Hiptype: O Google Analytics dos eBooks


Hiptype promete gerar dados sobre comportamento de leitura de ebooks

A startup americana Hiptype lança essa semana um plug-in que juntará informações sobre como os leitores lêem seus e-books. Dados como: tempo de leitura, onde leitores começam e param de ler, o que pulam, onde fazem anotações etc., estarão disponíveis para publishers [e, no futuro, para self-publishers!]

Varejistas como Amazon e Barnes&Noble já possuem esse tipo de informação, mas as editoras não têm acesso a esses dados – e acabam muitas vezes não tendo a mínima ideia de quem são seus leitores- afirma Laura Owen em sua coluna no site Paid Content. Com a instalação do plug-in no e-book, gera-se dados de perfil do leitor [idade, cidade etc], seu hábito de leitura, padrões de conversão [por exemplo, quantidade de compras de e-book após a leitura da amostra], e de compartilhamento.

Mas o tipo de informação que mais parece interessar autores e editores é o de “performance”, ou seja, até onde os leitores chegam no livro, em quais trechos retêm mais ou menos atenção etc. O fundador e CEO da startup, James Levy, um jovem de apenas 26 anos, diz que o objetivo da Hiptype é ajudar seus clientes a determinar o DNA de um livro bem sucedido.

Do ponto de vista do self-publishing, o Hiptype pode ser um instrumento poderoso: por US$ 19 por mês [por livro], autores poderão passar a escrever e-books mais “adaptados” ao gosto de seus leitores. O lado negativo dessa possibilidade é o risco de se criar uma maré de e-books cada vez mais homogêneos no mercado. James Levy avisa que tomar conhecimento desaas informações pode ser um pouco deprimente para autores e editores. Dados iniciais sugerem, por exemplo, que existe uma baixa taxa de conversão, e poucos leitores que baixam livros gratuitos passam a comprá-los.

O Hiptype tem, porém, suas limitações. Ele será lançado em beta, só funciona em HTML5 e, por enquanto, a empresa credenciou apenas um número restrito de editoras. Os leitores, ao iniciar a leitura do e-book, podem optar por não ter seus dados coletados, o que pode viesar a amostra de dados. Mas, apesar de ser ainda uma pequena startup, Hiptype já possui uma “amostra” de peso: Cinqüenta tons de cinza. Dados de ouro.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 02/08/2012

Enquanto isso, no mercado editorial…


Por Camila Cabete | Texto publicado originalmente em PublishNews | 02/08/2012

Engraçado que muita gente ainda fala do mercado digital no futuro, confabulando como vai ser, o que vai acontecer. O mercado digital já está aqui. E algumas coisas mudaram. Escrevo hoje sobre essas mudanças com a “humilde” intenção de servir de guia. Será que sua empresa, do setor editorial, está seguindo a tendência? Será que esta tendência é a que deve ser seguida? Vamos por partes!

Setor comercial: o setor comercial está se aproximando cada vez mais dos setores de marketing e editorial. Diria até que muitos comerciais estão fazendo às vezes o papel do setor editorial, quando se trata de livro digital. Parece que sobrou pra eles – Comercial, aproveita que já tem os contatos, se vira aí e coloca os ebooks no ar!…mais ou menos isso. Coitados…mas daí estão saindo vários profissionais muito bons, capacitados e apaixonados pelo assunto digital.

Setor editorial: parece que ainda pensam demais em papel, mas numa boa, estou me surpreendendo com as iniciativas. Como comercial de uma agregadora, estamos fazendo cada vez mais um atendimento passivo. As editoras estão vindo atrás de soluções tecnológicas, segurança, diversidade de formatos. Claro, poderia ser melhor, mas vejo movimento e isso pra mim, que no início falava muitas vezes sozinha, é demais!

Setor de design: os diagramadores realmente estão se superando e buscando melhorias. A tendência é serem quase programadores. Os ePubs no Brasil ainda são muito defeituosos. De todos os ePubs comercializados na base que conheço, a Xeriph, mais da metade apresentaram defeitos que acabam não passando no padrão de qualidade de alguns players. Atenção: não é porque você abre o ePub no Adobe Digital Editions, que ele está dentro dos padrões de qualidade mundial… O resultado é uma correria atrás dos consertos dos epubs. O designers que trabalham mais na parte estética ainda pensam demais em papel. Muito raro ver uma capa de e-book funcional e bonita para Web e devices

Setor de desenvolvimento tecnológico: ainda inexistente nas editoras, mas recomendo fortemente!

