Livro digital pode dar impulso ao mercado editorial no país


Para um país de mais de 5.500 municípios e apenas 3.481 livrarias, a perspectiva de desenvolvimento do mercado de livros digitais, fortalecida agora com a abertura das filiais brasileiras da Amazon, Kobo e Google – a Apple também já vende e-books nacionais, mas faz isso a partir de sua loja internacional, o que torna o livro mais caro -, é vista com bons olhos por quase todos.

Poder comprar um lançamento no dia em que as livrarias paulistas e cariocas recebem os títulos era, até agora, algo impensável para leitores do interior desses Estados ou para os das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, as que mais sofrem com a falta de lojas, segundo levantamento da Associação Nacional de Livrarias. Hoje, tendo um e-reader – há modelos a partir de R$ 299 -, o leitor compra e recebe instantaneamente – assim é esperado – a obra. E também não gasta com frete.

Abre-se caminho, também, para autores que não têm espaço em editoras tradicionais e autopublicam seus livros, oferecendo-os para leitura digital e impressão sob demanda – outro mercado que tende a crescer.

Passada a fase da insegurança, as editoras, que tinham medo da pirataria e de que os e-books arruinassem o negócio do livro impresso, seu ganha-pão e uma indústria consolidada no Brasil, também estão animadas com a ampliação da área de atuação. Sabem que seu futuro caminha para a produção e distribuição de conteúdo. Onde o consumidor vai ler esse material é decisão dele.

O investimento é alto e foram quase dois anos de preparação para se chegar até aqui – calcula-se que existam 8 mil e-books brasileiros, o dobro de um ano atrás. Essas editoras frequentaram congressos no Brasil e no exterior sobre o tema, observaram os erros e acertos das editoras internacionais e, por fim, colocaram a mão na massa: revendo os contratos com os autores, convertendo os arquivos e discutindo meses a fio os contratos que começam a assinar com esses grandes players, que chegam agora para o terror das pequenas e médias livrarias.

Elas, que resistem bravamente, têm receio de que o digital precipite o funeral das lojas de rua – fenômeno observado nos Estados Unidos e na Inglaterra e que a França tenta conter com uma série de medidas estatais. Aqui, a Associação Nacional de Livrarias pede, em carta endereçada a Dilma Rousseff, Marta Suplicy, editoras e entidades do livro, que a versão digital seja lançada 120 dias depois da versão em papel e que o desconto não ultrapasse 30%. Tudo para não tirar as lojas independentes do jogo. Mas, se elas quiserem vender e-book, também podem, já que há uma série de empresas oferecendo e-bookstores terceirizadas. Contrata-se o serviço, o site vira uma loja virtual e uma distribuidora fica responsável pela venda. O lucro é dividido.

Nem tudo são flores também para as editoras. Para fazer frente às gigantes de tecnologia, algumas delas se uniram para criar a também gigante DLD, que reúne e negocia o conteúdo digital de editoras como a Record, a maior do país, e a Novo Conceito, uma das editoras com maior número de títulos nas listas de mais vendidos. Outras se mantiveram sós, firmes na negociação, como a Companhia das Letras que, durante um ano e meio de idas e vindas, no caso da Amazon, discutiu item por item do contrato. Uma postura prudente – as editoras estrangeiras que o digam.

A oferta de e-readers com preços competitivos e livros mais baratos – editores optaram por descontos em torno de 20%, 30% – são passos importantes para o desenvolvimento do mercado digital e para o acesso ao conhecimento. Mas isso não é tudo. O Brasil não é, ainda, um país de leitores – lê-se, em média, quatro livros por ano, contando a leitura obrigatória na escola. Portanto, não é um grande consumidor de livros.

O que movimenta quase um terço do mercado editorial brasileiro, estimado pela Fipe em R$ 4,8 bilhões, e sustenta muitas editoras, são as compras governamentais. O governo ainda não compra e-book, mas começa a adquirir obras em CD-Rom. Quando o livro digital estiver na mira dos ministérios e secretarias, aí sim todo o investimento poderá ser compensado. A Amazon sabe disso e, antes de inaugurar sua loja, já conversava com o Ministério da Educação.

Hoje, editoras dizem que o faturamento com o digital não chega a 1% do total das vendas. Algumas casas preveem que o valor chegará a 10% em 2013 – isso, só contando com os leitores que embarcarem na leitura digital ou os adeptos da compra por impulso, também bastante comemorada pelo setor. Quando as compras governamentais começarem, a história ganhará outro importante capítulo.

Por Maria Fernanda Rodrigues | O Estado de S.Paulo | 06/12/2012

Com livros digitais, Amazon inicia operação no Brasil


A Amazon acaba de iniciar suas operações no Brasil, após ter assegurado o catálogo digital das mais importantes livrarias do país.

A empresa fechou na semana passada acordos com a Companhia das Letras e com a Intrínseca, editora que detém o título “Cinquenta Tons de Cinza”, um dos mais vendidos no momento.

