Editora Novo Século lançará selo digital


Novo ConceitoA Editora Novo Século anunciou que até o fim do primeiro semestre de 2013 será lançado o selo digital “Academia de Autores”. O selo manterá o objetivo da editora de divulgar novos autores brasileiros e chegará ao mercado com um catálogo de, aproximadamente, 70 títulos, sobre temáticas variadas. O anúncio acontece apenas uma semana depois do início da venda de e-books pela Amazon e pela Google Play no Brasil.

Mobile Time | 12/12/2012 às 15h05

Cresce número de adeptos dos leitores de livros digitais


Com o avanço tecnológico, muitos leitores trocaram os livros tradicionais pelos e-books, os livros eletrônicos. Muitos títulos ainda não estão disponíveis na internet, mas os adeptos dessa modalidade de leitura garantem que é bem mais prático do que manter e cuidar de uma biblioteca inteira. Já aqueles que mantêm o hábito da leitura nos livros convencionais, que gostam de folhear, garantem que o velho livro de papel é insubstituível.

A biblioteca particular do escritor Jomar Moraes tem mais de 30 mil títulos. São livros de história, direito, ficção, biografias e literatura. Entre eles o primeiro exemplar dos Anais Históricos do Maranhão, de 1749. Apaixonado pelas histórias contadas nas folhas já amareladas, ele acredita que os livros de papel têm um charme especial.

Acho encantador, sem prejuízo ou demérito para as novas tecnologias. Muitas vezes deixei de comprar uma camisa, um bem, para comprara um livro”, disse o escritor.

Na biblioteca particular o notebook é colocado de lado. Ajuda apenas na hora de catalogar os livros. Mas a forma do brasileiro ler está mudando. Como em todos os setores, o avanço tecnológico chegou também à literatura. De uns tempos pra cá, os livros de papel vem sendo substituídos por edições digitais, também conhecidas como ebooks. Uma forma mais econômica e prática, que a cada dia vem conquistando novos leitores. Guilherme é um bom exemplo disso.

Mesmo em meio a tantos exemplares, o professor de história prefere a leitura dos livros no tablet. A cópia virtual de um exemplar, que pode custar até trinta reais na livraria, é encontrada por até R$ 3. Mas a praticidade de reunir diversos títulos em um único aparelho, é a principal vantagem das edições virtuais.

Em viagens só preciso levar o aparelho, que tem mais de 60 títulos. E se vc vai estudar fora, fazer um curso, uma viagem, basta levar o aparelho. Por isso acho que a praticidade é fundamental para o leitor digital, explicou o professos Guilherme Santana.

Mas tanto o professor, quando o escritor, veem nos livros virtuais um instrumento facilitador para o acesso, cada vez mais cedo, à leitura. “Eu acredito que o ebook é uma solução não só para a praticidade, como também para o hiperlink, que é uma proposta da internet. Você tem a possibilidade de acessar vários autores, várias ideias de forma imediata. Ele diminui as fronteiras”, disse Santana. “Acho que nada vai matar o livro. São formas interativas. Concorrentes, mas interativas, sobretudo para as novas gerações”, concluiu o escritor.

G1 / TV Mirante | 12/12/2012

Executivo que participou da criação do Kindle funda distribuidora de eBooks no Brasil


hondanaMembro da equipe que desenvolveu o primeiro Kindle, em 2006, Greg Bateman identificou o Brasil como um mercado de grandes oportunidades para produzir e-books. Em março de 2012, chegou ao País com as ferramentas necessárias para criar, distribuir e, se os clientes [no caso, as editoras] desejarem, elaborar seu plano de marketing de livros digitais. Assim foi fundada a Hondana, empresa que converte o conteúdo de livros físicos para a plataforma digital e distribui os e-books para grandes livrarias digitais, como a Amazon e a Google Play, recentemente lançadas no Brasil.

Bateman, contudo, não gosta do termo “conversão” para nomear o trabalho feito pela empresa: “Não se trata de apenas converter o arquivo. Na verdade nós criamos conteúdo para o leitor digital, que tem suas especificidades, por meio de uma equipe de mais de cinco profissionais, todos com experiência no mercado editorial. O processo parece simples, mas é muito difícil fazer e-books como o leitor quer”, argumenta.

Diante da complexidade na confecção dos e-books, o preço cobrado depende do conteúdo. Segundo Bateman, a cobrança é feita por página e negociam-se lotes mínimos de dez livros na hora de fechar o contrato com uma editora. O empresário não revela qual a porcentagem recebida pela Hondana com a distribuição nas grandes livrarias digitais. “Porcentagem [em cima do valor de venda do livro] depende do parceiro. A porcentagem recebida nos e-books das editoras grandes é diferente daquela recebida com editoras pequenas, poque para essas últimas costumamos planejar uma estratégia de marketing“, explica.

