“O futuro das editoras não me preocupa”, diz executivo da Amazon


O vice-presidente mundial de Kindle da Amazon, Russ Grandinetti, disse em palestra na Bienal do Livro que a companhia ainda não tem uma data para lançar seu leitor e sua loja de livros digitais no Brasil.

Em uma de suas raras aparições públicas, Grandinetti reconheceu, no entanto, que a Amazon perde a chance de apostar no mercado brasileiro.

O Kindle é uma experiência que revolucionou os hábitos de leitura das pessoas, queremos ampliá-la ainda mais“, disse.

Lançado em 2007, o Kindle é um leitor eletrônico que permite comprar, baixar, pesquisar e ler livros digitais, jornais, revistas.

Grandinetti acrescenta que é ótimo que os autores tenham mais opções para publicar seus livros, em vez de apenas submetê-lo a uma editora tradicional.

O FUTURO DIRÁ

Os e-books faturaram R$ 870 mil em 2011, mas ainda representam menos de 0,5% do mercado editorial brasileiro.

De janeiro a março de 2012, foram vendidos 370 mil tablets, 61% deles com sistema operacional Android. Existem hoje pouco mais de 1.500 títulos nacionais em versão eletrônica.

“Estamos vivendo um momento interessante para a indústria editorial. Talvez em alguns anos, depois que todas as leis de propriedade intelectual forem debatidas, teremos um horizonte mais promissor no Brasil”, disse Grandinetti.

Segundo dados da Nielsen BookScan, a queda nas vendas dos livros impressos nos Estados Unidos dobrou em dois anos. No Reino Unido, a venda de livros físicos foi de 12% no geral e de 26% apenas em ficção. O mesmo ocorre na Espanha.

O futuro da indústria editorial não nos preocupa, quero saber que papel poderemos ter no futuro“, disse.

DOUGLAS GAVRAS | COLABORAÇÃO PARA A FOLHA | 10/08/2012 – 15h34