Saraiva busca vender operação de comércio eletrônico, dizem fontes


Saraiva busca vender operação de comércio eletrônico, dizem fontes

A Saraiva, maior rede de livrarias do Brasil, está tentando vender suas operações de comércio eletrônico, que incluem o ainda novo mas promissor segmento de livros digitais, segundo fontes do setor afirmaram à Reuters.

O objetivo da companhia, de acordo com três fontes, é vender a plataforma online para se focar na cadeia de 102 lojas físicas e em sua editora, negócios com margens maiores.

A Saraiva está tentando vender suas operações online. Eles a ofereceram a algumas varejistas“, disse uma das fontes.

Outra fonte afirmou que a empresa vem se preparando para cindir as operações de vendas online já há algum tempo para se voltar à sua editora e às lojas físicas, que também comercializam CDs e DVDs.

A Saraiva, por meio de sua assessoria de imprensa, disse que não comenta especulações de mercado.

A companhia conta atualmente com o maior acervo de livros digitais [ebooks] do país, composto por 12 mil títulos nacionais, que resultam em cerca de 500 mil reais em vendas mensais.

Embora ainda respondam por uma pequena parcela das operações online da empresa, o presidente-executivo da Saraiva, Marcílio Pousada, disse recentemente à Reuters que as vendas de ebooks vêm ganhando impulso.

As vendas online da Saraiva respondem por cerca de 33 por cento das operações de varejo da companhia e recuaram 6,4 por cento no segundo trimestre ante igual período em 2011.

No início deste mês, a empresa sinalizou estar atenta e disposta a avaliar oportunidades de negócios, em meio a notícias sobre o interesse da gigante online norte-americana Amazon em comprar o grupo brasileiro, mas adicionou não haver “negócio de qualquer natureza” que exigisse a divulgação de fato relevante.

À ESPERA DA AMAZON

A possibilidade de venda do negócio de comércio eletrônico da Saraiva surge no momento em que a Amazon se prepara para estrear no Brasil.

A empresa tem planos de começar a comercializar livros digitais e o leitor Kindle no país ainda este ano, conforme a Reuters publicou em junho.

Uma fonte próxima aos planos da Amazon no Brasil disse à Reuters que a Saraiva procurou a companhia norte-americana há algum tempo, mas descartou que existam negociações em andamento.

Segundo a mesma fonte, a Amazon mantém o plano original de crescer organicamente em mercados internacionais.

Outra fonte, contudo, considerou a possibilidade de a Amazon se unir a uma varejista local já consolidada para ganhar escala e evitar problemas logísticos.

O principal desafio para a Amazon será, inicialmente, superar o obstáculo das editoras. Ao adquirir [as operações] da Saraiva, ela encurtaria essa distância de forma significativa“, disse a fonte.

Os ativos [da Saraiva] em termos de relacionamento com editoras e distribuidoras podem ser importantes para a Amazon“, acrescentou outra fonte.

O porta-voz da Amazon Craig Berman não quis comentar o assunto.

POR ESTEBAN ISRAEL | Reuters | Reportagem adicional de Vivian Pereira | Publicado originalmente em ESTADÃO.COM.BR | 30 de outubro de 2012, às 18h 46

Amazon abre vagas para seu escritório em São Paulo


‘Essa posição será localizada em São Paulo’, dizem os anúncios de vagas.
Companhia ainda não confirma oficialmente sua chegada ao Brasil.

A Amazon abriu mais de dez vagas para trabalhar em seu escritório de São Paulo, segundo mostram anúncios divulgados no site da companhia. Os funcionários exercerão funções relacionadas a áreas como vendas, marketing, engenharia e relações públicas.

“Essa posição é localizada no nosso escritório de São Paulo”, diz o anúncio da vaga. Apesar disso, a companhia ainda não confirma oficialmente sua chegada ao país.

Alexandre Szapiro, ex-diretor-geral da Apple no Brasil, será o administrador das atividades da Amazon no Brasil, segundo documentos da Junta Comercial de São Paulo. A empresa iniciou suas atividades no país em março de 2012, informa o documento.

Segundo informações da Junta, a Amazon está registrada para realizar o “comércio varejista de outros produtos não especificados anteriormente”. Além disso, poderá tratar de “depósitos de mercadorias para terceiros”, atividades relacionadas ao transporte de mercadorias e o tratamento de dados, provedores de serviços e serviços de hospedagem na internet.

O documento ainda informa que o capital da companhia é de quase R$ 5 milhões. A empresa registrou como endereço a Avenida Nações Unidas, em São Paulo.

Publicado originalmente e clipado à partir de Portal G1 | 30/10/2012, às 17h11

Kobo estreia na África do Sul


Alerta! Kobo, uma das maiores companhias de e-books do mundo, estreou na África do Sul em parceria com a varejista Pick’n Pay, e trará seu Kobo Touch preto e branco e touch-screen, a um supermercado perto de você em algumas semanas. […] Kobo fechou parceria também com a On the Dot e New Holland Publishing SA – a maior agregadora local de e-books e nossa maior editora de e-books, respectivamente – para trazer a crescente produção de literatura sul-africana para a plataforma.

Por Ben | Books Live | 30/10/2012

Amazon tem prejuízo no terceiro trimestre


Apesar do aumento de 27% das vendas em valor, provavelmente impulsionado pelas vendas dos e-readers, a Amazon registrou um prejuízo líquido de US$ 274 milhões no terceiro trimestre de 2012. No mesmo período em 2011, a empresa obteve um lucro de US$ 63 milhões. A empresa atribuiu as perdas ao investimento na produção da nova linha de Kindles que, segundo o CEO Jeff Bezos, são vendidos a um preço próximo ao custo de produção.

A Amazon esteve essa semana sob ataque da imprensa europeia, depois que o jornal The Guardian descobriu  que ela obriga as editoras inglesas a cobrir os 20% de imposto sobre valor agregado nos preços dos e-books, sendo que a companhia está na verdade baseada no Luxemburgo, onde esse imposto é de 3%.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 26/10/2012

Uso de celulares na alfabetização de adultos melhora autoestima, afirma matemático


A equipe do matemático José Luiz Poli, 56, desenvolveu um software para apoiar a alfabetização de jovens e adultos através de smartphones. Um grupo de 240 pessoas que vivem em oito cidades do interior paulista já está usando programa.

Batizado de Palma [Programa de Alfabetização na Língua Materna], o projeto piloto afirma ter obtido resultados animadores ao adotar os aparelhos como instrumento complementar ao conteúdo dado nas aulas presenciais.

A ideia surgiu da experiência do professor em salas de aula, que via todos os alunos, mesmo analfabetos, utilizando o celular. O programa aumenta a autoestima dos estudantes e reduz a evasão, segundo seu criador.

Confira abaixo a entrevista com o matemático.

Como foi criar o projeto?

José Luis Poli: Quando percorri as salas de aula, antes de fazer o projeto, o que me surpreendia era ver que todo mundo tinha celular. Ficava pensando como é que essas pessoas que não sabem absolutamente nada da escrita conseguem usar um aparelho desses? Eles conseguem acionar o rádio, lembrar onde ligar, o que apertar… Como no teclado as letras estão abaixo dos números, desenvolvi uma aula combinando isso. Usamos um Nokia C3 e esse telefone tem um custo bem razoável, de até R$ 300.

O projeto surgiu de um ideal?

Poli: Nas aulas de alfabetização tradicionais, não tem nada, só o caderno e uns poucos livros distribuídos pelo governo. Em casa, ninguém ajuda esses estudantes. Eles abandonam o curso e voltam para a escola, mas se encontram no mesmo nível de conhecimento. Sempre quis ajudá-los.

Qual é a rotina dos alunos?

Poli: As aulas acontecem de segunda a sexta-feira nas escolas municipais, já que os municípios são responsáveis pela alfabetização de jovens e adultos. Diariamente, os alunos têm 40 minutos de atividades para serem feitas pelo smartphone. O tempo restante é de aula com um professor. A gente permite que os estudantes levem o aparelho para casa e façam as lições de casa. Se quiserem, podem fazer até ligações telefônicas, pois são pré-pagos.

Como são as aulas?

Poli: O smartphone tem uma tecnologia muito boa que combina sons, letras e símbolos. Para representar o abacate, por exemplo, os alunos ouvem o som e veem a figura da fruta e a letra. Depois participam de um exercício interativo e educativo, como um jogo, um caça-palavras ou um bingo, que serve para fixar o que aprenderam. Há muito vocabulário do dia a dia.

E o perfil dos estudantes?

Poli: A maioria são mulheres. Os homens têm muita vergonha de mostrar que não sabem ler e escrever. E são elas que vão ao supermercado e que levam as crianças à escola e não entendem muita coisa.

Os resultados foram positivos?

Poli: O objetivo desses estudantes é serem capazes de entender os preços e os produtos nos supermercados, ler as placas dos ônibus. Esse é o objetivo de todos. Mas quando começam a aprender, a escola gnha um valor maior para eles, que acabam não abandonam o curso. Você percebe que o celular fez uma diferença muito grande na vida dessas pessoas.

A princípio, eu queria melhorar a autoestima deles porque todos tinham uma estima muito baixa. Veja bem, nenhum está desempregado. São trabalhadores simples como serventes de pedreiros, faxineiras… Essa baixa autoestima faz com que abandonem a escola na primeira oportunidade que surge.

Mas quando você coloca um smartphone na mão deles, a autoestima melhora muito e a evasão se torna baixa. Nas minhas turmas, houve uma invasão de índice quase zero. Autoestima, aumento da frequência, queda da evasão e aprendizado significativo foram os resultados obtidos.

E os negativos, que tiveram de ser ajustados?

Poli: Alguns professores mais velhos tinham resistência a usar o celular ou achavam que perderiam seus empregos. Com os mais novinhos, que já têm smartphone, era bem diferente.

O senhor. bateu nas portas das prefeituras com seu projeto piloto debaixo do braço?

Poli: Sim, fui batendo na porta das prefeituras. Dizia: ‘Tenho um software pronto e quero testá-lo em duas a três aulas da sua cidade. Quero apenas autorização’. Fui bem recebido em todas as cidades porque tinha aberto muitos cursos universitários [ele foi co-fundador da Anhanguera Educacional]. Além disso, quando se fala em tecnologia, mais especificamente em smartphone, todo mundo quer. É uma coisa moderna, muito chique.

Conta com apoio privado?

Poli: A Vivo Telefônica apoia o projeto e o resto eu toco com minha equipe.

O fato de eles aprenderem a ler não significa que também saberão escrever….

Poli: Os alunos gostam de escrever o que eles recebem pelo celular, o que ele viu pelo aparelho. Então, apesar de não ser esse meu objetivo, criamos uma apostila para que pudessem acompanhar a escrita no papel. Eles sabem que precisam ler e escrever para preencher um formulário em um posto de saúde, por exemplo.

Depois de alfabetizados, eles mostram se querem dar continuidade aos estudos?

Poli: Nem todos querem continuar. Todos chefes de família, donas de casa, têm filhos. Permanecer na escola é um encargo muito grande. Mas esse não é o caso dos mais jovens. Eles querem terminar o ensino fundamental.

Por Cláudia Emi Izumi | UOL Educação | 25/10/2012

Livros digitais ganham fôlego para avançar no Brasil


Maior oferta de títulos, aumento de vendas a taxas consideráveis e parcerias que devem mudar o cenário dos chamados “e
Books” no país

São Paulo | À espera do desembarque da Amazon em território nacional, o mercado de livros digitais no Brasil vem tomando fôlego para avançar em um segmento ainda incipiente, apostando em maior oferta de títulos, aumento de vendas a taxas consideráveis e parcerias que devem mudar o cenário dos chamados “ebooks” no país.

