O renascimento do livro


O LIVRO ALÉM DA MíDIA # 12 | POR EDNEI PROCÓPIO

Antes de existir o livro como artefato de retransmissão de informação, da forma como hoje conhecemos, teve de haver a invenção do registro do conhecimento humano. A informação básica à respeito das coisas passou, com a invenção do alfabeto, do modo oral, falado, para o modo escrito.

Quando a escrita foi inventada, o livro como conhecemos ainda não existia. Também não existia a organização das informações. Entre 4 e 5 mil anos atrás, na região da antiga Mesopotâmia, atual Iraque, houve um salto na utilização da escrita como método de registro, organização, armazenamento e compartilhamento de ideias. Segundo o especialista em tablets cuneiformes, o russo naturalizado americano Zecharia Sitchin, os deuses desceram dos céus à Terra para ensinar o novo homem a melhor se comunicar.

E mesmo com a ajuda dos deuses o artefato livro somente se tornou o conjunto de folhas em forma de caderno que conhecemos depois que o alemão Johannes Gutemberg aprimou um modo, ainda um pouco rudimentar mas bastante prático, de se registrar informação e conhecimento em um suporte mais barato e popular. Com a tecnologia aprimorada por Gutemberg o registro do conhecimento humano deu mais um salto quantitativo. Documentos antes somente a disposição de reis e de uma elite religiosa, protegidos pelos deuses, ganharam maior acessibilidade depois que a sua manufatura possibilitou economia de escala.

E uma nova economia de escala se perceberia, mais tarde, novamente, quando do advento da telefonia móvel, que permitiria a portabilidade de novos dispositivos de acesso aos livros.

Não é possível, por sua vez, pensar no avanço e advento da telefonia móvel sem passar pela aplicação que se fez possível com a descoberta da existência das ondas eletromagnéticas, que se propagam pela atmosfera de nosso planeta como fantasmas. Foi graças ao seu uso militar e, mais tarde, comercial, principalmente através do rádio, que a imprensa falada tomou corpo e massa crítica para que uma nova indústria fosse erguida.

Em sua gênese, a tecnologia do rádio só usava a transmissão oral, ao vivo, como modo de compartilhar um mundo. Somente mais tarde, com a invenção do armazenamento em discos, ou seja, em mídias graváveis, é que se descobriu um modo de se explorar comercialmente um som outrora gravado. Começando pelo registro das músicas, de onde originou-se toda uma indústria fonográfica, até chegar a era dos podcasts com o advento de um método de compressão de áudio, o MP3, e de um produto chamado iPod.

A aplicação da descoberta das ondas sonoras dera também impulso necessário a um novo meio de comunicação através da transmissão de imagens. A parábola de se utilizar telas de variados tamanhos para o consumo de conteúdo começou juntamente com a história da televisão. Hoje a tevê é digital, é chamada smart, mas uma total convergência de mídias só foi possível graças a ideia original de se transmitir imagens usando as ondas eletromagnéticas através de condutores.

O cinema, outro modo de transmitir conteúdo em formato de imagem, juntamente com a tevê, estão intimamente ligados a uma ideia original. São filhos de uma mesma tecnologia que permitiu o registro, o armazenamento e a transmissão de imagens em movimento. Para transmitir estas imagens, em tempo real, para locais remotos, se fez necessária a invenção das antenas de transmissão. As atuais antenas transmissoras e receptoras de bandas como 3G e 4G só se tornaram possível graças ao conceito reciclado das remotas antenas de rádio.

E é aqui que a gente percebe o quanto o passado e o futuro da tecnologia estão ligados por um fio condutor cuja necessidade ambígua nenhum e nem outro é capaz de desvencilhar-se. O telefone, por exemplo, mesmo com todo o avanço nas telecomunicações, ainda mantém em seu conceito a regra básica de se ter um transmissor e um receptor para que as mensagens sejam comutadas. Embora hoje os transmissores e os receptores sejam múltiplos, geograficamente dispersos, o conceito básico da comunicação ainda guarda uma maneira simples de se comunicar usando a descobertas das ondas de ar, ‘eletromagnetizadas’. Sem as quais não teríamos hoje aplicativos como WhatApp e Skype; ainda estaríamos sussurrando conversas utilizando os serviços postais de entregas a cavalo.

O conceito básico do meio e mensagem, nos ensinada pelo mestre Claude Shannon, que se aplicava originalmente até ao telégrafo, hoje se aplica também ao computador pessoal que se miniaturizou ao longo de meio século até caber literalmente no bolso das pessoas.