Há nove meses no mercado, a Hondana é parceira de 20 editoras e já conta com 845 títulos no seu catálogo. Seu fundador estima que, até o fim do ano,sejam criados 1 mil títulos digitais. A expectativa é de crescimento vertiginoso: a projeção é que, no fim de 2013, a Hondana tenha cerca de 10 mil títulos no catálogo. “A Amazon e a Google Play só oferecem, por enquanto, 13 mil livros em português. Ainda é muito pouco. Eles podem ter um catálogo com até 50 mil livros no ano. Hoje, os e-books não representam nem 1% do que é vendido pelas editoras brasileiras, enquanto nos Estados Unidos esse percentual chega a uns 30%”, compara. “Há bastante espaço para crescer. Os brasileiros gostam de tecnologia, de coisas novas”, lembra Bateman.

Por Camila De Carli | Publicado originalmente em Mobile Time | 12/12/2012 às 11h43

Intrínseca comemora vendas no digital


Editora alcança 75 mil e-books vendidos no final de 2012

IntrínsicaAlém do grupo Summus, a Intrínseca também aposta no negócio digital, e chega ao final de um ano de comercialização de livros digitais com 75 mil e-books vendidos – A trilogia Cinquenta tons de cinza lidera os e-books mais vendidos da editora. Os títulos também estão à venda nas principais livrarias eletrônicas, como Google, Kobo, Apple, Saraiva e Amazon. Segundo o editor Jorge Oakim , a expectativa é que as vendas de e-books representem 10% das vendas totais até o final do ano que vem.

PublishNews | 12/12/2012

Grupo Summus investe em livros digitais


O objetivo é alcançar 50% do catálogo em formato digital

Grupo Editorial SummusO Grupo Editorial Summus chega ao final de 2012 com cerca de 100 livros em e-book, sendo boa parte em formato ePub. O grupo firmou parceria com as maiores livrarias digitais, como Livraria Cultura e Kobo, Gato Sabido, Iba [do Grupo Abril], Saraiva, Amazon, Google e Apple. A Summus aposta no lançamento simultâneo do títulos nacionais em livro impresso e e-book – a meta é ter pelo menos 50% do catálogo de mais de mais de mil títulos no formato eletrônico até o fim de 2013 e com isso aumentar em 10% o faturamento do grupo com a venda de livro digitais. Entre os e-books mais vendidos está o título Deixar de ser gordo (selo MG Editores) do psicoterapeuta Flávio Gikovate.

PublishNews | 12/12/2012

Os modelos de negócio estão mudando: é o momento de tentativa e erro


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 12/12/2012 | Tradução: Marcelo Barbão

Mike Shatzkin

O anúncio no final da semana passada de que a Random House está lançando três selos que priorizam o digital foi só o exemplo mais recente de como as editoras estão explorando novos modelos de negócios. Poucos dias antes recebemos a notícia da parceria entre a Simon & Schuster e a Author Solutions fazendo com que a S&S seja a terceira maior editora – depois da titã de publicações cristãs Thomas Nelson e da Harlequin, forte na área de romances – a colocar seu nome no setor de “serviços ao autor”.

A S&S não é a primeira das Seis Grandes a dar este grande passo, a Pearson, empresa coligada à Penguin, comprou a Author Solutions há alguns meses e a HarperCollins comprou a Thomas Nelson no ano passado. Então, na verdade, três das Seis Grandes agora estão envolvidas com serviços ao autor – e são, na verdade, quatro das seis, lembrando a outra recente grande notícia de que a Penguin e a Random House estão em processo de fusão. [E não estou contando iniciativas mais modestas como o “Authonomy” da HarperCollins ou o “Book Country” da Penguin.]

Eu me lembro de ter participado de um painel no Canadá alguns anos atrás com Carolyn Pittis, a pioneira digital, uma pessoa muito inteligente, da HarperCollins, que citou a forma como a maioria das editoras faz negócios – comprando o direito de explorar copyrights e depois monetizando em cima deles – como um dos possíveis modelos de negócios para uma editora. Ela explicitamente mencionou “serviços ao autor” como outra. Isso foi antes de sua empresa ter lançado o Authonomy, alguns anos antes do “Book Country”. Em outras palavras, grandes editoras já estão pensando há um tempo sobre modelos “autor-paga” [assim como os editores profissionais].

Todos eles seguem o caminho da Amazon, que há anos vende à la carte todos os componentes de sua própria cadeia de valores. Recentemente li um e-book chamado “The Amazon Economy” publicado pelo Financial Times [um exemplo de uma editora não especializada em livros ajustando seu próprio modelo de negócios para ser uma editora de livros, falaremos mais disso outro dia] que sugeria que a Amazon na verdade ganha mais dinheiro disponibilizando sua infraestrutura para outros do que vendendo coisas.

Em outras palavras, há um potencial de lucro na desconstrução da cadeia de valor de uma empresa e a venda de acesso a ela em pedaços.