Setor de marketing: ahhhh esse tem que melhorar! Ainda estão muito presos às ações de marketing físicas, ou melhor, com os livros físicos. Sim, poderiam fazer mais ações de marketing físicos para promover o digital. Não é porque o livro é digital que as ações devam se limitar às mídias sociais… Acho que o que falta é esse pessoal começar a consumir o produto. Muitos deles nem sabem que produto é este… #ficaadica …Não esquecendo que muitos setores de marketing das empresas se limitam às ordens do comercial e editorial. Comercial e editorial: deem mais liberdade pra eles, vai! Por favor, se souberem de ações legais de marketing para divulgação de e-book no Brasil, não deixem de me enviar.

O setor de livros digitais já é uma realidade e estou muito feliz com isso. Espero na próxima coluna falar somente de novidades…Mas como passei por férias colunísticas, resolvi começar do começo e remexer as bases.

Dúvidas e sugestões: camila.cabete@gmail.com

Por Camila Cabete | Texto publicado originalmente em PublishNews | 02/08/2012

Camila Cabete [@camilacabete] tem formação clássica em História, mas foi responsável pelo setor editorial de uma tradicional editora técnica por alguns anos [Ciência Moderna]. Hoje, é responsável pelo setor editorial da primeira livraria digital do Brasil, a Gato Sabido [@gatosabido]. É ainda consultora comercial da Xeriph, a primeira distribuidora de conteúdo digital do Brasil e sócia fundadora da Caki Books [@cakibooks], uma editora cross-mídia que publica livros em todos os formatos possíveis e imagináveis. Vive em Copacabana e tem uma gata preta chamada Lilica.

A coluna Ensaios digitais é um diário de bordo de quem vive 100% do digital no mercado editorial brasileiro. Quinzenalmente, às quintas-feiras, serão publicadas novidades, explicações e informações sobre tecnologias ligadas a área literária.

Ganhe uma medalha de ouro na Olimpíada das Descobertas


Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 02/08/2012

Para as livrarias tradicionais de tijolo e cimento, melhorar a capacidade de descobertas é razoavelmente simples. Tudo que você precisa fazer é encontrar uma forma de colocar seus livros na entrada da loja, bem ali onde todo mundo passa ao entrar. Um especialista em marketing chamaria isso de “placement”.

Você pode fazer algo parecido no digital – conseguindo um placement na primeira página, seu conteúdo vai vender exponencialmente mais do que se estivesse enterrado na página 17. Para aqueles que possuem algum amigo trabalhando como chefe de merchandising em alguma livraria online, é mais fácil conseguir um bom placement. Mas para o resto, “rankings” podem servir muito a nosso favor.

Placement nos rankings também é bastante simples. Quanto mais seus livros vendem, mais alto eles sobem nos rankings, e a maioria das lojas possui rankings em suas homepages. Estar no top-100 garante uma medalha de bronze – seu eBook “existe” para pessoas navegando atrás de conteúdo. A maioria dos leitores para de olhar depois do posto número 30 – então se o seu eBook está melhor do que isso, você ganhou uma de prata. Claro que estar entre os top-10 garante uma medalha de ouro. Todo este sistema de ranking parece paradoxal, no entanto. “Meu livro precisa estar alto no ranking para vender, mas para estar alto no ranking ele precisa vender bem.” Aqui está uma dica rápida: não vou contar como precificar seus livros [isso virá num post futuro], mas garanto que um livro com preço razoável vai subir mais rápido no ranking.