Antes da miniaturização dos computadores existiam as máquinas de cálculos gigantescas que mal cabiam em uma sala de aula presencial. Os então chamados mainframes eram utilizados basicamente na árdua tarefa da contagem dos números, objetivo final para o qual foram inventados. A superação das antiquadas mas imprescindíveis válvulas, utilizadas em antigos computadores e televisores, através da substituição de seus componentes primordiais por condutores à base de silício, permitiu a miniaturização computacional aplicada mais tarde aos laptops, notebooks, netbooks, ultrabooks, palmtops, tablets, smartphones, e-readers, etc., até uma quase infinidade de gadgets. Afinal, o que seria de um Kindle ou de um Kobo se não houvesse a tendência da miniaturização dos seus componentes, a lei vislumbrada por Moore, enfim, suas écrans eletrônicas que mimetizam o papel vegetal?

Independente da máquina [televisores, computadores, telégrafos, telefones, etc.], porém, o que se tinha era uma imensa dependência do receptor pelo meio utilizado. A Internet nasceu com a necessidade de descentralizar a distribuição do conhecimento. A essência da Internet está na descentralização da transmissão e recepção de informação e conhecimento em forma de conteúdo. E é aqui que reside a principal mudança de paradigma para toda a indústria da comunicação, em especial as editoras de livros.

Primeiro veio a imprensa impressa. Com a invenção do rádio e da televisão foi criada a imprensa eletrônica já quase em formato digital sem que nos déssemos conta. Mais tarde, um avanço considerável que a Internet possibilitou foi a democratização de ferramentas que pudessem ser usadas por quaisquer pessoa com um dispositivo, portátil, e uma conexão a mão, sem a necessidade de um intermediário para intervenção.

Por sua essência determinantemente descentralizada, a Internet permitiu que as ferramentas de transmissão antes restritas aos grandes conglomerados de mídias, passassem, do dia pra noite, a fazer parte da vida comum de qualquer usuário conectado à uma grande rede global. O usuário, portanto, antes um agente passivo, receptor, passou a ter em mãos ferramentas digitais de última geração para a sua própria transmissão de informação e conteúdo. O usuário e o dispositivo, conectados, passaram a ser ao mesmo tempo o emissor e o receptor da informação. A invenção da Internet possibilitou que o conhecimento, antes restrito ao suporte papel, fosse democratizado.

É neste cenário que finalmente renasce o livro.

Mas um livro eletrônico não poderia existir se a escrita, como um modo de registro, não tivesse sido inventada pelos nossos ancestrais, os sumérios, passando pelos babilônios e, destes para os assírios, egípcios, até chegar aos romanos no ocidente. O livro como hoje conhecemos não existiria se Gutemberg não houvesse aprimorado o modo de prensar tinta em papel para obter o registro histórico do conhecimento usando um conceito também antigo de páginas encadernadas e costurada.

A transmissão de códigos inteligíveis usando a radiodifusão, mais tarde permitiria a convergência da transmissão de informação e conhecimento usando a exploração militar, governamental, educativa e comercial das ondas eletromagnéticas. Com o avanço da radiodifusão, houve o avanço das telecomunicações. O telefone antes preso aos fios nos postes, foi substituído por transmissões intercontinentais usando as antenas transmissoras e receptoras das ondas de rádio. O telefone deixou de ser fixo e passou a ser móvel usando as celular, os backbones e os pontos praticamente invisíveis do ar.

O avanço se mostrou significativo por um lado, embora por outro tenha apresentado novas limitações que poderiam mais tarde ser vencidas com o avanço das transmissões via satélite. Pois bastava derrubar uma antena transmissora para que o acesso aos eBooks ficasse comprometido. Mas, como em uma nova corrida do ouro, gigantes globais de tecnologia, como a Google por exemplo, e até projetos modestos, fariam de um tudo para romper a barreira do disparo de foguetes para colocar nos céus do planeta suas próprias antenas retransmissoras em forma de satélites artificiais.

A troca das antigas válvulas por placas de circuito impresso, dos processadores de dados e dos dispositivos de armazenamento permitiu que sistemas computadorizados fossem usados não só nos computadores pessoais, como também em uma diversidade de equipamentos eletrônicos mais tarde popularizados através da difusão das chamadas mídias digitais. O PC deixou de ser, depois de quase três décadas de sua exploração comercial, o principal meio de se registrar, processar e compartilhar informação e conhecimento em forma de conteúdo. E deu lugar aos computadores pessoais de bolso, batizado pela própria empresa americana Microsoft de Pocket PCs, que antecipou junto com a Palm o advento dos smartphones em mais de uma década.

Se observarmos o intervalo entre a descoberta, invenção e avanço que se deu desde a origem de tecnologias como a escrita, a prensa aprimorada de Gutemberg, o rádio, a tevê, o telefone, o computador pessoal e a Internet até a sua aplicação no dia-a-dia social, cultural e comercial, vamos perceber que o artefato livro é a última fronteira no processo de digitalização das mídias. Depois disso, outro mundo virá. E sem que tivéssemos passado por todas estas descobertas, invenções, aplicações e aprimoramentos, o livro eletrônico não seria possível.