Em certo sentido, as editoras sabem disso há muito tempo. Elas tornaram a parte de suas operações externas ao livro [estoque, distribuição, crédito, recolhimento e vendas] disponíveis a outras editoras há anos. Algumas editoras, como a Random House, transformaram a distribuição em um negócio importante com suas próprias estruturas de gerenciamento dentro da corporação. A Perseus, que é uma editora montada em cima de vários selos pequenos, construiu um serviço de distribuição que possui mais de 300 clientes. A Ingram, cuja operação central é de venda por atacado combinado com a subsidiária Ligthning que montou nos anos 90 para fornecer serviços de impressão sob demanda e, mais tarde, serviços digitais, possui uma oferta de distribuição comparável.

Mas o que a Author Solutions – e vários concorrentes menos robustos [e bem mais baratos] – mostraram é que há uma forte demanda para os serviços que precedem a entrega do livro para a venda.

Não tenho outro método, a não ser a inferência, para saber como a Thomas Nelson e a Harlequin estão fazendo com sua oferta de serviços ao autor baseada na Author Solutions, mas o fato é que a Pearson, empresa-mãe da Penguin, comprou as duas e  a S&S fechou um acordo, e isso certamente sugere que a ASI possui um bom histórico. Claro, eles são líderes do mercado porque ganham dinheiro e ganham dinheiro tendo boas margens. E os preços dos serviços da iniciativa Archway – o projeto da ASI com a S&S – são mais altos do que em outras plataformas. Isso não significa que eles não vão convencer muitos aspirantes a autores a usá-los.

Isso é tudo muito lógico, mas também muito enganador. A maioria das editoras – pelo menos até bem recentemente – considerava os serviços de distribuição que eles oferecem como commodities, ou seja, amplamente disponível e altamente comparável. É verdade que qualquer uma das grandes editoras, muitas das menores, e os distribuidores, além da Ingram e da Perseus, podem distribuir as capacidades centrais: contas ativas com todos os grandes varejistas, a capacidade de fazer negócios com eles e recolher o dinheiro, e a disponibilidade do livro em toda a cadeia de suprimento. Obviamente, todos lutam para serem melhores que os concorrentes e assim justificar seus preços mais altos.

Mas, acima de tudo, o orgulho e a crença da editora em uma diferença qualitativa entre o que oferecem e o que a concorrência resulta em um valor muito maior. As editoras geralmente acreditam em seus editores e marqueteiros mais do que acreditam em suas forças de vendas e estoques. [Gente como eu, há 20 anos em vendas, costumava dizer, com ironia consciente, que havia dois tipos de livros: sucessos editoriais e fracassos de vendas e marketing.] Eles veem seu tempo e sua atenção como algo muito precioso. Eles são muito mais relutantes para tornar este tempo disponível para alugar e, de fato, parece que todos os três acordos de editoras com a Author Solutions têm como base o fornecimento dessa capacidade pela ASI. Elas não vêm das próprias editoras.

Tudo isto significa um desvio de outro componente importante para uma publicação bem-sucedida: a coordenação de todas estas atividades. A publicação bem-sucedida é o resultado de várias pequenas decisões: na edição, na apresentação [tanto do livro em si e do metadado, como cópia de catálogos e press releases, que servem como apoio], e, cada vez mais, nas tags de SEO, sinais sobre “colocação” que estão incluídos no arquivo digital do livro, ou metadado de marketing. Na era digital, estas coisas podem mudar com o tempo. As notícias diárias – sobre votos na ONU ou escândalos sexuais no Pentágono ou qualquer outra coisa – poderiam pedir uma mudança nos metadados de um livro publicado há um mês ou um ano para deixá-lo com maior probabilidade de ser mostrado pelos mecanismos de busca hoje.

[O e-book do FT sobre a Amazon, que eu recomendo, deixa claro que a empresa também vende “coordenação” do lado varejo como um valor adicional extremamente importante, e aparentemente muito apreciado.]

Na verdade, a decisão de colocar mais ou menos esforço em um livro está – ou deveria estar – baseada em uma análise de vendas e tendências de busca, assim como em medidas mais tradicionais, como análise de resenhas.

Nos velhos tempos pré-Internet, publicar livros era como lançar foguetes. A maioria caía na Terra, alguns entravam em órbita. Mas os esforços do editor – na maioria das vezes – se limitavam ao lançamento. Então, a equipe de marketing poderia entrar em ação. Isso não era uma forma de fazer negócios que agradava aos autores, mas era consistente com as realidades do mercado. As grandes redes de livrarias não matinham um título em estoque se seu apelo de vendas não ficasse evidente no caixa em 90 dias. Sem cópias de um título nas lojas, não havia motivo para a editora insistir.

Isso é algo que mudou muito na era digital. Com alguns títulos e gêneros representando metade de suas vendas através de e-books ou vendas online, não há mais limite de tempo em relação à eficiência do marketing. No que é um assunto que vamos certamente explorar em uma conferência futura, isso pode estar causando engarrafamentos nos departamentos de marketing das editoras. Eles não podem mais esperar que os títulos mais antigos continuem abrindo espaço e ao mesmo tempo trabalhar nos mais novos.