Os sistemas de rankings das livrarias possuem suas limitações. Como você pode imaginar, ajustando o preço é possível “enganar” o sistema. Apesar de que, na minha opinião, um preço justo é definitivamente uma grande estratégia, também é possível colocar seus livros como “grátis” temporariamente para subir no ranking, premiando editoras menores que tem menos a perder. Também estes rankings estão limitados a somente uma loja. E se a Apple ainda não tem aquele livro incrível que todo mundo adora? Bom, o New York Times começou uma “e-“ versão de sua famosa lista de best-sellers que cobre todas as principais livrarias. Eu adoraria ver uma lista parecida aqui no Brasil [está ouvindo, Globo?] – é só uma questão de tempo, acho.

A descoberta social também é outra grande ferramenta – quem sabe quais eBooks você iria gostar mais do que seus amigos e familiares? Com sete milhões de usuários, Goodreads tem feito um incrível trabalho de criação de uma comunidade de leitores [apesar do site só estar disponível em inglês] com seus amigos, familiares e leitores com gostos parecidos. Se você quer aprender todos os detalhes sobre “descoberta social”, veja a apresentação bem informativa do CEO Otis Chandler aqui. Também estou muito impressionado com as boas resenhas estilo “peer review” [e rankings associados] da recém-chegada iDreamBooks [estou menos impressionado com o nome do site].

Como você pode notar, nenhuma dessas grandes ferramentas de descoberta chegou ao Brasil ainda – mas pode ter certeza que quando os eBooks alcançarem uma massa crítica, vão aparecer muitas formas de ajudar leitores ávidos a matar sua vontade de ler. E pessoalmente, eu adoraria ver uma forma brasileira de descobertabilidade – talvez camisetas de futebol com “Companhia de Letras” impresso na frente???

Espero que todos tenham “descoberto” algo interessante neste post.

Greg Bateman

Greg Bateman

Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 02/08/2012

Greg Bateman, expert em tecnologia e empreendedor do negócio de e-books, é conhecido pelo seu envolvimento na criação de produtos extremamente bem-sucedidos, como os smartphones da Samsung e o Kindle, da Amazon. Na Vook, ele desenvolveu uma eficiente cadeia de produção de centenas de e-books por semana. Greg, que nasceu nos Estados Unidos, viveu nove anos no exterior, onde intermediou várias parcerias envolvendo Coreia, China, Japão e EUA. Hoje mora no Brasil, em São Paulo. Ele é pesquisador visitante da Universidade de Tóquio, tem duas graduações pela Universidade da Califórnia em Berkeley [engenharia elétrica/ciência da computação e literatura japonesa] e um MBA pela Columbia Business School.

A coluna E-Gringo discute a fundo o negócio e o lado técnico dos e-books a partir de uma perspectiva global. Às quartas-feiras, quinzenalmente, ela vai apresentar plataformas e tendências do mundo todo e, claro, do Brasil. Para enviar comentários, escreva para greg@hondana.com.br .

Novo CEO da Xeriph terá olhar de negócios e não de sonhos


Carlos Eduardo “Duda” Ernanny, controlador da distribuidora digital, passa o bastão da direção executiva a Francisco Paladino.

Francisco Paladino

Francisco Paladino

Desde o final de junho, a distribuidora de livros digitais Xeriph possui um novo CEO. Trata-se do carioca Francisco Paladino, um executivo experiente e com passagens em empresas como a Winsizing Informática e a Castrol Brasil. Carlos Eduardo Ernanny, atual controlador da empresa que acumulava a função de CEO às atividades de principal acionista, deixou o cargo executivo para se dedicar apenas à aquisição de conteúdo e ao relacionamento com editoras e livrarias.

A gente diversificou e abriu muitas frentes na Xeriph, começamos a atuar em projetos de educação, de bibliotecas, a realizar parcerias com operadoras como a Claro e a negociar com empresas estrangeiras como Amazon, Kobo, Google e Apple”, explicou Ernanny, que é conhecido como Duda no mercado. “Eu não conseguia mais acompanhar tudo sozinho, pois não sou um business manager. Então decidimos profissionalizar a empresa trazendo alguém mais velho, experiente, que pudesse olhar todas as nossas frentes não como sonhos mas como negócios”, complementou.

