Kindle chega para o Natal em São Paulo, e para o Dia de Reis no resto do país


Livraria da Vila e Ponto Frio vendem Kindle

KindleO “Mistério dos Kindles” terminou. A Amazon colocou as fichas em um varejista de grande porte e uma livraria tradicional para competir com o leitor da Kobo: a Ponto Frio e a Livraria da Vila já estão vendendo os aparelhos da 4ª geração do Kindle, sem 3G e sem touch screen. O preço é o mesmo prometido no site da Amazon.com.br: R$ 299. Nos EUA, o mesmo modelo pode ser adquirido por US$ 69.

Neste ano que termina, no meio de toda a discussão sobre leitores digitais, muito se falou sobre a possibilidade de se alcançar leitores fora do eixo Rio-São Paulo, e é para Anindeua, cidade vizinha à capital paraense Belém, que a Ponto Frio despachou um de seus primeiros Kindles vendidos, para Vanessa Tourinho. Ela contou ao PublishNews que nunca usou o Kindle, nem seus aplicativos em outra plataforma, e que o preço foi decisivo na escolha do leitor digital.

A ampliação do público consumidor está em sintonia com a política do outro vendedor do Kindle. A Livraria da Vila, que nunca foi vista como grande entusiasta do e-commerce, entra na onda digital para buscar novos mercados, ajudar a formar novos leitores e trazer de volta os que perderam o hábito. Sobre o paradoxo de ter uma livraria ajudando o que todas as outras olham como o apocalipse livreiro, Samuel Seibel, presidente da rede da Vila, afirma que “essa discussão tem sido muito focada no ‘eliminatório’, na ideia de que uma plataforma vai prevalecer sobre a outra. A minha percepção é de que deve haver uma convivência entre as formas de leitura, precisamos criar mais leitores, as livrarias têm de ser centros culturais onde as pessoas tenham vontade de consumir. Talvez mais pessoas se sintam atraídas por esse jeito kide ler”.

A rede paulista, que conta com 6 lojas na capital e uma em Campinas, pode não conseguir levar o Kindle até o Pará por enquanto como a Ponto Frio, mas tem suas cartas na manga. O leitor digital é vendido fisicamente com exclusividade nas lojas da rede até o final de janeiro, e, pelo menos na filial da Fradique, quem comprar um Kindle tem 10% de desconto nas compras de livros físicos, o que ilustra bem a filosofia de coexistência de plataformas da livraria. De qualquer maneira, a Vila também está se preparando para vender conteúdo na loja. Seibel nos conta que a livraria está mudando o sistema para comercializar e-books. O acordo com a Amazon também não restringe a Livraria da Vila à venda apenas do Kindle, mas Samuel quer antes “sentir o que acontece, queremos ser uma livraria que oferece o produto, conserva e amplia seu público”.

O livreiro que declaradamente prefere o livro físico não descarta a possibilidade do livro digital ser uma ameaça, mas não acha que o problema seja uma única empresa [no caso, a Amazon], e sim a forma de leitura como um todo. “Se o público optar por um tipo de leitura que não inclua o livro físico, a ameaça existe sim, mas o que tenho visto é que não há uma eliminação, e sim uma criação de mercado, você divide o bolo com mais pessoas só que o bolo vai ficando maior”, nos conta o presidente.

Assim como o vice-presidente da Amazon David Naggar, que quer vender milhões de aparelhos, Seibel é otimista sobre as vendas do aparelho. “Estamos trabalhando com a expectativa de vender muitos”.

Por Carlo Carrenho e Iona Stevens | PublishNews | 19/12/2012