Os blogs estão matando a crítica literária? Sir Peter diz que sim


Shame on you, bloggers, says Sir Peter Strothard (who has just put a huge internet target on his head

Shame on you, bloggers, says Sir Peter Strothard (who has just put a huge internet target on his head

Em entrevista ao jornal inglês The Independent, Sir Peter Stothard, editor do suplemento literário do Times e presidente do júri do prêmio Man Booker deste ano, disse que o aumento do número de blogueiros deixará o mercado editorial pior. “A crítica”, argument Stothard, “precisa de confiança face à enorme competição externa. É maravilhoso que existam tantos blogs e sites dedicados a livros, mas ser um critico é ter muitas diferenças em relação aos que partilham seus gostos… Todas as opiniões não têm o mesmo valor ”. É o aumento do número de blogs especificamente que mais desaponta o ex-editor do Times. “Eventualmente isso será o detrimento da literatura. Será ruim para os leitores; por mais que se goste de pensar que a opinião dos vários bloggers são tão boas quanto outras. Simplesmente não são. Pessoas serão encorajadas a comprar livros que não são bons, os bons serão soterrados, e ficaremos em uma situação pior.

Por Dennis Abrams | Publishing Perspectives | 28/09/2012

Novas editoras começam mais enxutas


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 28/09/2012 | Tradução: Marcelo Barbão

Mike Shatzkin

Ficou muito claro para mim que o digital ganha do impresso e que o digital puro, sem nenhum legado de custos, ganha ainda mais do impresso.” – David G. Bradley, dono da Atlantic Media, citado no The New York Times em 24 de setembro de 2012.

O negócio de revistas não é o negócio de livros, mas…

Na maior parte das últimas duas décadas, muitas pessoas viram o dilema em potencial que a transição digital criava para organizações editoriais bem-sucedidas. Se a distribuição não exigia mais escala, o que isso significava para as empresas que não apenas eram bem-sucedidas na distribuição em escala, mas também bastante presas a suas infraestruturas caras e de alta manutenção?

Esta foi uma das minhas preocupações quando fiz minha apresentação intitulada “Fim das Editoras Comerciais Gerais” na BookExpo em 2007. Quando as livrarias desaparecerem, entendi, seria absolutamente necessário que os editores trabalhando com vários públicos se ajustassem à realidade dos multi-nichos, mas isto seria muito difícil. E parecia, para mim, que seria muito mais caro manter as grandes organizações para lidar em escala com as milhares de livrarias espalhadas quando estes pontos de venda não existissem mais. E diminuir esta alta estrutura não seria fácil.

Todos entendem este desafio. Todas as grandes editoras estão procurando novas formas de conseguir escala nas tarefas de elaborar um banco de clientes, analisar dados, melhorar as formas de descoberta, o marketing social e criar parcerias com outros que possam levá-los a alcançar seu público.

Várias empresas construíram estratégias de negócios com base na expectativa de que organizações editoriais tradicionais vão ficar menores e mudar a forma como trabalham sua cadeia de valor de impressos. Entre as maiores, Donnelley, Ingram, Perseus e até a Random House se encaixam nesta descrição: oferecem uma variedade de serviços para as editoras terceirizarem tudo, exceto as funções que são absolutamente centrais para publicar: seleção e desenvolvimento editorial, gerenciamento de direitos e marketing.

As empresas que oferecem soluções de cadeia de valor para livros impressos também têm serviços digitais, claro, mas possuem concorrentes neste espaço que se especializam em atender as demandas de escala para editoração digital. Estes concorrentes tendem a começar oferecendo melhorias no fluxo de trabalho e não focando na distribuição escalável. Duas novas parcerias anunciadas na semana passada sugerem a emergência de novos modelos comerciais para publicação.

Os anúncios que chamaram a atenção foram que Barry Diler e Scott Rudin, ambos com raízes em Hollywood, estão fazendo investimentos substanciais – anunciaram cerca de de $10 milhões, mas eles poderiam certamente aumentar este valor quando quiserem – em uma nova editora comercial chamada Brightline a ser dirigida pelo veterano editor Frances Coady. A Brightline vai fazer uma parceria e produzir seus livros com a plataforma The Atavist

Talvez menos notado, mas apontando em uma direção similar, parece que o agente e empreendedor Jason Allen Ashlock estabeleceu uma nova editora de nicho para publicar livros de crime e suspense, trabalhando sobre a plataforma PressBooks criada por Hugh McGuire.

As ambições dos dois são bem diferentes, mas a direção que eles estão mostrando sobre o futuro das editoras é bastante igual.