Com grandes representantes globais do segmento se preparando para abocanhar uma fatia do promissor mercado brasileiro, hoje são as empresas nacionais que dominam o setor de livros digitais, que caminha a passos lentos e sofre pela ausência de dados sobre vendas, participação de mercado e relevância dentro do mercado de livros como um todo.

Líder no setor de livrarias e maior vendedora de livros via Internet do país, a Saraiva ingressou em 2010 nos livros digitais, que a empresa acredita ser seu maior negócio.

Vendemos 500 mil reais em livros digitais nos últimos 30 dias“, disse o presidente-executivo da Saraiva, Marcílio Pousada. “E vamos aumentar esse patamar mensal.” Com 12 mil títulos nacionais e 240 mil em inglês, a empresa espera encerrar este ano com mais de 15 mil nacionais e criou um aplicativo de leitura que, segundo o executivo, já supera 800 mil downloads.

Exame | 25/10/2012 | Com informações da Reuters

Minha nova preocupação de estimação


Por Camila Cabete | Texto publicado originalmente em PublishNews | 25/10/2012

Em minha última viagem, participei da semana acadêmica de Comunicação da UFSM, como palestrante da recém-criada cadeira de Produção Editorial. Fiquei muito feliz por encontrar uma equipe de mestres e doutores com uma visão tão esclarecida do mercado. Pode ser que eu tenha me enganado – afinal isso é uma coluna e não tenho compromisso com dados – mas acredito que seja a grade mais completa e atualizada do mercado, e se ainda não for, contam com profissionais preparados e engajados para transformar essa cadeira em referência nacional. Fiquei muito feliz mesmo.

Após a palestra, um aluno querido me perguntou se eu podia indicar um pacote básico de conhecimentos na área, para que ele pudesse se preparar minimamente para o mercado. Então falei que, em primeiro lugar, eles precisavam consumir o produto e-book. Como seriam capazes de desenvolver produtos digitais se nem conhecem suas utilidades, praticidades e também suas falhas?

Em segundo lugar, expliquei que deveriam amar a tecnologia, se atualizar e consumir, na medida do possível. Recomendei também que aprendessem o básico sobre HTML e programação de ePub, afinal, mesmo que não trabalhem como diagramadores, que ao menos saibam dialogar com os profissionais. Finalmente, sugeri que entendessem de metadados em ONIX, o sistema de catalogação e atualização de dados dos e-books. A planilha Excel pode suprir essa deficiência mas, já que é uma deficiência, por que não estudar logo ONIX? Sabiam que ele é mais simples de manusear que uma planilha?

O melhor de tudo foi ver olhinhos brilhando. Precisamos de profissionais com olhos brilhando. E o melhor, profissionais preparados para encarar as novas rotinas de atualização profissional do editor do futuro.

Mas, como nem tudo são flores, a decepção da semana ficou por conta dos escritores e futuros escritores que ainda pensam dentro da caixa. Sinto uma eterna amarra na imagem do cultuado e isolado autor, com olheiras e trancado em sua casa com fumaça de cigarro, remoendo o quanto a vida é injusta por não reconhecerem sua genialidade, seu brilhantismo. O que será de nós editores se nossos autores, criativos e coração de todo o processo, não conseguirem visualizar as possiblidades e maravilhas do mundo digital? Fiquei preocupada com isso. Acho que foi a primeira vez que voltei minha atenção para esse fenômeno, que chamarei carinhosamente de “síndrome-do-autor-tuberculoso-do-século-XIX”.

Vamos discutir esse assunto? Vamos voltar nossos olhos para o coração de nosso processo de produção? Enquanto ficamos alimentando a “síndrome-do-autor-tuberculoso-do-século-XIX”, nossas crianças já consomem conteúdo digital e, por falta de autor pensando fora da caixa, teremos uma geração alfabetizada em inglês. Sim, pois elas só encontram aplicativos e livros que condizem com sua realidade digital em inglês.

Pensei que o autor quisesse muito ser lido, independentemente do meio, mas pelo visto não… Continuam apegados ao objeto, não conseguindo enxergar as maravilhas da distribuição digital. Estão apegados à imagem do autor-mártir, que não vive de literatura e aceita isso, e acham heresia tentar viabilizar comercialmente um conteúdo. Realmente este tipo de visão, no meio de todos os furacões de chegadas de gigantes do e-book no Brasil, me fez perder o sono. De que adianta ter gigantes para viabilizar a distribuição de conteúdo, se as mentes criativas e provedoras só precisam de um exemplar impresso, de um objeto de estante, para serem completos e felizes?

Para o bem ou para o mal, me escrevam camila.cabete@gmail.com.

Por Camila Cabete | Texto publicado originalmente em PublishNews | 25/10/2012

Camila Cabete [@camilacabete] tem formação clássica em História e foi responsável pelo setor editorial de uma editora técnica, a Ciência Moderna, por alguns anos. Entrou de cabeça no mundo digital ao se tornar responsável pelos setores editorial e comercial da primeira livraria digital do Brasil, a Gato Sabido, além de ser a responsável pelo pós-venda e suporte às editoras e livrarias da Xeriph, a primeira distribuidora de conteúdo digital do Brasil. Foi uma das fundadoras da Caki Books [@CakiBooks], editora cross-mídia que publica livros em todos os formatos possíveis e imagináveis. Hoje é a Brazil Senior Publisher Relations Manager da Kobo Inc. e possui uma start-up: a Zo Editorial [@ZoEditorial], que se especializa em consultoria para autores e editoras, sempre com foco no digital. Camila vive em Copacabana e tem uma gata preta chamada Lilica.

A coluna Ensaios digitais é um diário de bordo de quem vive 100% do digital no mercado editorial brasileiro. Quinzenalmente, às quintas-feiras, serão publicadas novidades, explicações e informações sobre o dia-a-dia do digital, críticas, novos negócios e produtos.

PublishNews entrevista CEO da Kobo


Acreditamos que será uma transformação para os próximos 25 anos”, conta Michael Serbinis

Michael Serbinis | Foto Divulgação

Michael Serbinis | Foto Divulgação

Na Feira de Frankfurt, o CEO da Kobo, Michael Serbinis, deu uma entrevista exclusiva ao PublishNews Brazil. Ele falou sobre como é ser uma start-up global, sobre a parceria com a Livraria Cultura, os aparelhos da Kobo e os planos futuros da empresa para plataformas de autopublicação. A Kobo quer, por exemplo, integrar no futuro o Writing Life, sua plataforma de autopublicação, a serviços de impressão sob demanda, permitindo que os autores tenham versões impressas de seu trabalho. Michael também falou sobre a importância de investir em boas parcerias quando a empresa não tem recursos inesgotáveis.

PublishNews Brazil | Como está sendo o processo de lançamento no Brasil?

Michael Serbinis | É muito mais fácil hoje do que era há 3 anos, quando éramos uma empresa nova, porque agora já fizemos isso algumas vezes. Realmente, criamos um modelo com a WH Smith, a FNAC, a Mondadori na Itália, indo de Portugal ao Japão. Mas ainda é uma decisão importante. As livrarias estão em processo de transição e isso é uma longa transformação. Depois da falência da Borders nos EUA, muitas pessoas pensaram: “A transformação digital vai nos destruir”. Não é o caso. Trabalhamos duro na formulação dos nossos acordos de parcerias e na maneira como nos organizamos, para ter certeza de que será uma situação onde as duas partes ganham.

PNB | Vocês tiveram que se adaptar em cada país?

MS | O que sempre acontece é que nós falamos como fizemos as coisas em outros 15 países, e as livrarias dizem que querem fazer de forma diferente. Então, discutimos um pouco no começo, mas no final quase sempre terminamos com o mesmo padrão usado nos outros países. Não é complicado, nós só comparamos nossas forças. Veja, eu acredito, como cliente de livrarias, que uma das melhores coisas que elas podem fazer é criar uma experiência que as pessoas queiram ter. Não vou a livrarias só porque quero comprar um livro. Vou lá porque gosto da experiência, e levo meus filhos também. Então comparar a força delas à nossa é algo muito importante.

PNB | Por que o Brasil é uma prioridade para a Kobo?

MS | Começamos esta empresa querendo ser a número um no mundo. É uma longa transformação, e se eu não fizer mais nada na minha vida, isso terá sido suficiente. Então, para ser o número um no mundo, é preciso ser o número um em alguns países importantes. Quando a empresa começou, tínhamos uma parceira nos EUA, mas infelizmente a Borders, por muitas outras razões, faliu.

Então quais são os países onde podemos construir uma massa crítica? Japão, Reino Unido, alguns países europeus. E acreditamos que o Brasil está na lista dos top dez. A Rakuten também acredita que o Brasil é central – eles compraram a Ikeda. Então o Brasil é importante, e é importante começar agora. Porque também sabemos que ser uma empresa pequena tem suas vantagens – não temos a maior conta bancária, mas somos os mais rápidos.

PNB | Qual é a vantagem de ser a primeira a chegar ao Brasil?

MS | Ser o primeiro em um mercado é importante se você tiver conteúdo, se tiver um ecossistema completo. Sem isso, é irrelevante. Ser o primeiro com a experiência completa é algo que estamos tentando fazer sempre. Certamente, vamos fazer isso no Brasil. Acertar os métodos de pagamento é quase tão importante quanto ter o conteúdo correto. Isso é difícil porque bancos e seus sistemas de pagamentos não são tão ágeis.

PNB | Por que escolheram a Livraria Cultura como parceira no Brasil?

MS | Essa decisão tem a ver com quais livrarias achamos que estão comprometidas e conseguem criar uma excelente experiência. O que concluímos é que, no período que queríamos inaugurar, a Livraria Cultura tinha todo o compromisso e pode criar uma boa experiência; não só no Brasil, ela também pode ser um exemplo para outros países. Estamos muito animados com eles.

PNB | Como veem o futuro desta parceria com a Cultura?

MS | Você sabe como funciona nosso modelo no Reino Unido, com a WH Smith, mas também com a British Booksellers Association. Estamos juntos nessa para ganhar no mercado, é como pensamos. No Reino Unido, certamente ter 1.100 lojas da WH Smith é algo muito valioso. Mas ter outras mil lojas de diferentes redes, com a exceção das duzentas lojas da Waterstones, é algo valioso não só para nós, como também para a própria WH Smith. Achamos que podemos fazer, provavelmente, a mesma coisa no Brasil com o tempo.

PNB | Como você acha que os brasileiros vão reagir aos aparelhos Kobo, especialmente os e-readers dedicados?

MS | Os e-readers dedicados que foram lançados no mercado brasileiro ou são muito caros, ou não são muito bons. Ouvi isso no Japão antes. As pessoas diziam: “Bom, você sabe, o mercado japonês, com toda sua tecnologia, vai ser da Sony e da Panasonic, tem mais a ver com tablets coloridos, aparelhos multiuso.” Mas não estamos vendo isso. Estamos vendo, essencialmente, que entre os leitores no mundo inteiro, há os que leem muito, e estes preferem e-ink. E é duro ganhar do o e-ink em termos de vida de bateria, portabilidade, durabilidade e como ele é leve quando se está lendo na cama.

