressos’ e apagados nas telas de um hardware comprado pelo próprio leitor X [vezes] a tiragem de exemplares digitais vendidos ou baixados ilegalmente X preço de capa do livro = a base de sustentação de todo um mercado novo

A diferença básica entre os dois modelos é que ao invés de se multiplicar o hardware, que era o caso do livro em papel, agora basta multiplicar o software [o arquivo do livro]. E, naturalmente, o custo para se duplicar os arquivos dos livros digitais é igual a zero. Basta clicar no comando COPY, e depois acionar o comando PASTE. O custo para se duplicar as folhas dos livros impresso, embora os custos tendenciarem a reduzir-se, continuam existindo. Para sempre até que os livros parem de ser impressos se a conta não bater mais.

Quantos hardwares são necessários para se ler todos os eBooks do mundo

O erro do mercado editorial, aquele convencional, continua sendo a base de multiplicação dos eBooks como se estes fossem livros impressos. A conta para demonstrar o abismo entre os dois modelos está baseado no fato de que se o preço de capa do livro se reduz na versão digital, automaticamente se reduz também o ganho para toda uma cadeia produtiva. E é aqui que reside o maior perigo. Se as coisas continuarem como estão, nem a necessidade de entidades de classe farão mais sentido, tal a performance de novas comunidades, chamadas pelo mestre Don Tapscott de peerings, que surgem para equalizar o tema de um novo modo.

Vamos a um exemplo bem claro do porque as editoras tentam manter os preços de capas mais ou menos igualitários:

De acordo com seu relatório ‘Entendendo o consumidor de e-book’ de julho, a Nielsen estima que ano que vem as vendas de ficção chegarão a 47 milhões de unidades, umas 300.000 à frente dos livros de bolso, e representarão 48% do total de vendas de ficção. Contudo, como o preço médio de um e-book é menos de 3 libras, comparado a 5,5 libras do livro de bolso, o valor das vendas de e-book em 2014 alcançarão apenas 32% do total de ficção.

Segundo a Nielsen, uma menor receita da venda de e-books não é a única preocupação para editoras. Receitas de vendas de livros impressos estão caindo também. ‘Estamos prevendo que o valor total do mercado de ficção cairá 16% este ano, e mais 4% em 2014’, afirma o relatório.” [Digital fiction to overtake paperbacks in 2014, says Nielsen, by Philip Jones, The Bookseller].

Mesmo forçando a barra para manter os mesmos percentuais para cada agente da cadeia, da velha cadeia, com um custo menor no preço de capa do livro, o livreiro ganha menos, a distribuidora ganha menos, a editora ganha menos e o autor ganha menos. E esta é a razão de alguns players quererem ser tudo ao mesmo tempo: livreiro, distribuidor, canal de venda direta, varejista. Eu diria que alguns players querem ser não só ser a editora, mas também até os próprios consumidores. E isto está ocorrendo porque as contas não estão batendo.

A equação é simples: o leitor quer pagar menos

O mercado editorial poderia, ao invés de perder tanto tempo tentando convencer-se do contrário, ter acostumado o leitor consumidor a dar um pouco mais de valor nas versões digitais. Durante o que eu chamo de a década perdida, de 2001 a 2011, no entanto, o mercado editorial convencional deixou para a free culture [a cultura do grátis] o papel de ensinar aos consumidores o valor dos downloads. Eu estive por lá quando criei meu primeiro projeto com os eBooks, a eBookCult, e o consenso da classe era generalizado, o que importava era o cheiro do papel.

Mas eu avisava, não seria o cheiro do papel que prenderia os leitores ao suporte papel. É por esta razão que o mercado editorial, convencional, tem se esforçado para manter o preço de capa dos eBooks equivalentes as versões impressas. O mercado editorial convencional está tentando ganhar tempo com o futuro devastador que se horizonta a sua frente. Pois chegará sim o dia em que os eBooks terão mais consumo e audiência que os livros impressos.

Leve o tempo que levar, e não estou aqui defendo a máquina que durante décadas foi responsável pela cultura capitalista ao redor do livro, mas, uma maneira de tentar proteger o mercado editorial, convencional, incluindo em primeira instâncias os livreiros e, depois disso, as editoras, é instaurando o preço único do livro. Não há outra saída, mas penso ao mesmo tempo que isto seria quase que impossível frente a constatação de que o mercado, ao invés de criar uma agenda para todo o setor, se fecha em feudos na tentativa de apostar quem morrerá por último.

Se o livre mercado continuar com a sua lógica mercantilista de apenas tentar a todo o custo debater-se frente a uma realidade inexorável dos micro pagamentos, o futuro do mercado editorial, convencional, será a morte. Ela é eminente, quem é editor, livreiro e autor sente isto na pele, todos os dias. Um novo mercado editorial nascerá com um novo modelo que suporte desde a cultura do grátis, passando pela cultura do compartilhamento ilegal, daqueles micro-pagamentos que ganharam consumidores com a explosão dos aplicativos com preços abaixo de um dólar, e com a falta generalizada de uma regulamentação deste setor.

Mas do que é que estamos falando?

Não que eu saísse em defesa, é apenas a visão de quem pensa o sistema de dentro para fora, e o inverso. Sem uma regulamentação mínima, urgente, o mercado editorial irá avançar em seu colapso. O mercado editorial não irá suportar os preços de capa que vinha mantendo com as versões impressas. Não conseguirá manter os mesmos percentuais divido para a cadeia produtiva. Não conseguirá manter audiência e consumo frente a concorrência de aplicativos e games, mais interativos e interessantes para milhares de usuários das mídias digitais. Enfim, não conseguirá se manter frente a um novo mundo cheio de oportunidades e desafios ao mesmo tempo.

O que o mercado editorial, convencional, necessita imediatamente é de uma pauta, uma agenda, unificada, transparente e compartilhada. Sem isto, qualquer questão, incluindo esta da precificação dos livros digitais continuará sendo tratada como mais um equívoco para tentar salvar o mercado de sua próprio causa mortis, pois vender eBooks ao mesmo preço e até mais caro que as suas versões impressas é basicamente isso: um suicídio.

Por Ednei Procópio

Preços de eBooks no Brasil


Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 23/07/2013

Há alguns dias fiz uma pesquisa de preços para comprar um livro que me interessava. Queria ler The Financial Lives of the Poets, de Jess Walter. Sabia que havia uma tradução e resolvi verificar se leria o livro em inglês ou na tradução, e se havia disponibilidade dessa tradução em e-book, fosse no formato ePub ou Kindle.

Havia. A Benvirá, editora no Brasil, vendia [exclusivamente] na loja da sua matriz, a Saraiva,o livro em formato ePub. O preço de capa do livro impresso era R$ 39,90, adquirido na Saraiva saía por R$ 33,90 e o e-book… custava R$ 35,90! [Isso até o dia 22/07. No dia 23/07, o site apresentou uma mudança significativa: passou a vender os dois formatos pelo mesmo preço de R$ 35,90].

Ou seja, a Benvirá dava 15% de desconto para quem comprasse o livro na Saraiva, mas quem o adquirisse para ler no aplicativo da cadeia de livrarias ou em algum Kobo ou tablet, ganhava apenas 10%. A Saraiva, como se sabe, não vende nenhum e-reader próprio. Apenas disponibiliza aplicativo para quem quiser ler nos desktops ou em tablets.

À surpresa seguiu-se a perplexidade. Quem seria idiota o suficiente para comprar um e-book, depois de ter gasto no mínimo mais R$ 259,00 [Kobo mini] ou R$ 299,00 [o Kindle mais barato], para pagar mais caro que o livro impresso? Afinal, quem tem ou pensa em comprar um e-reader [ou um tablet, que é mais caro, mas é multiuso] sabe perfeitamente que a grande vantagem dos e-books está no preço, e que um leitor assíduo amortiza rapidamente o investimento com o que economiza no preço dos livros.

Eu não acompanho de perto a evolução dos preços de e-books no Brasil. Acompanhei o processo de chegada do Kobo e do Kindle, e as notícias sobre sua presença aqui, e a expectativa de que a evolução da participação de e-books no mercado tivesse evolução similar à que aconteceu em outros países. Diante da surpresa, resolvi fazer uma brevíssima pesquisa de preços. Nada científico nem sistemático. Simplesmente peguei alguns títulos de três editoras [Benvirá, Record e Companhia das Letras] para “sentir” como os preços se comportavam.

No site da Benvirá aparecem as indicações de preço [com os livros impressos referidos à loja virtual da Saraiva] e uma aba para o e-book. No site da Record, a indicação de que existe uma versão em e-book remete às lojas que a vendem, e no da Companhia das Letras aparecem os preços de capa e de e-books [oficiais], mas nem sempre está assinalado o preço do e-book.

