Amazon vence batalha de preços de eBooks contra Apple na Europa


Autoridades regulatórias decidiram em favor da Amazon em batalha de preços de e-books contra norte-americana Apple na Europa

BRUXELAS | As autoridades regulatórias da União Europeia encerraram uma investigação antitruste sobre preços de livros digitais [e-books] nesta quinta-feira, aceitando uma oferta da Apple e de quatro editoras de afrouxar restrições de preços impostas à Amazon e outros grupos de varejo.

A decisão confere ao grupo de varejo online Amazon a vitória em sua tentativa de vender e-books a preços mais baixos que os dos rivais, em um mercado de rápido crescimento. A Reuters antecipou em novembro que a Comissão Europeia aceitaria a proposta de acordo.

A Comissão Europeia anunciou na quinta-feira que as concessões da Apple e das editoras haviam atenuado a preocupação quanto aos efeitos anticompetitivos de seus acordos de preços.

O compromisso proposto pela Apple e pelas quatro editoras irá restaurar as condições normais de concorrência nesse mercado novo e de rápido movimento, beneficiando os compradores e leitores de e-books“, disse o comissário de concorrência da União Europeia Joaquin Almunia.

A Apple e as editoras se ofereceram para permitir que os grupos de varejo determinem preços ou descontos por um período de dois anos, e suspender por cinco anos os acordos de tratamento preferencial entre elas.

Esses acordos impediam que as editoras Simon & Schuster; HarperCollins, da News Corp; Hachette Livre, da Lagardere SCA; e Verlagsgruppe Georg von Holtzbrinck, controladora da editora alemã Macmillan, assinassem contratos com varejistas rivais que permitissem a elas vender livros a preços inferiores aos da Apple.

Os acordos, que segundo críticos impedem que a Amazon e outros grupos de varejo concorram com a Apple em termos de preço, resultaram em uma investigação antitruste da União Europeia em dezembro do ano passado.

O grupo Penguin, controlado pela Pearson e também sob investigação, não é parte do acordo desta quinta-feira. A Comissão informou que a Penguin ofereceu concessões que devem resolver as queixas das autoridades de concorrência.

Por Foo Yun Chee | © Thomson Reuters 2012 All rights reserved | 13/12/2012

eBook World Tour


Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 13/12/2012

Estive ausente por um tempo. Estava em uma viagem de duas semanas, entre o Brasil, Portugal e Nova Iorque. O furacão Sandy e eu tivemos um pequeno rendez-vous, então não preciso dizer que ter 100 livros não lidos e bateria cheia no meu Nook foi uma benção. E assim duas semanas viraram quatro.

Ainda no espírito da viagem, eu achei que nós poderíamos fazer um tour dos e-books pelo mundo, começando pelo local de nascimento do e-reader moderno, o Japão.

Japão – Além dos romances nos celulares que mencionei no meu último post,  o Japão tem outra mania de leitura digital – o mangá. O mangá móvel é a maior força da leitura digital no Japão, em uma população que consome duas vezes mais livros-texto que a dos Estados Unidos. Do ponto de vista de um publisher é interessante ver que existe uma divisão entre editoras e gráficas. Editores descobrem, fazem a curadoria e comercializam ótimo conteúdo. Gráficas fazem o layout, o projeto gráfico e produzem [fisica ou digitalmente] o meio.

Estados Unidos – Há cobertura suficiente desse mercado, então não é preciso outro gringo para falar sobre ele. Eu acho interessante [e pouco falado pela mídia] que as previsões atuais estimam um mercado de e-book que corresponderá a 50% do mercado editorial até 2016. 50% de um mercado em crescimento. Também acho interessante ver que grandes editoras não estão mais brigando com o mercado de autopublicação, e sim abraçando-o como uma forma de achar bons novos autores. E.L. James vem à mente [estou usando o termo “bom” de forma bem liberal, no sentido de “boas vendas”].

China – Não há cobertura suficiente desse mercado. Pergunta: o que acontece quando você mistura e-readers de US$ 50, e-books de US$ 2 e 1.000.000.000 de assinantes de conteúdo móvel? Resposta: muita leitura digital. E com a política do “filho único”, significa que existem quatro avós e dois pais mimando cada criança no país com todos os aparelhos eletrônicos e e-books que eles desejarem.