A Open Road é uma editora exclusivamente digital que trabalha principalmente, mas não exclusivamente, com catálogos. [Eles parecem estar também se especializando em publicar livros de editoras estrangeiras e em ajudar editoras de livros ilustrados a entrar no mundo dos e-books.] O que me impressionou quando eu me encontrei com eles há um ano foi que eles não distinguiam entre “lançamentos” e “catálogos”. Eles faziam marketing de acordo com o calendário, em eventos e feriados, e não nos livros mais novos. Acredito que isso na verdade trouxe maior relevância a seu marketing. Obviamente, isso também vinha de uma necessidade, pois eles não têm um fluxo de “novos” livros para agenciar. Mas também capitalizaram em cima de uma nova situação, onde os livros não ficam de repente indisponíveis porque as lojas os tiram das prateleiras.

Um produto secundário de vendas de longo prazo é a maior facilidade para as editoras agruparem os livros para o marketing. Agora quatro livros em um tópico similar podem ser unidos, mesmo se tiverem sido publicados meses ou até anos depois. A Open Road faz um amplo uso desta realidade.

Estes são desafios e oportunidades que forçam os editores a repensar a organização de seus departamentos de marketing e a disposição de seus recursos de marketing. É uma oportunidade para uma editora aumentar o valor de um autor se conseguir dar uma nova vida a um livro seis meses ou um ano depois de lançado, quando outros títulos parecidos chegarem ao mercado ou um evento faz com que um livro antigo volte a ser relevante. Como autores estão cada vez mais dispostos a fazer algumas coisas úteis por si mesmos para capitalizar nestas oportunidades, eles ficarão cada vez mais impacientes com as editoras que desistirem dos seus livros cedo demais.

Há coisas que os autores simplesmente não podem fazer. Eles não podem ajustar o metadado e adicionar tags ao livro. Eles não conseguem fazer promoção com as livrarias quando o novo livro de outra pessoa faz com que o dele volte a ser relevante. Autores tampouco têm o benefício de chegar às melhores práticas da marketing e às regras práticas ao examinar os dados de desempenho por vários grupos de títulos: grandes conjuntos de títulos, categorias, vendas comparadas e outros. Estão contando com que as editoras façam isso.

O papel da editora ao coordenar e administrar uma miríade de detalhes sempre foi uma das principais formas de acrescentar valor e pode ser ainda maior na era digital. Mas só se eles realmente fizerem isso, e há uma pequena indicação de que têm esta intenção pelos títulos que estão sendo pagos.

Jane Friedman [a blogueira e consultora para escritores, não a CEO da Open Road] aponta que sua alma mater, Writers Digest e Hay House – a editora vertical em mente-corpo-espírito que conseguiu interagir tão bem com seu público – também fez um acordo com a ASI. Ela aponta que os grandes sucessos que todos conhecemos entre os autores autopublicados – John Locke, Joe Konrath e Amanda Hocking estão entre os mais famosos – não publicaram pela ASI. Jane discorda da promessa da ASI de ajudar editoras a “monetizar manuscritos não publicados”. É difícil discordar que editoras que pagam autores para publicá-los podem estar andando na corda bamba ao ter paralelamente um modelo de negócios onde elas cobram dos autores por serviços que provavelmente não lhe trarão dinheiro.

Por outro lado, a Random House tinha feito uma declaração enfática sobre o valor que editoras legítimas podem trazer com o sucesso de Cinquenta Tons de Cinza, originalmente uma história autopublicada e agora, graças à editora, o maior sucesso comercial de todos os tempos. Nenhum livro autopublicado chegou perto e demorará muito tempo antes de aparecer outro. Vejo que esta postura de privilegiar o digital [no qual eles não são os primeiros, mas parecem ser os primeiros a promover agressivamente a diáspora de autopublicação] como um passo em direção a um modelo de negócio diferente, que reconhece as novas realidades comerciais do mercado editorial. Ele permite a publicação com menores investimentos – os autores nestas editoras digitais dificilmente receberão adiantamentos em níveis próximos aos dos livros da Random House – e talvez receberão menos atenção também. O marketing é simplificado pelo fato de que não se trata de livros impressos e, portanto, não envolve as livrarias. Assim, o limiar da lucratividade é muito mais baixo e, como descobrimos, eles ainda podem decidir dar a qualquer livro nestes novos selos o “tratamento completo” – livros impressos estocados em livrarias – mais tarde, se quiserem.

É muito cedo para julgar se a relação entre editoras e serviços de autores vai agregar valor para todos. Todas essas editoras agora têm ou terão, pelo menos, um grupo estável de autores autopublicados que estão contribuindo marginalmente a eles e que significam um interesse financeiro [mesmo sem investimento inicial]. Há definitivamente um conflito inerente entre, de um lado, tentar lucrar o máximo com um autor contratando serviços editoriais e, de outro, recrutar autores e livros que serão bem-sucedidos comercialmente.

Mas as editoras ainda sabem, mais do que o resto, como fazer para que livros com potencial comercial vendam. Se a ASI e suas editoras parceiras podem encontrar a fórmula para que a promessa inerente de sucesso da marca de uma editora chegue efetivamente aos autores que contratam serviços, será respondido nos próximos meses.