Há duas semanas, a empresa já tinha firmado acordo com a DLD [Distribuidora de Livros Digitais], que reúne as editoras Sextante, Rocco, Objetiva, Record, Novo Conceito, LP&M e Planeta.

O site brasileiro da Amazon estreou apenas com livros digitais e mais o leitor Kindle. A empresa prevê montar uma operação completa de e-commerce, mas ainda não há data para isso.

O Kindle Fire, tablet da Amazon, que iniciou suas operações no Brasil nesta quinta-feira

O Kindle Fire, tablet da Amazon, que iniciou suas operações no Brasil nesta quinta-feira

O acordo da Companhia das Letras com a Amazon acontece um mês depois de a editora assinar com a iBookstore, da Apple.

O catálogo digital da Companhia das Letras já soma 537 títulos. Até o fim deste mês serão 600 – três vezes mais do que em janeiro.

As vendas de janeiro a outubro já superam em duas vezes as vendas de livros digitais do ano passado.

Dos 400 livros digitais lançados neste ano, cerca da metade é novidade, e metade é livro de catálogo.

Em um comunicado enviado para a imprensa, a Amazon ressalta que oferece mais de 1,4 milhão de eBooks aos consumidores brasileiros com preços em reais, incluindo mais de 13 mil eBooks em português.

Estamos entusiasmados em lançar esta nova Loja Kindle para consumidores brasileiros que oferece os best sellers mais populares de muitos dos grandes escritores brasileiros, todos com preço em reais“, diz Alexandre Szapiro, vice presidente do Kindle do site da Amazon no Brasil.

A empresa anuncia ainda que o Kindle será vendido no país, mas não definiu a data de início das vendas. O preço sugerido ao varejo será de R$ 299.

“Com o lançamento dos aplicativos de leitura gratuitos do Kindle em português, qualquer pessoa com um smartphone ou tablet Android, iPhone ou iPad, PC ou Mac pode começar a ler os eBooks Kindle hoje”, conclui Szapiro.

Publicado originalmente em Folha de S.Paulo | 06/12/2012, às 15h55

Rival do Amazon Kindle, Kobo Touch é boa opção para ler eBooks brasileiros


E-reader lançado no Brasil pela Livraria Cultura pode ser usado com livros adquiridos em outras lojas no país

O mercado brasileiro de e-readers, os leitores de livros eletrônicos, carece de boas opções. A Livraria Cultura, em parceria com a Kobo, tenta mudar esse cenário.

A Kobo, que pertence à empresa japonesa Rakuten, é uma das principais marcas de e-reader do mundo. Seus aparelhos concorrem de igual para igual com os da Amazon [Kindle], os da Barnes & Noble [Nook] e os da Sony.

Na semana passada, a Cultura lançou no Brasil o Kobo Touch, modelo com tela sensível ao toque que foi anunciado nos EUA em maio do ano passado.

O Kobo Touch, leitor de livros eletrônicos (e-books) lançado no Brasil em parceria da fabricante com a Livraria Cultura, tem tela sensível ao toque

O Kobo Touch, leitor de livros eletrônicos [eBooks] lançado no Brasil em parceria da fabricante com a Livraria Cultura, tem tela sensível ao toque

Leve [185 gramas] e compacto [11,4 x 16,5 x 1 cm], ele tem construção sólida e resistente, com uma agradável textura nas costas. O acabamento emborrachado garante uma pegada firme – o aparelho escorrega menos nas mãos. É vendido em quatro cores: preto, prata, lilás e azul.

Um botão na frente do aparelho, abaixo da tela, leva o usuário à tela inicial. Outro, no topo, serve para ligar, desligar ou colocar para dormir. Na parte inferior, há uma porta micro-USB, para conexão ao computador e carregamento da bateria. Um buraco na lateral esquerda serve como leitor de cartão microSD – recurso ausente no Kindle, que não permite aumentar o espaço de armazenamento.

O Kobo não tem botões físicos para mudar a página, o que é uma pena, pois eles facilitam o manuseio do aparelho com apenas uma mão. Botões laterais, como o do Kindle Keyboard e o do Nook Touch, permitem folhear o livro com a mesma mão que segura o e-reader – basta pressioná-los com o polegar. Sem eles, é necessário deslocar o polegar até a tela para mudar a página, o que não é trabalhoso, mas exige maior cuidado e esforço ao segurar o aparelho.

A resposta ao toque na tela costuma ser rápida, mas as falhas são frequentes. Felizmente, elas raramente ocorrem ao folhear o livro – são mais comuns ao digitar, selecionar palavras no meio do texto ou tocar ícones nos cantos da tela. A borda do aparelho, alta em relação à tela [devido à tecnologia de infravermelho usada para detectar os toques], também atrapalha o acesso aos comandos nos cantos, além de causar uma pequena sombra sobre a margem da página, a depender da iluminação ambiente.