Como se tratava apenas de uma “percepção”, procurei os preços dos e-books apenas na Amazon [Kindle] e na Kobo. Deixei de lado as demais lojas. Para ter uma referência sobre o preço praticado por cadeias de livrarias [se teriam ou não descontos], fui ver os preços no site da Livraria Cultura. Mais uma vez repito. Não pretendia destacar nem as editoras nem as livrarias. Só queria ver se o comportamento da Benvirá se repetia.

O resultado está abaixo:

 Nota: Os preços de A Vida Financeira dos Poetas no Kindle e no Kobo são das edições em inglês.

Nota: Os preços de A Vida Financeira dos Poetas no Kindle e no Kobo são das edições em inglês.

Efetivamente, pelos preços verificados, o braço editorial da Saraiva, a Benvirá, mostrou que pouco se importa com a venda de e-books. E que não usa todos os canais de venda disponíveis: nenhum de seus livros com edições eletrônicas estava disponível na loja Kindle ou na loja Kobo. Só podiam ser comprados na Saraiva.

O único livro com um desconto significativo na versão e-book foi o Deserto, do Luís Krausz, que pode ser adquirido com 50% de desconto. Nos demais, o desconto padrão era de 10% sobre o preço de capa oficial da edição impressa, e que às vezes resultava em um preço maior para o e-book vis-à-vis o preço do impresso ofertado pela Saraiva.

Nas outras editoras fica clara a existência de várias estratégias de precificação dos e-books. O livro mais conhecido da Lya Luft [Record], teve sua versão e-book ofertada com 69% de desconto no Kindle e 67% na Kobo. Já um livro em domínio público, com a tradução já paga e formato de bolso [Mansfield Park, da Jane Austen] teve apenas 5% de desconto na versão eletrônica. E assim por diante.

A grande interrogação que sobra disso, por enquanto, é sobre as intenções da Saraiva em relação aos livros eletrônicos. A empresa vende seus e-books apenas em suas lojas próprias. Não posso afirmar de modo absoluto, mas tudo indica que não vende através das outras livrarias eletrônicas. Também não dispõe de um e-reader, apenas do aplicativo. Seus livros, portanto, só podem ser lidos nos e-readers dos demais [exceto no Kindle]. E a precificação é o que vimos.

Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 23/07/2013

Felipe Lindoso

Felipe Lindoso é jornalista, tradutor, editor e consultor de políticas públicas para o livro e leitura. Foi sócio da Editora Marco Zero, diretor da Câmara Brasileira do Livro e consultor do CERLALC – Centro Regional para o Livro na América Latina e Caribe, órgão da UNESCO. Publicou, em 2004, O Brasil pode ser um país de leitores? Política para a cultura, política para o livro, pela Summus Editorial. Mantêm o blogwww.oxisdoproblema.com.br

A coluna O X da questão traz reflexões sobre as peculiaridades e dificuldades da vida editorial nesse nosso país de dimensões continentais, sem bibliotecas e com uma rede de livrarias muito precária. Sob uma visão sociológica, este espaço analisa, entre outras coisas, as razões que impedem belos e substanciosos livros de chegarem às mãos dos leitores brasileiros na quantidade e preço que merecem.

Die Zeit leva sua reputação para os eBooks


DIe ZeitJornal alemão lançou no mês passado uma linha fixa de livros digitais

O jornal alemão Die Zeit resiste à fórmula dos textos curtos e rasos, tão frequentemente adotada pelos jornais que veem sua sobrevivência ameaçada na era digital. O semanário, tido como o melhor da Europa, continua publicando textos longos e analíticos que continuam lhe garantindo ótima reputação e também crescimento – sua receita cresceu 2% em 2012 e alcançou € 154 milhões, a maior desde a criação do jornal em 1946. Foi com certa naturalidade então que o Zeit aderiu à onda de outros veículos da imprensa internacional [no Brasil temos o caso do jornal O Globo] e lançou no mês passado uma linha fixa de livros digitais, que têm entre 50 e 150 páginas e reúnem textos já produzidos pelo Zeit. Segundo Sandra Kreft, responsável pelas revistas e novos negócios do grupo, os e-books foram pensados para atender os leitores que desejam formatos mais concisos sobre temas específicos.

PublishNews: Por que o Die Zeit lançou e-books?
Sandra Kreft: O Zeit é uma empresa de mídia atenta aos novos desenvolvimentos dos meios de comunicação e do comportamento do leitor. Quando os e-books começaram a crescer na Alemanha, em 2011, começamos a olhar para essa área de negócio. Há leitores que desejam formatos mais concisos sobre temas específicos e essa lacuna nós preenchemos com nossos e-books, que abordam temas atuais que mexem com a sociedade. Quando um tema novo se torna relevante, podemos reagir rapidamente e produzir um e-book que apresenta o que há de mais importante sobre o tema. Queremos levar as competências do Zeit – jornalismo de qualidade e diversidade temática –para o digital.

PN: Como vocês elegem os temas dos e-books e quais públicos buscam alcançar com eles?
SK: A partir de uma grande base de assinantes e das experiências que havíamos reunido com nossos outros produtos digitais, pudemos de antemão analisar muito bem os grupos que se interessariam pelos e-books. Agora, depois do início da operação e graças à nossa loja digital própria, estamos descobrindo algo mais sobre nossos clientes todos os dias. Os assinantes são um público importante, porque confiam na marca Die Zeit e estão abertos a nossos novos produtos. Mas por meio de outras plataformas de vendas – Amazon, Apple, Google, Weltbild, Hugendubel e Kobo –, alcançamos também outros clientes que não são leitores regulares do Zeit.

PN: Qual o processo de produção dos e-books dentro do jornal?
SK: Em geral os e-books consistem em textos publicados anteriormente no Zeit ou nas revistas do grupo. Com a reunião dos textos, que antes haviam sido publicados separadamente, os leitores têm no e-book uma obra compacta, que lhes dá um panorama com as informações mais importantes sobre o tema escolhido. Para o futuro é possível que textos inéditos sejam escritos para os e-books. Trabalhamos junto com a redação, que nos ajuda na escolha dos textos e na estruturação dos livros. Então todo o material é revisado e, quando necessário, atualizado.

PN: Se os e-books são a reunião de textos já publicados, o leitor se dispõe a pagar? Por que ele simplesmente não buscaria os textos gratuitamente no site do jornal?
SK: O valor para o leitor está justamente na seleção e reunião dos textos relevantes sobre um tema especifico. Assim ele economiza o tempo e o esforço de procurar os artigos no site. Ele também pode ler o e-book em qualquer momento e em qualquer lugar, mesmo sem conexão à internet. Além disso, nem todos os textos que saem no Zeit estão disponíveis no zeit.de. Alguns e-books foram feitos com conteúdo exclusivo, um deles é o Vorsicht, gute Nachrichten! [“Cuidado, boas notícias!”], que contém o resultado de uma pesquisa conduzida pelo Zeit que ainda não havia sido publicada.

PN: Quais critérios vocês usam para estabelecer os preços? [Eles variam entre € 1,99 e 4,99]
SK: Nossos e-books mais curtos, cada um com três reportagens sobre um assunto, têm cerca de 50 páginas cada. Já os mais extensos têm cerca de 150 páginas, três vezes mais. O tamanho é um critério importante para compor o preço, mas também contam a exclusividade da informação e o valor percebido pelo leitor.

PN: Quais os resultados das vendas até agora e quais são as metas para a coleção?
SK: A nova coleção de e-books foi lançada há um mês e foi muito bem recebida. As vendas na nossa loja própria, as quais podemos analisar constantemente, evoluem de forma bem positiva. Estamos muito satisfeitos. Para o primeiro ano, não temos uma meta de vendas, já que queremos usar este tempo como fase piloto para experimentar e aprimorar. Nosso objetivo é publicar regularmente, a cada um ou dois meses, novos títulos de temas variados. Até o fim do ano queremos lançar 25 e-books.

Por Roberta Campassi | Publicado originalmente e clipado à partir de PublishNews | 23/07/2013

eBook disponível para Kindle narra as memórias de um adolescente


Memórias de um Adolescente

Memórias de um Adolescente

Memórias de Um Adolescente” é uma narrativa envolvente que relata tortuosos caminhos de garoto supostamente promissor. Aborda a questão dos conflitos emocionais e das indecisões da vida, trazendo a tona temas polêmicos. O livro nos leva a pensar sobre como deixamos a nossa vida ser levada por preocupações inúteis e não paramos para aproveitá-la, acreditando cegamente que ainda teremos tempo para fazer isso.