Ter mais empresas tentando descobrir isso certamente melhora as chances de alguém conseguir [e a ASI tem muito interesse em espalhar as melhores práticas quando elas aparecerem]. E com serviços cada vez mais baratos para estes aspectos de autopublicação que realmente são commodities, isso significa que ASI e todos seus parceiros terão de demonstrar de forma bastante convincente que eles podem acrescentar o marketing eficiente a sua oferta mista, isso se quiserem continuar por aqui daqui a dez anos.

Michael Cader e eu estamos fazendo nossa primeira apresentação da Authors Launch, em parceira com nossos amigos na Digital Book World, em 18 de janeiro, sexta-feira, o dia seguinte à DBW 2013. A questão de onde se unem as linhas entre os esforços das editoras e dos autores é um tópico importante. Temos um grande grupo de especialistas para trabalhar: a já mencionada Jane Friedman, junto com Porter Anderson, Jason Allen Ashlock, Dan Blank, o ex-marqueteiro da Random House Pete McCarthy, coautores Randy Susan Meyers e M. J. Rose, Meryl Moss e David Wilk. Entre os editores estão Matt Baldacci da Macmillan, Rachel Chou da Open Road, Rick Joyce da Perseus e Matt Schwartz da Random House. Esta é uma conferência realmente voltada para autores publicados em vez deautopublicados, mas ensinará habilidades e dará ideias a qualquer autor disposto a investir tempo e esforço para vender seu livro.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 12/12/2012 | Tradução: Marcelo Barbão

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

O que os livros se tornarão


Kevin Kelly

Kevin Kelly

UM LIVRO É UMA HISTÓRIA INDEPENDENTE, uma argumentação, ou corpo de conhecimento que leva mais de uma hora para ser lido. Um livro é completo no sentido de que ele contém seu próprio começo, meio e fim.
No passado um livro foi definido como qualquer coisa impressa entre duas capas. Uma lista de números de telefone era chamada de livro, mesmo que não tivesse princípio lógico, meio ou fim. Um maço de páginas em branco, encadernado, foi chamado de livro de rascunhos. Era um objeto descaradamente vazio, mas estava entre duas capas, e portanto foi chamado um livro.

Hoje as páginas de um livro de papel estão desaparecendo. O que é deixado em seu lugar é a estrutura conceitual de um livro — um monte de textos amarrados por um tema em uma experiência de leitura que leva certo tempo para ser concluída.

Já que a “casca” tradicional do livro está desaparecendo, cabe perguntar se sua organização não seria apenas um fóssil. Será que o conteúdo intangível de um livro pode oferecer qualquer vantagem sobre as numerosas formas de texto atualmente disponíveis?

Pode-se passar horas lendo contos bem escritos, reportagens ou ponderando sobre a web e nunca encontrar nada “livresco”. Têm-se fragmentos, comentários alinhavados, vislumbres. E esta é a grande atração da web: uma miscelânea de peças frouxamente conectadas.

EXISTEM livros na web. Muitos deles. Eu postei um dos primeiros livros impressos, de forma integral, na web, em 1994. No entanto, já que você não precisa ultrapassar nenhuma barreira para chegar a estas páginas, o material livresco tende a se dissolver em um emaranhado indistinto de palavras. Sem nada que a contenha, a atenção do leitor tende a fluir para fora, deixando para trás a narrativa central ou discussão. A velocidade do foco móvel cria uma força centrífuga que catapulta leitores para fora das páginas do livro.

Um dispositivo em separado para a leitura pode ajudar. Até agora, temos uma tabuleta [tablet], um bloco [pad], e um objeto que cabe na mão [handheld]. O dispositivo para a mão é o mais surpreendente. Especialistas têm insistido por muito tempo que ninguém iria querer ler um livro em uma pequena tela brilhante de poucas polegadas, mas eles estavam errados. Redondamente errados. Muitas pessoas leem felizes seus livros nas telas de seus telefones.

Na verdade nós não sabemos o quão pequena pode ser uma tela de leitura. Existe um tipo experimental de leitura chamado Apresentação Rápida Visual em Série que utiliza uma tela com a largura apenas de uma palavra. Seu olho permanece parado, fixo em uma palavra, que é substituída pela próxima palavra no texto e então pela seguinte. Desse modo, seu olho lê uma sequência de palavras, uma “atrás” da outra em vez de em uma longa fila lado a lado. A tela não precisa ser muito grande para isso.

Outras telas inovadoras estão tornando-se casa para os livros. A tinta eletrônica [e-ink] reflexiva está destronando o antigo sistema de publicação. Esta tecnologia consiste em uma folha de papel branco que reflete a luz ambiente ao seu redor, coberta com texto escuro capaz de variar. Para o olho comum, o texto sobre este “papel” especial [na verdade, uma folha de plástico] parece tão nítido e legível quanto a tradicional tinta sobre o papel. A primeira geração desta e-tinta em preto e branco fez com do Kindle um best-seller pioneiro.