PAPEL ELETRÔNICO

A tela do Kobo usa tecnologia de papel eletrônico E Ink, presente nos principais modelos de e-reader do mercado. Ela consome pouca energia, permite a leitura mesmo sob a luz do Sol, oferece bom ângulo de visão e, teoricamente, cansa menos os olhos do que telas de LCD, por exemplo. Por outro lado, tem baixa taxa de atualização, o que deixa animações e transições lentas e travadas.

Nos próximos parágrafos, falo um pouco mais sobre o E Ink. Se o assunto não lhe interessa, pule para o infográfico, mais abaixo.

Grosso modo, a tinta eletrônica da E Ink é formada por uma camada de microcápsulas que fica entre dois elétrodos [nesse caso, placas condutoras de corrente elétrica]. Cada microcápsula tem o diâmetro de um fio de cabelo e leva em seu interior um fluido claro com partículas brancas [com carga elétrica positiva] e pretas [carga negativa] que se movem conforme a carga elétrica aplicada no elétrodo inferior.

Uma carga positiva no elétrodo inferior empurra as partículas brancas para o topo da microcápsula, deixando-as visíveis através do elétrodo superior, que é transparente – assim, a tela fica branca. Do mesmo modo, a aplicação de uma carga negativa faz com que as partículas pretas subam e escureçam a superfície da tela. A combinação dessas partículas pretas e brancas forma a imagem exibida pelo papel eletrônico.

Seu consumo de energia é baixo basicamente por dois fatores: ele não tem iluminação própria, e a retenção da imagem estática na tela não gasta energia.

Diferente de telas que são iluminadas com luz traseira [backlight], como as de LCD, o papel eletrônico é reflexivo, ou seja, reflete a luz ambiente – artificial ou natural [solar]. Por não emitir a própria luz, ele supostamente cansa menos os olhos do usuário e consome menos energia, mas normalmente não é legível no escuro sem o auxílio de iluminação auxiliar.

Outras características comuns do papel eletrônico são o bom ângulo de visão, que permite uma boa legibilidade mesmo a partir de uma posição não perpendicular dos olhos em relação à tela; a baixa taxa de atualização, o que torna animações e transições – como mudanças de página – um tanto lentas; e o “ghosting” – tendência a exibir “fantasmas” [resquícios de uma imagem anterior] – geralmente solucionado com uma atualização completa da tela antes de formar a nova imagem.

O papel eletrônico implantado em e-readers geralmente exibe imagens apenas em preto e branco. Existem modelos coloridos, mas seu uso é bastante limitado ou deixa a desejar.

Kobo TouchTELA

A resolução da tela do Kobo [600 x 800 pontos] é boa, mas inferior à dos e-readers mais modernos, que exibem desenhos e textos mais nítidos. A diferença é perceptível principalmente em caracteres menores e linhas mais finas.

Como ela tem superfície fosca, seu reflexo raramente incomoda.

A mudança de páginas ocorre com rapidez, e é possível definir o número de páginas viradas a cada atualização completa da tela – que elimina os artefatos visuais [“fantasmas”] que se acumulam a cada troca de página.

No geral, a experiência de leitura é agradável. Se julgar necessário, você poderá configurar itens como fontes tipográficas, tamanho dos caracteres, espaçamento entre as linhas, tamanho das margens e tipo de justificação. Nisso, o Kobo ganha de lavada do Kindle, que oferece opções bem mais limitadas de ajuste para a leitura.

O dicionário embutido funciona bem. Ao deixar seu dedo sobre uma palavra, uma janela aparece mostrando suas acepções. Há também a opção de traduzi-la, mas aparentemente o recurso não identifica automaticamente o idioma da palavra selecionada. O software identifica bem variações como plurais e conjugações verbais.

O aparelho ainda permite que você destaque trechos de livros e acrescente anotações. Tanto esses recursos quando os dicionários, porém, só funcionam com arquivos de alguns formatos. Nos meus testes, consegui usá-los apenas com livros em EPUB – o padrão nos livros para o Kobo e o mais comum [com o PDF] nas lojas on-line brasileiras, mas diferente do usado pela Amazon. O Kindle, por outro lado, não lê arquivos em EPUB, mas oferece um suporte melhor a PDF, com dicionário e anotações.

FORMATOS

Uma das principais atrações do aparelho é o suporte a diversos formatos de arquivo, mas o recurso ainda precisa melhorar bastante. É justamente quando você tenta ler arquivos que não usam o formato EPUB que a leitura no Kobo deixa de ser agradável.

Além das limitações no uso de dicionários e anotações, é normal ver travamentos e lentidão com livros em formatos como MOBI, PDF e até TXT. Durante os meus testes com arquivos de diferentes tipos, tive que reiniciar o Kobo diversas vezes, pois ele simplesmente parava de funcionar –isso quando o aparelho não fazia a reinicialização por conta própria, repentinamente.

É possível ler histórias em quadrinhos nos formatos CBR e CBZ, mas o tamanho diminuto da tela atrapalha.

O Kobo também sofre ao lidar com grandes quantidades de arquivos em diferentes formatos. Coloquei nele mais de 600 itens – entre livros, documentos e imagens–, mas a biblioteca do aparelho mostrava apenas cerca de 400. Vários livros em EPUB não apareciam listados. Para eles aparecerem, tive que apagar alguns arquivos e mudar uma pasta de local. Trabalhoso.

