Hachette continuará agarrada ao DRM


Hachette pede a seus autores para entrar na briga pelo DRM

A Hachette, uma das Big Six do mundo editorial, se envolveu em uma polêmica essa semana, ao colocar um de seus autores no meio de uma briga sobre DRM em territórios onde ela não possui os respectivos direitos autorais.

Um colunista do site Publishers Weekly afirmou ter visto uma carta, assinada por Ursula Mackenzie, CEO da Little, Brown U.K. [que pertence à Hachette] a um de seus autores explicando que, como a editora Tor, da MacMillan, publica o título dele sem DRM em outros países, seria difícil os direitos acordados à Hachette serem devidamente protegidos, e pede ainda que o autor insista para que a Tor volte a usar DRM. “A Hachette tem bolas do tamanho de Marte se ela acha que pode ditar o que outros publishers fazem em territórios onde ela não tem direitos” disse o colunista Cory Doctorow. Em resposta, a Hachette U.K. declarou que o DRM está funcionando muito bem e que mudará os contraltos autorais para deixar mais claro a posição do autor em relação ao DRM.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 16/08/2012

O ePub e os players internacionais


Por Camila Cabete | Texto publicado originalmente em PublishNews | 16/08/2012

Engraçado que muita gente ainda fala do mercado digital no futuro, confabulando como vai ser, o que vai acontecer. O mercado digital já está aqui. E algumas coisas mudaram. Escrevo hoje sobre essas mudanças com a “humilde” intenção de servir de guia. Será que sua empresa, do setor editorial, está seguindo a tendência? Será que esta tendência é a que deve ser seguida? Vamos por partes!

Setor comercial: o setor comercial está se aproximando cada vez mais dos setores de marketing e editorial. Diria até que muitos comerciais estão fazendo às vezes o papel do setor editorial, quando se trata de livro digital. Parece que sobrou pra eles – Comercial, aproveita que já tem os contatos, se vira aí e coloca os ebooks no ar!…mais ou menos isso. Coitados…mas daí estão saindo vários profissionais muito bons, capacitados e apaixonados pelo assunto digital.

Setor editorial: parece que ainda pensam demais em papel, mas numa boa, estou me surpreendendo com as iniciativas. Como comercial de uma agregadora, estamos fazendo cada vez mais um atendimento passivo. As editoras estão vindo atrás de soluções tecnológicas, segurança, diversidade de formatos. Claro, poderia ser melhor, mas vejo movimento e isso pra mim, que no início falava muitas vezes sozinha, é demais!

Setor de design: os diagramadores realmente estão se superando e buscando melhorias. A tendência é serem quase programadores. Os ePubs no Brasil ainda são muito defeituosos. De todos os ePubs comercializados na base que conheço, a Xeriph, mais da metade apresentaram defeitos que acabam não passando no padrão de qualidade de alguns players. Atenção: não é porque você abre o ePub no Adobe Digital Editions, que ele está dentro dos padrões de qualidade mundial… O resultado é uma correria atrás dos consertos dos epubs. O designers que trabalham mais na parte estética ainda pensam demais em papel. Muito raro ver uma capa de e-book funcional e bonita para Web e devices

Setor de desenvolvimento tecnológico: ainda inexistente nas editoras, mas recomendo fortemente!

Setor de marketing: ahhhh esse tem que melhorar! Ainda estão muito presos às ações de marketing físicas, ou melhor, com os livros físicos. Sim, poderiam fazer mais ações de marketing físicos para promover o digital. Não é porque o livro é digital que as ações devam se limitar às mídias sociais… Acho que o que falta é esse pessoal começar a consumir o produto. Muitos deles nem sabem que produto é este… #ficaadica …Não esquecendo que muitos setores de marketing das empresas se limitam às ordens do comercial e editorial. Comercial e editorial: deem mais liberdade pra eles, vai! Por favor, se souberem de ações legais de marketing para divulgação de e-book no Brasil, não deixem de me enviar.