Todo mundo comete erros. Os meus simplesmente acabaram com minha vida, e o que é pior, com a vida de muitos dos quais eu amava. Tudo que me restou foi Bárbara: essa garota linda que está sentada ao meu lado nessa caverna escura e úmida, assobiando uma triste canção, cujo nome eu nunca soube, nem tive a curiosidade de perguntar. Tudo que eu queria era uma segunda chance. Uma chance de mudar tudo que aconteceu e provar para todos que eu não sou uma pessoa má.

É difícil pra eu decidir o que aconteceu de pior na minha vida. Talvez vocês pensem que eu mereci cada gota de sangue derramado, e eu até concordo. Não posso dizer que fui a melhor das pessoas nos últimos dois anos e meio; Eu realmente não espero que gostem de mim. A primeira impressão nem sempre é a que fica, e eu estou aqui para provar isso.

Mais informações: http://www.novasmemorias.com.br

Sobre o autor Ivan Bittencourt

Nascido em Belém, Ivan Bittencourt se mudou para Goiânia aos oito anos de idade, onde adquiriu o gosto por escrever e pela leitura. Desde muito jovem escreve contos em blogs e rascunha livros. Memórias de um Adolescente começou a ser escrito quando ele tinha apenas 14 anos. O projeto foi abandonado. Dois anos depois, porém, foi reescrito e lançado.

Durante vários anos ele foi convidado para palestrar em escolas. Por ser tão jovem, havia uma conexão natural com os estudantes que se interessavam muito mais por ouvir alguém próximo de seu mundo. Atualmente, com 22 anos, Ivan está trabalhando no livro Vitória – O prólogo da vida, que está sendo publicado como e-book seriado.

Ficha Técnica

Título: Memórias de um adolescente
Autor: Ivan Bittencourt
Formato: Edição Kindle
Número de páginas: 278
Preço: R$ 9,96
Onde Comprar: http://www.amazon.com.br/Mem%C3%B3rias-de-umAdolescente-ebook/dp/B00DK32CS2/ref=pd_rhf_dp_p_t_1_BFSM

Vendas digitais desaceleram no Reino Unido


Os números das vendas digitais da primeira metade de 2013, fornecidas pelas editoras, mostram um declínio dramático na taxa de crescimento de vendas de e-books dos títulos que saíram da promoção Sony 20p, realizada pela loja virtual, que acabou em março. Os dados mostram também que o crescimento das vendas totais de e-books está achatando este ano, o que significa que o mercado editorial geral pode ver um declínio em 2013. […] O Bookseller recebeu dados de vendas de quase 40 dos 50 títulos mais vendidos [classificados pelas vendas impressas], e os dados mostram que vendas de e-books representam grosso modo 25% das vendas totais dos 50 livros mais vendidos, em todas as edições.

Por Philip Jones | The Bookseller | 22/07/2013

Random House mantém liderança


Na primeira metade de 2013, a Random House manteve a primeira posição, que ganhou em 2012, no ranking das editoras. Enquanto isso, a promoção de 20p teve um efeito sísmico na venda dos 50 e-books mais vendidos. Estes foram os dois grandes achados do relatório de meio de ano da Bookseller, uma análise dos livros mais vendidos, maiores editoras, autores e gêneros nas primeiras 26 semanas de 2013. Nos 6 meses anteriores à fusão com a Penguin, a RH registrou uma receita de US$ 104 milhões, segundo a Nielsen BookScan, representando 12,6% do mercado de livros impressos no Reino Unido.  […] Em segundo lugar, a Hachette viu sua receita cair 7%, para 98,5, e seu market share diminuir de 12,1% em 2012, para 11,9%.

Por Tom Tivnan | The Bookseller | 19/07/2013

A autodestruição da Amazon


Jeff Bezos, CEO of Amazon. (Credit: Reuters/Shannon Stapleton/SeanPavonePhoto via Shutterstock/Salon)

Jeff Bezos, CEO of Amazon. (Credit: Reuters/Shannon Stapleton/SeanPavonePhoto via Shutterstock/Salon)

De acordo com uma pesquisa realizada pelo grupo Codex, cerca de 60% das vendas de livros – impressos e digitais – acontecem online. Mas compradores descobrem seus livros online apenas cerca de 17% das vezes. Livrarias online especificamente, incluindo a Amazon, representam apenas 6% dos locais de descoberta. Onde leitores descobrem os títulos que compram pela Amazon? Muitas vezes, nas livrarias. As livrarias de tijolo que a Amazon está colocando em perigo têm um papel fundamental nas vendas de livros e na cultura literária. As lojas físicas superam as virtuais, em 3 para 1, no quesito introdução dos livros aos leitores. Seguindo uma tendência que está levando seu livreiro local a beber, compradores estão agora “showrooming”, ou seja, olhando nas livrarias os livros que eles vão comprar pela Amazon. […] Ao derrotar a competição, a Amazon está limitando sua fonte de ar. A Barnes & Noble e livrarias independentes podem ser concorrentes em certo sentido, mas também são showrooms e agentes de vendas da gigante online.

Por Evan Hughes | Salon | 19/07/2013

Google vende e-books em mais nove países da Europa


Google PlayGoogle estreou a sua loja Books no Google Play e está vendendo e-books em mais nove países europeus: Holanda, Dinamarca, Suécia, Finlândia, Grécia, Hungria, República Tcheca, Polônia e Romênia. Isso significa que a Google vende agora e-books em 27 países. Além dos 9 citados acima, a lista inclui EUA, Reino Unido, Austrália, Áustria, Bélgica, Brasil, Canadá, França, Alemanha, Índia, Irlanda, Itália, Japão, México, Portugal, Rússia, Coréia do Sul e Espanha.

Por Laura Hazard Owen | Paid Content | 19/07/2013

Conheça a eBooks Patagonia


Por Octavio Kulesz | Publicado originalmente em PublishNews | 18/07/2013

A América Latina se converteu em um território fértil para a edição digital e a experimentação com novos formatos. O Brasil é, sem dúvida, o líder na região, mas já surgem atores inovadores em outros países. Nesta ocasião conversamos com Javier Sepúlveda Hales, diretor de Ebooks Patagonia, uma editora eletrônica de Santiago de Chile.

OK: Você poderia apresentar brevemente seu perfil e o da Ebooks Patagonia?
JSH: Fundei a Ebooks Patagonia em 2010. Sou engenheiro civil industrial, tenho um mestrado em negócios pela Thunderbird School of Global Management e outro em gestão da Universidad de Chile. Ebooks Patagonia é uma editora digital de autores latino-americanos que hoje colabora com autores e editoras da região para levá-los às principais lojas e bibliotecas do mundo. Alcançamos um catálogo que chega perto dos 50 e-books, com autores da Argentina, Uruguai, Chile, Colômbia, México, Nicarágua, Guatemala e Peru. Oferecemos também serviços de diagramação digital em formato Epub, distribuição digital global para editoras e autores, design e criação de aplicações culturais, bibliotecas digitais para colégios e consultoria em planificação estratégica digital.

OK: Qual foi até agora a atitude dos leitores chilenos em relação ao livro eletrônico?
JSH: Devemos levar em conta que os níveis de leitura no Chile são muito baixos há muito tempo. Não tenho dados atuais, mas posso contar minha percepção e o que resgato de conversas na rua e nas redes sociais. Vi uma grande militância a favor do livro impresso, por suas virtudes como objeto; ao mesmo tempo, o livro digital é frequentemente apresentado como uma ameaça, como um ataque… Mas às vezes vi grandes leitores adotarem o e-book por questões de comodidade, sem deixar de comprar exemplares em papel. Um segmento importante são os maiores de 50 anos, que valorizam a possibilidade de aumentar o tamanho da letra.

A cada dia eu me encontro com mais pessoas no metrô de Santiago lendo em e-readers; alguns até leem em seus celulares. Há uns anos, eu até me atrevia a me aproximar de quem tinha um e-reader e interrompia sua leitura para conversar com eles. A queixa era a falta de livros em espanhol, e eu aproveitava para recomendar a Ebooks Patagonia!

Em relação ao DRM, foi impressionante a quantidade de vezes que tivemos que enviar instruções sobre como abrir o texto no dispositivo depois da compra. Lembro uma vez em 2011 quando tive que ajudar por Skype uma usuária de Porto Rico que tinha comprado um e-book nosso e não conseguia carregá-lo em seu tablet de jeito nenhum. Com o tempo produzimos vídeos tutoriais para explicar cada passo. Contudo, nossa experiência indica que se o cliente sobrevive à primeira compra de um e-book protegido, já não há como voltar atrás. Depois que o leitor autentica seu dispositivo com usuário e senha de DRM, tudo é simples: o primeiro download é complexo, mas os seguintes fluem com um clique.