No atual estágio de e-ink, o “livro” é uma tabuleta, uma prancha, que contém uma única página. A única página é “virada”, clicando em um botão na prancha, de modo que uma página se dissolve em outra página. Uma característica fundamental dos e-books em e-paper é que o tamanho da fonte pode ser ajustado individualmente. Você quer um tipo maior? Basta apertar um botão e o livro reflui inteiramente para a forma desejada.

Uma página de e-ink pode ser do tamanho de um bolso, ou maior; o Kindle já vem em dois tamanhos. Como o uso vai se estabelecendo com o tempo, é provável que encontremos em um e-book a recomendação: “Este livro é melhor visualizado em um tablet tamanho 3.” Você provavelmente vai ter mais de um leitor tamanho 3. O seu favorito pode ser coberto em couro bem gasto e macio, moldado especialmente para sua mão. O e-leitor recomendado para uma revista de arte como a Wired pode ser outro, bem grande. Tão grande que ele ficará somente na mesa de centro.

Porém não há razão para que um e-book só possa ser uma tabuleta. Chegará o dia em que papel de tinta eletrônica será fabricado em folhas flexíveis e baratas. Uma centena dessas folhas pode ser reunida em um maço, ganhar uma lombada e ser recoberta com duas capas atraentes. Dessa forma, o e-book será muito parecido com um livro atual.

Poderemos virar fisicamente suas páginas, navegar o livro em 3D e voltar para um trecho anterior do livro tentando adivinhar a que altura da pilha ele estava. Para alterar o livro, basta tocar em sua lombada, e as mesmas páginas conterão um volume diferente. Já que o uso de um livro 3D é tão sensual, talvez seja melhor comprar um com as páginas mais finas e acetinadas.

Pessoalmente, eu prefiro páginas grandes. Eu quero um leitor de e-book que se desdobre, à maneira de um origami, com uma folha que seja, pelo menos, tão grande quanto um jornal de hoje. Talvez com o mesmo número de páginas. Eu não me importo de tomar alguns minutos para dobrá-lo de volta para um pacote de tamanho de bolso quando tiver acabado de ler. Eu amo poder esquadrinhar múltiplas colunas compridas e saltar entre as manchetes em um plano. O MIT Media Lab e outros laboratórios de pesquisa estão testando protótipos de livros que são projetados por raios laser a partir de um dispositivo de bolso em uma superfície plana que haja por perto. A tela, ou a página, será qualquer coisa que estiver à mão.

Ao mesmo tempo, a tela que vemos pode nos ver. Os pequenos olhos construídos em sua tabuleta, a câmera que você encara, pode ler seu rosto. Protótipos de software de monitoramento facial já podem reconhecer o seu humor, notar quando você está prestando atenção, e mais importante, descobrir em qual parte da tela você está prestando atenção. Ele pode mapear se você está confuso por uma passagem, ou muito entretido, ou entediado. Isso significa que o texto poderia se adaptar à forma como ele é percebido. Talvez ele se expanda em mais detalhes, ou diminua durante uma leitura mais rápida, ou troque de vocabulário quando você tiver dificuldades, ou reaja de uma centena de outras maneiras possíveis. Há inúmeras experiências sendo feitas com o texto adaptativo. Uma delas fornece resumos diferentes de personagens e enredo dependendo do ponto da leitura em que você esteja.

Tanta flexibilidade faz lembrar o tão esperado, porém nunca realizado, sonho de histórias que se bifurquem. Livros que tenham múltiplos finais, ou enredos alternativos. Tentativas anteriores de hiperliteratura encontraram o fracasso entre os leitores. Eles pareciam desinteressados em decidir sobre o enredo, esperavam que o autor tomasse a decisão. Porém, nos últimos anos, histórias complexas, com caminhos alternativos têm sido um sucesso estrondoso em video games. [E, à propósito, há bastante leitura envolvida nesses jogos.] Algumas das técnicas desenvolvidas em domar a complexidade das histórias conduzidas pelos leitores em jogos poderiam migrar para os livros.

Especialmente livros com imagens em movimento. Nós ainda não temos uma palavra para eles. Livros com muitas fotos ainda chamamos de livros ilustrados, livros de mesa de centro [coffee table books] ou livros de arte. Mas não há razão para que as imagens nos livros digitais devam permanecer estáticas. E nenhuma razão para pensar que se tratam de filmes. Em uma tela podemos casar texto com imagens cinéticas, informando-se mutuamente. Texto dentro de imagens em movimento, bem como imagens dentro de textos. Alguns diagramas interativos produzidos pelo New York Times e pelo Washington Post têm chegado mais perto desse casamento entre palavra e movimento.