No entanto, acredito que cor é imprescindível no longo prazo. As livrarias não vendem mais livros em preto e branco. Na maioria das livrarias, cerca de 20% das vendas são de livros infantis, às vezes até 25% ou 30%. E qual a porcentagem de HQs, livros de gastronomia e revistas? Então, para criar uma grande experiência para o conteúdo colorido, sentimos que precisávamos ter nosso próprio aparelho colorido. Então desenvolvemos o Kobo Arc, que estará chegando nas lojas em novembro. E, ao contrário de alguns dos nossos concorrentes, não paramos de desenvolver apps para outros aparelhos. Escolha uma empresa e veja quando foi a última vez que lançaram algo. Nós atualizamos todo mês, construímos a experiência HTML5 para tablets, continuamos a desenvolver apps para android, diversos idiomas, temos suporte para conteúdo de layout fixo. E em relação aos aparelhos, achamos que há espaço para os dois.

PNB | Toda a família Kobo estará disponível no Brasil?

MS | Essa é a nossa intenção. Trabalhamos com todos os parceiros para criar a estratégia mais adequada para eles. Por exemplo, acabamos de entrar na Itália com a Mondadori, e eles estão levando toda a linha. Lançamos no Japão somente com o Touch, estamos trabalhando para introduzir outros aparelhos ali.

É realmente caro ser uma jovem start-up global, mas descobrimos uma forma de fazer a coisa funcionar e ser global desde o começo. Portanto, quando anunciamos novos aparelhos, geralmente estamos prontos para enviá-los em até 4 semanas a todos os lugares onde fazemos negócios. Estamos prontos, então é questão de decidir, junto com nossos parceiros, quando é o momento certo de introduzi-los no mercado.

PNB | O governo brasileiro acabou de comprar 600 mil tablets. O que você pensa das compras governamentais de aparelhos, especialmente para crianças e estudantes?

MS | Honestamente, achamos que isso é muito importante. Uma coisa que realmente tem sido uma mudança é que, até agora, a maioria do mercado foi de consumidores através do varejo. E isso está mudando. Uma coisa que tem nos animado muito é a possibilidade de alcançar crianças e escolas, e isso é algo totalmente diferente. Por exemplo, o governo turco está estudando comprar 18 milhões de tablets. Uau! Isso muda completamente qualquer empresa que conseguir uma relação dessa, pode até quebrá-la.

Nosso novo lançamento de aparelhos inclui o Kobo Mini, por algumas razões. Uma delas é o preço, que é importante para o consumidor, para pessoas que são mais preocupadas com o custo e para pessoas mais ativas – elas precisam de algo que caiba no bolso. Mas a outra razão são as crianças. Tenho 3 filhas: estão agora começando a ler livros. Elas têm acesso a iPads em nossa casa, mas não leem neles, só assistem a filmes e ao Youtube. O Kobo Mini cabe nas mãos da minha filha, ela pode segurar com facilidade. E quando você vê a experiência de uma jovem menina segurando seu Kobo Mini e virando as páginas, lendo alguns capítulos antes de dormir, parece a coisa mais natural do mundo.

PNB | Então se os e-readers forem isentos de impostos no Brasil, será ótimo para a Kobo.

MS | Uma das coisas que precisamos enfrentar em todo o mundo são as diferentes regras de alfândega e impostos. Acreditamos que tratar um e-reader como um tablet de 500 dólares não faz sentido, enquanto que tratá-lo mais como um livro, acreditamos, é uma boa solução.

PNB | E o Writing Life, a plataforma de autopublicação da Kobo? Há planos para levá-la ao Brasil?

MS | Acabamos de anunciar o Writing Life em outras línguas. Do jeito que está agora, autores de 80 países, de 20 ou 30 idiomas diferentes, colocam seus livros na Kobo. Então, vamos tornar a plataforma disponível em novos idiomas como francês, espanhol, alemão, português e holandês, e vamos continuar a desenvolvê-lo. Mas, pensando na evolução de uma parceria em um país, tudo começa com o lançamento. É algo difícil, mas na verdade é a parte mais fácil. A prioridade é aprender juntos como construir o mercado – porque é o que estamos realmente fazendo; estamos descobrindo como construir o mercado. Então, quando passamos esse primeiro ano, começamos a falar sobre autopublicação. Agora, todos nossos parceiros europeus estão esperando pelo Writing Life e pelo seu papel em nossa parceria na autopublicação. Por exemplo, eles poderiam oferecer versões impressas destes livros, podendo o escritor ter ou não uma editora, ou podemos fazê-lo através de parcerias de impressão sob demanda.

PNB | Estão pensando em imprimir também?

MS | Certamente. Acabamos de anunciar a aquisição da empresa francesa Aquafadas, que possui uma plataforma de publicação digital para revistas em quadrinhos, livros infantis, etc. Então eles possuem as ferramentas para montar um arquivo ePub, um formato especial ou uma app. A editora pode então começar a distribuir, seja pela Kobo ou alguma outra empresa. Deixaremos as ferramentas da Aquafadas disponíveis para as editoras, mas vamos conectá-las também ao Writing Life. As ferramentas que estarão disponíveis para o Writing Life serão então “superturbinadas”. Também estamos estudando soluções de impressão sob demanda e outros tipos de serviços de publicação.

Acho que o mais interessante é ver como isso vai funcionar com, digamos, a Cultura, apresentando autores independentes ou autopublicados em uma parte especial da loja, criando eventos com estes autores, etc. Não é uma coisa puramente digital, ela se liga à experiência da livraria.

PNB | Mas existe uma data de início do Writing Life no Brasil?

MS | Sei que a Livraria Cultura está muito animada, mas por agora o foco é no lançamento, então só podemos pensar nisso em 2013, não antes.

PNB | Você mencionou o trabalho com conversão, vocês vão oferecer conversão às editoras brasileiras também?

MS | Vamos. No geral, gostamos de entrar em um mercado e ver que os arquivos ePub já estão saindo das editoras, mas nem sempre é o caso. E alguns mercados são muito complicados – o Japão seria o exemplo mais complicado. Lideramos o mercado de conversão ao ePub lá, pois mais ninguém no mercado estava passando para o ePub. Então financiamos, ou co-financiamos com editoras, a conversão de conteúdo. É caro – já está mais barato, com certeza, mas é custoso se você se preocupa com a qualidade. Muitas empresas vão dizer que possuem serviços de conversão de baixo custo, principalmente de mercados emergentes, mas somos nós que recebemos as ligações de clientes dizendo: “Comprei este livro de vocês e está tudo de cabeça para baixo.” As editoras não ouvem as reclamações. Nós nos preocupamos com a qualidade e por isso não é um processo barato.

PNB | Mas vocês vão cobrar por esta conversão? Quanto?

MS | Vamos. E o preço vai depender. Vamos trabalhar com editoras e livrarias para encontrar um bom preço. Como disse, não somos uma empresa com orçamentos ilimitados e olhamos para todo país pensando “como podemos vencer neste país”? Não temos um modelo único para todos os lugares.

PNB | Este é o diferencial da Kobo?

MS | O que muitas pessoas não sabem sobre nós é que estamos aperfeiçoando este modelo local há 3 anos. A parceria não é um contrato, são 500 pessoas na Kobo que sabem como trabalhar com estes parceiros, não só com livrarias. Eles sabem como fazer merchandise, preço, como treinar, como vender aparelhos, etc. Algumas empresas falam em “acrescentar um novo país” quando estão na verdade somente acrescentando um novo idioma. Se fosse só isso, estaríamos em uns cem países agora. Acreditamos que é uma transformação de uns 25 anos, e que o prêmio é grande o suficiente para justificar o investimento.

Por Carlo Carrenho e Iona Stevens | PublishNews | 25/10/2012

Mercado de livros digitais no Brasil se aquece à espera da Amazon


À espera do desembarque da Amazon em território nacional, o mercado de livros digitais no Brasil vem tomando fôlego para avançar em um segmento ainda incipiente, apostando em maior oferta de títulos, aumento de vendas a taxas consideráveis e parcerias que devem mudar o cenário dos chamados e-books no país.

Com grandes representantes globais do segmento se preparando para abocanhar uma fatia do promissor mercado brasileiro, hoje são as empresas nacionais que dominam o setor de livros digitais, que caminha a passos lentos e sofre pela ausência de dados sobre vendas, participação de mercado e relevância dentro do mercado de livros como um todo.

Jeff Bezos, executivo-chefe da Amazon, apresenta o Kindle Fire; empresa deve chegar ao país no início de 2013 | Fonte: Emmanuel Dunand - 28.set.11 | France-Presse

Jeff Bezos, executivo-chefe da Amazon, apresenta o Kindle Fire; empresa deve chegar ao país no início de 2013 | Fonte: Emmanuel Dunand – 28.set.11 | France-Presse

Líder no setor de livrarias e maior vendedora de livros via internet no país, a Saraiva ingressou em 2010 nos livros digitais, que a empresa acredita ser seu maior negócio.

Vendemos R$ 500 mil em livros digitais nos últimos 30 dias“, disse o presidente-executivo da Saraiva, Marcílio Pousada. “E vamos aumentar esse patamar mensal.

Com 12 mil títulos nacionais e 240 mil em inglês, a empresa espera encerrar este ano com mais de 15 mil nacionais e criou um aplicativo de leitura que, segundo o executivo, já supera 800 mil downloads.

Temos um caminho a percorrer. O primeiro passo é ter acervo, acompanhando o lançamento de livros físicos, além de ter instrumentos poderosos de leitura e software adequado“, disse.

Mais ousada, a Livraria Cultura apostou nos livros digitais em 2002, “no tempo certo e errado“, segundo seu presidente-executivo, Sergio Herz. Com o mercado ainda pouco maduro, a companhia interrompeu a tentativa, que foi retomada em 2010.

Embora ainda represente uma parcela inexpressiva no faturamento da empresa, a Cultura estima que a receita com livros digitais aumente em 250% este ano, consolidando a rede como a segunda maior de livros digitais do país em vendas, segundo Herz.

Apesar do otimismo, o presidente da Livraria Cultura cita questões tributárias como o maior entrave ao avanço dos ebooks no país.

Os tablets no Brasil ainda são muito caros por impostos. O Brasil não é tão amigável para o segmento quanto lá fora. Aqui pago quase o mesmo valor do produto em impostos“, afirmou Herz.

A Cultura firmou em meados de setembro uma parceria com a canadense Kobo e o número de títulos digitais oferecidos pela livraria no Brasil vai saltar dos atuais 330 mil para 3 milhões no início de novembro. A empresa também vai vender aqui os leitores digitais da Kobo. “Com a parceria, o cenário fica igual ou melhor que nos Estados Unidos“, disse Herz.

AMAZON NO FOCO

Com exceção da rede francesa Fnac, que está presente no Brasil mas com participação muito pequena em livros digitais, o mercado tem voltado as atenções à Amazon, que se prepara para instalar operações de venda de ebooks no país.

A estimativa inicial era de que o grupo norte-americano chegasse ao Brasil no atual trimestre, mas representantes do setor de comércio eletrônico já consideram que a estreia ocorra apenas no início de 2013.

A entrada da Amazon no país deve se dar inicialmente apenas com seu tablet, o Kindle, e um catálogo de e-books em português, disseram representantes de editoras locais e uma fonte da indústria a par dos planos, em junho.

Com uma abordagem totalmente digital, em um primeiro momento a Amazon minimizaria os riscos que uma estreia de maiores proporções implicariam em um país com problemas notórios de infraestrutura.

Mas a expectativa em torno de tal estreia ganhou tons de especulação, com rumores de que a Amazon estaria buscando associar-se a um grupo local para entrar no Brasil com mais força.

A líder em comércio eletrônico B2W e a própria Saraiva foram os dois principais alvos de especulações.

É natural que qualquer empresa internacional procure o líder do mercado onde vai entrar, e sempre estamos abertos a ouvir“, disse Pousada, da Saraiva, negando a existência de negociações no momento. “É mais um que vem tentar vender livros digitais e participar desse mercado.