E não há como retroceder. Pode até haver um pequeno retrocesso nos negócios que sempre vão precisar de reajustes para avançar até o próximo patamar, mas a revolução tecnológica atinge aos livros em seu principal item: o conteúdo. O eBook fez renascer o livro porque seu conteúdo pode ser acessado através dos dispositivos populares, portáteis, como tablets por exemplo que vem substituir a prensa, a biblioteca, a livraria e o próprio suporte da leitura. É como se o que estivesse ao redor do conteúdo se tornasse supérfluo, dispensável.

É por conta disso que a Internet ainda não ajudou no crescimento da maioria dos PIBs dos países, tal o desarranjo nos negócios; mas, por fim, a Internet ajudou o artefato livro a transformar-se ao mesmo tempo no registro e no próprio transmissor do conteúdo. E é neste cenário, como suporte de ‘desintermedição’, que o livro renasce para recontar nas páginas digitais a sua própria história.

O LIVRO ALÉM DA MíDIA # 12 | POR EDNEI PROCÓPIO

Amazon lança plataforma para vender textos amadores do tipo “fan fiction”


A Amazon anunciou nesta sexta-feira (24) que vai lançar uma ferramenta para a comercialização de “fan fiction”, termo que designa material literário criado por fãs de obras que se baseiam nelas para criarem novas narrativas, por meio da sua loja de livros eletrônicos para Kindle.

O sistema se chama Kindle Worlds e, inicialmente, permitirá vertentes somente das séries “Gossip Girl”, “Pretty Little Liars” e “The Vampire Diaries”, as três da Warner Bros, com quem a Amazon cerrou uma parceria.

Ainda não há uma data definida para o lançamento.

Os autores da “fan fiction” distribuída por tal ferramenta seriam remunerados proporcionalmente à vendagem de suas obras.

Um exemplo de “fan fiction” seria um final alternativo para um romance.

“Provavelmente não há um autor ou um fã que nunca fantasiou sobre poder escrever sobre seu seriado favorito. O fato de você poder ganhar royalties por isso torna isso ainda melhor”, escreveu Trish Milburn, uma autora de narrativas do tipo.

A Amazon diz que outras obras licenciadas para a criação do tipo de conteúdo estão “a caminho”.

Publicado originalmente e clipado à partir de Folha de S.Paulo | TEC | 24/05/2013, às 18h28

Unesco disponibilizará publicações gratuitamente


publications and data without paying

publications and data without paying

A organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, a Unesco, declarou semana passada que irá disponibilizar gratuitamente todas as suas publicações, seguindo decisão anunciada no Fórum Mundial da Sociedade da Informação no último dia 13. Com a nova política, qualquer pessoa poderá baixar, traduzir, adaptar, compartilhar e distribuir as publicações da instituição sem pagar. A medida visa aumentar a visibilidade, acessibilidade e acelerar a distribuição das publicações. A organização apóia também o movimento Open Access, criado em resposta ao aumento dos custos da literatura científica.

PublishNews | 21/05/2013

Blogueiros resenhistas dizem que chegam a ler 70 livros em um só ano


POR FERNANDA EZABELLA, DE LOS ANGELES e RAQUEL COZER, COLUNISTA DA FOLHA | Publicado originalmente e clipado à partir de Folha de S.Paulo | Caderno Ilustrada | 11/05/2013, às 03h05

Não é fácil medir o impacto que resenhas da internet têm sobre a venda de livros, mas um exemplo permite entender por que editoras têm investido nesse cenário.

O juvenil “A Seleção”, de Kiera Cass, lançado há sete meses pelo selo Seguinte, da Companhia das Letras, vendeu 16 mil cópias quase sem aparecer na imprensa. Mas foi resenhado por blogs como o Garota It e o Literalmente Falando, que recebem uns 100 mil acessos por mês cada um.

Enquanto críticas feitas por especialistas em jornais fazem livreiros dar destaque aos títulos nas lojas, blogueiros atraem leitores de gosto similar e alimentam o boca a boca.

É bem pessoal. Eles deixam claro que é o canto deles“, diz a gerente de marketing da Intrínseca, Heloiza Daou.

O discurso não é ‘esse livro é ruim’, é ‘não gostei desse livro‘”, diz Diana Passy, gerente de mídias sociais da Companhia das Letras. “E não basta escrever bem, tem que ser bom blogueiro, interagir com leitores, o que dá trabalho. É isso o que traz audiência.

Os livros avaliados tendem a diferir daqueles que frequentam cadernos de cultura. Embora blogs como o Posfácio priorizem não ficção e literatura adulta, predominam entre parceiros de editoras os juvenis, femininos e de fantasia.

Costumamos dizer ‘esse livro funciona para blog’ e ‘esse funciona para a imprensa‘”, diz Tatiany Leite, 20, analista de comunicação na LeYa e fruto desse cenário -foi trabalhar na editora após se destacar com o blog Vá Ler um Livro.