Finalmente, sabemos que os e-books vendidos são lidos principalmente nos EUA, México e Chile.

OK: E a atitude dos editores?
JSH: Os editores no Chile geralmente têm a mente colocada no dia-a-dia e nas compras do Estado. As aquisições do setor público são consideráveis e explicam boa parte do ingresso das editoras. Há anos, quando pedia uma reunião com as editoras para trabalhar com elas em temas digitais, me solicitavam mais tempo para pensar. Hoje todos consideram o digital como algo que devem fazer em algum momento, mas o certo é que as urgências consomem o tempo deles. São poucos os que estão migrando seu catálogo para Epub e é frequente que façam isso mais por pedido de seus autores do que por inciativa própria.

Vejo com entusiasmo o surgimento de novas editoras que graças aos e-books e à impressão sob demanda conseguem publicar e tornar seus autores conhecidos. Também está ficando massivo a autopublicação digital no mercado chileno: isso acontece porque as editoras estão investindo pouco em novos autores ou que já têm programado seu ano de produção.

Tenho a impressão de que os editores locais estão muito focados no papel, ou no máximo em migrar seu catálogo a uma loja que recebe PDF. Faltam mais projetos pensados diretamente em digital, que não dependam do papel.

OK: Como trabalham com as editoras?
JSH: Basicamente nos ocupamos de externalizar sua área digital, em especial a distribuição. Quando uma editora tem mais de 20 títulos em digital [Epub ou PDF], bonificamos o custo de upload dos títulos: nós simplesmente ganhamos uma porcentagem das vendas. Aí está nosso incentivo e nos esforçamos ao máximo para vender.

OK: Amazon, Apple e outras empresas internacionais começaram a vender e-books na América Latina. Você vê estas empresas como aliados ou como concorrentes?
JSH: Estas empresas são aliadas para nós. Elas nos ajudam a massificar a leitura digital através de seus dispositivos. Temos acordos comerciais e trabalhamos estreitamente com elas para aumentar o conteúdo latino-americano no mercado global.

Acho que a chegada desses atores deveria preocupar os que são simplesmente livreiros. Um pouco na linha da queda da Blockbuster depois do surgimento da Netflix. Ou a bancarrota da Borders e ainteressante aposta da Barnes & Noble pelo futuro eletrônico.

OK: Em uma ocasião você comentou que o digital “nivela a partida e muda as regras do jogo”. Em geral, qual o futuro que você vislumbra para o e-book na América Latina?
JSH: Vislumbro o melhor dos futuros. O livro eletrônico permitirá a integração de nossas culturas e facilitará que um leia a produção do outro. Um exemplo: com a editora Resistencia do México criamos umconcurso binacional de contos para autores com pelo menos um livro publicado onde o jurado era totalmente externo às editoras, e publicamos uma antologia digital com os contos ganhadores, quatro contos de cada país. No Facebook pude ler como um dos jurados expressava sua alegria por ter conhecido dois autores chilenos muito bons.

Na editora publicamos, além disso, uma coleção de contos de autores latino-americanos de maneira exclusiva na iBookstore e na Amazon. Chama-se “Ebooks Patagonia Singles” e cada conto é vendido a US$ 0,99. Entre os autores estão Mario Benedetti [Uruguai], Andrés Neuman [Argentina], Pablo Simonetti[Chile], Tryno Maldonado [México] e Carlos Wynter [Panamá].

Quando afirmo que o digital “nivela a partida e muda as regras do jogo”, penso especialmente nas grandes corporações editoriais dirigidas da Espanha ou dos EUA e do uso que podemos fazer da tecnologia. Imaginemos o poder acumulado pela recente fusão de Penguin e Random House em relação aos autores, agentes, distribuidores e demais atores tradicionais da cadeia do livro.

Na minha opinião, a única via livre para uma editora independente latino-americana enfrentar uma megacorporação editorial é o livro eletrônico. Os custos de publicar um livro novo caíram e agora trata-se na verdade de ver como fazer uma boa divulgação do livro nas redes especializadas ou nos círculos de potenciais leitores. No mundo digital, as diferenças entre uma pequena editora e uma multinacional não estão mais tão marcadas.

Octavio Kulesz

Octavio Kulesz é formado em Filosofia pela Universidade de Buenos Aires e atualmente dirige a Teseo, uma das principais editoras digitais acadêmicas da Argentina. Em 2010, criou a rede Digital Minds Network, junto com Ramy Habeeb [do Egito] e Arthur Attwell [da África do Sul], com o objetivo de estimular o surgimento de projetos eletrônicos em mercados emergentes. Em 2011, escreveu o renomado estudo La edición digital en los países en desarrollo, com apoio da Aliança Internacional de Editores Independentes e da Fundação Prince Claus.

Sua coluna Sul Digital busca apresentar um panorama dos principais avanços da edição eletrônica nos países em desenvolvimento. Tablets latino-americanos, leitura em celulares na África, revoluções de redes sociais no mundo árabe, titãs do hardware russos, softwares de última geração na Índia e colossos digitais chineses: a edição digital no Sul mostra um dinamismo tanto acelerado quanto surpreendente.

Levantamento da CBL mostra adesão das editoras aos eBooks


Pesquisa Mercado Digital-cbl-300x336O levantamento, realizado pela CBL no último Congresso Internacional do Livro Digital, em junho, teve a participação total de 126 pessoas.

Diante da questão “A sua editora já comercializa livros em formato digital”, 86 pesssoas [68%] responderam que sim. Para as 40 pessoas restantes [32%], alguma dificuldade impede a entrada da sua editora no mercado digital – 20 delas [50%] indicaram que as principais dificuldades residem na dúvida sobre qual formato utilizar e na falta de conhecimento técnico.

A pesquisa fez um total de 22 perguntas aos entrevistados, que responderam sobre temas como direitos autorais, perspectivas comerciais, relação entre impresso e digital, entre outros. O número de respostas para cada pergunta variou. Para os 48 entrevistados que responderam a pergunta “Sua editora investe na divulgação de seus produtos digitais?”, 42 pessoas [87%] afirmaram que já investem na divulgação.

Outros 54 entrevistados responderam a pergunta “Sua editora tem uma equipe dedicada aos livros digitais?” – e 70% deles afirmaram que sim, dos quais quase a metade tem equipes pequenas, de uma a cinco pessoas.

Por Eduardo Melo | Publicado originalmente em Revolução eBook | 18/07/2013 | Fonte: CBL

Dicas de aplicativos para leitura


Para amantes de uma boa leitura nada melhor que poder ler um livro em qualquer lugar, sem ter que carregar peso e uma bolsa enorme. Com os aplicativos de leitura, você poderá acompanhar as revistas mensais e ler o livro da vez enquanto estiver no trânsito ou em espera de um consulta, reunião ou afins. Abaixo as dicas:

Kindle [Grátis, em português, para iPhone/iPad, Android e outras plataformas]

O aplicativo para leitura de e-books da Amazon é a versão em software do bem sucedido e-reader Kindle. A Amazon oferece mais de 13 mil livros digitais em português, de dezenas de editoras, sendo 1,5 mil gratuitos. Considerando também outros idiomas, a loja tem mais de 1 milhão de títulos.

Inclui dicionários de português, inglês e outros idiomas e permite pesquisar facilmente uma palavra encontrada no texto. É possível sincronizar o marcador de página, as anotações e os destaques entre vários dispositivos, incluindo os e-readers Kindle.

Iba [Grátis, em português, para iPad, Android e Windows PC]

No iba, cada tipo de publicação tem seu aplicativo exclusivo: iba revistas, iba e-books e iba jornais. Eles contam com recursos próprios que aprimoram a experiência de leitura e permitem que você leia os títulos adquiridos no site em seu iPad®, tablet Android e Windows PC*.

ScanLife [Grátis, em português, para iPhone e Android]

O ScanLife transforma a câmera do seu telefone num leitor de QR codes e códigos de barras super-rápido. Inclui agora integração com o Facebook para tornar mais fácil compartilhar o que você encontra e ver também o que outros usuários estão recomendando.