Copiei os mesmos arquivos para um Kindle. Como ele não suporta EPUB, listou um número bem menor de itens, mas, diferentemente do Kobo, exibiu todos os arquivos que tinham formatos compatíveis.

Ao fazer esse teste, tive que apagar algumas das histórias em quadrinhos que havia selecionado, pois o espaço de armazenamento do Kobo é limitado – são apenas 2 Gbytes, dos quais pouco mais de 1 Gbyte pode ser usado. Segundo a Kobo, 1 Gbyte é o suficiente para cerca de mil livros – pode ser pouco, porém, para quem deseja lotar o negócio com itens em PDF e histórias em quadrinhos. Para isso, é recomendável usar um cartão de memória microSD.

Mas o melhor mesmo é evitar colocar muita coisa no aparelho. Até porque a navegação pela biblioteca é muito ruim – faltam opções de filtros para você achar um determinado arquivo, e procurá-lo por dezenas de páginas é cansativo. A solução é usar a busca.

Navegar pela loja da Kobo é ainda mais frustrante, pois o carregamento de cada página é lento demais. Novamente, o jeito é usar a busca. Ou desistir de comprar pelo aparelho e usar um computador – ou, ainda, ir a uma loja física.

O e-reader tem quatro recursos que a Kobo define como extras: o navegador de web, que funciona muito mal e tem poucas funcionalidades [é bem inferior ao do Kindle]; o sudoku, com quatro níveis de dificuldade; o xadrez, com cinco níveis de dificuldade; e o sketchbook, um aplicativo ultrabásico para desenho e anotações.

Assim como seus principais concorrentes, o Kobo não tem suporte a áudio – não há alto-falantes nem saída para fone de ouvido. Para usar audiolivros ou algum recurso de leitura de texto [text-to-speech], você pode recorrer a um celular ou um tablet – ou, ainda, ao velho e bom Kindle Keyboard.

O Kobo também não tem opção de modelo com conexão a redes 3G, uma desvantagem em relação ao Kindle.

O aparelho vem apenas com um cabo USB, sem adaptador para ligá-lo à tomada. Para carregar a bateria [que dura cerca de um mês, segundo a Kobo], você pode conectar o e-reader ao computador – ou usar o carregador do seu celular, por exemplo.

O que vem por aíKOBO OU KINDLE?

Apesar das falhas, o Kobo Touch é um bom e-reader e, no Brasil, tem apenas um concorrente.

Mas é um concorrente e tanto: o Kindle, que começou a ser anunciado nesta quinta-feira [6] no site brasileiro da Amazon. As vendas começam “nas próximas semanas” com o “preço sugerido” [termo curioso –ou o e-reader não será vendido pela própria loja?] de R$ 299.

O modelo anunciado no Brasil é o mais básico, que leva apenas o nome Kindle e não tem tela sensível ao toque – recurso presente no Kobo Touch, vendido pela Livraria Cultura por R$ 399.

Mais do que detalhes técnicos, porém, o que deve guiar a escolha do seu e-reader é o catálogo de obras disponível para ele.

Escolher um e-reader é, também, escolher uma provedora de conteúdo. Nos EUA, por exemplo, quem é cliente ou prefere o catálogo da Barnes & Noble tem o Nook como a melhor opção; os fãs da Amazon devem escolher o Kindle. Talvez a maior desvantagem do Kobo nos EUA, aliás, seja exatamente o seu catálogo, que é bem menor do que o dessas duas.

E no Brasil, é melhor comprar um Kindle ou um Kobo?

A maioria dos potenciais compradores de e-reader no Brasil provavelmente deseja ler principalmente livros editados no país. E é para essa massa que a escolha é mais complicada, pois o nosso mercado de e-books ainda é bastante imaturo. Muitas obras ainda não ganharam formato eletrônico, poucas livrarias têm uma plataforma digital decente, e é difícil prever o que acontecerá no futuro próximo. As editoras apostarão mesmo nos e-books? Elas favorecerão algum formato? Como vai se desenvolver a relação delas com as lojas e os consumidores? Haverá outra loja forte além da Amazon e da Cultura? Isso tudo, entre outras coisas, pode fazer com que você se arrependa de ter um comprado um determinado e-reader. Ou dar-lhe a certeza de que fez um bom negócio.

Com isso, o melhor é esperar – até porque modelos melhores não devem demorar muito para chegar ao país.

Para quem não pode esperar e quer comprar já, listo três quesitos que podem ajudar na escolha:

1] Catálogo em português. A maioria das lojas brasileiras que vendem e-books trabalha com o EPUB, formato compatível com o Kobo e incompatível com o Kindle. A Amazon vende livros apenas para o Kindle. Procure descobrir qual catálogo é o melhor – o resultado poderá depender das preferências literárias de cada um. Quem gostar mais do da Amazon deverá escolher o Kindle; quem preferir o das lojas que trabalham com EPUB [Cultura, Saraiva etc.] deverá optar pelo Kobo.