A proximidade dos blogs também serve para as editoras conhecerem seu público, com estatísticas. Segundo a Instrínseca, 82% de seus blogueiros são mulheres e 63% moram na região Sudeste.

Dos 779 que disputaram vagas em janeiro na Companhia das Letras, a maioria tem de 20 a 24 anos [30%] e diz ler de 51 a 70 livros ao ano [22%]. Isso num país em que a média anual é de quatro livros incompletos, segundo a pesquisa Retratos da Leitura de 2012.

INDEPENDÊNCIA

Um ponto delicado diz respeito à independência de blogueiros que fecham acordos com editoras ou daqueles que fazem resenhas pagas.

O paulista Danilo Leonardi, 26, que desde 2010 comanda no YouTube o Cabine Literária, com resenhas em vídeo, diz não ficar constrangido de avaliar negativamente obras de editoras de quem é parceiro.

A partir do momento em que dediquei meu tempo ao livro, me sinto no direito de falar o que achei. Mas já aconteceu de eu desistir de resenhar um livro que achei ruim de uma editora menor, para evitar prejudicá-la.

Cobrar por críticas seria antiético, considera ele, que fatura só com vídeos não opinativos –recebe até R$ 700 por entrevistas com autores independentes. A meta de Danilo, servidor da Caixa Econômica Federal, é fazer do Cabine seu ganha-pão.

A tradutora carioca Ana Grilo, 37, que mora na Inglaterra, assina com uma amiga o blog The Book Smugglers [os contrabandistas de livros], escrito em inglês, e colabora como resenhista para o Kirkus Review, que cobra até R$ 1.000 por resenha.

Diz que o pagamento não altera resultados. “Temos controle sobre o que escrevemos. Raramente damos nota acima de oito para os livros.

Já em seu próprio blog, Ana resenha por hobby, sem cobrar. Aceita anúncios, que rendem até R$ 2.200 ao mês.

Os 110 mil acessos mensais do Book Smugglers a fazem receber, a cada mês, cem livros de autores e editoras, dos quais ela diz ler uns quatro por semana. “Lemos muita coisa ruim, mas também verdadeiros tesouros.

AMAZON E GOODREADS

Perder tempo com má literatura é algo que o empresário Donald Mitchell, 66, diz se recusar a fazer. Integrante do “hall da fama” de resenhistas da Amazon, ranking dos usuários que mais avaliaram livros no site, já publicou mais de 4.200 avaliações positivas.

A proficuidade e a benevolência lhe rendem um assédio de 40 pedidos diários de resenhas. “Digo aos autores que não vou resenhar se não gostar“, diz ele, que lê até três livros por semana e os resenha, por gosto, desde 1999.

Por anos, Mitchell pediu doações para a ONG cristã Habitat for Humanity em troca das resenhas. Chegou a levantar R$ 70 mil. “Nunca toquei no dinheiro, mas a Amazon reclamou e eu parei.

Ele se refere a uma mudança de regras da loja, em 2012. Ao perceber que o comércio de avaliações tirava a credibilidade desse espaço no site, deletou várias delas. Uma pesquisa da Universidade de Illinois constatara que 80% das resenhas na loja davam aos livros quatro ou cinco estrelas, as duas maiores cotações.

Outra prova de que a loja valoriza resenhas on-line foi a compra, em março, do GoodReads, rede de indicações de livros com 17 milhões de membros. Suzanne Skyvara, vice-presidente de comunicação do GoodReads, diz que a transparência é o segredo. “Mostramos quanta resenhas cada usuário faz e sua média de cotações.”

POR FERNANDA EZABELLA, DE LOS ANGELES e RAQUEL COZER, COLUNISTA DA FOLHA | Publicado originalmente e clipado à partir de Folha de S.Paulo | Caderno Ilustrada | 11/05/2013, às 03h05

Resenhas literárias de amadores na internet atraem leitores e abrem filão para editoras


POR FERNANDA EZABELLA, DE LOS ANGELES e RAQUEL COZER, COLUNISTA DA FOLHA | Publicado originalmente e clipado à partir de Folha de S.Paulo | Caderno Ilustrada | 11/05/2013, às 03h05

Todo mês, 75 mil pessoas acessam os vídeos em que o paulista Danilo Leonardi, 26, comenta livros. A carioca Ana Grilo, 37, diz ler até 150 títulos por ano para seu blog de resenhas, escrito em inglês. O americano Donald Mitchell, 66, já publicou 4.475 resenhas na Amazon – por parte delas, levantou R$ 70 mil, doados para uma ONG beneficente.

Os três são personagens de um movimento que, nos últimos anos, chamou a atenção de editoras e virou negócio: o de críticas de livros feitas na internet por amadores, que, com linguagem mais simples, atraem milhares de leitores.