A Xeriph possui atualmente um catálogo de 10 mil livros distribuídos de 185 editoras. Há outras 40 editoras com contratos assinados e em processo de integração. E é este catálogo que será o foco das atenções de Duda Ernanny a partir de agora. “Vou me concentrar agora na área comercial da distribuidora Xeriph, com enfoque na aquisição de conteúdo e no relacionamento com o mercado. É uma volta às origens e estou fora de outros projetos não relacionados a isso. Também não preciso mais dedicar horas preciosas a planejamento fiscal, tributário e análise jurídica de contratos”, comentou Duda. Segundo ele, o catálogo ao qual ele vai se dedicar já vem crescendo no ritmo de 500 novos títulos por mês.

Para o novo CEO, Francisco Paladino, foram dois os principais pontos que o atraíram para a Xeriph. “Por toda minha vida sempre fui ligado a TI, mas também sempre fui muito interessado em produtos ligados à informação e este foi um dos apelos importantes para minha ida para a Xeriph”, explicou. “Outro fator foi a Xeriph ser uma empresa inserida em um mercado muito interessante, com produtos em linha com o que há de mais atual no mundo, que é o mercado do livro digital. Trata-se de um produto irreversível, o mundo todo vai passar a usar”, complementou.

Paladino faz um uníssono com Duda Ernanny sobre os motivos de sua contratação. “A Xeriph precisava de um choque de gestão, ela foi super bem desenvolvidade pelo Duda Ernanny, e sentiram, em certo momento, que precisavam de um profissional mais em gestão”, explicou.

Eu entrei na Xeriph com o objetivo inicial de fazer uma reestruturação funcional em toda a empresa, com revisão de contratos, enquadramento tributário, focando principalmente a parte organizacional”, acrescentou.

Paladino é otimista quando ao futuro do livro digital no Brasil. “Como perspectiva para o futuro, eu vejo um crescimento muito grande. As livrarias vão dar um pulo já no segundo semestre deste ano, tanto em volume de receita como de vendas”, profetizou o executivo. “É um negócio que ainda não tem volume suficiente no Brasil, mas vai explodir, não tenho dúvidas disso.

Por Carlo Carrenho e Iona T. Stevens | PublishNews | 02/08/2012

Governo quer incentivar leitura com ações por telefone e rede social


O Ministério da Cultura lançou nesta quinta-feira [2] a segunda etapa da campanha `Leia Mais, Seja Mais`, com foco nas classes C, D e E.

Com investimentos de R$ 4,5 milhões, a ação quer associar o hábito da leitura não apenas ao lazer mas também ao ganho de autonomia das pessoas.

`Está havendo uma ascensão dessas classes e grande parte das pessoas já conseguiu ter acesso ao básico. Mas elas podem ter algo a mais. O conhecimento é muito importante, e, para isso, a leitura é fundamental`, afirmou a ministra Ana de Hollanda após participar da cerimônia de lançamento da campanha, na Biblioteca Nacional, no Rio.

Para levar a mensagem ao público-alvo, a campanha usará a televisão, o rádio, a internet e até serviços de atendimento automático de telefone — até o fim do mês, quem ligar para o Ministério da Cultura irá ouvir trechos de livros de autores consagrados lidos por atores e atrizes.

A gravação é encerrada com a identificação do livro e a mensagem de que `com a literatura nenhum tempo é perdido`. Em seguida, a chamada é encaminhada para o telefonista.

Na internet, a campanha irá convidar os usuários do Facebook a trocarem a foto de seu perfil pela capa de um livro com o qual se identifiquem. `Muita gente acha que a internet faz uma concorrência desleal com a leitura, mas podemos usá-la a favor da leitura`, diz o presidente da Fundação Biblioteca Nacional, Galeno Amorim.

A campanha será realizada ao longo de todo o mês de agosto e está orçada em R$ 4,5 milhões. Com os custos da primeira fase, focada em anúncios de jornal e revista, o total investido chega a R$ 8 milhões.

Segundo Amorim, a campanha integra o Plano Nacional do Livro e da Leitura, que receberá R$ 373 milhões em 2012. Entre as ações previstas ou em execução estão a construção e a aquisição de acervo para bibliotecas públicas, a formação de agentes de leitura e a concessão de bolsas para jovens autores e tradutores.

Por Denise Menchen | Publicado por Folha de S.Paulo | 02/08/2012