No mesmo sentido, Herz, da Cultura, vê a chegada da Amazon como favorável ao setor. “Prefiro a Amazon no Brasil, jogando nas mesmas condições. Hoje os brasileiros já compram lá, mas ela não lida com os problemas que lidamos aqui.

A parceria com a Kobo, segundo ele, foi impulsionada pela necessidade de ganhar forças para competir com a nova rival. “Sozinhos, não concorreríamos com a Amazon“, assinalou.

VAREJO FÍSICO

Se fossem reunidos em uma única loja física, os livros digitais vendidos pela Saraiva ocupariam hoje a 11ª posição entre as 102 lojas da rede em termos de volume. Em janeiro, estavam na 79ª colocação e, no mês passado, na 49ª.

Esse avanço crescente favorece os e-books e, ao mesmo tempo, cria incertezas quanto à força do varejo físico.

A loja física está em xeque, perdeu importância no varejo global. Existe muito ponto de venda no mundo para pouco consumidor“, afirmou Herz, da Cultura, que vê espaço para crescer em lojas físicas, porém com mais critério.

A livraria se tornou uma experiência de entretenimento, muito mais que pelo produto”, disse. “O futuro das livrarias é oferecer atrativos.

DA REUTERS | Publicado originalmente e clipado à partir de Folha de S.Paulo, TEC  | 24/10/2012 – 19h04

Apple lança iPad Mini


Mas preço do novo tablet não é tão mini

A loja da maçã pode ter causado burburinho por aqui com suas vendas de livros brasileiros, mas no resto do mundo todos os olhares estão voltados para o novo lançamento da Apple. O iPad Mini chega ao mercado para concorrer com tablets e e-readers menores e mais baratos. Mas o preço, que deveria ser o fator diferencial do novo mimo, não é tão atrativo: o modelo mais barato sai por U$ 329 (a título de comparação, o modelo mais barato do iPad 2 sai por U$ 399), o que fez os analistas do mercado de tecnologia torcerem o nariz, afinal o preço é cerca de 130 dólares mais caro que os competidores Google Nexus e Kindle Fire.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 24/10/2012

Amazon lança Kindle no Japão


E-reader em lingua japonesa está disponível para pré-venda

A gigante americana atravessou o Pacífico, vai abrir uma loja Kindle e lançar os Kindle Fire e Paperwhite em terras nipônicas. O e-reader da Amazon custa entre $ 106 e $ 162 dólares e já está disponível para pré-venda – o envio do produto começa dia 19 de novembro. A loja Kindle japonesa, que será inaugurada amanhã, 25 de outubro [ou seja, logo mais no fuso horário asiático], conta com um catálogo de mais de 50 mil livros Kindle em língua japonesa e mais de 15 mil títulos de mangás, alguns renomados como os da coleção Neon Genesis Evangelion. O catálogo inclui também mais de 10 mil títulos japoneses gratuitos e livros exclusivos, como a série Shinsekay Yori de Yusuke Kishi. Assim como na Índia, o Kindle japonês também será vendido em lojas especializadas e nas livrarias Tsutaya.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 24/10/2012

A última fronteira da digitalização


Ednei Procópio | Fonte: Maurício Burim/SE

Ednei Procópio | Fonte: Maurício Burim/SE

Nossa! Está ficando cada vez mais difícil acompanhar as notícias do mundo dos eBooks. Talvez estejamos até vivendo uma nova bolha, lá pra 2016 saberemos melhor, mas existe atualmente uma movimentação bastante interessante neste setor.

Na área dos hardwares, tivemos hoje o lançamento do mais sensacional, até agora, sem sombra de dúvida, do mais extraordinário aparelho que possibilita a leitura dos livros eletrônicos. Na primeira geração dos eBooks, lá atrás, a Microsoft lançou o aplicativo MS Reader com uma tecnologia, chamada ClearType, que permitia a renderização das fontes tipográficas com o objetivo de tornar a leitura dos livros mais confortável nos palmtops da vida. Bem, hoje nós temos um equipamento com uma tecnologia nunca antes disponível no mercado. Uma resolução de 1024 x 768 pixels em uma tela de 7,9 polegadas não é pouca coisa. Não vou nem citar o nome do produto e nem o nome da marca, nem precisa, todos sabemos. Quero apenas registrar e, afirmar, que, em termos de portabilidade e legibilidade, o ècran digital finalmente superou o papel. É muito f#d@, depois de ter passado tanto tempo ouvindo de uma porção de incautos que os eBooks nunca teriam mercado, ver um equipamento leve [308 gramas], fino [7,2 mm de espessura] e conectado [através de rede Wi-Fi] sendo lançado à uns 300 dólares. Sem falar nos 64 GB de memória. Acho que já posso levar o Project Gutenberg e o WikiBooks inteirinhos dentro dele. Michael Hart deve estar espiando lá do céu!

Na área dos softwares, a guerra entre a RIM, Microsoft, Google, Apple, Adobe vai continuar até que uma delas sinta-se vencida e desista pelo caminho. Agora, porém, todas elas parecem ter um inimigo em comum, que se chama HTML5. E eu, entusiasta como sempre, ainda perco o meu tempo com as demais tecnologias porque finjo que as demais, apesar da base instalada, parecem realmente significativas. Mas aposto um SoftBook se o HTML5 não se tornar a força motriz que irá impulsionar o mercado de livros eletrônicos no mundo e torná-lo mais consistente. Na verdade, eu não deveria fazer isto. Apostas são sempre perigosas. Mas não posso perder a oportunidade de estar do lado daqueles que pensam no futuro da tecnologia como sendo OPEN. E mal posso esperar o momento de testar um eBook [em HTML5] rodando numa maquininha daquelas!

Na área de conteúdo, o Governo brasileiro em uma iniciativa inédita em nossa história lançou um edital para receber propostas de parcerias para aquela que será a plataforma de livros didáticos que irá definir o rumo, se não, o futuro de um mercado historicamente dependente. Detesto fazer previsões negativas e apocalípticas, já que hoje em dia elas são tão triviais. Mas eu vou registrar e deixar este post gravado. Em meados de 2020, talvez antes, teremos uma retração econômica de dar medo e aí os livros impressos deixarão de ser comprados pelo Governo. Uma vez que as escolas e os alunos terão não tablets de graça mas um ecossistema inteiro de bibliotecas digitais baseada em tecnologia 100% OPEN, assistiremos ao fim de uma era da tela de um portátil.

Por Ednei Proccópio

Amazon diz que Kindle Fire HD é líder de vendas da empresa


A Amazon disse na segunda-feira [22] que o tablet Kindle Fire HD tem sido o produto mais vendido no site da empresa desde o começo das vendas do dispositivo, há mais de um mês. O dispositivo custa US$ 199.

A companhia começou a vender uma série de Kindle Fires no último dia 6 de setembro e diz que o modelo de 7 polegadas superou as vendas de todos os outros produtos da Amazon pelo mundo desde então.

DA REUTERS | 23/10/2012, às 12h43

The Global eBook Market’ ganha edição revisada


The Global eBook Market’ ganha edição revisada

Uma nova edição revista e atualizada de The Global eBook Market: Current Conditions & Future Projections [O’Reilly Media, 57 pp.] já está disponível para serbaixado na loja digital da O’Reilly. Trata-se de um relatório completo e ambicioso elaborado pelo consultor austríaco Rüdiger Wischenbart sobre a realidade do mercado de e-books nos mais diversos países e regiões. A primeira edição foi publicada em outubro de 2011, e esta é a primeira revisão que o relatório recebe.

Para esta segunda edição, Wischenbart contou não apenas com o tradicional apoio de diversos veículos de mídia setorial [como Livres Hebdos, The Bookseller, Publishers Weekly, PublishNews etc.], mas também com a co-autoria de especialistas locais, como Veronika Licher, que escreveu sobre a China, e Carlo Carrenho, que escreveu sobre o Brasil. Os mercados retratados são Alemanha, França, Espanha, Itália, Suécia, Dinamarca, Holanda, Áustria, Eslovênia, Polônia, Rússia, Brasil, China e o mundo árabe. O livro é gratuito e pode ser baixado em PDF, ePub ou Mobi.

PublishNews | 23/10/2012

Apfelstrudel de IOF


Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente e clipado à partir do Blog Tipos Digitais 

A Apple está vendendo livros digitais para leitores brasileiros desde o último domingo, como o site Revolução eBook noticiou em primeira mão. Pode-se concluir que foi aberta então a iBookstore brasileira? Na verdade não, pois os livros estão sendo vendidos diretamente dos Estados Unidos e em dólar. Ou seja, a Apple aplicou um jeitinho brasileiro para contornar as dificuldades fiscais e legais para comercializar e-books no Brasil, entre elas a legalidade ou não do modelo agência e a manutenção da isenção de impostos sobre o livro dentro do modelo digital de negõcio. O resultado, no entanto, não é uma iBookstore brasileira, mas uma janela de acesso aos livros brasileiros na iBookstore americana. Ao entrar na loja com livros em português da Apple, a sensação é semelhante àquela que se tem ao se entrar uma loja física de venda de produtos Apple no Brasil, uma daquelas “Apple Resellers”. Pode até lembrar uma Apple Store, mas está longe de ser uma. E assim como continuamos sem uma Apple Store de verdade no Brasil, provavelmente seguiremos sem uma iBookstore de verdade por aqui por algum tempo.

A Apple disponibilizou 3158 títulos em português para seus clientes brasileiros que acessam a loja pelo iTunes ou pelos aplicativos para iPhone e iPad. Este era o número na manhã de 23/10. Entre estes títulos, estão livros distribuídos pela Distribuidora de Livros Digitais, a DLD, o poderoso consórcio que reúne Objetiva, Record, Rocco, Sextante, L&PM, Planeta e Novo Conceito, que possui um catálogo de best-sellers estimado em 1500 títulos. Há também livros fornecidos pela distribuidora Xeriph, mas, ao contrário do que ocorre com a DLD, apenas algumas das editoras distribuídas pela agregadora carioca estão à venda na Apple, entre elas a Todolivro e a Boitempo. Intrínseca e Companhia das Letras, que estão comercializando seus livros digitais diretamente com a Apple, também marcam presença na loja da maçã. Em termos de tamanho de catálogo, merecem destaque a própria Companhia das Letras, com 494 títulos, e a L&PM, que possui 435 títulos via DLD. O grupo Record aparece com cerca de 330 títulos, também por meio da DLD. As maiores ausências são a Saraiva, dona do maior catálogo digital do país, a Globo Livros e seu mega-seller  Ágape, e a Zahar, que sempre esteve na vanguarda dos experimentos digitais.

Como todo este catálogo está a partir de agora disponível na loja americana, isto deve deixar os brasileiros da diáspora bastante felizes. E, como mencionado, estes livros digitais podem ser comprados no Brasil, em dólar, graças a uma janela de integração da iTunes Store brasileira com a americana. Os preços em dólares, aliás, são os mesmos nos EUA e no Brasil, mesmo porque, na prática, a compra se realiza na loja de lá. E embora isto represente um avanço, pois até domingo era impossível para brasileiros adquirirem qualquer livro na Apple, esta solução traz uma série de problemas que podem se revelar empecilhos ou incômodos relevantes para o leitor brasileiro.

O principal incômodo é, sem dúvida, a cobrança de IOF. Como a compra será feita no exterior e em dólares, incide a cobrança deste imposto cuja alíquota atual é 6,38%. Obviamente, não está escrito em nenhum lugar na loja da Apple que haverá esta cobrança, mas os consumidores vão descobrir isto assim que as faturas mensais começarem a chegar. Em um país onde o livro é absolutamente isento de impostos, a Apple conseguiu a proeza de vender livros do Brasil para leitores brasileiros com imposto.

