Coleção Vaga-Lume comemora 40 anos com edição digital


No início dos 1970, um vaga-lume usando boina, cavanhaque, calça boca-de-sino e medalhão começou a surgir em escolas de todo o Brasil.

Batizado de Luminoso, o personagem aparecia desenhado nas orelhas de livros de títulos intrigantes como “O Escaravelho do Diabo” e “Menino de Asas”. Usando expressões como “tudo joinha?”, o inseto apresentava os enredos dos romances.

Boinas, medalhas e “joinhas” foram parar, há décadas, nos brechós, mas os livros de Luminoso continuam, como diria ele, “supimpas”.

Lançada na virada de 1972 para 1973, a Série Vaga-Lume, coleção de romances infantojuvenis, chega aos 40 anos com mais de 70 livros em catálogo, num caso de inédita longevidade editorial.

A editora Ática, que publica a série, pretende comemorar a efeméride no final do ano que vem. “Vamos trazer novas linhas visuais para a série e lançá-la também em formato digital”, antecipa o gerente editorial de literatura juvenil da casa, Fabricio Waltrick, 35, ele mesmo “fã de carteirinha” da Vaga-Lume quando moleque.

Na mesma época, no final de 2013, começam as filmagens de “O Mistério do Cinco Estrelas”, de Marcos Rey [1925-1999], um dos grandes sucessos da coleção.

Capa do livro "Menino de Asas", de Homero Homem, que faz parte da coleção Vaga-lume

Capa do livro “Menino de Asas”, de Homero Homem, que faz parte da coleção Vaga-lume

MILHÕES DE CÓPIAS

A palavra “sucesso” é constantemente associada à série. Dois estudos feitos como teses de doutorado pelas professoras Catia Toledo Mendonça [Universidade Federal do Paraná] e Silvia Helena Simões Borelli [PUC-SP] trazem farta documentação sobre a Vaga-Lume.

Em 1996, época do levantamento feito por Borelli, por exemplo, um dos livros iniciais da série, “A Ilha Perdida”, de Maria José Dupré, já ultrapassara os 2,2 milhões de exemplares vendidos.

A Ática não divulga as vendagens, mas, caso tenha sido mantida a média histórica de 100 mil unidades/ano, o livro estaria na casa de 4 milhões de cópias.

A obra de Dupré [1898-1984] é emblemática da primeira fase da coleção. O livro, que narra as peripécias de dois garotos numa ilha habitada por um misterioso eremita, é uma clássica obra juvenil de aventura.

O objetivo da coleção era veicular histórias ágeis, rápidas na percepção e enfáticas na ação“, afirma Borelli em sua tese, publicada como “Ação, Suspense, Emoção” [editora Estação Liberdade].

Na “fase heróica” da Vaga-Lume, alguns títulos não eram inéditos. Um dos grandes êxitos da série, “O Escaravelho do Diabo”, de Lúcia Machado de Almeida [1910-2005], havia sido lançado em 1956 como um folhetim da revista “O Cruzeiro”.

Se, no primeiro período de sua existência, a série se caracterizava pela presença de obras consagradas, na segunda década os textos que a comporão serão inéditos, de autores sem tradição na produção para jovens“, diz Toledo Mendonça.

JOVENS AUTORES

Um desses “iniciantes” foi o hoje autor consagrado Marçal Aquino, 54. Quando foi convidado pelo editor da série à época, Fernando Paixão, Aquino era repórter do “Jornal da Tarde” e “não tinha a menor ideia do que era essa tal ‘literatura juvenil‘”.

Topei o desafio e resolvi contar uma história de ‘turma de rua’ numa cidade do interior. Acabei me divertindo muito no processo.

Depois da estreia, “A Turma da Rua Quinze” [1989], ele escreveu mais três volumes e pendurou a chuteira juvenil para se dedicar aos adultos.

Há também quem nunca tenha escrito ficção fora da Vaga-Lume. É o caso de Marcelo Duarte, 48.

O jornalista, escritor e dono da editora Panda Books publicou toda a sua obra de ficção, cinco livros, na coleção, da qual era leitor voraz desde criança.

Comecei na quarta série, com ‘O Caso da Borboleta Atíria’, de Lúcia Machado de Almeida. Li ao menos 70% da coleção.” Segundo ele, seus cinco títulos, entre os quais o bem sucedido “O Ladrão de Sorrisos”, venderam mais de 240 mil exemplares.

O editor Jiro Takahashi, um dos criadores da Vaga-Lume, sustenta que o sucesso da coleção se deve a uma somatória de fatores. Um deles era prosaico: o preço. “As altas tiragens, devido à divulgação bem dirigida, permitiam preços baixos que facilitaram as adoções nas escolas.

Ele também salienta a importância, para a boa aceitação dos professores, dos encartes chamados “Suplementos de Trabalho”, com atividades didáticas ligadas às narrativas.

Takahashi, atual editor da Prumo, do grupo Rocco, chama atenção ainda para a importância do trabalho dos designers e ilustradores, que criaram uma identidade marcante para a coleção.

Editor de arte da série entre 1978 e 1987, Antônio do Amaral Rocha destaca as ilustrações de nomes como Mário Cafiero, Jayme Leão e Milton Rodrigues Alves.

Este último, conta que para ilustrar “O Caso da Borboleta Atíria” passou um tempo internado no Museu de Zoologia. “Não tínhamos internet e a melhor maneira de saber a forma de um ‘Dynastes hercules’ era ir ao museu…”.

POR CASSIANO ELEK MACHADO, DE SÃO PAULO | Publicado originalmente, extraído de Folha de S.Paulo | 30/12/2012, às 03h32

Tablets e e-readers mudam hábitos de leitura nos EUA


Parcela dos americanos que leem livros digitais subiu de 16% para 23%, enquanto os leitores de livros impressos caíram de 72% para 67%

A obsessão dos Estados Unidos pelos tablets começa a provocar um aumento da leitura de livros eletrônicos, mostra uma recente pesquisa, uma tendência que deverá reduzir o apelo dos livros impressos e abalar o negócio secular das editoras.

A parcela de americanos que leem livros digitais aumentou de 16% para 23%, enquanto o número de adultos que leem livros impressos caiu de 72% para 67%, de acordo com os dados de um estudo divulgado na quinta-feira pela Pew Internet & American Life Project.

A rápida e dramática mudança dos hábitos de leitura foi produzida pelo aumento da popularidade dos tablets e dos aparelhos para leitura, que foram adquiridos por um terço da população americana até este momento.

Os tablets – uma categoria criada pela Apple há apenas dois anos – ultrapassaram os leitores eletrônicos, como o Nook, da Barnes & Noble, ou o Kindle, da Amazon, segundo a Pew. Um em cada quatro livros eletrônicos está sendo lido num tablet, em comparação com um em cada dez, no ano passado.

“Ainda não chegamos a este ponto, mas podemos imaginar que a experiência com livros no futuro será drasticamente diferente do que é hoje”, disse Lee Rainie, diretor da Pew Internet & American Life Project. “Será uma experiência multimídia, extremamente socializada e talvez implique até uma ampla colaboração.” Os tablets, como o iPad, foram vendidos a um ritmo recorde tratando-se de um novo hardware, e o apetite dos consumidores por estes gadgets não dá sinais de se reduzir.

Outras companhias, que tentam abocanhar a fatia de mercado da Apple, trataram de lançar rapidamente ofertas mais baratas, como os tablets Nexus, do Google, e o Kindle Fire, da Amazon.

As vendas tornaram a leitura digital uma tendência dos negócios totalmente peculiar este ano, dizem os analistas. A IDC, empresa de pesquisa na área de tecnologia, elevou suas previsões de vendas dos tablets para 122,3 milhões para este ano, afirmando que a demanda de aparelhos de computação móveis foi muito maior do que o previsto.

Editoras. A evolução para os livros eletrônicos começa a afetar a economia das editoras de livros modernos. A Borders, gigante das livrarias, faliu no ano passado por não conseguir manter o custo de suas lojas físicas. Ao mesmo tempo, a Barnes & Noble luta para permanecer concorrendo no mercado com o seu Nook.

Até o momento, as editoras se beneficiaram com as vendas de livros eletrônicos. Elas conseguem margens de lucro maiores com os livros digitais porque estes não precisam ser impressos nem distribuídos. Uma vez baixados, muitos títulos podem ser compartilhados e guardados de forma permanente.

Mas o fenômeno do livro eletrônico também concentrou o poder de fixação dos preços nas mãos de um número menor ainda de varejistas.

Neste campo, as vendas são dominadas pela Amazon. No início deste ano, algumas grandes editoras de livros e a Apple foram acusadas de conluio para elevar os preços dos títulos digitais.

A maior parte dessas companhias optou por acordos extrajudiciais, embora a Apple e a Macmillan tenham prometido contestar as acusações.

Os especialistas não acreditam que os livros digitais superarão as páginas impressas. Os livros físicos se prestam mais para presentes, e fotografias e imagens ficam melhor no papel do que na tinta digital, na opinião de Jeremy Greenfield, diretor editorial da Digital Book World.

Mas os livros eletrônicos acabarão talvez se tornando a maneira mais comum de ler livros, particularmente porque as escolas começaram a adotar os tablets, dizem os especialistas.

Um grande número de escolas públicas e privadas adotou programas que colocam tablets nas mãos de crianças em idade pré-escolar. As editoras de livros de texto fizeram parcerias com a Apple e outras fabricantes de aparelhos para colocar mapas, livros de história e revistas de palavras cruzadas nos aplicativos. Cresce o número de bibliotecas que oferecem títulos digitais que podem emprestados, segundo a Pew.

A leitura eletrônica está sendo adotada muito mais rapidamente por adultos ricos, brancos e negros, do que por hispânicos, americanos mais pobres e com um grau de escolaridade menor, disse a pesquisa, destacando uma crescente discrepância em matéria de renda entre os leitores de livros eletrônicos e os que dependem dos impressos.

E quanto leem os americanos? Segundo a Pew, pessoas a partir dos 16 anos leram em média seis livros – digitais ou de papel – no ano passado.

Para a sua pesquisa, a Pew entrevistou por telefone 2.252 pessoas com mais de 16 anos.

1.Os tablets, como o iPad, e e-readers, como o Kindle, já foram adquiridos por cerca de um terço da população americana, o que deu impulso aos livros digitais.

2. Os tablets ganham cada vez mais importância nesse cenário: um em cada quatro livros eletrônicos já está sendo lido em um tablet. No ano passado, essa proporção era de um para cada dez.

POR CECILIA KANG, THE WASHINGTON POST | Publicado originalmente em português em O Estado de S.Paulo | 29 de dezembro de 2012 | 2h 05

2012: O ano das mulheres e dos eBooks


O ano de 2012 será lembrado no mercado editorial pelos romances “pornô soft” para mulheres, com “50 tons de cinza” [Intrínseca] à frente, e também pela chegada das gigantes dos ebooks [Amazon, Google e Apple] ao Brasil. Enquanto o subgênero inaugurado pela britânica E.L. James se revelou um enorme sucesso de público [apesar do nariz torcido da crítica], trazendo na esteira diversos seguidores — que ora repetem a fórmula consagrada, ora apelam para a paródia —, a história dos livros digitais ainda contém mais dúvidas do que certezas.

Cinquenta tons de cinza

Cinquenta tons de cinza

Os livros “50 tons de cinza”, “50 tons mais escuros” e “50 tons de liberdade” narram a relação entre a ingênua e inocente Anastasia Steele e o dominador Christian Grey. Lançado em julho, o primeiro título vendeu 1,13 milhão de exemplares no país. Somados, os três venderam 2,37 milhões de cópias. Na mesma linha de romance com apimentadas cenas de sexo e sadomasoquismo, os livros “Toda sua” e “Profundamente sua” [Editora Paralela], de Sylvia Day, alcançaram a marca de 120 mil exemplares vendidos. O último livro da série, “Para sempre sua”, tem previsão de lançamento para maio de 2013. Outros exemplos de títulos que apostaram no “pornô soft” são “Luxúria” [Leya], de Eve Berlin, e “Falsa submissão” [Record], de Laura Reese. E para beliscar uma fatia desse mercado houve quem apostasse inclusive na paródia, como “50 tons do Sr. Darcy” [Bertrand Brasil], de Emma Thomas.

Entre os ebooks, E.L. James também foi sucesso com 53 mil edições comercializadas. Isso num mercado que só agora começa a amadurecer: na primeira semana de dezembro, a Livraria Cultura lançou o ereader Kobo, o Google iniciou sua operação de livros digitais e a Amazon, finalmente, estreou. Além delas, a Apple já tinha começado a vender ebooks na sua iBookStore em outubro.

Kindle

Kindle

No entanto, nem tudo foi festa para os leitores. Os ereaders caros e o preço das edições digitais decepcionaram. O Kobo sai por R$ 399, enquanto o Kindle, da Amazon, só é oferecido no modelo mais simples, por R$ 299. Nos Estados Unidos, o mesmo aparelho custa US$ 69. Como só está com a operação digital no Brasil, a Amazon fez parcerias para vender o seu ereader em lojas físicas e virtuais nacionais: com a Livraria da Vila, em São Paulo, e o site PontoFrio.com.

No caso dos ebooks, o desconto em relação à edição de papel fica, em média, entre 20% e 30%. Os leitores esperavam preços mais atraentes. Os descontos foram um ponto de atrito das editoras com a Amazon — a loja queria preços mais agressivos, as editoras não aceitaram. Porém, o impacto que os ebooks provocarão nos negócios e na própria vendagem de livros físicos só será sentido ao longo de 2013.