Catho | 18/07/13

Novo eBook analisa as manifestações no Brasil


Passado pouco mais de um mês desde o início das manifestações contra a corrupção e melhorias no transporte público que pararam o Brasil, o assunto ainda gera interesse e discussões na sociedade. Com o objetivo de trazer uma análise dos protestos e também reunir opiniões de artistas, políticos e profissionais de comunicação sobre o tema, o jornal O Globo acaba de lançar o e-book “O Brasil nas ruas”

Maria Fernanda Delmas, editora da revista digital O Globo a Mais | Crédito: Divulgação

Maria Fernanda Delmas, editora da revista digital O Globo a Mais | Crédito: Divulgação

Segundo a jornalista Maria Fernanda Delmas, editora da revista digital O Globo a Mais, o livro traz um apanhado de artigos, reportagens especiais e análises do jornal, e faz parte de um novo projeto que visa resgatar o conteúdo do acervo da publicação.

Este é o terceiro e-book de uma série que inclui também os títulos “Maracanã — a saga do mais famoso templo do futebol mundial” e “Novas vidas secas”, sobre Graciliano Ramos.

Para compor “O Brasil nas ruas”, a equipe responsável pelo projeto fez um recorte na cobertura das manifestações a partir do dia 17 de junho, quando 240 mil pessoas se reuniram para a quinta manifestação pela revogação do aumento na tarifa de ônibus, trem e metrô em todo o País. “Optamos por reunir uma gama de colunas, matérias e artigos que dessem um pouco o tom do que foi o período. A nossa ideia foi compilar essa cobertura, não no sentido de mostrar o factual, mas tentar entender o que foi esse momento”.

Dividido em cinco capítulos, o livro reúne textos de colunistas como Miriam Leitão, Merval Pereira, Arnaldo Jabor, Zuenir Ventura, Luís Fernando Verissimo, entre outros. Segundo a jornalista, com objetivo de chegar o mais próximo possível de traduzir o que foram os protestos, o e-book traz uma diversidade de opiniões, selecionando textos de colunistas com posturas variadas, além de matérias especiais. A parte de análises fica por conta de grandes pensadores e também pelo resgate histórico, comparando o movimento com outros semelhantes, como os protestos que culminaram no impeachment do ex-presidente Fernando Collor.

Disponível para tablets, smartphones, desktop e Kindle, “O Brasil nas ruas” conta ainda com uma galeria de imagens que retrata parte da cobertura feita pelos fotógrafos do jornal.

Segundo Maria Fernanda, diferentemente da revista digital O Globo a Mais, o e-book dispõe de menos recursos multimídia para permitir a mesma experiência de navegação para todos os leitores.“Percebemos que o e-book precisava ser menos multimídia porque cada leitor lê de um jeito. O Kindle, da Amazon, não lê vídeo, além de só ter visualização em preto e branco, por exemplo. Precisávamos fazer um e-book simples, com investimento mais no texto e em foto mesmo”.

“O Brasil nas ruas” está à venda por US$1,99 no site de e-books de O Globo.

Por Danubia Guimarães | Publicado originalmente e clipado à partir de Portal Imprensa | 17/07/2013, às 16:15

Pesquisa diz que leitores chineses não querem pagar por eBooks


Uma pesquisa sobre hábito de leitura dos chineses descobriu que eles ainda preferem não pagar por e-books.

Desde o início do ano, a Beijing Openbook Co. Ldta., uma companhia de serviço de informação para indústria varejista de livros, pesquisou o hábito de leitura de 8.048 indivíduos na era multimídia.

Foi a 10ª pesquisa da companhia, cujos resultados foram apresentados à Xinhua na quarta-feira.

Entre todos os participantes, 3.561 foram entrevistados nas livrarias e 4.487 participaram de pesquisa online.

A pesquisa realizada pela companhia em 2010 descobriu que, para cada pessoa que pagou por um e-book, havia outras três que não tinham pago. A proporção continua sem mudanças.

Além disso, entre os 3.561 participantes entrevistados nas livrarias neste ano, o número de pessoas que nunca pagou por um e-book foi sete vezes maior do que os que pagaram, uma proporção ainda mais alta do que o número registrado em 2010.

Entretanto, livrarias online tornaram-se mais atrativas, pois 21,2% dos 3.561 participantes nas livrarias tradicionais descreveram que as lojas online foram sua fonte principal de compras de livros neste ano, enquanto o número era de apenas 10% em 2010.

Nos últimos anos, a concorrência entre livrarias tradicionais e online tornou-se cada vez mais feroz, e as primeiras foram empurradas à margem do mercado.

Desde 2010, grandes varejistas online, como Jingdong e Suning, associaram-se à Dangdang e Amazon na venda de livros online.

Segundo pesquisa deste ano, o telefone celular ultrapassou o computador pessoal como o principal aparelho na leitura de e-books, seguidos pelos PCs, tablets e leitores portáteis.

China Rádio Internacional | 17/07/13

Criada pela Unesco, Biblioteca Digital Mundial disponibiliza documentos antigos na web


Na última segunda-feira [15/7], a ONU [Organização das Nações Unidas] anunciou que milhares de documentos em árabe, chinês, inglês, francês, russo, espanhol e português já estão à disposição do público por meio da Biblioteca Digital Mundial (WDL, na sigla em inglês).

De acordo com a entidade, o projeto foi criado pela Unesco em parceria com outras 32 instituições. “Nosso acervo tem valor patrimonial, para ajudar a compreender melhor as culturas do mundo”, explica Abdelaziz Abid, coordenador da iniciativa.

A biblioteca inclui o Hyakumanto Darani (um documento japonês considerado o primeiro texto impresso da história), a Bíblia de Gutenberg e fotos antigas da América Latina. Cada um dos itens é acompanhado por uma breve explicação de seu conteúdo.

É possível realizar buscas por períodos históricos, zonas geográficas, tipo de documento e instituição. Com 1.200 documentos, o acervo pode ser acessado gratuitamente.

Por Danubia Guimarães | Portal Imprensa | 16/07/2013

Garanta sua leitura digital com o Calibre


CalibreHá quem prefira ler livros no tablet, com cores e mais opções de aplicativos. Outros preferem as vantagens dos leitores com tinta eletrônica [e-ink], que cansam menos os olhos e podem ser usados sob o sol. Para fãs de livros em qualquer plataforma, o aplicativo Calibre é a melhor opção para gerenciar, converter e fazer quaisquer tarefas com arquivos dos tablets e e-readers. O programa é compatível com praticamente qualquer plataforma [Windows 32 e 64, Mac OS e Linux, além de ter uma versão portátil] e permite o controle total do conteúdo a ser lido ou guardado. Por trazer todos esses recursos, o Calibre é um pouco complexo. Por isso, selecionamos algumas das melhores dicas para explorá-lo ao máximo.

Primeiros passos

Baixe o Calibre. Depois da instalação, rode o aplicativo e escolha o idioma [Português Brasileiro] da interface e selecione o tipo de aparelho que é usado para leitura de livros. Pode ser um tablet ou um e-reader, e há várias marcas para escolher, incluindo opções genéricas, caso seu fabricante não esteja na lista. Se você tem um Kindle, é possível indicar o e-mail para envio de conteúdo diretamente ao aparelho. Depois das configurações, surge a tela principal do Calibre.

Enviar para o dispositivo

Para incluir um item, é só clicar em Adicionar Livro, localizar o arquivo e clicar em Abrir. O Calibre reconhece praticamente quaisquer formatos, desde TXT e DOC até PDF, ePub e Mobi. Ao conectar o tablet ou e-reader ao micro, o Calibre deve achá-lo de forma automática. Daí, é só clicar no item correspondente a um livro com o botão direito do mouse e escolher um dos subitens do menu Enviar Para Dispositivo, conforme o local onde se deseja gravar o conteúdo [na memória principal ou num cartão conectado ao tablet ou e-reader].

Mais recursos com plug-ins

Além de ter montes de opções na instalação básica, o Calibre também conta com suporte a plug-ins para receber mais recursos. O melhor local para achar os plug-ins é na seção dedicada ao Calibre do fórum MobileRead. Depois de baixar o arquivo ZIP correspondente ao plug-in, pressione o botão Preferências e clique em Extensões. Pressione Load Plugin From File, localize o arquivo ZIP baixado e clique em Abrir. Reinicie o Calibre e pronto. O plug-in está instalado.

Livros com mais informações

Há três formas de preencher as informações de um livro adicionado ao Calibre. A maneira mais simples é clicar no item duas vezes [não é um duplo clique, espere um segundo entre cada clicada]. Depois, é só preencher os campos básicos, como Título e Autor. Para adicionar mais detalhes, clique no item do livro e, depois, em Editar Metadados. A janela que surge permite indicar editora e língua, entre outras informações. Mas o recurso mais interessante é a possibilidade de baixar esses dados de forma automática. Para isso, na janela de edição de metadados, forneça título e autor e, depois, clique em Baixar Metadados. Na configuração de fábrica, o Calibre busca metadados no Google e na Amazon, o que pode ser um problema para publicações nacionais. Para melhorar isso, adicione o plugin do site brasileiro Skoob ao Calibre.

