Os blogs estão matando a crítica literária? Sir Peter diz que sim


Shame on you, bloggers, says Sir Peter Strothard (who has just put a huge internet target on his head

Shame on you, bloggers, says Sir Peter Strothard (who has just put a huge internet target on his head

Em entrevista ao jornal inglês The Independent, Sir Peter Stothard, editor do suplemento literário do Times e presidente do júri do prêmio Man Booker deste ano, disse que o aumento do número de blogueiros deixará o mercado editorial pior. “A crítica”, argument Stothard, “precisa de confiança face à enorme competição externa. É maravilhoso que existam tantos blogs e sites dedicados a livros, mas ser um critico é ter muitas diferenças em relação aos que partilham seus gostos… Todas as opiniões não têm o mesmo valor ”. É o aumento do número de blogs especificamente que mais desaponta o ex-editor do Times. “Eventualmente isso será o detrimento da literatura. Será ruim para os leitores; por mais que se goste de pensar que a opinião dos vários bloggers são tão boas quanto outras. Simplesmente não são. Pessoas serão encorajadas a comprar livros que não são bons, os bons serão soterrados, e ficaremos em uma situação pior.

Por Dennis Abrams | Publishing Perspectives | 28/09/2012

Novas editoras começam mais enxutas


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 28/09/2012 | Tradução: Marcelo Barbão

Mike Shatzkin

Ficou muito claro para mim que o digital ganha do impresso e que o digital puro, sem nenhum legado de custos, ganha ainda mais do impresso.” – David G. Bradley, dono da Atlantic Media, citado no The New York Times em 24 de setembro de 2012.

O negócio de revistas não é o negócio de livros, mas…

Na maior parte das últimas duas décadas, muitas pessoas viram o dilema em potencial que a transição digital criava para organizações editoriais bem-sucedidas. Se a distribuição não exigia mais escala, o que isso significava para as empresas que não apenas eram bem-sucedidas na distribuição em escala, mas também bastante presas a suas infraestruturas caras e de alta manutenção?

Esta foi uma das minhas preocupações quando fiz minha apresentação intitulada “Fim das Editoras Comerciais Gerais” na BookExpo em 2007. Quando as livrarias desaparecerem, entendi, seria absolutamente necessário que os editores trabalhando com vários públicos se ajustassem à realidade dos multi-nichos, mas isto seria muito difícil. E parecia, para mim, que seria muito mais caro manter as grandes organizações para lidar em escala com as milhares de livrarias espalhadas quando estes pontos de venda não existissem mais. E diminuir esta alta estrutura não seria fácil.

Todos entendem este desafio. Todas as grandes editoras estão procurando novas formas de conseguir escala nas tarefas de elaborar um banco de clientes, analisar dados, melhorar as formas de descoberta, o marketing social e criar parcerias com outros que possam levá-los a alcançar seu público.

Várias empresas construíram estratégias de negócios com base na expectativa de que organizações editoriais tradicionais vão ficar menores e mudar a forma como trabalham sua cadeia de valor de impressos. Entre as maiores, Donnelley, Ingram, Perseus e até a Random House se encaixam nesta descrição: oferecem uma variedade de serviços para as editoras terceirizarem tudo, exceto as funções que são absolutamente centrais para publicar: seleção e desenvolvimento editorial, gerenciamento de direitos e marketing.

As empresas que oferecem soluções de cadeia de valor para livros impressos também têm serviços digitais, claro, mas possuem concorrentes neste espaço que se especializam em atender as demandas de escala para editoração digital. Estes concorrentes tendem a começar oferecendo melhorias no fluxo de trabalho e não focando na distribuição escalável. Duas novas parcerias anunciadas na semana passada sugerem a emergência de novos modelos comerciais para publicação.

Os anúncios que chamaram a atenção foram que Barry Diler e Scott Rudin, ambos com raízes em Hollywood, estão fazendo investimentos substanciais – anunciaram cerca de de $10 milhões, mas eles poderiam certamente aumentar este valor quando quiserem – em uma nova editora comercial chamada Brightline a ser dirigida pelo veterano editor Frances Coady. A Brightline vai fazer uma parceria e produzir seus livros com a plataforma The Atavist

Talvez menos notado, mas apontando em uma direção similar, parece que o agente e empreendedor Jason Allen Ashlock estabeleceu uma nova editora de nicho para publicar livros de crime e suspense, trabalhando sobre a plataforma PressBooks criada por Hugh McGuire.

As ambições dos dois são bem diferentes, mas a direção que eles estão mostrando sobre o futuro das editoras é bastante igual.

Diller e Rudin apoiando Coady pode parecer algo voltado para competir com grandes editoras por grandes livros. Não se coloca $10 milhões como investimento inicial para contratar um bando de autores autopublicados ou ficção de gênero. E a plataforma The Atavist foi montada pensando em Hollywood. A Atavist não só criou uma ferramenta que acomoda links de forma elegante [permitindo que sejam ou bem óbvios ou bem discretos], como também previu que a publicação de ebooks de não-ficção temática séria teria potencial para cinema e TV. O contrato padrão deles inclui tais direitos, refletindo sua visão para obter um valor em conteúdo próprio para desenvolvimento.

Isto não implica que a Brightline vai precisar depender da visão comercial original da The Atavist ou de contratos; eles certamente terão suas próprias ideias sobre as duas coisas.

As ambições de Ashlock, pelo menos inicialmente, parecem ser mais modestas. Como proprietário de uma jovem agência literária que está crescendo, ele precisaria adquirir títulos que não têm o tipo de exigências de adiantamento contra royalties com a qual a Brighline se sentiria confortável. Então ele anunciou seu empreendimento editorial, chamado Rogue Reader, que vai publicar “ficção criminal”, ao que parece somente um título por mês e também aparentemente de escritores pouco conhecidos ou desconhecidos.

A mensagem aqui é que vemos uma resposta parecida vindo de lados opostos do continuum de investimento e poder de qual é a gênese de uma futura editora bem-sucedida. Tanto uma editora ambiciosa, com bastante fundos e dirigida por um veterano na indústria, quanto uma editora pequena, com autores novatos de nicho sob a direção de um jovem empreendedor com muito menos experiência, estão usando novas plataformas de publicação que possuem muitas capacidades para a edição digital. Estes novos editores podem reagir à diminuição do mercado de venda de livros físicos com mais ideias porque há cada vez mais lugares onde pode se buscar os recursos necessários e pelo tempo que for necessário.

E como a necessidade destes recursos está diminuindo e como há tantas empresas que os possuem e não podem deixar de tê-los, repentinamente, há grandes chances de que o custo de obter tais recursos de terceiros continue a cair.

Estamos nos aproximando do dia em que tudo que uma editora vai realmente precisar “ter” é a capacidade de adquirir e desenvolver bons livros e formas de alcançar sua audiência central de forma persuasiva e barata. Diller e Rudin, com suas raízes em Hollywood, certamente possuem acesso a muitos dos grandes criadores de histórias. Graças ao contato com muitas pessoas que possuem plataformas de marketing e graças à extensa rede de conexões da IAC, a empresa controlada por Diller que possui forte presença na web, eles possuem grande capacidade de promoção.

Conseguiria alguma editora construir uma força de marketing de forma mais escalável do que a IAC? A equipe de Diller parece entender que pode alugar tudo menos sua habilidade principal e mesmo assim ser competitiva. Acho que ela está certa.

Ashlock não possui o mesmo alcance deles, mas, ao se manter com “ficção policial”, ele acha que pode construir uma comunidade e que isso vai permitir um marketing efetivo e eficiente. E, como agente, ele está em bem localizado para recrutar bons projetos, apesar de que terá que lidar com os conflitos de se transformar em autor independente alguém que o procura um agente literário querendo um contrato de publicação com uma editora. Os aspectos éticos desta questão já foram muito debatidos. Quem já passou por isso – o agente Scott Waxman que abriu a editora de e-books Diversion Books – desistiu de ser agente e preferiu ser editor de tempo integral. Será interessante ver o que acontece com Ashlock.

Tanto a Brighline quanto a Rogue Reader estão desenvolvendo suas estratégias neste momento. Podemos esperar em breve o anúncio de quando vão colocar os primeiros livros nas lojas. É possível imaginar empresas com grande capacidade de distribuição batendo na porta da Brightline. Um livro por mês não é tão atrativo e as editoras não querem encorajar a transformação de agentes literários em concorrentes, mas eu também imaginaria que a Rogue Reader será capaz de encontrar mais de uma empresa disposta a atender suas ligações telefônicas.

Rebecca Smart, a CEO da Osprey, esteve em nosso escritório na semana passada e deixou que nossa amiga Hannah Johnson, da Publishing Perspectives, gravasse alguns minutos de uma entrevista com elasobre a Publishers Launch Frankfurt em 8 de outubro. É um pequeno exemplo das novidades que serão apresentadas nas 18 diferentes apresentações em nosso evento que se realizará das 10:30-18:30

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 28/09/2012 | Tradução: Marcelo Barbão

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

Jornais debatem seus modelos de negócios e cobrança por conteúdo na internet


A cobrança por conteúdo na internet por parte dos jornais foi o assunto principal do encontro “Novas Plataformas Editoriais, Novo Jornalismo, Novos Meios”, que ocorreu nesta quinta-feira [27] em Buenos Aires.

Promovido pelo grupo Clarín e pelo GEN [Global Editors Network], o evento contou com a participação de Ricardo Kirschbaum, editor-geral do “Clarín”, Matt Kelly, ex-publisher de internet do “Daily Mirror”, Jim Roberts, editor-assistente do “New York Times”, e Roberto Dias, editor de Novas Plataformas da Folha.

Roberts disse que a cobrança pelo conteúdo tornou o jornal “mais saudável”, mas que isso não é suficiente para lidar com as transformações no mundo das comunicações hoje. Reforçou que os jornais devem aprender com as redes sociais no sentido de que estas geram um sentimento positivo ao permitir que seus usuários compartilhem experiências.

Para ele, o uso mais recorrente dos vídeos é a alternativa mais sedutora para atingir esse objetivo. Também chamou a atenção para a necessidade de uma mudança geral no comportamento daqueles que fazem os jornais. “Temos de parar de resistir às transformações e abraçá-las“, disse.

Já Dias explicou como foi o processo de unificação das redações impressa e digital na Folha, em 2010, e a posterior implantação do “paywall” [muro de cobrança] poroso, em junho de 2011. Disse estar havendo uma “revolução cultural” dentro das redações e que é um desafio modificar os velhos costumes na produção dos jornais.

Reforçou que a circulação, a publicidade e a audiência do site da Folha não caíram com o novo sistema.

Por sua vez, Kelly se mostrou descrente com relação aos conteúdos pagos. “Não é uma opção, pelo menos no Reino Unido, sugerir que o leitor queira pagar pela informação“, disse.

Em vez disso, apresentou algumas alternativas que o “Daily Mirror” tem seguido. “É preciso conquistar novos territórios, tanto geograficamente, abrindo escritórios em outras partes do mundo, como no que diz respeito às plataformas.