Por Leonardo Cazes | Globo.com | 28/12/2012

Pearson compra fatia em divisão Nook da Barnes & Noble


PearsonA empresa britânica de educação e mídia Pearson fechou um acordo para adquirir uma fatia de 5 por cento na unidade Nook Media, da Barnes & Noble, por 89,5 milhões de dólares, fazendo disparar as ações da operadora de livrarias em quase 10 por cento nesta sexta-feira.

A Nook Media é a unidade responsável pelo negócio digital da Barnes & Noble – incluindo os leitores digitais e tablets Nook e a loja digital do Nook – e por 674 livrarias universitárias em todos os Estados Unidos.

A Pearson é a dona do jornal Financial Times e da editora de publicações e livros Penguin Group. O mais recente investimento no Nook ocorre após a Microsoft ter concordado, em abril, em investir 300 milhões de dólares no negócio digital e universitário da Barnes & Noble, tendo concluído a parceria em outubro.

Após o acordo com a Pearson, a Barnes & Noble será dona de cerca de 78,2 por cento da Nook Media, e a Microsoft terá cerca de 16,8 por cento, informaram as empresas.

Info Exame | 28/12/2012

Apple é multada na China por vender livros pirateados na App Store


XANGAI | Um tribunal chinês multou a Apple em 1 milhão de iuanes [160,4 mil dólares] por aplicativos na App Store venderem livros digitais [ebooks] pirateados, afirmou nesta sexta-feira a agência de notícias oficial Xinhua.

A Apple terá que indenizar oito escritores chineses e duas companhias por violar direitos autorais, segundo a Xinhua.

Um grupo de escritores chineses entrou com uma ação contra a Apple neste ano alegando que aplicativos na App Store vendiam ebooks sem autorização. Os oito autores exigiam 10 milhões de iuanes em indenização.

Estamos desapontados com a decisão. Alguns dos autores que mais vendem na China vão receber somente 7 mil iuanes. A decisão estimula a pirataria“, disse à Reuters o representante do grupo, Bei Zhicheng.

A Apple afirmou em comunicado que “leva muito a sério” a questão de infração de direitos autorais.

Estamos sempre refinando nosso serviço para ajudar os autores a proteger seus direitos“, afirmou a porta-voz da empresa norte-americana Carolyn Wu.

Por Melanie Lee | Reuters | 28/12/2012, às 08h00

Leitura de livros digitais cresce, e a de impressos cai, diz pesquisa nos EUA


Nos Estados Unidos, os leitores optam cada vez mais por livros digitais em detrimento do papel, revelou um estudo do centro de pesquisas Pew publicado nesta quinta-feira [27].

A parcela de adultos nos Estados Unidos que leem edições eletrônicas em suportes como tablets e e-readers chegou a 23% em novembro, ante 16% no ano anterior no mesmo período, informa o estudo.

No mesmo intervalo, as pessoas de 16 anos ou mais que optaram por livros impressos caiu de 72% para 67%.

Jeff Bezos, executivo-chefe da Amazon, apresenta o leitor de e-books Kindle Paperwhite, em setembro

Jeff Bezos, executivo-chefe da Amazon, apresenta o leitor de e-books Kindle Paperwhite, em setembro

No total, cerca de 75% dos adultos norte-americanos leem livros, em todo tipo de suporte, pouco menos que em 2011, quando 78% tinham esse hábito.

A crescente popularidade dos livros digitais segue-se à expansão dos dispositivos portáteis – o que inclui e-readers como o Amazon Kindle e o Barnes & Noble Nook e tablets como o Apple iPad e o Google Nexus 7.

O número de norte-americanos que possuem tablets ou e-readers cresceu de 18% para 33% entre 2011 e 2012, segundo o estudo. Também aumentaram os empréstimos de livros digitais nas bibliotecas do país.

Os entrevistados com mais tempo de estudos ou de renda superior tendem a se transformar em “leitores digitais” mais do que outros, assim como os adultos com idade de 30 a 49 anos, destaca o Pew, que realizou a pesquisa entre 15 de outubro e 10 de novembro.

DA FRANCE-PRESSE, EM SAN FRANCISCO | Publicado originalmente em Folha de S.Paulo | 27/12/2012 – 15h12

China condena Apple por quebra de direito autoral de escritores


Um tribunal de Pequim condenou a Apple hoje a pagar 1,03 milhão de yuans, cerca de US$ 165 mil, a um grupo local de escritores que acusam a fabricante do iPhone de vender cópias de seus livros on-line. As informações foram divulgadas pela agência de notícias do governo, “Xinhua”. Segundo a publicação estatal, oito chineses processaram três companhias, entre elas a Apple, e seus advogados argumentam que um software na App Store continha edições não licenciadas de seus trabalhos. Originalmente, a ação judicial considerava o pagamento de 10 milhões de yuans. Em nota, a empresa de Tim Cook informou que “leva a quebra de direitos autorais bem a sério” e disse que recebeu bem as reclamações feitas pelos escritores. O texto ainda mostra que a Apple está “sempre atualizando seu serviço para melhor atender aos detentores de conteúdo e proteger seus direitos”.

Dow Jones Newswires | Publicado originalmente em Valor Econômico | 27/12/2012, às 14h25

Catálogo digital de editoras mais que dobrou em 2012


Empresas agora buscam lançar simultaneamente em papel e e-book; mercado oferece 15 mil títulos nacionais

Levantamento da Folha com 12 das maiores casas do país mostra reação à estreia de lojas virtuais estrangeiras

O ano que está acabando vai entrar para a história como aquele em que as grandes editoras brasileiras enfim descobriram o livro digital.

Foi um longo percurso desde 2009, quando a Zahar se tornou a pioneira entre as grandes no segmento -àquela altura só com títulos em PDF, formato simples que hoje as empresas rejeitam.

Com a iminência da estreia das lojas da Amazon, do Google e da Apple, concretizada neste mês, as editoras trataram de multiplicar seus catálogos digitais em 2012.

A Saraiva, que em dezembro de 2011 vendia 6.500 e-books nacionais, agora oferece 15 mil, média similar à de suas novas concorrentes.

A Folha consultou 12 das maiores editoras do país sobre a evolução de seus catálogos. Sete delas [Globo, Sextante, LeYa, Companhia das Letras, Intrínseca, Objetiva e Novo Conceito] mais que dobraram seu número de títulos digitais em 2012 -a Companhia triplicou, de 200 para 600.

A Zahar, que começou antes, é a editora com maior parcela de títulos convertida, 547 de um total de 849 [64%]. A LeYa vem em seguida, com 150 de seus 280 títulos [54%].

Será mais difícil para casas de catálogo rechonchudo como a Record, que, apesar do bom número bruto – 388 obras em e-books -, só converteu 5% dos 7.500 que compõem seu portfólio.

Outra novidade foi que em 2012 as editoras passaram a lançar títulos nos dois formatos sempre que o contrato permite, em vez de reservar o digital para casos isolados.

O faturamento com o digital não costuma passar de 2% do total, mas há exceções. Com só um quarto de seu catálogo convertido [293 de 1.200 títulos], a Objetiva diz que os e-books já rendem 4% de seu faturamento total.

Esse número foi impulsionado por obras como “O Poder do Hábito”, de Charles Duhigg. Em dez semanas, foram 1.435 e-books -número que não faria feio nem se se referisse a livros impressos.

No mesmo período, o título teve 13.958 cópias vendidas na versão em papel. Ou seja, a comercialização do e-book equivaleu a mais de 10% da impressa, um caso raro.

O desafio agora é lidar com preços. Na estreia da Amazon no Brasil, predominaram entre os mais vendidos editoras independentes, com e-books a menos de R$ 5 – a KBR pôs todos a R$ 1,99. A maioria dos e-books das grandes editoras custa de R$ 20 a R$ 30.

Editoria de Arte Folhapress

RAQUEL COZER, COLUNISTA DA FOLHA | QUARTA-FEIRA, 26 DE DEZEMBRO DE 2012, às 09H08

Amazon e Google em rota de colisão em 2013


Publicidade online, varejo para dispositivos móveis e computação em nuvem estão entre suas áreas rivais

Google vs. AmazonSÃO FRANCISCO | Quando o CEO Jeff Bezos, da Amazon, recebeu a notícia de um projeto do Google de digitalizar e escanear catálogos de produtos, uma década atrás, as sementes de uma crescente rivalidade estavam sendo plantadas.

A notícia foi uma “chamada de despertar” para Bezos, um dos primeiros investidores no Google. Ele a viu como um alerta de que o serviço de busca na web poderia avançar sobre seu império de varejo online, de acordo com um ex-executivo da Amazon.

Ele percebeu que o escaneamento de catálogos era interessante para o Google, mas a verdadeira vitória para o Google seria a de conseguir que todos os livros fossem escaneados e digitalizados” para depois vender edições eletrônicas, disse o ex-executivo.

Assim começou uma rivalidade que vai ganhar força em 2013, à medida que as áreas rivais das duas empresas crescem, abrangendo a publicidade online e de varejo para dispositivos móveis e computação em nuvem.

Isso poderia pôr fim às últimas áreas remanescentes de cooperação entre as duas empresas. Um exemplo: a decisão da Amazon de usar uma versão simplificada do sistema Android, do Google, em seu novo tablet Kindle Fire, conjugada aos ambiciosos planos do Google para sua unidade de dispositivos móveis da Motorola, só vão provocar mais tensão.

O confronto marca a mais recente frente em uma guerra da indústria de tecnologia em que muitos combatentes estão se espalhando por territórios uns dos outros. À espreita nas sombras do Google e Amazon está o Facebook, com o seu próprio serviço de busca e ambições de publicidade.

A Amazon quer ser o lugar único onde você compra tudo. O Google quer ser o lugar único onde você encontra tudo, e onde a compra de coisas é uma consequência”, disse Chi-Chien Hua, sócio da empresa de capital de risco Kleiner Perkins Caufield & Byers. “Assim, quando se juntam esses fatos, acho que vamos ver uma colisão natural.

Ambas as empresas têm muito em jogo.

A capitalização de mercado do Google, de 235 bilhões de dólares, é aproximadamente o dobro da da Amazon, em grande parte porque o Google obtém enormes lucros líquidos. Segundo a projeção dos analistas, esse lucro será de 13,2 bilhões dólares este ano, com base em uma enorme margem de lucro de 32 por cento, de acordo com a Thomson Reuters I/B/E/S. Quanto à Amazon, a previsão é que vá reportar uma pequena perda este ano.

Acionistas da Amazon têm sido pacientes, já que a empresa tem investido visando ao crescimento, mas ela vai ter que começar a produzir fortes lucros em algum momento — algo mais provável se crescer em áreas de maior margem, como a publicidade. O preço da ação da Google, por sua vez, é vulnerável aos sinais de desaceleração da margem de crescimento.

Não muito tempo depois de Bezos ter se inteirado dos planos do Google para os livros, a Amazon começou a digitalizar obras e a oferecer trechos para pesquisa. Seu e-reader Kindle, lançado alguns anos depois, deve muito de sua inspiração à notícia do catálogo, disse o executivo.

Agora, a Amazon está impulsionando seus esforços de publicidade online, ameaçando atrair usuários e receita do principal site de buscas do Google.

O negócio incipiente de anúncios da Amazon ainda é uma fração do administrado pelo Google. A Robert W. Baird & Co. estima que a Amazon está no caminho certo para gerar cerca de 500 milhões de dólares em receitas de publicidade anual – um valor pequeno, dado que registrou 48 bilhões de dólares de receita total em 2011. Já no Google, 96 por cento dos 38 bilhões em vendas em 2011 vieram de publicidade.

Reuters | Publicado originalmente do LINK | 25 de dezembro de 2012, às 15h51

ABDR questiona informações


A Associação Brasileira de Direitos Reprográficos [ABDR] enviou uma nota ao Link questionando as informações publicadas na coluna publicada no dia 17. A entidade diz que a notificação enviada ao site eBooksBrasil não foi por causa de uma obra em domínio público, como foi publicado – mas, sim, referente a uma tradução que ainda está protegida por direitos autorais.

A obra em questão, A Cidade Antiga, de Fustel de Coulanges, está em domínio público. A tradução que está no eBooksBrasil, segundo o responsável pelo site, é de Frederico Ozanam de Barros – que autorizou a publicação. Mas, segundo a ABDR, não há dados sobre a edição e a tradução da obra na versão disponibilizada do site. A entidade alega que o livro que está no site é uma tradução de Aurélio Barroso Rebello e Laura Alvez, publicada pela editora Ediouro, e ainda protegida por direitos autorais. Portanto, pirata – segundo a ABDR.

A entidade também questiona o processo contra o responsável pelo site Livros de Humanas – segundo a ABDR, a ação foi movida contra um “profissional autônomo de transporte de pessoas” e não contra um “estudante da USP”. A entidade refere-se ao titular do domínio do site, registrado nos EUA.

Veja a íntegra da nota:

A Associação Brasileira de Direitos Reprográficos [ABDR] gostaria de informar ao OESP a sua versão dos fatos narrados na coluna da jornalista Tatiana de Mello Dias publicada no Caderno Link no dia 17/12/2012.

Referida coluna informava que a ABDR havia enviado uma notificação para o titular do sítio eBooksBrasil remover o conteúdo da obra literária cujo título era A Cidade Antiga de autoria de Fustel de Coulanges que estava em domínio público e que o seu tradutor havia autorizado tal disponibilização.

Ocorre que a notificação da ABDR referia-se a uma tradução dessa obra que ainda goza de proteção da Lei de Direitos Autorais, tradução essa de autoria de Aurélio Barroso Rebello e Laura Alvez. E no conteúdo da obra disponibilizado nesse sítio os dados de sua edição e da sua tradução foram suprimidos, o que prejudicou a identificação da tradução.