O setor de livros digitais já é uma realidade e estou muito feliz com isso. Espero na próxima coluna falar somente de novidades… Mas como passei por férias colunísticas, resolvi começar do começo e remexer as bases.

Dúvidas e sugestões: camila.cabete@gmail.com

Por Camila Cabete | Texto publicado originalmente em PublishNews | 16/08/2012

Camila Cabete [@camilacabete] tem formação clássica em História, mas foi responsável pelo setor editorial de uma tradicional editora técnica por alguns anos [Ciência Moderna]. Hoje, é responsável pelo setor editorial da primeira livraria digital do Brasil, a Gato Sabido [@gatosabido]. É ainda consultora comercial da Xeriph, a primeira distribuidora de conteúdo digital do Brasil e sócia fundadora da Caki Books [@cakibooks], uma editora cross-mídia que publica livros em todos os formatos possíveis e imagináveis. Vive em Copacabana e tem uma gata preta chamada Lilica.

A coluna Ensaios digitais é um diário de bordo de quem vive 100% do digital no mercado editorial brasileiro. Quinzenalmente, às quintas-feiras, serão publicadas novidades, explicações e informações sobre tecnologias ligadas a área literária.

Você conhece a Pubslush?


Inovador e irreverente, Jesse Potash mostra quais são as empresas que estão abalando os conceitos tradicionais do mercado editorial

Apelidado de “new kid on the block” do mercado editorial, Jesse Potash, fundador da Pubslush, mostrou em sua passagem ao Brasil quais são os cases que estão abalando os conceitos tradicionais dos editores.

Em relação ao mercado editorial como um todo, Jesse aposta em um futuro de “publicação informada”, onde as pessoas não vão tentar adivinhar o que vai acontecer com os livros publicados, e que este seria possivelmente um novo espaço de atuação do publisher: condensar e analisar a imensa quantidade de dados existentes. Ele insiste também que as editoras esqueceram do ponto principal do livro digital: é para ser compartilhável.

O primeiro case que rompe com os conceitos tradicionais é a própria Pubslush e sua ideia de “pre-publishing”: trata-se de uma plataforma de publicação de livros baseada no crowdfunding, que oferece serviços editoriais, assistência ao autor e informação sobre seu público. Jesse Potash saiu do mercado financeiro para trabalhar com livros, inspirado em J.K.Rowling, que teve seu livro Harry Potter rejeitado 12 vezes. “Eu não conseguia acreditar que ela teve de passar por alguém que disse  ‘não’ pra ela” disse Jesse na sua apresentação na Bienal.

O segundo case se refere ao conceito de distribuição. Jesse Potash cita então a Bookbaby, uma bem-sucedida distribuidora digital de autores independentes.

Espresso Books, um dos cases mais interessantes, resolve a questão do inventário nas livrarias. Trata-se, basicamente, de uma impressora de livros: o consumidor escolhe o livro que quer comprar, faz o pagamento e em minutos recebe o livro impresso. O mapa de localidades da empresa mostra que a Espresso já está presente em lugares como República Dominicana, Ucrânia e até na biblioteca de Alexandria, no Egito.

Sobre “discoverability” Jesse coloca o caso da famosa Goodreads, sobre a qual o nosso colunista e-gringo já falou por aqui também.

Não só de empresas americanas é feita a lista de Jesse: a espanhola 24 symbols é uma solução para problemas de consumo, oferecendo leitura baseada no modelo de assinatura. Outra empresa inovadora nesse aspecto é a Valobox, e seu serviço de leitura “pay as you go”, onde você pode comprar apenas trechos de livros.

Finalmente, a Writer Cube é uma ferramenta de dados de marketing, muito útil para autores.

Para Jesse Potash, todos esses casos mostram que o modelo de negócio está mudando completamente. Ele não acredita que o publisher em si irá desaparecer, mas, segundo ele: “É melhor você pensar em arranjar uma nova função, porque a função que você tinha é agora irrelevante”, recado dado.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 16/08/2012