Capas improvisadas

Depois de adicionar um arquivo ao Calibre, ele pode não ter uma capa, especialmente se a origem foi um documento nos formatos DOC ou TXT. Nesse caso, é possível criar automaticamente uma capa simples, mas que ajuda a reconhecer o conteúdo nos tablets ou e-readers. Para isso, clique no item relativo ao livro e, depois, no botão Editar Metadados. Na janela que surge, pressione o botão Gerar Capa. Clique em Certo. Feito! Note que a capa será gerada com base no título e autor já preenchidos. Por isso, tecle essas informações antes de criar a capa automática.

De um formato para outro

Um dos recursos mais úteis do Calibre é a possibilidade de conversão entre formatos de livros eletrônicos e documentos. Se você já enviou algum item para seu e-reader ou tablet em formatos não suportados por ele, certamente notou que o Calibre fez a conversão de forma automática. É possível fazer também a conversão manualmente. Para isso, clique no item e, depois, no botão Converter Livros. Na janela que surge, é possível fazer montes de ajustes, que vão desde o tipo de fonte e justificação de parágrafos até opções específicas do formato de saída. Como padrão, o Calibre converte para o formato mais compatível com seu e-reader ou tablet [por exemplo, Mobi para Kindle ou ePub para iPad]. Mas é possível escolher outro padrão no campo Formato de Saída. Depois de ajustar tudo, clique em Certo e espere o final da conversão. Para vários livros, selecione-os, segurando a tecla Ctrl e marcando cada um com o mouse. Depois, clique com o botão direito na seleção e escolha Converter Livros > Conversão em Massa.

Conversão proibida

O Calibre não faz diretamente a conversão de um formato com proteção ou criptografia, como arquivos ePub comprados em lojas online ou AZW adquiridos na Amazon. Ainda é possível copiar o arquivo para o HD do micro, para fins de backup, no entanto.

Direto para o HD externo

É possível levar sua coleção de livros para qualquer lugar com a versão portátil do Calibre, que pode ser instalada num pen drive ou HD externo. Basta rodar o arquivo de instalação e indicar a pasta na qual o Calibre será gravado. Se você já tem uma coleção em outra instalação do programa, basta copiar a pasta Calibre Library no local escolhido para a versão portátil. Uma ideia interessante também é manter sempre os mesmos arquivos em cada instalação do Calibre, portátil ou não. Nesse caso, você pode usar um aplicativo de sincronia de arquivos, como o Toucan, fazendo com que as pastas Calibre Library de cada instalação fiquem idênticas entre si.

Acesso pela rede

Em vez de plugar cada e-Reader ou tablet ao micro com o Calibre, é possível compartilhar o acesso à biblioteca do Calibre pela rede local. Para isso, é só clicar no botão Conectar/Compartilhar e escolher Iniciar Servidor de Conteúdo. O acesso é feito pelo navegador, acessando o endereço http://ip_do_micro:8080, substituindo ip_do_micro pelo endereço IP do computador que está rodando o Calibre. A interface web permite fazer buscas e baixar os livros diretamente. Há alguns aplicativos que detectam de forma automática quando o Calibre compartilha livros na rede local. No iOS, o Stanza é um deles.

Dedicado ao Android

Se você usa um tablet Android para ler livros e gostou do Calibre, vale a pena usar um aplicativo feito especificamente para ele. Trata-se do Calibre Companion. Abra o Calibre no micro, pressione Conectar/Compartilhar e escolha Start Wireless Device Connection. Pressione Certo para confirmar. O Windows deve pedir a confirmação do acesso pelo firewall do sistema, então pressione Permitir Acesso. Aí é só rodar o Calibre Companion no tablet com Android e tocar em Connect para acessar toda a coleção de livros. Ao contrário do acesso pelo navegador, é possível inclusive mandar livros do tablet para a coleção do Calibre usando o Companion.

Baixe os artigos

Existem vários serviços que guardam artigos da web para leitura posterior, como o Pocket e o Instapaper. Para quem usa um tablet, é só usar o próprio aplicativo de cada serviço para baixar e ler os artigos guardados. Mas, para quem tem um e-reader, o Calibre resolve o problema. Clique no botão Obter Notícias. Na janela que surge, abra as opções do item Desconhecido[a]. Clique em Pocket ou Instapaper, conforme o serviço usado. Depois, preencha seus dados de login e senha e clique em Baixar Agora. Os artigos serão trazidos e reunidos no formato de livro. Note que também há opções para baixar notícias de diversos países e fontes, incluindo jornais e sites do Brasil [no item Português Brasileiro]. Você também pode agendar o download de artigos ou notícias, marcando o item Agendar Para Baixar. Nesse caso, o Calibre fará o download de forma automática, se estiver rodando, ou em sua próxima execução, caso contrário.

Publicado originalmente e clipado à partir de Info | 16/07/13

Biblioteca Digital Mundial reúne acervo histórico em sete idiomas


Biblioteca Digital MundialO primeiro texto impresso da história, trabalhos científicos árabes sobre o universo da álgebra, a Bíblia de Gutemberg e fotos antigas da América Latina. Esses são apenas alguns dos mais de mil documentos divulgados na Biblioteca Digital Mundial, um projeto da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura [Unesco] e outras 32 instituições.

Através da página virtual, os internautas têm acesso a textos, fotos, mapas e gravuras em sete línguas: árabe, chinês, inglês, francês, russo, espanhol e português. O acervo não tem publicações atuais. “Nosso acervo tem valor patrimonial, para ajudar a compreender melhor as culturas do mundo”, afirma o coordenador da ação, Abdelaziz Abid.

O acesso é gratuito. Entre os filtros disponíveis, é possível pesquisar por períodos, zonas geográficas, instituições e tipo de documento.

Visite o site: http://www.wdl.org/pt.

Portal EBC | 16/07/13

Empresa alemã lança o aplicativo para iPhone, destinado aos autores


Empresa alemã lança o aplicativo para iPhone, destinado aos autores

  • XinXii é uma plataforma de autopublicação que fornece um aplicativo para smartphones.
  • Relatórios de vendas detalhadas e recursos adicionais para facilitar a publicação e a comercialização dos e-books autopubicados.

Berlim | A plataforma XinXii oferece um aplicativo para iPhone especialmente para auxiliar os autores e editores. A XinXii oferce mobilidade, podendo o autor acompanhar o desenvolvimento da sua página diretamente no seu smartphone. Com a nova ferramenta o XinXii se torna um site onde editores podem fazer o seu marketing de qualquer lugar.

O aplicativo fornece informações importantes sobre as publicações. O programa mostra o dia e quantos e-books foram vendidos nas lojas online disponíveis. O aplicativo também fornece uma visão geral sobre o valor ganho em tempo real. Outra vantagem é a capacidade de induzir o pagamento de comissões ao alcance do publicador. O aplicativo oferece as principais características das vendas mostradas também através da homepage. Quem publica um e-book na plataforma do Xinxii e o vende através de uma página, e ainda oferece de forma opcional às principais lojas on-line, terá a vantagem de poder controlar tudo de qualquer lugar.

“O objetivo é apoiar publicadores, ajudar no gerenciamento de projetos de maneira profissional e ao mesmo tempo o mais confortável possível”, disse Andrea Schober, fundadora e CEO do XinXii.

O app do XinXii está disponível para iPhone [todas as versões de iPhone 3GS e iOS versão 4.3] e também à venda na Apple Store, à primeira vista em inglês e alemão pelo valor de 1,79 EUR, $ 1.99, £ 1.49.

Sobre XinXii

XinxiiXinXii é a plataforma internacional publicação digital, líder em publicação e distribuição de livros. No site http://www.xinxii.com os usuários podem fazer o upload de seus livros em diversos formatos e vendê-los através da sua própria página do autor. A loja de e-books do XinXii oferece mais de 20 mil títulos escritos por mais de 15.000 autores e cresce mais a cada dia.

Como um agregador de e-books, o XinXii distribui adicionalmente às principais lojas de e-books em todo o mundo. O usuário pode escolher quais os nossos parceiros de distribuição ele quer publicar [lojas internacionais de e-books, que podem ser escolhidas individualmente]. Como um agregador, o XinXii converte os e-books para o formato ePub, além de distribuí-los para diversas lojas. Estes serviços são oferecidos por XinXii gratuitamente.