No ano de 2.012 a ABDR enviou – em média – 6.395 notificações por mês para sítios que disponibilizam os conteúdos de obras literárias sem autorização dos respectivos titulares de direitos autorais. Do total de mais de 76.400 notificações enviadas, 98,75% dos sítios notificados retiraram os conteúdos disponibilizados ilegalmente em 24h, e em menos de 0,16% dos casos os titulares dos sítios responderam para a ABDR informando que possuíam autorizações dos titulares de direitos autorais para disponibilizar os conteúdos das suas obras.

Relativamente à ação judicial proposta pela ABDR em face do sítio “livrosdehumanas”, também mencionada na matéria do dia 17/12/2012, convém destacar que fora ajuizada em face do seu titular – registrado no órgão registrador de domínios norte-americano – o qual ao se defender no processo asseverou ser um profissional autônomo de transporte de pessoas e não um estudante universitário.

Esta é a posição da nossa entidade sobre os fatos acima.

Por Tatiana de Mello Dias | LINK | 21 de dezembro de 2012, às 18h32

Mercado de e-readers encolhe mais rápido do que o previsto


Desde o lançamento do primeiro iPad, há quase três anos, os tablets percorreram um longo caminho. Agora há vários aparelhos menores, mais baratos e bem poderosos. Por que, então, comprar um leitor de e-books?

Aparentemente, muitas pessoas estão fazendo esse questionamento. A empresa de pesquisas IDC [International Data Corporation] verificou neste ano um aumento de envios do que ela chama de “dispositivos conectados inteligentes” [smart connected devices], que inclui tablets, smartphones e PCs. O mercado cresceu 27,1% em relação ao último ano, com 303,6 milhões de unidades remetidas, de acordo com a IDC.

Enquanto isso, os leitores de e-book perdem força. Neste ano, as remessas de e-readers em todo o mundo cairão para 14,9 milhões de unidades, ante 23,2 milhões no último ano – uma queda de 36%, de acordo com estimativas da IHS iSuppli. A empresa de pesquisa eMarketer notou essas tendências em um relatório publicado na quinta-feira [20].

A Forrester Research vê uma tendência similar. Nos EUA, os fabricantes venderam 9 milhões de e-readers neste ano, ante 15,5 milhões no último ano, de acordo com Sarah Rotman Epps, analista da Forrester.

Os leitores de e-books são muito mais baratos do que os tablets – a versão mais acessível do Kindle custa US$ 70, enquanto o tablet Kindle Fire custa a partir de US$ 160.

Mas muitas pessoas estão pagando a mais para ter os recursos de um tablet, diz Rotman Epps. Em uma pesquisa conduzida pela Forrester, 12% dos entrevistados disseram ter comprado um tablet em vez de um e-reader, e 39% dos donos de tablet disseram que não comprariam um e-reader no futuro.

POR BRIAN X. CHEN | DO “NEW YORK TIMES” | 21/12/2012, às 16h28

Kindle ou Kobo, eis as questões


Com a chegada dos leitores da Kobo e da Amazon ao mercado brasileiro, muita gente tem se perguntado qual o melhor deles, e se vale a pena pagar R$ 100 a mais pelo Kobo Touch, oferecido pela Livraria Cultura a R$ 399. O Kindle de 4ª geração está à venda nas lojas da Livraria da Vila e no site da Ponto Frio por R$ 299. Pode parecer uma questão simples, que exige apenas uma comparação técnica entre os dois aparelhos, mas isto está longe da realidade. O processo de compra de um Kobo ou Kindle passa, na verdade, por três decisões. Vamos a elas:

Kobo vs Kindle

Kobo vs Kindle

1. A decisão entre um leitor dedicado e um tablete multifuncional

Tanto a Kobo como a Amazon oferecem aplicativos de ponta para iOS e Android. Portanto, não é necessária a aquisição de um e-reader dedicado como o Kobo Touch ou o Kindle para se ter acesso ao catálogo de livros digitais à venda. Qualquer leitor pode comprar um livro na Amazon ou na Livraria Cultura e lê-lo em seu iPad, iPhone, tablet Android ou mesmo no computador. Quem preferir comprar na Google ou na Saraiva também poderá ler os livros em seus aplicativos para as mesmas plataformas. E, é claro, quem optar pela Apple, poderá ler sua biblioteca no iPad e no iPhone. Mas vale a pena adquirir um leitor dedicado? Esta é uma decisão que cabe a cada leitor ou consumidor. A s principais vantagens de um e-reader dedicado como o Kobo Touch ou o Kindle são as seguintes:

  • Tela monocromática com tecnologia e-Ink, que não cansa a vista e permite leitura sob o sol, pois não possui luz própria.
  • Formato menor e mais leve que um tablete.
  • Permite uma leitura focada e tranquila sem as distrações dos tablets [veja este meu outro post]
  • Preço inferior

A desvantagem é clara: o leitor dedicado não é um tablete e, portanto, se você precisa de um equipamento para checar e-mails, navegar na net, ouvir música e jogar Angry Birds, você vai acabar com dois apetrechos na bolsa ou na mochila – a não ser que você se satisfaça em fazer tudo isso no seu smartphone. Na prática, acredito que esta decisão depende do quanto a pessoa lê normalmente. Para quem lê um livro por ano, nunca valerá a pena ter um leitor dedicado. Mas quem lê quatro livros por mês com certeza vai preferir ter um Kobo Touch ou Kindle além do tablet.

Isto leva à seguinte questão: Até que ponto o Brasil possui leitores frequentes suficientes para que haja uma demanda relevante por leitores dedicados? Ainda é cedo para dizer, mas vamos descobrir em breve. Minha impressão é que o leitor dedicado terá muito mais uma função de marketing e promoção no Brasil, ao ocupar espaço nas mãos de formadores de opinião e nas livrarias, do que uma função crucial na expansão da leitura digital. Tendo a achar que os brasileiros, que já lêem tão pouco, vão preferir ler seus e-books nos tablets – entre uma partida e outra de Angry Birds.

2. A decisão entre uma plataforma aberta e uma plataforma proprietária

Os livros digitais da Amazon [chamados pela empresa de Kindle books] só podem ser lidos em Kindles ou nos aplicativos Kindles. Os aparelhos da gigante de Seattle, por sua vez, só conseguem ler e-books em Mobi, seu formato proprietário. Sim, é possível ler PDFs no Kindle, assim como tecnicamente é possível mascar chiclete e assobiar ao mesmo tempo. Tente e descubra. Se o e-book for em formato padrão ePub e não possuir DRM [a trava anti-cópia do e-book; clique aqui para entender o DRM], é possível convertê-lo facilmente ao formato Mobi e lê-lo no Kindle como qualquer livro comprado na Amazon. O software gratuito Calibre é a melhor opção para isso. No entanto, por hora, são raras as editoras comercializando livros digitais sem DRM. A Apple também possui formato proprietário e os livros comprados na iBookstore só podem ser lidos nos aparelhinhos piscantes da empresa de Cupertino. E-pubs sem DRM, no entanto, são lidos facilmente em seu aplicativo de leitura. Sem falar que qualquer e-bookstore que se preze possui apps de leitura para iOS. Já a Kobo, a Google, a Saraiva e demais varejistas de livros digitais, possuem uma plataforma aberta e não proprietária, utilizando um controle de DRM comum, fornecido pela Adobe. Com isso, um livro comprado em uma dessas livrarias pode geralmente ser lido nos aplicativos e e-readers da outra. Por exemplo, você pode comprar um livro na Saraiva ou na Gato Sabido e lê-lo em um Kobo Touch adquirido na Livraria Cultura. Os livros digitais comprados na Google Play também podem ser transferidos para o leitor da Kobo e vários outros, como o Nook da Barnes & Noble, por exemplo. E livros comprados em outras e-bookstores no exterior, como na excelente Bajalibros da Argentina também podem ser lidos nos aparelhos e apps de empresas que optaram por um modelo de negócios não proprietário.

A vantagem de uma plataforma aberta é óbvia: você não fica dependente de um livraria apenas. A desvantagem é que estes processos de comprar e-book aqui e ler ali consomem tempo e paciência, e nem sempre funcionam 100%. Já as plataformas proprietárias, por terem sido desenvolvidas com apenas um formato e um leitor e seus aplicativos em mente, costumam ser mais robustas e confiáveis. Além disso, no caso da Amazon, é importante lembrar que a conexão em 3G oferecida nos melhores modelos, que ainda não estão à venda no Brasil, funciona perfeitamente no mundo todo. Sem pagar roaming, você abaixa amostras ou compra livros em 60 segundos do Panamá à Alemanha [já testei nos dois países].

Mais uma vez, cabe aqui ao leitor decidir entre uma plataforma proprietária e uma aberta. Ou, caso já pretenda ter um tablet e um leitor dedicado, poderá optar por um e-reader proprietário e usar aplicativos de plataformas abertas com DRM da Adobe no seu iPad ou Samsung.

3. A decisão entre o Kobo Touch e o Kindle de 4ª geração

Ao se decidir pela compra de um dos dois leitores dedicados à venda no Brasil, a primeira coisa a se considerar, como já vimos, é que o Kindle possui uma plataforma proprietária e o Kobo não. Em seguida, deve se considerar o preço. A Livraria Cultura vende o Kobo Touch por R$ 399 e a Livraria da Vila e o site da Ponto Frio vendem o Kindle de 4ª geração por R$ 299. Por que a diferença de preço? Simples: o aparelho da Kobo possui tela touch screen, enquanto o Kindle oferecido no Brasil exige que o leitor pressione botões no melhor estilo BlackBerry para ler seus livros. Na minha opinião, portanto, considerando-se apenas as diferenças técnicas entre os dois aparelhos, vale a pena colocar a mão no bolso e, por R$ 100 a mais, levar um leitor com tela sensível ao toque.

No que se refere às telas, ambos os aparelhos são praticamente iguais, ambos usando tecnologia e-Ink. Em termos de processamento, o Kindle pode ser um pouco mais rápido, mas nada que faça diferença, a não ser que alguém queira usar o e-reader para treinar leitura dinâmica.

Mas a Amazon não se gaba de sua tecnologia? Como a Kobo poderia ser melhor? Mais uma resposta no estilo “Elementar, meu caro Watson”. Na verdade, a empresa de Bezos optou por oferecer o leitor mais barato que pudesse no mercado brasileiro e, para isso, trouxe seu leitor mais simples. Da mesma 4ª geração de leitores, a Amazon oferece aparelhos mais caros com 3G e touch screen nos EUA, mas preferiu não colocá-los à venda no Brasil ainda. Em entrevista ao PublishNews, no entanto, o executivo amazônico David Naggar garantiu que todos os aparelhos chegarão ao Brasil. Quando? “A Amazon não discute planos futuros”, seria a resposta padrão.

Hoje, o melhor modelo do Kindle é o Paperwhite, um aparelho com 25% a mais de contraste que os Kindles de 4ª geração, 3G gratuito e luz embutida para leitura no escuro. Este brinquedo sai por US$ 199 nos EUA [sem publicidade], enquanto o modelo igual ao Kindle da Vila custa US$ 89 [sem publicidade] ou US$ 69 [com publicidade]. Aplicando-se uma simples regra de três, o modelo top da Amazon custaria R$ 669 no Brasil, bem acima do preço do Kobo Touch. Mais uma vez, o consumidor e leitor deve fazer sua opção aqui.

Mas para quem optar pela plataforma da Amazon e for comprar um Kindle, eu tenho um conselho: espere seu cunhado viajar para os EUA, compre o Paperwhite de última geração na Amazon com entrega no hotel, e peça para o dito cujo trazer o mesmo com a discrição que a alfândega brasileira exige. O conselho também se aplica no caso de tios, primos, irmãos, mães e avôs.

Por Carlo Carrenho | Tipos Digitais | 20/12/2012

Snoopy e sua turma em versão digital


A distribuidora Graphicly anunciou no mês passado a parceria com a Peanuts Worlwide, que detém os direitos das tirinhas de Charlie Brown, para distribuir os livros e tirinhas na lojas da Apple iBooks, Amazon Kindle, Barnes & Noble Nook, Kobo Reader, Google Play Books entre outros. Serão mais de 60 títulos em formato digital, com clássicos infantis como Happiness is a warm blanket, Charlie Brown e todo o arquivo de tirinhas dos jornais.

Digital Book World | 20/12/2012

Kindle na Vila e na Ponto Frio: faz sentido?


Livraria da VilaQuando todo mundo acha a que o Natal da Amazon passaria em branco, ou melhor, sem Kindles no Brasil, a gigante de Seattle tirou um coelho do gorro do Papai Noel aos 43 minutos do segundo tempo. Aliás, um coelho não, mas dois, pois o Kindle começou a ser vendido ontem na loja online do Ponto Frio e estará a partir de amanhã, 20/12, nas prateleiras físicas das sete lojas da Livraria da Vila. E a pergunta que não quer calar é: Faz sentido a Livraria da Vila a Ponto Frio comercializarem o e-reader da Amazon?

A ideia não é nova. Em maio deste ano, a Amazon fechou um acordo semelhante na Inglaterra com a Waterstones, maior rede de livrarias do país de Shakespeare. E ninguém entendeu nada por lá. Por que o maior livreiro do Reino Unido ajudaria seu maior concorrente iminente? A verdade é que não houve alma que conseguiu responder esta pergunta satisfatoriamente. No caso da Waterstones, o acordo prevê não apenas um lucro comercial na venda dos aparelhos, mas também um participação nas vendas de conteúdo digital da Amazon desde que feitas no wifi das livrarias da rede inglesa. Ainda assim, ninguém entendeu. O caso tem dado margem para teorias da conspiração interessantes. Uma delas é que a Amazon teria um acordo com o proprietário da Waterstones, o bilionário russo Alexander Mamut, para que o mesmo fosse um sócio ou parceiro da Amazon em sua futura entrada na Rússia. Como disse, é uma teoria da conspiração, que ouvi de jornalistas ingleses, mas, honestamente, é a única coisa que ouvi a respeito deste acordo que parece fazer algum sentido.