O “Daily Mirror” aumentou a audiência de seu site de 5 milhões para 20 milhões de visitantes de 2007 até hoje. Entre as mudanças realizadas estão a criação de uma seção de esportes e uma de entretenimento.

O editor do “Clarín” reforçou que as redações “não têm alternativa” e que precisam investir na formação de jornalistas preparados para atuar em vários meios. O “Clarín” não cobra pelo conteúdo on-line, mas diz não ver nisso um problema. “A tendência é que o papel seja consumido por um público mais elitista no futuro, enquanto a internet será mais geral.

SYLVIA COLOMBO, DE BUENOS AIRES | Clipado de Folha de S.Paulo | 27/09/2012, às 20h03

O vilão do eBook no Brasil


Por Camila Cabete | Texto publicado originalmente em PublishNews | 27/09/2012

Sim, temos taxas e impostos insanos. Mas, mesmo com todo imposto do mundo sobre as nossas costas, vejam nas ruas quantas pessoas têm smartphones. Então eu me pergunto: se, mesmo pagando muito mais, os brasileiros continuam consumindo tecnologia, qual é o problema dos e-books? Qual é a maior barreira que players e editoras estão enfrentando no Brasil?

Fiz algumas perguntas, para algumas pessoas, e cheguei a algumas conclusões.

Temos dois entraves no mercado editorial digital brasileiro: o medo e a ignorância.

O medo vem em forma de atraso, de enrolação, de medo de dizer não e, principalmente, da mania do brasileiro de não ser objetivo [pera lá… também sou assim, luto todo dia para me tornar uma pessoa objetiva]. Muito trabalho para pouca gente? Muito contrato para poucos advogados? O que vocês acham? Acham que os contratos é que são os problemas nisso tudo?

A outra barreira é a ignorância de uma série de coisas a respeito dos e-books. Uma e-book store que possui uma boa solução de aplicativo e distribuição não aceitará mais PDF. PDF não tem uma boa experiência de leitura. Mas isso todo mundo já sabia, né? É só ler minhas colunas anteriores. Os editores logo correram e converteram alguns livros para o formato ePub, só que esqueceram que, depois da conversão, deve-se checar a quantidade de erros e, mais importante ainda, consertá-los.

Outro erro: falta de ISBN. As editoras ignoram o fato de terem que registrar no ISBN seus formatos de livros digitais, e muitas lojas exigem isso.

Como abrir uma loja de e-books no Brasil sem acervo? De que adianta os advogados acertarem todos os contratos e conseguirem todas as assinaturas, se mais de 70% dos ePubs nacionais estão com algum defeito?

Portanto, neste momento, além de se preocuparem com os contratos, por favor, consertem seus ePubs. O leitor, quando começar a comprar e-reader e e-books nas diversas livrarias digitais, devices e sites que surgirão, vão devolver o livro que estiver com problemas de formatação. Muitos já fazem isso. Sim, as livrarias têm que estornar as vendas de acordo com o direito do consumidor.

Força tarefa então para checar seus ePubs. Pressão nos advogados para assinarem e desenrolarem contratos. Acho que com isso resolvido o Natal digital promete!

Links que ajudam a resolver problemas estruturais em ePubs:
EpubCheck
KindlePreviewer
# Desabafe, abra seu coração: camila.cabete@gmail.com

Por Camila Cabete | Texto publicado originalmente em PublishNews | 27/09/2012

Camila Cabete [@camilacabete] tem formação clássica em História, mas foi responsável pelo setor editorial de uma tradicional editora técnica por alguns anos [Ciência Moderna]. Hoje, é responsável pelo setor editorial da primeira livraria digital do Brasil, a Gato Sabido [@gatosabido]. É ainda consultora comercial da Xeriph, a primeira distribuidora de conteúdo digital do Brasil e sócia fundadora da Caki Books [@cakibooks], uma editora cross-mídia que publica livros em todos os formatos possíveis e imagináveis. Vive em Copacabana e tem uma gata preta chamada Lilica.

A coluna Ensaios digitais é um diário de bordo de quem vive 100% do digital no mercado editorial brasileiro. Quinzenalmente, às quintas-feiras, serão publicadas novidades, explicações e informações sobre tecnologias ligadas a área literária.

Inscreva o seu trabalho científico


A 4ª edição do Congresso Internacional CBL do Livro Digital seguirá com a tradição de avaliar trabalhos científicos e acadêmicos relativos ao livro digital no intuito de estimular a divulgação de trabalhos empíricos e conceituais inéditos. Os prêmios aos vencedores foram aumentados e em 2013 o 3º lugar também receberá a premiação em dinheiro. Os valores são R$ 1.500 reservados ao primeiro colocado, R$ 1.000 ao segundo e R$ 500 ao terceiro. Além disso, os três primeiros colocados receberão fast track para publicação do trabalho na REGE – Revista de Gestão da USP e o primeiro colocado apresentará o trabalho vencedor em plenária, no Congresso principal. Todos os trabalhos finalistas serão divulgados no site http://www.congressodolivrodigital.com.br. As inscrições já estão abertas e serão encerradas no dia 12/04/13. Mais informações: digital@cbl.org.br e 11 3069-1300.

CBL Informa | 26 de setembro de 2012

Reserve já o seu espaço!


Reserve já o seu espaço para expor produtos e serviços ao público do evento, que reúne centenas de congressistas do segmento de e-books, além de palestrantes de diversas nacionalidades. São diretores e presidentes de multinacionais, acadêmicos, políticos, juristas, empresários, historiadores, bibliotecários, jornalistas, profissionais de comunicação e da área de TI, entre outros. Os espaços, com 9 m² cada, estão com o valor promocional de R$ 10.000,00 por R$ 8.000,00, que pode ser dividido em até 4 vezes. O early-birdy foi prorrogado até 31 de outubro de 2012. Faça já a sua reserva pelo e-mail digital@cbl.org.br.

CBL Informa | 26 de setembro de 2012

Mande suas sugestões de cases


A próxima edição do Congresso Internacional CBL do Livro Digital acontecerá dias 13 e 14 de junho de 2013, na Fecomercio e contará com uma sessão especial para apresentação de cases. Você que é associado da CBL ou interessado no assunto, pode sugerir cases para serem apresentados dentro dos seguintes temas: bibliotecas, selfpublishing, proteção contra a pirataria, o novo papel dos revisores e outros profissionais da cadeia produtiva do livro, social commerce e ebooks para o público infantil, além de ações de marketing e outras questões práticas. Os cases serão selecionados pela Comissão do Congresso.

O 4º Congresso Internacional CBL do Livro Digital acontecerá dias 13 e 14 de junho de 2013, na Fecomercio. As sugestões devem ser enviadas até 30/10 para o e-mail digital@cbl.org.br.

CBL Informa | 26 de setembro de 2012

Kobo chega a Portugal


Se o mercado editorial digital fosse o jogo “War”, a Kobo e a Amazon estariam disputando a liderança [e a Barnes&Noble estaria começando a conquistar novos territórios]. Dentro dos Estados Unidos, a Amazon abocanhou, segundo a empresa, cerca de 22% do mercado de tablets nacional graças ao Kindle Fire, enquanto que a Kobo emplacou um super acordo com as livrarias independentes. No resto do mundo, a Amazon aterrisou na Índia, que possui um mercado interno gigantesco, enquanto que a Kobo fechou acordo com as livrarias do Reino Unido, chegou antes no Brasil e, agora, em Portugal.

A canadense anunciou ontem uma parceria com a FNAC Portugal, que irá vender o catálogo de 3 milhões de títulos de e-books, além do e-reader Kobo touch, que será vendido por €99,90. A diretora da FNAC portuguesa Cláudia Almeida e Silva afirmou em nota a aposta da empresa no crescimento do número de e-books em língua portuguesa:“A língua portuguesa é herança comum de 4% dos 7 milhões de habitantes no mundo, em cinco continentes. Sentimos que a chegada do e-book no mercado português é uma prioridade para a FNAC, dado seu potencial de crescimento.”

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 25/09/2012

Barnes & Noble lançará serviço de vídeos para Nook


A Barnes & Noble, principal rede de livrarias dos EUA, está lançando um serviço de streaming de video e de downloads para o tablet Nook, acirrando a disputa por mercado com a Amazon, criadora do concorrente Kindle.

O tablet Nook, da Barnes & Nooble, que terá serviço de streaming de vídeos e filmes para concorrer com o Kindle

O tablet Nook, da Barnes & Nooble, que terá serviço de streaming de vídeos e filmes para concorrer com o Kindle | Photo Shannon Stapleton, Reuters

A empresa afirmou nesta terça-feira [25] que o serviço de vídeo para o Nook vai permitir que consumidores comprem filmes e programas de televisão de Time Warner, HBO, Viacom, Sony Pictures e Walt Disney Studios. Devem ser anunciadas parcerias com outros estúdios em breve, disse a companhia.

A Barnes & Noble enfrenta intensa competição com a Amazon, que oferece o serviço de compra de vídeos “Prime Instant Video” para o Kindle. Além disso, a Amazon também possui um serviço de assinatura conectado ao Prime, que oferece compra de conteúdo livre por dois dias e custa US$ 79 por ano nos EUA.

O serviço de vídeo para o Nook será lançado no outono nos Estados Unidos e no Reino Unido – onde a Barnes & Noble vai começar a vender o Nook, a tempo de aproveitar as vendas de Natal.

DA REUTERS | Clipado da Folha de S.Paulo | 25/09/2012, às 15h31

Barsa: como a enciclopédia sobreviveu à revolução digital?


Expectativa do grupo é vender 70 mil exemplares até o fim de 2012. Próximo passo, no entanto, é conquistar consumidores jovens e mirar em modelos digitais

Para se adequar aos novos formatos de comunicação, os itens da enciclopédia passaram por adições e o consumidor ganha um DVD com acesso exclusivo ao site Barsa Saber

Para se adequar aos novos formatos de comunicação, os itens da enciclopédia passaram por adições e o consumidor ganha um DVD com acesso exclusivo ao site Barsa Saber

Rio de Janeiro | Até o fim de 2012, a Barsa terá vendido 70 mil enciclopédias no Brasil. O número não é comparável a média de 100 mil exemplares que alcançava por ano em seu ápice, mas é considerado excelente pelo grupo espanhol Editorial Planeta, que comprou a empresa há 12 anos. Item de luxo quando lançada, em 1964, os 18 volumes vermelhos na estante de casa significavam status: em reais, o material custaria R$ 10 mil. Os tempos são outros e hoje o material pode ser parcelado em 24 vezes de R$ 100,00. Atenta as mudanças, a marca não pensa [ainda] em abandonar o papel, mas já mira nas mídias online para atrair um novo público e não virar refém da revolução digital.