Com o conceito All in One [uma única conta no XinXii para todas as principais lojas de e-books], a autopublicação no XinXii não é apenas simples e conveniente, mas também eficaz e eficiente. A autopublicação e distribuição plataforma digital é oferecida em oito idiomas e 3 moedas, e a sede da empresa é em Berlim, na Alemanha.

CURSO | A Revolução dos Livros Digitais


Escola do Escritor

Muito se tem estudado sobre a atuação de empresas como Google, Kobo, Apple e Amazon no Brasil. As plataformas que esses players oferecem podem estar mais próximas do alcance das editoras, e do autor, do que possa imaginar. Mas ainda é preciso preparar-se para um novo cenário no mercado editorial.

Pensando em desmistificar um tema aparentemente complicado, a Escola do Escritor desenvolveu um curso especialmente para autores e profissionais que desejam compreender mais sobre esse novo meio de edição e publicação dos livros.

Venha aprender como a sua obra pode estar ao mesmo tempo em diversas mídias e porque o livro se tornou alvo das maiores empresas de tecnologia do mundo e, portanto, o artefato cultural mais influente da História.

O CONTEÚDO

• O que é um Livro Digital
• A História dos Livros Digitais no Brasil e no Mundo
• A Cadeia Produtiva do Livro Antes e Depois dos eBooks
• A Questão dos Hardwares [smartphones, tablets, e-readers, etc.]
• A Questão dos Softwares [Android, iOS, Windows Phone, etc.]
• A Questão dos Formatos [PDF, ePub, HTML5 e o livro-aplicativo ou enhanced books]
• A Questão da Conversão, Digitalização e Produção dos eBooks
• A Gestão de Catálogo e Conteúdo [Publicação, comercialização e distribuição dos livros digitais.]
• A Gestão dos Direitos Autorais

QUEM PODE SE BENEFICIAR DO CURSO

O curso se destina a todos os interessados em livros eletrônicos; profissionais da cadeira produtiva da indústria editorial brasileira, desde os que atuam na produção e na área editorial quanto os profissionais que atuam nas vendas, comercialização e marketing dos livros. Incluindo profissionais que atuam dentro das editoras, das livrarias, distribuidoras, bibliotecas etc.

SOBRE O PROFESSOR

Ednei Procópio, um dos maiores especialista em livros digitais do País, junta arte e tecnologia em um curso inspirador, voltado para quem gosta das histórias por trás da História; mas também para quem pretende entrar na Era Digital através dos livros.

ANOTE NA SUA AGENDA

Dia: 13 de Julho de 2013, sábado
Carga horária: 6 horas
Horário: Das 9h00 às 15h00
20 vagas | Valor único: R$ 170,00

INSCRIÇÕES

Escola do Escritor
Rua Deputado Lacerda Franco, 253 | Pinheiros
Metrô Faria Lima – Saída Teodoro Sampaio
escoladoescritor@escoladoescritor.com.br
Telefone: [11] 3032-8300

Site sobre Machado de Assis é inaugurado na Espanha


Machado de Assis

Machado de Assis

A Biblioteca Virtual Miguel de Cervantes inaugurou nesta quinta-feira um novo site dedicado ao escritor Machado de Assis [1839-1908], um dos grandes mestres do realismo e o primeiro grande contista latino-americano.

Nascido no Rio de Janeiro, Machado de Assis, que escreveu romances, contos, teatro, poesia e crítica, é “um dos melhores escritores do século XIX e o melhor da América Latina”, segundo a acadêmica, diretora de cinema e intelectual americana Susan Sontag.

Machado era um autodidata e começou a se introduzir no meio jornalístico e literário como revisor no jornal “Correio Mercantil” e também foi co-fundador da revista “Espelho”. Seus primeiros livros publicados não tiveram muito reconhecimento, mas sim os poemas românticos de “Crisálidas” [1864].

Com a publicação do romance “Memórias Póstumas de Brás Cubas” [1881], o autor atingiu sua maturidade, que ficou consolidada com “Quincas Borba” [1891], “Dom Casmurro” [1899] e “Memorial de Aires” [1908], e também pelos contos “Papéis Avulsos” [1882], “Histórias Sem Data” [1884], “Várias Histórias” [1896] e “Páginas Recolhidas” [1899].

O diretor do site e professor da Universidade de Valência, Francisco José López Alfonso, descreve Machado de Assis como “um dos grandes professores do realismo arcaico” e, “talvez, o primeiro grande contista latino-americano”.

Também destacou que o número de estudos sobre sua obra “continua crescendo de maneira impressionante” não somente no Brasil, mas também “no mundo anglo-saxão”. “Tomara que o site sirva para que aqueles leitores, principalmente os hispânicos, que ainda não conhecem a obra de Machado de Assis desfrutem desse prazer” afirmou López Alfonso na apresentação do site sobre o escritor.

A Biblioteca Virtual Miguel de Cervantes foi criada em 1999 por iniciativa da Universidade de Alicante, do Banco Santander e da Fundação Botín. Em 2001 foi constituída a Fundação Biblioteca Virtual Miguel de Cervantes que, desde então, trabalha para transformar seu grande acervo digital em uma referência da literatura hispânica na internet.

Para visitar: http://www.cervantesvirtual.com

Publicado originalmente e clipado à partir de Exame.com | 11/07/13

Decisão sobre livros eletrônicos confere vantagem à Amazon


Jeff Bezos, fundador da Amazon, adora desordenar mercados. Nesse aspecto, ele deve estar tendo um verão maravilhoso. O negócio dos livros, que costumava viver no passado quase como se fosse um ramo do comércio de antiguidades, está aberto a disputas.

Uma juíza federal decidiu na quarta-feira que a Apple se envolveu em um conluio ilegal com cinco ou seis das maiores editoras norte-americanas a fim de aumentar os preços no incipiente mercado de livros eletrônicos.

A decisão foi tomada dois dias depois que da renúncia do presidente-executivo da Barnes & Noble. A empresa anunciou que não pretende substituí-lo, o que sinaliza que a maior cadeia de livrarias físicas dos Estados Unidos pode ser imediatamente dissolvida.

O veredicto no caso da Apple podia parecer inevitável, e a juíza já havia indicado previamente qual seria sua decisão, mas ainda assim enfatiza de forma clara até que ponto as companhias convencionais do setor de livros foram completamente deslocadas.

Apenas a Amazon, liderada por Bezos, parece ter um plano. E ele o está executando com uma competência que enfurece os concorrentes e recompensa seus acionistas.

Vivemos um momento no qual o poder cultural está sendo transferido ao controle de novas forças“, diz Joe Esposito, consultor editorial. “Deus não permita que o governo dite a nossos empreendedores o que fazer, mas temos uma questão de política social aqui. Não queremos que as empresas se tornem um buraco negro que absorve toda luz exceto a delas“.

IMPACTO

O caso da Apple, aberto pelo Departamento da Justiça, terá pouco impacto imediato sobre a venda de livros. As editoras haviam aceitado um acordo quanto à queixa há tempo considerável, protestando que nada haviam feito de errado, mas afirmando que não tinham condição financeira de enfrentar o governo.

Mas deve demorar bastante para que elas voltem a tentar tomar controle de seu destino com tamanha audácia. Atrair a atenção do governo uma vez causou problemas suficientes; fazê-lo duas vezes poderia resultar em um desastre.

O Departamento da Justiça involuntariamente causou consolidação ainda maior nesse setor em um momento no qual consolidação não é necessariamente uma boa pedida“, disse Mark Coker, presidente-executivo da Smashwords, uma distribuidora de livros eletrônicos.

Se você deseja um ecossistema vibrante com múltiplas editoras, múltiplos métodos de publicação e múltiplos varejistas de sucesso, dentro de cinco, 20 ou 50 anos, o acontecido esta semana representa um passo atrás“.

GANHADORA

Algumas pessoas no setor editorial suspeitam que a Amazon tenha estimulado o governo a iniciar o processo. A companhia nega, mas ainda assim emergiu como maior ganhadora.

Enquanto a Apple será punida – a indenização ainda não foi decidida – e as editoras saíram chamuscadas, a Amazon fica livre para exercer seu domínio sobre os livros eletrônicos e para continuar a ganhar participação de mercado nos livros físicos. A companhia de varejo eletrônico se recusou a comentar, na quarta-feira.

A Amazon não está na maioria das manchetes, mas todos os grandes acontecimentos no mundo dos livros envolvem a Amazon“, disse Paul Aiken, diretor executivo da Authors Guild, uma união de escritores.