2] Catálogo em outras línguas. Quem quiser ler bastante em inglês deve escolher o Kindle, pois o catálogo da Amazon é seguramente superior ao da Cultura nesse idioma. Para ler em outras línguas, o processo de escolha é mais complicado e pode variar com o país e o idioma. Em alguns, o catálogo da Amazon será superior – ponto para o Kindle. Em outros, pode haver ausência da Amazon ou presença de rivais à altura da gigante norte-americana – ponto para o Kobo, se esses rivais venderem livros no formato EPUB.

3] Características técnicas. O Kobo leva vantagem em pelo menos dois quesitos: o aparelho em si – que tem tela sensível ao toque, leitor de cartão microSD e mais opções de ajuste de leitura – e, mais importante, o suporte ao EPUB.

A Amazon usa formatos proprietários de e-book, o que “tranca” o usuário. Basicamente, livros para o Kindle só podem ser comprados na própria Amazon e lidos com os e-readers e os aplicativos da própria Amazon – estes, por sua vez, não oferecem suporte ao popular formato EPUB.

Ao usar o EPUB como padrão, o Kobo oferece mais liberdade. Livros em EPUB podem ser comprados em diversas lojas e lidos com e-readers e aplicativos de várias empresas.

Uma vantagem do Kindle sobre o Kobo é o melhor suporte a arquivos em PDF, mas tablets são mais adequados para ler conteúdo nesse formato.

Por fim, quem já tem títulos nos mais diferentes formatos e não quer comprar mais de um e-reader pode lê-los com aplicativos para celular, tablet ou computador, mas sem o conforto da tela de papel eletrônico.

FUTURO

A Livraria Cultura planeja lançar mais três aparelhos com a marca Kobo no primeiro trimestre do ano que vem: o tablet Arc e os e-readers Mini e Glo. Se você puder esperar até lá, os dois últimos podem ser opções melhores do que o Touch.

O Mini parece ser um bom aparelho para quem quiser um modelo mais compacto, e o Glo, com iluminação embutida e tela com melhor resolução [758 x 1.024 pontos], é uma evolução do Touch – superior a ele em praticamente todos os aspectos.

Nos EUA, a Amazon vende outros modelos de Kindle – os e-readers Paperwhite e Keyboard e o tablet Fire.

Lançado em 2010, o Keyboard é o Kindle mais antigo ainda à venda. Sem tela sensível ao toque, tem um teclado físico especialmente útil para fazer anotações.

O Kindle Paperwhite é o e-reader topo de linha da Amazon. Assim como o Kobo Glo, tem tela de alta resolução sensível ao toque e iluminação embutida.

A Amazon não informa se e quando esses modelos chegarão ao Brasil.

Por Emerson Kimura | Publicado originalmente em Folha de S. Paulo | 06/12/2012

Amazon fecha contrato com 90 editoras para loja Kindle no Brasil


SÃO PAULO | A Amazon fechou contrato com 90 editoras para oferecer livros digitais em português na loja do Kindle lançada hoje no Brasil. “Queremos trabalhar com todas as editoras do Brasil“, disse David Naggar, vice-presidente de conteúdo do Kindle.

Naggar afirmou que o leitor digital Kindle estará disponível nas próximas semanas, mas não precisou a data. Hoje foram colocados à venda apenas as obras digitais – 1,4 milhão de títulos, incluindo 13 mil em português.

A Amazon espera vender “milhões” de Kindles no Brasil nos próximos anos. “Brasileiros são apaixonados por tecnologia e por leitura“, disse o executivo. Para ele, a loja e o preço vão atrair os consumidores.

O leitor digital Kindle vai custar R$ 299. O aparelho Kobo, da japonesa Rakuten, vendido pela livraria Cultura custa R$ 399.

O executivo não deu detalhes sobre o funcionamento da operação no país e os contratos com as editoras. Naggar também não comentou a previsão do lançamento da loja virtual da própria Amazon no país.

Sobre a demora para fechar contratos com as editoras e lançar a loja do Kindle no Brasil, o executivo afirmou que não existe hora certa e que não comenta rumores. O momento correto para iniciar a operação, disse ele, era quando estivéssemos prontos. “Estamos muito felizes com a evolução no Brasil”, disse.

Naggar não comentou sobre os preços dos livros na loja do Kindle. O Google, que começou a vender livros virtuais no Brasil em sua loja Play Store hoje, terá títulos 30% mais baratos que a versão impressa. O executivo disse que a decisão sobre o calendário de lançamentos das versões impressa e digital de cada obra fica a cargo das editoras.

Por Adriana Meyge | Publicado originalmente em Valor Econômico | 06/12/2012 | © 2000 – 2012. Todos os direitos reservados ao Valor Econômico S.A.

Escolas e recursos digitais: sim ou não?