Mas e a Livraria da Vila? Não se divulgou muita coisa a respeito de seu negócio com a Amazon, mas parece ser improvável que o acordo envolva participação nas vendas de conteúdo digital, como no caso da Waterstones. E mesmo que envolvesse, não teria como ser algo relevante. Paradoxalmente, dos grupos livreiros brasileiros, a Livraria da Vila é o que possui a menor presença virtual e o e-commerce menos desenvolvido. Em seu site, não há sistema de busca no catálogo e apenas 24 produtos são passíveis de compra. O Kindle, por enquanto, não é um deles. A atualização também deixa a desejar: ao se clicar na área sobre a Livraria da Vila, acessa-se um texto de 2010. Portanto, é um paradoxo que a menos digital das livrarias brasileiras seja onde Kindle será vendido. No entanto, talvez a lógica do acordo com a Amazon esteja neste paradoxo. A verdade é que a Livraria da Vila perdeu a corrida das vendas online. Imaginar que a loja ainda lance um e-commerce fantástico, capaz de superar Saraiva, Cultura, Submarino e outros me parece um tanto fantasioso. A charmosa rede de livrarias parece fadada ao mundo analógico, e este pode ser um modelo de negócios. Assim como a Taschen continuará publicando seus livros por muitos anos, haverá livrarias vendendo tais obras e outros livros de papel que não desaparecerão tão cedo. A aposta da Livraria da Livraria, portanto, talvez esteja em se manter como uma livraria butique, de livros físicos de qualidade. E charme e elegância ela tem de sobra para isso.

Portanto, pensando desta forma, e praticamente desistindo da corrida digital, o que a Livraria da Livraria teria a perder vendendo Kindles? Se ela já está fora do jogo virtual, isto não deve afetar muito seu destino. Se o futuro não tiver espaço para livrarias físicas butiques como a da Vila, ela já está fora do mercado de qualquer jeito, com ou sem Amazon. E se o futuro tiver este espaço, a Amazon pode até ajudá-la quebrando livrarias físicas concorrentes, mas com outra proposta. Nesta situação, por que não vender Kindles, mostrar uma cara moderna além de charmosa, conquistar novos clientes e ainda embolsar uma grana? Consigo ver bastante sentido nisto. E a Amazon, claro, está rindo à toa, pois conseguiu um caminho para chegar aos grandes leitores, que são, via de regra, assíduos frequentadores de livrarias como a da Vila.

Já a Ponto Frio, eu não vejo nenhuma lógica. Mais uma vez, a ideia de se vender Kindles em grandes varejistas físicos não é nova. Nos EUA, o aparelho esteve à venda em redes como a Wal-Mart e a Target, mas ambas as redes desistiram de oferecer o aparelho quando se deram conta de que estavam ajudando um concorrente em potencial, especialmente com a venda do modelo Fire do Kindle. Explica-se: este modelo é um verdadeiro tablet, e como tal permite ótima navegação na internet e compras na loja da Amazon. Ou seja, se tornou um verdadeiro cavalo de Tróia amazônico dentro dos varejistas concorrentes.

É bem verdade que o modelo Kindle à venda na Ponto Frio está longe disso. Além disso, neste momento, vendendo apenas e-books, a Amazon ainda não compete com o varejo físico brasileiro. Mas apesar de a empresa de Jeff Bezos se gabar de nunca revelar planos futuros, não é novidade para ninguém que eles vão trazer a loja inteira para cá. Os candidatos a vagas de Coordenador de Transportes e Gerente de Imóveis que a Amazon tem oferecido que o digam. Ou seja, a Ponto Frio parece estar apenas ajudando quem será seu maior concorrente em alguns meses. E se a Amazon conseguir trazer sua mentalidade centrada no cliente e de ótimo atendimento – e entrega! – para o Brasil, a Ponto Frio vai ter de melhorar bastante para manter seus clientes. Por isso, ao vender Kindles, a Ponto Frio parece ter entrado em uma fria.

Atualização I
Vale lembrar que a relação entre Amazon e Livraria da Vila é completamente diferente daquela entre Kobo e Livraria Cultura. O primeiro caso, pelo menos por enquanto, é apenas uma relação comercial. Já o modelo de negócios da Kobo, aplicado não só no Brasil com a Cultura, mas também em outros países, é uma verdadeira parceira da empresa nipo-canadense com uma rede de livrarias local. No caso da Kobo com a Cultura, há acordos de exclusividade e de cooperação mútua nos mais diversos sentidos.

Atualização II
Kindles já estão à venda na Livraria da Vila da Fradique Coutinho, em São Paulo, desde as 9h da manhã de 19/12, como mostra a foto abaixo. Por segurança, a empresa havia divulgado a data de 20/12 para começar a vender o aparelho, mas conseguiu realizar as primeiras vendas do mesmo um dia antes.

Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente em Tipos Digitais | 19/12/2012

Kindle chega para o Natal em São Paulo, e para o Dia de Reis no resto do país


Livraria da Vila e Ponto Frio vendem Kindle

KindleO “Mistério dos Kindles” terminou. A Amazon colocou as fichas em um varejista de grande porte e uma livraria tradicional para competir com o leitor da Kobo: a Ponto Frio e a Livraria da Vila já estão vendendo os aparelhos da 4ª geração do Kindle, sem 3G e sem touch screen. O preço é o mesmo prometido no site da Amazon.com.br: R$ 299. Nos EUA, o mesmo modelo pode ser adquirido por US$ 69.

Neste ano que termina, no meio de toda a discussão sobre leitores digitais, muito se falou sobre a possibilidade de se alcançar leitores fora do eixo Rio-São Paulo, e é para Anindeua, cidade vizinha à capital paraense Belém, que a Ponto Frio despachou um de seus primeiros Kindles vendidos, para Vanessa Tourinho. Ela contou ao PublishNews que nunca usou o Kindle, nem seus aplicativos em outra plataforma, e que o preço foi decisivo na escolha do leitor digital.

A ampliação do público consumidor está em sintonia com a política do outro vendedor do Kindle. A Livraria da Vila, que nunca foi vista como grande entusiasta do e-commerce, entra na onda digital para buscar novos mercados, ajudar a formar novos leitores e trazer de volta os que perderam o hábito. Sobre o paradoxo de ter uma livraria ajudando o que todas as outras olham como o apocalipse livreiro, Samuel Seibel, presidente da rede da Vila, afirma que “essa discussão tem sido muito focada no ‘eliminatório’, na ideia de que uma plataforma vai prevalecer sobre a outra. A minha percepção é de que deve haver uma convivência entre as formas de leitura, precisamos criar mais leitores, as livrarias têm de ser centros culturais onde as pessoas tenham vontade de consumir. Talvez mais pessoas se sintam atraídas por esse jeito kide ler”.

A rede paulista, que conta com 6 lojas na capital e uma em Campinas, pode não conseguir levar o Kindle até o Pará por enquanto como a Ponto Frio, mas tem suas cartas na manga. O leitor digital é vendido fisicamente com exclusividade nas lojas da rede até o final de janeiro, e, pelo menos na filial da Fradique, quem comprar um Kindle tem 10% de desconto nas compras de livros físicos, o que ilustra bem a filosofia de coexistência de plataformas da livraria. De qualquer maneira, a Vila também está se preparando para vender conteúdo na loja. Seibel nos conta que a livraria está mudando o sistema para comercializar e-books. O acordo com a Amazon também não restringe a Livraria da Vila à venda apenas do Kindle, mas Samuel quer antes “sentir o que acontece, queremos ser uma livraria que oferece o produto, conserva e amplia seu público”.

O livreiro que declaradamente prefere o livro físico não descarta a possibilidade do livro digital ser uma ameaça, mas não acha que o problema seja uma única empresa [no caso, a Amazon], e sim a forma de leitura como um todo. “Se o público optar por um tipo de leitura que não inclua o livro físico, a ameaça existe sim, mas o que tenho visto é que não há uma eliminação, e sim uma criação de mercado, você divide o bolo com mais pessoas só que o bolo vai ficando maior”, nos conta o presidente.

Assim como o vice-presidente da Amazon David Naggar, que quer vender milhões de aparelhos, Seibel é otimista sobre as vendas do aparelho. “Estamos trabalhando com a expectativa de vender muitos”.

Por Carlo Carrenho e Iona Stevens | PublishNews | 19/12/2012

Kindle começa a ser vendido on-line; lojas venderão a partir de quinta


Anunciado na primeira semana de dezembro junto com a chegada da Amazon ao Brasil, o Kindle já pode ser comprado por meio do site do Ponto Frio.

O aparelho começará a ser vendido em lojas físicas na próxima quinta-feira [20], em parceria com a Livraria da Vila – que não comercializa e-books.

A Amazon havia dito que o início das vendas on-line, carro-chefe nos EUA, começaria “nas próximas semanas”. No entanto, o site do Ponto Frio colocou o produto à venda antes do anúncio oficial, na noite desta terça [18].

O e-reader, que custa R$ 299, é a versão mais simples da linha da Amazon. Ele tem tela de seis polegadas que não emite luz, 16 níveis de cinza e navegação por botões [não tem touch].

CONCORRÊNCIA

A entrada da Livraria da Vila como parceira da Amazon na venda de Kindles ocorre em oposição à Livraria Cultura, que vende o e-reader canadense Kobo Touch no Brasil.

Com o mesmo tamanho de tela, mas mais versátil – já que lê arquivos EPUB, popular formato de e-books–, o Kobo Touch custa R$ 100 a mais que o concorrente. Veja comparações abaixo.

Editoria de Arte/Folhapress

Publicado originalmente em Folha de S.Paulo | 18/12/2012, às 18h18

China investiga eBooks da Amazon


ChinaAutoridades chinesas começaram a investigar os métodos de vendas dos e-books da Amazon, um dia após a abertura da Kindle Store no país. Segundo um relatório da ZDnet, a General Administration of Press and Publication of China [GAPP] começou as investigações na última sexta-feira, 14/12, para determinar se a Amazon violou regulações nas vendas em parceria com a Chineseall.com. Na loja online do Kindle, a Amazon afirma “Chineseall.com está providenciando suporte nas operações da loja Kindle”, e a mídia interpretou que a empresa americana estava usando a licença da parceira chinesa para funcionar.

Por Lisa Campbell | The Bookseller | 18/12/2012

CBL prepara o 4º Congresso Internacional do Livro Digital


Evento ocorrerá no mês de junho, em São Paulo

Congresso CBL Internacional do Livro DigitalCom o tema “O Livro Além do Livro”, a Câmara Brasileira do Livro [CBL] promoverá nos dias 14 e 15 de junho de 2013 o 4° Congresso Internacional CBL do Livro Digital, no Centro Fecomercio de Eventos, em São Paulo. O objetivo do Congresso é discutir os rumos do livro digital e principalmente sua importância para a educação e o fomento da leitura. As palestras abordarão assuntos como o papel do livro digital na educação, o limite entre os games e os livros digitais infantis, a influência do livro digital na leitura e o livro nas redes sociais. A Comissão do Congresso já convidou palestrantes nacionais e internacionais para o evento.

PublishNews | 18/12/2012

Qual será a maior eBookstore brasileira no fim de 2013?


Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente em Tipos Digitais | 18/12/2012

You cant beat being in a good bookshop. And Kindle would agreeCom um excelente e responsável trabalho de apuração, a jornalista petropolitana Raquel Cozer informou em sua coluna Painel das Letras, publicada na Folha de S.Paulo no último sábado, 15/12, que a Apple está na frente da concorrência na venda de livros digitais: “É a Apple, e não a Amazon, a loja que mais está vendendo e-books no país. E muito mais. O dado surpreendeu o mercado, especialmente porque a Apple chegou na surdina e vendendo livros em dólares, com cobrança de IOF”, informou Cozer. Realmente, com todo o alarde em cima dos lançamentos da Amazon, Google e Kobo, não era de se esperar que a supremacia da Apple durasse mais que alguns dias, mas o fato é que a empresa de Cupertino continua em primeiro lugar.

Mas antes de analisarmos a situação no Brasil, vale a pena olharmos para os EUA, onde a brincadeira digital começou para valer em 2007, e vermos como anda a briga pela venda de e-books por lá. O problema, ou desafio, é que ninguém divulga as vendas e fazer um ranking das empresas e determinar seus market shares é um trabalho de chute. Ou, como dizem os americanos, de forma discreta ou mais elegante, trata-se de “guesstimates”. Eu enfrentei o problema na prática alguns meses atrás quando fui buscar estes dados e escrevi aos maiores especialistas em livros digitais do mundo e ninguém tinha números ou relatórios precisos. Ainda assim, consegui elaborar a seguinte estimativa para os EUA que me parece bem próxima da verdade:

Ranking nos EUA

Amazon – 60%
Barnes & Noble – 25%
Apple – 7 %
Google – 7 %
Kobo e outros – 1%

Vale lembrar que a Kobo tem um participação bem fraca nos EUA, uma vez que perdeu seu distribuidor no país dois anos atrás, no caso a Borders. Mas agora que fecharam um acordo para serem distribuídos pelas livrarias independentes, começando já em 2013, a empresa canadense deve ganhar terreno. Já a Apple não vende tanto porque possui um catálogo bem menor que a concorrência, enquanto a Google nunca focou os e-books como os concorrentes. A Amazon segue suprema porque foi quem começou a brincadeira de verdade, e a Barnes & Noble – que a imprensa brasileira adora declarar como falida – conseguiu abocanhar um quarto do mercado americano e ainda fechar uma parceria com a Microsoft que não apenas trouxe capital para a empresa como vai permitir que o aplicativo do Nook esteja presente em todos os computadores com Windows 8.

