Apple já vende mais ebooks que Saraiva e Cultura, combinadas – conheça o segredo


Essa é a notícia da semana, publicada pela Folha de SP – Apple vende mais ebooks que as grandes livrarias brasileiras, juntas. E posso corroborar pessoalmente essa informação. As vendas de eBooks da Simplíssimo, na Apple, também superaram a soma das vendas nas Livrarias Saraiva e Cultura. Mesmo com preços em dólar e acrescendo com isso 6,38% de imposto sobre as compras, no cartão de crédito.

Qual o segredo? O usuário. Mais especificamente, a experiência do usuário, ao comprar e ler ebooks diretamente nos iPads, iPhones, e tablets e smartphones Android. E quem afirma isso? Os próprios usuários.

Do ponto de vista do usuário, comprar um ebook no aplicativo iBooks, da Apple, é muito mais fácil e acessível – com poucos toques na tela, é possível comprar e começar a ler, imediatamente, o livro adquirido. O download e o acesso ao ebook é rápido, praticamente sem problemas ou falhas no processo, sem necessidade de instalar programas em computadores, ou fazer cadastro em sistemas de segurança. A experiência de leitura é agradável, e ajustes básicos estão disponíveis – ajuste de fonte e modo noturno, por exemplo. A média de avaliação do programa é 3.5 [também em escala de 1 a 5].

Comparativamente, o app da Saraiva para iOS tem nota 2 na avaliação dos usuários, que reclamam da usabilidade do aplicativo. A Livraria Cultura também possui um app para iOS, no momento indisponível para download, segundo a página do iTunes. Uma busca no Google esclarece que o app da Cultura tinha nota 3, embora com apenas 145 avaliações – o app da Saraiva tem mais de 1.300 avaliações, e o da Apple, mais de 3 mil. Mesmo com uma média melhor, uma das últimas avaliações do app da Cultura reclamava que o aplicativo não permitia alterar o tamanho da fonte do ebook. Quando nem os recursos básicos funcionam, fica complicado querer que os consumidores se animem a comprar algum ebook.

A situação dos aplicativos no sistema Android impressiona, tanto positiva, quanto negativamente. O aplicativo da Livraria Saraiva, o Saraiva Digital Reader, tem nota média de 3.9 em 5, na avaliação de 2.180 usuários de tablets e smartphones Android. Esta é uma avaliação muito boa, que mostra a qualidade da Saraiva nesta plataforma e a satisfação dos usuários com a tecnologia da Livraria, o que é significativo. Mesmo assim, não escapa de críticas. O usuário GVerta, que possui um Galaxy S3 e deu nota 4 para o app da Saraiva, avalia:

Muito bom – Muito bom o leitor!! Apenas gostaria que mantivesse salvas as configuracoes de leitura, como cor de fundo e tudo mais

A Saraiva ainda recebe críticas, mas cumpre o dever de casa. Não é à toa que as vendas de ebooks da Saraiva aumentaram nos últimos meses.

A situação da Livraria Cultura, na plataforma Android, já é bem diferente – e constrangedora. Mais de 1.800 usuários deram nota 1, a nota mínima, para os dois aplicativos da Livraria Cultura, que apresentam notas médias de 1,3 e 1,4, na escala de 1 a 5. A maioria das queixas parte de usuários que não conseguem remover o aplicativo da Cultura, pré-instalado em aparelhos Android, e reclamam furiosamente contra a imposição do aplicativo. Um número considerável de avaliações também reclama da usabilidade dos aplicativos, problemas para baixar livros comprados ou simplesmente usar o aplicativo com sucesso. Com a palavra, o usuário Rodrigo, dono de um Galaxy Tab 10.1, que deu nota 1 para a Livraria Cultura:

Péssimo aplicativo – Não funciona adequadamente e não tem suporte. Por Email me indicaram usar o bluefire reader e fazer o download do livro pelo site da própria livraria cultura. Vou desinstalá-lo agora.

Vai ficando mais fácil entender como a Apple vende mais que as livrarias brasileiras, combinadas, com apenas três semanas de operação. O suporte da Livraria Cultura não recomenda o seu próprio aplicativo… precisa acrescentar algo mais? É caso encerrado. Para a sorte dos clientes da Cultura, a Cultura firmou acordo com a Kobo. Se os aplicativos da Livraria Cultura forem descontinuados, em prol do aplicativo da Kobo, certamente os usuários ficarão bem mais felizes. O app da Kobo tem uma ótima avaliação e oferece recursos superiores, até mesmo na comparação com o iBooks da Apple. Mas será que a Livraria Cultura será integrada aos aplicativos da Kobo, ou somente aos aparelhos? Resta aguardar as próximas semanas, para conferir até que ponto irá a integração das duas empresas.