Esse híbrido de filmes e livros vai exigir um conjunto de ferramentas de que ainda não dispomos. Atualmente é difícil navegar por imagens em movimento, ou analisar a gramática de um filme, ou fazer anotações em um quadro de um filme. O ideal seria manipular imagens cinéticas com a mesma facilidade com que manipulamos o texto — indexação, marcando referências, cortando e colando, resumindo, citando, criando vínculos [links], e parafraseando o conteúdo. À medida que ganharmos estas ferramentas [e habilidades] iremos fazer uma classe de livros altamente visual, ideal para a formação e educação, que poderemos estudar, rebobinar, e estudar novamente. Eles serão os livros a que poderemos assistir ou a televisão que poderemos ler.

Quando uma mesa puder servir-se à exibição de um livro, e um livro puder ser algo a que se assista, teremos de voltar à pergunta do que constitui um livro. E o que acontece quando ele já nasce digital?

O efeito imediato de livros que nasceram digitais é que eles podem fluir para qualquer tela, a qualquer hora. Um livro aparecerá quando for invocado. A necessidade de comprar ou estocar um livro antes de lê-lo já não existirá. Um livro será menos um artefato do que um encadeamento contínuo que flui para a sua visão.

Aqueles que atualmente custodiam os e-books — Amazon, Google e os editores — concordaram em conter sua liquidez, impedindo os leitores de cortar e colar texto facilmente, ou de copiar grandes seções de um livro, ou ainda de manipular o texto mais seriamente. Contudo, no fim e ao cabo, o texto dos e-books será liberado, e a verdadeira natureza dos livros irá seguir seu curso e florescer. Iremos descobrir que os livros nunca quiseram realmente ser listas telefônicas, catálogos de hardware, ou extensos diretórios. Estes são os trabalhos para os quais os sites são muito superiores — com toda aquela atualização e busca — são tarefas para as quais o papel não é adequado. O que o livro sempre quis foi ser anotado, marcado, sublinhado, ter as pontas de suas páginas dobradas, ser resumido, ganhar referências cruzadas, hiperlinks, ser compartilhado, e dialogar. Ser digital lhes permite fazer tudo isso e muito mais.

Podemos ver lampejos dessa primeira liberdade encontrada pelos livros nos Kindles mais recentes. À medida que leio o livro, já posso [com algum esforço] destacar uma passagem que eu gostaria de lembrar. Posso extrair esses destaques e reler minha seleção das partes mais importantes ou memoráveis. Mais importante: com a minha permissão, meus destaques podem ser compartilhados com outros leitores, e eu posso ler os deles. Podemos até mesmo filtrar os destaques mais populares de todos os leito- res, e desta forma começar a ler um livro de uma maneira nova. Eu também posso ler os destaques de um determinado amigo, erudito ou crítico. Isto dá um acesso público maior para a marginália preciosa da leitura atenta de outro autor de um livro [com sua permissão], um benefício de que antes só os colecionadores de livros raros dispunham.

A leitura se torna mais social. Podemos compartilhar os títulos dos livros que estamos lendo, bem como nossas reações e notas à medida que os lemos. Hoje, podemos destacar um trecho. Amanhã, seremos capazes de conectar os trechos. Podemos criar um vínculo [link] de uma frase no livro que estamos lendo a uma frase divergente em outro livro que lemos; de uma palavra em um trecho para um dicionário obscuro; de uma cena em um livro a uma cena equivalente em um filme. [Todos estes truques irão demandar ferramentas para encontrar as passagens relevantes]. Poderíamos assinar o feed da marginália de alguém que respeitamos, assim acessaremos não só a sua lista de leitura, mas a sua marginália — destaques, notas, perguntas, reflexões.

O tipo de discussão inteligente que se tem em clubes do livro, como o Goodreads, pode seguir o próprio livro em si, e ficar mais profundamente entranhada no livro por meio de hiperlinks. Dessa forma, quando uma pessoa cita uma passagem em particular, um link de duas vias conecta o comentário à passagem, e a passagem ao comentário. Até uma boa obra, pouco lida, poderia acumular um conjunto de comentários críticos estilo wiki, fortemente ligado ao verdadeiro texto.

De fato, uma densa “hiperlinkagem” entre livros faria de cada livro um evento de rede. Nesse momento, o máximo que um livro pode fazer é referir-se ao título de outro livro. Se outra obra for mencionada de passagem ou na bibliografia, um e-book ativamente estará linkado a todo o livro. Muito melhor seria um link para um trecho específico em outra obra, uma proeza técnica que ainda não é possível de ser alcançada. Porém quando pudermos criar links profundos em outros documentos na resolução de uma frase, e fazer que esses links sejam biunívocos, teremos livros em rede. Esta, por sinal, foi a visão original de Ted Nelson para o Docuverse. [Ele também previu um sistema de micropagamento e de crédito construído sobre uma economia plenamente literária.]