Mas, voltando para terras tupiniquins e ainda baseado na pesquisa da Raquel Cozer, temos a seguinte situação a grosso modo:

Ranking nacional

Apple
Google
Saraiva
Amazon
Kobo / Cultura

A grande pergunta é se este ranking vai continuar assim. E eu opino que não. Acho que em seis meses já teremos mudanças grandes e, para 2014, este ranking estará bastante alterado.

A Apple está em primeiro lugar basicamente por três fatores:

Foi a primeira loja a oferecer um catálogo brasileiro de tamanho considerável, conquistando leitores em português que não leem em inglês.
É uma marca conhecida que oferece um processo de compra simples e já conhecido dos consumidores que compravam música e aplicativos.
Os livros aparecem automaticamente em buscas feitas no iTunes e em seus aplicativos para iPhone e iPad [ainda que a compra em si ocorra no IBooks]
O primeiro fator explica porque, com tanta gente já utilizando o Kindle e seus apps no Brasil, a Apple se mantem no alto. Na verdade, a briga agora é pelo mercado local, por leitores brasileiros que não querem ou não podem ler em inglês. E este público nunca usou o Kindle porque praticamente não havia conteúdo nacional. De repente, uma loja começa a vender livros digitais brasileiros e esta forte demanda reprimida de um público adepto à tecnologia – possuem iPads e iPhones – é suficiente para catapultar a Apple às alturas. Isto, aliado à confiança no processo de compra, já experimentado por estes consumidores, e ao fato de que nem foi preciso investir em publicidade, uma vez que as buscas por música e apps apresentavam livros nos resultados, fortaleceu ainda mais a empresa da maçã mordida.

E por que a Amazon ainda não decolou? Esta é fácil. Por mais que a empresa tenha ótimos apps de leitura para iOS, Android etc., é o leitor dedicado, o Kindle, que não apenas oferece a melhor experiência de leitura, como é o grande garoto-propaganda da plataforma. E onde estão os kindles? Tudo indica que em algum depósito alfandegário aguardando liberação, pois a amazon.com.br continua prometendo o mesmo para as “próximas semanas”. Outra coisa, a filial amazônica brasileira ainda não começou nenhuma campanha de marketing por aqui. Nos outros países onde o Kindle foi lançado, houve fortes campanhas de publicidade bastante presentes na mídia [veja anúncio veiculado na Inglaterra acima].

Agora algumas conjecturas… A Google também é uma supresa em segundo lugar, e isto provavelmente se deve à promoção de sua loja e dos livros nos próprios resultados de pesquisa. A Saraiva está em um interessante terceiro lugar provavelmente porque o fuzuê da mídia em torno do livro digital acabou beneficiando a iniciativa nacional neste primeiro momento. Sem falar que é possível comprar um livro na Saraiva e lê-lo no leitor da Kobo/Cultura. Esta última, por sua vez, ainda precisa de um tempo para promover a marca. E também vale lembrar que, para o consumidor final, a e-bookstore da Livraria Cultura não mudou muito. A novidade foi o aumento do catálogo em formato ePub e a chegada do e-reader Kobo Touch, mas não o lançamento de uma loja.

Mas vamos às profecias. Como estará o ranking de e-bookstores brasileiras em seis meses no meu melhor guesstimate? Veja abaixo:

Ranking no Brasil em 6 meses:

Amazon
Apple
Google
Kobo / Cultura
Saraiva

E justifico de forma breve. Os leitores Kindles vão chegar e a Amazon vai investir muito em publicidade e promoção, chegando rapidamente à posição número 1. A Apple deve abrir sua loja em reais e a facilidade de se comprar na moeda local e sem IOF, aliada às vantagens já citadas, deve segurar a empresa na segunda posição. A parceria paulistano-canadense Cultura / Kobo com certeza passa a Saraiva por oferecer um bom e-reader e o melhor aplicativo de leitura para iOS do mercado. E a Google fica onde está.

E na virada para 2014? Como estará o raniking em um ano? Aqui vai minha previsão:

Ranking no Brasil em 1 ano

Amazon
Kobo / Cultura
Apple
Saraiva
Google

E vamos às justificativas, começando pela Amazon. Acredito que em um ano, a empresa vai se consolidar. Suas campanhas de marketing, a chegada do Kindle, o boca-a-boca, a excelente plataforma e o bom gerenciamento da loja com algoritimos vão começar a mostrar resultados de peso. Além disso, ao longo dos próximos 12 meses, a empresa poderá começar a vender livros físicos e oferecer os Kindles de ponta, com touchscreen e 3G, no Brasil, o que ajudaria a consolidar sua posição. A parceria Kobo / Cultura terá conseguido estabelecer sua marca e seu e-reader e, ajudada pelas livrarias físicas da Cultura, provavelmente alcançará um honroso segundo lugar. A Apple deve começar a perder terreno porque não deve tratar o e-book como prioridade. Pelo menos tem sido assim em outros mercados. Um exemplo que já ocorre hoje: enquanto Amazon, Kobo e Google já possuem executivos brasileiros no Brasil atrás de conteúdo, a Apple segue expandindo seu catálogo à distância, lá de Cupertino. A Google, por sua vez, carece da mesma falta de foco em e-books que a Apple, e deve ficar para trás também. Se a Apple quer vender coisas que brilham, como já disse o editor Julio Silveira, a Google quer vender publicidade. E os livros digitais são apenas meios que levam a fins para as duas empresas.

Mantidas todas as premissas, a todo-poderosa Saraiva deve amargar a quarta posição daqui um ano. Mas é difícil acreditar que o grande grupo livreiro e editorial, que tem capital aberto e ações na bolsa, vá ficar quieto diante de tanto rebuliço. A Saraiva hoje é como um animal ferido, e deve reagir à altura, o que seria muito bem-vindo para a manutenção da concorrência.

E também não podemos esquecer a Barnes & Noble, que tem estado quieta, mas nunca deixou de ter o Brasil sob seu radar. Se a maior livraria americana resolver aportar por aqui, estes rankings vão mudar.

O momento, portanto, é de aguardar e ver como a maior livraria americana e maior livraria brasileira vão se comportar e reagir em relação à chegada dos grandes players internacionais no Brasil. E dependendo do que fizerem, juntas ou separadas, tudo pode mudar.

Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente em Tipos Digitais | 18/12/2012

Biblioteca Nacional de França lança aplicação com livro de Voltaire


Cândido, de Voltaire

Cândido, de Voltaire

A Biblioteca Nacional de França iniciou a publicação de uma coleção de aplicações para iPad que reúne clássicos da literatura francesa. O primeiro título disponível éCândido, de Voltaire. O e-book incluirá conteúdos exclusivos, como imagens do manuscrito original que se encontra na referida Biblioteca Nacional.

Blogtailors | 18/12/2012 | Via Ler ebooks.

Novo sistema de ensino investe no tablet


No ano que vem, 150 escolas privadas adotarão o Uno, que chega de olho nas redes municipais

A partir do ano que vem, 150 escolas particulares do Brasil vão iniciar as aulas com um novo sistema de ensino já presente em alguns países da América Latina. Ancorado no emprego de tablet, bilinguismo, capacitação de professores e avaliações, o sistema Uno Internacional, da Santillana, chega à rede privada brasileira com olhos bem atentos no gigantesco mercado de redes municipais.

O modelo foi desenvolvido no Brasil, mas adotado antes em outros países da região. Neste primeiro ano, estarão envolvidos 75 mil alunos de 150 escolas. Três prefeituras estão com a negociação avançada. “Temos um objetivo forte de chegar à rede pública. O antecedente em escolas particulares é importante“, diz o diretor global da Uno Internacional, Pablo Doberti.

No México, o Uno Internacional envolve 130 mil alunos de 420 escolas. E a ideia é chegar a 1 milhão na América Latina em 4 anos. Para começar a operar no Brasil, o Santillana investiu 22 milhões. O sistema tem parcerias com Apple, Discovery, Animal Planet e Unesco.

Disputa. Em um País com 5.565 municípios, a rede pública é vista com muito interesse pelas empresas de sistemas de ensino. Gigante no setor, a Pearson já trabalha com 150 municípios. “No Brasil, a área pública é um dos nossos vieses mais importantes. Além da competição, inovação e profissionalização serão as batalhas“, diz o superintendente de Educação Básica da Pearson, Mekler Nunes.

Pesquisa realizada pelo setor em 2011 mostrou que 44% das prefeituras paulistas adotavam algum sistema de ensino – os primeiros contratos de municípios com sistemas privados foram feitos em 1999 pelo Grupo COC, em cerca de 90 cidades.

Cada município adota um sistema diferente. Alguns abandonam totalmente o uso dos livros didáticos distribuídos pelo governo federal. Outros usam as apostilas, mas mantêm os livros como complemento.

Além disso, compras e aquisições impulsionaram a disputa. Há dois anos, numa batalha com a própria Santillana, a Abril Educação comprou o Grupo Anglo. Dias depois, a Pearson Education comprou parte do controle acionário do Sistema Educacional Brasileiro [SEB], controlador do COC, Pueri Domus, Dom Bosco e Name, numa operação de R$ 888 milhões.

O Kroton, dono da Rede Pitágoras, com 226 mil alunos no ensino básico, também teve 50% do controle acionário vendido para o Advent, fundo financeiro internacional. Nesta área, restam dois grandes grupos brasileiros, o Positivo e o Objetivo.

Experiência. O Uno Internacional é estruturado para o uso de projetores em vez de lousa, além dos tablets, com aplicativos, vídeos, jogos e textos. Todo o material didático é desenhado em cima das matrizes de habilidades e competências. Os coordenadores do Uno insistem que não é só colocar o tablet nas carteiras. A escola decide quantos aparelhos compra e se os utiliza em todas as aulas.

A proposta é transformar a gestão para que se chegue a um estágio cada vez mais avançado de digitalização. Uma tentativa de diminuir a distância entre a escola e a imersão tecnológica na qual os jovens vivem.

Como a maioria dos sistemas de ensino, não está prevista alteração no currículo. O sistema também não prevê um modelo de ensino integral, que fica a cargo de cada escola. “Não adianta impor uma mudança e chegar a uma escola de forma experimental. O importante é ganhar escala“, argumenta Doberti.

Nas salas de aula, a presença do equipamento e sua aplicabilidade parece conquistar os alunos. “Com o iPad é muito mais fácil. Acho que aprendo mais, é mais divertido“, explica o estudante mexicano Isaac Garrido Morales, de 10 anos. Isaac é um dos 400 alunos da escola Green Valley, em Puebla, a 130 quilômetros da Cidade do México.

Na escola Green Hills, no bairro San Jerónimo, na Cidade do México, o professor de espanhol Hector Avila propôs que os alunos escrevessem um poema baseado em uma música. Depois deviam, no iPad, buscar imagens na internet que melhor representassem cada verso, musicar a composição e transformar tudo em um vídeo.

O material seria encaminhado depois por e-mail para todos os colegas. “Todas as aulas mudaram, mas espanhol foi a que ficou melhor“, diz Tamara Junqueira, de 14, já acostumada a usar seu tablet em casa.

Avila afirma que o caminho da tecnologia na sala de aula é inevitável. “É um instrumento dessa geração. Nós, professores, temos de nos adaptar a ele.

O educador Paulo André Cia, diretor do Colégio Arbos, no ABC Paulista, decidiu pela adoção do sistema por conta desse avanço tecnológico. “Com a possibilidade de usar iPad, a escola consegue desenvolver uma sala com ambiente digitalizado que permite o uso de aplicativo, e essa é a grande revolução“, diz.

Capacitação. Romper a resistência e o receio dos docentes com novas tecnologias e com a própria mudança faz parte do projeto. Professores e diretores são capacitados antes de começarem a usar o sistema e coordenadores regionais mantêm contato com a rede. Em janeiro, acontece a capacitação dos docentes em Brasília. “O treinamento é intensificado na implementação, mas o contato é permanente“, explica a coordenadora do Uno, Teresa Álvarez Garcillán, espanhola que vive no México.

A professora Irma Orozco, de 45 anos, da escola Fundação Imka, no pobre bairro Tlahuac, também na capital mexicana, afirma que a preparação é o ponto-chave para ter sucesso na sala. “O principal é planejar a aula. Senão a gente perde o controle“, diz ela.

Na sala de aula, Irma explicava aos alunos de 12 anos a linguagem do rádio e sua função. No próprio tablet, eles encontravam o exercício e digitavam as respostas.

No começo deu uma insegurança, porque eles são muito mais rápidos com essas coisas que a gente.

POR PAULO SALDAÑA | ENVIADO ESPECIAL, CIDADE DO MÉXICO | O Estado de S. Paulo | 17/12/2012, às 2h 03

O futuro da edição eletrônica na Índia


Por Octavio Kulesz | Publicado originalmente em PublishNews | 17/12/2012

No dia 11 de novembro de 2012, a Índia apresentou a versão 2 de seu tablet Aakash. O dispositivo conta com um processador de 1GHz, 512 MB de RAM e uma tela de 7 polegadas. Uma das características mais impressionantes do Aakash é seu baixo custo: o estado indiano pagará 41 dólares por cada aparelho, e os estudantes poderão adquiri-lo ao preço subsidiado de 21 dólares. A escala de produção promete ser gigantesca: pelo menos 220 milhões de tablets serão entregues nos próximos 5 anos. Apesar das dificuldades enfrentadas por sua primeira versão, o Aakash se converterá sem dúvida em uma plataforma chave de leitura digital nos países em desenvolvimento. Para discutir e explorar estes temas, conversamos com Vinutha Mallya. Vinutha é atualmente consultora da Mapin Publishing e colaboradora frequente de Publishing Perspectives. Também é membro visitante do curso National Book Trust na Índia e assessora da conferência anual Publishing Next.
 