Se houve conluio das editoras, o objetivo era contestar o domínio da Amazon. Os problemas da Barnes & Noble talvez derivem do erro da empresa quanto ao tablet Nook, da mesma forma que a falência da Borders pode ter sido acelerada por erros de gestão, mas a posição precária da empresa é a mesma de qualquer varejista que pague aluguel e tenha de enfrentar um concorrente virtual dotado de amplos recursos financeiros“.

Os executivos da Amazon não gostam muito de debate público, mas argumentam que desordenar os mercados terminará resultando em mais dinheiro para mais autores e em oferecer mais livros de forma mais ampla a um público maior, e a preços mais baixos. Como discutir contra isso?

Esse modo de ver as coisas, porém, não parecia confiável a muita gente, na quarta-feira.

Os detratores da Amazon argumentam que a empresa não é uma organização sem fins lucrativos ou uma entidade pública, mas uma companhia que compete vigorosamente e cujos investidores esperam faturar muito dinheiro em breve.

Aiken diz que “as armas do Departamento da Justiça parecem estar apontadas na direção errada“.

BARNES & NOBLE

Mas a preocupação mais premente do setor é o destino da Barnes & Noble. Quando a Borders fechou as portas, dois anos atrás, analistas afirmaram que o fechamento de suas 400 lojas havia trazido uma consequência inesperada: o ritmo de crescimento dos livros eletrônicos começou a cair, porque os leitores não podiam mais examinar os novos títulos nas lojas da Borders antes de pedi-los na Amazon.

Os livros eletrônicos, em outras palavras, não eram uma tecnologia mágica que permitiria eliminar toda a infraestrutura existente no mercado editorial. Precisavam do ecossistema existente.

Se todas essas redes de livrarias operadas por grandes empresas desaparecerem, subitamente haverá muito menos espaço dedicado a exibir grande número de títulos“, disse J. B. Dickey, proprietário da Seattle Mystery Bookshop.

Provavelmente veremos queda continuada nas tiragens, talvez um número menor de títulos publicados, e as grandes editoras de Nova York se limitarão aos best sellers conhecidos. O que significa que mais autores novatos e de vendas médias terão dificuldade para ficar em catálogo e mais escritores terão de bancar a publicação de seus livros em papel – ou mais provavelmente lançarão seus trabalhos como livros eletrônicos“.

Tudo isso parece sombrio. Talvez o único consolo para aqueles que temem o poder da Amazon é o conhecimento de que todas as companhias um dia chegam a um pico de crescimento que não poderão exceder, por mais improvável que isso pareça durante sua ascensão.

Esposito lembra que 30 anos atrás foi publicado um livro chamado “The Media Monopoly”, que expressava preocupação sobre o poder excessivo da cadeia de jornais Gannett e das três grandes redes de TV norte-americanas.

É um livro que parece muito datado, hoje“, diz Esposito.

POR DAVID STREITFELD, DO “NEW YORK TIMES” | Publicado originalmente e clipado à partir de Folha de S. Paulo | 11/07/13 | Tradução de Paulo Migliacci

Segundo juíza, Apple manipulou preços dos eBooks


AppleA juíza americana Denise Cote decidiu que a Apple conspirou para aumentar o preço de varejo dos e-books. O veredito, divulgado hoje [10/07], estabelece que “os promotores mostraram que as editoras da Defesa conspiraram entre si para eliminar competição nos preços de mercado, com o objetivo de aumentar os preços dos e-books, e que a Apple teve um papel central na facilitação e execução dessa conspiração.” […] A juíza continou: “Para que as editoras controlassem os preços dos e-books e os aumentassem acima do valor de US$ 9,99 elas precisariam agir coletivamente; qualquer outra maneira deixaria uma editora vulnerável à retaliação da Amazon. A Apple aproveitou o momento e jogou suas cartas brilhantemente. Aproveitou o medo e frustração das editoras da Defesa em relação à precificação da Amazon, além da oportunidade criada pelo lançamento do iPad no dia 27 de janeiro”.

Por Lisa Campbell e Philip Jones | The Bookseller | 10/07/2013

Amazon lança editora de quadrinhos


George RR Martin é um dos autores que serão publicados pela Jet City Comics

George RR Martin

George RR Martin

A Amazon anunciou nesta terça-feira o lançamento da Jet City Comics, uma nova marca focada em quadrinhos e graphic novels. E na estreia, a Jet City vai lançar quadrinhos de George RR Martin, autor de “Game of thrones”, Hugh Howey e Neal Stephenson

A primeira publicação da editora é “Symposium #1”, a primeira da série Foreworld, criada por Neal Stephenson, Greg Bear, Mark Teppo, Nicole Galland , Erik Bear, Joseph Brassey e Cooper Moo. Uma adaptação do conto “Meathouse Man”, de George RR Martin, e uma do livro de ficção científica “Wool”, de Hugh Howey, serão lançadas em outubro.

A Jet City vai publicar edições para o Kindle de histórias em quadrinhos independentes, séries e graphic novels. Edições impressas também poderão ser compradas no site da Amazon.com e em outros varejistas de quadrinhos.

– É um sonho trabalhar com autores como George, Hugh e Neal no lançamento de uma nova marca – disse Alex Carr, editor sênior da Jet City Comics.

– Meus fãs têm clamado pelo retorno de Dunk & Egg desde as graphic novels de” The Hedge Knight” e “The Sworn Sword” saíram de catálogo – disse o autor George RR Martin – por isso estou satisfeito em anunciar que Jet City Comics está trazendo-os de volta, recém-formatado para leitores digitais, e em papel para aqueles que ainda preferem os formatos tradicionais. E Jet City estará trazendo algo novo também: a graphic novel “Meathouse Man”, adaptação de um dos meus mais estranhos e bizarros contos, adpatado maravilhosamente pela talentosa Raya Golden. Estou satisfeito e animado para fazer parte da decolagem do Jet City. Que possam voar alto.

Publicado originalmente em O Globo | 9/07/13, às 13h46 | © 1996 – 2013. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.

CEO da Barnes & Noble renuncia ao cargo


Empresa não revelou o nome do substituto de William Lynch

William Lynch não é mais o CEO da Barnes & Noble. Na última segunda-feira, ele renunciou ao cargo. Lynch, que assumiu o cargo em 2010, foi responsável por ajudar a transição do negócio offline para o negócio digital e entregar esse conteúdo para os clientes com a linha Nook de e-readers e tablets.

A empresa ainda não revelou o nome de um substituto e aproveitou para fazer outras mudanças na gestão executiva. O CFO Michael Huseby se tornaria CEO do Nook Mídia e presidente da Barnes & Noble. Ele e Barnes & Noble Retail Group CEO Mitchell Klipper se reportará ao presidente executivo Leonard Riggio.

Como a indústria de venda de livros continua passando por uma transformação significativa, acreditamos que Michael, Mitchell e Max [Roberts] são os executivos certos para nos levar para o futuro“, disse Riggio disse em um comunicado.

Barnes & Noble disse no anúncio que estava passando por uma “revisão estratégica” de seu negócio.

No último dia 25 de junho, a livraria norte-americana Barnes & Noble anunciou que desistiu dos tablets em cor para se concentrar nos leitores preto e branco, após a queda de 34% em três meses nas vendas de sua divisão Nook.

Publicado originalmente em Terra | 09/07/2013 | As informações são do site The Verge e AllThings D.

Biblioteca digital garante acesso sem infringir copyright


Compartilhar conhecimento. O termo vive um momento de alta com a internet, mas a atividade é tão antiga quanto o homem. E uma das formas institucionais mais consolidadas de garantir acesso a informações são as bibliotecas.

Estamos tentando recriar digitalmente esse processo, para que não percamos a capacidade de acessar o conhecimento – uma vez que hoje há até pessoas querendo tirar o direito de compartilhar algo que você comprou“, explica Alexis Rossi, diretora de coleções do Internet Archive, que disponibiliza mais de um milhão de títulos gratuitamente.

Alexis foi um dos destaques do Fórum Internacional Software Livre [fisl] de 2013, realizado entre 3 e 6 de julho em Porto Alegre. Ao Terra, a executiva do Internet Archive contou quais os passos que a organização toma para conseguir disponibilizar seu acervo e ainda respeitar os direitos autorais dos produtores de conteúdo.

Bibliotecas trabalham com coisas criadas por outras pessoas, e temos uma maneira histórica de fazer isso“, diz. “Não queremos que ninguém perca dinheiro, só queremos que as pessoas tenham acesso às informações“, resume.

Acervos digitais

Alexis lista a Wayback Machine como um dos principais sucessos do Internet Archive. O banco de dados aberto lançado em 2001 reúne versões antigas de site da internet – como, por exemplo, a primeira versão do Google.

Publicado originalmente e clipado à aprtir de Terra | 09/07/13