W3C finalmente entra na jogada


POR EDNEI PROCÓPIO

W3C [a principal organização de padronização da World Wide Web] está apoiando a padronização dos livros eletrônicos. Para dar o start à iniciativa, a W3C criou uma comissão e o resultado inicial é um Workshop que será ministrado em fevereiro próximo. A ideia do Workshop é promover o livro eletrônico dentro de um padrão que eles chamam de Plataforma Open Web. Basicamente o que eles querem é introduzir no mercado a ideia de se trabalhar com padrões tecnologias abertas como HTML, CSS, SVG, XML, XSLT, XSL-FO, PNG, etc.

O projeto está sendo tocado em parceria com a International Digital Publishing Forum [IDPF] e Book Industry Study Group [BISG]. E fazem parte da comissão empresas como Adobe, Barnes & Noble, o consórcio DAISY, Google, Hachette, Ingram, O’Reilly, Pearson, Rakuten, Safari Books, Samsung, Sony e por aí vai.

Embora alguns players como por exemplo, a Amazon e Apple, através de suas grandes influências, força a barra tentando impôr os seus próprios formatos ao mercado, esta não é a primeira vez que a indústria se junta para tentar algo neste sentido. Como eu descrevi em meu primeiro livro, “Construindo uma Biblioteca Digital“:

O ideal seria se os livros eletrônicos fossem criados sob formatos padrões [abertos ou livres] utilizados na Internet.

O formato ePub, por exemplo, teve sua gênese de desenvolvimento baseada em uma especicação padrão chamada OeB. A especicação OeB [Open eBook] era um formato cuja estrutura já atendia a uma especificação aberta, baseada em XML [eXtensible Markup Language – linguagem de marcação extensível].

Citando Mckinley, “Do papel até a Web”, ninguém pode monopolizar os formatos abertos. E nenhuma pessoa ou entidade comercial tem controle sobre seus destinos. Os documentos XML, OeB, ePub, etc., pertencem aos seus proprietários. Eles não fazem parte de nenhum aplicativo, configuração de hardware ou sistema operacional. Além disso, assim como a XML, o HTML e o ePub, os documentos Open Web serão inteligentes e úteis por muito tempo, mesmo após os formatos de processadores de texto binários de propriedade dos dias de hoje terem se tornado obsoleto.

Considere a seguinte situação, um livro de papel de conteúdo romântico permanecerá legível por 20, 50, ou, quem sabe, 100 anos. Qual é a probabilidade dos formatos de processadores de textos binários de propriedade atuais permanecerem legíveis por 10 anos, ou até 100 anos? Novos sistemas operacionais e programas aparecem e somem, mas a Open Web é permanente. Desse modo, utilizar formatos padrões abertos para disponibilizar livros digitais garante que o leitor não precise, por exemplo, adquirir duas ou mais vezes o mesmo livro quando migrar para hardwares de plataformas diferentes.

Com Open Web, o conteúdo de um eBook torna-se independente de qualquer sistema de formatação em particular. Por toda sua existência, um eBook poderá se transformar em muitos diferentes formatos e tamanhos. Por todo o tempo, entretanto, a estrutura e o conteúdo podem ser retidos de forma independente, permitindo assim que o livro seja reformatado várias vezes para grande variedade de e-readers existentes hoje e para os que ainda serão inventados.

POR EDNEI PROCÓPIO

E enquanto não saí o Marco Civil da Internet…


POR EDNEI PROCÓPIO

A Cidade Antiga, de Fustel de Coulanges

A Cidade Antiga, de Fustel de Coulanges

Pessoal, é o seguinte, olha só, lembra daquele caso do site Livros de Humanas com a ABDR [Associação Brasileira de Direitos Reprográficos]? Pois é, a bola da vez agora é o website eBooksBrasil.org que está está sendo sondada, escaneada e vigiada pela ABDR.

Na verdade, o projeto eBooksBrasil já vem sendo rondado pela ABDR há algum tempo. Em setembro a conta da eBooksBrasil foi deliberadamente vigiada no site de compartilhamento Scribd por supostamente estar infringindo as leis de Direitos Autorais.

Uma explicação publicada no site da eBooksBrasil.org no dia 28 daquele mês registra o seguinte:

A culpa é dos cupins. A ABDR, em seu trabalho incessante de proteger os interesses editoriais de seus mantenedores, já tinha solicitado ao Scribd a retirada de conteúdos legítimos, aproveitando-se do DMCA, como pode ser visto aqui.

Dei todo o tempo do mundo para que a ABDR criasse vergonha e se retratasse, como por ser visto aqui. Não só não se retratou, como voltou a atacar, solicitando ao Scribd a retirada de outro conteúdo legítimo, como pode ser visto aqui.

Como cada vez constato, à abundância, o grau de pouca vergonha vigente, não estranho o comportamento dos térmitas da ABDR. Mas não estou com disposição de ficar brincando de notificações e contra-notificações, principalmente porque todos os livros que coloquei lá estão aqui. Assim, todos os ebooks colocados na estante do eBooksBrasil no Scribd foram retirados. Os autores e/ou tradutores, legítimos detentores dos direitos autorais, poderão, caso queiram, fazer a inclusão diretamente no Scrib. Este é mais um desserviço da ABDR à democratização da cultura em nosso país. Não reclamem comigo [eBooksBrasil.org], nem com o Sribd [Scribd.com]. Se quiserem reclamar com alguém, reclamem com a ABDR [abdr.org.br].

Hummmmm… Interessante… Deixe-me ver. Teotonio Simoes, o fundador da eBooksBrasil.org, conta agora em seu website que recebeu no último dia 13, abre parenteses, “um ameaçador e-mail em nome da abdr [ela mesma] dando-me o prazo de 24 horas para retirar do site o livro A Cidade Antiga, de Fustel de Coulanges, tradução de Frederico Ozanam Pessoa de Barros.“.

É, bem, hoje é dia 23, já se passaram 10 dias e o livro A Cidade Antiga ainda continua lá, no ar, em uma primorosa edição versão eBookLibris, diga-se de passagem. E, para por ainda mais senha na fogueira, Teotonio Simoes ainda publicou os e-mails trocados com a ABDR.

Não faço e não faria apologia à pirataria, mas tem realmente alguma coisa errada no entendimento do que é público e do que é privado. Teotonio Simoes é simplesmente um artista em suas colocações. Simplesmente genial!

POR EDNEI PROCÓPIO