Com o aumento na venda de e-books, a expansão da autopublicação e a concorrência ferrenha entre editoras, textos escritos por hobby ou por até R$ 1.000 tornaram-se uma alternativa de divulgação capaz de atingir nichos e multiplicar vendas de livros.

Nos EUA, páginas como o Hollywood Book Reviews e o Pacific Book Review cobram de autores e editoras de R$ 250 a R$ 800 por textos a serem publicados em até 26 sites, incluindo seções de comentários de lojas virtuais.

Fonte: Editoria de Arte Folhapress

Fonte: Editoria de Arte Folhapress

Editoras estrangeiras passaram, em meados da década passada, a enviar livros para blogueiros resenharem, tal como já faziam com a imprensa. Em 2009, casas como Record e Planeta importaram a ideia, que logo ganhou jeitinho brasileiro: concursos tão disputados quanto vestibulares.

Nesse formato, as editoras criam formulários de inscrições e selecionam blogs após criteriosa avaliação da audiência e da qualidade dos texto. O “pagamento”, ressaltam editoras e blogueiros, são apenas os livros a serem avaliados, nunca dinheiro.

No fim do ano passado, 1.007 blogueiros concorreram a cem vagas de parceiros da LeYa. Na Companhia das Letras, foram 779 candidatos para 50 vagas no semestre.
autorregulamentação

Aqui e no exterior, editoras e autores investem em anúncios ou posts patrocinados em blogs, que com isso chegam a faturar R$ 2.000 por mês.

Mas, no geral, cobrar por resenhas pega mal, e a autorregulamentação dos blogueiros é implacável. O blog americano ChickLitGirls cobrava R$ 200 por uma “boa avaliação” até ser denunciado por uma escritora. O bate-boca subsequente levou à extinção da página, em 2012.

Para se manter com cobranças, só mesmo sendo rigoroso, como a Kirkus, tradicional publicação de resenhas que, em 2004, passou a oferecer serviço de marketing para autores autopublicados.

As críticas no site podem custar mais de R$ 1.000 a autores e editoras interessados, e nem sempre são positivas. Quem contratou o serviço pode ler antes e abortar a missão caso a avaliação seja ruim. O dinheiro não é devolvido.

POR FERNANDA EZABELLA, DE LOS ANGELES e RAQUEL COZER, COLUNISTA DA FOLHA | Publicado originalmente e clipado à partir de Folha de S.Paulo | Caderno Ilustrada | 11/05/2013, às 03h05

Análise: Impressão do ‘leitor comum’ na internet ajuda estratégias das editoras


POR KELVIN FALCÃO KLEIN
ESPECIAL PARA A FOLHA | Publicado originalmente e clipado à partir de Folha de S.Paulo | Caderno Ilustrada | 11/05/2013, às 03h05

O comentário sobre literatura na internet cresce a cada dia, acompanhando o movimento de diversificação do mercado editorial.

Esses comentários compartilham um desejo de dar conta dos livros de forma mais efetiva, atentando para aspectos como a sensação da leitura e a qualidade do entretenimento alcançado.

É o que se constata não só pela leitura de blogs mas também por sites de venda como a Amazon, que fizeram da veiculação de resenhas de leitores um verdadeiro negócio.

Se antes os livros entravam apenas em listas de mais vendidos, agora eles podem figurar também entre os mais bem avaliados pelo consumidor -um diferencial considerável num mercado que abriga a cada dia dezenas de novos produtos similares.

Essa movimentação espontânea chamou a atenção das editoras, que se tornaram ativas no diálogo com os leitores, chegando a estabelecer parcerias formais.

O comentário sobre literatura na internet, a partir daí, parece não mais seguir a lógica da imprensa clássica, que busca o “especialista”, ou o “leitor experiente”, para estabelecer um juízo diferenciado e/ou distanciado do senso comum, da “média”.

Pelo contrário, o importante passa a ser o caráter geral da experiência de leitura.

Para as editoras, interessa mais o “leitor comum”, que gera a identificação de outros leitores que, instigados pelos comentários, viram consumidores. Tanto mais forte pode ser o efeito das resenhas de lojas virtuais, onde ocupam o mesmo espaço da venda.

O cenário ganha complexidade na medida em que as editoras, atentas aos blogs mais populares, passam a receber sugestões e a repensar ou planejar futuras publicações, compras e traduções tendo em vista tais respostas.

A lógica da parceria vai ficando mais afinada: a escolha do parceiro é guiada pela sua possibilidade de representar e atingir cada vez mais “semelhantes” e, diante da facilidade ou dificuldade de atingir o objetivo [ou seja, vender livros], estratégias editoriais são revisadas.

O comentário se reforça em sua função de fazer circular a mercadoria, torná-la moeda corrente e garantir sua visibilidade e seu acesso.