Por Gabriela Dias | Publicado originalmente em PublishNews | 06/12/2012

O ano vai chegando ao fim, e com isso a agitação nas editoras escolares atinge seu ponto máximo [ou quase]. Como serão as vendas e adoções em 2013? E que impacto os novos produtos digitais vão ter no mercado?

Ainda não dá para ter clareza dos números, mas o fato é que a oferta eletrônica para as escolas particulares cresceu bastante – seja em decorrência do PNLD 2014, seja como parte de outras estratégias.

Ainda o “efeito PNLD”

Como já adiantado nesta coluna, a entrada do MEC nessa seara parece ter sido um fator decisivo para os lançamentos digitais, já que boa parte é voltada para o segmento do último PNLD [6º a 9º anos]. Os exemplos incluem produtos de editoras como SaraivaSM e Leya.

Há também estratégias mais amplas, como no caso da Moderna e >Ática, que estão lançando recursos digitais tanto para coleções dos anos finais do Ensino Fundamental quanto para o Ensino Médio.

Correndo por fora, há os sistemas de ensino, que vêm oferecendo esse tipo de recurso até há mais tempo do que as editoras. Nesse front, a grande novidade veio do UNO – agora com um modelo internacionalamplamente baseado na introdução do iPad em sala de aula.

Oferta x demanda

Em meio a tanto lançamento, a pergunta que se faz necessária é: será que existe demanda nas escolas brasileiras para tudo isso?

A julgar pela 2ª Feira do Livro Digital, ocorrida em 14 de novembro no colégio Santa Cruz [São Paulo], a resposta é sim. E não!

Nesse evento “dirigido a escolas, editoras, autores e desenvolvedores de conteúdo digital”, professores de escolas da elite paulistana encararam temas como “Experiências com o Kindle em sala de aula”, “Impactos da mudança na produção e no consumo de conteúdo digital” e “Uso de apps abertos para produção didática”. Em paralelo, editoras e fabricantes de soluções tecnológicas deram palestras e apresentaram seus produtos.

Muitas vezes, o tom era de decepção com as editoras. “Começamos a usar o iPad na escola há um ano e meio, mas elas não estavam preparadas”, disse o coordenador de tecnologia educacional da Escola Internacional de Alphaville, Francisco Mendes. Hoje, a escola usa cerca de 200 aplicativos recomendados pelos professores, a maioria em inglês – não só por ser bilíngue, mas por “quase não haver opção no mercado nacional”.

A mesma reclamação foi feita pelo professor Paulo Fontes, da Albert Sabin. Segundo ele, “ainda há carência de apps nacionais adequados para os conteúdos com os quais se trabalha na escola”.

Tais declarações soam como demanda editorial reprimida. O negócio é que as ofertas das editoras estão indo por outro caminho, centrado basicamente nas premissas do MEC [livros interativos e objetos digitais] – além de alguns adendos ocasionais, como recursos de Sistema de Gestão de Aprendizagem, conhecido como LMS [do inglês Learning Management System].

Enquanto isso, na sala dos professores…

Parte das escolas relatou experiências avançadas com recursos digitais – sejam eles livros ou não. Para a professora Cleide Diniz, do Colégio Marista Arquidiocesano, a inserção do tablet em sala de aula “atrapalha um pouco a lógica do livro, altera o currículo, muda a didática”.

Já os colégios Dante e Bandeirantes enfatizaram atividades de protagonismo e autoria com o uso de tablets – em que professores e alunos produzem o próprio conteúdo em plataformas como iBooks [Mac/iPad] ou Moglue [PCs e Macs/Android e iPad]. Para Maria Isabel Roux, professora do Santa Cruz, a “autoria do professor faz com que ele se sinta incluído”.

O negócio [de novo] é que as editoras estão oferecendo produtos digitais em que alunos e professores, em geral, só podem comentar o conteúdo.

Sim e não

Portanto, SIM, há demanda – mas nem sempre ela é apenas por livros fantasiados de “digitais”.

É claro que as escolas top lá no Santa Cruz não refletem a maioria do universo educacional brasileiro – bem longe disso. Mas elas representam uma parcela do mercado particular que, no mínimo, é formadora de opinião – pelo sim, pelo não, é melhor ficar atento ao que elas dizem.

Afinal, os paradigmas estão mudando rápido, e quem não se comunicar pode se trumbicar, como já dizia o velho e bom Chacrinha.

Por Gabriela Dias | Publicado originalmente em PublishNews | 06/12/2012

Gabriela Dias

Gabriela Dias

Gabriela Dias [@gabidias] é formada em Editoração pela ECA-USP e transita desde 1996 entre o papel e o virtual. Atualmente, presta consultoria e realiza projetos nas áreas de educação e edição digital.

A coluna Cartas do Front é um relato de quem observa o mercado educacional no Brasil e no mundo. Periodicamente, ela traz novidades e indagações sobre o setor editorial didático – e sobre o impacto da tecnologia nos livros escolares e na sala de aula.

