2012: O ano das mulheres e dos eBooks


O ano de 2012 será lembrado no mercado editorial pelos romances “pornô soft” para mulheres, com “50 tons de cinza” [Intrínseca] à frente, e também pela chegada das gigantes dos ebooks [Amazon, Google e Apple] ao Brasil. Enquanto o subgênero inaugurado pela britânica E.L. James se revelou um enorme sucesso de público [apesar do nariz torcido da crítica], trazendo na esteira diversos seguidores — que ora repetem a fórmula consagrada, ora apelam para a paródia —, a história dos livros digitais ainda contém mais dúvidas do que certezas.

Cinquenta tons de cinza

Cinquenta tons de cinza

Os livros “50 tons de cinza”, “50 tons mais escuros” e “50 tons de liberdade” narram a relação entre a ingênua e inocente Anastasia Steele e o dominador Christian Grey. Lançado em julho, o primeiro título vendeu 1,13 milhão de exemplares no país. Somados, os três venderam 2,37 milhões de cópias. Na mesma linha de romance com apimentadas cenas de sexo e sadomasoquismo, os livros “Toda sua” e “Profundamente sua” [Editora Paralela], de Sylvia Day, alcançaram a marca de 120 mil exemplares vendidos. O último livro da série, “Para sempre sua”, tem previsão de lançamento para maio de 2013. Outros exemplos de títulos que apostaram no “pornô soft” são “Luxúria” [Leya], de Eve Berlin, e “Falsa submissão” [Record], de Laura Reese. E para beliscar uma fatia desse mercado houve quem apostasse inclusive na paródia, como “50 tons do Sr. Darcy” [Bertrand Brasil], de Emma Thomas.

Entre os ebooks, E.L. James também foi sucesso com 53 mil edições comercializadas. Isso num mercado que só agora começa a amadurecer: na primeira semana de dezembro, a Livraria Cultura lançou o ereader Kobo, o Google iniciou sua operação de livros digitais e a Amazon, finalmente, estreou. Além delas, a Apple já tinha começado a vender ebooks na sua iBookStore em outubro.

Kindle

Kindle

No entanto, nem tudo foi festa para os leitores. Os ereaders caros e o preço das edições digitais decepcionaram. O Kobo sai por R$ 399, enquanto o Kindle, da Amazon, só é oferecido no modelo mais simples, por R$ 299. Nos Estados Unidos, o mesmo aparelho custa US$ 69. Como só está com a operação digital no Brasil, a Amazon fez parcerias para vender o seu ereader em lojas físicas e virtuais nacionais: com a Livraria da Vila, em São Paulo, e o site PontoFrio.com.

No caso dos ebooks, o desconto em relação à edição de papel fica, em média, entre 20% e 30%. Os leitores esperavam preços mais atraentes. Os descontos foram um ponto de atrito das editoras com a Amazon — a loja queria preços mais agressivos, as editoras não aceitaram. Porém, o impacto que os ebooks provocarão nos negócios e na própria vendagem de livros físicos só será sentido ao longo de 2013.

Por Leonardo Cazes | Globo.com | 28/12/2012

Pearson compra fatia em divisão Nook da Barnes & Noble


PearsonA empresa britânica de educação e mídia Pearson fechou um acordo para adquirir uma fatia de 5 por cento na unidade Nook Media, da Barnes & Noble, por 89,5 milhões de dólares, fazendo disparar as ações da operadora de livrarias em quase 10 por cento nesta sexta-feira.

A Nook Media é a unidade responsável pelo negócio digital da Barnes & Noble – incluindo os leitores digitais e tablets Nook e a loja digital do Nook – e por 674 livrarias universitárias em todos os Estados Unidos.

A Pearson é a dona do jornal Financial Times e da editora de publicações e livros Penguin Group. O mais recente investimento no Nook ocorre após a Microsoft ter concordado, em abril, em investir 300 milhões de dólares no negócio digital e universitário da Barnes & Noble, tendo concluído a parceria em outubro.

Após o acordo com a Pearson, a Barnes & Noble será dona de cerca de 78,2 por cento da Nook Media, e a Microsoft terá cerca de 16,8 por cento, informaram as empresas.

Info Exame | 28/12/2012

Apple é multada na China por vender livros pirateados na App Store


XANGAI | Um tribunal chinês multou a Apple em 1 milhão de iuanes [160,4 mil dólares] por aplicativos na App Store venderem livros digitais [ebooks] pirateados, afirmou nesta sexta-feira a agência de notícias oficial Xinhua.

A Apple terá que indenizar oito escritores chineses e duas companhias por violar direitos autorais, segundo a Xinhua.

Um grupo de escritores chineses entrou com uma ação contra a Apple neste ano alegando que aplicativos na App Store vendiam ebooks sem autorização. Os oito autores exigiam 10 milhões de iuanes em indenização.

Estamos desapontados com a decisão. Alguns dos autores que mais vendem na China vão receber somente 7 mil iuanes. A decisão estimula a pirataria“, disse à Reuters o representante do grupo, Bei Zhicheng.

A Apple afirmou em comunicado que “leva muito a sério” a questão de infração de direitos autorais.

Estamos sempre refinando nosso serviço para ajudar os autores a proteger seus direitos“, afirmou a porta-voz da empresa norte-americana Carolyn Wu.

Por Melanie Lee | Reuters | 28/12/2012, às 08h00