Europa – Ah, o velho continente. Reino Unido: 20% de imposto sobre e-books vs. 0% de imposto sobre livro impresso. Suécia: 25% de imposto sobre e-books vs. 6% de imposto sobre livro impresso. Por que se preocupar em entregar conteúdo com maior conveniência e quase zero impacto ambiental quando você pode taxar inovações a ponto de eliminá-las? O que eu acho interessante é como os leitores do Reino Unido preferem consumir o conteúdo no computador a qualquer outro tipo de aparelho de leitura. Quem disse que você precisa de um Kindle para ler um e-book?
 
Brasil – Você achou que eu tinha esquecido? Nunca. Bem, a tinta ainda está fresca no capítulo brasileiro da história do e-book. Mas vale ressaltar: três empresas internacionais respeitadas estreando na mesma semana não podem estar erradas. Nós temos uma população sedenta por qualidade de informação [que passa mais tempo na internet que qualquer outro país]; que valoriza a educação [50% dos livros vendidos são para fins educacionais], e que está aberta a novas tecnologias [uma das maiores taxas de compra de smartphones do mundo]. Pessoas que não descobriram as alegrias da leitura podem descobrir as alegrias da leitura digital.

Vou continuar com meu e-book world tour no Oi Futuro Flamengo, no dia 18 de dezembro, e Oi Futuro Belo Horizonte, no dia 19. Espero vê-los por lá.

Greg Bateman

Greg Bateman

Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 13/12/2012

Greg Bateman, expert em tecnologia e empreendedor do negócio de e-books, é conhecido pelo seu envolvimento na criação de produtos extremamente bem-sucedidos, como os smartphones da Samsung e o Kindle, da Amazon. Na Vook, ele desenvolveu uma eficiente cadeia de produção de centenas de e-books por semana. Greg, que nasceu nos Estados Unidos, viveu nove anos no exterior, onde intermediou várias parcerias envolvendo Coreia, China, Japão e EUA. Hoje mora no Brasil, em São Paulo. Ele é pesquisador visitante da Universidade de Tóquio, tem duas graduações pela Universidade da Califórnia em Berkeley [engenharia elétrica/ciência da computação e literatura japonesa] e um MBA pela Columbia Business School.

A coluna E-Gringo discute a fundo o negócio e o lado técnico dos e-books a partir de uma perspectiva global. Às quartas-feiras, quinzenalmente, ela vai apresentar plataformas e tendências do mundo todo e, claro, do Brasil. Para enviar comentários, escreva para greg@hondana.com.br .

Farinha pouca


Por Julio Silveira | Publicado originalmente em PublishNews | 13/12/2012

A recomposição dos custos editoriais não é para baixar o preço de capa

O mercado de livros digitais ainda não faz cosquinha no faturamento do setor editorial, mas os tártaros que viviam nos ameaçando — Amazon, Apple, Kobo, Google — finalmente chegaram, e em massa. Isso disparou algumas ansiedades nos componentes da cadeia do livro no Brasil, temerosos com a ruptura do seu já precário equilíbrio econômico.

A Associação Nacional de Livrarias incomodou-se a ponto de expedir uma “Carta aberta”, em que ora tenta legislar, ora oferece “sugestões”. Em parte, é uma adaptação da velha demanda pela Lei do Preço Único — que nunca foi atendida nos livros materiais, e que tem menos chance ainda de ser cumprida no caso dos digitais. A primeira sugestão é um intervalo de 120 dias entre a publicação em papel e a digital. Para quem se arvora no argumento de que “menos de um terço dos municípios brasileiros possui ao menos uma livraria”, é um tanto contraditório pregar que em todos os municípios brasileiros tenha-se que esperar quatro meses para ler um lançamento.

Pelo discurso tecnoludista, a carta gerou reações zombeteiras de alguns leitores, que defendiam a gloriosa marcha da concorrência a favor dos leitores, gerando mais livros, mais acesso — e preços menores. Em tréplica mais realista, Milena Duchiade, da venerada livraria Da Vinci, lembrou que ficar esperando a banda passar não é uma opção, e que “nenhuma cadeia é mais forte que seu elo mais fraco. […] Para as livrarias independentes, não sobram muitas alternativas. Quem souber o que fazer, aceitamos sugestões.