Para se adequar aos novos formatos de comunicação, os itens da enciclopédia passaram por adições e o consumidor ganha um DVD com acesso exclusivo ao site Barsa Saber, que dá direito a atualizações mensais durante um ano. Ao expirar o prazo, por R$ 100,00 é possível validar o sistema por mais um ano e assim sucessivamente. Com a iniciativa, a marca possibilita um relacionamento duradouro. Hoje são cinco milhões de clientes ativos.

Outra adequação da marca foi nos modelos de venda. Se em seu ápice, o porta a porta chegou a ter dois mil representantes em diversas capitais do país, hoje são 200 que circulam prioritariamente no interior do Brasil, principalmente nas regiões Norte e Nordeste. A justificativa é que o número reduzido possibilita um controle maior de pessoas. O formato é responsável por 30% das vendas.

A implantação do call center também é significativa. Com 80 operadores, o telemarketing é responsável por 50% das vendas da Barsa. A loja virtual é outra plataforma de sucesso. Inaugurada em fevereiro deste ano, por ela são vendidas 12 unidades por dia, que representa 3% das vendas totais. Os 30% restantes do faturamento da marca vêm da venda aos governos municipal, estadual e federal. Como o produto não encontra concorrência, não precisa de licitação.

A construção do desejo

Sem anúncios em mídias tradicionais ou ações de marketing nas mídias digitais, motivo da sobrevivência da Barsa está no imaginário que foi sendo construído por ela mesma durante seus quase 50 anos. “Quando foi lançada, tivemos grandes nomes que ajudaram na construção da marca. Houve Oscar Niemeyer falando de arquitetura, Jorge Amado sobre Bahia e Antônio Calado sobre literatura, por exemplo. A publicidade foi feita no boca a boca e, de lá para cá, as pessoas mantiveram o desejo. O sonho de qualquer um era ter uma Barsa em casa, mas era muito cara”, lembra a diretora de marketing da Barsa, Sandra Carvalho.

Exame | Exame | 24/09/2012

O agente literário na era do eBook


A falta de leitores de português nas editoras estrangeiras é um dos obstáculos para tornar a literatura brasileira mais exportável. Para contornar isso, agentes literários daqui traduzem trechos de obras e mandam para os compradores de direitos de lá depois de gastarem muita saliva para mostrar que vale a pena dar uma olhada na nossa produção. Ao longo de seus 21 anos, foi isso o que a Agência Riff fez.

Agora, Lucia Riff, a proprietária, teve um estalo: por que não fazer um livro digital com todas essas amostras e com algumas novas? Às vésperas da Feira do Livro de Frankfurt, que será realizada em outubro, o Riff Samples Literature 2012 estará disponível para download no site da agência e na ebookstore Gato Sabido e terá sido enviado para toda a mala direta de Lucia. Neste primeiro número, haverá 40 textos de 42 autores contemporâneos em inglês, espanhol ou alemão, além da sinopse do livro em questão e minibiografia do autor. “Fechamos nessas línguas para não ficar o samba da Babel louca“, brinca a agente.

Entre as novidades que nem os brasileiros leram estão trechos de Tigre na Sombra, de Lya Luft, e da graphic novel Elite da Tropa, de Luiz Eduardo Soares e Marcus Wagner. Para o ano que vem estão previstos outros três e-books. Em março, para a Feira de Bolonha, de livros infantis, sairá um com o trabalho de autores que escrevem para esse público. Antes da Feira de Frankfurt de 2013, que terá o Brasil como país convidado, sai um com clássicos contemporâneos, como João Cabral de Melo Neto, Erico Verissimo e Carlos Drummond de Andrade, e outro com todos os autores da agência.

Por Maria Fernanda Rodrigues | O Estado de S. Paulo | 24/09/2012

Textos básicos sobre eBooks


O Revolução e-book montou uma seleção de textos básicos sobre e-books, para ajudar quem está apenas começando a conhecer os livros digitais. A seção “Leituras Recomendadas” estará sempre disponível na coluna direita do site. O material inclui textos sobre e-books para iniciantes, o que é um e-book e seus formatos, quais Programas Usar para Ler e-books etc.

eBooks para iniciantes

 Mercado de eBooks no Brasil

Produção de eBooks em ePub

Revolução eBook | 21/09/2012

Varejistas americanas contra o Kindle


Depois da Target, a rede Walmart também deixará de vender o aparelho da Amazon

A rede varejista Walmart Stores não vai mais vender os produtos Kindle, da Amazon.com, apostando que os consumidores estão mais interessados em outros aparelhos. A varejista informou que a decisão se insere na sua estratégia de merchandising geral.

Embora a Walmart consiga eclipsar as outras varejistas em se tratando de vendas totais, ela fica atrás da Amazon e outras lojas no campo das vendas online, e está tentando melhorar seus negócios pela internet.

Os consumidores que adquirem tablets Kindle, como o novo Kindle Fire HD, compram os aparelhos para outros usos além dos livros digitais, o que coloca a Amazon numa concorrência mais intensa com as lojas.

Estoques. “Tomamos a decisão recentemente de não negociar com os tablets e leitores eletrônicos da Amazon além do que temos nos estoques e nossos compromissos de compra“, anunciou a Walmart num memorando enviado a gerentes de lojas. “Isso inclui todos os modelos Kindle da Amazon atuais e anunciados recentemente.” Uma porta-voz da Walmart confirmou a decisão, afirmando que a companhia continuará a vender “um amplo sortimento” de tablets e leitores eletrônicos.

A decisão da Walmart de parar de vender os produtos Kindle, vem cerca de cinco meses depois de outra rede americana importante, a Target, deixar de vender os produtos.

A Amazon quer que o seu tablet vá para as mãos dos consumidores para fazer disso uma espécie de caixa registradora, disse Scott Tilghman, analista da Caris & Company. Pode se argumentar que, se a Walmart e a Target venderem os tablets Kindle, elas estão prejudicando suas próprias vendas, porque a Amazon deseja monopolizar as vendas aos consumidores, seja de e-books, ou uma longa lista de outros artigos, afirmou.

Ao mesmo tempo, as margens da Amazon na venda dos produtos Kindle são menores do que as de outras fabricantes de produtos eletrônicos, em particular a Apple, fabricante do iPad, o tablet mais vendido do mundo.

Como resultado, a empresa pode não estar em condição de dividir lucros com lojas como a Walmart.

Acho que parte da decisão tem a ver com as margens, embora a questão maior é que a Walmart e a Target veem na Amazon uma concorrente em potencial“, disse Tilghman.

Mercado. Os leitores eletrônicos da Amazon são muito vendidos, com a primeira versão do Kindle Fire abocanhando cerca de um quinto do mercado de tablets nos Estados Unidos. A Amazon lançou uma série de novos tablets no início deste mês, alguns direcionados para o mercado mais de luxo, para competir com o iPad, da Apple.

A Walmart continua a vender iPads, o Nook, da rede de livrarias Barnes & Noble Inc., o Nexus-7, do Google, e o Galaxy Tab fabricado pela coreana Samsung, entre outros.

Os proprietários de tablets estão mais satisfeitos com o iPad, da Apple, seguido dos produtos da Amazon, de acordo com um estudo de satisfação realizado pela empresa J.D. Power and Associates e divulgado na semana passada.

Buscas pelo Kindle nos websites da Walmart e da sua cadeia atacadista Sam’s Club deram como resultado artigos como protetores de tela e caixas usados com o Kindle, como também gadgets de outras empresas.

O Estado de S. Paulo | 21 de setembro de 2012, 3h 06 | COM INFORMAÇÕES DA REUTERS

O Livro Eletrônico no Brasil


Em entrevista exclusiva para o PodLer, Ednei Procópio fala dos atuais desafios da indústria de livros eletrônicos, explica como será o tablet do futuro, faz um alerta sobre o perigo do monopólio e mais. A entrevista foi concedida no Fantasticon 2012 – VI Simpósio de Literatura Fantástica, em São Paulo.

TV PodLer | 20 Setembro 2012

Kobo fecha acordo livrarias do Reino Unido


3.000 livrarias poderão usar a plataforma da empresa canadense

Depois de substituir o Google Books no acordo com associação de livrarias independentes dos Estados Unidos [ABA], a Kobo anunciou ontem que firmou acordo similar com a Booksellers Association [associação de livrarias do Reino Unido e Irlanda], segundo o site The Bookseller. O acordo permitirá que 3.000 livrarias do Reino Unido e Irlanda vendam e-books e e-readers através da plataforma white label da Kobo.

Segundo o site Digital Book World, das 3.000 livrarias associadas à BA, 1.000 são independentes. O gerente da Kobo no Reino Unido, Phil Wood, disse ao Bookseller que a recepção das livrarias foi positiva, e que espera que muitas entrem no acordo, pois elas estão buscando uma alternativa para enfrentar a Amazon.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 20/09/2012

Repensando o preço dos eBooks


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 20/09/2012 | Tradução: Marcelo Barbão

Mike Shatzkin

Será que eu entendi errado o efeito do impacto do Departamento de Justiça sobre os preços dos e-books? Será que a eliminação das faixas de preços exigida pela Apple poderia ser tão boa para as editoras, que soltar as restrições sobre os descontos não significaria um problema para o mercado?

As primeiras evidências parecem apontar por este caminho, mas precisamos enfatizar a palavra “primeiras”.

Cader escreveu antes de todo mundo [ele me contou em conversas antes de publicar seu post, mas obviamente eu não entendi muito bem], que a capacidade das editoras de aumentar os preços dos e-books e ignorar estas bandas seria um poderoso antídoto para a capacidade das livrarias de oferecer descontos.

Quando os títulos da HarperCollins apareceram na Amazon e outras livrarias com descontos, os primeiros relatórios não focavam no fato de que o preço base, antes dos descontos, tinha aumentado para muitos dos títulos.

Cader fez o trabalho necessário para uma boa análise: pegou a lista de preços do site da Harper [mostrando que eles tinham sido “reposicionados” para uma faixa superior, assim o desconto de 30% não mudaria os preços ao consumidor] e fez uma verificação de preços em várias contas.

Esta verificação contradiz minha especulação inicial sobre a precificação. Pensei que a Apple seria desafiada a manter sua postura: na verdade, eles eram, às vezes, os líderes dos preços baixos, superando [no momento em que Cader fazia sua pesquisa] a Amazon em vários títulos.

Então, agora que seu sentinela quase sempre confiável percebeu a estratégia razoavelmente óbvia [fico envergonhado de dizer isso, pois é uma circunstância que frequentemente me leva a dizer que não é incomum que pessoas inteligentes façam coisas tontas] de que as editoras aumentariam os preços do modelo de agência, digo o que poderemos ver no futuro.