Você pode ter uma noção de como poderia ser isso visitando a Wikipédia. Pense na Wikipédia como um livro muito grande — uma enciclopédia — o que ela é de fato. A maioria dos seus 27 milhões de páginas está repleta de palavras sublinhadas em azul, indicando que essas palavras são conceitos hiperlink para outro lugar na enciclopédia. A Wikipédia é o primeiro livro em rede. Com o passar do tempo, quando todos os livros tornarem-se totalmente digitais, cada um deles irá acumular o equivalente às passagens sublinhadas em azul quando cada referência literária estiver em rede dentro desse livro e com todos os outros livros. Este hiperlinking profundo e rico tecerá todos os livros em rede em um grande metalivro, a biblioteca universal. Durante o próximo século, os estudiosos e fãs, auxiliados por algoritmos computacionais, unirão os livros do mundo em uma única literatura em rede. Um leitor será capaz de gerar um gráfico social de uma ideia ou uma linha do tempo de um conceito, ou um mapa de rede da influência de qualquer noção na biblioteca. Iremos compreender que nenhum trabalho, nenhuma ideia, está sozinho, mas que todas as coisas boas, verdadeiras e belas são redes, os ecossistemas de peças imbricadas, entidades relacionadas e obras semelhantes.

A Wikipédia é um livro que não só se lê socialmente, mas que também se escreve socialmente, e é famosa por isso. Ainda não está claro quantos livros serão escritos coletivamente. É evidente que muitos trabalhos científicos e técnicos serão construídos por meio da colaboração descentralizada, dada a natureza profundamente colaborativa da ciência. Porém o núcleo central da maioria dos livros provavelmente continuará a ter a autoria de um autor solitário. No entanto as referências auxiliares em rede, discussões, críticas, bibliografia e links em torno de um livro provavelmente serão uma colaboração. Os livros sem esta rede irão se sentir nus.

A biblioteca completa universal, com todos os livros em todas as línguas, em breve estará disponível em qualquer tela. Haverá muitas maneiras de acessar um livro, mas para a maioria das pessoas, na maioria das vezes, qualquer livro será essencialmente de graça. [Você vai pagar uma taxa mensal para “tudo o que você puder ler”.] O acesso será fácil, mas encontrar um livro, ou trazer para ele a atenção vai ser difícil, por isso a importância da rede do livro vai crescer, porque a rede é o que traz os leitores.

Uma peculiaridade de livros em rede é que eles nunca são feitos, ou melhor, que se tornam torrentes de palavras em vez de monumentos. A Wikipédia é um fluxo de edições, como qualquer pessoa que tenha tentado fazer uma citação a ela já se deu conta. Livros também estão se tornando fluxos, uma vez que precursores da obra são escritos, as versões anteriores são publicadas, as correções são feitas, as atualizações acrescentadas e versões revisadas aprovadas, tudo online. Um livro está rede no tempo, bem como no espaço.

Mas por que se preocupar chamando essas coisas de livros? Um livro em rede, por definição, não tem centro, é somente as bordas. Seria a unidade fundamental da biblioteca universal a frase, ou o parágrafo, o capítulo ou o artigo, em vez do livro? Talvez sim. Mas há um poder na forma longa. Uma história independente, uma narrativa unificada e argumentação encerrada exercem uma estranha atração sobre nós. Há uma ressonância natural que atrai uma rede em torno dele. Iremos decompor os livros nas peças e bits que os constituem e os recompor na web, porém a organização de alto nível do livro será o foco de atenção — esse produto escasso em nossa sociedade. Um livro é uma uni- dade de atenção. Um fato é interessante, uma ideia é importante, mas apenas uma história, um bom argumento, uma narrativa bem trabalhada é incrível, e nunca será esquecida. Como Muriel Rukeyser disse: “O universo é feito de histórias, não de átomos.”

Neste momento estamos em uma corrida para encontrar o recipiente adequado para livros digitais. Libertos de suas cascas de papel, os livros parecem precisar mais do que a imensidão aberta da web. Eles gostam da compacidade viral de um PDF, mas não de sua aparência rígida. O iPad é sensual e intimista [como o conteúdo dos livros], mas atualmente é pesado na mão. O Kindle tem a vantagem de concentrar a atenção, o que eles gostam. Os últimos dois recipientes cobram por sua conveniência e interface, o que alimenta os autores. Os livros podem aparecer em qualquer tela, e serão lidos em qualquer lugar onde seja possível, porém estimo que irão gravitar em torno de formas que favoreçam a leitura otimizada.

No longo prazo [os próximos dez a vinte anos] não iremos pagar por livros individuais mais do que pagaremos por músicas individuais ou filmes. Tudo será transmitido em serviços de assinatura paga, de onde você só vai “pegar emprestado” o que quiser. Isso neutraliza a ansiedade de hoje em produzir um recipiente para e-books que possam ser propriedades. Os e-books não serão propriedade de ninguém. Eles serão acessados. O verdadeiro desafio à frente é encontrar um dispositivo de exibição que dará o foco de atenção de que um livro precisa. Uma invenção que incentive você a seguir para o próximo parágrafo, antes da próxima distração. Acho que esta será uma combinação de estímulo por software, interfaces de leitores altamente desenvolvidas e hardware otimizado para a leitura. E livros escritos com esses dispositivos em mente.

TEXTO DE KEVIN KELLY INCLUÍDO EM LIVRO LIVRE, PUBLICADO ORIGNALMENTE AQUI.