Outro problema é que a compra só pode ser feita com um cartão de crédito internacional. Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços, a Abecs, apenas 15% da população brasileira possui cartão de crédito internacional [veja p. 40 desta pesquisa]. Outro dado interessante é a diferença de gastos de brasileiros no exterior e no Brasil com cartões de crédito. Segundo a própria Abecs, no segundo trimestre de 2012, os brasileiros gastaram R$ 111 bilhões no Brasil contra apenas R$ 6 bilhões no exterior. É claro que a probabilidade de um usuário de iPhone ou iPad possuir um cartão internacional é muito maior e, portanto, muito mais do que 15% destas pessoas terão condições de adquirir os livros. Mas, ainda assim, esta é uma limitação que poderia ser evitada, assim como a cobrança do IOF.

Uma terceira questão é que a conversão para reais de uma compra em dólares só ocorre no fechamento da fatura e, por mais que o câmbio tenha ficado estável recentemente, a verdade é que o consumidor só saberá o preço final do livro quando pagar a conta.

Obviamente, se os preços da Apple forem mais baixos que os da a concorrência, estes problemas poderiam ser compensados e até o IOF se tornaria irrelevante. Infelizmente, uma rápida comparação mostra que os preços da maçã são muitas vezes superiores aos da concorrência. Por exemplo, a própria biografia do Steve Jobs está à venda por US$ 16,99. Convertendo-se este valor com o câmbio de hoje e aplicando-se os 6,38% de IOF, chegamos a R$ 36,60, enquanto o mesmo e-book custa R$ 32,50 na Saraiva. O best-seller Cinquenta tons de cinza sai na loja da Apple por US$ 12,99, ou R$ 27,98 após conversão e imposto, e custa apenas R$ 24,90 na Saraiva.

Embora o início das vendas de livros brasileiros pela Apple seja de fato um avanço, especialmente para o público internacional, aqui no Brasil a novidade não muda muito a vida do leitor nacional, que provavelmente continuará preferindo a Saraiva para comprar seus livros digitais. Afinal, na Saraiva há um catálogo de cerca de 11 mil títulos, não se paga IOF, não é necessário cartão de crédito internacional e o preço final é inferior. E como a empresa brasileira possui aplicativos de leitura para iPhone e iPad, a experiência de leitura é praticamente a mesma. Outra opção é comprar da Livraria Cultura e transferir o arquivo para um aplicativo de leitura da Bluefire ou da Kobo. Ah! E por falar nisso, em breve a Kobo lança junto com a Cultura sua loja, leitores e aplicativos de leitura aqui no Brasil, com vendas em reais.

No último fim de semana, enquanto a Apple começava a comercializar seus livros digitais em português, acontecia o evento FIM no Rio de Janeiro, com vários painéis que discutiram os livros digitais e as rupturas tecnoloigcas na indústria do livro. Em certo momento das conversas, o curador Julio Silveira declarou: “A Kobo é uma livraria, a Amazon é um tico-tico no fubá, e a Apple vende livro com raiva porque quer vender coisas que piscam.” Por enquanto, parece mesmo que a Apple está mais interessadas nas coisas que piscam. Se ela quiser ser um player relevante no mercado editorial brasileiro, terá de abrir uma iBookstore brasileira de verdade e completa. Até lá continuamos esperando. Assim como temos esperado por anos a abertura de uma Apple Store em uma grande metrópole brasileira.

Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente e clipado à partir do Blog Tipos Digitais 

Nova versão do iBooks é integrada a redes sociais e à nuvem da Apple


Tim Cook fala sobre a nova versão do iBooks | Marcio Jose Sanchez/Associated Press

Tim Cook fala sobre a nova versão do iBooks | Marcio Jose Sanchez/Associated Press

A Apple confirmou uma nova versão para o app iBooks durante o evento desta terça-feira.

Embora o executivo-chefe da Apple, Tim Cook, tenha dito que o app estaria disponível ainda hoje na loja virtual da companhia, ele ainda não estava disponível até a publicação desta reportagem.

Dentre as novidades, a integração mais precisa com o iCloud fará a marcação de onde você parou de ler –para, posteriormente, continuar deste ponto. O serviço é similar ao oferecido pela Amazon para o Kindle, que leva o nome de Whispersync.

Também haverá rolagem de página contínua no novo app.

O app terá suporte para 40 idiomas – espera-se que o português também esteja no pacote da companhia.

A Apple informou que foram mais de 400 milhões de downloads de e-books em uma estante virtual de 1,5 milhão de livros.

Folha de S.Paulo | 23/10/2012, às 15h20

IPA revisa últimas ações anti-pirataria


Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 23/10/2012

A IPA – International Publishers Association divulgou, através de sua Secretaria Geral, apresentações feitas na reunião de seu Comitê Anti-Pirataria, durante a última Feira do livro de Frankfurt.

São três apresentações, duas em power point e uma em pdf. As apresentações podem ser solicitadas gratuitamente à secretaria da IPA através do e-mail secretariat@internationalpublishers.org. Informações adicionais sobre o assunto podem ser encontradas no site da IPA.

A primeira apresentação é sobre a situação da pirataria de livros no Egito. É, digamos assim, a mais clássica: as dificuldades de distribuição e as convulsões decorrentes da mudança de regime abriram amplo espaço para a pirataria, tanto de livros impressos quanto digitais. Acrescente-se, no caso do Egito, as dificuldades de formato para leitura em caracteres de árabe. Segundo a Associação Egípcia de Editores, os e-readers da Amazon, da Apple e da Barnes&Noble não suportam esses caracteres. Isso faz que o escaneio dos livros, no formato PDF, seja amplamente disseminado. Os editores egípcios estão tentando desenvolver uma plataforma proprietária, mas encontram dificuldades de custos e tecnologia.

A indústria editorial egípcia não é exatamente modesta. Publica cerca de 20.000 títulos ao ano, através de cerca de 500 editoras, mas com uma rede de livrarias muito precária. A apresentação não faz menção a tentativas de estabelecer sistemas de licenciamento de cópias; pelo contrário, assinala que as editoras começam a usar “estratagemas” para proteção, como hologramas e outros dispositivos anti-pirataria. O problema evidente é que, como sabemos, esses sistemas são notoriamente ineficientes. A apresentação tampouco menciona as questões relacionadas a redes de bibliotecas e meios de acesso público e legal aos livros.

Mas o Egito sofre também com a forma mais antiga de pirataria: a reprodução, em edições piratas e baratas, dos livros publicados pelos editores estabelecidos.

A solução, segundo a Associação de Editores, seria o reforço da legislação contra a pirataria e a criação de mais e melhores meios de repressão aos piratas.

A IPA não comenta a apresentação. Na minha opinião, os editores egípcios estão se enfiando em um beco sem saída: a repressão, sem alternativas para cópias legais e remuneradas, só provoca o aumento da pirataria e a criação de uma opinião pública contrária aos editores, que passam a ser sistematicamente qualificados como gananciosos.

É uma situação similar à criada no Brasil pela ação repressiva da ABDR, sobre a qual já me manifestei em diferentes ocasiões.

A segunda apresentação relata uma ação da Associação dos Editores ingleses contra o Pirate Bay, o famoso site que abre downloads através de torrent. Segundo os ingleses, 7% do total do material oferecido pelo site é de livros, o equivalente a aproximadamente 220.000 obras literárias ou científicas. Note-se que a pornografia fica com 17,99% do total, os filmes com 19,89% e a música com 25,59%.

Os editores ingleses [e as gravadoras e distribuidoras de filmes] empreenderam uma ação judicial dirigida aos maiores grupos de ISP – Internet Service Providers, pedindo à justiça que ordene que esses servidores bloqueiem o acesso ao Pirate Bay. A ação tem algumas características específicas: 1] Não pede indenizações; 2] É apenas contra os servidores, não contra o site infringente; 3] Não exige que se prove que o servidor esteja infringindo leis de copyright.

A totalidade dos provedores de serviço aceitou sem contestação a medida judicial. Afinal, por que iriam gastar dinheiro com advogados para defender o acesso a sites piratas?

Os que acessam o Pirate Bay podem usar proxys para continuar baixando conteúdo, mas o acesso certamente ficou mais difícil e menos acessível à maioria dos internautas.

Além disso, o Reino Unido dispõe de uma agência de licenciamento, a PLS – Publishers Licensing Society, que permite a aquisição de licenças para cópias de trechos de livros legalmente.

A solução britânica é mais inteligente que a egípcia, pois procura a colaboração dos provedores de serviço da Internet [a apresentação não fez menção ao Google, entretanto], ao mesmo tempo em que deixa uma janela aberta para o uso legal de trechos de obras. Note-se que a PLS é de propriedade das associações de editoras de obras gerais e das duas associações de editores de STM, e seu sistema permite que as editoras e autores acompanhem a contabilidade das licenças e recebam diretamente a parte de lhes cabe do auferido.

Finalmente, há a apresentação sobre mudanças na lei de copyright e algumas decisões da Corte Suprema do Canadá sobre a questão da pirataria e dos licenciamentos.

O Canadá foi um dos primeiros países a estabelecer métodos de remuneração de editoras e autores para o uso de materiais educacionais com proteção de copyright, assim como estabelecer remuneração para os livros emprestados pelas bibliotecas públicas. Os sistemas diferem um tanto entre o Québec e o Canadá britânico, mas há quase quinze anos está em vigor.

As recentes modificações na legislação sobre o assunto foram, entretanto, significativas. Ao mesmo tempo em que mantem a proteção contra as cópias ilegais, ampliou muito o conceito do “fair use”, previsto na legislação internacional [Convenção de Berna] e incorporado em todas as legislações nacionais.

O “fair use”, na interpretação do judiciário canadense, permite a exceção a partir do “direito dos usuários”, no sentido de manter um equilíbrio entre os direitos dos detentores de copyright e os interesses dos usuários, que assim não pode ser interpretado restritivamente. Ou seja, o exame judiciário dos casos de infringência tem que levar em consideração se existe dano comercial e intelectual, mas também o direito de cópia por parte dos usuários finais para usar o material sem ganhos comerciais e para propósitos educacionais.

A perspectiva relevante passa a ser a do usuário final, e não o de quem copia. E essa é uma alteração importante, pois abre um espaço para uma utilização mais ampla de materiais copiados para uso em salas de aula, entre outros.

A apresentação dos editores canadenses assinala pontos ainda confusos e não regulamentados, tanto das recentes modificações da legislação como da própria decisão da Corte Suprema, que terão de ser resolvidos para aclarar melhor a situação.
As três apresentações, entretanto, mostram a turbulência que vem sendo enfrentada pelos editores no mundo inteiro, com o aumento da pressão por mais exceções no uso de copyright, principalmente no âmbito educacional.

A busca de um equilíbrio entre os interesses dos criadores – autores -, difusores – editores – e usuários ainda é muito incipiente.

Do meu ponto de vista, o licenciamento e a melhoria dos sistemas de bibliotecas públicas, universitárias e escolares contribuiria decisivamente para uma convivência melhor entre as partes. Mas, como se vê, mesmo em um país que leva a sério o copyright e as necessidades de leitores e usuários desses materiais, ainda há muita discussão a ser feita e muitas disputas a serem resolvidas.

Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 23/10/2012

Felipe Lindoso

Felipe Lindoso é jornalista, tradutor, editor e consultor de políticas públicas para o livro e leitura. Foi sócio da Editora Marco Zero, diretor da Câmara Brasileira do Livro e consultor do CERLALC – Centro Regional para o Livro na América Latina e Caribe, órgão da UNESCO. Publicou, em 2004, O Brasil pode ser um país de leitores? Política para a cultura, política para o livro, pela Summus Editorial. Mantêm o blogwww.oxisdoproblema.com.br

A coluna O X da questão traz reflexões sobre as peculiaridades e dificuldades da vida editorial nesse nosso país de dimensões continentais, sem bibliotecas e com uma rede de livrarias muito precária. Sob uma visão sociológica, este espaço analisa, entre outras coisas, as razões que impedem belos e substanciosos livros de chegarem às mãos dos leitores brasileiros na quantidade e preço que merecem.

Livraria virtual da Apple já tem mais de mil livros em português


Nenhum anúncio oficial foi feito ainda, mas a Apple começou a vender títulos em português, de editoras brasileiras, na iBookstore, sua loja virtual de livros para tablets e celulares.

Um levantamento feito pela Folha mostra que mais de mil livros em português já estão disponíveis no acervo da loja. Os preços são em dólares, mas é possível comprar com cartão de crédito brasileiro.

Segundo a Folha apurou, os e-books de selos brasileiros começaram a entrar na iBookstore no começo do mês. São títulos como “Cinquenta Tons de Cinza”, da Intrínseca, o livro de ficção mais vendido no país atualmente. Ele aparece por US$ 12,99 [cerca de R$ 26] -o mesmo e-book na loja da Livraria Cultura, por exemplo, sai um pouco mais barato [R$ 24,90].

"50 Tons de Cinza", eBook em português à venda na iBookstore

“50 Tons de Cinza”, eBook em português à venda na iBookstore

A Intrínseca tem cerca de cem títulos na loja, enquanto a Leya conta com mais de 60 e-books. Outras editores presentes na iBookstore brasileira são: Arqueiro, com cerca de 50 títulos, incluindo “O Código Da Vinci”, de Dan Brown; Novo Conceito, com cerca de 60 títulos, incluindo os best-sellers de Nicholas Sparks “Um Porto Seguro” e “A Escolha”; Record, com cerca de 300 títulos, incluindo “A Queda”, de Diogo Mainardi; Objetiva, com cerca de 200 títulos; LP&M, com cerca de 300 títulos; e Simplíssimo, com cerca de 70 títulos.

A Apple havia previsto a estreia da livraria digital para abril deste ano, mas o projeto atrasou alguns meses por questões tributárias.

Anteriormente era possível encontrar apenas livros gratuitos e em inglês para download. Os livros ainda estão “escondidos” –na página principal da loja, os destaques ainda são títulos norte-americanos gratuitos. Só é possível encontrá-los usando o sistema de buscas da loja virtual ou clicando em sua lista de mais vendidos.

A Apple realiza amanhã nos EUA um evento para apresentar novos produtos. O principal destaque deve ser uma versão menor do iPad, que viria agora com tela de 7,85 polegadas – os modelos atuais têm tela de 9,7 polegadas.

Publicado originalmente em Folha de S.Paulo | TEC | 22/10/2012, às 19h05

Loja de eBooks da Apple está aberta no Brasil


Aparentemente, a Apple ganhou a corrida contra a Amazon e chegou primeiro ao Brasil.

A iBookstore brasileira e da América Latina abriu suas portas neste domingo. A loja também está disponível na Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru e Venezuela, e também para países da América Central, incluindo o Mexico. O Uruguai não está listado. Os preços estão em dólar, como previsto em  algumas semanas pelo Revolução.

Além dos eBooks da Simplíssimo, também os ebooks da DLD estão disponíveis.

Certamente a abertura da loja de eBooks está relacionada com o anúncio de amanhã [23/10] da Apple, com o aguardado lançamento do iPad Mini.

Aqui vão duas telas, uma do iPad e outra do iTunes, mostrando a disponibilidade dos títulos brasileiros.

Antes dessa mudança, o usuário brasileiro só podia baixar ebooks gratuitos ou de domínio público. A loja pode não ter preços em reais, mas o simples fato de permitir a compra, para quem tem conta brasileira na Apple/iTunes, é uma tremenda novidade – tanto para leitores, quanto para as editoras. É um grande avanço, e não só para os consumidores – a presença de um competidor à altura da Amazon também é um alento para as editoras.

Por Eduardo Melo | Publicado originalmente e clipado à partir de Revolução eBook

Linha de chegada


A concorridíssima corrida pelo mercado de livros digitais no Brasil deve fazer com que Amazon, Google, Kobo e Apple estreiem aqui em novembro com poucos dias de diferença. Quem conhece a Amazon acha improvável que ela compre a Saraiva, conforme rumores recentes, mas acredita na estreia da amazon.com.br, com venda de e-books em português, no mês que vem. Embora a venda do Kindle no Brasil esteja indefinida, há 300 mil usuários do Kindle Books em português no mundo, o que torna a venda só de e-books um bom negócio por ora.

A empresa já fechou com quase 200 editoras nacionais, a maior parte representada pela distribuidora Xeriph, mas ainda não com as seis representadas pela DLD, que respondem por cerca de 35% dos best-sellers no país. A mesma DLD, no entanto, fechou com Kobo – que estreia já com um modelo de e-reader- Google e Apple.

Por Raquel Cozer | Folha de S. Paulo | 22/10/2012

Apple começa a publicar livros na iBookstore brasileira


Na véspera do evento da terça-feira, 23, a Apple começou a dar os primeiros passos para o lançamento da iBookstore brasileira, o que indica que ela será realmente oficializada na apresentação em San Jose, na Califórnia. Alguns títulos já apareceram nesta segunda-feira na loja virtual brasileira de livros digitais para iPhone, iPad e iPod Touch, mostrando preços em dólar e descrição em português. Oficialmente, ainda não é possível nenhuma transação, mas é provável que a Apple libere isso até o final do dia ou em tempo do evento na terça.

A iBookstore, acessível pelo aplicativo iBook, não havia sido lançada anteriormente no Brasil por um impasse entre a Apple e grandes editoras nacionais. Adotando a venda com preços em dólar, a companhia consegue escapar de burocracias tributárias para distribuição de conteúdo digital, mas esbarra na necessidade de o consumidor ter de pagar IOF de 6,38% sobre compras realizadas no exterior. No entanto, este parece ser o caminho mais adequado: a mesma prática foi adotada, com sucesso, com a categoria de jogos na App Store, lançada somente neste ano.

O evento da terça-feira, segundo rumores de mercado, deverá ser focado em educação e livros digitais, o que seria a deixa para a Apple apresentar o iPad mini, com tela de 7,85 polegadas e supostamente fabricado na planta da Foxconn no Brasil. O produto deverá ter como alvo o nicho de mercado de tablets menores, mais indicados para leitura, como o Amazon Kindle HD e o Google Nexus 7. A apresentação deverá mostrar ainda novas versões dos computadores Macs.

Publicado originalmente em TI INSIDE Online | 22 de outubro de 2012, às 13h10

Duas gigantes


Rumores de que a Amazon estaria negociando a compra da Saraiva se intensificaram esta semana com notícia publicada pela Bloomberg. Questionado por esta coluna se a Saraiva poderia fazer parceria com algum grande player como a Amazon ou outro, Marcílio Pousada, presidente da rede, respondeu, às vésperas da Feira de Frankfurt, quando o boato começava a se espalhar: “Tudo no mundo é possível. Essa é a única coisa que posso falar. Olhamos para tudo.

Por Maria Fernanda Rodrigues | O Estado de S. Paulo | 20/10/2012

Leitura no trem e eBook grátis


Livros como Última Noite de Inocência e Sem Compromisso estão entre os títulos que a Harlequin doará ao projeto Livro Livre, que vai distribuí-los, entre 29 e 31 de outubro, em cinco estações da CPTM.

*

Com atuação em 114 países, a editora de livros românticos começou há pouco a vender e-books no Brasil e já conseguiu um feito: vai poder distribuir gratuitamente essas obras digitais como faz em todo o mundo. É sua estratégia de marketing.

Aqui, ela é uma joint venture da matriz canadense com a Record e sua operação digital é feita pela DLD, que tem uma política mais restritiva com relação à distribuição de e-books. Em meados de novembro, quem baixar o aplicativo vai ganhar um livro digital e poder comprar outros.

Por Maria Fernanda Rodrigues | O Estado de S. Paulo | 20/10/2012

eReaders à base de energia solar


A tecnologia dos ereaders tem evoluído constantemente e novidades são implantadas a todo o momento para melhorar seu desempenho, no entanto, a utilização da energia solar para carregar a bateria – que além de abastecer o aparelho por tempo ilimitado ainda é ecologicamente correta – foi explorada até hoje de forma muito tímida. A questão é se esse cenário está caminhando para uma mudança e se essa vai ser a tendência para a próxima geração de eReaders.

Algumas grandes empresas têm demonstrado interesse em desenvolver ereaders alimentados por energia solar, mas o único produto a ser comercializado foi o Biblio Leaf, lançado no Japão pela Toshiba, em 2010. De acordo com a Toshiba, o painel solar colocado na frente do aparelho carrega a bateria o suficiente para que cerca de 7500 páginas sejam lidas numa única carga. A LG também se aventurou por esse terreno, mas o seu modelo [TFT-LCD] nunca passou da fase de protótipo.

A NeoLux Corporation, que desenvolveu a tecnologia da tela Ink-in-Motion, criou um painel solar que abastece o aparelho com energia suficiente para mantê-lo por até 18 meses de uso contínuo. O dispositivo chamou a atenção da e-Ink Holdings [principal fabricante de telas e-ink] e recentemente as companhias assinaram uma parceria para combinar o uso da tecnologia e-ink com a de energia solar, com a intenção de expandir o seu uso prático. A empresa AUO Optronics – outra fornecedora de telas para vários aparelhos – criou uma tela de e-ink flexível à base de energia solar que também parece promissora.

A escassez de ereaders que funcionam com energia solar levou a Solar Focus a criar capas protetoras que carregam a bateria dos leitores passivamente, quando não estão em uso. Essas capas foram feitas principalmente para o Kindle, e conseguem carregar o dispositivo mesmo quando não estão colocadas diretamente sob a luz do sol. Os criadores do produto ganharam vários prêmios e as capas estão vendendo muito bem.

Também existem métodos no estilo “faça você mesmo” [para os mais habilidosos ou corajosos] que convertem um ereader comum em um ereader com energia solar, mas talvez seja melhor esperar mais um pouco e acreditar que, em um futuro não muito distante, as vantagens do uso da energia solar sejam suficientes para colocar esses dispositivos no mercado.

Clipado à partir de Revolução eBook | Informações: Good E-Reader

Boicote da Barnes & Nobles afeta Amazon


A Amazon.com tem tido muito sucesso no varejo de livros. Mas entrar no ramo editorial não tem sido tão fácil. […] A Barnes & Noble anunciou em janeiro que não iria estocar títulos publicados pela Amazon, citando a decisão desta de assinar com alguns autores e editoras contratos pelos quais seus livros só ficariam disponíveis para clientes da Amazon. O livro de Penny Marshall está disponível a todos os varejistas. E também é o primeiro grande título da Amazon desde que o boicote começou. Os outros varejistas dizem que não estão boicotando a editora Amazon Publishing, embora a posição da companhia como concorrente seja um fator para alguns. “Eu não quero ser uma vitrine para a Amazon“, diz Mitchell Kaplan, dono de três livrarias Books & Books na Flórida. Ele diz que suas lojas vão atender a encomendas de clientes de livros da Amazon, assim como fará a Barnes & Noble.