Octavio Kulesz | O governo indiano recentemente lançou o modelo Aakash-2, e as cifras são realmente surpreendentes [220 milhões de tablets nos próximos 5 anos]. Em sua opinião, quais são as vantagens e desvantagens do projeto?

Vinutha Mallya | Sem dúvida, trata-se de um projeto ambicioso. Se for bem implementado, tem o potencial de revolucionar a distribuição de conteúdo educativo no país. Também facilitará o acesso aos nativos digitais [que são muitos na Índia] e os estimulará a participar na produção e consumo de conteúdo elaborado graças à tecnologia.

OK | E em relação aos desafios?

VM | Os desafios são numerosos, especialmente quando se trata de iniciativas de semelhante escala. Tirando a corrupção – que frequentemente aparece nas etapas de implementação – em algumas ocasiões, os projetos com estas características dependem muito das pessoas que os idealizaram. Assim, quando esse indivíduo se retira da função, o projeto corre sérios riscos.

Mas temos um antecedente que pode nos mostrar o caminho: o projeto C-DOT, que desde sua implementação em 1984 abriu rapidamente as portas às telecomunicações em todo o país. A rede de telefonia chegou a cada povoado no lapso de uma década. Graças ao trabalho realizado com o C-DOT, todos os projetos atuais relacionados com tecnologias da informação e da comunicação para o desenvolvimento foram fortalecidos.

Com relação ao dispositivo em si: ainda precisamos ver se os problemas tecnológicos e de bateria assinalados no Aakash-1 foram resolvidos no Aakash-2.

Em todo caso, como seu uso principal está vinculado a atividades de aprendizagem na sala de aula, será a abordagem pedagógica focada na tecnologia que determinará seu sucesso. Agora, isto constitui um desafio adicional, pois a conectividade nas áreas não urbanas ainda é um sonho: desde a presença de instituições, até a existência de meios de transporte, centros com Internet e professores que saibam usar bem os dispositivos. O projeto Aakash-2 é bastante consciente destas dificuldades e começou a utilizar o dispositivo para capacitar professores de universidades de Engenharia.

Minha maior preocupação é que sejam os estudantes de ciências e disciplinas tecnológicas que recebam um tratamento prioritário, antes dos alunos de artes e humanidades [como ocorre com todos os recursos educativos na Índia]: quando o dispositivo chegar às mãos destes últimos, já teremos perdido muito tempo.

E aqui devo acrescentar outro desafio, talvez o mais importante: a necessidade de contar com conteúdos nas línguas da Índia que estejam bem adaptados ao dispositivo. Não tenho certeza de quão preparado está o Aakash para albergar este tipo de material. Teremos que esperar e ver.

Muitos colegas indianos que trabalham com educação e no campo dos conteúdos ficam céticos cada vez que o governo anuncia estas iniciativas impactantes, porque a implementação é quase sempre problemática. Os especialistas poderão resenhar as características técnicas do aparelho, mas o realmente importante será analisar de que maneira e em quanto tempo ele chegará às mãos de seu público-alvo.

Vale a pena lembrar que no caso do Aakash, o governo não está envolvido diretamente. Delegou esta responsabilidade a uma instituição nacional autônoma – primeiro o Instituto Tecnológico de Rajastão e agora o de BombaimDatawind é a empresa que subcontratará para a fabricação dos dispositivos.

OK | Com suas vantagens e desafios, o Aakash significará sem dúvida um grande progresso em termos de ampliar a leitura digital. Você acha que os editores indianos estão fazendo um grande esforço para ficarem atualizados na era eletrônica? Que conselhos você daria a eles?

VM | Os editores indianos estão dispostos a fazer o esforço, não se pode duvidar disso. Veem que existe um potencial nos novos meios de distribuição de conteúdo e estão muito atentos a esse mercado. O inconveniente reside nos fortes investimentos que um pequeno editor necessita realizar para migrar para o digital. Mais ainda, muitos nem sequer conseguem discernir exatamente em que direção deveriam ir.

Muitos editores optarão por seguir as tendências marcadas pelas empresas multinacionais cujas sucursais locais têm acesso à tecnologia desenvolvida no Ocidente e a implementarão aqui. Na minha opinião, o que falta é um pensamento que vá “de baixo para cima”. Por esse motivo, a via escolhida costuma ser mais imitativa que inovadora.

Meu conselho seria criar soluções para as realidades locais, levando em conta a diversidade geográfica e cultural. Mas os editores deveriam primeiro capacitar-se e prestar mais atenção a todas as opções disponíveis. Por exemplo, um software caro nem sempre constitui a melhor resposta, enquanto que um simples fluxo de trabalho baseado em XML pode ser suficiente para ingressar de maneira bem-sucedida no mundo digital. Deveriam também compreender a relação entre os dispositivos atuais e o conteúdo, para saber que tipo de publicações encaixam melhor em quais aparelhos.

OK | Nos últimos meses, muitos grandes jogadores internacionais – como a Amazon – realizaram suas próprias incursões na Índia. No entanto, em setembro passado, o governo indiano introduziu certas regulamentações com relação às empresas globais de Internet. O que aconteceu exatamente? Acha que isto poderia ser um obstáculo para o ingresso destes atores?

VM | Tecnicamente, o governo indiano não estabeleceu os regulamentos agora. O comércio varejista indiano estava fechado ao investimento estrangeiro direto até que o governo liberalizou o setor em setembro. As marcas varejistas indianas que tinham sido criadas por grandes corporações locais formaram um poderoso lobby que acelerou as mudanças. Amazon e Walmart também pressionaram pela desregulamentação.

Talvez por causa da forte oposição que isto produziu, o governo permitiu só uma porcentagem de investimentos por parte de empresas internacionais no ramo varejista. De modo que os investidores estrangeiros que tentam ingressar no comércio varejista de marcas múltiplas – como Walmart e Amazon – deverão se aliar com um sócio indiano. Walmart seguiu por este caminho, unindo forças com Bharti. A Amazon não parece interessada em se aliar com ninguém. Este fato, somado à lei segundo a qual este tipo de entidade não pode se envolver no comércio eletrônico, esmaga as esperanças da Amazon de fazer negócios aqui, já que o comércio eletrônico encontra-se no coração de seu modelo. Certamente, o governo desregulamentará este setor nos próximos anos. Mas por enquanto a Amazon não pode se estabelecer na Índia. Deverá continuar com seu site Junglee, que é um agregador online, mas não um vendedor direto.

Sobre se isto é um obstáculo ou não, depende do ponto de vista. Acho que mudanças de semelhante envergadura devem ser realizadas passo a passo, cuidando da saúde do país, em vez de ceder à pressão de grupos poderosos. Assim, prefiro que os planos dos atores globais sejam lentos, se isto permitir que o público indiano consiga se adaptar às mudanças. Por certo, a empresa conformada por Bharti e Walmart já está sob a lupa das autoridades, acusada de violar as normas de investimento estrangeiro direto.

OK | A Índia se converteu em um centro global de software. Mas, além de oferecer serviços informáticos, podemos esperar que a Índia se transforme em um ator relevante em termos de conteúdos, hardware e outros aspectos do ecossistema digital. Qual é sua visão sobre este tema? Que lugar a Índia deveria aspirar no longo prazo?
VM | Infelizmente, é preciso admitir que apesar de que a índia se destaca por seus serviços informáticos, não é conhecida como produtora de conteúdos. Ainda importamos uma enorme porção de nosso conteúdo [em inglês, claro], e neste sentido somos considerados pelos editores estrangeiros como simples consumidores, mais que como produtores. Para ocupar um lugar no ecossistema da edição digital internacional, a Índia deverá produzir conteúdo de qualidade que possa ser distribuído em escala planetária.

Por Octavio Kulesz | Publicado originalmente em PublishNews | 17/12/2012

Octavio Kulesz é formado em Filosofia pela Universidade de Buenos Aires e atualmente dirige a Teseo, uma das

Octavio Kulesz

principais editoras digitais acadêmicas da Argentina. Em 2010, criou a rede Digital Minds Network, junto com Ramy Habeeb [do Egito] e Arthur Attwell [da África do Sul], com o objetivo de estimular o surgimento de projetos eletrônicos em mercados emergentes. Em 2011, escreveu o renomado estudo La edición digital en los países en desarrollo, com apoio da Aliança Internacional de Editores Independentes e da Fundação Prince Claus.

Sua coluna Sul Digital busca apresentar um panorama dos principais avanços da edição eletrônica nos países em desenvolvimento. Tablets latino-americanos, leitura em celulares na África, revoluções de redes sociais no mundo árabe, titãs do hardware russos, softwares de última geração na Índia e colossos digitais chineses: a edição digital no Sul mostra um dinamismo tanto acelerado quanto surpreendente.

eReaders devem vender cada vez menos


Estudo mostra redução de 36% na comparação com o ano passado; enquanto isso, tablets só crescem

e-readersSÃO PAULO | Enquanto os e-readers começam a chegar ao mercado brasileiro, nos EUA eles parecem estar em forte declínio. É o que sugere um estudo que mostra uma queda de 36% nas vendas desse tipo de aparelho nos EUA.

No final de 2012, encomendas de e-readers nos EUA devem atingir 14,9 milhões. No mesmo período o ano passado, o número foi de 23,2 milhões. O levantamento foi feito pela empresa de pesquisa americana IHS iSuppli.

A previsão é de que o aparelho perca ainda mais terreno nos próximos anos, caindo para 10,9 milhões ano que vem e 7,1 milhões em 2016.

A culpa é principalmente dos tablets, que, além de cumprir o papel do e-reader, oferecem uma série de outros recursos. Nos EUA, os tablets são muito mais acessíveis, com modelos de qualidade custando cerca de R$ 400. Em 2012, estima-se que serão vendidos 120 milhões de tablets nos Estados Unidos [e 340 milhões em 2016].

De acordo com Jordan Selburn, analista do IHS, a rápida ascensão e queda do e-reader é “inédito”, mesmo na área de eletrônicos.

E-readers perdem espaço para os tablets e smartphones

E-readers perdem espaço para os tablets e smartphones

Publicado originalmente em Link | 17 de dezembro de 2012, às 11h05 | As informações são do Smart Planet.

O despreparo brasileiro para lidar com os livros digitais


No meio de outubro, o responsável pelo site eBooksBrasil, Teotônio Simões, recebeu uma notificação da Associação Brasileira de Direitos Reprográficos [ABDR]. O aviso por e-mail pedia a remoção do livro A Cidade Antiga, de Fustel de Coulanges, em 24 horas.

Era para ter sido uma notificação como outras, não fosse um detalhe: Fustel de Coulanges morreu há mais de 70 anos – sua obra, portanto, está em domínio público – e o tradutor, Frederico Ozanam Pessoa de Barros, autorizou a publicação do livro no site. Na resposta à ABDR, Simões citou o artigo 138 do Código Penal [o que define “calúnia”] e avisou a entidade: atribuir falsamente um crime a alguém pode render prisão de até dois anos.

A ABDR é linha-dura em relação à divulgação de obras na internet. Ela segue a cartilha de outras entidades que cuidam de direitos autorais em outras áreas – música e cinema, por exemplo – e vive emitindo pedidos de remoção ao se deparar com conteúdo supostamente pirata na rede.

Um estudante de letras da USP sentiu de perto a política da ABDR: ele foi processado por criar o site Livros de Humanas, que divulgava obras usadas por universitários. Acadêmicos e autores – como Paulo Coelho – se manifestaram publicamente contra a entidade. O autor brasileiro mais vendido de todos os tempos chegou até a publicar em seu blog o telefone e o e-mail da entidade, incitando as pessoas a protestarem contra a ação. “É permitido trollar”, escreveu.

A indústria cultural demora a aceitar que é impossível controlar a internet. E isso nem fica restrito apenas aos blogs. No Twitter, usuários já se organizaram para criar uma biblioteca de obras – tweets com links para download de livros são agrupados por uma hashtag. Quem controla todos os usuários?

Em vez de tirar proveito do potencial de divulgação da rede, as empresas insistem em tentativas de controlar a circulação de obras. Foi assim com a música, com o cinema e, agora, cada vez mais com os livros. E-books já circulam na rede há muito tempo. Há excelentes bibliotecas virtuais que disponibilizam obras na íntegra. Mas o fim de 2012 marca a chegada de grandes empresas no mercado editorial virtual, como Amazon e Google Play, no País. O mercado vai mudar. E, como em toda mudança, há um lado que sente medo.

A Associação Nacional das Livrarias pede que os lançamentos demorem 120 dias para chegar ao digital. Mas quatro meses é tempo suficiente para os usuários escanearem e jogarem a cópia na web. Não dá para jogar contra a internet – é preciso saber lidar com ela. A Amazon sabe disso e investe no digital.

Aqui no Brasil, a diferença é que o consumidor ganha mais uma opção – o que é especialmente animador em um país com índices tão baixos de leitura. Tentar impedir blogs de divulgarem links, emitir notificações e processar estudantes é um modelo que já se mostrou ineficiente em outras indústrias. O mercado editorial terá de aprender na marra que é impossível remar contra a evolução.

