O ePub e os players internacionais


Por Camila Cabete | Texto publicado originalmente em PublishNews | 16/08/2012

Engraçado que muita gente ainda fala do mercado digital no futuro, confabulando como vai ser, o que vai acontecer. O mercado digital já está aqui. E algumas coisas mudaram. Escrevo hoje sobre essas mudanças com a “humilde” intenção de servir de guia. Será que sua empresa, do setor editorial, está seguindo a tendência? Será que esta tendência é a que deve ser seguida? Vamos por partes!

Setor comercial: o setor comercial está se aproximando cada vez mais dos setores de marketing e editorial. Diria até que muitos comerciais estão fazendo às vezes o papel do setor editorial, quando se trata de livro digital. Parece que sobrou pra eles – Comercial, aproveita que já tem os contatos, se vira aí e coloca os ebooks no ar!…mais ou menos isso. Coitados…mas daí estão saindo vários profissionais muito bons, capacitados e apaixonados pelo assunto digital.

Setor editorial: parece que ainda pensam demais em papel, mas numa boa, estou me surpreendendo com as iniciativas. Como comercial de uma agregadora, estamos fazendo cada vez mais um atendimento passivo. As editoras estão vindo atrás de soluções tecnológicas, segurança, diversidade de formatos. Claro, poderia ser melhor, mas vejo movimento e isso pra mim, que no início falava muitas vezes sozinha, é demais!

Setor de design: os diagramadores realmente estão se superando e buscando melhorias. A tendência é serem quase programadores. Os ePubs no Brasil ainda são muito defeituosos. De todos os ePubs comercializados na base que conheço, a Xeriph, mais da metade apresentaram defeitos que acabam não passando no padrão de qualidade de alguns players. Atenção: não é porque você abre o ePub no Adobe Digital Editions, que ele está dentro dos padrões de qualidade mundial… O resultado é uma correria atrás dos consertos dos epubs. O designers que trabalham mais na parte estética ainda pensam demais em papel. Muito raro ver uma capa de e-book funcional e bonita para Web e devices

Setor de desenvolvimento tecnológico: ainda inexistente nas editoras, mas recomendo fortemente!

Setor de marketing: ahhhh esse tem que melhorar! Ainda estão muito presos às ações de marketing físicas, ou melhor, com os livros físicos. Sim, poderiam fazer mais ações de marketing físicos para promover o digital. Não é porque o livro é digital que as ações devam se limitar às mídias sociais… Acho que o que falta é esse pessoal começar a consumir o produto. Muitos deles nem sabem que produto é este… #ficaadica …Não esquecendo que muitos setores de marketing das empresas se limitam às ordens do comercial e editorial. Comercial e editorial: deem mais liberdade pra eles, vai! Por favor, se souberem de ações legais de marketing para divulgação de e-book no Brasil, não deixem de me enviar.

O setor de livros digitais já é uma realidade e estou muito feliz com isso. Espero na próxima coluna falar somente de novidades… Mas como passei por férias colunísticas, resolvi começar do começo e remexer as bases.

Dúvidas e sugestões: camila.cabete@gmail.com

Por Camila Cabete | Texto publicado originalmente em PublishNews | 16/08/2012

Camila Cabete [@camilacabete] tem formação clássica em História, mas foi responsável pelo setor editorial de uma tradicional editora técnica por alguns anos [Ciência Moderna]. Hoje, é responsável pelo setor editorial da primeira livraria digital do Brasil, a Gato Sabido [@gatosabido]. É ainda consultora comercial da Xeriph, a primeira distribuidora de conteúdo digital do Brasil e sócia fundadora da Caki Books [@cakibooks], uma editora cross-mídia que publica livros em todos os formatos possíveis e imagináveis. Vive em Copacabana e tem uma gata preta chamada Lilica.

A coluna Ensaios digitais é um diário de bordo de quem vive 100% do digital no mercado editorial brasileiro. Quinzenalmente, às quintas-feiras, serão publicadas novidades, explicações e informações sobre tecnologias ligadas a área literária.