1. Teremos, num futuro previsível, uma cadeia de suprimento de e-books dividia em três. Assumindo que a Hachette e a S&S empregarão a estratégia da Harper de aumentar os preços para que os descontos das livrarias os tragam de volta ao patamar original que o modelo de agência tinha estabelecido, teremos:

  • a] três editoras com modelo agência “leve” [mais uma vez, tiro o chapéu a Cader por esta descrição], com preços nas livrarias mais altos e descontos;
  • b] três editoras com modelo de agência “verdadeiro”, com preços mais baixos, pelo menos por um tempo, que não podem ser mexidos pelas livrarias; e
  • c] todo o resto, vendendo principalmente sob o modelo “distribuidora” a preços de lista ainda mais altos, mas fornecendo 2/3 de margens para que as lojas usem para descontos.

Isto levanta a questão de por que uma editora iria manter os termos da distribuidora – que exige colocar um preço de varejo totalmente irreal – a menos que enfrente alguém na cadeia de suprimento que não concorda em vender seus e-books sem conseguir 50% do preço listado. Eliminar o MFN [preços uniformes em todas as livrarias] faz com que a principal distinção entre agência e distribuidora seja que os e-books de agência tenham um preço de varejo sensível e defensivo, colocado pela editora, enquanto que o modelo distribuidora não permite isso. [E isso também é verdade com o aumento dos preços, apesar de um pouco menos.]

2. Os descontos que foram mostrados nos livros da Harper [também pesquisados por Cader] tinham entre 5% e 30% de desconto sobre o preço da editora, ou seja, o bom e velho $9,99. Esta é a precificação simples, colocada por seres humanos. Nem começa a testar os limites máximos que as livrarias podem fazer com descontos. Elas têm a permissão de dar descontos nos e-books de uma editora até a margem total do que ganham. Assim, para uma editora que funciona com modelo de agência de 30%, todos os livros que são vendidos em margens positivas [qualquer coisa com menos de 30% do preço total] contribui para sua capacidade de dar descontos abaixo dos custos em outros livros, se eles quiserem.

3. As editoras que assinaram o acordo têm importantes vantagens sobre suas concorrentes. Não estão restritas pela faixa de preços da Apple. Como aumentaram os preços, estão ganhando mais por unidade vendida, e como as livrarias estão recebendo uma margem menor, não estão aparecendo como menos competitivos para os clientes.

4. A Random House, que ganhou muito no ano seguinte à implementação do modelo de agência, pois continuou vendendo como distribuidora – manteve seus lucros por unidade mais altos e os preços de varejo mais baixos do que as outras editoras –, agora se encontra do outro lado. Eles, junto com a Macmillan e Penguin, que continuam o litígio, agora vêem que as editoras que assinaram o acordo estão com uma vantagem competitiva. [Claro, todas estas editoras podem reconsiderar seus preços e termos quando terminar os atuais contratos com as livrarias.]

5. Eu especulei que a Apple encontraria dificuldades para competir. Os primeiros retornos dizem que estou errado, mas ainda não estou convencido. Era possível gerenciar à mão os descontos nos recém-liberados títulos da Harper; não eram tantos títulos. E a Amazon ainda não atacou isso agressivamente. [Atacar agressivamente significaria dar descontos de mais de 30% em muitos títulos.] Ainda acredito que eles vão fazer isso [apesar de que outras pessoas, especialmente Chris Meadows da The Digital Reader, acham que não vão.] Se a Amazon forçar a barra nos descontos, então seriam necessários bots e algoritmos para acompanhá-los.

6. Há uns dois anos, um executivo da Amazon me contou que eles davam descontos grandes em 4% dos títulos que representavam 25% das vendas. Eu assumiria que o desconto que as livrarias vão querer dar agora se estenderia a uma faixa de títulos parecida. O que estamos vendo agora é uma entrega de, normalmente, 1/3 ou 2/3 da margem delas neste grupo de títulos. Abrir mão de 2/3 da margem em 25% das vendas só iria constituir um sacrifício de 16,7% da margem total. Se parar por aí, então o impacto líquido imediato do processo do Departamento de Justiça seria um aumento nos ganhos das editoras, uma redução pouco problemática nas margens para as livrarias, e algo bem perto à neutralidade dos preços para os consumidores.

Note que, se uma livraria escolheu aceitar 20% negativo de margem nestes 25% das vendas de qualquer editora em especial [vendendo cerca de 50% abaixo do preço da editora], eles ainda estariam obedecendo ao acordo de não dar mais margem do que ganharam sobre a lista de uma editora. [Esta é uma comparação complicada porque muito mais de 25% das listas das Seis Grandes entraria nos 25% do total que a Amazon anteriormente dava fortes descontos.]

Este tipo de desconto poderia ser problemático. É importante lembrar que o impacto dos descontos na mudança das vendas de impressos para digitais era a menor das preocupações das editoras em relação aos grandes descontos da Amazon. A maior preocupação era o medo de que os descontos dessem um peso enorme no mercado a ponto de que a Amazon pudesse ditar os termos dos acordo. Se os níveis de descontos que ocorrem não contribuem significativamente nem para criar dificuldades econômicas para outros players, nem aumentar a parte da Amazon, não há preocupações para as editoras.

7. Toda editora, exceto as que mantêm o modelo de agência pura, estão, na verdade, contando que as lojas dêem descontos em seus e-books. Os distribuídos pelo modelo de distribuidora sempre estavam colocados em níveis que pareceriam ridículos à maioria dos consumidores e agora os que usam o modelo de agência “leve” estão contando, da mesma forma, com que as livrarias sacrifiquem suas margens para manter seus preços competitivos.

Ainda não acho que a coisa vá ficar assim. Vou admitir antecipadamente que vai me parecer espantoso se a Amazon deixar que a Apple, ou qualquer outra, roube seu posto como a livraria com os preços mais baixos. Mas nos primeiros momentos desta nova era dos e-books, não estamos vendo os descontos que eu esperava. E não estamos conseguindo o resultado que o Departamento de Justiça queria: menores preços para os consumidores.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 20/09/2012 | Tradução: Marcelo Barbão

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

Biblioteca Nacional de Portugal apresenta serviço de digitalização sob demanda


Biblioteca Nacional de Portugal [BNP] apresentou ontem, 18 de Setembro, um serviço de digitalização a pedido. O programa EOD – eBooks on Demand, destina-se a preservar e divulgar livros completos que estão no domínio público. São disponibilizados em formato PDF.

BNP tem em acervo digital constituído por várias obras do seu Fundo Geral, publicadas entre 1700 e 1850.

Características dos Ebooks EOD

•    O livro eletrónico EOD é uma versão digital de um livro, entregue num único ficheiro PDF.

•    Para acesso e leitura não é necessário instalar nenhum outro software.

•    Contém texto reconhecido automaticamente: é possível pesquisar por palavra, copiar e colar o texto integral eletrónico ou ilustrações.

•    Pode imprimir todo o livro ou um conjunto selecionado de páginas, sempre que quiser.

•    Complementarmente ao pedido de digitalização, também é possível encomendar a reimpressão do livro digitalizado, encadernado em capa mole [exemplos na imagem acima].

Mais informações aqui.

eBook Portugal | 19 de Setembro de 2012

Biblioteca digital reúne 136 mil itens


As Bibliotecas Nacionais de Brasil, Chile, Colômbia, Espanha e Panamá lançaram ontem a Biblioteca Digital do Patrimônio Ibero-Americano [BDPI], que reúne seus acervos em um único portal da web. São quase 136 mil itens, como fotografias, desenhos, partituras, gravações e monografias, entre outros. O projeto foi apresentado durante a 23.ª Assembleia da Associação de Bibliotecas Nacionais da Região Ibero-Americana [ABINIA], que teve início na Biblioteca Nacional da Espanha (BNE) na segunda e segue até sexta-feira. O portal, desenvolvido pela BNE, permitirá buscas por assunto e também no conteúdo dos documentos.

O Estado de S. Paulo | 19 de setembro de 2012, às 3h 09 | EFE

Vendas de eBooks estouram no Reino Unido


Livros digitais de ficção crescem 188% no primeiro semestre

Parece que a Barnes & Noble escolheu a hora certa para lançar seu leitor digital, o Nook, no Reino Unido. A Publishers Association publicou ontem estatísticas mostrando que o setor digital no Reino Unido está em forte expansão. As vendas de e-books de ficção aumentaram 188% em valor, na primeira metade do ano, em relação ao mesmo período no ano passado. Também apresentaram forte crescimento os setores de livros digitais infantis, que cresceu 171%, e de não-ficção, que aumentou 128%. Mas nem todos estão em festa na terra da rainha, o jornal The Guardian mostrou que a guerra de preços de e-books está levando varejistas a venderem títulos com até 97% de desconto e preocupando autores.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 19/09/2012

Apple e editoras propõem acordo antitruste à União Europeia


BRUXELAS, 19 Set [Reuters] | A Apple e quatro grandes editoras sugeriram permitir que grupos de varejo como a Amazon vendam livros com descontos, em um esforço para pôr fim a uma investigação antitruste da União Europeia, anunciou a Comissão Europeia nesta quarta-feira.

As autoridades regulatórias estão investigando os acordos de preços de livros entre Apple e Simon & Schuster, HarperCollins [unidade da News Corp], Hachette Livre [unidade do grupo francês Lagardere], Verlagsgruppe Georg von Holtzbrinck, que controla a Macmillan na Alemanha, e o grupo Penguin, da Pearson.

Por um período de dois anos, as quatro editoras não restringirão, limitarão ou bloquearão a capacidade das empresas vendedoras de livros eletrônicos para estabelecer, alterar ou reduzir preços de varejo de livros eletrônicos e/ou oferecer descontos e promoções“, anunciou a Comissão Europeia em seu diário oficial, detalhando a oferta em consideração.

A Comissão afirmou que as editoras e a Apple também ofereceram uma suspensão dos contratos de favorecimento mútuo entre elas por cinco anos. Esse tipo de contrato proíbe editoras de fazer acordos com grupos rivais de varejo para vender livros a preços inferiores aos determinados pela Apple.

A organização de fiscalização da Comissão Europeia informou que as propostas ficarão abertas a comentários públicos por um mês e, caso a resposta seja positiva, a investigação será encerrada.

As editoras HarperCollins, Simon & Schuster e Hachette chegaram a acordo com o governo norte-americano em abril por meio de propostas semelhantes.

De acordo com analistas do UBS, os livros eletrônicos respondem por 30 por cento das vendas de livros nos EUA e por 20 por cento no Reino Unido, mas ainda não são significativos em outros mercados.

Por Foo Yun Chee | quarta-feira, 19 de setembro de 2012 10:32 BRT | © Thomson Reuters 2012 All rights reserved.

Enciclopédia ganha novos formatos na internet


A ideia de levar a enciclopédia para o meio digital não é nova. No início dos anos 90, a Microsoft lançou uma enciclopédia em CD-Rom, a Encarta, mas o projeto não se mostrou bem-sucedido. Outras iniciativas que surgiram na mesma época tiveram fim idêntico. O que mudou a cara da enciclopédia foi um conceito da web: o compartilhamento coletivo do conhecimento. Foi esse o motor da Wikipedia, que se transformou na maior enciclopédia da internet. Só em inglês, são mais de 3 milhões de verbetes, versus os cerca de 100 mil da Britannica. Em vez de autores especializados, a Wikipedia recebe contribuições de qualquer pessoa que se dispuser a escrever sobre um determinado assunto. Para quem prefere a tradição da Britannica, está disponível uma versão on-line. Parte do acervo é gratuito. A versão completa, para iPad, custa US$ 1,99 por mês. Foi-se o tempo em que os pais precisavam economizar para comprar enciclopédia.