Por Tatiana de Mello Dias | LINK do Estadão | 16 de dezembro de 2012, às 18h50

Ligação direta com o leitor


Com a popularização de ferramentas para produção e venda de ebooks e o sucesso de obras lançadas sem mediação de grandes editoras, escritores investem na autopublicação, que dá nova cara ao mercado, inclusive no Brasil, onde a Amazon começou suas operações há duas semanas

Até o meio da semana, a segunda posição da lista de ebooks mais vendidos pela Amazon nos Estados Unidos era ocupada por “Stop the wedding!”, romance da americana Stephanie Bond. O livro, sobre como uma advogada e um investidor tentam impedir seus pais de se casarem mas acabam se apaixonando, foi lançado em novembro. Ele não existe em versão física e, até o momento, não está à venda em outro lugar que não seja o site da Amazon. Sua editora é uma tal NeedtoRead Books, casa que tem em seu catálogo 16 livros. Todos de Stephanie Bond. O que a autora tem feito é utilizar os recursos da Amazon para lançar seus próprios livros, sem a necessidade de uma grande editora como intermediária. Ela é um dos mais recentes exemplos da popularização de uma prática que está transformando o mercado editorial: a autopublicação.

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Casos como o de “Stop the wedding!” vêm se repetindo. Ao longo de 2012, foi comum a inclusão, na lista de mais vendidos do jornal “The New York Times”, de livros lançados pelos próprios autores. Foram obras como “Slammed”, de Collen Hoover, “Playing for keeps”, de R.L. Mathewson, ou “Training Tessa”, de Lyla Sinclair. Elas existem porque a Amazon tem um sistema que permite a qualquer pessoa colocar um ebook à venda no site. Em geral, são livros baratos [“Stop the wedding!”, por exemplo, custa US$ 0,99], com temas que “variam” da comédia romântica ao drama romântico, com especial destaque para o erotismo romântico — a sensação do ano, a trilogia erótica “Cinquenta tons de cinza”, de E.L. James, foi publicada pela primeira vez pela própria autora num fórum de fãs de “Crepúsculo”, antes de a editora Vintage Books lançá-la nos moldes tradicionais.

Mas há livros de turismo, acadêmicos, de fantasia ou reportagens sendo “autopublicados” com sucesso, inclusive no Brasil, onde a Amazon começou suas operações há duas semanas. Eles representam uma democratização no acesso a um mercado antes restrito [qualquer desconhecido que já tentou publicar um livro por uma editora sabe da dificuldade que é ter seus originais aceitos] e um desafio para as editoras.

— Com a autopublicação, qualquer um, empresa, universidade ou autor, pode se tornar sua própria editora. Se as grandes casas editoriais não se mexerem, elas certamente serão afetadas por esse panorama — afirma Harald Henzler, diretor-geral da empresa alemã de consultoria para negócios digitais Smart Digits.

A história da autopublicação remonta às origens do mercado editorial. No século XIX, era comum autores que depois teriam sucesso bancarem a publicação de seus próprios livros. No século XX, mimeógrafos foram constantemente utilizados para a reprodução de livros de escritores que não conseguiam contratos com editoras ou não tinham autorização para lançar suas obras por questões políticas. Com a popularização da internet, há pouco mais de uma década, jovens autores lançaram romances em sites ou blogs. Mas o que todos queriam mesmo era um contrato com uma editora, o que possibilitaria que um livro chegasse a uma grande livraria com destaque, tivesse uma divulgação organizada e, por consequência, ganhasse mais leitores.

A diferença, hoje, é que se pode ter tudo isso por conta própria, até mesmo de uma maneira profissional. Na esteira do serviço de autopublicação da Amazon, surgiram empresas que oferecem aos autores um pouco da expertise de uma editora. Antes de pensar em lançar seu livro, o autor pode contratar a revisão, a produção da capa, a conversão do texto para o formato digital e até mesmo a edição do texto. Um livro autopublicado pode, sim, ter um tratamento tão bom quanto o oferecido por uma editora tradicional. O que ele não vai ter é a marca. E isso, para muita gente, ainda faz diferença.

— A editora sempre vai ter um peso, ao menos o peso da credibilidade — diz Ana Paula Maia, que, antes de se tornar uma escritora reconhecida, já pagou parte da publicação de “O habitante das falhas subterrâneas” em 2003, pela 7Letras [o livro será relançado na semana que vem pela editora Oito e Meio] e também publicou um romance inteiro num blog [“Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos”, de 2006, posteriormente lançado pela editora Record]. — Existe um valor grande agregado a uma grande editora. Ela indica para os leitores um padrão de qualidade, mas o que também não quer dizer que você é um grande autor só por estar numa editora. Neste mundo novo, acho que a editora vai ter um papel mais opinativo. Não vai ditar mais as regras, mas vai ser um filtro.

‘A marca das editoras é muito forte’

A questão é que, neste mundo novo descrito por Ana Paula, as editoras tradicionais estão tentando seguir essa estrada da autopublicação. Em julho, a Penguin comprou por US$ 116 milhões a Author Solutions, uma das principais plataformas de autopublicação na web dos EUA. O trabalho da Author Solutions consiste exatamente em oferecer a autores os recursos necessários para lançar seus livros com uma roupagem de qualidade: em seu site, a empresa fundada em 2007 diz já ter “ajudado mais de 100 mil autores a publicar mais de 170 mil títulos e alcançar seus objetivos editoriais”.

Antes, a própria Penguin já havia lançado um braço próprio para oferecer a autores a possibilidade de autopublicação, ideia que foi seguida por outras editoras, como a Random House.

— As editoras enxergam a autopublicação como uma forma de descobrir novos autores e testar novos conceitos — diz o americano Greg Bateman. — Mas elas não vão perder terreno com a prática. Com os livros digitais, haverá um espaço grande para todos crescerem. O futuro é muito bom para todos.

Bateman participou da equipe que desenvolveu o Kindle, o leitor digital da Amazon lançado em 2007, e é o criador do Vook, uma plataforma de produção de ebooks. Desde o início deste ano, ele está morando em São Paulo, justamente por acreditar que há um terreno fértil no Brasil para o crescimento do livro digital. Na próxima terça-feira, às 19h30m, ele estará no Oi Futuro do Flamengo, para participar do evento Zona Digital, em que vai abordar o tema do “livro aplicativo”.

— No Brasil, a marca das editoras é muito forte. Mas o poder do automarketing, de redes sociais como Facebook e Twitter, também é muito forte. Então as marcas não são mais 100% necessárias para vender livros. É preciso buscar outras formas, e é isso que os profissionais que lidam com autopublicação estão fazendo — afirma Bateman.

Um dos pilares da autopublicação está em se libertar do que seriam as amarras do mercado. Um autor que paga por sua obra não precisa esperar na fila de uma editora, muito menos precisa ouvir opiniões de um editor [muitas vezes duras, mas também reais] sobre seu livro. Para ele, vale a divulgação pela internet, em redes sociais e sobretudo nas resenhas escritas pelos próprios leitores [e, claro, por que não?, por amigos e parentes] no site da Amazon.

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De acordo com um relatório da Bowker, a agência que cuida dos registros americanos do ISBN, cerca de 87 mil ebooks foram publicados por seus próprios autores nos EUA, um número 129% maior do que o de 2006, antes de o Kindle ser lançado. Só que lançamento ainda não é sinônimo de venda. Por enquanto, a maioria dos livros de autopublicação não é comprada por mais de cem leitores.

— Uma editora tradicional sabe como trabalhar um livro comercialmente, tem todo um conhecimento que não pode ser menosprezado — afirma Otávio Marques da Costa, publisher da Companhia das Letras. — Minha impressão é que a Amazon tinha a expectativa de que a autopublicação fosse estourar e dar certo muito rápido. Mas não aconteceu com a velocidade que esperavam, e a própria Amazon acabou lançando uma editora nos moldes tradicionais.

Marques da Costa argumenta, ainda, que o que vem ocorrendo hoje com o sucesso de algumas obras publicadas de forma independente é mais um fenômeno de nicho do que uma ameaça ao formato consagrado pelas editoras.

— Esses grandes fenômenos de autopublicação costumam ser romances femininos ou eróticos. Raramente algo diferente aparece. Mas, mesmo nesses casos, geralmente os autores acabam assinando depois com as grandes editoras, como foi o caso do “Cinquenta tons de cinza” — diz ele. — Para o leitor, o julgamento de uma grande editora, do que deve ou não vir a público, é muito importante.

Na última quarta-feira, a versão em ebook de “Cinquenta tons de cinza”, lançada no Brasil pela editora Intrínseca, estava em sexto lugar na lista dos mais vendidos no site brasileiro da Amazon. Já em sétimo, logo atrás do maior sucesso de 2012 no mercado editorial, aparecia um livro chamado “Paris para principiantes”, um guia de viagem com texto e fotos de Paulo de Faria Pinho.

‘A filosofia é outra’

Ao preço de R$ 1,99, “Paris para principiantes” foi lançado pela KBR, uma empresa com 91 títulos no catálogo, em que os próprios autores pagam pela publicação de seus livros. A sede da KBR fica em Petrópolis, região serrana do estado do Rio, na casa de sua fundadora, CEO, única funcionária e uma de suas principais autoras, Noga Sklar.

— O jogo ficou aberto para todo mundo. Antes da chegada da Amazon, a KBR não era nada. Agora, estou aqui pensando no que vai ser o futuro da empresa — explica Noga. — Até agora, o editor era aquele santo no altar, ninguém conseguia falar com ele. Eu como autora sempre fui maltratada, sofria rejeição. Mas há milhões de outras saídas, não precisa ficar na fila de uma editora por três anos, esperando alguma coisa acontecer.

Também no site brasileiro da Amazon, um dos livros mais vendidos dentro da categoria “erótico” é “Sem graus de separação”, um dos oito já lançados por Noga. A KBR foi criada justamente para levar à Amazon americana os livros de sua fundadora e cresceu quando ela passou a ser procurada por outros autores interessados em oportunidades semelhantes de levar sua obra para o público. Noga costuma chamar seus autores de “sócios” da empresa, já que eles financiam boa parte do trabalho de produção.

— Se as grandes editoras não perceberem que o negócio mudou, elas vão ter problemas. A filosofia é outra. Essa coisa de as editoras fazerem tiragem vai acabar. Elas também vão ter que começar a olhar mais para as redes sociais e outros canais de promoção. O que a Amazon faz melhor é tratar bem o consumidor. É tudo personalizado. Eles te chamam pelo nome, sabem seu gosto. E permitem que você compartilhe suas impressões sobre um livro em avaliações que têm tanto valor quanto a de qualquer profissional — diz Noga.

Porém, mesmo com o bom resultado de “Paris para principiantes” na lista de mais vendidos da Amazon, havia até o meio da semana uma única avaliação de consumidor sobre o livro. “O ‘Paris’ de Paulo Pinho é uma caixa de surpresas e uma joia de livro, com crônicas deliciosas, lindas fotos do próprio autor e dicas inusitadas”, diz a resenha, acompanhado da cotação máxima de cinco estrelas, escrita pela própria Noga Sklar.

Definitivamente, uma característica fundamental do universo da autopublicação é saber vender o próprio peixe.

Por André Miranda | Publicado originalmente em O Globo | 15/12/2012

Biblioteca de São Paulo aposta em catálogo online


Leitor pode consultar pela internet se o livro que procura está disponível para empréstimo

Por meio da internet, o leitor que frequenta a Biblioteca de São Paulo [Avenida Cruzeiro do Sul, 2.630, Santana, São Paulo]  pode consultar o catálogo de livros e DVDs da instituição. Basta acessar o site da Biblioteca e procurar o link Catálogo. No campo Pesquise Nosso Catálogo, é só colocar as palavras-chave e buscar seu item de interesse. A ferramenta informa se o livro ou DVD está disponível para empréstimo. Para fazer a consulta não é necessário ser sócio da Biblioteca. A Biblioteca funciona de terça a sexta, das 9h às 21h; sábados, domingos e feriados, das 9h às 19h.

PublishNews | 14/12/2012

Google faz acordo de direitos autorais com jornais e escritores na Bélgica


O Google assinou um acordo com a imprensa e escritores belgas para encerrar uma disputa sobre direitos autorais que já durava seis anos.

O Google pagará tarifas legais acumuladas e colocará anúncios de seus serviços nos jornais. Estes, por sua vez, comprarão publicidades patrocinadas em sites da empresa de internet.
A parceria pretende gerar receita para os produtores de conteúdo por meio de serviços de “paywall”, assinaturas e de publicidade do Google e introduzir ferramentas da rede social Google+, afirmou Thierry Geets, diretor do Google na Bélgica, em nota.

Além disso, tem o objetivo de distribuir o material original em plataformas móveis.

Anunciado anteontem, o acordo foi fechado na esteira de uma série de brigas ao redor do mundo com companhias de mídia, que levaram a Alemanha a trabalhar em uma lei para revisar a remuneração dos direitos autorais na internet.

Há duas semanas, o projeto de lei que obriga ferramentas de busca como a do Google a pagarem uma taxa aos produtores de conteúdo passou pela primeira leitura no Bundestag, o Parlamento alemão, e foi encaminhado a uma comissão interna.

O projeto deve ser votado somente em fevereiro, mas ainda não há data definida.

Na França, o presidente François Hollande deu até o fim deste mês para o Google chegar a um acordo com as publicações. Do contrário, uma legislação sobre o assunto será redigida. Na Itália, há movimento similar.

Esse processo sobre os limites do uso de conteúdo foi capitaneado pelos jornais brasileiros. Há mais de um ano, eles boicotaram o Google News, ao impedir que links com notícias fossem mostradas no agregador.

Geets ressalta que o movimento se dá em todo mundo, mas é mais brando em alguns países. Ele cita os governos de Holanda, Austrália, Reino Unido e Canadá, que levaram adiante reformas amigáveis no direito autoral de conteúdos veiculados na internet.