Autores independentes ganham plataforma na Amazon


Kindle Direct Publishing paga 35% das vendas aos autores

A Amazon veio e trouxe consigo sua plataforma de autopublicação Kindle Direct Publishing, conhecida como KDP. Autores independentes brasileiros podem vender seus títulos autopublicados na loja do Kindle, disponibilizando-os assim para 175 países. Apesar de vender milhões de títulos mundo afora, o escritor Paulo Coelho entrou na onda da autopublicação e está vendendo 13 e-books pela plataforma.

O serviço é gratuito, e o autor ganha 35% das vendas como direito autoral. Existe a opção de receber 70% das vendas com royalties, pelo serviço KDP Select, que torna os títulos exclusivos para o Kindle e oferece algumas ferramentas de promoção dos livros publicados.

Nesse aspecto, a Amazon chegou antes da Kobo. Apesar da empresa canadense ter grandes planos para a autopublicação, inclusive uma versão em português de sua plataforma Writing Life, ainda não há perspectiva de quando ela vai inaugurar por aqui.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 06/12/2012

Google abre loja brasileira


Players internacionais chegaram todos no mesmo mês

Apple, Kobo, Amazon e Google. Estão todas aqui. A loja da Google https://play.google.com/store abriu um pouco antes da meia-noite desta quinta-feira, 06/12, 35 minutos antes da abertura da loja da Amazon e horas depois do lançamento da Kobo na Livraria Cultura. Como livros em destaque aparecem os já esperados da série “Cinquenta tons” e “Crônicas de Gelo e Fogo”, assim como best-sellers de auto-ajuda Encantadores de vidas e Ágape. O preço dos e-books na nova store brasileira é o mesmo do das lojas online das editoras:Cinquenta tons de cinza, por exemplo, sai por R$ 24,90 na Google Store, o mesmo preço do e-book na loja virtual da Intrínseca.

Um grande banner aponta também os livros abaixo de R$ 10, uma combinação de romances do tipo “Sabrina”, histórias de Sherlock Holmes, livros de astrologia e Antologia Poética de Fernando Pessoa. Assim como os livros vendidos na loja da Kobo, os títulos adquiridos pela Google Store podem ser lidos em diferentes aparelhos. Isso deverá compensar o fato do leitor digital da Google, o Nexus, ainda não ter, lá no exterior, o espaço no mercado que os concorrentes Kindle, iPad e Kobo possuem. Uma coisa é certa: o Natal brasileiro este ano vai ser digital.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 06/12/2012

Na calada da noite


Amazon e Google abrem suas lojas virtuais, porém sem e-readers

Amazon e Google tentaram fazer uma entrada discreta na madrugada de ontem – talvez não tão discreta, afinal coincidiu com o lançamento da Kobo na Livraria Cultura – mas a tão aguardada “chegada dos playersinternacionais” acabou virando assunto noite adentro nas redes sociais. A Google chegou primeiro, às 11h45 da quarta-feira e, menos de uma hora depois, a Amazon abriu suas portas virtuais, às 00h20.

Depois de tantos rumores a respeito de uma possível compra da Saraiva pela Amazon, graças à agência Bloomberg e sua “fonte não identificada” , não houve nenhum acordo. Os 2.500 e-books da Saraiva nem entraram na loja da Amazon. Também não houve negociação com a Google.

Outro detalhe é que os e-readers ainda não estão disponíveis. O Kindle deve chegar nas próximas semanas. O modelo vem com Wi-Fi, mas sem touch screen. A capacidade é de 1.400 e-books e o preço ficou em R$ 299, cem reais a menos que o Kobo Touch.

Ao todo, são 13 mil livros eletrônicos em português na loja da Amazon, de editoras como Intrínseca, Ediouro e V&R, além de grandes distribuidoras, como a DLD e a Xeriph. Esta última tem cerca de 1.500 livros no site e mais 1.500 que aguardam aprovação das respectivas editoras para serem comercializados – 77 já concordaram. Na loja da Amazon, quatro autores entraram com exclusividade para o Kindle: Paulo Coelho, Vinicius de Moraes, Jeff Kinney [dos diários do banana] e Nelson Rodrigues – além de um e-book gratuito do cartunista Ziraldo. Em menos de 8 horas, os fenômenos editoriais E.L. James e Edir Macedo já haviam garantido seus espaço no pódio dos mais vendidos no site.

A Google também disponibilizou 13.000 títulos em português, além dos filmes, jogos e aplicativos já conhecidos da store, porém há algumas diferenças no catálogo: enquanto a Amazon vende cerca de uma centena de títulos da LeYa, a Google aproveitou para incorporar o catálogo português da editora, disponibilizando assim cerca de mil livros da editora.

E que venham as compras de Natal.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 06/12/2012

Amazon chega ao Brasil


AmazonE a Amazon chegou ao Brasil. Apenas 5 horas da Kobo comemorar sua chegada ao Brasil em parceira com a Livraria Cultura, a gigante de Seattle abriu sua loja online na internet brasileira. A loja começou a subir às 00h20 desta quinta-feira e, em www.amazon.com.br, já é possível adquirir Kindles e e-books. O Kindle oferecido pela Amazon é um modelo básico, com WiFi, mas sem 3G ou touch screen. O custo: R$ 299,00. A Google consegui se antecipar e lançou sua livraria brasileira na Google Play às 00h05.