Valor Econômico | 18/09/2012

Rede SciELO Livros ganha a adesão de novas editoras


Com isso, a rede amplia para seis o número de editoras universitárias brasileiras

Três novas editoras universitárias passam a integrar a rede SciELO Livros, que indexa e publica coleções online de livros acadêmicos com o objetivo de ampliar sua visibilidade, divulgação, uso e impacto. O ingresso da EDUEL – Editora da Universidade Estadual de Londrina, da EDUEPB – Editora da Universidade Estadual da Paraíba e da EdUFSCar – Editora da Universidade Federal de São Carlos foi aprovado pelo comitê científico do SciELO Livros. A rede SciELO Livros foi lançada há cinco meses pelo consórcio formado pelas editoras da UNESP, da UFBA e da FIOCRUZ, e a Associação Brasileira de Editoras Universitárias [ABEU].

PublishNews | 18/09/2012

Governo da Guiana aprova compra de livros piratas e revolta editoras internacionais


A notícia parece surrealista, mas real. O governo da Guiana, país sul-americano que faz fronteira com o Brasil ao norte [Roraima e Pará], confirmou ter adotado como política oficial a aquisição de livros didáticos piratas. A oficialização da prática mexeu com os brios da Publishers Association do Reino Unido, que repudiou a decisão e tentará medidas legais contra o país:

A decisão do Conselho de Ministros, na Guiana, de adquirir livros piratas para as escolas públicas é um ato indiscutivelmente ilegal … À luz da confirmação oficial por parte do Ministério da Educação, de que a aquisição de livros pirateados é uma política aprovada, os editores agora avaliarão suas opções legais para garantir que um fim seja colocado a esta ilegalidade.

A Guiana é uma ex-colônia inglesa, que se tornou independente do Reino Unido nos anos 60. A língua oficial é o inglês e o país ainda mantem fortes laços econômicos com sua ex-metrópole – e por consequência, com as editoras britânicas.

O governo da Guiana ainda aposta nos livros impressos. Se pudesse investir nos ebooks, não precisaria comprar nem os impressos piratas… era só procurar no Google.

Por Eduardo Melo | Revolução eBook | 18/09/2012 | Fonte: Publishing Perspectives

Biblioteca fica ao alcance de um clique


Se você nasceu antes da década de 90, suas pesquisas escolares não devem ter fugido muito desta rotina: o professor anunciava o tema – podia ser mitocôndrias, guerras púnicas ou triângulos equiláteros, não importava muito – e imediatamente tinha início uma corrida à biblioteca da escola. Se você não era o felizardo a chegar primeiro – e você nunca era -, o caminho era buscar as bibliotecas públicas. Era preciso procurar o título nas fichinhas em papel datilografadas, pedir o livro ao bibliotecário, torcer para a obra estar disponível e em bom estado, para só então começar a pesquisar para valer. Aí era encarar a fila para tirar “xerox” da parte que mais importava, ou copiar os trechos à mão.

A internet mudou tudo isso. Hoje, com um clique e sem sair de casa, é possível ter acesso a informações que antes levava dias para obter. A oferta de livros eletrônicos para computadores, tablets e smartphones cresce rapidamente, e na internet não faltam links para arquivos gratuitos de títulos de domínio público, que podem ser copiados ou impressos livremente. O que não mudou é o desejo humano de guardar todo o conhecimento disponível – ou, pelo menos, o que for possível disso – em um único lugar: a biblioteca.

A Unesco, braço de educação e cultura das Nações Unidas, uniu-se à Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos para criar a Biblioteca Digital Mundial. A proposta é criar uma espécie de biblioteca das bibliotecas, juntando os acervos digitais das principais coleções ao redor do mundo.

A iniciativa é apenas uma das muitas em andamento. A Open Library, de origem americana, já tem 20 milhões de itens digitalizados, entre livros, textos etc. Outra fonte conhecida é o Projeto Gutenberg, cujo nome homenageia o criador da imprensa. A iniciativa reúne 40 mil livros em formato eletrônico em diversos idiomas.

No Brasil, a Biblioteca Nacional começou a digitalizar seu acervo em 2001. Hoje estão disponíveis em formato eletrônico 6 milhões de páginas. O projeto mais recente da Biblioteca Nacional é a Hemeroteca Digital, que reúne jornais, revistas e periódicos desde 1808, quando a imprensa foi criada no Brasil, até 2010.

O apelo crescente do texto digital, que pode ser visto em qualquer tela, coloca em dúvida qual será o papel da biblioteca tradicional no futuro. O receio é que elas sejam abandonadas em troca da conveniência das versões digitais.

Há, no entanto, visões mais otimistas desse fenômeno, pelas quais as coleções digitais são consideradas uma extensão e não um substituto dos acervos físicos. “A biblioteca tradicional ganha visibilidade com a digitalização“, diz Angela Bittencourt, coordenadora da Biblioteca Nacional Digital. “Uma pessoa que mora longe pode acessar o acervo a qualquer momento.

Há um antagonismo característico no conceito de biblioteca, que tem de cumprir a função de preservar uma obra e, ao mesmo tempo, colocá-la nas mãos dos leitores. O dilema é que quanto mais a obra é manuseada, mais difícil fica conservá-la, diz Angela. A digitalização ajuda a resolver esse problema ao manter a integridade da obra física – em especial livros raros – sem restringir o acesso do público.

Como toda técnica, no entanto, a digitalização também tem limites. Os direitos autorais são um dos principais fatores que restringem o processo. As bibliotecas podem até digitalizar seus acervos integralmente, mas só podem dar acesso eletrônico aos livros de domínio público ou obras das quais tenham obtido permissão prévia dos autores.

A questão dos direitos autorais levantou uma onda de críticas ao Google, anos atrás, quando a empresa iniciou uma campanha maciça para obter a aprovação de autores ao redor do mundo para digitalizar seus livros. O receio era que a companhia passasse a exercer uma importância exagerada no universo literário.

Uma alternativa para evitar esse tipo de problema, usada atualmente pelo Google Books Library Project, é dar acesso parcial a obras protegidas por direitos autorais.

A digitalização ajudou a reavivar até a Biblioteca de Alexandria, a mais célebre coleção de livros da história. Não se tem certeza de quando a biblioteca foi destruída, mas uma das teses é que navios incendiados da frota de Júlio Cesar atingiram o prédio acidentalmente. A rainha Cleópatra, que teria chorado ao ver a coleção em chamas, provavelmente aprovaria a nova versão digital, menos vulnerável a incêndios.

Por Gustavo Brigatto e João Luiz Rosa | Publicado originalmente em Valor Econômico | 18/09/2012 | Todos os direitos reservados ao Valor Econômico S.A.

Brasil, eBooks, educação e tecnologia


Por Octavio Kulesz | Publicado originalmente em PublishNews | 17/09/2012

Non ducor, duco

Com seus 11 milhões de habitantes – 20 milhões, se incluirmos as cidades ao redor – e um PIB de mais de 300 bilhões de dólares, São Paulo representa o principal polo industrial e financeiro da América do Sul. Cerca de 6 milhões de automóveis transitam por sua gigantesca rede de estradas, avenidas, túneis, pontes e viadutos. Escapando do trânsito,incontáveis passageiros são transportados pelas diferentes linhas de metrô, enquanto no ar, um enxame de helicópteros aguarda o momento propício para descer no terraço de algum arranha-céu.

A cidade transmite uma intensidade extraordinária, é absolutamente multicultural e absorve tudo o que chega de fora – costumes, roupas, comidas e até palavras – com a mesma naturalidade que uma selva tropical assimila espécies novas. No entanto, tal facilidade não deveria criar nenhuma confusão: longe de adaptar-se passivamente às tendências da moda, São Paulo transforma todas a seu favor, o que talvez explique a máxima em latim que adorna sua bandeiranon ducor, duco – “não sou conduzido, conduzo”.

CONTEC: educação e tecnologia

Felizmente, a cidade conta com espaços de serenidade. O Parque Ibirapuera é um dos mais importantes de São Paulo: possui belíssimos lagos, fontes e árvores, assim como uma rica oferta cultural. No centro dele ergue-se o Auditório Ibirapuera, concebido há várias décadas pelo genial arquiteto Oscar Niemeyer e atualmente administrado pelo Instituto Itaú Cultural.

O Auditório destina-se geralmente a grandes espetáculos musicais, mas durante os dias 7 e 8 de agosto serviu de sede para o evento CONTEC, uma conferência internacional sobre educação e tecnologia organizada pela Feira do Livro de Frankfurt [FBF] – em especial por suas divisões LitCam e Frankfurt Academy –, que contou com o apoio de atores locais como PublishNewsAbeu, o Instituto Itaú Cultural, a Câmara Brasileira do Livro [CBL] e a Positivo, entre outros. Quase 700 pessoas, majoritariamente jovens, assistiram a debates atuais sobre a questão do analfabetismo, os planos de leitura do Estado brasileiro, as iniciativas de empresas locais e as incursões das empresas internacionais.

Pelo que se pôde ver, o Brasil se prepara para um grande salto tanto em educação quanto em tecnologia. Como deixou claro Karine Pansa – diretora da CBL – na abertura do evento, o Brasil ainda é um país desigual, mas a universalização da educação primária, o investimento em qualidade educativa e as novas tecnologias acabarão sendo fatores decisivos na consolidação de um mercado leitor. Para conseguir estes objetivos, o país “terá que aprender das nações que já deram esse salto”.

Um Estado poderoso

André Lázaro – que foi secretário de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade durante a presidência de Lula da Silva – enumerou as conquistas e desafios dos planos nacionais de luta contra o analfabetismo, assim como a necessidade de trabalhar com força neste âmbito, a fim de conseguir uma democracia melhor. Como lembrou Lázaro, ainda persistem fortes diferenças entre o rico sudeste e o nordeste mais pobre, assim como entre as cidades e o campo.

Lúcia Couto – atual coordenadora geral de Ensino Elementar do Ministério da Educação – descreveu as diferentes ferramentas utilizadas pelo Estado para universalizar a alfabetização das crianças. O Brasil está discutindo atualmente os detalhes do Plano Nacional de Educação, que poderia elevar o investimento educativo a 10% do PIB nos próximos 10 anos.

Os esforços do setor público também vêm da área da cultura. Galeno Amorim – presidente da Fundação Biblioteca Nacional – expôs detalhes do Plano Nacional do Livro e da Leitura. Como apontou o presidente da FBN, o Ministério da Cultura designou quase 200 milhões de dólares a diversas iniciativas de fortalecimento das bibliotecas e de estímulo à leitura que serão realizadas até o final do ano.