Porém a tão esperada redução dos preços para a leitura pode não vir. Ou vir, e não ficar por muito tempo. Carlo Carrenho, que tem, além de tudo, um bacharelado em economia, demonstrouque, pelo menos na planilha, há uma chance de reacomodação de cada componente do custo, permitindo preços menores com as mesmas margens. Uma espécie de “tudo tem que mudar para ficar o mesmo”. Mas quem observa o turbilhão do mercado sabe que, na prática, a teoria é outra.

O preço de e-books é uma questão muito mais cultural do que financeira, e o que as editoras farão — com mais ajuda de cálculo orçamentário do que de marketing — é influenciar um amadurecimento do mercado de e-books em que os preços e as margens se manterão no nível mais alto possível. Na recente TOC Frankfurt, em um painel com editores e autores sobre precificação de e-books, falou-se descaradamente que o preço certo é o máximo que o cliente se dispuser a pagar, e que chegar lá será uma questão de tentativa e erro, de esticar o preço até que o elástico arrebente. Pode-se até observar o fenômeno da variação de preços ao longo do dia, quando as grandes vendedoras espiam-se mutuamente e os algoritmos acham o preço “justo”.

A médio prazo, o quanto pagaremos pela leitura — e mesmo o que teremos para ler — vai depender do equilíbrio entre as editoras [as que se aglomeraram, pelo menos] e os megavendedores que, ao criar o mercado, tentam também criar as regras. A longo prazo, passada a divertida e tensa fase de transição, e superada a insistência de fazer do digital um simulacro do impresso, vamos saber o que enfim será a leitura digital. Que venham logo os tártaros, e que arrasem nossos muros mentais.

Por Julio Silveira | Publicado originalmente em PublishNews | 13/12/2012

Julio Silveira é editor, formado em Administração, com extensão em Economia da Cultura. Foi cofundador da Casa da Palavra em 1996, gerente editorial da Agir/Nova Fronteira e publisher da Thomas Nelson. Desde julho de 2011, vem se dedicando à Ímã Editorial, explorando novos modelos de publicação propiciados pelo digital. Tem textos publicados em, entre outros, 10 livros que abalaram meu mundo e Paixão pelos livros[Casa da Palavra], O futuro do livro [Olhares, 2007] e LivroLivre [Ímã]. Coordena o fórum Autor 2.0, onde escritores e editores investigam as oportunidades e os riscos da publicação pós-digital.

A coluna LivroLivre aborda o impacto das novas tecnologias na indústria editorial e as novas formas de relacionamento entre seus componentes — autores, agentes, editores, livrarias e leitores. Ela é publicada quinzenalmente às quintas-feiras.

Amazon lança loja Kindle na China, mas sem Kindle


An Amazon Kindle displays a section of the Chinese edition of ''Rich Dad, Poor Dad'' at the e-Book corner of the Hong Kong Book Fair July 18, 2012. Credit: Reuters/Bobby Yip

An Amazon Kindle displays a section of the Chinese edition of ”Rich Dad, Poor Dad” at the e-Book corner of the Hong Kong Book Fair July 18, 2012. Credit: Reuters/Bobby Yip

Amazon.com Inc anunciou hoje o lançamento da loja virtual na China, vendendo livros eletrônicos para os aplicativos do Kindle. O lançamento pode abrir o caminho para a venda do aparelho da Amazon, que já recebeu autorização das autoridades reguladoras da China. O porta-voz da Amazon não comentou sobre a venda do aparelho Kindle no país. O mercado de leitura digital é dominado pelos e-readers da empresa Hanwang e e-books da Cloudary’s Bambook, mas muitos chineses compram Kindles no exterior.

Por Melanie Lee | Reuters | 13/12/2012

Amazon americana deixa de enviar livros físicos para o Brasil


AmazonNotícia ruim para quem esperava fazer compras na Amazon americana para o Natal. Desde que começou a vender e-books por aqui na semana passada, a empresa não está mais enviando livros físicos e outros produtos dos EUA para o Brasil. Ainda não há uma data oficial para a Amazon vender Kindles no Brasil.

Por Lauro Jardim | Publicado originalmente em Revista Veja