GANHA-GANHA

O acordo é encarado pelo Google como opção para resolver as diversas contendas.

Existem muitas formas ganha-ganha para o Google e as publicações unirem forças no novo universo digital“, afirmou Geets.

Em vez de continuar argumentando sobre interpretações legais, concordamos sobre a necessidade de deixar de lado as antigas queixas em favor da colaboração.

Essa é a mesma mensagem que gostaríamos de enviar a outras publicações ao redor do mundo. É muito mais proveitoso para nós trabalharmos juntos do que brigar.

Como exemplo de oportunidade de cooperação, cita a ferramenta AdSense, que paga US$ 7 bilhões anuais a publicações ao redor do mundo.

POR HELTON GOMES SIMÕES | COLABORAÇÃO PARA A FOLHA | 14/12/2012, às 04h30

Amazon vence batalha de preços de eBooks contra Apple na Europa


Autoridades regulatórias decidiram em favor da Amazon em batalha de preços de e-books contra norte-americana Apple na Europa

BRUXELAS | As autoridades regulatórias da União Europeia encerraram uma investigação antitruste sobre preços de livros digitais [e-books] nesta quinta-feira, aceitando uma oferta da Apple e de quatro editoras de afrouxar restrições de preços impostas à Amazon e outros grupos de varejo.

A decisão confere ao grupo de varejo online Amazon a vitória em sua tentativa de vender e-books a preços mais baixos que os dos rivais, em um mercado de rápido crescimento. A Reuters antecipou em novembro que a Comissão Europeia aceitaria a proposta de acordo.

A Comissão Europeia anunciou na quinta-feira que as concessões da Apple e das editoras haviam atenuado a preocupação quanto aos efeitos anticompetitivos de seus acordos de preços.

O compromisso proposto pela Apple e pelas quatro editoras irá restaurar as condições normais de concorrência nesse mercado novo e de rápido movimento, beneficiando os compradores e leitores de e-books“, disse o comissário de concorrência da União Europeia Joaquin Almunia.

A Apple e as editoras se ofereceram para permitir que os grupos de varejo determinem preços ou descontos por um período de dois anos, e suspender por cinco anos os acordos de tratamento preferencial entre elas.

Esses acordos impediam que as editoras Simon & Schuster; HarperCollins, da News Corp; Hachette Livre, da Lagardere SCA; e Verlagsgruppe Georg von Holtzbrinck, controladora da editora alemã Macmillan, assinassem contratos com varejistas rivais que permitissem a elas vender livros a preços inferiores aos da Apple.

Os acordos, que segundo críticos impedem que a Amazon e outros grupos de varejo concorram com a Apple em termos de preço, resultaram em uma investigação antitruste da União Europeia em dezembro do ano passado.

O grupo Penguin, controlado pela Pearson e também sob investigação, não é parte do acordo desta quinta-feira. A Comissão informou que a Penguin ofereceu concessões que devem resolver as queixas das autoridades de concorrência.

Por Foo Yun Chee | © Thomson Reuters 2012 All rights reserved | 13/12/2012

eBook World Tour


Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 13/12/2012

Estive ausente por um tempo. Estava em uma viagem de duas semanas, entre o Brasil, Portugal e Nova Iorque. O furacão Sandy e eu tivemos um pequeno rendez-vous, então não preciso dizer que ter 100 livros não lidos e bateria cheia no meu Nook foi uma benção. E assim duas semanas viraram quatro.

Ainda no espírito da viagem, eu achei que nós poderíamos fazer um tour dos e-books pelo mundo, começando pelo local de nascimento do e-reader moderno, o Japão.

Japão – Além dos romances nos celulares que mencionei no meu último post,  o Japão tem outra mania de leitura digital – o mangá. O mangá móvel é a maior força da leitura digital no Japão, em uma população que consome duas vezes mais livros-texto que a dos Estados Unidos. Do ponto de vista de um publisher é interessante ver que existe uma divisão entre editoras e gráficas. Editores descobrem, fazem a curadoria e comercializam ótimo conteúdo. Gráficas fazem o layout, o projeto gráfico e produzem [fisica ou digitalmente] o meio.

Estados Unidos – Há cobertura suficiente desse mercado, então não é preciso outro gringo para falar sobre ele. Eu acho interessante [e pouco falado pela mídia] que as previsões atuais estimam um mercado de e-book que corresponderá a 50% do mercado editorial até 2016. 50% de um mercado em crescimento. Também acho interessante ver que grandes editoras não estão mais brigando com o mercado de autopublicação, e sim abraçando-o como uma forma de achar bons novos autores. E.L. James vem à mente [estou usando o termo “bom” de forma bem liberal, no sentido de “boas vendas”].

China – Não há cobertura suficiente desse mercado. Pergunta: o que acontece quando você mistura e-readers de US$ 50, e-books de US$ 2 e 1.000.000.000 de assinantes de conteúdo móvel? Resposta: muita leitura digital. E com a política do “filho único”, significa que existem quatro avós e dois pais mimando cada criança no país com todos os aparelhos eletrônicos e e-books que eles desejarem.

Europa – Ah, o velho continente. Reino Unido: 20% de imposto sobre e-books vs. 0% de imposto sobre livro impresso. Suécia: 25% de imposto sobre e-books vs. 6% de imposto sobre livro impresso. Por que se preocupar em entregar conteúdo com maior conveniência e quase zero impacto ambiental quando você pode taxar inovações a ponto de eliminá-las? O que eu acho interessante é como os leitores do Reino Unido preferem consumir o conteúdo no computador a qualquer outro tipo de aparelho de leitura. Quem disse que você precisa de um Kindle para ler um e-book?
 
Brasil – Você achou que eu tinha esquecido? Nunca. Bem, a tinta ainda está fresca no capítulo brasileiro da história do e-book. Mas vale ressaltar: três empresas internacionais respeitadas estreando na mesma semana não podem estar erradas. Nós temos uma população sedenta por qualidade de informação [que passa mais tempo na internet que qualquer outro país]; que valoriza a educação [50% dos livros vendidos são para fins educacionais], e que está aberta a novas tecnologias [uma das maiores taxas de compra de smartphones do mundo]. Pessoas que não descobriram as alegrias da leitura podem descobrir as alegrias da leitura digital.

Vou continuar com meu e-book world tour no Oi Futuro Flamengo, no dia 18 de dezembro, e Oi Futuro Belo Horizonte, no dia 19. Espero vê-los por lá.

Greg Bateman

Greg Bateman

Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 13/12/2012

Greg Bateman, expert em tecnologia e empreendedor do negócio de e-books, é conhecido pelo seu envolvimento na criação de produtos extremamente bem-sucedidos, como os smartphones da Samsung e o Kindle, da Amazon. Na Vook, ele desenvolveu uma eficiente cadeia de produção de centenas de e-books por semana. Greg, que nasceu nos Estados Unidos, viveu nove anos no exterior, onde intermediou várias parcerias envolvendo Coreia, China, Japão e EUA. Hoje mora no Brasil, em São Paulo. Ele é pesquisador visitante da Universidade de Tóquio, tem duas graduações pela Universidade da Califórnia em Berkeley [engenharia elétrica/ciência da computação e literatura japonesa] e um MBA pela Columbia Business School.

A coluna E-Gringo discute a fundo o negócio e o lado técnico dos e-books a partir de uma perspectiva global. Às quartas-feiras, quinzenalmente, ela vai apresentar plataformas e tendências do mundo todo e, claro, do Brasil. Para enviar comentários, escreva para greg@hondana.com.br .

Farinha pouca


Por Julio Silveira | Publicado originalmente em PublishNews | 13/12/2012

A recomposição dos custos editoriais não é para baixar o preço de capa

O mercado de livros digitais ainda não faz cosquinha no faturamento do setor editorial, mas os tártaros que viviam nos ameaçando — Amazon, Apple, Kobo, Google — finalmente chegaram, e em massa. Isso disparou algumas ansiedades nos componentes da cadeia do livro no Brasil, temerosos com a ruptura do seu já precário equilíbrio econômico.

A Associação Nacional de Livrarias incomodou-se a ponto de expedir uma “Carta aberta”, em que ora tenta legislar, ora oferece “sugestões”. Em parte, é uma adaptação da velha demanda pela Lei do Preço Único — que nunca foi atendida nos livros materiais, e que tem menos chance ainda de ser cumprida no caso dos digitais. A primeira sugestão é um intervalo de 120 dias entre a publicação em papel e a digital. Para quem se arvora no argumento de que “menos de um terço dos municípios brasileiros possui ao menos uma livraria”, é um tanto contraditório pregar que em todos os municípios brasileiros tenha-se que esperar quatro meses para ler um lançamento.

Pelo discurso tecnoludista, a carta gerou reações zombeteiras de alguns leitores, que defendiam a gloriosa marcha da concorrência a favor dos leitores, gerando mais livros, mais acesso — e preços menores. Em tréplica mais realista, Milena Duchiade, da venerada livraria Da Vinci, lembrou que ficar esperando a banda passar não é uma opção, e que “nenhuma cadeia é mais forte que seu elo mais fraco. […] Para as livrarias independentes, não sobram muitas alternativas. Quem souber o que fazer, aceitamos sugestões.

Porém a tão esperada redução dos preços para a leitura pode não vir. Ou vir, e não ficar por muito tempo. Carlo Carrenho, que tem, além de tudo, um bacharelado em economia, demonstrouque, pelo menos na planilha, há uma chance de reacomodação de cada componente do custo, permitindo preços menores com as mesmas margens. Uma espécie de “tudo tem que mudar para ficar o mesmo”. Mas quem observa o turbilhão do mercado sabe que, na prática, a teoria é outra.

O preço de e-books é uma questão muito mais cultural do que financeira, e o que as editoras farão — com mais ajuda de cálculo orçamentário do que de marketing — é influenciar um amadurecimento do mercado de e-books em que os preços e as margens se manterão no nível mais alto possível. Na recente TOC Frankfurt, em um painel com editores e autores sobre precificação de e-books, falou-se descaradamente que o preço certo é o máximo que o cliente se dispuser a pagar, e que chegar lá será uma questão de tentativa e erro, de esticar o preço até que o elástico arrebente. Pode-se até observar o fenômeno da variação de preços ao longo do dia, quando as grandes vendedoras espiam-se mutuamente e os algoritmos acham o preço “justo”.

A médio prazo, o quanto pagaremos pela leitura — e mesmo o que teremos para ler — vai depender do equilíbrio entre as editoras [as que se aglomeraram, pelo menos] e os megavendedores que, ao criar o mercado, tentam também criar as regras. A longo prazo, passada a divertida e tensa fase de transição, e superada a insistência de fazer do digital um simulacro do impresso, vamos saber o que enfim será a leitura digital. Que venham logo os tártaros, e que arrasem nossos muros mentais.

Por Julio Silveira | Publicado originalmente em PublishNews | 13/12/2012

Julio Silveira é editor, formado em Administração, com extensão em Economia da Cultura. Foi cofundador da Casa da Palavra em 1996, gerente editorial da Agir/Nova Fronteira e publisher da Thomas Nelson. Desde julho de 2011, vem se dedicando à Ímã Editorial, explorando novos modelos de publicação propiciados pelo digital. Tem textos publicados em, entre outros, 10 livros que abalaram meu mundo e Paixão pelos livros[Casa da Palavra], O futuro do livro [Olhares, 2007] e LivroLivre [Ímã]. Coordena o fórum Autor 2.0, onde escritores e editores investigam as oportunidades e os riscos da publicação pós-digital.

A coluna LivroLivre aborda o impacto das novas tecnologias na indústria editorial e as novas formas de relacionamento entre seus componentes — autores, agentes, editores, livrarias e leitores. Ela é publicada quinzenalmente às quintas-feiras.

Amazon lança loja Kindle na China, mas sem Kindle


An Amazon Kindle displays a section of the Chinese edition of ''Rich Dad, Poor Dad'' at the e-Book corner of the Hong Kong Book Fair July 18, 2012. Credit: Reuters/Bobby Yip

An Amazon Kindle displays a section of the Chinese edition of ”Rich Dad, Poor Dad” at the e-Book corner of the Hong Kong Book Fair July 18, 2012. Credit: Reuters/Bobby Yip

Amazon.com Inc anunciou hoje o lançamento da loja virtual na China, vendendo livros eletrônicos para os aplicativos do Kindle. O lançamento pode abrir o caminho para a venda do aparelho da Amazon, que já recebeu autorização das autoridades reguladoras da China. O porta-voz da Amazon não comentou sobre a venda do aparelho Kindle no país. O mercado de leitura digital é dominado pelos e-readers da empresa Hanwang e e-books da Cloudary’s Bambook, mas muitos chineses compram Kindles no exterior.

Por Melanie Lee | Reuters | 13/12/2012

Amazon americana deixa de enviar livros físicos para o Brasil


AmazonNotícia ruim para quem esperava fazer compras na Amazon americana para o Natal. Desde que começou a vender e-books por aqui na semana passada, a empresa não está mais enviando livros físicos e outros produtos dos EUA para o Brasil. Ainda não há uma data oficial para a Amazon vender Kindles no Brasil.

Por Lauro Jardim | Publicado originalmente em Revista Veja

Editora Novo Século lançará selo digital


Novo ConceitoA Editora Novo Século anunciou que até o fim do primeiro semestre de 2013 será lançado o selo digital “Academia de Autores”. O selo manterá o objetivo da editora de divulgar novos autores brasileiros e chegará ao mercado com um catálogo de, aproximadamente, 70 títulos, sobre temáticas variadas. O anúncio acontece apenas uma semana depois do início da venda de e-books pela Amazon e pela Google Play no Brasil.

Mobile Time | 12/12/2012 às 15h05