Brasil na vanguarda tecnológica

Se o setor público dá sinais de se mover com decisão, as empresas privadas não ficam atrás, embora sejam conscientes de que falta muito por fazer. Cláudio de Moura Castro – assessor do poderoso grupo Positivo – afirmou que apenas 18% dos universitários possuem o hábito da leitura e que um número significativo de alunos são, na verdade, analfabetos funcionais; de fato, em todo o Brasil existem tantas livrarias quanto na cidade de Paris.

O matemático José Luís Poli – do Programa de Alfabetização em Língua Materna [PALMA], desenvolvido pela empresa IES2 – confirmou o diagnóstico negativo a respeito dos milhões de analfabetos plenos e funcionais, mas se mostrou otimista sobre as soluções aportadas pelas novas tecnologias. PALMA funciona como um conjunto de aplicativos para celulares e oferece diferentes ferramentas de escrita e compreensão de textos. É importante lembrar que no Brasil existem mais de 250 milhões de celulares – o que equivale a uma penetração de 130% – dos quais ao redor de 54 milhões são 3G. Por outro lado, os fortes investimentos em infraestrutura 4G que se avizinham permitem supor que a telefonia móvel desempenhará um papel ainda mais vital na comunicação brasileira.

Brasil 2.0

As redes sociais constituem outro dos fatores decisivos no mundo da comunicação do Brasil. O país conta com mais de 55 milhões de contas de Facebook – segundo, depois dos EUA, no ranking global de usuários. A rede social Orkut, que no Brasil é administrada pela Google, perdeu sua liderança no final de 2011, mas ainda conta com uma considerável massa de seguidores. Em relação ao Twitter, o Brasil também segue os EUA no número total de usuários, sendo São Paulo a quarta cidade com maior número de tweets do mundo, só atrás de Jacarta, Tóquio e Londres. Durante a conferência CONTECa escritora carioca mais de 200.000 leitores que a seguem.

Os meios sociais do Brasil vão, inclusive, além do Facebook, Orkut ou Twitter. Já surgiram redes locais organizadas por núcleos de interesse, que mostram uma atividade notável. Na mesa que tive a oportunidade de moderar, Viviane Lordello deu algumas cifras do Skoob, a maior rede social de leitores do Brasil: uns 600.000 internautas trocam recomendações, notas e até livros físicos que são enviados por correio postal; estes usuários são de todo o território brasileiro, no entanto mais de 45% vive em São Paulo. Também é preciso destacar o trabalho realizado pela Copia, uma plataforma de conteúdos digitais dependente do grupo DCM dos EUA; Marcelo Gioia – CEO do Copia Brasil – enumerou durante a CONTEC os planos da empresa em nível local, especialmente depois de ter fechado uma aliança com o Submarino, a principal empresa de comércio eletrônico da América Latina: desta união de forças surgiu o Submarino Digital Club, uma rede social na qual os usuários podem compartilhar anotações assim como comprar e descarregar e-books.

Local e global. CONTEC 2013

A necessidade de estabelecer alianças locais foi em parte discutida durante a sessão “Visão panorâmica: olhando a bola de cristal”, na qual participaram Tânia Fontolan – do conglomerado brasileiro Abril Educação – e Hegel Braga – diretor da Wiley Brasil – sob a coordenação de Holger Volland. Fontolan começou explicando a forma como a Abril Educação vê o mercado educativo local nos próximos anos: crescimento dos conteúdos na nuvem; proliferação de tablets e celulares; aprendizagem baseada em videogames e conteúdo aberto. Braga, por seu lado, ofereceu detalhes sobre as ações da Wiley no Brasil: a empresa abriu um escritório próprio em São Paulo há poucos meses: dali espera desenvolver acordos com sócios locais e trazer tecnologia do exterior para ajustá-la ao cliente brasileiro. Tânia Fontolan concordou com a importância de trabalhar com alianças locais, embora tenha se mostrado cética a respeito da ideia de implantar soluções tecnológicas fechadas, pois em muitas ocasiões estas se mostraram simplesmente inadaptáveis.

Jurgen Boos e Marifé Boix García – respectivamente diretor e vice-diretora da FBF – sublinharam seu compromisso de longo prazo com o Brasil e a América Latina, ao mesmo tempo em que anunciaram uma nova edição da CONTEC para junho de 2013, desta vez na forma de uma feira internacional de conteúdos e educativos e multimídia, com dias diferenciados para os profissionais e para o público. A FBF já conta com delegações de Nova Délhi, Moscou, Beijing e Nova York, e logo abrirá um escritório em São Paulo. Segundo Jurgen Boos, as redes e o know how da FBF podem ser de grande ajuda para a indústria editorial brasileira:

“O Brasil tem um mercado interno enorme, com quase 200 milhões de pessoas. No entanto, está muito focado no local, ainda carece de contatos internacionais e é aí onde acho que nós podemos desempenhar um papel importante. Gostaríamos também de trabalhar com as universidades brasileiras, porque considero que tudo que fizermos deverá ser local. Podemos trazer nossa experiência, mas são necessários profissionais do mercado local.”

eBooks na Bienal: um futuro entre o EPUB e a nuvem

No dia 9 de agosto, a uns 12 quilômetros do Parque Ibirapuera – no centro de exposições do Anhembi – foi inaugurada a 22ª Bienal do Livro de São Paulo, sob o lema “Os livros transformam o mundo, os livros transformam as pessoas”. A exposição durou 11 dias e foi visitada por mais de 750.000 pessoas, confirmando o dinamismo de uma indústria editorial que fatura quase 2,5 bilhões de dólares anuais.

Em comparação com os estandes de livros impressos, o espaço dedicado aos e-books era bastante limitado, o que acaba sendo coerente com a baixa faturação que apresenta o segmento digital: na verdade, os livros eletrônicos equivalem hoje a menos de 1% do total de ingressos da indústria editorial brasileira. Apesar disso, algumas tendências permitem antecipar um crescimento acelerado do novo mercado.

Como afirmamos antes, são numerosas as empresas estrangeiras que trabalham com aliados nativos para oferecer conteúdos digitais cada vez mais adaptados aos leitores locais. Graças ao lançamento de sua rede social de livros digitais – resultado do acordo com a Copia – o estande da Submarino foi um dos mais concorridos da Bienal.

Por outro lado, a considerável capacidade de investimento dos players autóctones possibilitou o surgimento de plataformas originais como Nuvem de Livros, desenvolvida pelo Grupo Gol, em associação com a operadoraVivo-Telefônica: durante a Bienal, os estudantes puderam se informar sobre as funcionalidades e custos desta plataforma na nuvem, que conta com 800.000 usuários e que por menos de 2 reais por semana oferece acesso a cerca de 6.500 títulos.

Da mesma forma, as editoras nacionais estão trabalhando ativamente na digitalização de seus catálogos, embora ainda haja muito a melhorar: segundo a especialista Camila Cabete, mais de 60% dos arquivos EPUB brasileiros apresentam erros de estruturação. De qualquer forma, a migração já começou: os títulos publicados em formato digital chegaram, em 2011, a 9% do total de obras registradas. Diversas editoras passaram à ofensiva comercial, em especial no terreno do livro científico: Atlas, GENEditora Saraiva e Grupo A uniram forças para oferecer seus títulos através do Minha Biblioteca, uma plataforma de conteúdo digital pensada para o mercado acadêmico.

Quem quer colocar [Kindle] um fogo [Fire] na Amazônia?

O dia 10 de agosto foi a data chave para os e-books durante a Bienal. Ao longo de toda essa jornada – “o dia D” – o público pôde escutar diferentes protagonistas da cena digital: Andrew Lowinger da Copia, Marie Pellen da OpenEdition, Jesse Potash da Pubslush, Júlio Silveira da Imã, Eduardo Melo da Simplíssimo, Marcílio Pousada da Livraria Saraiva e Russ Grandinetti da Amazon Kindle. Depois da primeira conferência, os organizadores foram obrigados a mudar o evento para uma sala maior, já que o número de participantes tinha superado as expectativas.

Quando chegou a vez de Russ Grandinetti, nem sequer a nova sala foi suficiente para conter os interessados, e um grande número de ouvintes ficou de fora. O executivo esclareceu logo no começo que não daria nenhuma data para o desembarque da Amazon no Brasil e se limitou a enumerar os pontos positivos do e-reader Kindle e o tablet Fire. Carlo Carrenho – diretor do PublishNews – coordenou o diálogo entre Grandinetti e o público, e no final lembrou uma frase de Jeff Bezos: “Quero ir à lua… e ao Brasil”, o que levou a uma pergunta que o público celebrou com gargalhadas: “Quando pensam em abrir essa filial lunar, então?” É que o lançamento da Amazon no Brasil já demorou muito – talvez um sinal de que as coisas não eram tão simples quanto pareciam. Às complexidades impostas somam-se obstáculos impensados: por exemplo, até muito pouco tempo, o domínio amazon.com.br era propriedade de uma empresa local; demorou 7 anos para a Amazon EUA conseguir um acordo com sua contraparte brasileira – porque não era simples para os norte-americanos alegarem seu direito sobre a marca, já que o rio Amazonas [“Amazon” em inglês] se encontra precisamente no Brasil. Em todo caso, a empresa de Seattle parece disposta a fazer o que for necessário para se estabelecer na América do Sul – desde adquirir empresas nativas até operar sob uma denominação diferente, entre outras alternativas.

Imediatamente depois da Amazon, chegou a vez da livraria Saraiva. Nesse momento, eram tantas as pessoas na sala que a situação se assemelhava mais a um show de rock do que a uma conversa sobre e-books. Marcílio Pousada lembrou a importância de contar com 102 lojas em todo o território brasileiro e de ser um dos principais vendedores de tablets e de livros a nível nacional. Vale a pena sublinhar que a Saraiva possui mais de 2 milhões de clientes ativos em sua divisão eletrônica. Graças a uma equipe de 60 pessoas dedicadas ao desenvolvimento digital, implementou seu próprio aplicativo de leitura e outras iniciativas pensadas especificamente em função do leitor local. Este potencial concorrente da Amazon oferece hoje em torno de 10.000 títulos em língua portuguesa e espera somar outros 5.000 até dezembro.

Quem manda no baile

No Brasil, confluem hoje forças muito poderosas, provenientes tanto do interior quanto do exterior. Como rios caudalosos que se interconectam, o setor público, as empresas locais e as empresas globais formaram um ecossistema rico e dinâmico. Este diagnóstico poderia ser aplicado a diferentes áreas da economia, por exemplo a de infraestrutura de transportes, tal como pôde ser visto nos recentes anúncios do governo para a construção de ferrovias e estradas.