Daí se explica a aparente liberdade de blogs parceiros de editoras para criticar negativamente seus livros. Isso lhes garantiria credibilidade, ainda que possam ser suscitadas questões éticas inerentes à relação de interesses entre resenhistas e editoras.

Em termos especulativos, pode-se relacionar a perda de espaço da crítica literária nos jornais impressos à intensa pressão desse novo cenário de comentários, mais ao gosto geral. A repercussão disso em termos culturais mais amplos só o tempo mostrará.

KELVIN FALCÃO KLEIN é doutor em teoria literária pela Universidade Federal de Santa Catarina e escreve, sem parcerias, no blog falcaoklein.blogspot.com.

Economia criativa e perspectivas para pequenas editoras


POR EDNEI PROCÓPIO

Ednei Procópio

Ednei Procópio

Acima de questões como interface, acesso, quantidade e distribuição de exemplares digitais talvez esteja aquela que irá forjar o verdadeiro e novo mercado editorial: a questão da precificação dos livros.

Eduardo Melo, da Simplíssimo Livros, ensinou-me como traçar um paralelo entre a crise econômica mundial atual e o fortalecimento do mercado de eBooks através da popularização do preço de capa dos livros. Aprendi, em uma de suas palestras, que crises econômicas mundiais geralmente influenciam diretamente no consumo dos livros. Desde as Primeira e Segunda Guerra Mundial, passando pelas primeiras crises do petróleo [1972 e 1975], houve alteração no preço de capa do livro na versão paperback que, inclusive, culminou com a criação do livro, impresso, em formato pocketbook, mais barato e acessível que o seu antecessor.

Refletindo um pouco mais sobre o assunto, tal tese me fez concluir que, se realmente existe um reflexo paralelo no consumo dos livros em época de crises econômicas, os contextos econômicos mundiais influenciam diretamente no consumo de produtos culturais de maneira ainda mais intensa em comparação a outros mercados, tornando-os assim ainda mais acessíveis. E a tendência, no Brasil, é que haja uma ascensão na quantidade e qualidade de títulos disponíveis, a preços bem populares, tal qual ocorreu com o mercado de aplicativos para dispositivos móveis.

O mercado econômico brasileiro, porém, de um modo geral deve passar, em minha opinião, por mais uma forte retração futura que influenciará mais uma vez no rumo do mercado editorial, antes que haja uma consolidação efetiva do consumo de eBooks no país.

As perspectivas para os eBooks pelo mundo não diferem do nosso país uma vez que vivemos uma época de economias globalmente interligadas. O que nós sabemos é que multinacionais como Kobo, Google e Amazon continuarão influenciando os mercados regionais na tentativa expandir ainda mais os seus domínios e consolidar suas marcas. O que ainda falta saber é como pequenas e médias empresas editoriais, regionais, irão sobreviver a uma ruptura no mercado de consumo marcada por uma falta de regulamentação dos Governos que, em tese, poderia até talvez sair em defesa de suas empresas internas.

Por trás de toda a revolução em andamento causada principalmente pelo advento e avanço da Internet, ainda existem as leis que regem o livre mercado, a livre concorrência. Mas creio poder ainda assim haver sim um estabelecimento de parâmetros mínimos para o mercado, para dar respaldo a toda cadeia produtiva do livro, embora não fosse possível influenciar diretamente em cada um dos novos modelos de negócios que estão sendo testados pelo próprio mercado. Assim, o que resta ainda saber é de que modo pequenas e médias empresas podem sobreviver encontrando caminhos alternativos. Apenas com criatividade e empreendedorismo?

A tecnologia na interface dos livros

Um dos itens que mais poderão influenciar o rumo do mercado de livros nesta economia criativa de escala global, sem sombra de dúvida é a tecnologia já que esta superou por si mesma os limites de adoção perante o mercado consumidor.

Dispositivos de uma variedade impressionante de tamanhos, pesos, espessura e desempenho fazem hoje parte do dia-dia de milhares de usuários que consultam simultaneamente informações sobre o trânsito, o clima, a cotação do dólar, etc., em tempo real aos acontecimentos diários de suas vidas nas cidades. Nenhum acontecimento público de elevada proporção fica sem o registro imediato de centenas de testemunhas que, ainda mais rápido que a imprensa, divulgam ocorrências em vídeos, fotos e áudios numa escala quase que desproporcional ao nível de consumo destas mesmas informações. Tudo isso através de uma gigantesca rede social chamada Internet.

Algo bastante importante a ser levada em conta neste contexto é a questão da interface entre o leitor e o conteúdo do livro. Esta interface pode estar atrelada tanto ao conteúdo, por conta da diagramação dos livros utilizando as ricas plataformas de autoria e edição; mas podem estar também atrelada às limitações técnicas ou possibilidades do próprio dispositivo onde o livro será lido. Certo, porém, é afirmar que o aplicativo é o limite entre o conteúdo e o dispositivo.