Quem perde a corrida da tecnologia e dos aplicativos, oferecendo tosquices aos leitores, fica para trás nas vendas e perde o jogo. Quem pensa no usuário final e na satisfação do usuário, vende mais. Na verdade, não tem segredo… é só fazer o que todo bom comerciante deve fazer: atender bem o cliente.

Por Eduardo Melo | Revolução eBook | 15/11/2012

Google e Amazon iniciam venda de livro digital no país até o Natal


A Amazon e o Google se preparam para iniciar a venda de livros digitais no Brasil nas próximas semanas. As duas empresas estão em fase de finalização de contratos com editoras brasileiras.

A Folha apurou que a intenção tanto de Amazon quanto de Google, por meio de sua loja Google Play, é iniciar as vendas antes do Natal e, possivelmente, antes do fim de novembro.

As empresas tentam manter o máximo de sigilo sobre a data exata da estreia e não revelam a informação nem aos principais fornecedores.

Após um ano e meio de negociações, a Amazon chegou nesta semana a um acordo com a Distribuidora de Livros Digitais, que reúne as editoras Sextante, Rocco, Objetiva, Record, Novo Conceito, LP&M e Planeta. O contrato será assinado nos próximos dias.

A DLD já firmou, recentemente, contratos com Apple, Google e Livraria Cultura.

KOBO

O fim deste mês coincide com a previsão de início das vendas do leitor digital Kobo pela Livraria Cultura, e a Amazon não quer ficar para trás na estreia da venda do Kindle como opção de presente de Natal.

O Google também corre para lançar seu tablet Nexus 7 no Brasil simultaneamente ao lançamento da sua livraria digital. O aparelho foi apresentado mundialmente em junho.

O Kobo, marca canadense adquirida pela japonesa Rakuten, é a principal arma da Cultura para tentar sobreviver à concorrência das gigantes americanas.

Procurados pela reportagem, Google e Amazon disseram que não comentam rumores ou especulações.

Neste momento, além da finalização de contratos, as editoras brasileiras estão testando a compatibilidade dos formatos dos livros digitais com os sistemas do Kindle e do Google Play [Android].

PREÇO

Os livros digitais deverão custar em média 70% do preço de capa do livro físico.

Google: o objetivo do Google Library Project é, segundo o site oficial da empresa tecnológica, "facilitar a busca de livros relevantes"

Google: o objetivo do Google Library Project é, segundo o site oficial da empresa tecnológica, “facilitar a busca de livros relevantes”

Enquanto o Google Play vende apenas conteúdo digital, a Amazon está investindo também em uma operação de comércio eletrônico no Brasil, com a venda de livros físicos e outros produtos. Mas essa operação não deve começar antes do primeiro trimestre de 2013.

A pressa da Amazon e do Google também está relacionada à concorrência com a Apple, que iniciou a venda de livros digitais brasileiros em outubro.

Neste primeiro momento, a iBookstore vende a partir de sua operação dos Estados Unidos, em dólar -o que implica cobrança de IOF [Imposto sobre Opeações Financeiras].

Mesmo em dólar e com imposto [livro no Brasil é isento], a Folha apurou que a iBookstore já vende mais livros digitais que os sites de Saraiva e Livraria Cultura somados.

POR MARIANA BARBOSA e MARIANNA ARAGÃO | Publicado originalmente e clipado à partir de Folha de S.Paulo | 15/11/2012 – 06h41

Hachette adere ao formato ePub3


O grupo Hachette está planejando lançar livros digitais em EPub3 e começará com 16 títulos no formato, que é um padrão interativo e focado em multimídia para e-books enhanced, entre novembro 2012 e março 2013. O lançamento marca o compromisso da Hachette com o formato, e a casa planeja lançar todos seus títulos de ficção em EPub3 até março 2013. […] Além de facilitar o desenvolvimento de conteúdo interativo e multimídia para e-books enhanced, o presidente do grupo Ken Michaels disse que o padrão EPub3 permite que o conteúdo seja lido em qualquer suporte. “A indústria precisa de formatos como o EPub3, que permitem uma maior gama de criatividade editorial no tratamento de layouts complexos, capacidades de mídia e interatividade ricas”, disse Michaels.

Publishers Weekly | 15/11/2012