No âmbito das publicações digitais, a sinergia entre os players públicos e privados, locais e globais, é especialmente clara. A envergadura dos atores envolvidos permite supor um crescimento acelerado tanto da oferta de conteúdos quanto dos ingressos econômicos. O país tem tudo para ganhar com o desembarque das multinacionais do e-book: as empresas brasileiras recebem uma forte transferência de tecnologia do exterior, ao mesmo tempo em que os consumidores nacionais têm acesso a plataformas e dispositivos de primeiro nível.

Apesar disso, também é preciso avisar que existe o perigo de uma saturação da oferta. Na verdade, muitos de meus interlocutores brasileiros estavam surpresos pelo otimismo excessivo manifestado pelas empresas internacionais, que acham que este mercado é um novo Eldorado, a ansiada fuga da crise econômica que afeta suas matrizes. E o certo é que – tal como sublinharam os criadores de políticas durante a conferência CONTEC– o Brasil continua enfrentando desafios cuja solução exigirá muito tempo e grande esforço.

De qualquer forma, apesar de todas as dificuldades, o país ganhou uma relevância ineludível e já dialoga de igual para igual com os titãs da indústria eletrônica global. E o Brasil – com seu ativo setor público, suas poderosas empresas e seu povo extraordinário – está decidido a conduzir o baile, não a ser conduzido.

Por Octavio Kulesz | Publicado originalmente em PublishNews | 17/09/2012

Octavio Kulesz é formado em Filosofia pela Universidade de Buenos Aires e atualmente dirige a Teseo, uma das

Octavio Kulesz

principais editoras digitais acadêmicas da Argentina. Em 2010, criou a rede Digital Minds Network, junto com Ramy Habeeb [do Egito] e Arthur Attwell [da África do Sul], com o objetivo de estimular o surgimento de projetos eletrônicos em mercados emergentes. Em 2011, escreveu o renomado estudo La edición digital en los países en desarrollo, com apoio da Aliança Internacional de Editores Independentes e da Fundação Prince Claus.

Sua coluna Sul Digital busca apresentar um panorama dos principais avanços da edição eletrônica nos países em desenvolvimento. Tablets latino-americanos, leitura em celulares na África, revoluções de redes sociais no mundo árabe, titãs do hardware russos, softwares de última geração na Índia e colossos digitais chineses: a edição digital no Sul mostra um dinamismo tanto acelerado quanto surpreendente.

Kindle Fire é um dos tablets mais baratos no mercado, mas tem limitações e defeitos


Kindle Fire HD de 8,9 polegadas terá versão 4G

Kindle Fire HD de 8,9 polegadas terá versão 4G

Eu não sei o que está se infiltrando na água dos escritórios da Amazon em Seattle, mas está deixando os executivos um pouco débeis.

Eles estão saudando o novo tablet da Amazon, o Kindle Fire HD, como “o melhor tablet para qualquer faixa de preço”.

Bem, vamos ver. O Fire HD não tem câmera na traseira, não tem navegação por GPS, não tem reconhecimento de fala, não tem lista de coisas a fazer e nem aplicativos de anotações. Ele fica atrás do iPad em espessura, tamanho de tela, nitidez, velocidade de Internet, desempenho do software e disponibilidade de aplicativos. Ele só pode sonhar com o universo de acessórios, estojos e bases do iPad.

Agora, leia meus lábios: o Kindle Fire HD não é uma decepção. Não é! Ou melhor, não será, assim que Amazon concluir as correções do software.

Os preços são os mais baixos de todos; US$ 200 por uma tela de 7 polegadas, US$ 300 pela de 8,9 polegadas, US$ 500 pela de 8,9 polegadas com Internet por celular [US$ 50 pelo primeiro ano, US$ 15 por mês depois]. O preço sobe em US$ 15 se você quiser eliminar as propagandas de livros e filmes que aparecem na proteção de tela.

De qualquer forma, isso é muito menos caro do que os rivais semelhantes, ou muito melhor equipado do que os rivais da mesma faixa de preço.

Por David Pogue | Do New York Times | 17/09/2012, às 06h00 | Publicado em UOL Notícias Tecnologia

Cultura terá e-reader próprio


A Livraria Cultura lançará um e-reader com sua própria marca, mediante acordo com a Kobo, fabricante com sede no Canadá e pertencente à japonesa Rakuten. A parceria foi anunciada hoje e o equipamento estará disponível em outubro ou novembro. Não foram divulgados detalhes do aparelho.

Além do equipamento, que só será comercializado no Brasil com a assinatura da Livraria Cultura, a parceria prevê o incremento do nosso acervo de e-books. Juntos, Livraria Cultura e Kobo disponibilizarão cerca de 3 milhões de títulos, dos quais mais de 15 mil estarão em português”, declarou Sérgio Herz, CEO da Livraria Cultura.

O e-reader será comercializado nas lojas físicas e também pelo site da Livraria Cultura. Já os e-books poderão ser adquiridos via download no próprio e-reader, no site ou numa das 14 lojas da livraria no Brasil.

De acordo com Herz, a parceria é complementar. “Manteremos nossos valores corporativos e nosso DNA de disseminadores culturais nesse projeto”, diz. Um dos grandes diferenciais do Kobo Livraria Cultura é o fato de a plataforma utilizada não ser amarrada.” Isso quer dizer que os e-books são distribuídos em padrões abertos, ou seja, não estão presos aos dispositivos e apps (há para iOS, Android e BlackBerry) da Kobo.

Publicado originalmente no site de Ethevaldo Siqueira | 14/09/2012

Livraria Cultura contra Amazon


Kobo Touch | Foto: Honza chodec

Kobo Touch | Foto: Honza chodec

A briga pelo nascente mercado brasileiro de livros digitais promete esquentar. A Livraria Cultura anunciou ontem uma parceria com a canadense Kobo para trazer leitores eletrônicos e livros digitais para o País, na preparação para a chegada da operação de varejo da americana Amazon. “A parceria deve impulsionar o mercado de e-books por aqui”, afirmou Sergio Herz, presidente da Livraria Cultura.

A empresa planeja vender quatro modelos de e-readers da Kobo, sendo um deles um tablet com sistema operacional Android. Os planos são agressivos. “Ainda não definimos os preços, mas o primeiro modelo deve ser mais barato que o Kindle importado”, disse Sergio Herz. Com lançamento previsto para o fim do próximo mês, o primeiro modelo será o Kobo Touch, que custa US$ 99 nos Estados Unidos. Um Kindle International, comprado diretamente do site americano da Amazon, sai no Brasil por cerca de R$ 450, com impostos.

Ninguém faz dinheiro vendendo o aparelho”, disse Pedro Herz, presidente do conselho da Cultura. Essa também é a estratégia da Amazon, que usa o Kindle para alavancar a venda de livros, música e filmes digitais. Com o acordo com a Kobo, o catálogo de livros digitais da Livraria Cultura vai subir de 330 mil títulos para 3 milhões. Somente 15 mil estão em português.

Espero que nosso lançamento venha a incentivar as editoras brasileiras”, disse Pedro Herz. “Elas já estão lançando os livros novos também na versão digital, mas existe uma oportunidade muito grande no catálogo.” Assim como a Amazon, a Kobo tem um sistema em que escritores independentes podem publicar seus livros digitais diretamente. Esse serviço não será trazido ao Brasil no mês que vem, mas está nos planos da Cultura oferecê-lo por aqui.

A Livraria Cultura prevê faturar R$ 430 milhões este ano, um crescimento de 20% sobre 2011. Desse total, 19% são provenientes do site, e somente 1% das receitas de seu comércio eletrônico vêm dos livros digitais. Sediada no Canadá, a Kobo é controlada pela japonesa Rakuten, que lançou este ano um shopping virtual no Brasil.

Negociação

Sergio e Pedro admitem ter conversado com representantes da Amazon que, segundo eles, queriam convencê-los a vender o Kindle em suas lojas. É um modelo que, para a Cultura, não fazia sentido, já que colocaria nas mãos de seus clientes um equipamento ligado à loja virtual da Amazon. Eles negaram que a Amazon tenha tentado comprar a Livraria Cultura. “O que eles fariam com nossas 14 lojas?”, questionou Sergio.

A expectativa sobre a chegada da Amazon no Brasil é grande. A empresa tenta negociar acordos com editores e tenta aquisições. Apesar de não existirem informações oficiais, pessoas do mercado diziam, há alguns meses, que o lançamento seria em setembro. Agora, muita gente já diz que a estreia da operação de varejo provavelmente ficou para o ano que vem.

Os leitores eletrônicos da Kobo adotam formatos abertos, como ePub e PDF e, dessa forma, os leitores podem comprar livros em outras lojas. A vantagem para a Cultura, no entanto, é que o aparelho estará ligado diretamente à sua loja virtual, permitindo que os usuários do Kobo comprem livros com um clique.

A primeira tentativa da Cultura de entrar no mercado de e-books aconteceu em 2002, mas foi muito cedo. Em 2010, a varejista fez uma nova investida, com o leitor digital Alpha, da Positivo Informática, que já deixou de vender. “O Alpha era um leitor mais simples, que não tinha solução de compra”, explicou Sergio Herz.

Com o Kobo, a empresa oferece uma solução completa, com compra de livros no aparelho e aplicativos para PCs, iPhones e iPads e aparelhos com o sistema Android.

Por Renato Cruz | Publicado originalmente em LINK ESTADÃO.COM.BR | 14 de setembro de 2012, às 17h41| Foto: Honza chodec

Envie o seu case para o 4º Congresso Internacional CBL do Livro Digital


O 4º Congresso Internacional CBL do Livro Digital terá uma sessão especial para apresentação de cases. Você que é associado da CBL ou interessado no assunto, pode sugerir cases para serem apresentados dentro dos seguintes temas: bibliotecas, selfpublishing, proteção contra a pirataria, o novo papel dos revisores e outros profissionais da cadeia produtiva do livro, social commerce e ebooks para o público infantil, além de ações de marketing e outras questões práticas. Os cases serão selecionados pela Comissão do Congresso. O 4º Congresso Internacional CBL do Livro Digital acontecerá dias 13 e 14 de junho de 2013, na Fecomercio. As sugestões devem ser enviadas até 30/10 para o e-mail digital@cbl.org.br.

CBL Informa

Livraria Cultura entra no mercado de leitor eletrônico


A empresa planeja vender quatro modelos de e-readers da Kobo, sendo um deles um tablet com sistema operacional Android

Ninguém faz dinheiro vendendo o aparelho”, disse Pedro Herz, presidente do conselho da Cultura. Essa também é a estratégia da Amazon, que usa o Kindle para alavancar a venda de livros

São Paulo | A briga pelo nascente mercado brasileiro de livros digitais promete esquentar. A Livraria Cultura anunciou na quinta-feira uma parceria com a canadense Kobo para trazer leitores eletrônicos e livros digitais para o país, na preparação para a chegada da operação de varejo da americana Amazon. “A parceria deve impulsionar o mercado de e-books por aqui”, afirmou Sergio Herz, presidente da Livraria Cultura.