Entre os livros digitais oferecidos pela Amazon merecem destaque as obras de Ziraldo e Paulo Coelho. Uma edição de O Menino Maluquinho é usada para ilustrar as imagens de tablets e smartphones com os aplicativos da Amazon. Além disso, há uma edição gratuita de Os Haicais do Menino Maluquinho. Já Paulo Coelho possui uma página especial própria.

E foi uma longa caminhada desde as primeiras investidas no Brasil do peruano Pedro Huerta, responsável pela operação Kindle na America Latina, que começou a conversar com empresas brasileiras no início de 2011. As negociações não foram fáceis. O grupo Ediouro, por exemplo era, até muito recentemente, uma das editoras que não haviam fechado negócio com a Amazon. Até o último momento. “Fizemos o acordo”, confirmou na última quarta-feira, 5/12, Luiz Fernando Pedroso, vice-presidente do grupo, logo após assinar o contrato. “A expectativa é de que venham com tudo, mais uma varejista no mercado, e num mercado novo”, contou o executivo. A editora vai entrar no mercado digital com 500 e-books, entre os vários selos. Os contratos com a Saraiva e Kobo também foram assinados na mesma hora.

A editora Companhia das Letras confirmou semana passada o acordo com a varejista americana, após longa negociação: “Vimos uma série de detalhes, porque o digital é assim, tem que prever todas as situações possíveis, então acaba sendo muito demorado”, afirmou Fabio Uehara, responsável pelo departamento digital da editora. “Estamos bem animados nesse final de ano, após a onde de especulação, estamos aliviados que vai começar mesmo, a loja da Kobo está no ar, a da Apple também, eu acho que esse natal vai ser muito bacana”, completou Uehara. A editora está investindo pesado no digital, no início de 2010 eram 200 e-books, terminam o ano com 600 e esperam dobrar esse número em 2013. “Queremos publicar todos os lançamentos em e-book simultaneamente, estamos trabalhando no backlist, e pensando em novas possibilidades”, declarou Uehara.

Uma das editoras que estão mais presentes na chegada da Amazon é a Vergara&Riba, V&R, que começou as negociações do acordo com a Amazon logo no primeiro semestre desse ano. A chegada da varejista é promissora: a loja do Kindle tem uma página especial só para a série best-seller Diário de um Banana. O dois primeiros livros da série já estão a venda na loja, e semana que vem os números 3, 4 e 5 também estarão. “Estamos contentes com a entrada deles”, conta Sevani Matos, diretora da VR Brasil, “vai ser interessante ver como eles vão criar o mercado do Kindle no Brasil. É preciso fazer uma campanha de marketing para estimular a compra do e-reader aqui, para não ficar só na mão de um consumidor que foi no exterior e comprou o aparelho, depois de todo o trabalho de transferência para o ePub”. Outros títulos também estarão à venda, como a coleção Maze Runner, e a editora se prepara para um 2013 digital: “Estamos conversando com a Saraiva, e na sequência deve ser a Kobo”, prevê a diretora, “como tem essa limitação do aparelho é interessante estar no maior número de lojas virtuais possível”.

Fernando Baracchini, presidente da Novo Conceito, editora acionista da DLD, também está animado com a chegada da Amazon, e promete que a Novo Conceito terá presença forte na loja virtual.“É um marco, um divisor de águas, no mercado editorial vai ter uma era ‘antes da Amazon’ e ‘depois da Amazon’. E depois vai ser melhor, acho que é uma empresa séria, competente”, afirmou o presidente, que disse estar satisfeito com o acordo que a DLD fechou com a varejista, “foi bom para o mercado”. A editora de Baracchini está mergulhando de cabeça nessa nova fase do mercado, negociando com outros players como Apple, Google e Saraiva: “O Brasil está caminhando para um amadurecimento e o mercado editorial também está passando por isso. Quem está se preparando melhor para esses novos negócios no final das contas vai ter vantagem competitiva, vai valer a pena. Não tenho medo da chegada da Amazon, tenho entusiasmo”, concluiu o presidente.

A editora Intrínseca também se preparou para a chegada da Amazon e outros players internacionais “A Intrínseca tem orgulho de ser a única editora que lança o livro imediatamente no digital, junto com o livro físico, acredito que até o fim do ano que vem as vendas de e-books representarão 10% das vendas”, acredita Jorge Oakim, fundador e diretor da editora carioca. Para ele a chegada da Amazon é “uma oportunidade fantástica para o mercado editorial brasileiro, os livros vão ser mais baratos, a facilidade de compras vai ser maior. Vai ser ótimo para os leitores e, portanto, para as editoras também”, afirmou o editor, que fechou negócio com todos os outros players digitais, como a Kobo, Saraiva e Apple.

Por Iona Stevens e Carlo Carrenho | PublishNews | 06/12/2012