Vencida a questão primária de um modelo de negócios sustentável, uma empresa de mídia editorial precisa focar os seus esforços em criar uma interface no mínimo padrão tanto para a criação quanto para o consumo dos livros.

Os livros tem, a seguir, que conquistar um novo espaço na agenda diária dos consumidores modernos que podem optar por uma leitura talvez mais lenta, mais íntima, mais densa. Para alcançar o leitor disposto a trocar algumas horas de seu dia pela leitura de um eBook, o mercado editorial deverá buscar a diversidade.

O novo leitor baixa cerca de dois mil aplicativos por segundo através da Internet e, para superar o desafio da escalabilidade de conteúdo versus qualidade editorial, se faz necessário o foco nos negócios voltados a uma rica bibliodiversidade. A diversidade de conteúdo, de catálogo, de títulos, de novos autores e novas conversas, que possam atrair a atenção deste novo leitor um tanto mais disperso, é um dos caminhos para os pequenos negócios. Talvez deste desafio renasça um novo e próspero período para todo o mercado editorial, antes mal acostumado, e acomodado, com o antigo sistema de produção de obras em versão impressa.

Livros via interfaces

O Brasil já alcançou mais de 250 milhões de linhas telefônicas para celulares. Pelo menos 20% deste efetivo vem de linhas chamadas pós-paga; próximo dos 10% temos as chamadas linhas 3 ou 4G.

Uma tecnologia básica, no entanto, atinge quase que 100% dos clientes das operadoras que oferecem serviços de telefonia em nosso país: os serviços de SMS. Embora o número de dispositivos smartphones tenha superado o de aparelhos celulares mais simples, mensagens curtas, de no máximo 140 letras ou caracteres [inspiração para o Twitter, inclusive], poderiam eventualmente servir para o tráfego de literatura [e-shorts stories] através dos celulares.

O mercado de mídia está sempre na fronteira da alta tecnologia, e na dependência do que realmente é utilizado pela maioria dos usuários. Estágios intermediários entre eles podem configurar, com uma boa dose de criatividade, possibilidades inúmeras nos campos da publicação, comercialização e divulgação dos livros.

Para os celulares, aparelhos mais simples que os smartphones, ao contrário do Japão, por exemplo, não houve o desenvolvimento, no Brasil, de um case de sucesso que usasse a transmissão de textos literários utilizando a tecnologia SMS. Antes de fundar a Simplíssimo Livros, o próprio Eduardo Melo esteve envolvimento com um projeto que pudesse suprir este tipo de carência.

Enquanto tecnologias novas de comunicação através de aplicativos como WhatApp e Skype vão se tornando populares e onipresentes, a tecnologia SMS poderia ser usada para a publicação de micro narrativas, haicais, salmos, e uma infinidade de frases de efeito utilizadas em livros de autoajuda, por exemplo. É claro que ler um texto na tela de um celular, antes dos aparelhos ganhar um aumento no ganho de tela, era um sacrifício. Mas, com a melhora na legibilidade das écrans, tornou-se possível, por exemplo, usar esta tecnologia básica para a divulgação de livros e escritores.

Mesmo não sendo tecnologicamente possível o tráfego de livros inteiros utilizando a transmissão SMS, é possível utilizar-se desta plataforma já amplamente difundida para atrair a atenção de milhares de leitores antes um tanto indecisos, para não dizer perdidos, com relação a escolha do seu próximo livro.

E este é apenas um exemplo de como enxergar de um modo mais amplo o mercado de livros como um mercado de conteúdo voltado para o digital. A ideia é usar toda a tecnologia existente como um meio para se levar livros às pessoas. E os meios tecnológicos formam a interface entre os dispositivos e os conteúdos por escritores criados.

O livro, enfim, está livre

Os novos negócios para as editoras brasileiras neste sentido é, no presente, o cerne de um cenário esplêndido de oportunidades. Se, no passado, o suporte papel assumia o modo como entregávamos os nossos livros, agora esse modo de entrega se dá através de uma infinidade de écrans em uma miríade de suportes e dispositivos digitais. O livro finalmente superou a mídia, e está agora disponível para além das mídias.

E, estando livre, o livro pode ser melhor explorado por escritores, editoras e leitores. A exploração comercial, por sua vez, pode alcançar um patamar de audiência nunca antes atingido pelo mercado editorial convencional, que sempre se restringiu e limitou-se a logística de um suporte caro, pesado e inacessível. Muito pouco democrático, inclusive para as pequenas editoras.

Neste cenário do livro além do livro, o maior desafio é manter a escala de consumo dos títulos digitais acima da média em número de exemplares comprados, já que o preço de capa das obras estará abaixo dela. Superadas às limitações técnicas, de bibliodiversidade, de política precificatória, o eBook terá finalmente se consolidado como uma mídia rica, e interativa, em todos os sentidos para o leitor final.