Por Jeffrey A. Trachtenberg | Valor Econômico | 19/10/2012

Saraiva não confirma negociações de venda


Em comunicado aos investidores, empresa não confirma negociação e não comenta rumores

A Saraiva S.A. livreiros Editores, companhia aberta listada na Bm&f Bovespa, cujas ações aumentaram 7,4% ontem após a agência de notícias Bloomberg ter noticiado a possível compra da empresa pela Amazon, divulgou ontem um comunicado aos investidores e não confirmou os rumores do mercado. No comunicado assinado pelo Diretor Financeiro e de Relações com Investidores, João Luís Ramos Hopp, a Saraiva informa que “a Companhia está sempre atenta e disposta a avaliar oportunidades de negócios dessa ou de outras naturezas que surjam e que possam ser de seu interesse ou de seus acionistas. Nesse sentido, informamos que não há negócio de qualquer natureza que enseje a divulgação de fato relevante, nos termos da legislação aplicável”. E reforça que a empresa não comenta “rumores divulgados pela mídia”.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 19/10/2012

A Amazon vai comprar a maior rede de livrarias do Brasil?


Livrarias raramente causam rebuliço na Bovespa, a Bolsa de Valores de São Paulo. Afinal, só uma rede de livrarias, a Saraiva SA Livreiros Editores [SLED4] – a maior do Brasil – é negociada por lá. Portanto o que aconteceu na última quarta-feira na Bolsa, poucos minutos antes do fechamento do pregão, foi realmente algo extraordinário e, talvez, simbólico das novas águas que a indústria editorial tem navegado ultimamente. O fato é que quando aBloomberg noticiou que a Amazon estava negociando a compra da Saraiva, as ações da livraria subiram até R$ 28, o valor mais alto alcançado nos últimos 12 meses, representando uma alta de 7,28% no dia – dos quais 7% aconteceram nos minutos finais do pregão.

Outro varejista ligado ao mercado de livros e listado na Bovespa, a B2W [BTOW3], conhecido também como Submarino, não teve tanta sorte. Antes visto como um potencial alvo de aquisição da Amazon, suas ações caíram 4,34%, chegando a R$ 11,47. No dia seguinte, as ações da B2W caíram mais 8,54% até R$ 10,49, enquanto as ações da Saraiva permaneceram estáveis, caindo meros 0,36% para R$ 27,90.

A Amazon poderia chegar ao Brasil em novembro

Rumores sobre a atividade da Amazon no Brasil já circulam há anos, com cada vez mais intensidade. O fato é que não se pode mais chamá-los de rumores. Ainda não se sabe se vai acontecer com ou sem a compra da Saraiva, mas a fonte anônima da Bloomberg parece estar correta. Na semana passada, o jornalista brasileiro Lauro Jardim publicou no Radar On-Line que a Amazon decidiu que a data de lançamento no Brasil será em novembro. Todo mundo sabe, no entanto, que a Amazon raramente usa o tempo futuro em seus comunicados, portanto isso só pode ser visto como especulação, apesar de ser uma especulação bastante plausível.

E por quê? Duas razões. Primeiro, as negociações com a DLD [Distribuidora de Livros Digitais] estão perto de serem finalizadas. A DLD é um consórcio de sete grandes editoras brasileiras que controla ao redor de 35% da lista de best-sellers no país. Elas sempre negociam em conjunto e estão fazendo assim com a Amazon. E são, de longe, o maior desafio para os executivos de Seattle, já que estas editoras estão agressivamente exigindo condições comerciais favoráveis e o controle final sobre os preços. Limitar os agressivos descontos da Amazon são uma condição sine qua non para este grupo de sete empresas. No entanto, fontes no mercado já deixaram claro que um acordo com a DLD está muito perto e deve  acontecer antes do fim do ano. Além disso, de acordo com o noticiário local, a Amazon já conseguiu um acordo com a Xeriph, a principal agregadora de e-books, para distribuir pelo menos uma parte de seu catálogo digital. Então, é fato que a Amazon ou já tem ou está a ponto de ter conteúdo suficiente para abrir sua loja de e-books brasileira. Portanto, um lançamento em novembro não parece algo muito absurdo.

E os leitores digitais?

Se a Amazon chegar realmente, será que conseguirá disponibilizar Kindles no Brasil em tão pouco tempo? Bem, depende do que significa “disponibilizar no Brasil”. Se significa ter Kindles estocados localmente ou vendido em lojas físicas, a resposta é provavelmente “não”. A menos que os aparelhos já tenham chegado ao Brasil ou pelo menos já tenham sido despachados, é difícil imaginar que todo o processo de importação possa levar apenas poucas semanas, incluindo a liberação alfândegária. No entanto, se “disponibilizar no Brasil” significa que os brasileiros podem comprar Kindles online diretamente dos EUA e recebe-los em suas casas, então isto isso já é uma realidade operacional.

Por uns US$ 216 [o preço do Kindle e-ink da geração anterior mais barata] entregue em um endereço brasileiro, com os impostos incluídos, a Amazon possui o e-reader dedicado mais barato do Brasil. Agora, imaginem se a Amazon der um desconto especial ou oferecer entrega expressa gratuita a clientes brasileiros. Nesse caso, não seria necessário um grande processo de importação. Esta é a segunda razão que torna plausível uma especulação de que a Amazon vai abrir no Brasil antes do final do ano. Quanto aos preços competitivos dos Kindles, não podemos esquecer que a Kobo e a Livraria Cultura prometeram disponibilizar seus e-readers antes de dezembro. Podemos então esperar algo como uma guerra de preço na disputa pelos clientes na época do Natal.

Mas a Amazon realmente vai comprar a Saraiva?

Não vamos esquecer o outro cenário: os rumores da aquisição da Saraiva. Se isto for verdade, as coisas poderiam acontecer de forma diferente, talvez com maior rapidez. Para entender melhor esta possibilidade, no entanto, devemos conhecer um pouco mais sobre a maior rede de livrarias brasileira.

A Saraiva foi fundada em 1914 por um imigrante português como uma livraria de livros usados especializada em Direito. Três anos depois, começou a publicar livros. Hoje, quase 100 anos e várias aquisições depois, o grupo Saraiva inclui a maior rede brasileira de livrarias e uma das editoras mais importantes do país, forte na área de didáticos – onde se beneficia das enormes compras governamentais – e na área de Direito. Outras áreas de atuação incluem mercado geral, infantis, negócios e outros setores Acadêmicos. No lado do varejo, a Saraiva possui 102 lojas, das quais 47 são megastores. Em 2008, o grupo adquiriu a Siciliano, a segunda maior rede de livrarias brasileira, e se consolidou como a maior livraria no país [para comparar, imagine a Barnes & Noble comprando a Borders, se esta ainda existisse].

De acordo com a Bloomberg, o capital da Saraiva é de US$ 355 milhões, e o grupo Saraiva foi uma das três editoras brasileiras a entrar na lista anual das maiores empresas editoriais do mundo compilada pelo consultor editorial austríaco, Rüdiger Wischenbart.

Todo o mercado editorial brasileiro está avaliado em US$ 6,7 bilhões, de acordo com o último Global Ranking of the Publishing Industries. Para dar uma idéia do poder da Saraiva, a empresa teve uma receita total de R$ 1,889 bilhões em 2011 – apesar de que mais de um terço de suas vendas venham de outros itens e não de livros. E este número continua crescendo: a empresa teve um crescimento de 20,7% em 2011 em relação a 2010, com ganhos [Ebitda] de R$ 172,6 milhões ou 9,1% de receita. Na primeira metade de 2012, a receita foi de R$ 889 milhões, um crescimento de 8,9% sobre o mesmo período de 2011. Os lucros também cresceram de R$ 65,6 milhões para R$ 79,29 milhões na primeira metade de 2012, com uma margem de 8,9%. As livrarias Saraiva, no entanto, não vendem apenas livros, mas também CDs, DVDs, computadores, aparelhos eletrônicos e suprimentos para escritório. O site deles, lançado em 1998, vende uma seleção ainda maior de itens, de bicicletas a geladeiras. Em 2011, R$ 810,3 milhões de vendas vieram de produtos que não eram livros, correspondendo a 56,2% da receita da rede.

Os números são ainda mais interessantes quando se compara o desempenho da rede de livrarias da Saraiva ao da editora Saraiva. Em 2011, só 23,7% da receita do grupo veio da editora, um valor de R$ 447,1 milhões. No mesmo ano, no entanto, os ganhos [Ebitda] do negócio editorial forma de R$ 96,7 milhões e corresponderam a 55% dos ganhos de todo o grupo. Isso foi possível porque a margem de lucro das livrarias Saraiva foi de apenas 5,4% no ano passado, enquanto que a margem da editora chegou a 19,3%. Também é importante lembrar que 35,9% ou R$ 517,3 milhões da receita de varejo eram provenientes do e-commerce.

A análise destes números é crucial para se entender os possíveis caminhos que uma aquisição da Saraiva pela Amazon poderia tomar. Há basicamente três opções:

1] A Amazon adquire todo o grupo Saraiva
Esta é certamente a opção menos favorável, pois a Saraiva provavelmente não venderia sua unidade editorial, que é a parte mais lucrativa do negócio. A Amazon, por outro lado, provavelmente pensaria duas vezes antes de se tornar concorrente de outras editoras no Brasil antes mesmo de abrir sua própria loja local. Não faria sentido estratégico entrar no negócio editorial antes de começar sua atividade livreira em um novo mercado.

2] A Amazon adquire a divisão de vendas de livros da Saraiva
Este poderia ser o cenário dos sonhos para a Saraiva, já que venderia sua divisão menos lucrativa e manteria seu negócio com melhores resultados. A editoria e a livraria Saraiva já estão separadas em duas entidades legais diferentes, facilitando o processo de uma possível venda parcial. Claro que neste caso alguma sinergia se perderia, mas nada que um bom contrato com obrigações futuras não possa superar. E as margens de lucro são tão diferentes entre os dois negócios que tais sinergias não seriam suficientes para evitar um acordo. Do lado da Amazon, no entanto, não parece fazer muito sentido comprar 102 livrarias. Seria a primeira vez que a gigante de Seattle teria lojas físicas. É difícil imaginar que a Amazon mudaria sua estratégia global só para entrar no mercado brasileiro. Sim, o Brasil é o país da vez, mas o mundo é um lugar muito grande e é possível imaginar a Amazon em mercados como Escandinávia, Europa Oriental, Rússia ou África do Sul antes de imaginá-la repensando sua raison d’être ou vendendo sua alma ao demônio das lojas físicas.

3] A Amazon adquire somente a loja online da Saraiva
O site da Saraiva é responsável por 27,4% das receitas da Saraiva. Se a Amazon pudesse adquirir somente o negócio online, isto rapidamente abriria caminho no mercado e permitiria que ela superasse vários obstáculos sem precisar se envolver com a administração de lojas físicas. No entanto, isso não faria sentido para a Saraiva. O que seria de uma rede de livrarias sem um site no mundo de hoje? É difícil imaginar a Saraiva cometendo o mesmo erro que a Borders cometeu, deixando sua presença na web brasileira desaparecer ao vender, se associar ou fazer uma joint venture com uma empresa de e-commerce como a Amazon.

Se uma negociação entre os dois grupos realmente existe, faz sentido acreditar que ela acontece em torno das opções 2 ou 3. Uma decisão entre uma dessas opções favorece ou Amazon ou a Saraiva, dependendo de qual for a direção tomada, mas a inclusão ou não das 102 lojas físicas deve ser o ponto nevrálgico da negociação.

Brasileiros, cuidado

Qualquer que seja o modelo adotado, no entanto, uma possível aquisição da Saraiva pela Amazon não é razão para que as editoras brasileiras comemorem. Se a Amazon comprar a Saraiva, a Submarino afunda, provavelmente deixando o mercado de livros – isto se não sair do mercado de vez no médio prazo – já que aquisição fortaleceria mais ainda a posição já forte da Saraiva no mercado. O resultado final seria, ironicamente, menos competição, mais consolidação e um mercado mais difícil para as editoras.