A empresa planeja vender quatro modelos de e-readers da Kobo, sendo um deles um tablet com sistema operacional Android. Os planos são agressivos. “Ainda não definimos os preços, mas o primeiro modelo deve ser mais barato que o Kindle importado”, disse Herz. Com lançamento previsto para o fim do próximo mês, o primeiro modelo será o Kobo Touch, que custa US$ 99 nos Estados Unidos. Um Kindle International, comprado diretamente do site americano da Amazon, sai no Brasil por cerca de R$ 450, com impostos.

“Ninguém faz dinheiro vendendo o aparelho”, disse Pedro Herz, presidente do conselho da Cultura. Essa também é a estratégia da Amazon, que usa o Kindle para alavancar a venda de livros, música e filmes digitais. Com o acordo com a Kobo, o catálogo de livros digitais da Livraria Cultura vai subir de 330 mil títulos para 3 milhões. Somente 15 mil estão em português.

“Espero que nosso lançamento venha a incentivar as editoras brasileiras”, disse Pedro Herz. “Elas já estão lançando os livros novos também na versão digital, mas existe uma oportunidade muito grande no catálogo.” Assim como a Amazon, a Kobo tem um sistema em que escritores independentes podem publicar seus livros digitais diretamente. Esse serviço não será trazido ao Brasil no mês que vem, mas está nos planos da Cultura oferecê-lo por aqui.

Sergio e Pedro admitem ter conversado com representantes da Amazon que, segundo eles, queriam convencê-los a vender o Kindle em suas lojas. É um modelo que, para a Cultura, não fazia sentido, já que colocaria nas mãos de seus clientes um equipamento ligado à loja virtual da Amazon. Eles negaram que a Amazon tenha tentado comprar a Livraria Cultura. “O que eles fariam com nossas 14 lojas?”, questionou Sergio.

A expectativa sobre a chegada da Amazon no Brasil é grande. A empresa tenta negociar acordos com editores e tenta aquisições. Apesar de não existirem informações oficiais, pessoas do mercado diziam, há alguns meses, que o lançamento seria em setembro. Agora, muita gente já diz que a estreia da operação de varejo provavelmente ficou para o ano que vem. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

Publicado originalmente e clipado à partir de EXAME.COM | 14/09/2012, às 10:54

Biblioteca Callis de Livros Digitais ganha prêmio TOP Educação 2012


Projeto que reúne 40 títulos com narração, trilha sonora, games e planos de aula

Biblioteca Callis de Livros EncantadosA Editora de livros infantis Callis venceu o Prêmio TOP Educação 2012, na categoria biblioteca virtual, com sua Biblioteca Callis de Livros Encantados. O concurso é realizado pela Revista Educação desde 2006. A editora fechou uma parceria com a Retoque Comunicação, no final de 2010, para criar a primeira biblioteca de obras digitais infantis do Brasil. A Biblioteca Callis de Livros Encantados foi eleita pelo público, em votação no site do prêmio.

PublishNews | 14/09/2012

Livraria Cultura e Kobo oficializam parceria


Acordo exclusivo permitirá acesso a cerca de 3 milhões de títulos e a novos e-readers

Livraria CulturaComo foi antecipado pela imprensa, a Livraria Cultura fechou acordo com a Kobo, marcando de vez a chegada da canadense ao Brasil. Em nota, Sergio Herz, CEO da Livraria Cultura, conta que a parceria disponibilizará 3 milhões de títulos, dos quais mais de 15 mil estarão em português. O CEO disse ao jornal Estado de São Paulo que os preços serão agressivos e os e-readers serão mais baratos que o Kindle importado. Ainda não há previsão de lançamento dos aparelhos. Todd Humphrey, vice-presidente executivo de Desenvolvimento de Negócios da Kobo disse em nota que a expectativa é que a venda de e-readers e e-books cresça significativamente nos próximos meses.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 14/09/2012

Evento pré-Frankurt esquenta os tamborins digitais


É possível aproveitar a terça-feira antes da Feira de Frankfurt para se atualizar nas novas tendências digitais

Tools of Change for Publishing

Tools of Change for Publishing

Desde 2007, acontece em Nova Iorque, sempre no início do ano, o evento Tools of Change for Publishing, conhecido no mercado como TOC e organizado pela O’Reilly. O objetivo do evento é discutir práticas, soluções e tendências digitais que estão afetando a indústria de livros. Em 2009, a empresa norte-americana se juntou com a Feira de Frankfurt para organizar a conferência TOC Frankfurt, sempre na terça-feira, às vésperas da maior feira de livros do mundo. O evento de um dia ganhou força e se encaminha agora para sua terceira edição.

No ano passado, a conferência contou com a participação de cerca de 500 pessoas de 35 países diferentes, e este ano a TOC Frankfurt traz novamente um time de conferencistas renomados. Serão mais de 30 sessões com palestrantes como Jonathan Nowell, presidente da Nielsen Books; Mark Bide, Diretor Executivo da EDitEUR – organização que controla o padrão Onix de banco de dados de livros –; William Chesser, vice-presidente da VitalSource, plataforma da Ingram para livros universitários digitais; Dan Franklin, publisher digital da Random House UK; Bill McCoy, diretor executivo do International Digital Publishing Forum; e Ken Michaels, vice-presidente da Hachette Book Group, entre outros. Eles abordarão temas como o futuro do e-commerce, captação e utilização de dados de consumidores e mudanças nos modelos de negócios e de distribuição. Durante o evento, a EDItEUR organiza uma série de painéis com uma perspectiva diferente, focando nos desafios operacionais enfrentados pela cadeia do livro e dos livros digitais.

O PublishNews fará dobradinha no evento, participando como media partner e também com a presença de seu sócio-fundador, Carlo Carrenho, em um dos painéis. As inscrições para a TOC Frankfurt custam € 599,00 (mais taxas). Para fazer sua inscrição e saber mais sobre o evento, acesse o site:http://tocfrankfurt.com.

PublishNews | 14/09/2012

Livraria Cultura quer vender leitor eletrônico mais barato que a Amazon


Varejista fecha acordo com a canadense Kobo para trazer ao Brasil quatro modelos de e-readers e catálogo de 3 milhões de livros

SÃO PAULO | A briga pelo nascente mercado brasileiro de livros digitais promete esquentar. A Livraria Cultura anunciou nessa quinta-feira, 13, uma parceria com a canadense Kobo para trazer leitores eletrônicos e livros digitais para o País, na preparação para a chegada da operação de varejo da americana Amazon. “A parceria deve impulsionar o mercado de e-books por aqui“, afirmou Sergio Herz, presidente da Livraria Cultura.

A empresa planeja vender quatro modelos de e-readers da Kobo, sendo um deles um tablet com sistema operacional Android. Os planos são agressivos. “Ainda não definimos os preços, mas o primeiro modelo deve ser mais barato que o Kindle importado”, disse Sergio Herz. Com lançamento previsto para o fim do próximo mês, o primeiro modelo será o Kobo Touch, que custa US$ 99 nos Estados Unidos. Um Kindle International, comprado diretamente do site americano da Amazon, sai no Brasil por cerca de R$ 450, com impostos.

Ninguém faz dinheiro vendendo o aparelho“, disse Pedro Herz, presidente do conselho da Cultura. Essa também é a estratégia da Amazon, que usa o Kindle para alavancar a venda de livros, música e filmes digitais. Com o acordo com a Kobo, o catálogo de livros digitais da Livraria Cultura vai subir de 330 mil títulos para 3 milhões. Somente 15 mil estão em português.

Espero que nosso lançamento venha a incentivar as editoras brasileiras“, disse Pedro Herz. “Elas já estão lançando os livros novos também na versão digital, mas existe uma oportunidade muito grande no catálogo.” Assim como a Amazon, a Kobo tem um sistema em que escritores independentes podem publicar seus livros digitais diretamente. Esse serviço não será trazido ao Brasil no mês que vem, mas está nos planos da Cultura oferecê-lo por aqui.

A Livraria Cultura prevê faturar R$ 430 milhões este ano, um crescimento de 20% sobre 2011. Desse total, 19% são provenientes do site, e somente 1% das receitas de seu comércio eletrônico vêm dos livros digitais. Sediada no Canadá, a Kobo é controlada pela japonesa Rakuten, que lançou este ano um shopping virtual no Brasil.

Negociação

Sergio e Pedro admitem ter conversado com representantes da Amazon que, segundo eles, queriam convencê-los a vender o Kindle em suas lojas. É um modelo que, para a Cultura, não fazia sentido, já que colocaria nas mãos de seus clientes um equipamento ligado à loja virtual da Amazon. Eles negaram que a Amazon tenha tentado comprar a Livraria Cultura. “O que eles fariam com nossas 14 lojas?“, questionou Sergio.

A expectativa sobre a chegada da Amazon no Brasil é grande. A empresa tenta negociar acordos com editores e tenta aquisições. Apesar de não existirem informações oficiais, pessoas do mercado diziam, há alguns meses, que o lançamento seria em setembro. Agora, muita gente já diz que a estreia da operação de varejo provavelmente ficou para o ano que vem.

Os leitores eletrônicos da Kobo adotam formatos abertos, como ePub e PDF e, dessa forma, os leitores podem comprar livros em outras lojas. A vantagem para a Cultura, no entanto, é que o aparelho estará ligado diretamente à sua loja virtual, permitindo que os usuários do Kobo comprem livros com um clique.

A primeira tentativa da Cultura de entrar no mercado de e-books aconteceu em 2002, mas foi muito cedo. Em 2010, a varejista fez uma nova investida, com o leitor digital Alpha, da Positivo Informática, que já deixou de vender. “O Alpha era um leitor mais simples, que não tinha solução de compra”, explicou Sergio Herz.

Com o Kobo, a empresa oferece uma solução completa, com compra de livros no aparelho e aplicativos para PCs, iPhones e iPad e aparelhos com o sistema Android.

Por Renato Cruz, de O Estado de S. Paulo | 13 de setembro de 2012 | 21h 59

Waterstones terá leitura gratuita no Kindle


Leitores poderão acessar conteúdo via Wi-Fi nas lojas da rede britânica

Waterstones

Waterstones

“Great Expectations”, anuncia o site da livraria britânica Waterstones. Não se trata de uma nova edição da obra de Charles Dickens, mas de uma nova parceria com a Amazon, para fornecer leitura gratuita aos usuários do Kindle dentro das lojas da rede. Segundo o site The Bookseller, o diretor da Waterstones, James Daunt, anunciou que a nova família de Kindles, lançados na semana passada, terá atrativos específicos da Waterstones, como protetores de telas, lista de mais vendidos e dispositivo Read for Free. O Read for Free é utilizado também pela Barnes & Noble [os leitores que levarem o Nook para uma livraria da rede têm acesso livre a e-books por uma hora]. James Daunt não esconde as dificuldades de lidar com a pressão da concorrente Amazon, e revelou que, no futuro, a Waterstones gostaria de ter seus próprios e-readers e vender seu próprio conteúdo.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 13/09/2012