Publicado originalmente em Revolução eBook | 08/09/213

Com 4G, gráficas e editoras poderão ganhar agilidade


Foto João Scortecci | Por Salete Silva para o Valor, de São Paulo

Foto João Scortecci | Por Salete Silva para o Valor, de São Paulo

João Scortecci, do grupo editorial que leva seu nome: nova tecnologia ajudará a aumentar as vendas do setor
Contar com mais uma rede para encaminhar a qualquer parte do país provas digitais em apenas alguns minutos é a expectativa de empresários da indústria gráfica com a chegada da quarta geração de telefonia celular. A alta velocidade da internet via 4G também traz expectativas de maior interação entre as editoras e seus leitores. Mas esses recursos só poderão ser usados quando o serviço chegar a todo o território nacional.

Um dos serviços que depende de internet veloz e poderá tirar proveito de 4G é o Web-to Print. Por esse processo, o cliente pode criar, editar e aprovar uma impressão por meio do computador, na fase de pré-impressão. A nova tecnologia também poderá ser usada para possibilitar a impressão de livros sob demanda no sistema de autopublicação. “Todos os avanços conquistados nessas duas principais tecnologias na área gráfica são viáveis apenas com o uso da internet fixa“, disse João Scortecci, diretor-presidente do Grupo Editorial Scortecci.

O empresário exemplifica com a impressão de livros infantis, que geralmente são bem coloridos e exigem um grande volume de megabytes para realizar funções, como clicar no hipertexto e acessar outras informações. Essas tarefas, viáveis hoje apenas por redes fixas, poderão ser realizadas com 4G.

Scortecci estima que as facilidades decorrentes de 4G ajudarão a elevar a venda de produtos e a estimular negócios nas áreas de impressão gráfica e publicação de livros.

As editoras também compartilham o otimismo em relação à expansão dos negócios. A Editora Moderna, do Grupo Santillana, já está desenvolvendo produtos e serviços para tablets e smartphones 4G. “A melhoria da qualidade da utilização da internet ficará mais próxima das necessidades reais do usuário“, disse Maria João Moura, diretora de negócios digitais do Santillana. A Moderna atua com edição, publicação e distribuição de livros didáticos, e produz material de apoio e obras de literatura.

No curto prazo, a tecnologia vai permitir aos usuários melhorar a experiência on-line pelo aumento da capacidade de migração de dados e do número de alunos, professores e leitores que acessam os conteúdos produzidos pela Santillana e suas editoras, disse Maria João.

O ensino e a aprendizagem em sala de aula, segundo a diretora, poderão ser mais dinâmicos pela ampliação dos conteúdos digitas e a apresentação de novos recursos pela editora, que só serão possíveis com 4G. “Ao usar nossos conteúdos, a experiência no tablet e no smartphone será enriquecida, por exemplo, explorando mais os componentes multimídia“, disse.

Para Ricardo Minoru Horie, consultor da Bytes & Types, empresa de consultoria e treinamentos da área editorial, o padrão 4G terá impacto maior nesse setor do que no segmento gráfico. “Ainda dependemos, na área gráfica, de mecanismos de banda larga bem mais estáveis e diretos, como ADSL [tecnologia que permite transmitir dados em alta velocidade por linha telefônica comum], cabo, fibra entre outros“, disse Minoru.

O executivo disse que com o acesso mais veloz será possível realizar alguns procedimentos a partir de dispositivos portáteis, como a aprovação remota e virtual de provas digitais, o que demanda tráfego de dados intenso entre o servidor de gráfica e o dispositivo. Editoras e portais de venda de produtos editorias também poderão contar com mais agilidade nas transações digitais, afirmou.

O acesso à internet com velocidade mais rápida pode contribuir também para a expansão dos negócios das empresas especializadas no comércio de livros digitais [eBooks], segundo Dailton Felipini, diretor da livraria virtual Lebooks.

Para Felipini, com 4G a velocidade no processamento poderá evitar congestionamentos, especialmente em horários de pico. “A questão é que temos outras redes que precisam ser aperfeiçoadas“, disse. “Não adianta 4G em algumas cidades e velocidade menor de 2G, que nem funciona direito, em outras.

Scortecci disse que a eficiência do padrão 4G depende de investimento em fibra óptica, preço acessível dos pacotes com todos os recursos para receber e enviar dados, além da convergência do serviço, ou seja, a disponibilidade de alta velocidade da internet tanto para quem envia quanto para quem recebe. “Não adianta quem envia ter 4G, mas quem recebe não dispor da tecnologia“.

Publicado originalmente e clipado a partir de Valor Econômico S.A. | 02/05/2013, às 00h00 | © 2000 – 2012. Todos os direitos reservados ao Valor Econômico S.A.