Mais cedo ou mais tarde, a Amazon fará um comunicado. E será escrito com os verbos no passado. Até lá, tudo que podemos fazer é esperar pelo próximo capítulo da novela “A chegada da Amazon no Brasil”, enquanto day traders ganham algum dinheiro com toda a confusão.

Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente em Publishing Perspectives | Clipado à partir de Tipos Digitais | Tradução: Marcelo Barbão | 19/10/2012

Vendendo eBooks pela capa


Existem diversas maneiras de se vender um livro, uma delas é pela capa.

É verdade que os leitores não lêem um livro somente pela capa, mas é certo afirmar também que muitos livros deixaram de ser comprados exatamente por culpa do seu acabamento. Para melhorar o nível de comunicação da obra com o leitor, no entanto, itens como o impacto, a essência e a criatividade na imagem utilizada podem ajudar a traduzir para o leitor o conteúdo do livro e ajuda a fisgar o consumidor para a sua aquisição.

A imagem da capa de um livro, somada ao título, será o primeiro contato que o leitor terá com o produto e pode ser decisivo na tomada de decisão do leitor. É necessário bom senso na hora de compor a capa de um livro. É de suma importância a criação de uma boa capa para a vida útil de uma obra. A embalagem ajuda na comercialização. Faz-se preciso, portanto, desenvolver a melhor arte para uma capa, que traduza fielmente o conteúdo da obra.

A TIPOGRAFIA

A TIPOGRAFIA

Um item importante é com relação à tipografia empregada que deve, além de ser esteticamente bonita, ser também legível, para que possa ser visualizada quando reduzida para ser divulgada em livrarias virtuais, blogs, etc. O profissional gráfico geralmente sabe disso, porém o próprio autor pode ajudar e também ficar atento se a equipe editorial está realmente tomando esses cuidados.
O AUTOR E A CAPA DO SEU LIVRO

O AUTOR E A CAPA DO SEU LIVRO

Uma determinada imagem que esteja apenas dentro da cabeça do autor pode não servir para chamar a atenção dos leitores. Muitas vezes, a ideia que um autor faz da capa de seu livro não reflete nem o livro em si, algumas vezes tão pouco o conteúdo ali contido. E muito menos ajuda o mercado editorial na circulação do produto.

Ainda assim, é importante que o autor, na medida do possível, também tenha o direito de opinar e até aprovar a arte capa do seu próprio livro e, eventualmente, propor a sugestões de melhoria que achar necessárias. Mas é mais necessário ainda que o autor não torne a sua ideia de capa algo imperativo, se a opção não ajudar na venda da obra.
OS TEXTOS NA CAPA DE UM LIVRO
OS TEXTOS NA CAPA DE UM LIVRO

Quantas vezes, porém, nos deparamos com obras cujos títulos nos chamaram a atenção, mas os textos da sinopse dispersam imediatamente a nossa atenção e o livro perde, com isso, aquele ato da compra por impulso? Textos curtos e diretos são sempre a melhor opção tanto para a minibiografia do autor quanto para a sinopse da obra.

Uma boa foto do autor também ajuda. Fotos tiradas de celular com aqueles fundos caseiros estão terminantemente proibidos. Se o desejo é optar por uma imagem mais jovial do autor, o ideal é que a foto seja tirada e preparada por um bom fotógrafo. Afinal, a imagem do autor também ajuda na composição da arte de uma boa capa.

O PROJETO DE UMA BOA CAPA DEVE INCLUIR

O PROJETO DE UMA BOA CAPA DEVE INCLUIR

O que não pode faltar na publicação de um livro é o investimento na redação de um eficiente texto de marketing, que venda a obra e o autor. Uma boa capa é a soma de um bom título, de uma boa imagem frontal e de bons textos de contracapa e orelhas, sinopses, sobre a obra e o sobre autor.

Entre os itens principais, nós temos:

    • Composição da arte e desenvolvimento do projeto gráfico da CAPA.
    • No caso principalmente dos livros em versão impressa, uma boa capa inclui um texto de marketing sobre o tema do livro e também sobre o autor [com foto opcional].
    • Inclusão do CÓDIGO DE BARRAS no livro para a facilitar a comercialização da obra em diversos pontos de venda [supermercados, livrarias, bancas de jornal, revistarias, etc.].
    • REDAÇÃO de texto promocional para o livro [título, subtítulo, texto da capa, texto da contracapa, texto da orelha, etc.].
    • Projeto e DESIGN gráfico. Conceituação do projeto gráfico e editorial do livro [capa, quarta capa, sobrecapa, guardas, acabamento, seleção de papéis etc.].

UMA CAPA PARA TODAS AS MÍDIAS
UMA CAPA PARA TODAS AS MÍDIAS

A capa de um livro digital, por exemplo, apresenta desafios diferentes se comparadas às suas versões para a impressão. A maioria das capas para eBooks são geralmente menores, pequenas, em formato miniatura para adequar-se às telas dos aplicativos d eleitura. Os tamanhos reduzidos dessas miniaturas trazem novos desafios para o design da capa de um livro.

O título do livro, tanto quanto o próprio nome do autor, dentro da arte da capa, também têm de ter legibilidade, independente das informações e dados que geralmente acompanham o cadastro de um livro. O título do livro deve ser, nesse sentido, pensado para ser visível não somente para a versão impressa, que guarda mais espaço no campo de visão de um leitor, mas também no caso em que a capa do livro é disponibilizada para Blogs, redes sociais, livrarias online, etc.

LIVRUS

Publique um Livrus

Pensadores discutem o livro na era digital


O escritor Peter Meyers abre o projeto, que vai discutir novas perspectivas na leitura

O Zona Digital, evento promovido pela Oi Futuro, vai reunir a partir de outubro e nos próximos meses, pesquisadores, escritores e grandes pensadores nacionais e internacionais [Rua Dois de Dezembro, 63, Flamengo, Rio de Janeiro].

Com curadoria das professoras Heloisa Buarque de Hollanda, Cristiane Costa e Eliane Costa, a série vai discutir o impacto das novas tecnologias na criação cultural em base digital e seu reflexo no mercado editorial.

O primeiro encontro, hoje, 18/10, tem como convidado o americano Peter Meyers, autoridade em literatura digital e autor dos livros Enhanced Ebooks Today & Tomorrow: A Survey for Authors and Publishers e Best iPad. A entrada é franca, mas as senhas serão distribuídas 30 minutos antes do evento.

Clipado de PublishNews | 18/10/2012

Possível venda da Saraiva faz B2W despencar na bolsa


As notícias em torno de uma possível aquisição da Saraiva pela Amazon impactaram negativamente os papéis da B2W, que encerraram o dia de ontem em queda de 8,54% – a maior queda do Ibovespa. Segundo analistas do mercado, a B2W seria a varejista mais afetada caso a transação venha a ser concluída. As ações da Saraiva, que valorizaram 7,4% na quarta-feira, fecharam ontem em queda de 0,36%. O mercado ainda tem dúvidas se as negociações vão avançar.

Por Beth Koike | Valor Econômico | 18/10/2012

Universidade de Coimbra lança plataforma digital


A Universidade de Coimbra lançou a plataforma UC Digitalis, um projeto para a agregação e difusão de conteúdos digitais de matriz lusófona, que pretende intensificar a ligação da Universidade com o contexto envolvente ao nível nacional e internacional. Encontram-se integradas no projeto as plataformas Pombalina e Impactum. A primeira é um repositório digital de livros, diretamente ligado à atividade editorial da Imprensa da Universidade de Coimbra, apresentando-se com 1001 e-books e 500 artigos alojados na Impactum, repositório digital de publicações periódicas. Os artigos e cerca de metade dos e-books encontram-se em acesso livre, sendo apenas possível aceder aos restantes através de IP institucional.

Publicado originalmente e clipado à partir de Blogtailors | 18/10/2012

 

Onde comprar o eBook mais barato?


Amazon vs. iBooks vs. Google Play vs. Barnes & Noble

O jornal Huffington Post fez uma pesquisa de preços  de e-books, analisando os preços dos bestsellers nas quatro maiores lojas online:  iBookstore da Apple, Kindle Store da Amazon, Nook Bookstore da Barnes & Noble e Play Store da Google. Na grande maioria dos casos, os preços da Amazon foram os menores. O site Digital Book World ironizou a matéria do Huff Post, publicando uma nota com o título “Quem tem o maior desconto no e-book ?” e lembrou que, apesar da política de descontos agressivos da Amazon, o resultado do processo sobre precificação de e-books nos Estados Unidos provavelmente irá mudar este cenário.

Por Iona Stevens | Clipado de PublishNews | 18/10/2012

Amazon negocia compra da Saraiva para expansão no Brasil


A Amazon, com sede em Seattle, procura uma empresa com boa infraestrutura tecnológica para se expandir no Brasil

São Paulo | A Amazon.com Inc., maior varejista online do mundo, está negociando a compra da Saraiva SA Livreiros Editores, disse uma pessoa com conhecimento direto da operação.

A Amazon, com sede em Seattle, procura uma empresa com boa infraestrutura tecnológica para se expandir no Brasil, disse a pessoa, que pediu para a não ser identificada, porque a transação é privada.

Drew Herdener, porta-voz da Amazon, não quis comentar. O diretor financeiro da Saraiva, João Luis Ramos Hopp, disse que a empresa “não comenta boatos e especulações de mercado”.

A revista EXAME disse em agosto que a Saraiva era um dos possíveis alvos de aquisição da Amazon no Brasil. A revista não disse onde conseguiu a informação.

Por Francisco Marcelino e Cristiane Lucchesi, da agência de notícias Bloomberg | Publicado originalmente e clipado à partir de EXAME.COM | 17/10/2012 18:00

Apple compra empresa especializada em HTML5


Aquisição sugere que a fabricante está interessada em ampliar a exibição de conteúdos em diversos dispositivos

A Apple comprou a Particle, uma consultoria especializada em aplicações web e projetos de marketing que usam HTML5. A compra foi finalizada em setembro deste ano por um valor não divulgado e começa a dar pistas sobre os planos da empresa da maçã.

Segundo o site GigaOm, a nova aquisição sugere que a dona do iPad e iPhone está buscando novas maneiras – dentro da linguagem HTML5 – de exibir conteúdos em uma variedade de dispositivos, uma vez que a Particle é especialista no assunto.

No site da consultoria, eles afirmam que têm trabalhado para levar aplicações leves, baseadas em HTML5, para set top boxes, consoles de videogames e até sistemas operacionais como Chrome OS e Android.

É importante lembrar que mesmo uma pequena aquisição para a Apple pode significar um grande lançamento. A compra da SoundJam, por exemplo, deu origem ao iTunes, a Chomp virou a App Store, a Fingerworks ajudou a criar o iOS, e o Siri se tornou o sistema de inteligência artificial do iPhone.

Será que vem uma nova Apple TV por aí?

Sobre a Particle

A consultoria foi criada em 2008 e um de seus financiadores foi o cantor e ator Justin Timberlake. Além de interpretar Sean Parker no filme “A Rede Social”, Timberlake se envolveu de verdade em investimentos no setor de tecnologia, incluindo uma participação na Specific Media, empresa que comprou a rede social MySpace em junho do ano passado. Entre os clientes da Particle estão Google, Sony e Motorola, além de Cisco, Barnes & Noble e Zynga.

Publicado originalmente e clipado à partir de OLHAR DIGITAL | 17 de Outubro de 2012, às 18:30h