Diller e Rudin apoiando Coady pode parecer algo voltado para competir com grandes editoras por grandes livros. Não se coloca $10 milhões como investimento inicial para contratar um bando de autores autopublicados ou ficção de gênero. E a plataforma The Atavist foi montada pensando em Hollywood. A Atavist não só criou uma ferramenta que acomoda links de forma elegante [permitindo que sejam ou bem óbvios ou bem discretos], como também previu que a publicação de ebooks de não-ficção temática séria teria potencial para cinema e TV. O contrato padrão deles inclui tais direitos, refletindo sua visão para obter um valor em conteúdo próprio para desenvolvimento.

Isto não implica que a Brightline vai precisar depender da visão comercial original da The Atavist ou de contratos; eles certamente terão suas próprias ideias sobre as duas coisas.

As ambições de Ashlock, pelo menos inicialmente, parecem ser mais modestas. Como proprietário de uma jovem agência literária que está crescendo, ele precisaria adquirir títulos que não têm o tipo de exigências de adiantamento contra royalties com a qual a Brighline se sentiria confortável. Então ele anunciou seu empreendimento editorial, chamado Rogue Reader, que vai publicar “ficção criminal”, ao que parece somente um título por mês e também aparentemente de escritores pouco conhecidos ou desconhecidos.

A mensagem aqui é que vemos uma resposta parecida vindo de lados opostos do continuum de investimento e poder de qual é a gênese de uma futura editora bem-sucedida. Tanto uma editora ambiciosa, com bastante fundos e dirigida por um veterano na indústria, quanto uma editora pequena, com autores novatos de nicho sob a direção de um jovem empreendedor com muito menos experiência, estão usando novas plataformas de publicação que possuem muitas capacidades para a edição digital. Estes novos editores podem reagir à diminuição do mercado de venda de livros físicos com mais ideias porque há cada vez mais lugares onde pode se buscar os recursos necessários e pelo tempo que for necessário.

E como a necessidade destes recursos está diminuindo e como há tantas empresas que os possuem e não podem deixar de tê-los, repentinamente, há grandes chances de que o custo de obter tais recursos de terceiros continue a cair.

Estamos nos aproximando do dia em que tudo que uma editora vai realmente precisar “ter” é a capacidade de adquirir e desenvolver bons livros e formas de alcançar sua audiência central de forma persuasiva e barata. Diller e Rudin, com suas raízes em Hollywood, certamente possuem acesso a muitos dos grandes criadores de histórias. Graças ao contato com muitas pessoas que possuem plataformas de marketing e graças à extensa rede de conexões da IAC, a empresa controlada por Diller que possui forte presença na web, eles possuem grande capacidade de promoção.

Conseguiria alguma editora construir uma força de marketing de forma mais escalável do que a IAC? A equipe de Diller parece entender que pode alugar tudo menos sua habilidade principal e mesmo assim ser competitiva. Acho que ela está certa.

Ashlock não possui o mesmo alcance deles, mas, ao se manter com “ficção policial”, ele acha que pode construir uma comunidade e que isso vai permitir um marketing efetivo e eficiente. E, como agente, ele está em bem localizado para recrutar bons projetos, apesar de que terá que lidar com os conflitos de se transformar em autor independente alguém que o procura um agente literário querendo um contrato de publicação com uma editora. Os aspectos éticos desta questão já foram muito debatidos. Quem já passou por isso – o agente Scott Waxman que abriu a editora de e-books Diversion Books – desistiu de ser agente e preferiu ser editor de tempo integral. Será interessante ver o que acontece com Ashlock.

Tanto a Brighline quanto a Rogue Reader estão desenvolvendo suas estratégias neste momento. Podemos esperar em breve o anúncio de quando vão colocar os primeiros livros nas lojas. É possível imaginar empresas com grande capacidade de distribuição batendo na porta da Brightline. Um livro por mês não é tão atrativo e as editoras não querem encorajar a transformação de agentes literários em concorrentes, mas eu também imaginaria que a Rogue Reader será capaz de encontrar mais de uma empresa disposta a atender suas ligações telefônicas.

Rebecca Smart, a CEO da Osprey, esteve em nosso escritório na semana passada e deixou que nossa amiga Hannah Johnson, da Publishing Perspectives, gravasse alguns minutos de uma entrevista com elasobre a Publishers Launch Frankfurt em 8 de outubro. É um pequeno exemplo das novidades que serão apresentadas nas 18 diferentes apresentações em nosso evento que se realizará das 10:30-18:30

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 28/09/2012 | Tradução: Marcelo Barbão

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].